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Prova

Prova de 2015: Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) — questões com gabarito

144 questões da prova de 2015 de Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), em Português, Biologia, Inglês, Física e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 144 questões
  • 10 matérias

Resultados: 34 questões

Página 1 de 2

  • Ciências Humanas

    Geografia

    TEXTO 1

                                  Queimada

    À fúria da rubra língua

    do fogo

    na queimada

    envolve e lambe

    o campinzal

    estiolado em focos

    enos

    sinal.

    É um correr desesperado

    de animais silvestres

    o que vai, ali, pelo mundo

    incendiado e fundo,

    talvez,


    como o canto da araponga

    nos vãos da brisa!


    Tambores na tempestade


    [...]

    E os tambores

      e os tambores

        e os tambores

    soando na tempestade,

    ao efêmero de sua eterna idade.


    [...]

              Onde?

    Eu vos contemplo

         à inércia do que me leva

         ao movimento


    de naufragar-me

         eternamente

    na secura de suas águas

       mais à frente!


    Ó tambores

       ruflai

    sacudi suas dores!


    Eu

    que não me sei

    não me venho

       por ser

    busco apenas ser somenos

    no viver,

    nada mais que isso!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 164, 544, 552.)

    O Texto 1 faz referência a queimadas, que, quando realizadas de maneira não controlada são maléficas ao ambiente florístico e faunístico de qualquer bioma. Levando-se em conta o clima, o relevo e a vegetação, o território brasileiro é constituído de diferentes e diversificados mosaicos paisagísticos. Assinale, dentre as alternativas a seguir, a que melhor correlaciona as regiões brasileiras e os biomas nelas predominantes:

    Marque a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão 6b691968-24
  • Ciências Humanas

    História

    TEXTO 1

                                  Queimada

    À fúria da rubra língua

    do fogo

    na queimada

    envolve e lambe

    o campinzal

    estiolado em focos

    enos

    sinal.

    É um correr desesperado

    de animais silvestres

    o que vai, ali, pelo mundo

    incendiado e fundo,

    talvez,


    como o canto da araponga

    nos vãos da brisa!


    Tambores na tempestade


    [...]

    E os tambores

      e os tambores

        e os tambores

    soando na tempestade,

    ao efêmero de sua eterna idade.


    [...]

              Onde?

    Eu vos contemplo

         à inércia do que me leva

         ao movimento


    de naufragar-me

         eternamente

    na secura de suas águas

       mais à frente!


    Ó tambores

       ruflai

    sacudi suas dores!


    Eu

    que não me sei

    não me venho

       por ser

    busco apenas ser somenos

    no viver,

    nada mais que isso!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 164, 544, 552.)

    Os versos do Texto 1 tratam da destruição da fauna e da flora em uma queimada e de tambores. Esse cenário nos lembra a situação da América antes da conquista dos europeus. O continente era habitado por cerca de 50 milhões de pessoas, que possuíam diversos níveis culturais. Assinale a alternativa que indica corretamente tal diversidade entre os povos ameríndios e suas respectivas regiões:
    Escolha uma alternativa para a questão 6b71b718-24
  • Ciências Humanas

    História

    TEXTO 2

                                              VI

          Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta contar-te como morreu minha avó.

          — Como foi?

          — Senta-te.

          Rubião obedeceu, dando ao rosto o maior interesse possível, enquanto Quincas Borba continuava a andar.

          — Foi no Rio de Janeiro, começou ele, defronte da Capela Imperial, que era então Real, em dia de grande festa; minha avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do Paço. Gente como formiga. O povo queria ver entrar as grandes senhoras nas suas ricas traquitanas. No momento em que minha avó saía do adro para ir à cadeirinha, um pouco distante, aconteceu espantar-se uma das bestas de uma sege; a besta disparou, a outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas como a sege passaram-lhe por cima. Foi levada em braços para uma botica da Rua Direita, veio um sangrador, mas era tarde; tinha a cabeça rachada, uma perna e o ombro partidos, era toda sangue; expirou minutos depois.

          — Foi realmente uma desgraça, disse Rubião.

          — Não.

          — Não?

          — Ouve o resto. Aqui está como se tinha passado o caso. O dono da sege estava no adro, e tinha fome, muita fome, porque era tarde, e almoçara cedo e pouco. Dali pôde fazer sinal ao cocheiro; este fustigou as mulas para ir buscar o patrão. A sege no meio do caminho achou um obstáculo e derribou-o; esse obstáculo era minha avó. O primeiro ato dessa série de atos foi um movimento de conservação: Humanitas tinha fome. Se em vez de minha avó, fosse um rato ou um cão, é certo que minha avó não morreria, mas o fato era o mesmo; Humanitas precisa comer. Se em vez de um rato ou de um cão, fosse um poeta, Byron ou Gonçalves Dias diferia o caso no sentido de dar matéria a muitos necrológios; mas o fundo subsistia. O universo ainda não parou por lhe faltarem alguns poemas mortos em flor na cabeça de um varão ilustre ou obscuro; mas Humanitas (e isto importa, antes de tudo) Humanitas precisa comer.

          Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de entender; mas não dava pela necessidade a que o amigo atribuía a morte da avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que chegasse à casa, não morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para sempre. Explicou-lhe, como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe:

          — E que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não és capaz de entender isto, meu caro Rubião; falemos de outra coisa.

          — Diga sempre.

          Quincas Borba, que não deixara de andar, parou alguns instantes.

          — Queres ser meu discípulo?

          — Quero.

          — Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no dia em que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse dia terás o maior prazer da vida, porque não há vinho que embriague como a verdade. Crê-me, o Humanitismo é o remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é ele, é Humanitas...

          — Mas que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o principio. Há nas coisas todas certa substância recôndita e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem do grande Camões:

          Uma verdade que nas coisas anda,

          Que mora no visíbil e invisíbil. 

          Pois essa sustância ou verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo é o homem. Vais entendendo?

          — Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...

          — Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o carácter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

          — Mas a opinião do exterminado?

          — Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias.

          — Bem; a opinião da bolha...

          — Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É Dom Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra, que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e supradivino.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 18. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 26-28.)

    No Texto 2 o narrador nos remete a uma cena cotidiana da vida urbana na capital do Império, Rio de Janeiro, subverte o tempo e o espaço e nos descortina as relações de poder que eram vivenciadas pela sociedade naquela cidade. Com relação a esse tema, analise as afirmativas a seguir:

    I-A vinda da Corte portuguesa para o Brasil em 1808 promoveu mudanças sociais. Dentre essas, o surgimento de um grupo de proprietários de terra que se notabilizou por abastecer com produtos agrários o mercado carioca e, com isso, conseguir ascensão política local e provincial. Porém, esse grupo não era aceito na Corte por estar ligado ao comércio.

