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Instituição

Questões: Universidade de Pernambuco — com gabarito

399 questões de Universidade de Pernambuco, de 2016 a 2021. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 399 questões
  • 3 provas

Resultados: 101 questões

Página 3 de 6

  • Linguagens

    Português

    Com a vida em xeque diante da COVID-19, ser humano descobre a empatia e a solidariedade como atos de preservação da espécie

    Um olhar voltado para o cuidado e a atenção com o outro

    "Poderia haver maior milagre do que olharmos com os olhos do outro por um instante?" A indagação é de Henry David Thoreau, historiador e filósofo americano, que morreu em 1862. No mundo individualista do século 21, será que ainda há lugar para o ser humano praticar a empatia? Ser solidário? Ter olhar para a cooperação social? Sim. Ainda bem. Caso contrário, a espécie estaria com os dias contados. Não está. Ela sobrevive porque em toda parte há pessoas que espalham o antídoto do amor e da generosidade ao ajudar quem precisa. E não só para quem está à margem da sociedade.

    Philia, termo tirado do tratado Ética a Nicômaco, de Aristóteles, pode ser traduzido como amizade, amor e também empatia, ou seja, uma espécie de afeição e apreço por outra pessoa. O modo como o filósofo aplicava o termo é uma inspiração para o tempo atual: ―Fazer o bem; fazer sem que seja solicitado‖. Assim agem muitos brasileiros diante dos desafios provocados pela pandemia do novo coronavírus. É um trabalho de formiguinha, incansável, com cada um fazendo um pouco, que somado a outro pouco leva esperança e alento a muitas pessoas.

    O filósofo australiano Roman Krznaric, fundador da The School of Life de Londres (badalada escola inglesa que oferece cursos livres na área de Humanidades) e descrito pelo Observer com um dos mais importantes pensadores britânicos dedicados ao estudo dos estilos de vida, acredita que a empatia pode criar uma grande mudança social. Em seu livro Empathy – A handbook for revolution ("O poder da empatia – A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo‖, Editora Zahar), ele escreveu sobre o que chama de ―a tragédia da Era da Introspecção‖, com o intenso foco no eu.

    Para o filósofo, é hora de tentar algo diferente. ―Há mais de 2 mil anos, Sócrates aconselhou que o melhor caminho para viver bem e com sabedoria era o 'conhece-te a ti mesmo'‖. Pensam convencionalmente que isso exige autorreflexão: que olhemos para dentro de nós e contemplemos nossas almas. Mas podemos também passar a nos conhecer saindo de nós mesmos e aprendendo sobre vidas e culturas diferentes das nossas. É hora de forjar a 'Era da Outrospecção', e a empatia é nossa maior esperança para fazer isso.‖

    Não que a empatia seja uma panaceia universal para todos os problemas do mundo, nem para todas as lutas da vida, mas ela faz a diferença na vida do outro e na própria existência. São ações diversas, inspiradoras e que podem despertar a mesma atitude em mais pessoas em dias tão difíceis. [...]

    O mundo vive um sofrimento global, talvez sem precedentes na história. Diante de um inimigo comum, todos são afetados. Logo, a única alternativa é enfrentá-lo juntos e com esperança de que tudo ―dará certo‖, como tem sido o lema mundial. O momento é, portanto, de comunhão. A psicóloga clínica Maria Clara Jost, pós-doutora em Psicologia, professora da Faculdade de Ciências Médicas e pós-graduada em Filosofia, lembra que quanto mais a pessoa se fecha em um casulo menos descobre sobre si e sobre os seus valores mais próprios, acabando por intensificar sofrimentos já existentes, tendendo ao adoecimento em diversas esferas do ser.

    Por outro lado, ressalta Maria Clara, se somos constituídos na relação que estabelecemos com os outros, desde o útero, então, quanto mais nos posicionarmos no sentido de abertura ao mundo, ao outro e à coletividade, em um movimento autotranscendente, maior a possibilidade de encontrar quem, muitas vezes, estava escondido num turbilhão de afazeres, por vezes sem sentido: nós mesmos.


    Lilian Monteiro. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/04/26/interna_bem_viver,1141208/com-avida-em-xeque-diante-da-covid-19-ser-humano-descobre-a-empatia.shtml Acesso em: 30/06/2020. (Adaptado)
    Para desenvolver sua tese, a autora do Texto 6 se respalda no pensamento de alguns filósofos. Em relação a Roman Krznaric, por exemplo, a autora demonstra sua adesão à seguinte ideia:
    Escolha uma alternativa para a questão dbd096d4-6e
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, Universidade de Pernambuco 2021, Interpretação de Textos

    Texto 5

    POÉTICA

    Manuel Bandeira

    Estou farto do lirismo comedido
    do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e                                                                                                      [manifestações de apreço ao Sr. Diretor
    Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho
                                                                                                                    [vernáculo de um vocábulo.

