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Prova

Prova de 2024: Universidade Estadual de Goiás (UEG) — questões com gabarito

139 questões da prova de 2024 de Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Português, Matemática, História, Biologia e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 139 questões
  • 11 matérias

Resultados: 26 questões

Página 1 de 2

  • Linguagens

    Português

    Texto 1




    "Coisa ruim vai acontecer em breve. Serão tempos difíceis. Fantasmas dos antepassados chegarão nesta terra e tornarão nossos povos escravos de sua ganância. Eles não terão piedade nem dos velhos nem das crianças. Simplesmente se sentirão donos desse lugar e de sua gente. Por isso, não lutarão com arcos e flechas e não terão código de guerra. Serão homens duros e não respeitarão a tradição".

    As palavras do sábio Karaíba trouxeram espanto aos olhos dos homens e das mulheres que as escutavam. Essa era uma profecia que traria impacto profundo a suas existências, e os faria repensar sobre o modo de vida que tinham levado até aquele momento. Antes da chegada dos colonizadores europeus, os habitantes do Brasil eram organizados, tinham sua vida estruturada e tiravam proveito da exuberante natureza que os cercava. Nessa narrativa cheia de aventura, poderemos imaginar um pouco sobre quais eram seus amores, seus dramas e suas ansiedades em relação ao futuro.


    Imagem da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos



    MUNDUKURU, Daniel. O Karaíba: uma história do pré-brasil. São Paulo: Melhoramentos, 2012. (Quarta capa e capa).



    Texto 2





    01    Era uma vez

    02    Um pernil de carneiro retalhado em fatia

    03    Aos que foram chegando

    04    Cada vez mais estrangeiros

    05    No vai e vem de troncos

    06    Quantas nações aos prantos

    07    E os homens-daninhos seduzindo a taba

    08    Grávidos de malícia

    09    Sedentos de guerra

    10    Dançam a falsidade

    11    Esterilizam a festa

    12    De quinto a quinhentos

    13    O ouro encantou-se

    14    Plastificaram o verde

    15    Pavimentaram o destino

    16    E foi acontecendo

    17    E foi escurecendo

    18    Mas de manhã cedinho

    19    Além da Grande-Água     

    20    Vi um curumim sonhando    

    21    Com Yvy-maraey formosa.




    GRAÚNA, Graça. Canto mestizo. Maricá (RJ): Blocos, 1999. p. 51. In: MUNDUKURU, Daniel. O Karaíba: uma história do pré-brasil. São Paulo: Melhoramentos, 2012. (Orelha). 





















    O texto 2 desenvolve determinado tema a partir de uma linguagem poética narrativa, que se estrutura formalmente num poema de duas estrofes e 21 versos. Levando em consideração a organização e a progressão do tema, verifica-se que o poema apresenta uma narrativa poética em cinco unidades temáticas, a saber: 
    Escolha uma alternativa para a questão c84808b1-68
  • Linguagens

    Português

    Texto 1




    "Coisa ruim vai acontecer em breve. Serão tempos difíceis. Fantasmas dos antepassados chegarão nesta terra e tornarão nossos povos escravos de sua ganância. Eles não terão piedade nem dos velhos nem das crianças. Simplesmente se sentirão donos desse lugar e de sua gente. Por isso, não lutarão com arcos e flechas e não terão código de guerra. Serão homens duros e não respeitarão a tradição".

    As palavras do sábio Karaíba trouxeram espanto aos olhos dos homens e das mulheres que as escutavam. Essa era uma profecia que traria impacto profundo a suas existências, e os faria repensar sobre o modo de vida que tinham levado até aquele momento. Antes da chegada dos colonizadores europeus, os habitantes do Brasil eram organizados, tinham sua vida estruturada e tiravam proveito da exuberante natureza que os cercava. Nessa narrativa cheia de aventura, poderemos imaginar um pouco sobre quais eram seus amores, seus dramas e suas ansiedades em relação ao futuro.


    Imagem da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos



    MUNDUKURU, Daniel. O Karaíba: uma história do pré-brasil. São Paulo: Melhoramentos, 2012. (Quarta capa e capa).