    II-O surto cafeeiro, por ter se desenvolvido com recursos nacionais, possibilitou a autonomia e independência das elites cariocas com relação ao capital estrangeiro para implementar suas atividades comerciais e financeiras.

    III-Era comum encontrar na cidade escravos exercendo todas as formas de trabalho, dentro e fora das casas, no comércio, nas ruas, nas artes e em outros ofícios. Esses escravos, diferentemente dos escravos das fazendas, não sofriam castigos e gozavam de liberdade e autonomia.

    IV-A proibição do tráfico de escravos liberou capitais para aplicações bancárias e ampliação de serviços. Com isso, criaram-se condições favoráveis à diminuição das desigualdades sociais, pois os ex-escravos foram incorporados no mercado e se transformaram em prestadores de serviços assalariados.

    Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:

    Escolha uma alternativa para a questão 6b82a74b-24
  • Ciências Humanas

    História

    TEXTO 2

                                              VI

          Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta contar-te como morreu minha avó.

          — Como foi?

          — Senta-te.

          Rubião obedeceu, dando ao rosto o maior interesse possível, enquanto Quincas Borba continuava a andar.

          — Foi no Rio de Janeiro, começou ele, defronte da Capela Imperial, que era então Real, em dia de grande festa; minha avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do Paço. Gente como formiga. O povo queria ver entrar as grandes senhoras nas suas ricas traquitanas. No momento em que minha avó saía do adro para ir à cadeirinha, um pouco distante, aconteceu espantar-se uma das bestas de uma sege; a besta disparou, a outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas como a sege passaram-lhe por cima. Foi levada em braços para uma botica da Rua Direita, veio um sangrador, mas era tarde; tinha a cabeça rachada, uma perna e o ombro partidos, era toda sangue; expirou minutos depois.

          — Foi realmente uma desgraça, disse Rubião.

          — Não.

          — Não?

          — Ouve o resto. Aqui está como se tinha passado o caso. O dono da sege estava no adro, e tinha fome, muita fome, porque era tarde, e almoçara cedo e pouco. Dali pôde fazer sinal ao cocheiro; este fustigou as mulas para ir buscar o patrão. A sege no meio do caminho achou um obstáculo e derribou-o; esse obstáculo era minha avó. O primeiro ato dessa série de atos foi um movimento de conservação: Humanitas tinha fome. Se em vez de minha avó, fosse um rato ou um cão, é certo que minha avó não morreria, mas o fato era o mesmo; Humanitas precisa comer. Se em vez de um rato ou de um cão, fosse um poeta, Byron ou Gonçalves Dias diferia o caso no sentido de dar matéria a muitos necrológios; mas o fundo subsistia. O universo ainda não parou por lhe faltarem alguns poemas mortos em flor na cabeça de um varão ilustre ou obscuro; mas Humanitas (e isto importa, antes de tudo) Humanitas precisa comer.

          Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de entender; mas não dava pela necessidade a que o amigo atribuía a morte da avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que chegasse à casa, não morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para sempre. Explicou-lhe, como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe:

          — E que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não és capaz de entender isto, meu caro Rubião; falemos de outra coisa.

          — Diga sempre.

          Quincas Borba, que não deixara de andar, parou alguns instantes.

          — Queres ser meu discípulo?

          — Quero.

          — Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no dia em que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse dia terás o maior prazer da vida, porque não há vinho que embriague como a verdade. Crê-me, o Humanitismo é o remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é ele, é Humanitas...

          — Mas que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o principio. Há nas coisas todas certa substância recôndita e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem do grande Camões:

          Uma verdade que nas coisas anda,

          Que mora no visíbil e invisíbil. 

          Pois essa sustância ou verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo é o homem. Vais entendendo?

          — Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...

          — Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o carácter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

          — Mas a opinião do exterminado?

          — Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias.

          — Bem; a opinião da bolha...

          — Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É Dom Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra, que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e supradivino.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 18. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 26-28.)

    O narrador, no Texto 2, fala-nos que “a guerra é a conservação”. A propósito, essa expressão nos permite fazer uma analogia com a “guerra sem fim”, decretada pelos Estados Unidos ao “terrorismo islâmico” após os atentados de 11 de setembro de 2001, com a justificativa de pôr fim à violência terrorista e reordenar o mundo para conservar a paz. Sobre essa nova reelaboração da doutrina de “guerra justa” durante o governo Bush, analise os itens que se seguem:

    I-Apesar da força militar dos EUA, essa guerra visava ao pacifismo, não exigia objetivos nem meios específicos, finitos e realizáveis.

    II- Seria uma guerra radical, contínua, irrestrita e sem limites de tempo ou fronteiras geográficas, que não buscava expansão territorial.

    III-Uma nova política de intervenção em que os EUA, diante de qualquer ameaça militar ou mesmo antecipando um perigo futuro, teria o direito de promover ataques preventivos.

    IV-Foi o resultado de acordos e alianças com outras potências e instituições internacionais visando à proteção da população civil, que seria preservada das atrocidades da guerra.

    Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:

    Escolha uma alternativa para a questão 6b94b94e-24
  • Ciências Humanas

    Geografia

    TEXTO 3

                               O acendedor de lampiões

    Lá vem o acendedor de lampiões da rua!

    Este mesmo que vem infatigavelmente,

    Parodiar o sol e associar-se à lua

    Quando a sombra da noite enegrece o poente!


    Um, dois, três lampiões, acende e continua

    Outros mais a acender imperturbavelmente,

    À medida que a noite aos poucos se acentua

    E a palidez da lua apenas se pressente.


    Triste ironia atroz que o senso humano irrita: —

    Ele que doura a noite e ilumina a cidade,

    Talvez não tenha luz na choupana em que habita.


    Tanta gente também nos outros insinua

    Crenças, religiões, amor, felicidade,

    Como este acendedor de lampiões da rua!


    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. 3. ed. São Paulo: Global, 2006. p. 25)

    O Texto 3 relata uma situação que frequentemente ocorre no mundo contemporâneo, que é a exploração da mão de obra trabalhadora, e faz referência ao Sol e à Lua, que nos remete à temática dos movimentos da Terra. Acerca das características e dos efeitos dos dois movimentos mais importantes de nosso planeta, rotação e translação, são feitas as assertivas a seguir. Analise-as:

    I-Têm por efeito a sucessão dos dias e das noites, que influencia na organização da vida, e o solstício, em que os dias e as noites são iguais e determina o começo da primavera e do outono.

    II-Têm por efeito a sucessão dos dias e das noites, que influencia na organização da vida, e o solstício, em que os dias e as noites são desiguais e determina o começo do verão e do inverno.