    Abaixo os puristas

    Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
    Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
    Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

    Estou farto do lirismo namorador
    Político
    Raquítico
    Sifilítico
    De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
    De resto não é lirismo
    Será contabilidade tabela de cossenos secretário do amante exemplar
                                                                                            [com cem modelos de cartas e as diferentes
                                                                                            [maneiras de agradar às mulheres, etc.
    Quero antes o lirismo dos loucos
    O lirismo dos bêbados
    O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
    O lirismo dos clowns de Shakespeare

    – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


    BANDEIRA, Manuel. Poética. In: MORICONI, Ítalo. Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
    (Adaptado)
    Para compreender a argumentação pretendida no Texto 4, em seus elementos contextuais mais relevantes e atuais, é necessário admitir que o autor
    Escolha uma alternativa para a questão dbc9ba8c-6e
  • Linguagens

    Literatura

    Imagem da questão de Literatura, Universidade de Pernambuco 2021, Escolas Literárias

    Texto 5

    POÉTICA

    Manuel Bandeira

    Estou farto do lirismo comedido
    do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e                                                                                                      [manifestações de apreço ao Sr. Diretor
    Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho
                                                                                                                    [vernáculo de um vocábulo.

    Abaixo os puristas

    Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
    Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
    Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

    Estou farto do lirismo namorador
    Político
    Raquítico
    Sifilítico
    De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
    De resto não é lirismo
    Será contabilidade tabela de cossenos secretário do amante exemplar
                                                                                            [com cem modelos de cartas e as diferentes
                                                                                            [maneiras de agradar às mulheres, etc.
    Quero antes o lirismo dos loucos
    O lirismo dos bêbados
    O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
    O lirismo dos clowns de Shakespeare

    – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


    BANDEIRA, Manuel. Poética. In: MORICONI, Ítalo. Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
    (Adaptado)
    A primeira fase do Modernismo brasileiro contemplou artistas diversos que exploraram diferentes tendências e estilos. A Semana de Arte Moderna foi um marco nessa fase e teve a participação de artistas que defendiam uma nova visão de arte, a partir de uma estética inovadora, inspirada nas vanguardas europeias. Com base nas leituras dos Textos 1, 2, 3, 4 e 5, e considerando as características da primeira fase do Modernismo no Brasil, assinale a alternativa CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão dbc2f95d-6e
  • Linguagens

    Inglês

    Text 2

    Home

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2021, Advérbios e conjunções | Adverbs and conjunctions

    No one leaves

    home unless home is the mouth of a shark

    you only run for the border

    when you see the whole city running as well


    Your neighbors running faster than you

    breath bloody in their throats

    the boy you went to school with

    who kissed you dizzy behind the old tin factory

    is holding a gun bigger than his body

    you only leave homewhen

    home won‘t let you stay.


    No one leaves home unless home chases you

    fire under feet

    hot blood in your belly

    it‘s not something you ever thought of doing

    until the blade burnt threats into

    your neck

    and even then you carried the anthem under

    your breath

    only tearing up your passport in an airport toilet

    sobbing as each mouthful of paper

    made it clear that you wouldn‘t be going back.


    You have to understand,

    that no one puts their children in a boat

    unless the water is safer than the land

    no one burns their palms

    under trains

    beneath carriages (…)

    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2021, Advérbios e conjunções | Adverbs and conjunctions

    I want to go home,

    but home is the mouth of a shark

    home is the barrel of the gun

    and no one would leave home

    unless home chased you to the shore

    unless home told you to quicken your legs

    leave your clothes behind

    crawl through the desert

    wade through the oceans (…)


    No one leaves home until home is a sweaty voice in your ear

    saying –

    leave,

    run away from me now

    I dont know what I‘ve become

    but I know that anywhere

    is safer than here.


    By Warsan Shire. Disponível em: https://www.facinghistory.org/educator-resources/current-events/many-faces-global-migration#8 Excertos. Acesso em: set. 2020.

    Considere o gênero textual, o contexto e a gramática da língua inglesa, e assinale a afirmativa INCORRETA para a análise linguística apresentada.
    Escolha uma alternativa para a questão 127059e2-6a
  • Linguagens

    Inglês

    Text 2

    Home

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2021, Interpretação de texto | Reading comprehension

    No one leaves

    home unless home is the mouth of a shark

    you only run for the border

    when you see the whole city running as well


    Your neighbors running faster than you

    breath bloody in their throats

    the boy you went to school with

    who kissed you dizzy behind the old tin factory

    is holding a gun bigger than his body

    you only leave homewhen

    home won‘t let you stay.


    No one leaves home unless home chases you

    fire under feet

    hot blood in your belly

    it‘s not something you ever thought of doing

    until the blade burnt threats into

    your neck

    and even then you carried the anthem under

    your breath

    only tearing up your passport in an airport toilet

    sobbing as each mouthful of paper

    made it clear that you wouldn‘t be going back.


