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Prova

Prova de 2015: Fundação Getulio Vargas (FGV) — questões com gabarito

89 questões da prova de 2015 de Fundação Getulio Vargas (FGV), em Inglês, Português, Literatura. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 89 questões

Resultados: 89 questões

Página 4 de 5

  • Linguagens

    Inglês

             
                    China has created a monster it can't control

    By Jeremy Warner

          3 Sep 2015 

          When in trouble, shoot the messenger. This timehonoured approach to dealing with unwelcome news was much in evidence in China this week when nearly 200 people were rounded up and criminally charged with spreading “false" rumours about the stock market and the economy, or otherwise profiting from their travails.
          One luckless financial journalist was ritually paraded on state TV, tearfully confessing his “crimes". Meanwhile, the head of the Chinese desk of one London-based hedge fund group was summoned to a “meeting" with regulators, and hasn't been heard of since. Her Chinese husband says “she's gone on holiday". We can only hope it is not to the re-indoctrination of the asbestos mines. Despite the massive progress of recent decades, old habits die hard.
          China was meant to have embraced free market reform, yet these latest actions suggest an altogether different approach. Roughly summarised, it amounts to: “Reform good, but woe betide the free market if it doesn't do what the high command wants it to." When the stock market was going up, the Chinese authorities were perfectly happy to tolerate what, to virtually all Western observers, looked like a dangerously speculative bubble, vaingloriously believing it to be a fair reflection of the wondrous successes of the Chinese economy.
          The first rule of stock market investment – that share prices can go down as well as up – seems to have been almost wholly forgotten in the scramble for instant riches. When, inevitably, the stock market crashed, the authorities threw the kitchen sink at the problem, but they failed to halt the carnage. This was an even ruder awakening – for it demonstrated to an already disillusioned public that policy-makers were no longer in control of events. Perhaps they hadn't noticed, but there are today more Chinese with stock trading accounts – some 90 million – than there are members of the Communist Party – “just" 80 million. In any case, powerless before the storm, the authorities have instead turned to scapegoating.
          Apparently more liberal, advanced economies, it ought to be said, are by no means averse to this kind of behaviour either. A few years back, Italian prosecutors charged nine employees of Standard & Poor's and Fitch Rating with market abuse for daring to downgrade Italy's credit rating, while it is still commonplace in France to blame Anglo-Saxon speculators and their cronies in the London press for any financial or economic setback.
          Nor are Western governments and central bankers averse to a little market manipulation when it suits them. What is “quantitative easing" other than money printing to prop up asset prices, including stocks and shares? Chinese refusal to accept the judgments of “Mr Market", it might be argued, is just a more extreme version of the same thing. Small wonder that European officials sometimes look longingly across at the state-directed capitalism practised in China, and pronounce it a model we might perhaps aspire to ourselves.
          As recent events have demonstrated, we should not. China's stock market crash is not the work of malicious financial journalists and short-selling hedge funds, but a signal of difficult time ahead and perhaps even of an economic roadcrash to come. After nearly 35 years of spectacular progress, the Chinese economy faces multiple challenges on many fronts which are not going to be solved by denying harsh realities and imprisoning journalists.
          The progress of recent decades belies an industrial sector which in truth has become quite seriously uncompetitive by international standards. Many of China's factories need completely retooling to keep up with developments in robotics and other forms of mechanisation. Yet if industry is to get less labour intensive, this only further steepens the challenge of employment creation.
          It is reckoned that China needs to create some 20 million jobs a year just to keep pace with employment demand as the population shifts from land to town, eight million of them in high-end professions to cater for the country's burgeoning output of graduates. China's modernisation has created a monster which it is struggling to feed.
          As the export-growth story waned, China compensated by unleashing a massive investment boom, which internal demand is now struggling to keep up with, rendering many of the country's shiny new constructs uneconomic and overburdened with bad debts.
          The Chinese leadership looks to growth in consumption and service industries to plug the gap, but these new sources of demand can't do so without further free-market reform, which in turn requires further loosening of the shackles of political control. Without growth, the Communist Party loses its political legitimacy, yet the old growth model is broken, and to achieve a new one, the authorities must cede the very power and influence that sustains them. Rumour-mongering journalists and short-selling speculators can only be blamed for so long.