    III-Ambos movimentos acontecem no sentido anti-horário, e equinócio significa que os dias e as noites têm igual duração e determina o começo do verão e do inverno.

    IV-Ambos movimentos ocorrem de oeste para leste, e equinócio significa que os dias e as noites têm igual duração e determina o começo do outono e da primavera.

    De acordo com os itens analisados, marque a alternativa que contém apenas proposições corretas:

    Escolha uma alternativa para a questão 6bc0c26e-24
  • Ciências Humanas

    História

    TEXTO 3

                               O acendedor de lampiões

    Lá vem o acendedor de lampiões da rua!

    Este mesmo que vem infatigavelmente,

    Parodiar o sol e associar-se à lua

    Quando a sombra da noite enegrece o poente!


    Um, dois, três lampiões, acende e continua

    Outros mais a acender imperturbavelmente,

    À medida que a noite aos poucos se acentua

    E a palidez da lua apenas se pressente.


    Triste ironia atroz que o senso humano irrita: —

    Ele que doura a noite e ilumina a cidade,

    Talvez não tenha luz na choupana em que habita.


    Tanta gente também nos outros insinua

    Crenças, religiões, amor, felicidade,

    Como este acendedor de lampiões da rua!


    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. 3. ed. São Paulo: Global, 2006. p. 25)

    O acendedor de lampiões foi desaparecendo enquanto a iluminação a gás cedia lugar à iluminação pública por meio da eletricidade. Em Goiás, esse processo se deu no inicio do século XX, com a energia produzida ainda por meio de motores a combustão. No terceiro decênio do mesmo século, um dos motivos colocados para a escolha do lugar da nova capital do Estado seria o potencial hidroelétrico dos rios que correm pela região. Considerando que o fornecimento regular de energia elétrica possui forte impacto na modernização da vida social, avalie as alternativas e assinale a que estiver correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 6bc8e8bd-24
  • Ciências Humanas

    Geografia

    TEXTO 5

                                 Raios de sol ao meio

          Mais uma vez ele aparecia na minha frente como se tivesse vindo do nada. Seus olhos eram grandes e negros e pareciam ter nascido bem antes dele. Suas espinhas se agigantavam conforme o ângulo de que eram vistas. Sua orelha era algo indescritível. Além de orelha ela era disforme, meio redonda e meio achatada nas pontas. Ela era meio várias coisas. Uma orelha monstro. A boca era alguma coisa que só estava ali para cumprir seu espaço no rosto. Era boca porque estava exatamente no lugar da boca. E era a segunda vez que ele me mobilizava. Mas no conjunto de elementos díspares reinava uma sensualidade ímpar que me tirava de mim sem que eu soubesse navegar no outro que em mim surgia. De mim não sabia entender o que emanava para ele em toda a sua estranha vastidão de patologia visual. No meio sol da meia-noite as coisas se anunciaram e antes que a madrugada avançasse a lua em sua metade escondida ardeu com um olhar malicioso e sorriu.

        (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 177.)

    A expressão “sol da meia-noite”, empregada no Texto 5, indica um aparente contraste, já que, para a maior parte do planeta Terra, a meia-noite, ou o momento da mudança de data, ocorre no período escuro do dia. Embora pareça estranho, em algumas regiões, ocorrem dias com duração de 24 horas para o período claro. Acerca das condições para tal ocorrência e de seus desdobramentos, analise as assertivas a seguir:

    I-A situação conhecida como sol da meia-noite é observável para além da latitude de 66° 33’, tanto no Hemisfério Norte quanto no Hemisfério Sul.

    II-Contrariamente à situação de sol da meia-noite, para além dos trópicos de Câncer e Capricórnio, é observável a situação de período escuro em pleno meio-dia.

    III-Os círculos polares Ártico e Antártico marcam a latitude mínima em que os raios solares incidem 24 horas por dia no solstício de verão.

    IV-A latitude de 23° 27’ marca o limite de incidência dos raios solares no solstício de inverno para cada um dos hemisférios.

    Em relação às proposições analisadas, assinale a alternativa cujos itens estão todos corretos:

    Escolha uma alternativa para a questão 6bf8feb6-24
  • Ciências Humanas

    História

    TEXTO 5

                                 Raios de sol ao meio

          Mais uma vez ele aparecia na minha frente como se tivesse vindo do nada. Seus olhos eram grandes e negros e pareciam ter nascido bem antes dele. Suas espinhas se agigantavam conforme o ângulo de que eram vistas. Sua orelha era algo indescritível. Além de orelha ela era disforme, meio redonda e meio achatada nas pontas. Ela era meio várias coisas. Uma orelha monstro. A boca era alguma coisa que só estava ali para cumprir seu espaço no rosto. Era boca porque estava exatamente no lugar da boca. E era a segunda vez que ele me mobilizava. Mas no conjunto de elementos díspares reinava uma sensualidade ímpar que me tirava de mim sem que eu soubesse navegar no outro que em mim surgia. De mim não sabia entender o que emanava para ele em toda a sua estranha vastidão de patologia visual. No meio sol da meia-noite as coisas se anunciaram e antes que a madrugada avançasse a lua em sua metade escondida ardeu com um olhar malicioso e sorriu.

        (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 177.)

    A relação entre aspectos físicos e patologias morais foi uma tônica da Medicina Criminal. Estudiosos como o italiano Cesare Lombroso (1835-1909) fizeram sucesso ao relacionar a forma do crânio e do rosto ao caráter das pessoas, sugerindo que a criminalidade seria inata. Aqui no Brasil, ficou famoso o requerimento para estudar a cabeça do líder de Canudos, o beato Antônio Conselheiro, que foi decepada e enviada ao Dr. Nina Rodrigues. Acerca do impacto social dessas teorias consideradas científicas no inicio do século XX, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c03c4cb-24
  • Ciências Humanas

    Geografia

    TEXTO 7

          A gota que fez transbordar a caixa da paciência de vovó foi um casalzinho folgado. Cansada da algazarra, do som da sanfona, que por três dias e três noites vinha balançando os alicerces da Casa, vovó foi procurar refúgio na paz de seu quarto. Que paz que nada, ali também a festa rolava solta. Abismada, ela viu um casalzinho iniciando sua lua de mel, imaginem onde? Na cama de vovó! Pena que o urinol estivesse vazio. Furiosa, Ana Vitória pensou em apelar para o chicote. Depois seu pensamento voltou para os primeiros dias de seu casamento, lembrou-se da urgência que a fazia deixar tudo por fazer e ir atrás do marido no roçado. Viu a si mesma, viu os dois, ela e o marido, um casal corado e feliz se deitando debaixo de qualquer árvore. Dez meses após o casamento nasceu o primeiro filho, seguido de outros, um por ano. A leveza daquele início parecia tão distante, tão irreal. Uma lagrimazinha de saudade marejou seus olhos abatidos, rolou pela face cansada e foi morrer no peito murcho. Desanimada, ela pensou que nunca mais ia parar de ter filhos, de lavar bundinhas melecadas de cocô. Acabou deixando os pombinhos em paz, eles que aproveitassem a vida enquanto era possível. Mas avisou aos interessados que preferia perder um bom quinhão de suas terras a continuar convivendo com tamanha barafunda. Assim, a ideia remota da criação de um arraial foi posta em prática. Doações foram feitas e o terreno demarcado.