    Texto 2





    01    Era uma vez

    02    Um pernil de carneiro retalhado em fatia

    03    Aos que foram chegando

    04    Cada vez mais estrangeiros

    05    No vai e vem de troncos

    06    Quantas nações aos prantos

    07    E os homens-daninhos seduzindo a taba

    08    Grávidos de malícia

    09    Sedentos de guerra

    10    Dançam a falsidade

    11    Esterilizam a festa

    12    De quinto a quinhentos

    13    O ouro encantou-se

    14    Plastificaram o verde

    15    Pavimentaram o destino

    16    E foi acontecendo

    17    E foi escurecendo

    18    Mas de manhã cedinho

    19    Além da Grande-Água     

    20    Vi um curumim sonhando    

    21    Com Yvy-maraey formosa.




    GRAÚNA, Graça. Canto mestizo. Maricá (RJ): Blocos, 1999. p. 51. In: MUNDUKURU, Daniel. O Karaíba: uma história do pré-brasil. São Paulo: Melhoramentos, 2012. (Orelha). 





















    Os textos 1 e 2 estão presentes, respectivamente, na quarta capa e na orelha do livro O Karaíba. Esses textos estabelecem, com a narrativa desenvolvida no livro, uma relação intertextual, cuja finalidade consiste em apresentar
    Escolha uma alternativa para a questão c8452aa9-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder a questão




    Mentir é preciso, pois nem sempre as pessoas querem ouvir a verdade



    Figura 1 de 2 da questão de Português, UEG 2024, Pontuação


    Figura 2 de 2 da questão de Português, UEG 2024, Pontuação

    Nos trechos “sim, mentir é preciso” (linha 14) e “Há diversos tipos de mentiras e mentirosos” (linha 29) a função das aspas é:
    Escolha uma alternativa para a questão c83daad7-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder a questão




    Mentir é preciso, pois nem sempre as pessoas querem ouvir a verdade



    Figura 1 de 2 da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos


    Figura 2 de 2 da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos

    As expressões “desculpas esfarrapadas” (linhas 11 e 12) e “a verdade nua e crua” (linha 14) exemplificam a seguinte figura de linguagem:
    Escolha uma alternativa para a questão c83b3793-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder a questão




    Mentir é preciso, pois nem sempre as pessoas querem ouvir a verdade



    Figura 1 de 2 da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos


    Figura 2 de 2 da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos

    Os termos “Portanto” (linha 19) e “Mas” (linha 22) estabelecem, entre os trechos que ligam, respectivamente, relações que indicam
    Escolha uma alternativa para a questão c8389eb8-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder a questão




    Mentir é preciso, pois nem sempre as pessoas querem ouvir a verdade



    Figura 1 de 2 da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos


    Figura 2 de 2 da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos

    É ideia defendida no texto:
    Escolha uma alternativa para a questão c835fadb-68
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos




    Observando-se os quadrinhos verifica-se que o sentido global da mensagem é criado a partir de um processo

    Escolha uma alternativa para a questão c83308fa-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto abaixo para responder à questão.


    Figura 1 de 2 da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos

    Considere os seguintes trechos da canção e do poema, respectivamente:



    Figura 2 de 2 da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos



    Ao tematizar o trabalho, os trechos da canção Primeiro de Maio e do poema Operário em construção apresentam uma crítica

    Escolha uma alternativa para a questão b79bcd7a-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto abaixo para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos

    Segundo Wagner Homem, no livro Histórias de canções: Chico Buarque, a canção Primeiro de Maio foi cantada pela primeira vez no Teatro Carlos Gomes, em comemoração ao Dia do Trabalhador. Essa canção fez parte de um compacto que comemorava a data em 1977, momento em que o movimento sindical na região do ABCD Paulista começava a se organizar. A letra da música descreve, de forma poética, o dia de descanso de um casal de trabalhadores. A partir de alguns versos, pode-se constatar que ela trabalha na área de
    Escolha uma alternativa para a questão b798cddf-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto abaixo para responder à questão


    Construção histórica da identidade do negro brasileiro


    Imagem da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos


    SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro. Rio de Janeiro: Zahar, 2021. p. 47-49. [Adaptado].

    O trecho “– essa maneira própria, determinada, de organizar e de lidar com o seu mosaico de afeto e com as imagens de si” (linhas 2 e 3 ) constrói, na organização textual, uma 
    Escolha uma alternativa para a questão b790bf9e-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto abaixo para responder à questão


    Construção histórica da identidade do negro brasileiro


    Imagem da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos


    SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro. Rio de Janeiro: Zahar, 2021. p. 47-49. [Adaptado].