                                                                 (http://www.telegraph.co.uk. Adapted)


    The last paragraph leads the reader to conclude that
    Escolha uma alternativa para a questão 75b4aaa5-ad
  • Linguagens

    Português

    Leia a manchete.

    Bolsa tem maior alta em

    9 meses com a disparada

    de Vale e Petrobras

    Ibovespa subiu 3,65% com China e PIB

    dos EUA; dólar recuou para R$ 3,552

    (Folha de S.Paulo, 28.08.2015. Adaptado)

    No contexto em que está empregada, a expressão “com a disparada de Vale e Petrobras” traduz sentido de

    Escolha uma alternativa para a questão 769ad829-ad
  • Linguagens

    Português

     
        Na virada do século, chegou o euro. Na prática, era como se o marco alemão mudasse de nome para “euro" e passasse a suprir o resto do continente (a maior parte dele, pelo menos). Parecia bom para todas as partes. Os governos dos países menos pibados passariam a receber os impostos dos seus cidadãos em euros, uma moeda garantida pelo PIB alemão. Impostos servem para pagar as dívidas dos governos – além da lagosta dos governantes. E agora os contribuintes pagavam em euros. Resultado: o mercado passou a emprestar para os países bagunçados da Europa a juros baixíssimos.

          Aí choveu euro na periferia da Europa. A economia ali cresceu como nunca, mas os governantes gastaram como sempre. Além disso, não perceberam que seus países eram pequenos demais para suportar o peso de uma moeda forte.

          Com os PIBs dos europobres caindo, a arrecadação deles diminuiu. Menos arrecadação, mais problemas para pagar dívidas. Aí tome mais dinheiro emprestado para ir rolando a pendura, só que agora a juros menos fofos.

    (Superinteressante, agosto de 2015. Adaptado)


    Assinale a alternativa em que a referência ao PIB confere um sentido pejorativo ao enunciado, elaborado de acordo com a norma-padrão.
    Escolha uma alternativa para a questão 76a69028-ad
  • Linguagens

    Português

     
        Na virada do século, chegou o euro. Na prática, era como se o marco alemão mudasse de nome para “euro" e passasse a suprir o resto do continente (a maior parte dele, pelo menos). Parecia bom para todas as partes. Os governos dos países menos pibados passariam a receber os impostos dos seus cidadãos em euros, uma moeda garantida pelo PIB alemão. Impostos servem para pagar as dívidas dos governos – além da lagosta dos governantes. E agora os contribuintes pagavam em euros. Resultado: o mercado passou a emprestar para os países bagunçados da Europa a juros baixíssimos.

          Aí choveu euro na periferia da Europa. A economia ali cresceu como nunca, mas os governantes gastaram como sempre. Além disso, não perceberam que seus países eram pequenos demais para suportar o peso de uma moeda forte.

          Com os PIBs dos europobres caindo, a arrecadação deles diminuiu. Menos arrecadação, mais problemas para pagar dívidas. Aí tome mais dinheiro emprestado para ir rolando a pendura, só que agora a juros menos fofos.

    (Superinteressante, agosto de 2015. Adaptado)


    De acordo com a norma-padrão, assinale a alternativa correta quanto à regência e ao uso ou não do acento indicativo da crase.
    Escolha uma alternativa para a questão 76abc6a1-ad
  • Linguagens