    You have to understand,

    that no one puts their children in a boat

    unless the water is safer than the land

    no one burns their palms

    under trains

    beneath carriages (…)

    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2021, Interpretação de texto | Reading comprehension

    I want to go home,

    but home is the mouth of a shark

    home is the barrel of the gun

    and no one would leave home

    unless home chased you to the shore

    unless home told you to quicken your legs

    leave your clothes behind

    crawl through the desert

    wade through the oceans (…)


    No one leaves home until home is a sweaty voice in your ear

    saying –

    leave,

    run away from me now

    I dont know what I‘ve become

    but I know that anywhere

    is safer than here.


    By Warsan Shire. Disponível em: https://www.facinghistory.org/educator-resources/current-events/many-faces-global-migration#8 Excertos. Acesso em: set. 2020.

    Em determinado momento, a autora revela uma lembrança terna que se mistura aos outros sentimentos evocados no poema. Assinale-a.
    Escolha uma alternativa para a questão 126c140e-6a
  • Linguagens

    Inglês

    Text 2

    Home

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2021, Interpretação de texto | Reading comprehension

    No one leaves

    home unless home is the mouth of a shark

    you only run for the border

    when you see the whole city running as well


    Your neighbors running faster than you

    breath bloody in their throats

    the boy you went to school with

    who kissed you dizzy behind the old tin factory

    is holding a gun bigger than his body

    you only leave homewhen

    home won‘t let you stay.


    No one leaves home unless home chases you

    fire under feet

    hot blood in your belly

    it‘s not something you ever thought of doing

    until the blade burnt threats into

    your neck

    and even then you carried the anthem under

    your breath

    only tearing up your passport in an airport toilet

    sobbing as each mouthful of paper

    made it clear that you wouldn‘t be going back.


    You have to understand,

    that no one puts their children in a boat

    unless the water is safer than the land

    no one burns their palms

    under trains

    beneath carriages (…)

    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2021, Interpretação de texto | Reading comprehension

    I want to go home,

    but home is the mouth of a shark

    home is the barrel of the gun

    and no one would leave home

    unless home chased you to the shore

    unless home told you to quicken your legs

    leave your clothes behind

    crawl through the desert

    wade through the oceans (…)


    No one leaves home until home is a sweaty voice in your ear

    saying –

    leave,

    run away from me now

    I dont know what I‘ve become

    but I know that anywhere

    is safer than here.


    By Warsan Shire. Disponível em: https://www.facinghistory.org/educator-resources/current-events/many-faces-global-migration#8 Excertos. Acesso em: set. 2020.

    O poema Home, da escritora e poeta somali Warsan Shire, traz em seu cerne uma questão relevante nas pautas e discussões mundiais da atualidade. Nele, percebe-se, principalmente, que a autora
    Escolha uma alternativa para a questão 12681d58-6a
  • Linguagens

    Inglês

    Text 1


    What is Distance Learning and Why Is It So Important?

    Imagem da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2021, Palavras conectivas | Connective words


    1 Distance learning – any form of remote education where the student is not physically present for the lesson – is booming thanks to the power of the Internet. In fact, there are a number of advantages of learning remotely over even traditional teaching models. As the Internet blurs the line between near and far, distance learning is set to disrupt the current paradigm of education.
    2 Historically, distance learning described correspondence courses in which students would communicate with their schools or teachers by mail. More recently, distance education has moved online to include a huge range of systems and methods on practically any connected device.
    3 Distance education is clearly different from regular education in terms of a student or teacher‘s physical presence. For the most part, it translates into increased freedom for both learners and educators, but it also requires higher degrees of discipline and planning to successfully complete the course of study.
    4 The enhanced freedom of remote learning is most clearly seen in the fact that students can choose courses that fit their schedules and resources. (Teachers can do the same.) And in the case of digital learning, students can also choose the location and teaching styles that best suit their needs.
    5 Remote education is certainly not a magic bullet and there will always be a place for in-class learning. At the same time, distance learning still has a lot of untapped potential to reach students where they are and connect educators and learners in new ways. From increased flexibility to new learning styles, it seems that the future of learning will be as diverse in time and place as it will be in thought.

    Disponível em: https://www.viewsonic.com/library/education/what-is-distance-learning-and-why-is-it-so-important/. Texto adaptado. Acesso em: 20 set. 2020.

    In the 2 nd paragraph: Historically, distance learning described correspondence courses in which students would communicate with their schools or teachers by mail., in which is
    Escolha uma alternativa para a questão 125ed97d-6a
  • Linguagens

    Inglês

    Text 1


    What is Distance Learning and Why Is It So Important?

