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Instituição

Questões: Universidade Estadual do Maranhão — com gabarito

329 questões de Universidade Estadual do Maranhão, de 2015 a 2023. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 329 questões
  • 4 provas

Resultados: 119 questões

Página 5 de 6

  • Linguagens

    Português

    Leia o Texto IV para responder à questão:


    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2015, Interpretação de Textos

    A leitura do segundo parágrafo permite depreender a imagem que Fabiano tem de si mesmo e a sua reação ao domínio a que se submete, por meio do discurso indireto livre. Esse discurso é efetivado pela
    Escolha uma alternativa para a questão fcc0a8a9-dc
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto publicado em revista de grande circulação para responder à questão 03.

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2015, Interpretação de Textos

    Para sustentar a argumentação são utilizados variados recursos. A seleção léxico-semântica utilizada pelo autor para sustentar a argumentação marca o emprego de uma imagem crítica, com um tom
    Escolha uma alternativa para a questão fcb0b28e-dc
  • Linguagens

    Português

    O Texto II mostra um diálogo entre o Diabo e a segunda personagem, o Onzeneiro, quando chega à Barca do Inferno.

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2015, Interpretação de Textos

    O Diabo ouve o pretexto do Onzeneiro, mas não se deixa levar pelos artifícios da eloquência do passageiro. Essa atitude do Diabo pode ser comprovada no verso
    Escolha uma alternativa para a questão fcaaae33-dc
  • Linguagens

    Português

    O Auto da Barca do Inferno é uma das três peças que compõem a Trilogia das Barcas do teatro vicentino. Gil Vicente é autor do período literário português, conhecido como Humanismo.

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2015, Interpretação de Textos

    Os diálogos entre o anjo e o fidalgo põem em discussão não só os valores de um mundo medieval, mas também do mundo contemporâneo. A atualidade dessa discussão decorre de que o homem de hoje, ainda, assume falsos posicionamentos semelhantes ao de uma das personagens da cena. Essa atualidade é apresentada, por meio de
    Escolha uma alternativa para a questão fca3e0f6-dc
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, Universidade Estadual do Maranhão 2015, Preposições | Prepositions

    http://garfield.dale.ro/garfield-1996-december-30.html

    Muitos verbos em inglês consistem em duas partes: um verbo “base” (tais como bring, take, go, come) acompanhados de uma preposição ou de uma partícula adverbial (tais como up, down, out, in, off). No segundo quadro da tirinha, foi retirada a palavra que acompanha o verbo GO. A preposição que completa o sentido do verbo na fala do personagem é

    Escolha uma alternativa para a questão ef5818d4-d1
  • Linguagens

    Português

    A linguagem da propaganda enfrenta o desafio de prender a atenção do destinatário e, por isso, dentre outros recursos, valese de meios estilísticos.
    sinestesia e sinédoque, trazendo percepções de diferentes sentidos na parte/todo de uma expressão adverbial.Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2015, Interpretação de Textos
    Revista Veja.

    Para convencer o receptor, observa-se a combinação entre as figuras
    Escolha uma alternativa para a questão ef534f1d-d1
  • Linguagens

    Literatura

    Cada língua é um conjunto heterogêneo de falares, cujas variações ocorrem em todos os níveis. “Saudosa maloca” é um exemplo de variação. Adoniran Barbosa, autor da letra da música “Saudosa maloca”, é conhecido por criar composições inspiradas nas suas próprias vivências. Leia o fragmento seguinte:

    Saudosa maloca

    “[...]
    Mas um dia
    Nóis nem pode se alembrá
    Veio os homes com as ferramenta
    E o dono mandô derrubá
    Peguemo todas nossas coisa
    E fumo pro meio da rua
    Apreciá a demolição
    Que tristeza que nóis sentia
    Cada tauba que caía
    Doía no coração
    Matogrosso quis gritá
    Mas em cima eu falei
    Os homes tá cá razão
    Nóis arranja outro lugá
    Só se conformemo
    Quando o Joca falou
    Deus dá o frio conforme o cobertô.
    [...]”
    www.vagalume.com.br

    O verso que exemplifica variação no nível morfossintático e no fonológico é
    Escolha uma alternativa para a questão ef4f67a5-d1
  • Linguagens

    Português

    Analise a tirinha para responder a questão.

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2015, Interpretação de Textos

    VERÍSSIMO, L. F. As cobras: antologia definitiva. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.