    Português

                       
              O velho Lima

          O velho Lima, que era empregado – empregado antigo – numa das nossas repartições públicas, e morava no Engenho de Dentro, caiu de cama, seriamente enfermo, no dia 14 de novembro de 1889, isto é, na véspera da Proclamação da República dos Estados Unidos do Brasil.
          O doente não considerou a moléstia coisa de cuidado, e tanto assim foi que não quis médico. Entretanto, o velho Lima esteve de molho oito dias.
          O nosso homem tinha o hábito de não ler jornais e, como em casa nada lhe dissessem (porque nada sabiam), ele ignorava completamente que o Império se transformara em República.
          No dia 23, restabelecido e pronto para outra, comprou um bilhete, segundo o seu costume, e tomou lugar no trem, ao lado do comendador Vidal, que o recebeu com estas palavras:
          – Bom dia, cidadão.
          O velho Lima estranhou o cidadão, mas de si para si pensou que o comendador dissera aquilo como poderia ter dito ilustre, e não deu maior importância ao cumprimento, limitando-se a responder:
          – Bom dia, comendador.
          – Qual comendador! Chama-me Vidal! Já não há mais comendadores!
          – Ora essa! Então por quê?
          – A República deu cabo de todas as comendas! Acabaram-se!
          O velho Lima encarou o comendador e calou-se, receoso de não ter compreendido a pilhéria.
          Ao entrar na sua seção, o velho Lima sentou-se e viu que tinham tirado da parede uma velha litografia representando D. Pedro de Alcântara. Como na ocasião passasse um contínuo, perguntou-lhe:
          – Por que tiraram da parede o retrato de Sua Majestade?
          O contínuo respondeu num tom lentamente desdenhoso:
          – Ora, cidadão, que fazia ali a figura do Pedro Banana?
          – Pedro Banana! – repetiu raivoso o velho Lima.
          – Não dou três anos para que isso seja República!

                                                      (Arthur Azevedo. Seleção de contos, 2014)

    O lado humorístico do conto decorre do fato de o velho Lima
    Escolha uma alternativa para a questão 76b0b71a-ad
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              O velho Lima

          O velho Lima, que era empregado – empregado antigo – numa das nossas repartições públicas, e morava no Engenho de Dentro, caiu de cama, seriamente enfermo, no dia 14 de novembro de 1889, isto é, na véspera da Proclamação da República dos Estados Unidos do Brasil.
          O doente não considerou a moléstia coisa de cuidado, e tanto assim foi que não quis médico. Entretanto, o velho Lima esteve de molho oito dias.
          O nosso homem tinha o hábito de não ler jornais e, como em casa nada lhe dissessem (porque nada sabiam), ele ignorava completamente que o Império se transformara em República.
          No dia 23, restabelecido e pronto para outra, comprou um bilhete, segundo o seu costume, e tomou lugar no trem, ao lado do comendador Vidal, que o recebeu com estas palavras:
          – Bom dia, cidadão.
          O velho Lima estranhou o cidadão, mas de si para si pensou que o comendador dissera aquilo como poderia ter dito ilustre, e não deu maior importância ao cumprimento, limitando-se a responder:
          – Bom dia, comendador.
          – Qual comendador! Chama-me Vidal! Já não há mais comendadores!
          – Ora essa! Então por quê?
          – A República deu cabo de todas as comendas! Acabaram-se!
          O velho Lima encarou o comendador e calou-se, receoso de não ter compreendido a pilhéria.
          Ao entrar na sua seção, o velho Lima sentou-se e viu que tinham tirado da parede uma velha litografia representando D. Pedro de Alcântara. Como na ocasião passasse um contínuo, perguntou-lhe:
          – Por que tiraram da parede o retrato de Sua Majestade?
          O contínuo respondeu num tom lentamente desdenhoso:
          – Ora, cidadão, que fazia ali a figura do Pedro Banana?
          – Pedro Banana! – repetiu raivoso o velho Lima.
          – Não dou três anos para que isso seja República!

                                                      (Arthur Azevedo. Seleção de contos, 2014)

    Nas passagens “– A República deu cabo de todas as comendas!” (10°parágrafo), “O velho Lima encarou o comendador...” (11° parágrafo) e “O contínuo respondeu num tom lentamente desdenhoso...” (14° parágrafo), as expressões em destaque significam, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão 76b688ff-ad
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    Português