    Em “[...] a ele cabia o papel de disciplinado – dócil, submisso e útil” (linhas 27-28), o termo “dócil” pode ser substituído, sem prejuízo na coesão e no sentido, por
    Escolha uma alternativa para a questão b78e1ba0-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto abaixo para responder à questão


    Construção histórica da identidade do negro brasileiro


    Imagem da questão de Português, UEG 2024, Interpretação de Textos


    SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro. Rio de Janeiro: Zahar, 2021. p. 47-49. [Adaptado].

    O jogo de sentido construído em “O negro era paradoxalmente enclausurado na posição de liberto” (linha 27) toma como base a seguinte figura de linguagem: 
    Escolha uma alternativa para a questão b78acd59-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto abaixo para responder à questão


    Construção histórica da identidade do negro brasileiro


    Imagem da questão de Português, UEG 2024, Sintaxe


    SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro. Rio de Janeiro: Zahar, 2021. p. 47-49. [Adaptado].

    Em “Entretanto, a degradação dessa ordem econômica e social e sua substituição pela sociedade capitalista tornou tal representação obsoleta” (linhas 16-17), o termo sublinhado apresenta valor
    Escolha uma alternativa para a questão b785a8f5-68
  • Linguagens

    Português

    Leia os textos 01 a 04 para responder à questão.


    Texto 01


    A minha posição ao propor “Parangolé” é a da busca de uma nova fundação objetiva na arte. Não se confundir com uma “nova figuração”, isto é, pretexto para uma volta a uma representação figurada de todo superada, ou ao “quadro”, seu suporte expressivo. O “Parangolé” é não só a superação definitiva do quadro, como a proposição de uma estrutura nova do objetoarte, uma nova reestruturação da visão espacial da obra de arte, superando também a contradição das categorias “pintura e escultura”. Na verdade, ao propor uma arte ambiental, não quero sair do “quadro” para a “escultura”, mas fundar uma nova condição estrutural do objeto que já não admite essas categorias tradicionais. Seria tentar a constituição de um novo “mito do objeto”, que não é nem o objeto transposto da pop art, nem o objeto-verdade do nouveau-réalisme, mas a fundação do objeto em todas as suas ordens e categorias manifestadas no mundo ambiental, que é revelada aqui pela obra de arte. O objeto que não existia passa a existir e o que já existia se revela de outro modo pela visão dada pelo novo objeto que passou a existir. Estão reservados ao artista a tarefa e o poder de transformar a visão e os conceitos na sua estrutura mais íntima e fundamental; é esta a maneira mais eficaz para o homem de hoje dominar o mundo ambiental, isto é, para recriá-lo a seu modo e segundo sua suprema vontade. É esta também uma proposição eminentemente coletiva, que visa abarcar a grande massa popular e lhes dar também uma oportunidade criativa. Essa oportunidade, é claro, teria que se realizar através das individualidades nessa coletividade; o novo aqui é que as possibilidades dessa valorização do indivíduo na coletividade se tornam cada vez mais generalizadas – há a exaltação dos valores coletivos nas suas aspirações criativas mais fundamentais, ao mesmo tempo em que é dada ao indivíduo a possibilidade de inventar, de criar – é a retomada dos mitos da cor, da dança, das estruturas criativas enfim.  


    OITICICA, Helio. Paragolé: uma nova fundação objetiva na arte. In: Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro - 5. OPINIÃO 65. Curadoria Frederico Morais; apresentação Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985 [72]. [Adaptado].



    Texto 02 


    Parangolivro 


    negro pobre poeta
    sem noção de sequência
    multiplicidade de olhares
    ler e descobrir
    escrever bater com a cabeça
    uma arma em nossa mira
    não caber
    dentro da armadura
    debater até sangrar
    entrar e sair
    como se não estivesse
    viver longo
    cada instante
    olhar os filhos sem fim
    caminhar sob o sol
    fugir do inferno de si
    [...]
    osso em febre
    oco do fim do mundo
    uma palavra porrada
    parangolivro parangolé
    morro raimundo de montes
    claros colares
    hélio morro da mangueira
    parangolé oiticica
    ninhos gibis
    incertezas
    instantes de interdelírio
    garotos hospícios
    parangolivres
    [...]