    Os ditados populares permanecem no tempo e significam, na maioria das vezes, exemplos morais, filosóficos, sem deixar de carregarem consigo certa carga de humor e de ironia, sendo, por isso, comumente utilizados na linguagem cotidiana.

    O ditado popular que sintetiza o que é exposto na tirinha é

    Escolha uma alternativa para a questão ef46de0e-d1
  • Linguagens

    Português

    Para responder a questão, leia os poemas de Carlos Drummond de Andrade e de Olavo Bilac.


    Texto 

    Procura da Poesia

    [...]

    Penetra surdamente no reino das palavras.

    Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

    Estão paralisados, mas não há desespero,

    há calma e frescura na superfície intata.

    Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

    Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

    [...]

    Não forces o poema a desprender-se do limbo.

    Não colhas no chão o poema que se perdeu.

    Não adules o poema. Aceita-o

    Como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada

    no espaço.


    Chega mais perto e contempla as palavras.

    Cada uma

    tem mil faces secretas sob a face neutra

    e te pergunta, sem interesse pela resposta,

    pobre ou terrível, que lhe deres:

    Trouxeste a chave?


    Repara:

    ermas de melodia e conceito,

    elas se refugiaram na noite, as palavras.

    Ainda úmidas e impregnadas de sono,

    rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

    ANDRADE, Carlos Drummond de. A Rosa do Povo. 1 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. 



    Texto 

    Profissão de fé

    [...]

    Invejo o ourives

    Quando escrevo:

    Imito o amor

    Com que ele, em ouro, o alto-relevo

    Faz de uma flor.


    Imito-o. E, pois, nem de Carrara

    A pedra firo:

    O alvo cristal, a pedra rara,

    O ônix prefiro.


    Por isso, corre, por servir-me,

    Sobre o papel

    A pena, como em prata firme

    Corre o cinzel.

    [...]

    Torce , aprimora, alteia, lima

    A frase; e, enfim,

    no verso de ouro engasta a rima

    como um rubim.


    Quero que a estrofe cristalina,

    Dobrada ao jeito

    Do ourives, saia da oficina

    Sem um defeito.

    [...]

    Porque o escrever – tanta perícia,

    Tanta requer,

    Que oficio tal... nem há notícia

    De outro qualquer.

                                                     BILAC, Olavo. Poesia. Rio de Janeiro: Agir, 2005.



    Nos dois textos, algumas marcas linguísticas autorizam a inferência de que a palavra é vetor de poder. As palavras e/ou expressões, de um mesmo campo semântico, que exemplificam esse vetor são
    Escolha uma alternativa para a questão ef3bcaf7-d1
  • Linguagens

    Inglês

    This text refers to question.


    Wangari Maathai

    Imagem da questão de Inglês, Universidade Estadual do Maranhão 2023, Interpretação de texto | Reading comprehension

            Wangari Maathai, in full Wangari Muta Maathai, (born April 1, 1940, Nyeri, Kenya—died September 25, 2011, Nairobi), Kenyan politician and environmental activist who was awarded the 2004 Nobel Prize for Peace, becoming the first Black African woman to win a Nobel Prize.

            Maathai was educated in the United States at Mount St. Scholastica College (1964) and at the University of Pittsburgh (M.S., 1966). In 1971 she received a Ph.D. at the University of Nairobi, effectively becoming the first woman in either East or Central Africa to earn a doctorate.

            Maathai developed the idea that village women could improve the environment by planting trees to provide a fuel source and to slow the processes of deforestation and desertification. The Green Belt Movement, an organization she founded in 1977, had by the early 21st century planted some 30 million trees. Leaders of the Green Belt Movement established the Pan African Green Belt Network in 1986 in order to educate world leaders about conservation and environmental improvement.

            In addition to her conservation work, Maathai was elected to Kenya’s National Assembly in 2002 with 98 percent of the vote, and in 2003 she was appointed assistant minister of environment, natural resources, and wildlife. When she won the Nobel Prize in 2004, the committee commended her “holistic approach to sustainable development that embraces democracy, human rights, and women’s rights in particular.” She published an autobiography, Unbowed, in 2007. Another volume, The Challenge for Africa (2009), criticized Africa’s leadership as ineffectual and urged Africans to try to solve their problems without Western assistance. Maathai was a frequent contributor to international publications such as the Los Angeles Times and the Guardian.