                       
              O velho Lima

          O velho Lima, que era empregado – empregado antigo – numa das nossas repartições públicas, e morava no Engenho de Dentro, caiu de cama, seriamente enfermo, no dia 14 de novembro de 1889, isto é, na véspera da Proclamação da República dos Estados Unidos do Brasil.
          O doente não considerou a moléstia coisa de cuidado, e tanto assim foi que não quis médico. Entretanto, o velho Lima esteve de molho oito dias.
          O nosso homem tinha o hábito de não ler jornais e, como em casa nada lhe dissessem (porque nada sabiam), ele ignorava completamente que o Império se transformara em República.
          No dia 23, restabelecido e pronto para outra, comprou um bilhete, segundo o seu costume, e tomou lugar no trem, ao lado do comendador Vidal, que o recebeu com estas palavras:
          – Bom dia, cidadão.
          O velho Lima estranhou o cidadão, mas de si para si pensou que o comendador dissera aquilo como poderia ter dito ilustre, e não deu maior importância ao cumprimento, limitando-se a responder:
          – Bom dia, comendador.
          – Qual comendador! Chama-me Vidal! Já não há mais comendadores!
          – Ora essa! Então por quê?
          – A República deu cabo de todas as comendas! Acabaram-se!
          O velho Lima encarou o comendador e calou-se, receoso de não ter compreendido a pilhéria.
          Ao entrar na sua seção, o velho Lima sentou-se e viu que tinham tirado da parede uma velha litografia representando D. Pedro de Alcântara. Como na ocasião passasse um contínuo, perguntou-lhe:
          – Por que tiraram da parede o retrato de Sua Majestade?
          O contínuo respondeu num tom lentamente desdenhoso:
          – Ora, cidadão, que fazia ali a figura do Pedro Banana?
          – Pedro Banana! – repetiu raivoso o velho Lima.
          – Não dou três anos para que isso seja República!

                                                      (Arthur Azevedo. Seleção de contos, 2014)

    Observe os trechos do texto:

    •  ... no dia 14 de novembro de 1889, isto é, na véspera da Proclamação da República dos Estados Unidos do Brasil. (1° parágrafo);

    •  – Ora, cidadão, que fazia ali a figura do Pedro Banana? (15° parágrafo)

    Usam-se as vírgulas nos dois trechos para separar, respectivamente:

    Escolha uma alternativa para a questão 76be6bdd-ad
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    Português

                       
              O velho Lima

          O velho Lima, que era empregado – empregado antigo – numa das nossas repartições públicas, e morava no Engenho de Dentro, caiu de cama, seriamente enfermo, no dia 14 de novembro de 1889, isto é, na véspera da Proclamação da República dos Estados Unidos do Brasil.
          O doente não considerou a moléstia coisa de cuidado, e tanto assim foi que não quis médico. Entretanto, o velho Lima esteve de molho oito dias.
          O nosso homem tinha o hábito de não ler jornais e, como em casa nada lhe dissessem (porque nada sabiam), ele ignorava completamente que o Império se transformara em República.
          No dia 23, restabelecido e pronto para outra, comprou um bilhete, segundo o seu costume, e tomou lugar no trem, ao lado do comendador Vidal, que o recebeu com estas palavras:
          – Bom dia, cidadão.
          O velho Lima estranhou o cidadão, mas de si para si pensou que o comendador dissera aquilo como poderia ter dito ilustre, e não deu maior importância ao cumprimento, limitando-se a responder:
          – Bom dia, comendador.
          – Qual comendador! Chama-me Vidal! Já não há mais comendadores!
          – Ora essa! Então por quê?
          – A República deu cabo de todas as comendas! Acabaram-se!
          O velho Lima encarou o comendador e calou-se, receoso de não ter compreendido a pilhéria.
          Ao entrar na sua seção, o velho Lima sentou-se e viu que tinham tirado da parede uma velha litografia representando D. Pedro de Alcântara. Como na ocasião passasse um contínuo, perguntou-lhe:
          – Por que tiraram da parede o retrato de Sua Majestade?
          O contínuo respondeu num tom lentamente desdenhoso:
          – Ora, cidadão, que fazia ali a figura do Pedro Banana?
          – Pedro Banana! – repetiu raivoso o velho Lima.
          – Não dou três anos para que isso seja República!

                                                      (Arthur Azevedo. Seleção de contos, 2014)

    Assinale a alternativa em que a passagem está reescrita, de acordo os sentidos do original e com a norma-padrão de emprego e colocação de pronomes.
    Escolha uma alternativa para a questão 76c42778-ad
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    Português

                                   Verão carioca 73

    O carro do sol passeia rodas de incêndio
    sobre os corpos e as mentes, fulminando-os.
    Restam, sob o massacre, esquírolas1 de consciência,
    a implorar, sem esperança, um caneco de sombra.

    As árvores decotadas, alamedas sem árvores.
    O ar é neutro, fixo, e recusa passagem
    às viaturas da brisa. O zinir de besouros buzinas
    ressoa no interior da célula ferida.