    PEREIRA, Aroldo. Parangolivro. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007. p. 13, 15.



    Texto 03


    Parangolé


    Entre
    a
    casa
    é sua
    sua casa-
    camisa
    suas vestes-
    vestíbulos
    saia-sala
    chão-chapéu
    entre
    a casa
    é sua
    corredor
    para o corpo
    escada
    para o êxtase
    vestido
    com vista
    para o mar


    MARQUES, Ana Martins. Da arte das armadilhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 54-55.



    Texto 04


    Parangolé Pamplona


    O Parangolé Pamplona você mesmo faz
    O Parangolé Pamplona a gente mesmo faz
    Com um retângulo de pano de uma cor só
    E é só dançar
    E é só deixar a cor tomar conta do ar
    Verde
    Rosa
    Branco no branco no preto nu
    Branco no branco no preto nu


    O Parangolé Pamplona
    Faça você mesmo
    E quando o couro come
    É só pegar carona
    Laranja
    Vermelho


    Para o espaço estandarte
    Para o êxtase asa delta
    Para o delírio porta aberta
    Pleno ar
    Puro hélio
    Mas
    O Parangolé Pamplona você mesmo faz


    CALCANHOTTO, Adriana. Parangolé Pamplona. Disponível em: https://www.letras.mus.br/adriana-calcanhotto/87107/. Acesso em: 27 fev. 2024.

    Considerando os textos, verifica-se que os Parangolés constituem experiências estéticas que convocam a pessoa a
    Escolha uma alternativa para a questão 7d8fdf24-68
  • Linguagens

    Português

    Leia os textos 01 a 04 para responder à questão.


    Texto 01


    A minha posição ao propor “Parangolé” é a da busca de uma nova fundação objetiva na arte. Não se confundir com uma “nova figuração”, isto é, pretexto para uma volta a uma representação figurada de todo superada, ou ao “quadro”, seu suporte expressivo. O “Parangolé” é não só a superação definitiva do quadro, como a proposição de uma estrutura nova do objetoarte, uma nova reestruturação da visão espacial da obra de arte, superando também a contradição das categorias “pintura e escultura”. Na verdade, ao propor uma arte ambiental, não quero sair do “quadro” para a “escultura”, mas fundar uma nova condição estrutural do objeto que já não admite essas categorias tradicionais. Seria tentar a constituição de um novo “mito do objeto”, que não é nem o objeto transposto da pop art, nem o objeto-verdade do nouveau-réalisme, mas a fundação do objeto em todas as suas ordens e categorias manifestadas no mundo ambiental, que é revelada aqui pela obra de arte. O objeto que não existia passa a existir e o que já existia se revela de outro modo pela visão dada pelo novo objeto que passou a existir. Estão reservados ao artista a tarefa e o poder de transformar a visão e os conceitos na sua estrutura mais íntima e fundamental; é esta a maneira mais eficaz para o homem de hoje dominar o mundo ambiental, isto é, para recriá-lo a seu modo e segundo sua suprema vontade. É esta também uma proposição eminentemente coletiva, que visa abarcar a grande massa popular e lhes dar também uma oportunidade criativa. Essa oportunidade, é claro, teria que se realizar através das individualidades nessa coletividade; o novo aqui é que as possibilidades dessa valorização do indivíduo na coletividade se tornam cada vez mais generalizadas – há a exaltação dos valores coletivos nas suas aspirações criativas mais fundamentais, ao mesmo tempo em que é dada ao indivíduo a possibilidade de inventar, de criar – é a retomada dos mitos da cor, da dança, das estruturas criativas enfim.  


    OITICICA, Helio. Paragolé: uma nova fundação objetiva na arte. In: Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro - 5. OPINIÃO 65. Curadoria Frederico Morais; apresentação Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985 [72]. [Adaptado].



    Texto 02 


    Parangolivro 


    negro pobre poeta
    sem noção de sequência
    multiplicidade de olhares
    ler e descobrir
    escrever bater com a cabeça
    uma arma em nossa mira
    não caber
    dentro da armadura
    debater até sangrar
    entrar e sair
    como se não estivesse
    viver longo
    cada instante
    olhar os filhos sem fim
    caminhar sob o sol
    fugir do inferno de si
    [...]
    osso em febre
    oco do fim do mundo
    uma palavra porrada
    parangolivro parangolé
    morro raimundo de montes
    claros colares
    hélio morro da mangueira
    parangolé oiticica
    ninhos gibis
    incertezas
    instantes de interdelírio
    garotos hospícios
    parangolivres
    [...]