          As construções começaram a nascer com a rapidez dos cogumelos. Primeiro a igreja com a torre central, beiral duplo em madeira recortada em bicos. Paredes azuis, janelas brancas. Feinha a pobre igreja, mas nem por isso desprezada. Talvez sua maior virtude estivesse na singeleza, no aconchego. A igrejinha era o orgulho do povoado. Sobre o altar feito por um carpinteiro caprichoso, a imagem de um Cristo cansado, a cabeça pensa, o olhar vazio. Descascado, ensanguentado, provocava nos fieis uma piedade quase dolorosa. Foi nessa igreja que meus pais me apresentaram ao Nosso Criador.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 74-75.)

    A história narrada no Texto 7 versa sobre a doação e demarcação de terras na intenção de se construir um arraial. Nesse sentido, no processo de representação do terreno por meio de um mapa, carta ou planta, é necessário o uso da escala cartográfica, que consiste na relação entre as dimensões lineares do objeto ou fenômeno representado e suas correspondentes no terreno. Acerca da escala cartográfica, seu significado, bem como outros desdobramentos, marque a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c4b5548-24
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    Geografia

    TEXTO 8

          Aos 60 anos, Rossmarc foi confinado na cadeia Raimundo Pessoa em Manaus, dividindo uma cela com 80 detentos. Dormia no chão junto de uma fossa sanitária. Para manter-se vivo usava toda a sua inteligência para fazer acordos com os detentos. Lá havia de tudo: drogados, jagunços, pseudomissionários, contrabandistas etc. Fora vítima do advogado. Com toda a lábia, nunca fora a Brasília defender Rossmarc. Por não ter apresentado a defesa, foi condenado a 13 anos de prisão. O advogado sumira, Rossmarc perdera o prazo para recorrer. Como era estrangeiro, os juízes temiam que fugisse do Brasil. O juiz ordenou sua prisão imediata. A cela, com oitenta detentos, fervilhava, era mais do que o inferno. Depressivo, mantinha-se tartamudo num canto, remoendo sua história, recordando-se dos bons tempos em que navegava pelos rios da Amazônia com seus amigos primatas.

          Visitas? Só a de Pássaro Azul. Mudara-se também para Manaus e, sem nada dizer a Rossmarc, para obter dinheiro, prostituía-se num cabaré. Estava mais magra e algumas rugas se mostravam em seu rosto antes reluzente, agora de cor negra desgastada. Com o intuito de obter dinheiro, tanto para Rossmarc pagar as contas de dois viciados em crack no presídio, como para as custas de um advogado inexperiente, pouco se alimentava e ao redor dos olhos manchas entumecidas apareciam, deixando-a como alguém que consumia droga em exagero. As noitadas no cabaré enfumaçado e fedorento deixavam-na enfraquecida. Mas não deixara de amar o biólogo holandês. Quando fugira do quilombola, naquela noite, jurara amor eterno e não estava disposta a quebrar o juramento.

          Enquanto Pássaro Azul se prostituía para obter os escassos recursos, Rossmarc, espremido entre os oitenta detentos, procurava desesperadamente uma luz no fim do túnel. Lembrava-se dos amigos influentes, de jornalistas, de políticos, e cada vez que Pássaro Azul o visitava, ele implorava que procurasse essas pessoas. Pássaro Azul corria atrás, mas sequer era recebida. Quem daria ouvidos a uma negra que se dizia íntima de Rossmarc, o biólogo que cometera crimes de biopirataria? Na visita seguinte, Rossmarc indagava:

          — E dai, procurou aquela pessoa?

          Para não magoar o amado, ela respondia que todos estavam muito interessados em sua causa. Dizia, entretanto, sem entusiasmo, com os olhos acuados e baixos, para não ver o rosto magro e chupado de Rossmarc. Entregava-lhe o pouco dinheiro que economizava, fruto da prostituição, e saia de lá com os olhos rasos d’água, tolhendo os soluços.

          Numa noite no cabaré, Pássaro Azul conheceu um homem gordo e vesgo, que usava correntões de ouro. Dizia-se dono de um garimpo no meio da selva. Bebia e fumava muito, ria alto, com gargalhadas por vezes irritantes. Entre todas as raparigas, escolheu Pássaro Azul, que lhe fez todas as vontades, pervertendo-se de forma baixa e vil. Foram três noitadas intermináveis, mas Pássaro Azul aprendera a administrar a bebida. Não era tola, como as demais, que se embebedavam a ponto de caírem e serem arrastadas. Era carinhosa com o fazendeiro e saciava-lhe todos os caprichos. Não o abandonava, sentava em seu colo gordo e fazia-lhe agrados fingidos. Dava-lhe mais bebida e um composto de viagra, e o rosto gordo se avermelhava como de um leão enraivecido. Então, ela o puxava para o quarto sórdido. Na cama, enfrentava como guerreira o monte de carne e ossos, trepando sobre suas grandes papadas balofas e cavalgando, como uma guerreira. O homem resfolegava, gritava, gemia, uivava, mas Pássaro Azul não parava aquela louca cavalgada.

          [...]

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 217-218.)

    A história narrada no Texto 8 se passa na região amazônica que, mesmo próxima à Cordilheira dos Andes, pode ser considerada tectonicamente estável. No dia 30 de setembro de 2014, um abalo sísmico de magnitude 7,1 graus atingiu a porção sudoeste da Colômbia, causando expectativa nas regiões vizinhas. No que se refere às causas, locais de ocorrência desses fenômenos e suas consequências, analise os itens a seguir:

    I-A ocorrência de terremotos é um fenômeno inerente à própria dinâmica interna da Terra, tendo em vista a manifestação de energia do interior do nosso planeta.

    II-Os abalos sísmicos de grande abrangência e magnitude decorrem do acúmulo de energia térmica no limite entre duas placas tectônicas.

    III-O lineamento de montanhas conhecido como Cordilheira dos Andes fica no limite entre as placas tectônicas do Pacífico e Sul-Americana.

