Português
- Interpretação de Textos
- Prova de 2022
- ENEM
- Dificuldade: Muito fácil
- Código da questão: 371FC404-63
Prova
94 questões da prova de 2022 de Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), em Português, Literatura, Espanhol. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

O bebê de tarlatana rosa
— [...] Na terça desliguei-me do grupo e caí no mar alto da depravação, só, com uma roupa leve por cima da pele e todos os maus instintos fustigados. De resto a cidade inteira estava assim. É o momento em que por trás das máscaras as meninas confessam paixões aos rapazes, é o instante em que as ligações mais secretas transparecem, em que a virgindade é dúbia, e todos nós a achamos inútil, a honra uma caceteação, o bom senso uma fadiga. Nesse momento tudo é possível, os maiores absurdos, os maiores crimes: nesse momento há um riso que galvaniza os sentidos e o beijo se desata naturalmente.
Eu estava trepidante, com uma ânsia de acanalhar-me, quase mórbida. Nada de raparigas do galarim perfumadas e por demais conhecidas, nada do contato familiar mas o deboche anônimo, o deboche ritual de chegar, pegar, acabar, continuar. Era ignóbil. Felizmente muita gente sofre do mesmo mal no carnaval.
RIO.J. Dentro da noite. São Paulo; Antíqua, 2022.
No texto, o personagem vincula ao carnaval atitudes e reações coletivas diante das quais expressa
Vanda vinha do interior de Minas Gerais e de dentro de um livro de Charles Dickens. Sem dinheiro para criá-la, sua mãe a dera, com seus sete anos, a uma conhecida. Ao recebe-la, a mulher perguntou o que a garotinha gostava de comer. Anotou tudo num papel. Mal a mãe virou as costas, no entanto a fulana amassou a lista e, como uma vilã de folhetim, decretou: "A partir de hoje, você não vai mais nem sentir cheiro dessas comidas!".
Vanda trabalhou lá até os quinze anos, quando recebeu a carta de uma prima com uma nota de cem cruzeiros, saiu de casa com a roupa do corpo e fugiu num ônibus para São Paulo.
Todas as vezes que eu e minha irmã a importunávamos com nossas demandas de criança mimada, ela nos contava histórias da infância de gata-borralheira, fazia-nos apertar seu nariz quebrado por uma das filhas da “patroa” com um rolo de amassar pão e nos expulsava da cozinha: “Sai pra lá, peste, e me deixa acabar essa janta”.
PRATA, A. Nu de botas. São Paulo: Cia. das Letras, 2013 (adaptado).
Pela ótica do narrador, a trajetória da empregada de sua casa assume um efeito expressivo decorrente da

TEXTO II
O Termo ready-made foi criado por Marcel Duchamp (1887-1968) para designar um tipo de objeto, por ele inventado, que consiste em um ou mais artigos de uso cotidiano, produzidos em massa, selecionados sem critérios e expostos como obras de arte em espaços especializados (museus e galerias). Seu primeiro ready-made, de 1912, é uma roda de bicicleta montada sobre um banquinho (Roda de bicicleta). Ao transformar qualquer objeto em obra de arte, o artista realiza uma crítica radical ao sistema da arte.
Disponível em: www.bienal.org.br. Acesso em: 1 set. 2016 (adaptado).
A instalação In absentia propõe um diálogo com o
ready-made Roda de bicicleta, demonstrando que

En los subúbios de La Habana, Ilaman al amigo mi tierra o mi sangre. En Caracas, el amigo es mi pana o mi llave: pana, por panaderia, la fuente del buen pan para las hambres del alma; y llave por... — Llave, por llave — me dice Mario Benedetti. Y me cuenta que cuando vivia en Buenos Aires, en los tiempos del terror, él llevaba cinco llaves ajenas en su llavero: cinco llaves, de cinco casas, de cinco amigos: las llaves que lo salvaron.
GALEANO, E. El libro de los abrezos. Madri: Siglo Veintiuno,2015.
Nesse texto, o autor demonstra como as diferentes expressões existentes em espanhol para se referir a "amigo" variam em função
Los niños de nuestro olvido
Escribo sobre un destino
que apenas puedo tocar
en tanto un niño se inventa
con pegamento un hogar
Mientras busco las palabras
para hacer esta canción
un niño esquiva las balas
que buscan su corazón
Acurrucado en mi calle
duerme un niño y la piedad
arma lejos un pesebre
y juega a la navidad
Arma lejos un pesebre
y juega a la navidad
y juega a la navidad
y juega, y juega, y juega ...
La niñez de nuestro olvido
pide limosna en un bar
y lava tu parabrisas
por un peso, por un pan
Si las flores del futuro
crecen con tanto dolor
seguramente mañana
será un mañana sin sol
SOSA, M. In: Corazón libre.AArgentina: e.D.G.E, 2004 (fragmentado)
No texto, a expressão "un manãna sin sol" é usada para concluir uma crítica ao(à)
MATERNIDADES EN TIEMPOS DE PANDEMIA