    Wangari Maathai | Extract taken from Biography, Nobel Peace Prize, Books, Green Belt Movement, & Facts | Britannica
    Wangari Maathai developed a project to improve the environment. If they fail the main goal of this project, one would have, as a consequence
    Escolha uma alternativa para a questão d1df499b-c4
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2023, Interpretação de Textos

    Há relação semântica adequada nas ideias expressas entre os seguintes trechos:
    Escolha uma alternativa para a questão d1d78bd1-c4
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2023, Interpretação de Textos

    A tese defendida pela articulista pode ser atestada na seguinte premissa:
    Escolha uma alternativa para a questão d1d27d2d-c4
  • Linguagens

    Literatura

    Em Mar morto, ambiente predominantemente masculino, as personagens femininas adquirem vida própria. Considerando as características de bravura e de persistência, destaca-se a seguinte personagem:
    Escolha uma alternativa para a questão d1cfe63b-c4
  • Linguagens

    Literatura

    Jorge Amado de Faria, autor de vasta obra literária, adotou como temas principais a miséria, as relações sociais e humanas do povo da Bahia. Dentre suas obras cita-se Mar morto, incluído nas crônicas de costumes.

    Mar morto, de Jorge Amado, difere do Mar morto, localizado no Oriente Médio, caracterizado por sua alta salinidade, o que impede quase toda a forma de vida naquele lago. Em contrapartida, no romance, os impedimentos existentes são de ordem social e enigmática. Nessa obra, o autor enfoca
    Escolha uma alternativa para a questão d1cd6b52-c4
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual do Maranhão 2023, Interpretação de Textos

    Sobre a charge da venezuelana Suprani, analise as seguintes assertivas e julgue aquelas que são verdadeiras.


    I) A expressão fisionômica da noiva, imagem à direita, é de surpresa em relação à imagem refletida no espelho, à esquerda.

    II) A imagem da noiva e seu reflexo descrevem, de forma precisa, as relações humanas em tempos globalizados.

    III) A charge apresenta uma crítica social contundente ao papel da mulher na sociedade.

    IV) A imagem, ao fazer uma crítica social, celebra as posições invertidas da mulher na sociedade.

    V) A charge desnuda, de forma crítica, o sonho do casamento e a realidade de estar casada.


    Estão corretas, apenas, as seguintes assertivas:
    Escolha uma alternativa para a questão d1cadca3-c4
  • Linguagens

    Português

    A questão a seguir embasam-se na obra de Viriato Corrêa. Escrita na década de 1930, essa obra literária contém as memórias de infância do menino Cazuza, vivida no interior do Maranhão no final do século XIX.

    Nessa poesia popular nordestina trazida por Viriato Corrêa, em "Cazuza", observa-se o intuito dos repentistas de sobrepujarem um ao outro

    — José Firmino acredite,
    Não gosto de me gabar,
    Mas quando pego a viola,
    Quando começo a cantar,
    Saem da cova os defuntos,
    Os peixes saem do mar,
    Os anjos descem do céu,
    E tudo vem me escutar.

    O José Firmino quase não deixou que o
    companheiro acabasse o último verso, e cantou
    de viola estendida no peito:

    — Eu não tenho inveja disso,
    Sou valente, valentão,
    Canguçu é meu cavalo,
    Cascavel meu cinturão,
    Eu engulo brasa viva,
    Pego corisco com a mão,
    Um empurrão do meu dedo
    Bota dez morros no chão.

    O outro acelerou os dedos nas cordas da viola e respondeu:

    — Se eu for contar minhas artes
    Não acabo nunca mais;
    Para apagar os incêndios
    Uso breu e aguarrás,
    Eu ponho luneta em pulga,
    E gravata em Satanás,
    Eu faço gelo com brasa,
    Coisa que você não faz,
    Faço o carro andar na frente,
    Faço o boi andar atrás.

    E ergueu-se. José Firmino ergueu-se também.
    Eram ambos fortes no desafio. Não haveria
    vencido nem vencedor. Não valia a pena teimar.

    CORRÊA, Viriato. Cazuza. 37ª ed. São Paulo: Editora Nacional, 1992

    Considere o trecho a seguir.

    “E ergueu-se. José Firmino ergueu-se também. Eram ambos fortes no desafio. Não haveria vencido nem vencedor. Não valia a pena teimar.”

    Em variadas passagens do romance "Cazuza", o arranjo sintático confere fluidez à leitura e facilita a compreensão do texto pelo público infantojuvenil. Com vistas a esse fim, o escritor, na estruturação dos períodos que formam o trecho acima, optou pela
    Escolha uma alternativa para a questão fad18770-b0
  • Linguagens

    Português

    A questão a seguir embasam-se na obra de Viriato Corrêa. Escrita na década de 1930, essa obra literária contém as memórias de infância do menino Cazuza, vivida no interior do Maranhão no final do século XIX.