    Sobe do negro chão meloso espedaçado
    o súlfur2 dos avernos3 em pescoções de fogo.
    A vida, esse lagarto invisível na loca4 ,
    ou essa rocha ardendo onde a verdura ria?

    O mar abre-se em leque à visita de uns milhares,
    mas, curvados ao peso dessa carga de chamas,
    em mil formas de esforço e pobreza e rotina,
    milhões curtem a maldição do esplêndido verão.

    (Carlos Drummond de Andrade. As impurezas do branco, 2012)

    1esquírolas: lascas, pedacinhos
    2súlfur: enxofre
    3avernos: infernos
    4loca: gruta pequena, local sob algo

    A leitura do poema permite concluir que o verão carioca
    Escolha uma alternativa para a questão 76c9bbed-ad
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    Português

                                   Verão carioca 73

    O carro do sol passeia rodas de incêndio
    sobre os corpos e as mentes, fulminando-os.
    Restam, sob o massacre, esquírolas1 de consciência,
    a implorar, sem esperança, um caneco de sombra.

    As árvores decotadas, alamedas sem árvores.
    O ar é neutro, fixo, e recusa passagem
    às viaturas da brisa. O zinir de besouros buzinas
    ressoa no interior da célula ferida.

    Sobe do negro chão meloso espedaçado
    o súlfur2 dos avernos3 em pescoções de fogo.
    A vida, esse lagarto invisível na loca4 ,
    ou essa rocha ardendo onde a verdura ria?

    O mar abre-se em leque à visita de uns milhares,
    mas, curvados ao peso dessa carga de chamas,
    em mil formas de esforço e pobreza e rotina,
    milhões curtem a maldição do esplêndido verão.

    (Carlos Drummond de Andrade. As impurezas do branco, 2012)

    1esquírolas: lascas, pedacinhos
    2súlfur: enxofre
    3avernos: infernos
    4loca: gruta pequena, local sob algo

    Considere as definições:

    – Metáfora é a figura de linguagem que consiste no emprego de uma palavra com sentido que não lhe é comum ou próprio, sendo esse novo sentido resultante de uma relação de semelhança, de intersecção entre dois termos.

    – Personificação ou prosopopeia é a figura de linguagem que consiste em atribuir linguagem, sentimentos e ações próprios dos seres humanos a seres inanimados ou irracionais.

    – Aliteração é a repetição constante de um mesmo fonema consonantal.

    (William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães. Gramática reflexiva, 2005)

    As definições são exemplificadas, respectivamente, com os seguintes versos do poema:

    Escolha uma alternativa para a questão 76cfe519-ad
  • Linguagens

    Português

                                   Verão carioca 73

    O carro do sol passeia rodas de incêndio
    sobre os corpos e as mentes, fulminando-os.
    Restam, sob o massacre, esquírolas1 de consciência,
    a implorar, sem esperança, um caneco de sombra.

    As árvores decotadas, alamedas sem árvores.
    O ar é neutro, fixo, e recusa passagem
    às viaturas da brisa. O zinir de besouros buzinas
    ressoa no interior da célula ferida.

    Sobe do negro chão meloso espedaçado
    o súlfur2 dos avernos3 em pescoções de fogo.
    A vida, esse lagarto invisível na loca4 ,
    ou essa rocha ardendo onde a verdura ria?

    O mar abre-se em leque à visita de uns milhares,
    mas, curvados ao peso dessa carga de chamas,
    em mil formas de esforço e pobreza e rotina,
    milhões curtem a maldição do esplêndido verão.

    (Carlos Drummond de Andrade. As impurezas do branco, 2012)

    1esquírolas: lascas, pedacinhos
    2súlfur: enxofre
    3avernos: infernos
    4loca: gruta pequena, local sob algo

    Assinale a alternativa em que os versos da primeira estrofe estão reescritos de acordo com a norma-padrão de concordância nominal e verbal.
    Escolha uma alternativa para a questão 76d5eb4d-ad
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    Português

    Leia a seguinte frase:

                 O que os olhos não virem o seu coração não vai sentir.

