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Instituição

Questões: Centro Universitário São Camilo — com gabarito

194 questões de Centro Universitário São Camilo, de 2017 a 2019. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 194 questões
  • 3 provas

Resultados: 80 questões

Página 3 de 4

  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, para responder à questão. 

         Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei- -me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei- -me definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe, — para dizer alguma cousa, — que era capaz de os pentear, se quisesse.

    — Você?
    — Eu mesmo.
    — Vai embaraçar-me o cabelo todo, isso sim.
    — Se embaraçar, você desembaraça depois.
    — Vamos ver.

    (Dom Casmurro, 2016.)
    Na cena retratada no texto, destaca-se uma das principais características do autor, que é sua capacidade de
    Escolha uma alternativa para a questão b359b8e9-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, para responder à questão. 

         Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei- -me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei- -me definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe, — para dizer alguma cousa, — que era capaz de os pentear, se quisesse.

    — Você?
    — Eu mesmo.
    — Vai embaraçar-me o cabelo todo, isso sim.
    — Se embaraçar, você desembaraça depois.
    — Vamos ver.

    (Dom Casmurro, 2016.)
    No texto, a expressão “olhos de ressaca” é utilizada para descrever
    Escolha uma alternativa para a questão b35665f7-06
  • Linguagens

    Português

    Leia a crônica de Ruy Castro para responder à questão. 

    Como um tumor

         Cientistas da Universidade de Hiroshima, no Japão, criaram uma rã transparente, cujas intimidades ficam expostas e podem ser perfeitamente observadas pelo lado de fora. Com isso, salvaram-se gerações inteiras de rãs, porque os cientistas não precisarão mais dissecá-las para saber como reagem às substâncias que eles vivem lhes injetando. Outra vantagem é a de que poderão acompanhar uma rã por todo o seu ciclo de vida — o ciclo de vida da rã, claro, não dos cientistas.
        Para chegar à rã transparente, os japoneses, craques em engenharia genética, levaram anos cruzando exemplares de rãs albinas. E agora partiram para aperfeiçoá-la: vão fazer com que qualquer corpo estranho que apareça dentro da rã se acenda. Um tumor, por exemplo. 
         Já no Marrocos, também nesta semana, os cientistas da Universidade de Rabat conseguiram com que um pato nascesse no ovo de uma galinha. Se isso lhe parece meio mixo (afinal, no mesmo dia, em Recife, uma avó deu à luz seus próprios netos, lembra-se?), saiba que a proeza marroquina é considerada mais importante, pelo fato de os palmípedes e os galináceos constituírem famílias diferentes.
         Por coincidência, é o que se está discutindo em Brasília nos últimos dias: um político gerado num ovo destinado a palmípedes pode se baldear no meio do mandato para o terreiro dos galináceos, por ver neste mais oportunidades para ciscar? Em princípio, não. Mas e se o eleitor só quiser saber do pinto ou do pato, e não do ovo de onde ele saiu?
         Essas mudanças nunca são de graça. Assim, sugiro convocar os japoneses para cruzar nossos políticos com as rãs albinas e, com isso, criar políticos transparentes. Quando um deles recebesse um corpo estranho — uma propina, por exemplo —, esse corpo se acenderia. Como um tumor.

    (Crônicas para ler na escola, 2010.)
    “Mas e se o eleitor só quiser saber do pinto ou do pato, e não do ovo de onde ele saiu?” (4° parágrafo)

    No contexto, “o pinto ou o pato” e “ovo de onde ele saiu” referem-se, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão b352b5c0-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de Antonio Cicero para responder à questão.

    Balanço

    A infância não foi uma manhã de sol:
    demorou vários séculos; e era pífia,
    em geral, a companhia. Foi melhor,
    em parte, a adolescência, pela delícia
    do pressentimento da felicidade na malícia,
    na molícia, na poesia,
    no orgasmo; e pelos livros e amizades.
    Um dia, apaixonado, encarei a minha
    morte: e eis que ela não sustentou o olhar
    e se esvaiu. Desde então é a morte alheia
    que me abate. Tarde aprendi a gozar
    a juventude, e já me ronda a suspeita
    de que jamais serei plenamente adulto:
    antes de sê-lo, serei velho. Que ao menos
    os deuses façam felizes e maduros
    Marcelo e um ou dois dos meus futuros versos.