    Imagem da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2021, Interpretação de texto | Reading comprehension


    1 Distance learning – any form of remote education where the student is not physically present for the lesson – is booming thanks to the power of the Internet. In fact, there are a number of advantages of learning remotely over even traditional teaching models. As the Internet blurs the line between near and far, distance learning is set to disrupt the current paradigm of education.
    2 Historically, distance learning described correspondence courses in which students would communicate with their schools or teachers by mail. More recently, distance education has moved online to include a huge range of systems and methods on practically any connected device.
    3 Distance education is clearly different from regular education in terms of a student or teacher‘s physical presence. For the most part, it translates into increased freedom for both learners and educators, but it also requires higher degrees of discipline and planning to successfully complete the course of study.
    4 The enhanced freedom of remote learning is most clearly seen in the fact that students can choose courses that fit their schedules and resources. (Teachers can do the same.) And in the case of digital learning, students can also choose the location and teaching styles that best suit their needs.
    5 Remote education is certainly not a magic bullet and there will always be a place for in-class learning. At the same time, distance learning still has a lot of untapped potential to reach students where they are and connect educators and learners in new ways. From increased flexibility to new learning styles, it seems that the future of learning will be as diverse in time and place as it will be in thought.

    Disponível em: https://www.viewsonic.com/library/education/what-is-distance-learning-and-why-is-it-so-important/. Texto adaptado. Acesso em: 20 set. 2020.

    Considering the author‘s point of view, distance learning is
    Escolha uma alternativa para a questão 12599500-6a
  • Linguagens

    Português

    Texto 7


    XVII – DO TRAPÉZIO E OUTRAS COISAS

    [...]

        "... Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil. [...]"


    ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 1997. p. 44. Excertos.


    Texto 8


    XXVII – VIRGÍLIA?


        "Virgília? Mas então era a mesma senhora que alguns anos depois...? A mesma; era justamente a senhora que em 1869 devia assistir aos meus últimos dias, e que antes, muito antes, teve larga parte nas minhas mais íntimas sensações. Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação. Era isto Virgília, e era clara, muito clara, faceira, ignorante, pueril, cheia de uns ímpetos misteriosos; muita preguiça e alguma devoção, — devoção, ou talvez medo; creio que medo. [...]"

    ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 1997. p. 59. Excertos. 

    Texto 9

    Imagem da questão de Português, Universidade de Pernambuco 2021, Crase


    Texto 10

        "Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, 'olhos de cigana oblíqua e dissimulada.‘ Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...
    [...] 

        E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... [...]"

    ASSIS, Machado de. D. Casmurro. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 67; p. 232-233. Excertos.


    Analisando a aplicação de algumas regularidades sintáticas da norma padrão aos Textos 7, 8 e 10, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 11e357ac-6a
  • Linguagens

    Português

    Texto 1 


    13 DE MAIO


    Foi quando eu era seminarista no interior de São Paulo. Era 13 de maio de 1966 e os meus colegas de seminário, quase todos descendentes de italianos ou alemães, resolveram homenagear o dia da abolição dos escravos com um almoço. Nós, os poucos negros ou pardos da turma, fomos "convidados" a sentar na mesa central do refeitório, decorada com as palavras 'Navio Negreiro'. Quando vi aquilo me recusei e me sentei numa mesa lateral, com todos os outros colegas. Pois os organizadores daquilo me pegaram à força, me arrastaram e me fizeram sentar na marra junto aos outros negros, no que considerei uma ofensa gravíssima. Arrumei as malas para ir embora, mas fui convencido a ficar pelo padre do local. Ele me recomendou que deixasse o ódio passar e que tomasse aquele episódio como bandeira de luta para um mundo melhor. E, de fato, aquele episódio alterou radicalmente a direção da minha vida. Foi a partir de então que tirei a foto do meu pai, que era negro, do fundo da minha mala, e coloquei-a ao lado da fotografia da minha mãe, branca, com os meus objetos pessoais.


    Frei David Raimundo dos Santos, 63 anos, frade, fundador da ONG Educafro. Disponível em: www.educafro.org.br Acesso em: 15 set. 2020. Adaptado.

    Em: "Foi a partir de então [...]" (Texto 1), o articulador destacado pode ser substituído, sem alterações significativas nos sentidos do texto, por:
    Escolha uma alternativa para a questão 11c33203-6a
  • Linguagens

    Português

    Texto 1 


    13 DE MAIO


    Foi quando eu era seminarista no interior de São Paulo. Era 13 de maio de 1966 e os meus colegas de seminário, quase todos descendentes de italianos ou alemães, resolveram homenagear o dia da abolição dos escravos com um almoço. Nós, os poucos negros ou pardos da turma, fomos "convidados" a sentar na mesa central do refeitório, decorada com as palavras 'Navio Negreiro'. Quando vi aquilo me recusei e me sentei numa mesa lateral, com todos os outros colegas. Pois os organizadores daquilo me pegaram à força, me arrastaram e me fizeram sentar na marra junto aos outros negros, no que considerei uma ofensa gravíssima. Arrumei as malas para ir embora, mas fui convencido a ficar pelo padre do local. Ele me recomendou que deixasse o ódio passar e que tomasse aquele episódio como bandeira de luta para um mundo melhor. E, de fato, aquele episódio alterou radicalmente a direção da minha vida. Foi a partir de então que tirei a foto do meu pai, que era negro, do fundo da minha mala, e coloquei-a ao lado da fotografia da minha mãe, branca, com os meus objetos pessoais.


