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Prova

Prova de 2014: Fundação Getulio Vargas (FGV) — questões com gabarito

268 questões da prova de 2014 de Fundação Getulio Vargas (FGV), em Matemática, Português, Inglês, Geografia e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 268 questões
  • 11 matérias

Resultados: 49 questões

Página 3 de 3

  • Linguagens

    Português

        Pela tarde apareceu o Capitão Vitorino. Vinha numa burra velha, de chapéu de palha muito alvo, com a fita verde- amarela na lapela do paletó. O mestre José Amaro estava sentado na tenda, sem trabalhar. E quando viu o compadre alegrou-se. Agora as visitas de Vitorino faziam-lhe bem. Desde aquele dia em que vira o compadre sair com a filha para o Recife, fazendo tudo com tão boa vontade, que Vitorino não lhe era mais o homem infeliz, o pobre bobo, o sem-vergonha, o vagabundo que tanto lhe desagradava. Vitorino apeou-se para falar do ataque ao Pilar. Não era amigo de Quinca Napoleão, achava que aquele bicho vivia de roubar o povo, mas não aprovava o que o capitão fizera com a D. Inês.

    – Meu compadre, uma mulher como a D. Inês é para ser respeitada.

    – E o capitão desrespeitou a velha, compadre?

    – Eu não estava lá. Mas me disseram que botou o rifle em cima dela, para fazer medo, para ver se D. Inês lhe dava a chave do cofre. Ela não deu. José Medeiros, que é homem, borrou-se todo quando lhe entrou um cangaceiro no estabelecimento. Me disseram que o safado chorava como bezerro desmamado. Este cachorro anda agora com o fogo da força da polícia fazendo o diabo com o povo.

    (José Lins do Rego, Fogo Morto)

    A passagem do quarto parágrafo – Eu não estava lá. Mas me disseram que botou o rifle em cima dela, para fazer medo, para ver se D. Inês lhe dava a chave do cofre. – é caracterizada por discurso
    Escolha uma alternativa para a questão 5b69e0be-3c
  • Linguagens

    Português

    Redundâncias

    Ter medo da morte
    é coisa dos vivos
    o morto está livre
    de tudo o que é vida

    Ter apego ao mundo
    é coisa dos vivos
    para o morto não há
    (não houve)
    raios rios risos

    E ninguém vive a morte
    quer morto quer vivo
    mera noção que existe
    só enquanto existo
    (Ferreira Gullar, Muitas vozes)

    Determinado pronome demonstrativo, “quando, no singular masculino, equivale a isto, isso, aquilo...”.

    (Celso Cunha e Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo)


    Escolha uma alternativa para a questão 5b5f8909-3c
  • Linguagens

    Português

    Redundâncias

    Ter medo da morte
    é coisa dos vivos
    o morto está livre
    de tudo o que é vida

    Ter apego ao mundo
    é coisa dos vivos
    para o morto não há
    (não houve)
    raios rios risos

    E ninguém vive a morte
    quer morto quer vivo
    mera noção que existe
    só enquanto existo
    (Ferreira Gullar, Muitas vozes)
    Em relação à oração – é coisa dos vivos –, os enunciados – Ter medo da morte – (1.ª estrofe) e – Ter apego ao mundo – (2.ª estrofe) exercem a função sintática de
    Escolha uma alternativa para a questão 5b5a67d8-3c
  • Linguagens

    Português

                    Catar Feijão

    1
    Catar feijão se limita com escrever:
    joga-se os grãos na água do alguidar
    e as palavras na folha de papel;
    e depois, joga-se fora o que boiar.
    Certo, toda palavra boiará no papel,
    água congelada, por chumbo seu verbo:
    pois para catar esse feijão, soprar nele,
    e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

    2
    Ora, nesse catar feijão entra um risco:
    o de que entre os grãos pesados entre
    um grão qualquer, pedra ou indigesto,
    um grão imastigável, de quebrar dente.
    Certo não, quando ao catar palavras:
    a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
    obstrui a leitura fluviante, flutual,
    açula a atenção, isca-a como o risco.


                 João Cabral de Melo Neto, A educação pela pedra. Considere as seguintes afirmações relativas ao poema de Cabral de Melo:

    I O ideal de economia verbal, preconizado no poema, assemelha-se ao ideal estilístico do Graciliano Ramos de Vidas secas, também este sequioso de restringir-se ao essencial.

    II O recurso ao “grão imastigável, de quebrar dente” e à “pedra [que] dá à frase seu grão mais vivo”, com o sentido que lhe dá Cabral de Melo, encontra-se presente no próprio poema que a reivindica.

    III A ideia de se produzir uma obstrução da leitura como algo positivo participa do objetivo de se romper com os autoritarismos da percepção – desígnio frequente na literatura moderna, inclusive em autores estilisticamente muito diferentes de Cabral, como é o caso de Guimarães Rosa.