    Nessa poesia popular nordestina trazida por Viriato Corrêa, em "Cazuza", observa-se o intuito dos repentistas de sobrepujarem um ao outro

    — José Firmino acredite,
    Não gosto de me gabar,
    Mas quando pego a viola,
    Quando começo a cantar,
    Saem da cova os defuntos,
    Os peixes saem do mar,
    Os anjos descem do céu,
    E tudo vem me escutar.

    O José Firmino quase não deixou que o
    companheiro acabasse o último verso, e cantou
    de viola estendida no peito:

    — Eu não tenho inveja disso,
    Sou valente, valentão,
    Canguçu é meu cavalo,
    Cascavel meu cinturão,
    Eu engulo brasa viva,
    Pego corisco com a mão,
    Um empurrão do meu dedo
    Bota dez morros no chão.

    O outro acelerou os dedos nas cordas da viola e respondeu:

    — Se eu for contar minhas artes
    Não acabo nunca mais;
    Para apagar os incêndios
    Uso breu e aguarrás,
    Eu ponho luneta em pulga,
    E gravata em Satanás,
    Eu faço gelo com brasa,
    Coisa que você não faz,
    Faço o carro andar na frente,
    Faço o boi andar atrás.

    E ergueu-se. José Firmino ergueu-se também.
    Eram ambos fortes no desafio. Não haveria
    vencido nem vencedor. Não valia a pena teimar.

    CORRÊA, Viriato. Cazuza. 37ª ed. São Paulo: Editora Nacional, 1992

    Entre as estratégias contundentes utilizadas nas gabolices, destacam-se construções paradoxais, a exemplo do par de versos:
    Escolha uma alternativa para a questão face51a7-b0
  • Linguagens

    Português

    A questão toma como base o conto "Um Espinho de Marfim".


    Leia o final do conto "Um Espinho de Marfim".

    "E nesse último dia aproximou a cabeça do seu peito, com suave força, com força de amor empurrando, cravando o espinho de marfim no coração, enfim florido.Quando o rei veio em cobrança da promessa, foi isso que o sol morrente lhe entregou, a rosa de sangue e um feixe de lírios."

    O leitor pode fazer uma interpretação simbólica do dilema vivido pela princesa que decide por
    Escolha uma alternativa para a questão facb33f2-b0
  • Linguagens

    Português

    O conto a seguir serve de base para responder à questão.

    Entre as folhas do Verde O

        O príncipe acordou contente. Era dia de caçada. Os cachorros latiam no pátio do castelo. Vestiu o colete de couro, calçou as botas. Os cavalos batiam os cascos debaixo da janela. Apanhou as luvas e desceu.

         Lá embaixo parecia uma festa. Os arreios e os pelos dos animais brilhavam ao Sol. Brilhavam os dentes abertos em risadas, as armas, as trompas que deram o sinal de partida.

         Na floresta também ouviram a trompa e o alarido. Todos souberam que eles vinham. E cada um se escondeu como pode.

         Só a moça não se escondeu. Acordou com o som da tropa, e estava debruçada no regato quando os caçadores chegaram.

         Foi assim que o príncipe a viu. Metade mulher, metade corça, bebendo no regato. A mulher tão linda. A corça tão ágil. A mulher ele queria amar, a corça ele queria matar. Se chegasse perto será que ela fugia? Mexeu num galho, ela levantou a cabeça ouvindo. Então o príncipe botou a flecha no arco, retesou a corda, atirou bem na pata direita. E quando a corça-mulher dobrou os joelhos tentando arrancar a flecha, ele correu e a segurou, chamando homens e cães.

         Levaram a corça para o castelo. Veio o médico, trataram do ferimento. Puseram a corça num quarto de porta trancada. Todos os dias o príncipe ia visitá-la. Só ele tinha a chave. E cada vez se apaixonava mais. Mas a corça-mulher só falava a língua da floresta e o príncipe só sabia ouvir a língua do palácio. Então, ficavam horas se olhando calados, com tanta coisa para dizer.

         Ele queria dizer que a amava tanto, que queria casar com ela e tê-la para sempre no castelo, que a cobriria de roupas e joias, que chamaria o melhor feiticeiro do reino para fazê-la virar toda mulher.

         Ela queria dizer que o amava tanto, que queria se casar com ele e levá-lo para a floresta, que lhe ensinaria a gostar dos pássaros e das flores e que pediria à Rainha das Corças para dar-lhe quatro patas ágeis e um belo pelo castanho.