    Frei David Raimundo dos Santos, 63 anos, frade, fundador da ONG Educafro. Disponível em: www.educafro.org.br Acesso em: 15 set. 2020. Adaptado.

    Quanto aos recursos lexicais, gramaticais e gráficos empregados no Texto 1 e seus efeitos nos sentidos, analise as afirmativas a seguir.

    1) As aspas em "convidados" revelam que o narrador ficou surpreso ao ser convidado para o evento do dia 13 de Maio.
    2) A designação 'Navio Negreiro‘ para a mesa de refeição foi ofensiva ao narrador, porque simboliza a opressão e a violência que vitimam os negros, há séculos.
    3) Em: "Quando vi aquilo", o pronome (destacado) se refere ao trecho "mesa central do refeitório, decorada com as palavras 'Navio Negreiro'"; o uso de 'aquilo', nesse caso, reforça que o narrador despreza a ação de seus colegas e discorda dela. 4) O termo "bandeira de luta" sinaliza a ideia de "ir à forra", "passar por cima", isto é, destruir a supremacia branca.

    Estão CORRETAS:
    Escolha uma alternativa para a questão 11b8def5-6a
  • Linguagens

    Inglês

    Texto 3


    Imagem da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2017, Interpretação de texto | Reading comprehension


    Dinner and a movie. A walk in a park after a picnic for two. They might not be original, but these are classic date ideas.

    Do people your age go out on dates? Or are you more likely to hang out with a big group of people that includes people who are seeing each other exclusively?

    In "The End of Courtship?" Alex Williams writes about Shani Silver, who recently waited to hear from the guy who had asked her on a "date" that evening: at 10 p.m., he texted to ask if she wanted to join him and "a bunch of friends from college" at the place where they were hanging out:

    Turned off, she fired back a text message, politely declining. But in retrospect, she might have adjusted her expectations. "The word 'date‘ should almost be stricken from the dictionary," Ms. Silver said. "Dating culture has evolved to a cycle of text messages, each one requiring the code-breaking skills of a cold war spy to interpret."

    "It‘s one step below a date, and one step above a high-five," she added. Dinner at a romantic new bistro? Forget it. Women in their 20s these days are lucky to get a last-minute text to tag along. Raised in the age of so-called "hookup culture," millennials — who are reaching an age where they are starting to think about settling down — are subverting the rules of courtship.

    Instead of dinner and a movie, which seems as obsolete as a rotary phone, they rendezvous over phone texts, Facebook posts, instant messages and other "non-dates" that are leaving a generation confused about how to land a boyfriend or girlfriend.

    "The new date is 'hanging out,' " said Denise Hewett, 24, an associate television producer in Manhattan, who is currently developing a show about this frustrating new romantic landscape. As one male friend recently told her: "I don‘t like to take girls out. I like to have them join in on what I‘m doing — going to an event, a concert." 

    (…) Relationship experts point to technology as another factor in the upending of dating culture.

    Traditional courtship — picking up the telephone and asking someone on a date — required courage, strategic planning and a considerable investment of ego (by telephone, rejection stings). Not so with texting, e-mail, Twitter or other forms of "asynchronous communication," as techies call it. In the context of dating, it removes much of the need for charm; it‘s more like dropping a line in the water and hoping for a nibble.

    "I‘ve seen men put more effort into finding a movie to watch on Netflix Instant than composing a coherent message to ask a woman out," said Anna Goldfarb, 34, an author and blogger in Moorestown, N.J. A typical, annoying query is the last-minute: "Is anything fun going on tonight?" (…)

    BY SHANNON DOYNE Disponível em: https://mobile.nytimes.com/blogs/learning/2013/01/14/ is-the-date-a-thing-of-the-past/? Adaptado.

    Ao dizer: "Dating culture has evolved to a cycle of text messages, each one requiring the code-breaking skills of a cold war spy to interpret." (2º parágrafo), a entrevistada expressou-se
    Escolha uma alternativa para a questão f90e6dd4-f9
  • Linguagens

    Inglês

    Texto 3


    Imagem da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2017, Interpretação de texto | Reading comprehension


    Dinner and a movie. A walk in a park after a picnic for two. They might not be original, but these are classic date ideas.

    Do people your age go out on dates? Or are you more likely to hang out with a big group of people that includes people who are seeing each other exclusively?

    In "The End of Courtship?" Alex Williams writes about Shani Silver, who recently waited to hear from the guy who had asked her on a "date" that evening: at 10 p.m., he texted to ask if she wanted to join him and "a bunch of friends from college" at the place where they were hanging out:

    Turned off, she fired back a text message, politely declining. But in retrospect, she might have adjusted her expectations. "The word 'date‘ should almost be stricken from the dictionary," Ms. Silver said. "Dating culture has evolved to a cycle of text messages, each one requiring the code-breaking skills of a cold war spy to interpret."

