Pular para o conteúdo

Prova

Prova de 2020: Fundação Getulio Vargas (FGV) — questões com gabarito

159 questões da prova de 2020 de Fundação Getulio Vargas (FGV), em Matemática, Português, Inglês, Biologia e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 159 questões
  • 9 matérias

Resultados: 45 questões

Página 1 de 3

  • Linguagens

    Português


    Imagem da questão de Português, FGV 2020, Interpretação de Textos
    (www.fotografia.folha.uol.com.br)

    O efeito de humor da charge decorre
    Escolha uma alternativa para a questão 6634348b-05
  • Linguagens

    Português

    Leia a fábula "O gato e a barata", de Millôr Fernandes, para responder à questão.

         A baratinha velha subiu pelo pé do copo que, ainda com um pouco de vinho, tinha sido largado a um canto da cozinha, desceu pela parte de dentro e começou a lambiscar o vinho. Dada a pequena distância que nas baratas vai da boca ao cérebro, o álcool lhe subiu logo a este. Bêbada, a baratinha caiu dentro do copo. Debateu-se, bebeu mais vinho, ficou mais tonta, debateu-se mais, bebeu mais, tonteou mais e já quase morria quando deparou com o carão do gato doméstico que sorria de sua aflição, do alto do copo.
         – Gatinho, meu gatinho –, pediu ela – me salva, me salva. Me salva que assim que eu sair daqui eu deixo você me engolir inteirinha, como você gosta. Me salva.
         – Você deixa mesmo eu engolir você? – disse o gato.
         – Me saaaalva! – implorou a baratinha. – Eu prometo. 
        O gato então virou o copo com uma pata, o líquido escorreu e com ele a baratinha que, assim que se viu no chão, saiu correndo para o buraco mais perto, onde caiu na gargalhada. 
         – Que é isso? – perguntou o gato. – Você não vai sair daí e cumprir sua promessa? Você disse que deixaria eu comer você inteira.
         – Ah, ah, ah – riu então a barata, sem poder se conter. – E você é tão imbecil a ponto de acreditar na promessa de uma barata velha e bêbada?
        Moral: Às vezes a autodepreciação nos livra do pelotão.

    (Diana Luz Pessoa de Barros. Teoria semiótica do texto, 2005.)
    Quando um sujeito pratica uma ação sobre si mesmo, dizemos que essa ação tem caráter reflexivo.

    Assinale a alternativa em que o pronome sublinhado atribui caráter reflexivo a uma ação.
    Escolha uma alternativa para a questão 66314cee-05
  • Linguagens

    Português

    Considere o trecho inicial do conto "Uns sábados, uns agostos", de Caio Fernando Abreu, para responder à questão.

          Eles vinham aos sábados, sem telefonar. Não lembro desde quando criou-se o hábito de virem aos sábados, sem telefonar – e de vez em quando isso me irritava, pensando que se quisesse sair para, por exemplo, passear pelo parque ou tomar uma dessas lanchas de turismo que fazem excursões pelas ilhas, não poderia porque eles bateriam com as caras na porta fechada e ficariam ofendidos (eles eram sensíveis) e talvez não voltassem nunca mais. E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa. Certamente os odiava um pouco enquanto não chegavam: um ódio de ter meus sábados totalmente dependentes deles, que não eram eu, e que não viveriam a minha vida por mim – embora eu nunca tivesse conseguido aprender como se vive aos sábados, se é que existe uma maneira específica de atravessá-los.  
    [...]
         E afinal, chovesse ou fizesse sol, sagradamente lá estavam eles, aos sábados. Naturalmente chovesse-ou-fizesse-sol é apenas isso que se convencionou chamar força de expressão, já que há muito tempo não fazia sol, talvez por ser agosto − mas de certa forma é sempre agosto nesta cidade, principalmente aos sábados.
          Não é que fossem chatos. Na verdade, eu nunca soube que critérios de julgamento se pode usar para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que isso tenha importância, mas nossas famílias não se conheciam, então não podíamos falar sobre os meus pais ou os avós deles, sobre os meus tios ou os seus sobrinhos ou qualquer outra dessas combinações genealógicas. Também não sabia que tipo de trabalho faziam, se é que faziam alguma coisa, nem sequer se liam, se estudavam, iam ao cinema, assistiam à televisão ou com que se ocupavam, enfim, além de me visitar aos sábados.