    (Porventura, 2012.) 
    No trecho “e era pífia, em geral, a companhia”, um adjetivo é utilizado como predicativo do sujeito. Outro exemplo de adjetivo utilizado na mesma função ocorre em:
    Escolha uma alternativa para a questão b343b9fe-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de Antonio Cicero para responder à questão.

    Balanço

    A infância não foi uma manhã de sol:
    demorou vários séculos; e era pífia,
    em geral, a companhia. Foi melhor,
    em parte, a adolescência, pela delícia
    do pressentimento da felicidade na malícia,
    na molícia, na poesia,
    no orgasmo; e pelos livros e amizades.
    Um dia, apaixonado, encarei a minha
    morte: e eis que ela não sustentou o olhar
    e se esvaiu. Desde então é a morte alheia
    que me abate. Tarde aprendi a gozar
    a juventude, e já me ronda a suspeita
    de que jamais serei plenamente adulto:
    antes de sê-lo, serei velho. Que ao menos
    os deuses façam felizes e maduros
    Marcelo e um ou dois dos meus futuros versos.

    (Porventura, 2012.) 
    Nos trechos “e eis que ela não sustentou o olhar / e se esvaiu” e “A infância não foi uma manhã de sol: / demorou vários séculos;”, ocorrem, respectivamente, os seguintes recursos expressivos:
    Escolha uma alternativa para a questão b3403ad7-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de Antonio Cicero para responder à questão.

    Balanço

    A infância não foi uma manhã de sol:
    demorou vários séculos; e era pífia,
    em geral, a companhia. Foi melhor,
    em parte, a adolescência, pela delícia
    do pressentimento da felicidade na malícia,
    na molícia, na poesia,
    no orgasmo; e pelos livros e amizades.
    Um dia, apaixonado, encarei a minha
    morte: e eis que ela não sustentou o olhar
    e se esvaiu. Desde então é a morte alheia
    que me abate. Tarde aprendi a gozar
    a juventude, e já me ronda a suspeita
    de que jamais serei plenamente adulto:
    antes de sê-lo, serei velho. Que ao menos
    os deuses façam felizes e maduros
    Marcelo e um ou dois dos meus futuros versos.

    (Porventura, 2012.) 
    Segundo o relato autobiográfico do eu lírico:
    Escolha uma alternativa para a questão b3387be4-06
  • Linguagens

    Inglês

    Leia a tirinha para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, Centro Universitário São Camilo 2019, Sinônimos | Synonyms
    (Stephan Pastis. “Pearls Before Swine”. www.gocomics.com, 22.04.2019.)
    In the last panel, “miserable” means the same as
    Escolha uma alternativa para a questão 7956f4fe-06
  • Linguagens

    Inglês

    Leia a tirinha para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, Centro Universitário São Camilo 2019, Interpretação de texto | Reading comprehension
    (Stephan Pastis. “Pearls Before Swine”. www.gocomics.com, 22.04.2019.)
    No diálogo entre as personagens Pig (porco) e Goat (cabrito), Pig
    Escolha uma alternativa para a questão 7952bba5-06
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão.

    The fantastic appeal of fantasy

    Imagem da questão de Inglês, Centro Universitário São Camilo 2019, Tradução | Translation
    The fantasy genre starts where science ends