    "It‘s one step below a date, and one step above a high-five," she added. Dinner at a romantic new bistro? Forget it. Women in their 20s these days are lucky to get a last-minute text to tag along. Raised in the age of so-called "hookup culture," millennials — who are reaching an age where they are starting to think about settling down — are subverting the rules of courtship.

    Instead of dinner and a movie, which seems as obsolete as a rotary phone, they rendezvous over phone texts, Facebook posts, instant messages and other "non-dates" that are leaving a generation confused about how to land a boyfriend or girlfriend.

    "The new date is 'hanging out,' " said Denise Hewett, 24, an associate television producer in Manhattan, who is currently developing a show about this frustrating new romantic landscape. As one male friend recently told her: "I don‘t like to take girls out. I like to have them join in on what I‘m doing — going to an event, a concert." 

    (…) Relationship experts point to technology as another factor in the upending of dating culture.

    Traditional courtship — picking up the telephone and asking someone on a date — required courage, strategic planning and a considerable investment of ego (by telephone, rejection stings). Not so with texting, e-mail, Twitter or other forms of "asynchronous communication," as techies call it. In the context of dating, it removes much of the need for charm; it‘s more like dropping a line in the water and hoping for a nibble.

    "I‘ve seen men put more effort into finding a movie to watch on Netflix Instant than composing a coherent message to ask a woman out," said Anna Goldfarb, 34, an author and blogger in Moorestown, N.J. A typical, annoying query is the last-minute: "Is anything fun going on tonight?" (…)

    BY SHANNON DOYNE Disponível em: https://mobile.nytimes.com/blogs/learning/2013/01/14/ is-the-date-a-thing-of-the-past/? Adaptado.

    Sobre o conteúdo do texto, analise as afirmativas a seguir e assinale a CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão f90171fd-f9
  • Linguagens

    Inglês

    Texto 2


    Imagem da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2017, Vocabulário | Vocabulary

    What are the missing words in the cartoon? Consider context, grammar and the respective order to complete the blanks.
    Escolha uma alternativa para a questão f8fd8785-f9
  • Linguagens

    Inglês

    Texto 1


    Imagem da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2017, Advérbios de: lugar, modo, tempo e freqüência | Adverbs of: place, manner, time and frequency


    US President Donald Trump has defended his use of social media in a series of tweets, following a row over comments he made about two MSNBC TV presenters.


    "My use of social media is not presidential – it's modern day presidential," he tweeted on Saturday.

    His tweets are condemned by Democrats and Republicans alike, despite the White House springing to his defence.

    Mr Trump's aides have previously expressed concern over his tweets.

    But the president said on Saturday that social media gave him the opportunity to connect directly to the public, bypassing the mainstream media, whose content Mr Trump regularly labels as "fake news".

    "The FAKE & FRAUDULENT NEWS MEDIA is working hard to convince Republicans and others I should not use social media," he tweeted, adding: "But remember, I won the 2016 election with interviews, speeches and social media."

    Mr Trump also stepped up his attack on CNN after the US news network retracted an article alleging that one of the president's aides was under investigation by Congress.

    "I am extremely pleased to see that @CNN has finally been exposed as #FakeNews and garbage journalism. It's about time!"

    The story that caused the upset, which was later removed from the website following an internal investigation, resulted in the resignations of three CNN journalists: Thomas Frank, investigative unit editor and Pulitzer Prize winner Eric Lictblau and Lex Harris, who oversaw the investigations unit.

    Disponível em: http://www.bbc.com/news/world-us-canada-40471536. 

    Considere a análise linguística elaborada para o texto 1 e assinale a alternativa INCORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão f8fa3deb-f9
  • Linguagens

    Inglês

    Texto 1


    Imagem da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2017, Interpretação de texto | Reading comprehension


    US President Donald Trump has defended his use of social media in a series of tweets, following a row over comments he made about two MSNBC TV presenters.


    "My use of social media is not presidential – it's modern day presidential," he tweeted on Saturday.

    His tweets are condemned by Democrats and Republicans alike, despite the White House springing to his defence.

    Mr Trump's aides have previously expressed concern over his tweets.

    But the president said on Saturday that social media gave him the opportunity to connect directly to the public, bypassing the mainstream media, whose content Mr Trump regularly labels as "fake news".

    "The FAKE & FRAUDULENT NEWS MEDIA is working hard to convince Republicans and others I should not use social media," he tweeted, adding: "But remember, I won the 2016 election with interviews, speeches and social media."

    Mr Trump also stepped up his attack on CNN after the US news network retracted an article alleging that one of the president's aides was under investigation by Congress.

    "I am extremely pleased to see that @CNN has finally been exposed as #FakeNews and garbage journalism. It's about time!"