    (Caio Fernando Abreu. Mel e girassóis, 1988. Adaptado.) 
    Considerado o contexto do primeiro parágrafo, o verbo sublinhado indica um acontecimento habitual, frequente, no passado, na frase:
    Escolha uma alternativa para a questão 661ffbd9-05
  • Linguagens

    Português

    Considere o trecho inicial do conto "Uns sábados, uns agostos", de Caio Fernando Abreu, para responder à questão.

          Eles vinham aos sábados, sem telefonar. Não lembro desde quando criou-se o hábito de virem aos sábados, sem telefonar – e de vez em quando isso me irritava, pensando que se quisesse sair para, por exemplo, passear pelo parque ou tomar uma dessas lanchas de turismo que fazem excursões pelas ilhas, não poderia porque eles bateriam com as caras na porta fechada e ficariam ofendidos (eles eram sensíveis) e talvez não voltassem nunca mais. E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa. Certamente os odiava um pouco enquanto não chegavam: um ódio de ter meus sábados totalmente dependentes deles, que não eram eu, e que não viveriam a minha vida por mim – embora eu nunca tivesse conseguido aprender como se vive aos sábados, se é que existe uma maneira específica de atravessá-los.  
    [...]
         E afinal, chovesse ou fizesse sol, sagradamente lá estavam eles, aos sábados. Naturalmente chovesse-ou-fizesse-sol é apenas isso que se convencionou chamar força de expressão, já que há muito tempo não fazia sol, talvez por ser agosto − mas de certa forma é sempre agosto nesta cidade, principalmente aos sábados.
          Não é que fossem chatos. Na verdade, eu nunca soube que critérios de julgamento se pode usar para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que isso tenha importância, mas nossas famílias não se conheciam, então não podíamos falar sobre os meus pais ou os avós deles, sobre os meus tios ou os seus sobrinhos ou qualquer outra dessas combinações genealógicas. Também não sabia que tipo de trabalho faziam, se é que faziam alguma coisa, nem sequer se liam, se estudavam, iam ao cinema, assistiam à televisão ou com que se ocupavam, enfim, além de me visitar aos sábados.

    (Caio Fernando Abreu. Mel e girassóis, 1988. Adaptado.) 
    Ao dizer "força de expressão" (2° parágrafo), o narrador informa que não se devem tomar as palavras em seu sentido
    Escolha uma alternativa para a questão 661ceb9f-05
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto de Teresinha Costa para responder à questão.

         Em História social da criança e da família, Philippe Ariès faz um estudo na Europa, no período compreendido entre a Idade Média e o século XX, para demonstrar como a definição de criança se modificou no decorrer do tempo de acordo com parâmetros ideológicos. Pela análise de pinturas, diários, esculturas e vitrais produzidos na Europa no período anterior aos ideais da Revolução Francesa, Ariès forja a expressão "sentimento da infância" para designar "a consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto". Esse sentimento vai aparecer a partir apenas do século XVII.
    Na Idade Média, a criança era vista como um pequeno adulto, sem características que a diferenciassem, e desconsiderada como alguém merecedor de cuidados especiais. Isso não significava que as crianças fossem até então desprezadas ou negligenciadas, mas sim que não se tinha consciência de uma série de particularidades intelectuais, comportamentais e emocionais que passaram, então, a ser consideradas como inerentes ou até mesmo naturais às crianças. Ariès comenta, inclusive, que os pintores ocidentais reproduziam crianças vestidas como pequenos adultos, e que somente percebemos se tratar de uma criança devido ao seu tamanho reduzido. Nas sociedades agrárias, a infância era um período rapidamente superado e, tão logo a criança adquiria alguma independência, passava a participar da vida dos adultos e de seus trabalhos, jogos e festas.