    IV-A Terra é um corpo em processo de resfriamento, cuja principal implicação é a formação de imensos volumes rochosos conhecidos como placas tectônicas.

    Considerando os itens propostos, marque a alternativa que contém apenas proposições corretas:

    Escolha uma alternativa para a questão 6c6b5f99-24
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    Geografia

    TEXTO 1

                   As vozes do homem 

    Naquele momento de angústia,

    o homem não sabia se era o mau ou o bom ladrão.

    E quando a mais amarga das estrelas o oprimia demais,

    eis que a sua boca ia dizendo:

    eu sou anjo.

    E os pés do homem: nós somos asas.

    E as mãos: nós somos asas.

    E a testa do homem: eu sou a lei.

    E os braços: nós somos cetros.

    E o peito: eu sou o escudo.

    E as pernas: nós somos as colunas.

    E a palavra do homem: eu sou o Verbo.

    E o espírito do homem: eu sou o Verbo.

    E o cérebro: eu sou o guia.

    E o estômago: eu sou o alimento.

    E se repetiram depois as acusações milenárias.

    E todas as alianças se desfizeram de súbito.

    E todas as maldições ressoaram tremendas.

    E as espadas de fogo interceptaram o caminho da

    [árvore da vida.

    E as mãos abarcaram o pescoço do homem:

    nós te abarcaremos.



    [...]

                                                               (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 94.)

          O Texto 1 faz menção, ainda que de forma figurada, à “mais amarga das estrelas", fazendo relações entre esses astros luminosos e situações adversas. Entretanto, no que se refere a nossa estrela, o Sol, sabemos que a existência da vida, tal como a conhecemos, bem como boa parte dos costumes das sociedades, são diretamente condicionadas às relações do Sol com o planeta Terra. Uma dessas condições refere-se ao horário de verão, que no Brasil é adotado como medida para economizar energia. Acerca do horário de verão e seus desdobramentos, analise as alternativas a seguir:


    I-A adoção do horário de verão no Brasil se deve à distribuição predominante do seu território em altas latitudes.


    II-As diferenças entre o período claro e o período escuro no final da primavera e durante o verão se devem à inclinação do eixo de rotação da Terra.


    III-Embora tenha sua eficiência comprovada, o horário de verão teria sua eficácia aumentada se a população fosse melhor informada acerca da sua condição e seus benefícios.


    IV-Nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, se no período primavera-verão o Sol nasce mais cedo, no outono-inverno o Sol se põe mais cedo também.


    Das assertivas apresentadas assinale o item em que todas estão corretas:


    Escolha uma alternativa para a questão 6e165973-34
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    Geografia

    TEXTO 2 

        I 
    Corre em mim 
    (devastado) 
    um rio de revolta 
    e 
    cicio. 
    Por nada deste mundo 
    há de saber-se afogado, 
    senão por sua sede 
    e seu desvio! 

       II 
    Tudo que edifico 
    na origem milenar da espera 
    é poder 
    do que não pode 
    e se revela 

    ad mensuram. 

                         (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 23-24.)


         Os movimentos juvenis da década de 1960 espalharam-se como um “rio de revolta" (Texto 2). De modo semelhante, em diversos países, ocorreram grandes manifestações buscando edificar uma contracultura  afastada dos padrões capitalistas. Acerca desses movimentos, avalie as afirmações abaixo:


    I- Nos Estados Unidos da América, ganhou destaque social a questão dos direitos humanos, especialmente da população afrodescendente.

    II- Na França, a rebelião estudantil da Sorbonne, em maio de 1968, se irradiou para os operários, ocorrendo uma grande greve no país.

    III- No Brasil, as manifestações foram poucas, apesar de incisivas, porque, com a instalação da Ditadura Militar em 1964, a repressão atuou eficazmente.

    IV- No mundo soviético, a Primavera de Praga renuiu jovens do mundo inteiro que, acampados naquela cidade, lançaram a campanha de “combater canhões com flores".


    Em relação às proposições, assinale a única alternativa que apresenta todos os itens corretos:


    Escolha uma alternativa para a questão 6e2965fa-34
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    História

    TEXTO 3  

                                           O outro

         Ele me olhou como se estivesse descobrindo o mundo. Me olhou e reolhou em fração de segundo. Só vi isso porque estava olhando-o na mesma sintonia. A singularização do olhar. Tentei disfarçar virando o pescoço para a direita e para a esquerda, como se estivesse fazendo um exercício, e numa dessas viradas olhei rapidamente para ele no volante. Ele me olhava e volveu rapidamente os olhos, fingindo estar tirando um cisco da camisa. Era um ser de meia idade, os cabelos com alguns fios grisalhos, postura de gente séria, camisa branca, um cidadão comum que jamais flertaria com outra pessoa no trânsito. E assim, enquanto o semáforo estava no vermelho para nós, ficou esse jogo de olhares que não queriam se fixar, mas observar o outro espécime que nada tinha de diferente e ao mesmo tempo tinha tudo de diferente. Ele era o outro e isso era tudo. É como se, na igualdade de milhares de humanos, de repente, o ser se redescobrisse num outro espécime. Quando o semáforo ficou verde, nós nos olhamos e acionamos os motores. 

                                                  (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 130.)

    O Texto 3 se refere a olhar “como se estivesse descobrindo o mundo”. Essa forma de ver as coisas, realmente, ocorreu nas primeiras navegações às terras encontradas por Cristóvão Colombo que, inclusive, receberam a denominação de Novo Mundo. Assinale a alternativa correta acerca das transformações históricas que possibilitaram tais expedições:
    Escolha uma alternativa para a questão 6e826ced-34
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    Geografia

    TEXTO 5

        TODO PIONEIRO É UM FORTE, pensava Bambico. Acredita nos sonhos. Se não fosse por ele, o mundo ainda estaria no tempo das cavernas... Quanto mais pensava nisso, mais se fortalecia. 

         Bambico chegara à Amazônia com as mãos vazias, vindo do Sul. Mas tinha na cabeça projetos grandiosos. Queria extrair da natureza toda a riqueza intacta, como o garimpeiro faz. Não desejava, entretanto, cavar rio e terra para achar pepitas de ouro. Não tinha vocação para tatu. Não faria como os garimpeiros: quando não havia mais nada, eles se mudavam, atrás de outros garimpos.

        — Garimpeiro vive de ilusões. Eu gosto de projetos! 

        Que projetos grandiosos eram? Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos. Em seguida, semear capim, povoando os campos com as boiadas de nelore brilhando de tanta saúde. A riqueza estava acima do chão. A imensidão verde desaparecia no horizonte. Só de olhar para uma árvore, sabia quantos dólares cairia em seus bolsos. Quando ouvia os roncos das motosserras, costumava dizer, orgulhoso: 

        — Eis o barulho da fortuna! 