    The story that caused the upset, which was later removed from the website following an internal investigation, resulted in the resignations of three CNN journalists: Thomas Frank, investigative unit editor and Pulitzer Prize winner Eric Lictblau and Lex Harris, who oversaw the investigations unit.

    Disponível em: http://www.bbc.com/news/world-us-canada-40471536. 

    Complete the gap according to the text.


    Trump __________ uses the social media.

    Escolha uma alternativa para a questão f8ecb924-f9
  • Linguagens

    Português

    Leia os poemas a seguir e os relacione.


    Poema 6

    Casamento

    Adélia Prado Há mulheres que dizem:

    Meu marido, se quiser pescar, pesque,

    mas que limpe os peixes.

    Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

    ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

    É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

    de vez em quando os cotovelos se esbarram,

    ele fala coisas como "este foi difícil"

    "prateou no ar dando rabanadas"

    e faz o gesto com a mão.


    O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

    atravessa a cozinha como um rio profundo.

    Por fim, os peixes na travessa,

    vamos dormir.

    Coisas prateadas espocam:

    somos noivo e noiva.


    Poema 7

    Bilhete

    Mário Quintana

    Se tu me amas, ama-me baixinho

    Não o grites de cima dos telhados

    Deixa em paz os passarinhos

    Deixa em paz a mim!

    Se me queres,

    enfim,

    tem de ser bem devagarinho, Amada,

    que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

    Sobre essa relação, assinale a alternativa CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão f8abd3a2-f9
  • Linguagens

    Português

    As imagens I e II representam personagens que deixam suas casas e vão para as grandes cidades em busca de melhor qualidade de vida, enquanto as III, IV e V são seres ficcionais, que podem ser associados a diversos textos do Modernismo Brasileiro.


    Imagem da questão de Português, Universidade de Pernambuco 2017, Coesão e coerência


    Relacione as imagens aos trechos a seguir, identificando-lhes as narrativas das quais são personagens.


    1. "A casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado Temor de Deus."


    2. "Os meninos eram uns brutos como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível, seriam pisados, maltratados, machucados por um soldado amarelo."


    3. "Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas num quarto atrás de balcões trabalhando até a estafa."


    4. "Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente".


    5. "Essa cova em que estás

          com palmos medida

          é a conta menor

          que tiraste em vida."


    Sobre essa relação, analise as afirmativas seguintes e coloque V nas verdadeiras e F nas falsas.


    ( ) O trecho 1 relaciona-se a Macabeia, personagem de A hora da estrela, cuja foto foi retirada do filme de mesmo título. A narrativa resgata a saudade que a personagem sente do sítio onde nascera.


    ( ) A imagem II está relacionada à segunda citação, pois os meninos são filhos de Fabiano, personagem da narrativa Vidas secas, criada por José Lins do Rego, autor da geração regionalista de 30.


    ( ) O trecho 4 tem por personagem o pai que decidiu morar na balsa, conforme imagem III. Trata-se de A terceira margem do rio, conto que integra a coletânea Primeiras histórias, de Guimarães Rosa.


    ( ) A imagem IV representa a personagem Nhinhinha, pertencente ao conto A menina de lá, cuja primeira citação refere-se ao lugar onde a personagem nasceu. Encontra-se em Primeiras Histórias e se caracteriza por ser uma narrativa fantástica.


    ( ) A imagem V resgata o texto de Ariano Suassuna, A farsa da boa preguiça, que se refere a acontecimentos reais, cujas personagens são: Chicó, João Grilo e Major Antônio Moraes. Trata-se de um texto cômico, representado por um herói picaresco.


    Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA.

    Escolha uma alternativa para a questão f89ff7b8-f9
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 1

    Como o Facebook nos transformou em leitores desatentos 


    (1)     Sinto que venho me tornando um leitor menos atento. Meus olhos passam pelas palavras como se fossem ondas que se quebram e somem. Para ganhar concentração, muitas vezes tenho de me isolar, abrir um livro físico (com o digital fica mais difícil ter foco), respirar fundo e, então, curtir a história. Situação preocupante, principalmente para um leitor voraz como eu. Só que se torna ainda mais alarmante quando noto que amigos, colegas de escrita, repetem essa reclamação em tom uniforme. O que ocorre? Será que há algum mal universal que nos faz ler cada vez pior? (

    2)     Não chamaria de "mal", mas de "cenário". Trata-se do mundo das redes sociais. Se antes nos acostumamos a livros e revistas, a mergulhar em cada informação (e era tão pouca!) que surgia à nossa frente, agora surfamos pelos dados (e são tantos!), preocupando-nos mais com a próxima onda do que com a que passou. Vamos de um lado para outro, freneticamente, lendo status no Twitter, no Facebook; vendo fotos no Instagram (imagens, afinal, são uma espécie de "leitura"), matérias em revistas, jornais e sites; acessando blogs; assistindo a séries no Netflix. Corremos os olhos do computador para o notebook, para o Kindle, para o smartphone, para o tablet, para um livro impresso… Para a próxima invenção que colar, seja um relógio com mais informações vindas de seu pulso, seja um par de óculos mostrando tudo bem à frente. Não somos mais mergulhadores. Viramos surfistas – e tenha isso como elogio e crítica ao mesmo tempo.