         Few things can brighten up a dark morning in a Scottish seaside resort during an Atlantic storm. Yet while sheltering in a bookshop from the rain, I had a moment of sunny revelation. Stacked almost as high as my 11-year-old self were copies of The Lord of the Rings, with a cover illustration that promised mystery and magic. That chance discovery started a lifelong love of the fantasy genre1 , both as reader and writer. 
       The fantasy genre has had more and more success, but today we’re in the middle of an unprecedented fantasy boom. Sales continue to rise and it is now the biggest genre in publishing. The more rational the world gets, with super-science all around us, the more we demand the irrational in our fiction.
         Fantasy is not simply a case of swords2 and sorcery3 . Yes, there is that by the shelf. But the genre is as broad as the imagination. The genre starts where science ends.
        “In these modern times, where most of us sit at computers, fantasy books offer a chance to break out of mundane moments,” says Mark Newton, an editor with the genre. “People like to explore themes that go beyond the limited palette that literary fiction claims to offer.” 
         A search for the origins of fantasy will usually have academics muttering about Beowulf or Homer’s The Iliad, but they come from a time when all stories were fantasy: gods and monsters and supernatural artefacts with humanity caught in the middle. The first modern fantasy writer is usually considered to be William Morris, in the late 19th Century. But it was the early 20th Century where fantasy really started to gain status.
         Fantasy fiction has always been about visionary ideas. You can get artful words in plenty of literary fiction, but being able to see beyond the boundaries4 of the world around us — now that’s a special skill.
         I don’t write fantasy fiction simply to provide a trapdoor5 from the real world. For me, the genre is about the reality. But instead of coming up against it, fantasy maps the unconscious aspirations of our modern society through allegory in story- -forms as old as humanity. It’s about turning off the mobile phone and the computer and remembering who we are in the deepest parts of ourselves.

    (Mark Chadbourn. www.telegraph.co.uk, 12.04.2008. Adaptado.)

    1genre: gênero. Categoria distintiva de composição literária, como romance, poesia etc.
    2sword: espada.
    3sorcery: feitiçaria.
    4boundary: fronteira.
    5trapdoor: alçapão
    O sentido do trecho sublinhado em “fantasy books offer a chance to break out of mundane moments” (4° parágrafo) está mantido, em português, do seguinte modo:
    Escolha uma alternativa para a questão 7944fba5-06
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão.

    The fantastic appeal of fantasy

    Imagem da questão de Inglês, Centro Universitário São Camilo 2019, Palavras conectivas | Connective words
    The fantasy genre starts where science ends

         Few things can brighten up a dark morning in a Scottish seaside resort during an Atlantic storm. Yet while sheltering in a bookshop from the rain, I had a moment of sunny revelation. Stacked almost as high as my 11-year-old self were copies of The Lord of the Rings, with a cover illustration that promised mystery and magic. That chance discovery started a lifelong love of the fantasy genre1 , both as reader and writer. 
       The fantasy genre has had more and more success, but today we’re in the middle of an unprecedented fantasy boom. Sales continue to rise and it is now the biggest genre in publishing. The more rational the world gets, with super-science all around us, the more we demand the irrational in our fiction.
         Fantasy is not simply a case of swords2 and sorcery3 . Yes, there is that by the shelf. But the genre is as broad as the imagination. The genre starts where science ends.
        “In these modern times, where most of us sit at computers, fantasy books offer a chance to break out of mundane moments,” says Mark Newton, an editor with the genre. “People like to explore themes that go beyond the limited palette that literary fiction claims to offer.” 
         A search for the origins of fantasy will usually have academics muttering about Beowulf or Homer’s The Iliad, but they come from a time when all stories were fantasy: gods and monsters and supernatural artefacts with humanity caught in the middle. The first modern fantasy writer is usually considered to be William Morris, in the late 19th Century. But it was the early 20th Century where fantasy really started to gain status.
         Fantasy fiction has always been about visionary ideas. You can get artful words in plenty of literary fiction, but being able to see beyond the boundaries4 of the world around us — now that’s a special skill.
         I don’t write fantasy fiction simply to provide a trapdoor5 from the real world. For me, the genre is about the reality. But instead of coming up against it, fantasy maps the unconscious aspirations of our modern society through allegory in story- -forms as old as humanity. It’s about turning off the mobile phone and the computer and remembering who we are in the deepest parts of ourselves.

    (Mark Chadbourn. www.telegraph.co.uk, 12.04.2008. Adaptado.)

    1genre: gênero. Categoria distintiva de composição literária, como romance, poesia etc.
    2sword: espada.
    3sorcery: feitiçaria.
    4boundary: fronteira.
    5trapdoor: alçapão
    No trecho “Yet while sheltering in a bookshop from the rain” (1° parágrafo), o termo sublinhado indica ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão 79389c79-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto de Caio Prado Júnior para responder à questão.