        Montes de serragem eram avistados de longe quando o visitante chegava às pequenas comunidades. Os caminhões de toras gemiam nas estradas esburacadas. Índios e caboclos eram afugentados à bala. A floresta se transformava num pó fino, que logo apodrecia. Quando os montes de serragem não apodreciam, eram queimados, sempre apressadamente. Por dias, os canudos negros de fumaça subindo pesadamente ao céu. Havia o medo dos fiscais. Quando apareciam, quase nunca eram vistos, era conveniente que houvesse pouca serragem...

        Que história, a de Bambico! Teria muita coisa a contar para os netos que haveriam de chegar. 

        Em seu escritório, fumando um Havana, que um importador americano lhe presenteara, estufou o peito, vaidoso. 

        — Sim, muitas coisas! Quem te viu, quem te vê!

        [...]

        Sentia prazer com seus projetos grandiosos. Toda manhã se levantava para conquistar o mundo. Vereança era merreca. Não se rastejava em pequenos projetos. Muito menos desejava ser deputado... Ambicionava altos voos. Todo deputado era pau-mandado dos ricos. O Senado, sim, era o grande alvo. Lá, ele poderia afrontar esses “falsos profetas protetores da natureza". Essas ONGs de fachada... Lá, o seu cajado cairia sem dó, como um verdugo, sobre o costado dessa gente tola. Enquanto isso, ele poderia continuar seus projetos grandiosos. Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos, e semear capim. 

        Sonhara em ter uma dúzia de filhos, mas o destino lhe dera apenas dois. Sua mulher, após o segundo parto, ficara impossibilitada de procriar. Não queria fêmea entre os seus descendentes, mas logo no primeiro parto veio a decepção. Uma menina. Decepcionado, nada comentou com a esposa. No segundo, depois de uma gravidez tumultuada, veio o varão. Encheu-se de alegria. Com certeza, mais varões estavam para vir... [...]

                                   (GONÇALVES, David. Sangue verde. São Paulo: Sucesso Pocket, 2014. p. 114-115.)


    O Texto 5 tematiza a exploração e a ocupação da Amazônia. Uma experiência importante na colonização da Amazônia, envolvendo sonhos e projetos, foi a exploração do látex extraído do seringal. O chamado “Ciclo da Borracha”, no final do século XIX e início do século XX, atraiu muitos trabalhadores para aquela região, gerando enriquecimento rápido. Marque a alternativa que apresenta corretamente uma consequência dessa atividade econômica:
    Escolha uma alternativa para a questão 6ea660b0-34
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    História

    TEXTO 5

        TODO PIONEIRO É UM FORTE, pensava Bambico. Acredita nos sonhos. Se não fosse por ele, o mundo ainda estaria no tempo das cavernas... Quanto mais pensava nisso, mais se fortalecia. 

         Bambico chegara à Amazônia com as mãos vazias, vindo do Sul. Mas tinha na cabeça projetos grandiosos. Queria extrair da natureza toda a riqueza intacta, como o garimpeiro faz. Não desejava, entretanto, cavar rio e terra para achar pepitas de ouro. Não tinha vocação para tatu. Não faria como os garimpeiros: quando não havia mais nada, eles se mudavam, atrás de outros garimpos.

        — Garimpeiro vive de ilusões. Eu gosto de projetos! 

        Que projetos grandiosos eram? Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos. Em seguida, semear capim, povoando os campos com as boiadas de nelore brilhando de tanta saúde. A riqueza estava acima do chão. A imensidão verde desaparecia no horizonte. Só de olhar para uma árvore, sabia quantos dólares cairia em seus bolsos. Quando ouvia os roncos das motosserras, costumava dizer, orgulhoso: 

        — Eis o barulho da fortuna! 

        Montes de serragem eram avistados de longe quando o visitante chegava às pequenas comunidades. Os caminhões de toras gemiam nas estradas esburacadas. Índios e caboclos eram afugentados à bala. A floresta se transformava num pó fino, que logo apodrecia. Quando os montes de serragem não apodreciam, eram queimados, sempre apressadamente. Por dias, os canudos negros de fumaça subindo pesadamente ao céu. Havia o medo dos fiscais. Quando apareciam, quase nunca eram vistos, era conveniente que houvesse pouca serragem...

        Que história, a de Bambico! Teria muita coisa a contar para os netos que haveriam de chegar. 

        Em seu escritório, fumando um Havana, que um importador americano lhe presenteara, estufou o peito, vaidoso. 

        — Sim, muitas coisas! Quem te viu, quem te vê!

        [...]

        Sentia prazer com seus projetos grandiosos. Toda manhã se levantava para conquistar o mundo. Vereança era merreca. Não se rastejava em pequenos projetos. Muito menos desejava ser deputado... Ambicionava altos voos. Todo deputado era pau-mandado dos ricos. O Senado, sim, era o grande alvo. Lá, ele poderia afrontar esses “falsos profetas protetores da natureza". Essas ONGs de fachada... Lá, o seu cajado cairia sem dó, como um verdugo, sobre o costado dessa gente tola. Enquanto isso, ele poderia continuar seus projetos grandiosos. Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos, e semear capim. 

        Sonhara em ter uma dúzia de filhos, mas o destino lhe dera apenas dois. Sua mulher, após o segundo parto, ficara impossibilitada de procriar. Não queria fêmea entre os seus descendentes, mas logo no primeiro parto veio a decepção. Uma menina. Decepcionado, nada comentou com a esposa. No segundo, depois de uma gravidez tumultuada, veio o varão. Encheu-se de alegria. Com certeza, mais varões estavam para vir... [...]

                                   (GONÇALVES, David. Sangue verde. São Paulo: Sucesso Pocket, 2014. p. 114-115.)


          No trecho do Texto 5 “Não faria como os garimpeiros: quando não havia mais nada, eles se mudavam, atrás de outros garimpos." é feita menção de uma prática corriqueira na história da ocupação e do povoamento do estado de Goiás: o esgotamento de jazidas de minérios e a procura por alternativas que pudessem garantir a sobrevivência da comunidade local. Com base nesse contexto histórico, avalie os itens a seguir:


    I-Por conta da elevada disponibilidade de ouro em ambientes tais como topos de chapadas e vertentes, bem como faixas aluviais, houve a vinda de pessoas em busca de fácil enriquecimento, que acabaram por ocupar áreas inóspitas.


    II-Pelo isolamento geográfico com relação aos centros de abastecimento no período colonial, as práticas agrícola e pecuária foram desenvolvidas paralelamente à mineração, com o intuito de abastecer as minas.