    (Psicanálise com crianças, 2010.)
    De acordo com o texto, a pesquisa de Philippe Ariès
    Escolha uma alternativa para a questão 6612c01b-05
  • Linguagens

    Português

    Texto para a pergunta

    Imagem da questão de Português, FGV 2020, Interpretação de Textos

    Aluísio Azevedo, O cortiço. 

    Tal como caracterizados no excerto, os arranjos que regem as atividades produtivas, bem como a associação das personagens João Romão e Bertoleza, revelam o grau de imbricação a que chegaram, ao longo do século XIX brasileiro,
    Escolha uma alternativa para a questão 3e952702-fc
  • Linguagens

    Português

    Texto para a pergunta 

        Entretanto, a luta mais árdua do negro africano e de seus descendentes brasileiros foi, ainda é, a conquista de um lugar e de um papel de participante legítimo na sociedade nacional. Nela se viu incorporado à força. Ajudou a construí-la e, nesse esforço, se anulou, mas, ao fim, só nela sabia viver, em razão de sua total desafricanização.

        A primeira tarefa cultural do negro brasileiro foi a de aprender a falar o português que ouvia nos berros do capataz. Teve de fazê-lo para comunicarse com seus companheiros de desterro, oriundos de diferentes povos. Fazendoo, se reumanizou, começando a sair da condição de bem semovente, mero animal ou força energética para o trabalho. Conseguindo miraculosamente dominar a nova língua, não só a refez, emprestando singularidade ao português do Brasil, mas também possibilitou sua difusão por todo o território, uma vez que nas outras áreas se falava principalmente a língua dos índios, o tupi-guarani.


    Darcy Ribeiro, O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. Adaptado

    É compatível com o que diz o texto a seguinte afirmação sobre o negro brasileiro e seus descendentes:
    Escolha uma alternativa para a questão 3e7f801e-fc
  • Linguagens

    Inglês

    Read the text to answer question.

         The formula for calculating people’s environmental footprint is simple, but widely misunderstood: Impact = Population x Affluence x Technology (I = PAT). The global rate of consumption growth, before the pandemic, was 3% a year. Population growth is 1%. Some people assume this means that the rise in population bears one-third of the responsibility for increased consumption. But population growth is overwhelmingly concentrated among the world’s poorest people, who have scarcely any A or T to multiply their P.
         Yet it is widely used as a blanket explanation of environment breakdown. Panic about population growth enables the people most responsible for the impacts of rising consumption (the affluent) to blame those who are least responsible.

    (George Monbiot. www.theguardian.com, 26.08.2020. Adapted.)
    The text states that
    Escolha uma alternativa para a questão 8be741be-05
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, FGV 2020, Interpretação de texto | Reading comprehension
    (nytimes.com)

    Shimmering white and gracefully statuesque, the Mount Washington Hotel is a granite fortress, a manmade anomaly among the raw wilderness of the surrounding White Mountains in remote northern New Hampshire, U.S. Even to this day, the hotel is geographically secured by 800,000 acres of the White Mountain National Forest around it. This was the main reason why the Hotel was chosen for a World War Two meeting – a meeting that shaped present-day global economic policies.

    (Linda Laban. www.bbc.com, 26.08.2020. Adapted.)

    The term “this”, which introduces the last sentence in the text, refers to the fact that the Mount Washington Hotel
    Escolha uma alternativa para a questão 8bdf269d-05
  • Linguagens

    Inglês

    The American embassy escaped the blast in Beirut’s port unscathed. Many Western countries either have missions in the city centre or diplomats who live in the area. The wife of the Dutch ambassador was killed, as was a German diplomat. But America’s embassy sits in the mountain village of Awkar, five miles from the port. Security measures are onerous, a hangover from the bombing of the American embassy in Beirut in 1983, which killed 63 people. It took a week before the ambassador, Dorothy Shea, a career diplomat, toured the port. Even on social media it has been far quieter than other foreign powers.