         De tudo se trata, pode-se dizer, ou se tem tratado na “filosofia”, e até os mesmos assuntos, ou aparentemente os mesmos, são considerados em perspectivas de tal modo apartadas uma das outras que não se combinam e entrosam entre si, tornando-se impossível contrastá-las. Para alguns, essa situação é não apenas normal, mas plenamente justificável. A filosofia seria isso mesmo: uma especulação infinita e desregrada em torno de qualquer assunto ou questão, ao sabor de cada autor, de suas preferências e mesmo de seus humores. Há mesmo quem afirme não caber à filosofia “resolver”, e sim unicamente sugerir questões e propor problemas, fazer perguntas cujas respostas não têm maior interesse, e com o fim unicamente de estimular a reflexão, aguçar a curiosidade. E já se afirmou até que a filosofia não passava de uma ginástica do pensamento, entendendo por isso o simples exercício e adestramento de uma função — no caso, o pensamento em vez dos músculos, sem outra finalidade que essa.
         Apesar, contudo, de boa parte da especulação filosófica, particularmente em nossos dias, parecer confirmar tal ponto de vista, ele certamente não é verdadeiro. Há sem dúvida um terreno comum onde a filosofia, ou aquilo que se tem entendido como tal, se confunde com a literatura (no bom sentido, entenda-se bem) e não objetiva realmente conclusão alguma, destinando-se tão somente, como toda literatura, a par do entretimento que proporciona, levar aos leitores ou ouvintes, a partir destes centros condensadores da consciência coletiva que são os profissionais do pensamento, levar-lhes impressões e estados de espírito, emoções e estímulos, dúvidas e indagações. Mas esse terreno que a filosofia, ou pelo menos aquilo que se tem entendido por “filosofia”, compartilha com a literatura, não é toda filosofia, nem mesmo, de certo modo, a sua mais importante e principal parte.
         Com toda sua heterogeneidade, confusão e hermetismo, a filosofia ainda encontra ressonância tal, que bastaria para comprovar que nela se abrigam questões que dizem muito de perto com interesses e aspirações humanas que devem, por isso, ser atendidos, e não frustrados pela ausência ou desconhecimento de objetivo e rumo seguros da parte daqueles que se ocupam do assunto.
         Mas onde encontrar esse “objeto” último e profundo da especulação filosófica para o qual converge e onde se concentra a variegada problemática de que a filosofia vem através dos séculos e em todos os lugares se ocupando; e de que se trata?

    (O que é filosofia, 2008. Adaptado.)
    “Apesar, contudo, de boa parte da especulação filosófica, particularmente em nossos dias, parecer confirmar tal ponto de vista, ele certamente não é verdadeiro.” (2° parágrafo)

    Mantendo-se o significado original e a correção gramatical, os dois trechos sublinhados podem ser substituídos por:
    Escolha uma alternativa para a questão 78e0d589-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto de Caio Prado Júnior para responder à questão.