    III-Com o esgotamento das jazidas auríferas, houve um período de estagnação e regresso socioeconômico, devido à substituição da atividade mineradora por uma economia de subsistência.


    IV-A atividade agropecuária substituiu a mineração como principal atividade econômica e fator de povoamento do território goiano após o esgotamento das jazidas.


    Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:

    Escolha uma alternativa para a questão 6ec4be2a-34
  • Ciências Humanas

    História

    TEXTO 5

        TODO PIONEIRO É UM FORTE, pensava Bambico. Acredita nos sonhos. Se não fosse por ele, o mundo ainda estaria no tempo das cavernas... Quanto mais pensava nisso, mais se fortalecia. 

         Bambico chegara à Amazônia com as mãos vazias, vindo do Sul. Mas tinha na cabeça projetos grandiosos. Queria extrair da natureza toda a riqueza intacta, como o garimpeiro faz. Não desejava, entretanto, cavar rio e terra para achar pepitas de ouro. Não tinha vocação para tatu. Não faria como os garimpeiros: quando não havia mais nada, eles se mudavam, atrás de outros garimpos.

        — Garimpeiro vive de ilusões. Eu gosto de projetos! 

        Que projetos grandiosos eram? Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos. Em seguida, semear capim, povoando os campos com as boiadas de nelore brilhando de tanta saúde. A riqueza estava acima do chão. A imensidão verde desaparecia no horizonte. Só de olhar para uma árvore, sabia quantos dólares cairia em seus bolsos. Quando ouvia os roncos das motosserras, costumava dizer, orgulhoso: 

        — Eis o barulho da fortuna! 

        Montes de serragem eram avistados de longe quando o visitante chegava às pequenas comunidades. Os caminhões de toras gemiam nas estradas esburacadas. Índios e caboclos eram afugentados à bala. A floresta se transformava num pó fino, que logo apodrecia. Quando os montes de serragem não apodreciam, eram queimados, sempre apressadamente. Por dias, os canudos negros de fumaça subindo pesadamente ao céu. Havia o medo dos fiscais. Quando apareciam, quase nunca eram vistos, era conveniente que houvesse pouca serragem...

        Que história, a de Bambico! Teria muita coisa a contar para os netos que haveriam de chegar. 

        Em seu escritório, fumando um Havana, que um importador americano lhe presenteara, estufou o peito, vaidoso. 

        — Sim, muitas coisas! Quem te viu, quem te vê!

        [...]

        Sentia prazer com seus projetos grandiosos. Toda manhã se levantava para conquistar o mundo. Vereança era merreca. Não se rastejava em pequenos projetos. Muito menos desejava ser deputado... Ambicionava altos voos. Todo deputado era pau-mandado dos ricos. O Senado, sim, era o grande alvo. Lá, ele poderia afrontar esses “falsos profetas protetores da natureza". Essas ONGs de fachada... Lá, o seu cajado cairia sem dó, como um verdugo, sobre o costado dessa gente tola. Enquanto isso, ele poderia continuar seus projetos grandiosos. Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos, e semear capim. 

        Sonhara em ter uma dúzia de filhos, mas o destino lhe dera apenas dois. Sua mulher, após o segundo parto, ficara impossibilitada de procriar. Não queria fêmea entre os seus descendentes, mas logo no primeiro parto veio a decepção. Uma menina. Decepcionado, nada comentou com a esposa. No segundo, depois de uma gravidez tumultuada, veio o varão. Encheu-se de alegria. Com certeza, mais varões estavam para vir... [...]

                                   (GONÇALVES, David. Sangue verde. São Paulo: Sucesso Pocket, 2014. p. 114-115.)


    Pioneirismo, empreendedorismo e busca de fortunas fizeram parte do projeto de vida de alguns homens de negócio no Brasil imperial. Em meados do século XIX, com a proibição do tráfico de escravos, configurou- se um novo cenário para a economia do Império brasileiro. Vislumbrou-se a uma elite mercantil capitalizada a possiblidade de grandes negócios e lucros fáceis que, além de multiplicar suas riquezas, permitia-lhe ascender na restrita escala social brasileira. Assinale a alternativa correta sobre os projetos econômicos desse momento histórico:
    Escolha uma alternativa para a questão 6ece4a1e-34
  • Ciências Humanas

    Filosofia

    TEXTO 6

    [...]
    Arandir (numa alucinação) – Dália, faz o seguinte. Olha o seguinte: diz à Selminha. (violento) Diz que, em toda minha vida, a única coisa que salva é o beijo no asfalto. Pela primeira vez. Dália, escuta! Pela primeira vez, na vida! Por um momento, eu me senti bom! (furioso) Eu me senti quase, nem sei! Escuta, escuta! Quando eu te vi no banheiro, eu não fui bom, entende? Desejei você. Naquele momento, você devia ser a irmã nua. E eu desejei. Saí logo, mas desejei a cunhada. Na praça da Bandeira, não. Lá, eu fui bom. É lindo! É lindo, eles não entendem. Lindo beijar quem está morrendo! (grita) Eu não me arrependo! Eu não me arrependo!

    Dália – Selminha te odeia! (Arandir volta para a cunhada, cambaleante. Passa a mão na boca encharcada.)

    Arandir (com voz estrangulada) – Odeia. (muda de tom) Por isso é que recusou. Recusou o meu beijo. Eu quis beijar e ela negou. Negou a boca. Não quis o meu beijo.

    Dália – Eu quero!

    Arandir (atônito) – Você?Dália (sofrida) – Selminha não te beija, mas eu.

    Arandir (contido) – Você é uma criança. (Dália aperta entre as mãos o rosto de Arandir.)

    Arandir – Dália. (Dália beija-o, de leve, nos lábios.)

    Dália – Te beijei.

    Arandir (maravilhado) – Menina!

    Dália (quase sem voz) – Agora me beija. Você. Beija.

    Arandir (desprende-se com violência) – Eu amo Selminha!

    Dália (desesperada) – Eu me ofereço e. Selminha não veio e eu vim.

    Arandir – Dália, eu mato tua irmã. Amo tanto que. (muda de tom) Eu ia pedir. Pedir à Selminha para morrer comigo.

    Dália – Morrer?

    Arandir (desesperado) – Eu e Selminha! Mas ela não veio!

    Dália (agarra o cunhado. Quase boca com boca, sôfrega) – Eu morreria.

    Arandir – Comigo?

    Dália (selvagem) – Contigo! Nós dois! Contigo! Eu te amo!

    [...]

    (RODRIGUES, Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 98-100.)