    (3)     Sim, há vantagens: agora também somos ligeiros. Viramos craques em consumir informações com rapidez. Sabemos o que a vovó está postando no Facebook, ao mesmo tempo em que assistimos a Breaking Bad no computador e conferimos mensagens no WhatsApp. Nossas mentes estão ágeis.

    (4)     Pelo bem, pelo mal, há uma mutação em curso. Somos leitores diferentes. Algo tem ocorrido em nosso cérebro que mudou nossos processos cognitivos. Enquanto os mais velhos podem até ter dificuldades para lidar com o universo do touch, da comunicação instantânea, uma criança de poucos anos sabe navegar com talento pelo iPad. Porém, na hora de se concentrar em uma só história, em analisar um só caso, podem prevalecer a falta de atenção, as falhas de memorização, a atitude de surfar sem mergulhar em águas profundas.

    (5)     Uma série de trabalhos científicos tem sido publicada sobre essa transformação do hábito de ler. Um dos estudiosos do tema é o escritor americano Nicholas Carr. Em um agora já clássico artigo para a revista The Atlantic, ele diz: "Nos últimos anos, tenho a sensação desconfortável de que alguém ou algo tem pregado peças com meu cérebro (…). Sinto isso ainda mais forte quando leio. Imergir em um livro ou em um longo artigo era fácil (…). Agora, minha concentração se perde frequentemente depois de duas ou três páginas (…). Acho que sei o que está ocorrendo. Por mais de uma década, tenho gastado tempo demais on-line."

    (6) Trata-se de uma preocupação que tem se espalhado. A neurocientista Maryanne Wolf, do Centro de Pesquisas de Leitura e Linguagem da Universidade Tufts, de Boston, vai ainda mais fundo na análise. Para ela, a era da internet tem moldado o cérebro, capaz de se adaptar, de repaginar a rede de sinapses dos neurônios, de acordo com o tipo de leitura que faz. Em um de seus livros, avisa: "Livros sempre foram uma forma de se aventurar, trabalhar a imaginação e crescer intelectualmente. Porém, na era da internet, passou-se a ler rapidamente, sem análise nem crítica." Segundo a autora, isso faz com que os jovens de hoje desenvolvam menos conexões neurais. Ou seja, tenham cérebros menos eficazes.

    (7) Não faltam estudos sobre o tema, na maioria muito ácidos e críticos, como os realizados por Maryanne Wolf. Mas vale uma pausa. Grande parte dos cientistas ainda acha cedo para chegar a conclusões irrefutáveis. Estou com essa turma.

    (8) Há milênios, ocorreu a mesma reação a uma inovação tão disruptora quanto é a internet para esta época: a escrita. Sócrates, nos idos da Grécia Antiga, irritou-se com a chegada de tal tecnologia. Para ele, a leitura faria da mente, que não mais precisaria memorizar tudo, um ente preguiçoso. 

    (9) Reações contrárias, por vezes contendo premonições apocalípticas, surgem sempre junto à chegada de novidades tecnológicas — em relação à escrita, à prensa de Gutenberg, à física de partículas, à internet ou aos aplicativos de tablets e smartphones. Mas o que nossa história, a da humanidade, tem provado é que os avanços têm vindo para o bem. Sim, muda o quê e quem somos. Há, porém, um balanço, usualmente positivo. No caso da leitura na era digital, aposto todas as minhas fichas no equilíbrio. Eventualmente, aprenderemos a lidar com essa nova forma de consumir informações. Talvez saibamos juntar com proficiência o mergulho e o surfe. Neste momento, contudo, não vislumbramos a chegada de tal equilíbrio. Por isso, estamos confusos como um animal em adaptação a um novo habitat. A garantia de sobrevivência: leia, sempre, o que for, o que lhe der prazer. E não deixe seu cérebro estacionar.

    Filipe Vilicic. Disponível em: http://www.intrinseca.com.br/blog/2015/08/como-o-facebook-nos-transformou-em-leitores-desatentos. Acesso em: 03/06/2017. Adaptado. 

    O autor do Texto 1 utiliza diversos conectivos e expressões adverbiais para expressar seu ponto de vista. Acerca desses elementos, assinale a alternativa CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão f88528a2-f9
  • Linguagens

    Inglês

    Leia os textos 6, 7 e 8 e complete as lacunas com verbos auxiliares modais. Atenção para o contexto e o uso da língua, conforme a gramática.

    Imagem da questão de Inglês, Universidade de Pernambuco 2016, Verbos modais | Modal verbs

    A sequência CORRETA que completa as lacunas dos textos 6, 7 e 8 está indicada na alternativa
    Escolha uma alternativa para a questão a63c24ba-b2