    (www.economist.com, 13.08.2020. Adapted.)

    The descriptions in the paragraph
    Escolha uma alternativa para a questão 8bdc1da1-05
  • Linguagens

    Inglês

    Read the text to answer question.

    Imagem da questão de Inglês, FGV 2020, Vocabulário | Vocabulary

         We are at the beginning of a long road to rethinking and rebuilding supply chain models to encompass not just financial priorities but also business operations continuity in the most trying of circumstances. Executives from France and Italy, for example, are discussing ways to remake their businesses in the wake of the Covid-19 pandemic. Their specialty is supply chains. They are smart people at the core of the world’s most sophisticated and valuable systems of manufacture, shipment, and inventory, and yet many of their supply systems staggered in the past few months – the byproduct of reliance on old business models.
    (Antonio Gulli. www.forbes.com, 28.07.2020. Adapted.)
    In the fragment “and yet many of their supply systems staggered in the past few months”, the underlined word introduces a
    Escolha uma alternativa para a questão 8bd59955-05
  • Linguagens

    Inglês

    Read the text to answer question.

         The image depicts a nearly naked man amid a vast area of rainforest, spear pointed at the helicopter hovering above him – a man defending his territory and people from outside influence. This very scene made front-page news some years ago in the UK. It instantly highlighted the loss of ancestral homelands some tribal communities round the world face.
         Bad news has a way of dominating the headlines, so we're of the opinion that all indigenous communities and their culture are in decline – and that's not true. But the allure of propagating the "disappearing tribe" narrative is strong. It’s frustrating to see journalists who go on assignment with a set story in mind and then seek out quotes, experiences or interviews to fit their predetermined angle.

    (Jonny Bealby. www.newsweek.com, 27.08.2019. Adapted.) 
    In the context of the second paragraph, the expression “the allure of” means
    Escolha uma alternativa para a questão 8bbc69d8-05
  • Linguagens

    Inglês

    Read the text to answer question.

         The image depicts a nearly naked man amid a vast area of rainforest, spear pointed at the helicopter hovering above him – a man defending his territory and people from outside influence. This very scene made front-page news some years ago in the UK. It instantly highlighted the loss of ancestral homelands some tribal communities round the world face.
         Bad news has a way of dominating the headlines, so we're of the opinion that all indigenous communities and their culture are in decline – and that's not true. But the allure of propagating the "disappearing tribe" narrative is strong. It’s frustrating to see journalists who go on assignment with a set story in mind and then seek out quotes, experiences or interviews to fit their predetermined angle.

    (Jonny Bealby. www.newsweek.com, 27.08.2019. Adapted.) 
    In the fragment from the second paragraph “so we’re of the opinion that”, the underlined word refers to
    Escolha uma alternativa para a questão 8bb7bbf6-05
  • Linguagens

    Inglês

    Read the text to answer question.

         The image depicts a nearly naked man amid a vast area of rainforest, spear pointed at the helicopter hovering above him – a man defending his territory and people from outside influence. This very scene made front-page news some years ago in the UK. It instantly highlighted the loss of ancestral homelands some tribal communities round the world face.
         Bad news has a way of dominating the headlines, so we're of the opinion that all indigenous communities and their culture are in decline – and that's not true. But the allure of propagating the "disappearing tribe" narrative is strong. It’s frustrating to see journalists who go on assignment with a set story in mind and then seek out quotes, experiences or interviews to fit their predetermined angle.

    (Jonny Bealby. www.newsweek.com, 27.08.2019. Adapted.) 
    . In the text the author expresses his opinion that
    Escolha uma alternativa para a questão 8bb088f2-05
  • Linguagens

    Português

    Leia a fábula "O gato e a barata", de Millôr Fernandes, para responder à questão.