    PEREIRA, Aroldo. Parangolivro. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007. p. 13, 15.



    Texto 03


    Parangolé


    Entre
    a
    casa
    é sua
    sua casa-
    camisa
    suas vestes-
    vestíbulos
    saia-sala
    chão-chapéu
    entre
    a casa
    é sua
    corredor
    para o corpo
    escada
    para o êxtase
    vestido
    com vista
    para o mar


    MARQUES, Ana Martins. Da arte das armadilhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 54-55.



    Texto 04


    Parangolé Pamplona


    O Parangolé Pamplona você mesmo faz
    O Parangolé Pamplona a gente mesmo faz
    Com um retângulo de pano de uma cor só
    E é só dançar
    E é só deixar a cor tomar conta do ar
    Verde
    Rosa
    Branco no branco no preto nu
    Branco no branco no preto nu


    O Parangolé Pamplona
    Faça você mesmo
    E quando o couro come
    É só pegar carona
    Laranja
    Vermelho


    Para o espaço estandarte
    Para o êxtase asa delta
    Para o delírio porta aberta
    Pleno ar
    Puro hélio
    Mas
    O Parangolé Pamplona você mesmo faz


    CALCANHOTTO, Adriana. Parangolé Pamplona. Disponível em: https://www.letras.mus.br/adriana-calcanhotto/87107/. Acesso em: 27 fev. 2024.

    Considere os seguintes versos recortados dos textos 02, 03 e 04.


    Imagem da questão de Português, UEG 2024, Coesão e coerência


    A expressividade poética presente nos versos recortados se caracteriza por uma versificação curta, em que predomina um/uma 

    Escolha uma alternativa para a questão 7d8d5963-68
  • Linguagens

    Português

    Leia os textos 01 a 04 para responder à questão.


    Texto 01


    A minha posição ao propor “Parangolé” é a da busca de uma nova fundação objetiva na arte. Não se confundir com uma “nova figuração”, isto é, pretexto para uma volta a uma representação figurada de todo superada, ou ao “quadro”, seu suporte expressivo. O “Parangolé” é não só a superação definitiva do quadro, como a proposição de uma estrutura nova do objetoarte, uma nova reestruturação da visão espacial da obra de arte, superando também a contradição das categorias “pintura e escultura”. Na verdade, ao propor uma arte ambiental, não quero sair do “quadro” para a “escultura”, mas fundar uma nova condição estrutural do objeto que já não admite essas categorias tradicionais. Seria tentar a constituição de um novo “mito do objeto”, que não é nem o objeto transposto da pop art, nem o objeto-verdade do nouveau-réalisme, mas a fundação do objeto em todas as suas ordens e categorias manifestadas no mundo ambiental, que é revelada aqui pela obra de arte. O objeto que não existia passa a existir e o que já existia se revela de outro modo pela visão dada pelo novo objeto que passou a existir. Estão reservados ao artista a tarefa e o poder de transformar a visão e os conceitos na sua estrutura mais íntima e fundamental; é esta a maneira mais eficaz para o homem de hoje dominar o mundo ambiental, isto é, para recriá-lo a seu modo e segundo sua suprema vontade. É esta também uma proposição eminentemente coletiva, que visa abarcar a grande massa popular e lhes dar também uma oportunidade criativa. Essa oportunidade, é claro, teria que se realizar através das individualidades nessa coletividade; o novo aqui é que as possibilidades dessa valorização do indivíduo na coletividade se tornam cada vez mais generalizadas – há a exaltação dos valores coletivos nas suas aspirações criativas mais fundamentais, ao mesmo tempo em que é dada ao indivíduo a possibilidade de inventar, de criar – é a retomada dos mitos da cor, da dança, das estruturas criativas enfim.  


    OITICICA, Helio. Paragolé: uma nova fundação objetiva na arte. In: Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro - 5. OPINIÃO 65. Curadoria Frederico Morais; apresentação Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985 [72]. [Adaptado].