         De tudo se trata, pode-se dizer, ou se tem tratado na “filosofia”, e até os mesmos assuntos, ou aparentemente os mesmos, são considerados em perspectivas de tal modo apartadas uma das outras que não se combinam e entrosam entre si, tornando-se impossível contrastá-las. Para alguns, essa situação é não apenas normal, mas plenamente justificável. A filosofia seria isso mesmo: uma especulação infinita e desregrada em torno de qualquer assunto ou questão, ao sabor de cada autor, de suas preferências e mesmo de seus humores. Há mesmo quem afirme não caber à filosofia “resolver”, e sim unicamente sugerir questões e propor problemas, fazer perguntas cujas respostas não têm maior interesse, e com o fim unicamente de estimular a reflexão, aguçar a curiosidade. E já se afirmou até que a filosofia não passava de uma ginástica do pensamento, entendendo por isso o simples exercício e adestramento de uma função — no caso, o pensamento em vez dos músculos, sem outra finalidade que essa.
         Apesar, contudo, de boa parte da especulação filosófica, particularmente em nossos dias, parecer confirmar tal ponto de vista, ele certamente não é verdadeiro. Há sem dúvida um terreno comum onde a filosofia, ou aquilo que se tem entendido como tal, se confunde com a literatura (no bom sentido, entenda-se bem) e não objetiva realmente conclusão alguma, destinando-se tão somente, como toda literatura, a par do entretimento que proporciona, levar aos leitores ou ouvintes, a partir destes centros condensadores da consciência coletiva que são os profissionais do pensamento, levar-lhes impressões e estados de espírito, emoções e estímulos, dúvidas e indagações. Mas esse terreno que a filosofia, ou pelo menos aquilo que se tem entendido por “filosofia”, compartilha com a literatura, não é toda filosofia, nem mesmo, de certo modo, a sua mais importante e principal parte.
         Com toda sua heterogeneidade, confusão e hermetismo, a filosofia ainda encontra ressonância tal, que bastaria para comprovar que nela se abrigam questões que dizem muito de perto com interesses e aspirações humanas que devem, por isso, ser atendidos, e não frustrados pela ausência ou desconhecimento de objetivo e rumo seguros da parte daqueles que se ocupam do assunto.
         Mas onde encontrar esse “objeto” último e profundo da especulação filosófica para o qual converge e onde se concentra a variegada problemática de que a filosofia vem através dos séculos e em todos os lugares se ocupando; e de que se trata?

    (O que é filosofia, 2008. Adaptado.)
    “E já se afirmou até que a filosofia não passava de uma ginástica do pensamento, entendendo por isso o simples exercício e adestramento de uma função − no caso, o pensamento em vez dos músculos, sem outra finalidade que essa.” (1° parágrafo)

    A palavra sublinhada pode ser substituída, com correção gramatical, mantendo-se o sentido original do texto, por:
    Escolha uma alternativa para a questão 78ddd2e6-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho da crônica de Machado de Assis, escrita em 1861, para responder à questão.

         Começo por uma raridade, não uma dessas raridades vulgares de que fala uma personagem de teatro, mas uma raridade vulgarmente rara: — o governo de acordo com a opinião. 
         Os complacentes e os otimistas hão de rir; não assim os julgadores severos; esses dirão consigo: — é verdade! — A opinião havia acolhido com entusiasmo a unificação da Itália; o governo acaba de reconhecer com prazer e sem delongas acintosas o novo reino italiano. Não é caso de milagre, mas também não é comum.
         Afez-se o país por tal modo a ver no governo o seu primeiro contraditor, que não pôde reprimir uma exclamação quando o viu pressuroso concluir o ato diplomático a que aludo. E por que não havia de fazê-lo? Perguntará o otimista. Eu sei! por descuido, por cortesania, por qualquer outro motivo, mas a regra é invariável: o governo sempre contrariou a opinião.

    (Comentários da semana, 2008.)
    Assinale a alternativa que apresenta um trecho do texto e uma figura de linguagem que nele ocorre.
    Escolha uma alternativa para a questão 78d74818-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho da crônica de Machado de Assis, escrita em 1861, para responder à questão.

         Começo por uma raridade, não uma dessas raridades vulgares de que fala uma personagem de teatro, mas uma raridade vulgarmente rara: — o governo de acordo com a opinião. 
         Os complacentes e os otimistas hão de rir; não assim os julgadores severos; esses dirão consigo: — é verdade! — A opinião havia acolhido com entusiasmo a unificação da Itália; o governo acaba de reconhecer com prazer e sem delongas acintosas o novo reino italiano. Não é caso de milagre, mas também não é comum.
         Afez-se o país por tal modo a ver no governo o seu primeiro contraditor, que não pôde reprimir uma exclamação quando o viu pressuroso concluir o ato diplomático a que aludo. E por que não havia de fazê-lo? Perguntará o otimista. Eu sei! por descuido, por cortesania, por qualquer outro motivo, mas a regra é invariável: o governo sempre contrariou a opinião.

    (Comentários da semana, 2008.)
    Machado de Assis faz o comentário sobre um acontecimento histórico específico. Segundo o autor,
    Escolha uma alternativa para a questão 78d31283-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto para responder à questão.

