Leia a entrevista a seguir.
Entrevistador: Alguns dos seus livros são lidos como narrativas,
aproximam a historiografia de um género literário. No entanto,
você sempre contestou a ideia, de que não há fronteiras nítidas
entre narração de ficção e narração historiográfica…
Carlo Ginzburg: Na nossa tradição, a relação entre a narrativa de
ficção e a narrativa histórica foi sempre de competição pela
representação da realidade, já que a ficção também tem uma
relação com a realidade. Procurei trabalhar sobre temas
específicos, para mostrar como as técnicas usadas pelos
romancistas podem ser interpretadas no plano histórico. Temos
de perceber que a narração, e este é o ponto onde quero chegar,
é um modo de relação com a realidade e que toda a experiência
narrativa, mesmo o espaço em branco, tem implicações e
potencialidades cognitivas, pode ser lida como um documento
histórico. E o historiador não pode deixar de se interrogar sobre
as formas narrativas que utiliza.
Adaptado de https://electramagazine.fundacaoedp.pt/editions/edicao-10/carloginzburg-o-historiador-como-detective.
Com base na entrevista, assinale a opção que, segundo Carlo
Ginzburg, relaciona corretamente História e Literatura.