    Texto 02 


    Parangolivro 


    negro pobre poeta
    sem noção de sequência
    multiplicidade de olhares
    ler e descobrir
    escrever bater com a cabeça
    uma arma em nossa mira
    não caber
    dentro da armadura
    debater até sangrar
    entrar e sair
    como se não estivesse
    viver longo
    cada instante
    olhar os filhos sem fim
    caminhar sob o sol
    fugir do inferno de si
    [...]
    osso em febre
    oco do fim do mundo
    uma palavra porrada
    parangolivro parangolé
    morro raimundo de montes
    claros colares
    hélio morro da mangueira
    parangolé oiticica
    ninhos gibis
    incertezas
    instantes de interdelírio
    garotos hospícios
    parangolivres
    [...]


    PEREIRA, Aroldo. Parangolivro. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007. p. 13, 15.



    Texto 03


    Parangolé


    Entre
    a
    casa
    é sua
    sua casa-
    camisa
    suas vestes-
    vestíbulos
    saia-sala
    chão-chapéu
    entre
    a casa
    é sua
    corredor
    para o corpo
    escada
    para o êxtase
    vestido
    com vista
    para o mar


    MARQUES, Ana Martins. Da arte das armadilhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 54-55.



    Texto 04


    Parangolé Pamplona


    O Parangolé Pamplona você mesmo faz
    O Parangolé Pamplona a gente mesmo faz
    Com um retângulo de pano de uma cor só
    E é só dançar
    E é só deixar a cor tomar conta do ar
    Verde
    Rosa
    Branco no branco no preto nu
    Branco no branco no preto nu


    O Parangolé Pamplona
    Faça você mesmo
    E quando o couro come
    É só pegar carona
    Laranja
    Vermelho


    Para o espaço estandarte
    Para o êxtase asa delta
    Para o delírio porta aberta
    Pleno ar
    Puro hélio
    Mas
    O Parangolé Pamplona você mesmo faz


    CALCANHOTTO, Adriana. Parangolé Pamplona. Disponível em: https://www.letras.mus.br/adriana-calcanhotto/87107/. Acesso em: 27 fev. 2024.

    Nota-se, nos textos 02 e 03, uma construção poética baseada em três elementos comuns, quais sejam:
    Escolha uma alternativa para a questão 7d8aed58-68
  • Linguagens

    Português

    Leia os textos 01 a 04 para responder à questão.


    Texto 01


    A minha posição ao propor “Parangolé” é a da busca de uma nova fundação objetiva na arte. Não se confundir com uma “nova figuração”, isto é, pretexto para uma volta a uma representação figurada de todo superada, ou ao “quadro”, seu suporte expressivo. O “Parangolé” é não só a superação definitiva do quadro, como a proposição de uma estrutura nova do objetoarte, uma nova reestruturação da visão espacial da obra de arte, superando também a contradição das categorias “pintura e escultura”. Na verdade, ao propor uma arte ambiental, não quero sair do “quadro” para a “escultura”, mas fundar uma nova condição estrutural do objeto que já não admite essas categorias tradicionais. Seria tentar a constituição de um novo “mito do objeto”, que não é nem o objeto transposto da pop art, nem o objeto-verdade do nouveau-réalisme, mas a fundação do objeto em todas as suas ordens e categorias manifestadas no mundo ambiental, que é revelada aqui pela obra de arte. O objeto que não existia passa a existir e o que já existia se revela de outro modo pela visão dada pelo novo objeto que passou a existir. Estão reservados ao artista a tarefa e o poder de transformar a visão e os conceitos na sua estrutura mais íntima e fundamental; é esta a maneira mais eficaz para o homem de hoje dominar o mundo ambiental, isto é, para recriá-lo a seu modo e segundo sua suprema vontade. É esta também uma proposição eminentemente coletiva, que visa abarcar a grande massa popular e lhes dar também uma oportunidade criativa. Essa oportunidade, é claro, teria que se realizar através das individualidades nessa coletividade; o novo aqui é que as possibilidades dessa valorização do indivíduo na coletividade se tornam cada vez mais generalizadas – há a exaltação dos valores coletivos nas suas aspirações criativas mais fundamentais, ao mesmo tempo em que é dada ao indivíduo a possibilidade de inventar, de criar – é a retomada dos mitos da cor, da dança, das estruturas criativas enfim.  