    Considere as seguintes afirmações sobre essa frase, utilizada em uma propaganda de software para empresas:

    I Contém um erro de conjugação verbal, no uso de “virem" em lugar de “verem".

    II Expressa ideia de futuro por meio da locução “vai sentir", que equivale a “sentirá".

    III Resulta de uma reelaboração de um conhecido provérbio popular.

    Está correto apenas o que se afirma em



    Escolha uma alternativa para a questão 83125ccb-97
  • Linguagens

    Português

                                         Equilibre suas atitudes

         Para melhorar a expectativa de vida, atitudes como dietas balanceadas, prática de atividades físicas e relacionamentos interpessoais são de extrema importância. No entanto, um fator pouco lembrado pelas pessoas pode representar um papel ainda maior para uma vida mais longa e saudável: o estudo.

          Segundo o psiquiatra Daniel Barros, pessoas que estudam mais tendem a elevar a expectativa de vida. “Existem diversas pesquisas mostrando que cada ano investido em conhecimento se reverte em anos a mais na vida do indivíduo”, afirma.

          Os benefícios do estudo para a longevidade e qualidade de vida são resultados de um efeito global causado no indivíduo. “O impacto não é explícito no organismo; são as atitudes, os comportamentos da pessoa que vão mudando conforme ela ganha conhecimento”, explica o psiquiatra.

          De acordo com Barros, a principal habilidade adquirida por meio do estudo “é conseguir saber a hora de adiar as gratificações. Então, em detrimento de um prazer imediato, a pessoa consegue pensar no futuro e fazer um planejamento no longo prazo para aproveitar melhor sua vida”.

          Para uma maior qualidade de vida, a dica do especialista é equilibrar atitudes. “Claro que é importante malhar, praticar atividades físicas, comer saudavelmente, mas não somos feitos somente de ‘corpo’. Não podemos nos esquecer da mente”, observa.

                                                                                                O Estado de S.Paulo, 12/07/2015.  

    A frase cujo sentido mais se aproxima de uma das ideias contidas no texto é:
    Escolha uma alternativa para a questão 832b7833-97
  • Linguagens

    Português

                                         Equilibre suas atitudes

         Para melhorar a expectativa de vida, atitudes como dietas balanceadas, prática de atividades físicas e relacionamentos interpessoais são de extrema importância. No entanto, um fator pouco lembrado pelas pessoas pode representar um papel ainda maior para uma vida mais longa e saudável: o estudo.

          Segundo o psiquiatra Daniel Barros, pessoas que estudam mais tendem a elevar a expectativa de vida. “Existem diversas pesquisas mostrando que cada ano investido em conhecimento se reverte em anos a mais na vida do indivíduo”, afirma.

          Os benefícios do estudo para a longevidade e qualidade de vida são resultados de um efeito global causado no indivíduo. “O impacto não é explícito no organismo; são as atitudes, os comportamentos da pessoa que vão mudando conforme ela ganha conhecimento”, explica o psiquiatra.

          De acordo com Barros, a principal habilidade adquirida por meio do estudo “é conseguir saber a hora de adiar as gratificações. Então, em detrimento de um prazer imediato, a pessoa consegue pensar no futuro e fazer um planejamento no longo prazo para aproveitar melhor sua vida”.

          Para uma maior qualidade de vida, a dica do especialista é equilibrar atitudes. “Claro que é importante malhar, praticar atividades físicas, comer saudavelmente, mas não somos feitos somente de ‘corpo’. Não podemos nos esquecer da mente”, observa.

                                                                                                O Estado de S.Paulo, 12/07/2015.  

    Destoam da variedade linguística predominante no texto o substantivo “dica” e o verbo
    Escolha uma alternativa para a questão 833d21f1-97
  • Linguagens

    Português

          Agora me digam: como é que, com tio-avô modinheiro parente de Castro Alves, com quem notivagava na Bahia; pai curtidor de um sarau musical, tocando violão ele próprio e depositário de canções que nunca mais ouvi cantadas, como “O leve batel”, linda, lancinante, lúdica e que mais palavras haja em “l’s” líquidos e palatais, com versos atribuídos a Bilac; avó materna e mãe pianistas, dedilhando aquelas valsas antigas que doem como uma crise de angina no peito; dois tios seresteiros, como Henriquinho e tio Carlinhos, irmão de minha mãe, de dois metros de altura e um digitalismo espantosos, uma espécie de Canhoto (que também o era) da Gávea; como é que, com toda essa progênie, poderia eu deixar de ser também um compositor popular…

    Vinicius de Moraes, Samba falado:(crônicas musicais). Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2008. Adaptado.  