        Se o século XIX, marcado pelo progresso científico — genética, evolucionismo, positivismo, sociologia, racionalismo, etc. — motivou escolas literárias correspondentes — ________, _______ , _______ —, propugnando uma descrição rígida, precisa e minuciosa, acarretou, em contrapartida, um momento de descrédito da ciência, uma reação quase radical, que propunha a diluição dos objetos e sentimentos no vago e indistinto, no inefável, abstrato e incorpóreo, ideal supremo do ________.

    (Lauro Junkes, 2016. Adaptado.)
    As palavras “indistinto” e “incorpóreo” são formadas com um prefixo que tem o mesmo significado do prefixo de
    Escolha uma alternativa para a questão 78cf17b4-06
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o texto para responder à questão.

        Se o século XIX, marcado pelo progresso científico — genética, evolucionismo, positivismo, sociologia, racionalismo, etc. — motivou escolas literárias correspondentes — ________, _______ , _______ —, propugnando uma descrição rígida, precisa e minuciosa, acarretou, em contrapartida, um momento de descrédito da ciência, uma reação quase radical, que propunha a diluição dos objetos e sentimentos no vago e indistinto, no inefável, abstrato e incorpóreo, ideal supremo do ________.

    (Lauro Junkes, 2016. Adaptado.)
    Completam as lacunas do texto, respectivamente:
    Escolha uma alternativa para a questão 78cbaaf8-06
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão. 

    The challenge of doctor-patient relations in the internet age

    Imagem da questão de Inglês, Centro Universitário São Camilo 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

         “Let me do some research and I’ll get back to you,” my patient said. My patient, a 19-year-old student, had already taken time off from school because of her anxiety. I was her psychiatrist, with over two decades of experience treating university students, and had just explained my diagnostic impressions based on a lengthy evaluation. I’d recommended that she try a medicine I expected would help. I’d also laid out the risks and benefits of other treatment options. 
          “Do you have additional questions I can answer?” I asked. I wanted to let her know that’s why I was there, to cull the research, to help make sense of it. “No, I like to go online and look for myself,” she said.
         More and more, I see students turning away from the expertise that a live person can offer and instead turning to the vast and somehow more objective-seeming “expertise” of the digital world.
         In an age when journalism we don’t like can be dismissed as “fake news,” suggesting that the information we do like is most credible, regardless of its source, it’s not hard to understand why young people do this. The medical profession itself, under managed care, has played a role as well, providing less time for doctor-patient interactions and undermining the chances that a personal relationship and trust can develop. Under the guise of efficiency, medical test results are now often released directly to patients, sometimes before or even without the benefit of any interpretation.
         But there’s danger in trusting data over people, as there is in thinking the expertise of all people is equivalent. When it comes to health, digital natives may not be learning how to navigate effectively. And the consequences could be harmful.
        The availability of health data on the internet has its benefits. Online, for example, we can find explanations and solutions for symptoms we might be too embarrassed, or afraid, to discuss with another person, in person. Or, for lifethreatening diseases, we can locate clinical trials our doctors may not be aware of.
         However, there’s also a lot of misleading information, and information that’s simply untrue. The internet is full of people selling things – supplements, treatment regimens that have not been rigorously tested, even prescription medications – and making false promises that have not been scrutinized by regulatory agencies. Sometimes, as in the case of some websites that promote “an anorexic diet” for “aggressive” weight loss, the information can encourage life-threatening behavior.
          Years ago, when we discussed paternalism versus patient autonomy in my medical school ethics class, I came down strongly in favor of autonomy. Who but the patient could best decide what was right for him or her? But years of clinical – and personal – experience have taught me that information in and of itself is insufficient. Judgment is also indispensable, especially in complex situations, and the capacity for good judgment rests within people, not data sets.

    (Doris Iarovici is a psychiatrist at Harvard University’s Counseling and
    Mental Health Services and the author of Mental Health Issues and the
    University Student. www.nytimes.com, 01.03.2018. Adaptado.)
    Assinale a alternativa cujo trecho evidencia a posição atual da autora sobre o desafio apresentado no título.
    Escolha uma alternativa para a questão 7a2af7aa-07
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão. 