    OITICICA, Helio. Paragolé: uma nova fundação objetiva na arte. In: Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro - 5. OPINIÃO 65. Curadoria Frederico Morais; apresentação Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985 [72]. [Adaptado].



    Texto 02 


    Parangolivro 


    negro pobre poeta
    sem noção de sequência
    multiplicidade de olhares
    ler e descobrir
    escrever bater com a cabeça
    uma arma em nossa mira
    não caber
    dentro da armadura
    debater até sangrar
    entrar e sair
    como se não estivesse
    viver longo
    cada instante
    olhar os filhos sem fim
    caminhar sob o sol
    fugir do inferno de si
    [...]
    osso em febre
    oco do fim do mundo
    uma palavra porrada
    parangolivro parangolé
    morro raimundo de montes
    claros colares
    hélio morro da mangueira
    parangolé oiticica
    ninhos gibis
    incertezas
    instantes de interdelírio
    garotos hospícios
    parangolivres
    [...]


    PEREIRA, Aroldo. Parangolivro. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007. p. 13, 15.



    Texto 03


    Parangolé


    Entre
    a
    casa
    é sua
    sua casa-
    camisa
    suas vestes-
    vestíbulos
    saia-sala
    chão-chapéu
    entre
    a casa
    é sua
    corredor
    para o corpo
    escada
    para o êxtase
    vestido
    com vista
    para o mar


    MARQUES, Ana Martins. Da arte das armadilhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 54-55.



    Texto 04


    Parangolé Pamplona


    O Parangolé Pamplona você mesmo faz
    O Parangolé Pamplona a gente mesmo faz
    Com um retângulo de pano de uma cor só
    E é só dançar
    E é só deixar a cor tomar conta do ar
    Verde
    Rosa
    Branco no branco no preto nu
    Branco no branco no preto nu


    O Parangolé Pamplona
    Faça você mesmo
    E quando o couro come
    É só pegar carona
    Laranja
    Vermelho


    Para o espaço estandarte
    Para o êxtase asa delta
    Para o delírio porta aberta
    Pleno ar
    Puro hélio
    Mas
    O Parangolé Pamplona você mesmo faz


    CALCANHOTTO, Adriana. Parangolé Pamplona. Disponível em: https://www.letras.mus.br/adriana-calcanhotto/87107/. Acesso em: 27 fev. 2024.

    Os Parangolés de Hélio Oiticica podem ser considerados obras antiartísticas. A partir deles, podia-se questionar o status quo dos suportes das obras de arte, como a escultura e a pintura, tendo em vista seu ato transgressor de criar uma “nova condição estrutural” da “arte ambiental”, conforme texto 1. Portanto, uma exposição de Parangolés neutralizaria sua própria natureza: essa nova estrutura buscava recriar a ambiência e a atmosfera das favelas, numa específica fusão de espaçotempo, que desafiava as noções de duração, suporte e experiência estética.



    As três fontes de influência que levaram Oiticica a conceber o Parangolé como uma síntese são:

    Escolha uma alternativa para a questão 7d88807e-68
  • Linguagens

    Português

    Leia os textos 01 a 04 para responder à questão.


    Texto 01


    A minha posição ao propor “Parangolé” é a da busca de uma nova fundação objetiva na arte. Não se confundir com uma “nova figuração”, isto é, pretexto para uma volta a uma representação figurada de todo superada, ou ao “quadro”, seu suporte expressivo. O “Parangolé” é não só a superação definitiva do quadro, como a proposição de uma estrutura nova do objetoarte, uma nova reestruturação da visão espacial da obra de arte, superando também a contradição das categorias “pintura e escultura”. Na verdade, ao propor uma arte ambiental, não quero sair do “quadro” para a “escultura”, mas fundar uma nova condição estrutural do objeto que já não admite essas categorias tradicionais. Seria tentar a constituição de um novo “mito do objeto”, que não é nem o objeto transposto da pop art, nem o objeto-verdade do nouveau-réalisme, mas a fundação do objeto em todas as suas ordens e categorias manifestadas no mundo ambiental, que é revelada aqui pela obra de arte. O objeto que não existia passa a existir e o que já existia se revela de outro modo pela visão dada pelo novo objeto que passou a existir. Estão reservados ao artista a tarefa e o poder de transformar a visão e os conceitos na sua estrutura mais íntima e fundamental; é esta a maneira mais eficaz para o homem de hoje dominar o mundo ambiental, isto é, para recriá-lo a seu modo e segundo sua suprema vontade. É esta também uma proposição eminentemente coletiva, que visa abarcar a grande massa popular e lhes dar também uma oportunidade criativa. Essa oportunidade, é claro, teria que se realizar através das individualidades nessa coletividade; o novo aqui é que as possibilidades dessa valorização do indivíduo na coletividade se tornam cada vez mais generalizadas – há a exaltação dos valores coletivos nas suas aspirações criativas mais fundamentais, ao mesmo tempo em que é dada ao indivíduo a possibilidade de inventar, de criar – é a retomada dos mitos da cor, da dança, das estruturas criativas enfim.  