    Está correto o que se afirma em
    Escolha uma alternativa para a questão b5de13be-fe
  • Linguagens

    Português

                    Catar Feijão

    1
    Catar feijão se limita com escrever:
    joga-se os grãos na água do alguidar
    e as palavras na folha de papel;
    e depois, joga-se fora o que boiar.
    Certo, toda palavra boiará no papel,
    água congelada, por chumbo seu verbo:
    pois para catar esse feijão, soprar nele,
    e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

    2
    Ora, nesse catar feijão entra um risco:
    o de que entre os grãos pesados entre
    um grão qualquer, pedra ou indigesto,
    um grão imastigável, de quebrar dente.
    Certo não, quando ao catar palavras:
    a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
    obstrui a leitura fluviante, flutual,
    açula a atenção, isca-a como o risco.


                 João Cabral de Melo Neto, A educação pela pedra. A comparação escolhida por João Cabral de Melo Neto para caracterizar o ato de escrever
    Escolha uma alternativa para a questão b4a88317-fe
  • Linguagens

    Português

           Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
           Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.


                                                                 Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

    Ao configurar as Memórias póstumas de Brás Cubas como narrativa em primeira pessoa, conforme se verifica no trecho, Machado de Assis
    Escolha uma alternativa para a questão b37669ef-fe
  • Linguagens

    Português

          Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
          Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.


                                                                  Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

    Pode-se apontar, no texto, a contradição, que repercute na obra a que ele pertence, entre
    Escolha uma alternativa para a questão b1086937-fe
  • Linguagens

    Português

          Eram tempos menos duros aqueles vividos na casa de Tia Vicentina, em Madureira, subúrbio do Rio, onde Paulinho da Viola podia traçar, sem cerimônia, um prato de feijoada - comilança que deu até samba, "No Pagode do Vavá". Mas como não é dado a saudades (lembre-se: é o passado que vive nele, não o contrário), Paulinho aceitou de bom grado a sugestão para que o jantar ocorresse em um dos mais requintados italianos do Rio. A escolha pela alta gastronomia tem seu preço. Assim que o sambista chega à mesa redonda ao lado da porta da cozinha, forma-se um círculo de garçons, com o maître à frente. [...]
          Paulinho conta que cresceu comendo o trivial. Seu pai viveu 88 anos à base de arroz, feijão, bife e batata frita. De vez em quando, feijoada. Massa, também. "Mas nada muito sofisticado."
          Com exceção de algumas dores de coluna, aos 70 anos, goza de plena saúde. O músico credita sua boa forma ao estilo de vida, como se sabe, não dado a exageros e grandes ansiedades.

                                                                                                             T. Cardoso, Valor, 28/06/2013. Adaptado.

    Argumento (Paulinho da Viola)

    Tá legal
    Eu aceito o argumento
    Mas não me altere o samba tanto assim
    Olha que a rapaziada está sentindo a falta
    De um cavaco, de um pandeiro
    Ou de um tamborim.

    Sem preconceito
    Ou mania de passado
    Sem querer ficar do lado
    De quem não quer navegar
    Faça como um velho marinheiro
    Que durante o nevoeiro
    Leva o barco devagar.


    Se a expressão “mania de passado”, usada na letra da canção, for comparada à frase do primeiro texto “é o passado que vive nele, não o contrário”, quanto ao sentido que assumem no contexto, é correto afirmar que a referida expressão
    Escolha uma alternativa para a questão aaa0c4f9-fe
  • Linguagens

    Português

          Eram tempos menos duros aqueles vividos na casa de Tia Vicentina, em Madureira, subúrbio do Rio, onde Paulinho da Viola podia traçar, sem cerimônia, um prato de feijoada - comilança que deu até samba, "No Pagode do Vavá". Mas como não é dado a saudades (lembre-se: é o passado que vive nele, não o contrário), Paulinho aceitou de bom grado a sugestão para que o jantar ocorresse em um dos mais requintados italianos do Rio. A escolha pela alta gastronomia tem seu preço. Assim que o sambista chega à mesa redonda ao lado da porta da cozinha, forma-se um círculo de garçons, com o maître à frente. [...]
           Paulinho conta que cresceu comendo o trivial. Seu pai viveu 88 anos à base de arroz, feijão, bife e batata frita. De vez em quando, feijoada. Massa, também. "Mas nada muito sofisticado."
          Com exceção de algumas dores de coluna, aos 70 anos, goza de plena saúde. O músico credita sua boa forma ao estilo de vida, como se sabe, não dado a exageros e grandes ansiedades.


                                                                                                       T. Cardoso, Valor, 28/06/2013. Adaptado.

    Considere estas afirmações sobre elementos linguísticos presentes no texto:

    I O verbo “traçar" pertence a um registro linguístico diverso do que predomina no texto.
    II No trecho "um dos mais requintados italianos do Rio", ocorre elipse de um substantivo.
    III Com as aspas em "Mas nada muito sofisticado", o autor do texto imprime, a essa expressão, um tom irônico.

    Tendo em vista o contexto, está correto apenas o que se afirma em
    Escolha uma alternativa para a questão a9734e8d-fe