       O Texto 6 faz menção a desejo. É curioso observar como o ato de desejar está sempre presente na vida humana desde o nascimento. O desejo de se descobrir, o desejo de viver, o desejo de passar no vestibular, o desejo de ser feliz e o desejo de ter. O desejo é força propulsora que nos move. Nada nos empurra mais à ação que a vontade de possuir. O capitalismo, sabendo dessa nossa fraqueza de querer possuir, acabou por se apoderar dela. Ele lucra cada dia mais com o consumismo dos indivíduos. Esse consumo alicerçado numa fome insaciável de comprar nasce muitas vezes no subconsciente do homem, com a alienação imposta pela chamada “indústria cultural". A ideia de que o consumo não é desejo natural, mas antinatural, está alicerçada na filosofia de um filósofo grego da antiguidade. Ele defende que o maior prazer só é alcançável por meio do conhecimento, da amizade e de uma vida moderada, livre do medo e da dor. E que o homem sábio busca a realização dos desejos naturais e necessários, combate os desejos antinaturais e artificiais e evita com todas as suas forças os desejos dispensáveis.


    Marque a alternativa que apresenta o autor desse pensamento:

    Escolha uma alternativa para a questão 6ee3e371-34
  • Ciências Humanas

    História

    TEXTO 8

    CAPÍTULO XVIII

    Rubião e o cachorro, entrando em casa, sentiram, ouviram a pessoa e as vozes do finado amigo. Enquanto o cachorro farejava por toda a parte, Rubião foi sentar-se na cadeira, onde estivera quando Quincas Borba referiu a morte da avó com explicações científicas. A memória dele recompôs, ainda que de embrulho e esgarçadamente, os argumentos do filósofo. Pela primeira vez, atentou bem na alegoria das tribos famintas e compreendeu a conclusão: “Ao vencedor, as batatas!”. Ouviu distintamente a voz roufenha do finado expor a situação das tribos, a luta e a razão da luta, o extermínio de uma e a vitória da outra, e murmurou baixinho:

    — Ao vencedor, as batatas! 

         Tão simples! tão claro! Olhou para as calças de brim surrado e o rodaque cerzido, e notou que até há pouco fora, por assim dizer, um exterminado, uma bolha; mas que ora não, era um vencedor. Não havia dúvida; as batatas fizeram-se para a tribo que elimina a outra a fim de transpor a montanha e ir às batatas do outro lado. Justamente o seu caso. Ia descer de Barbacena para arrancar e comer as batatas da capital. Cumpria-lhe ser duro e implacável, era poderoso e forte. E levantando-se de golpe, alvoroçado, ergueu os braços exclamando: 

    — Ao vencedor, as batatas!

          Gostava da fórmula, achava-a engenhosa, compendiosa e eloquente, além de verdadeira e profunda. Ideou as batatas em suas várias formas, classificou-as pelo sabor, pelo aspecto, pelo poder nutritivo, fartou- -se antemão do banquete da vida. Era tempo de acabar com as raízes pobres e secas, que apenas enganavam o estômago, triste comida de longos anos; agora o farto, o sólido, o perpétuo, comer até morrer, e morrer em colchas de seda, que é melhor que trapos. E voltava à afirmação de ser duro e implacável, e à fórmula da alegoria. Chegou a compor de cabeça um sinete para seu uso, com este lema: AO VENCEDOR AS BATATAS. 

        Esqueceu o projeto do sinete; mas a fórmula viveu no espírito de Rubião, por alguns dias: — Ao vencedor as batatas! Não a compreenderia antes do testamento; ao contrário, vimos que a achou obscura e sem explicação. Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 38-39.)

    O fragmento do Texto 8, alegoricamente, fala-nos de luta e disputa de tribos famintas, do “extermínio de uma e a vitória de outra”. Considerando-se o momento de vida do autor e o seu envolvimento com as questões políticas do País, pode-se entender sua narrativa como uma análise crítica da sociedade brasileira, pois (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão 6f3c7d55-34
  • Ciências Humanas

    Geografia

    TEXTO 1

                                         O mundo do menino impossível

    Fim de tarde, boquinha da noite

    com as primeiras estrelas e os derradeiros sinos.

    Entre as estrelas e lá detrás da igreja,

    surge a lua cheia

    para chorar com os poetas.

    E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:

    o sol e os meninos.

    Mas ainda vela

    o menino impossível,

    aí do lado,

    enquanto todas as crianças mansas

    dormem

               acalentadas

    por Mãe-negra da Noite.

    O menino impossível

    que destruiu

    os brinquedos perfeitos

    que os vovós lhe deram:

    o urso de Nurnberg,

    o velho barbado jugoslavo,

    as poupées de Paris aux

    cheveux crêpés,

    o carrinho português

    feito de folha de flandres a

    caixa de música checoslovaca,

    o polichinelo italiano

    made in England,

    o trem de ferro de U. S. A.

    e o macaco brasileiro

    de Buenos Aires,

    moviendo la cola y la cabeza.

     O menino impossível

    que destruiu até

    os soldados de chumbo de Moscou

    e furou os olhos de um Papá Noel,

    brinca com sabugos de milho,

    caixas vazias,

    tacos de pau,

    pedrinhas brancas do rio...

    “Faz de conta que os sabugos

    são bois...”

    “Faz de conta...”

    “Faz de conta...”

    [...]

    O menino pousa a testa

    e sonha dentro da noite quieta

    da lâmpada apagada,

    com o mundo maravilhoso

    que ele tirou do nada...

    [...] 

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 27-30. Adaptado.)

    No Texto 1, aborda-se o “Fim de tarde, boquinha da noite / com as primeiras estrelas". Sabe-se que desde os primórdios da civilização, estrelas foram utilizadas como referenciais de orientação ou localização. Sobre os diferentes referenciais astronômicos de localização e orientação, marque o item correto dentre os apresentados a seguir:
    Escolha uma alternativa para a questão c107b8c4-9a
  • Ciências Humanas

    História

    TEXTO 2

                                                       XX

                                            Os Homens

                                             nesta manhã de sangrenta primavera

                                             parecem não mais saber

                                             o que nunca souberam,

                                             que a Vida é para sempre

                                             sã ou demente

                                              tão de repente

                                              tão de repente! 


                            (VIEIRA, Delermando.  Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 108.)

    O Texto 2 faz menção a uma “manhã de sangrenta primavera”. Uma das manhãs mais sangrentas da história ocorreu em 6 de junho de 1944, com o desembarque das tropas aliadas na região da Normandia, operação que, em código militar, fora chamada Dia D. Esse acontecimento faz parte da luta contra os países do Eixo durante a II Guerra Mundial. Assinale a alternativa correta acerca dos grupos que se enfrentavam naquele momento:
    Escolha uma alternativa para a questão c12175c7-9a