    OITICICA, Helio. Paragolé: uma nova fundação objetiva na arte. In: Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro - 5. OPINIÃO 65. Curadoria Frederico Morais; apresentação Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985 [72]. [Adaptado].



    Texto 02 


    Parangolivro 


    negro pobre poeta
    sem noção de sequência
    multiplicidade de olhares
    ler e descobrir
    escrever bater com a cabeça
    uma arma em nossa mira
    não caber
    dentro da armadura
    debater até sangrar
    entrar e sair
    como se não estivesse
    viver longo
    cada instante
    olhar os filhos sem fim
    caminhar sob o sol
    fugir do inferno de si
    [...]
    osso em febre
    oco do fim do mundo
    uma palavra porrada
    parangolivro parangolé
    morro raimundo de montes
    claros colares
    hélio morro da mangueira
    parangolé oiticica
    ninhos gibis
    incertezas
    instantes de interdelírio
    garotos hospícios
    parangolivres
    [...]


    PEREIRA, Aroldo. Parangolivro. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007. p. 13, 15.



    Texto 03


    Parangolé


    Entre
    a
    casa
    é sua
    sua casa-
    camisa
    suas vestes-
    vestíbulos
    saia-sala
    chão-chapéu
    entre
    a casa
    é sua
    corredor
    para o corpo
    escada
    para o êxtase
    vestido
    com vista
    para o mar


    MARQUES, Ana Martins. Da arte das armadilhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 54-55.



    Texto 04


    Parangolé Pamplona


    O Parangolé Pamplona você mesmo faz
    O Parangolé Pamplona a gente mesmo faz
    Com um retângulo de pano de uma cor só
    E é só dançar
    E é só deixar a cor tomar conta do ar
    Verde
    Rosa
    Branco no branco no preto nu
    Branco no branco no preto nu


    O Parangolé Pamplona
    Faça você mesmo
    E quando o couro come
    É só pegar carona
    Laranja
    Vermelho


    Para o espaço estandarte
    Para o êxtase asa delta
    Para o delírio porta aberta
    Pleno ar
    Puro hélio
    Mas
    O Parangolé Pamplona você mesmo faz


    CALCANHOTTO, Adriana. Parangolé Pamplona. Disponível em: https://www.letras.mus.br/adriana-calcanhotto/87107/. Acesso em: 27 fev. 2024.

    A descrição feita por Hélio Oiticica, no texto 01, sobre sua obra Parangolé, constituída por capas, estandartes e tendas, aproximava-se, à época de sua invenção, da linguagem

    Escolha uma alternativa para a questão 7d86145c-68
  • Linguagens

    Português

    Pneumotórax



    Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.

    A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

    Tosse, tosse, tosse.

    Mandou chamar o médico:

    – Diga trinta e três.

    – Trinta e três… trinta e três… trinta e três…

    – Respire.

    ………………………………………………………….

    – O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

    – Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

    – Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.



    BANDEIRA, Manuel. Pneumotórax. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1993. p. 206. 


    Em relação ao poema, verifica-se que
    Escolha uma alternativa para a questão 7d83ab78-68
  • Linguagens

    Português

    Pneumotórax



    Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.

    A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

    Tosse, tosse, tosse.

    Mandou chamar o médico:

    – Diga trinta e três.

    – Trinta e três… trinta e três… trinta e três…

    – Respire.

    ………………………………………………………….

    – O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

    – Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

    – Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.



    BANDEIRA, Manuel. Pneumotórax. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1993. p. 206. 


    A forma do diálogo e da fala dos sujeitos, no texto, demonstra que
    Escolha uma alternativa para a questão 7d8135d3-68