    O contexto permite concluir que a palavra “progênie”, usada no final do texto, pode ser substituída, sem alteração de sentido, por
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  • Linguagens

    Português

          Agora me digam: como é que, com tio-avô modinheiro parente de Castro Alves, com quem notivagava na Bahia; pai curtidor de um sarau musical, tocando violão ele próprio e depositário de canções que nunca mais ouvi cantadas, como “O leve batel”, linda, lancinante, lúdica e que mais palavras haja em “l’s” líquidos e palatais, com versos atribuídos a Bilac; avó materna e mãe pianistas, dedilhando aquelas valsas antigas que doem como uma crise de angina no peito; dois tios seresteiros, como Henriquinho e tio Carlinhos, irmão de minha mãe, de dois metros de altura e um digitalismo espantosos, uma espécie de Canhoto (que também o era) da Gávea; como é que, com toda essa progênie, poderia eu deixar de ser também um compositor popular…

    Vinicius de Moraes, Samba falado:(crônicas musicais). Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2008. Adaptado.  

    Ao exaltar a canção “O leve batel", Vinícius de Moraes emprega adjetivos que exemplificam um tipo de recurso expressivo de natureza sonora que ocorre, de modo mais expressivo, nestes versos também de sua autoria:
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  • Linguagens

    Português

          Agora me digam: como é que, com tio-avô modinheiro parente de Castro Alves, com quem notivagava na Bahia; pai curtidor de um sarau musical, tocando violão ele próprio e depositário de canções que nunca mais ouvi cantadas, como “O leve batel”, linda, lancinante, lúdica e que mais palavras haja em “l’s” líquidos e palatais, com versos atribuídos a Bilac; avó materna e mãe pianistas, dedilhando aquelas valsas antigas que doem como uma crise de angina no peito; dois tios seresteiros, como Henriquinho e tio Carlinhos, irmão de minha mãe, de dois metros de altura e um digitalismo espantosos, uma espécie de Canhoto (que também o era) da Gávea; como é que, com toda essa progênie, poderia eu deixar de ser também um compositor popular…

    Vinicius de Moraes, Samba falado:(crônicas musicais). Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2008. Adaptado.  

    Das características abaixo, frequentemente encontradas em crônicas, a única que NÃO se aplica ao texto é:
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    Literatura

                                                            [4]

                                 Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,

                                 que viva de guardar alheio gado,

                                 de tosco trato, de expressões grosseiro,

                                 dos frios gelos e dos sóis queimado.

                                 Tenho próprio casal(1) e nele assisto(2) ;

                                 dá-me vinho, legume, fruta, azeite;

                                 das brancas ovelhinhas tiro o leite,

                                 e mais as finas lãs, de que me visto.

                                 Graças, Marília bela,

                                 graças à minha estrela!

                                                 (...)

                                                  [5]

                                Tu não verás, Marília, cem cativos

                                 tirarem o cascalho e a rica terra,

                                 ou dos cercos dos rios caudalosos,

                                 ou da minada serra.

                                 Não verás separar ao hábil negro

                                 do pesado esmeril a grossa areia,

                                 e já brilharem os granetes de oiro

                                 no fundo da bateia(3) .

                                                            (...)

                                 Não verás enrolar negros pacotes

                                 das secas folhas do cheiroso fumo;

                                 nem espremer entre as dentadas rodas

                                 da doce cana o sumo.

                                 Verás em cima da espaçosa mesa

                                 altos volumes(4)de enredados feitos;

                                 ver-me-ás folhear os grandes livros,

                                 e decidir os pleitos.

                                 Enquanto revolver os meus consultos,

                                 tu me farás gostosa companhia,

                                 lendo os fastos da sábia, mestra História,

                                 e os cantos da poesia.

                                                    Tomás A. Gonzaga, Marília de Dirceu.

    Glossário:

    (1)casal: pequena propriedade rural.

    (2)assisto: resido, moro.