    The challenge of doctor-patient relations in the internet age

    Imagem da questão de Inglês, Centro Universitário São Camilo 2018, Palavras conectivas | Connective words

         “Let me do some research and I’ll get back to you,” my patient said. My patient, a 19-year-old student, had already taken time off from school because of her anxiety. I was her psychiatrist, with over two decades of experience treating university students, and had just explained my diagnostic impressions based on a lengthy evaluation. I’d recommended that she try a medicine I expected would help. I’d also laid out the risks and benefits of other treatment options. 
          “Do you have additional questions I can answer?” I asked. I wanted to let her know that’s why I was there, to cull the research, to help make sense of it. “No, I like to go online and look for myself,” she said.
         More and more, I see students turning away from the expertise that a live person can offer and instead turning to the vast and somehow more objective-seeming “expertise” of the digital world.
         In an age when journalism we don’t like can be dismissed as “fake news,” suggesting that the information we do like is most credible, regardless of its source, it’s not hard to understand why young people do this. The medical profession itself, under managed care, has played a role as well, providing less time for doctor-patient interactions and undermining the chances that a personal relationship and trust can develop. Under the guise of efficiency, medical test results are now often released directly to patients, sometimes before or even without the benefit of any interpretation.
         But there’s danger in trusting data over people, as there is in thinking the expertise of all people is equivalent. When it comes to health, digital natives may not be learning how to navigate effectively. And the consequences could be harmful.
        The availability of health data on the internet has its benefits. Online, for example, we can find explanations and solutions for symptoms we might be too embarrassed, or afraid, to discuss with another person, in person. Or, for lifethreatening diseases, we can locate clinical trials our doctors may not be aware of.
         However, there’s also a lot of misleading information, and information that’s simply untrue. The internet is full of people selling things – supplements, treatment regimens that have not been rigorously tested, even prescription medications – and making false promises that have not been scrutinized by regulatory agencies. Sometimes, as in the case of some websites that promote “an anorexic diet” for “aggressive” weight loss, the information can encourage life-threatening behavior.
          Years ago, when we discussed paternalism versus patient autonomy in my medical school ethics class, I came down strongly in favor of autonomy. Who but the patient could best decide what was right for him or her? But years of clinical – and personal – experience have taught me that information in and of itself is insufficient. Judgment is also indispensable, especially in complex situations, and the capacity for good judgment rests within people, not data sets.

    (Doris Iarovici is a psychiatrist at Harvard University’s Counseling and
    Mental Health Services and the author of Mental Health Issues and the
    University Student. www.nytimes.com, 01.03.2018. Adaptado.)
    No trecho do sétimo parágrafo “However, there’s also a lot of misleading information, and information that’s simply untrue”, o termo sublinhado pode ser substituído, sem alteração de sentido, por
    Escolha uma alternativa para a questão 7a265900-07
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    The challenge of doctor-patient relations in the internet age

    Imagem da questão de Inglês, Centro Universitário São Camilo 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

         “Let me do some research and I’ll get back to you,” my patient said. My patient, a 19-year-old student, had already taken time off from school because of her anxiety. I was her psychiatrist, with over two decades of experience treating university students, and had just explained my diagnostic impressions based on a lengthy evaluation. I’d recommended that she try a medicine I expected would help. I’d also laid out the risks and benefits of other treatment options. 
          “Do you have additional questions I can answer?” I asked. I wanted to let her know that’s why I was there, to cull the research, to help make sense of it. “No, I like to go online and look for myself,” she said.
         More and more, I see students turning away from the expertise that a live person can offer and instead turning to the vast and somehow more objective-seeming “expertise” of the digital world.
         In an age when journalism we don’t like can be dismissed as “fake news,” suggesting that the information we do like is most credible, regardless of its source, it’s not hard to understand why young people do this. The medical profession itself, under managed care, has played a role as well, providing less time for doctor-patient interactions and undermining the chances that a personal relationship and trust can develop. Under the guise of efficiency, medical test results are now often released directly to patients, sometimes before or even without the benefit of any interpretation.
         But there’s danger in trusting data over people, as there is in thinking the expertise of all people is equivalent. When it comes to health, digital natives may not be learning how to navigate effectively. And the consequences could be harmful.
        The availability of health data on the internet has its benefits. Online, for example, we can find explanations and solutions for symptoms we might be too embarrassed, or afraid, to discuss with another person, in person. Or, for lifethreatening diseases, we can locate clinical trials our doctors may not be aware of.
         However, there’s also a lot of misleading information, and information that’s simply untrue. The internet is full of people selling things – supplements, treatment regimens that have not been rigorously tested, even prescription medications – and making false promises that have not been scrutinized by regulatory agencies. Sometimes, as in the case of some websites that promote “an anorexic diet” for “aggressive” weight loss, the information can encourage life-threatening behavior.
          Years ago, when we discussed paternalism versus patient autonomy in my medical school ethics class, I came down strongly in favor of autonomy. Who but the patient could best decide what was right for him or her? But years of clinical – and personal – experience have taught me that information in and of itself is insufficient. Judgment is also indispensable, especially in complex situations, and the capacity for good judgment rests within people, not data sets.