         Mas o príncipe tinha a chave da porta. E ela não tinha o segredo da palavra.

         Todos os dias se encontravam. Agora se seguravam as mãos. E no dia em que a primeira lágrima rolou nos olhos dela, o príncipe pensou ter entendido e mandou chamar o feiticeiro.

         Quando a corça acordou, já não era mais corça. Duas pernas só, e compridas, um corpo branco. Tentou levantar, não conseguiu. O príncipe lhe deu a mão. Vieram as costureiras e a cobriram de roupas. Vieram os joalheiros e a cobriram de joias. Vieram os mestres de dança para ensinar-lhe a andar. Só não tinha a palavra. E o desejo de ser mulher.

         Sete dias ela levou para aprender sete passos. E na manhã do oitavo dia, quando acordou e viu a porta aberta, juntou sete passos e mais sete, atravessou o corredor, desceu a escada, cruzou o pátio e correu para a floresta à procura de sua Rainha.

         O Sol ainda brilhava quando a corça saiu da floresta, só corça, não mais mulher. E se pôs a pastar sob as janelas do palácio.


    COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo: Global, 2005

    Esse conto nos ajuda a explicar a polaridade entre os gêneros que apontam dicotomias biológicas e psicológicas, ilustrando as diferenças entre macho-fêmea, homem-mulher, visto na vida cotidiana como bem-mal, certo-errado, temática central dos contos de fadas. Pode-se depreender, mais de que uma mera dicotomia, que o tema central do conto revela 
    Escolha uma alternativa para a questão fac212c2-b0
  • Linguagens

    Literatura

    Clarice Lispector nasceu em uma aldeia na Ucrânia (Antiga União Soviética). Ao chegar ao Brasil, desembarcou em Manaus, quando tinha dois meses de idade, depois se mudou para Recife. Viveu fora do Brasil, fez leituras de grandes brasileiros e de estrangeiros, trazendo inovações, produzindo um estilo que a tornou uma das grandes escritoras de Língua Portuguesa. Leia um fragmento de um dos capítulos de seu primeiro livro. 

    ALEGRIAS DE JOANA

        A liberdade que às vezes sentia. Não vinha de reflexões nítidas, mas de um estado como feito de percepções por demais orgânicas para serem formuladas em pensamentos. Às vezes, no fundo da sensação tremulava uma ideia que lhe dava leve consciência de sua espécie e de sua cor.

        O estado para onde deslizava quando murmurava: eternidade. O próprio pensamento adquiria uma qualidade de eternidade. Aprofundava-se magicamente e alargava-se, sem propriamente um conteúdo e uma forma, mas sem dimensões também. A impressão de que se conseguisse manter-se na sensação por mais uns instantes teria uma revelação — facilmente, como enxergar o resto do mundo apenas inclinando-se da terra para o espaço. Eternidade não era só o tempo, mas algo como a certeza enraizadamente profunda de não poder contê-lo no corpo por causa da morte; a impossibilidade de ultrapassar a eternidade era eternidade; e também era eterno um sentimento em pureza absoluta, quase abstrato. Sobretudo dava ideia de eternidade a impossibilidade de saber quantos seres humanos se sucederiam após seu corpo, que um dia estaria distante do presente com a velocidade de um bólido. Definia eternidade e as explicações nasciam fatais como as pancadas do coração. Delas não mudaria um termo sequer, de tal modo eram sua verdade. Porém mal brotavam, tornavam-se vazias logicamente.

        Definir a eternidade como uma quantidade maior que o tempo e maior mesmo do que o tempo que a mente humana pode suportar em ideia também não permitiria, ainda assim, alcançar sua duração. Sua qualidade era exatamente não ter quantidade, não ser mensurável e divisível porque tudo o que se podia medir e dividir tinha um princípio e um fim. Eternidade não era a quantidade infinitamente grande que se desgastava, mas eternidade era a sucessão.

    LISPECTOR, Clarice. Perto do Coração Selvagem: Rio de Janeiro: Rocco, 2019. 
    Analise os seguintes trechos para responder à questão.

    “O estado para onde deslizava quando murmurava: eternidade.” / ”Aprofundava-se magicamente e alargava-se, sem propriamente um conteúdo e uma forma, mas sem dimensões também.”

    Os trechos podem exemplificar a afirmação de críticos consagrados sobre uma das surpreendentes marcas estilísticas de Clarice Lispector. Essa característica se traduz como
    Escolha uma alternativa para a questão fab32006-b0