    (3)bateia: utensílio empregado no garimpo; espécie de gamela.

    (4)altos volumes: referência a processos judiciais, pois o poeta era magistrado.  

    Nesses excertos, Dirceu apresenta a Marília alguns dos argumentos com que pretende convencê-la a desposá- lo, bem como lhe sugere uma imagem de sua vida conjugal futura.

    Considerando-se o teor dos argumentos e das imagens aí presentes, pode-se concluir corretamente que  

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    Literatura

                                                            [4]

                                 Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,

                                 que viva de guardar alheio gado,

                                 de tosco trato, de expressões grosseiro,

                                 dos frios gelos e dos sóis queimado.

                                 Tenho próprio casal(1) e nele assisto(2) ;

                                 dá-me vinho, legume, fruta, azeite;

                                 das brancas ovelhinhas tiro o leite,

                                 e mais as finas lãs, de que me visto.

                                 Graças, Marília bela,

                                 graças à minha estrela!

                                                 (...)

                                                  [5]

                                Tu não verás, Marília, cem cativos

                                 tirarem o cascalho e a rica terra,

                                 ou dos cercos dos rios caudalosos,

                                 ou da minada serra.

                                 Não verás separar ao hábil negro

                                 do pesado esmeril a grossa areia,

                                 e já brilharem os granetes de oiro

                                 no fundo da bateia(3) .

                                                            (...)

                                 Não verás enrolar negros pacotes

                                 das secas folhas do cheiroso fumo;

                                 nem espremer entre as dentadas rodas

                                 da doce cana o sumo.

                                 Verás em cima da espaçosa mesa

                                 altos volumes(4)de enredados feitos;

                                 ver-me-ás folhear os grandes livros,

                                 e decidir os pleitos.

                                 Enquanto revolver os meus consultos,

                                 tu me farás gostosa companhia,

                                 lendo os fastos da sábia, mestra História,

                                 e os cantos da poesia.

                                                    Tomás A. Gonzaga, Marília de Dirceu.

    Glossário:

    (1)casal: pequena propriedade rural.

    (2)assisto: resido, moro.

    (3)bateia: utensílio empregado no garimpo; espécie de gamela.

    (4)altos volumes: referência a processos judiciais, pois o poeta era magistrado.  

    O excerto contém versos que atestam, de modo enfático, que, no Brasil, o Arcadismo, também chamado de Neoclassicismo,
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    Literatura

                                                            [4]

                                 Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,

                                 que viva de guardar alheio gado,

                                 de tosco trato, de expressões grosseiro,

                                 dos frios gelos e dos sóis queimado.

                                 Tenho próprio casal(1) e nele assisto(2) ;

                                 dá-me vinho, legume, fruta, azeite;

                                 das brancas ovelhinhas tiro o leite,

                                 e mais as finas lãs, de que me visto.

                                 Graças, Marília bela,

                                 graças à minha estrela!

                                                 (...)

                                                  [5]

                                Tu não verás, Marília, cem cativos

                                 tirarem o cascalho e a rica terra,

                                 ou dos cercos dos rios caudalosos,

                                 ou da minada serra.

                                 Não verás separar ao hábil negro

                                 do pesado esmeril a grossa areia,

                                 e já brilharem os granetes de oiro

                                 no fundo da bateia(3) .

                                                            (...)

                                 Não verás enrolar negros pacotes

                                 das secas folhas do cheiroso fumo;

                                 nem espremer entre as dentadas rodas

                                 da doce cana o sumo.

                                 Verás em cima da espaçosa mesa

                                 altos volumes(4)de enredados feitos;

                                 ver-me-ás folhear os grandes livros,

                                 e decidir os pleitos.

                                 Enquanto revolver os meus consultos,

                                 tu me farás gostosa companhia,

                                 lendo os fastos da sábia, mestra História,

                                 e os cantos da poesia.

                                                    Tomás A. Gonzaga, Marília de Dirceu.

    Glossário:

    (1)casal: pequena propriedade rural.

    (2)assisto: resido, moro.

    (3)bateia: utensílio empregado no garimpo; espécie de gamela.

    (4)altos volumes: referência a processos judiciais, pois o poeta era magistrado.  

    A configuração que o tema do amor recebe, nos versos do excerto,
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