    (Doris Iarovici is a psychiatrist at Harvard University’s Counseling and
    Mental Health Services and the author of Mental Health Issues and the
    University Student. www.nytimes.com, 01.03.2018. Adaptado.)
    De acordo com o quinto e o sexto parágrafos, um dos benefícios dos dados médicos disponíveis na internet é
    Escolha uma alternativa para a questão 7a22be7a-07
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão. 

    The challenge of doctor-patient relations in the internet age

    Imagem da questão de Inglês, Centro Universitário São Camilo 2018, Tradução | Translation

         “Let me do some research and I’ll get back to you,” my patient said. My patient, a 19-year-old student, had already taken time off from school because of her anxiety. I was her psychiatrist, with over two decades of experience treating university students, and had just explained my diagnostic impressions based on a lengthy evaluation. I’d recommended that she try a medicine I expected would help. I’d also laid out the risks and benefits of other treatment options. 
          “Do you have additional questions I can answer?” I asked. I wanted to let her know that’s why I was there, to cull the research, to help make sense of it. “No, I like to go online and look for myself,” she said.
         More and more, I see students turning away from the expertise that a live person can offer and instead turning to the vast and somehow more objective-seeming “expertise” of the digital world.
         In an age when journalism we don’t like can be dismissed as “fake news,” suggesting that the information we do like is most credible, regardless of its source, it’s not hard to understand why young people do this. The medical profession itself, under managed care, has played a role as well, providing less time for doctor-patient interactions and undermining the chances that a personal relationship and trust can develop. Under the guise of efficiency, medical test results are now often released directly to patients, sometimes before or even without the benefit of any interpretation.
         But there’s danger in trusting data over people, as there is in thinking the expertise of all people is equivalent. When it comes to health, digital natives may not be learning how to navigate effectively. And the consequences could be harmful.
        The availability of health data on the internet has its benefits. Online, for example, we can find explanations and solutions for symptoms we might be too embarrassed, or afraid, to discuss with another person, in person. Or, for lifethreatening diseases, we can locate clinical trials our doctors may not be aware of.
         However, there’s also a lot of misleading information, and information that’s simply untrue. The internet is full of people selling things – supplements, treatment regimens that have not been rigorously tested, even prescription medications – and making false promises that have not been scrutinized by regulatory agencies. Sometimes, as in the case of some websites that promote “an anorexic diet” for “aggressive” weight loss, the information can encourage life-threatening behavior.
          Years ago, when we discussed paternalism versus patient autonomy in my medical school ethics class, I came down strongly in favor of autonomy. Who but the patient could best decide what was right for him or her? But years of clinical – and personal – experience have taught me that information in and of itself is insufficient. Judgment is also indispensable, especially in complex situations, and the capacity for good judgment rests within people, not data sets.

    (Doris Iarovici is a psychiatrist at Harvard University’s Counseling and
    Mental Health Services and the author of Mental Health Issues and the
    University Student. www.nytimes.com, 01.03.2018. Adaptado.)
    No trecho do quinto parágrafo “as there is in thinking the expertise of all people is equivalent”, o termo sublinhado equivale, em português, a
    Escolha uma alternativa para a questão 7a1e9deb-07