         A baratinha velha subiu pelo pé do copo que, ainda com um pouco de vinho, tinha sido largado a um canto da cozinha, desceu pela parte de dentro e começou a lambiscar o vinho. Dada a pequena distância que nas baratas vai da boca ao cérebro, o álcool lhe subiu logo a este. Bêbada, a baratinha caiu dentro do copo. Debateu-se, bebeu mais vinho, ficou mais tonta, debateu-se mais, bebeu mais, tonteou mais e já quase morria quando deparou com o carão do gato doméstico que sorria de sua aflição, do alto do copo.
         – Gatinho, meu gatinho –, pediu ela – me salva, me salva. Me salva que assim que eu sair daqui eu deixo você me engolir inteirinha, como você gosta. Me salva.
         – Você deixa mesmo eu engolir você? – disse o gato.
         – Me saaaalva! – implorou a baratinha. – Eu prometo. 
        O gato então virou o copo com uma pata, o líquido escorreu e com ele a baratinha que, assim que se viu no chão, saiu correndo para o buraco mais perto, onde caiu na gargalhada. 
         – Que é isso? – perguntou o gato. – Você não vai sair daí e cumprir sua promessa? Você disse que deixaria eu comer você inteira.
         – Ah, ah, ah – riu então a barata, sem poder se conter. – E você é tão imbecil a ponto de acreditar na promessa de uma barata velha e bêbada?
        Moral: Às vezes a autodepreciação nos livra do pelotão.

    (Diana Luz Pessoa de Barros. Teoria semiótica do texto, 2005.)
    Assinale a alternativa que ilustra um momento em que, em situação de evidente desigualdade, um personagem zomba (tem uma atitude sarcástica) da situação do outro.
    Escolha uma alternativa para a questão 662e5d30-05
  • Linguagens

    Português

    Leia a fábula "O gato e a barata", de Millôr Fernandes, para responder à questão.

         A baratinha velha subiu pelo pé do copo que, ainda com um pouco de vinho, tinha sido largado a um canto da cozinha, desceu pela parte de dentro e começou a lambiscar o vinho. Dada a pequena distância que nas baratas vai da boca ao cérebro, o álcool lhe subiu logo a este. Bêbada, a baratinha caiu dentro do copo. Debateu-se, bebeu mais vinho, ficou mais tonta, debateu-se mais, bebeu mais, tonteou mais e já quase morria quando deparou com o carão do gato doméstico que sorria de sua aflição, do alto do copo.
         – Gatinho, meu gatinho –, pediu ela – me salva, me salva. Me salva que assim que eu sair daqui eu deixo você me engolir inteirinha, como você gosta. Me salva.
         – Você deixa mesmo eu engolir você? – disse o gato.
         – Me saaaalva! – implorou a baratinha. – Eu prometo. 
        O gato então virou o copo com uma pata, o líquido escorreu e com ele a baratinha que, assim que se viu no chão, saiu correndo para o buraco mais perto, onde caiu na gargalhada. 
         – Que é isso? – perguntou o gato. – Você não vai sair daí e cumprir sua promessa? Você disse que deixaria eu comer você inteira.
         – Ah, ah, ah – riu então a barata, sem poder se conter. – E você é tão imbecil a ponto de acreditar na promessa de uma barata velha e bêbada?
        Moral: Às vezes a autodepreciação nos livra do pelotão.

    (Diana Luz Pessoa de Barros. Teoria semiótica do texto, 2005.)
    A função do texto, considerado o gênero a que pertence, é sobretudo
    Escolha uma alternativa para a questão 662accf6-05
  • Linguagens

    Português

    Considere o trecho inicial do conto "Uns sábados, uns agostos", de Caio Fernando Abreu, para responder à questão.

          Eles vinham aos sábados, sem telefonar. Não lembro desde quando criou-se o hábito de virem aos sábados, sem telefonar – e de vez em quando isso me irritava, pensando que se quisesse sair para, por exemplo, passear pelo parque ou tomar uma dessas lanchas de turismo que fazem excursões pelas ilhas, não poderia porque eles bateriam com as caras na porta fechada e ficariam ofendidos (eles eram sensíveis) e talvez não voltassem nunca mais. E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa. Certamente os odiava um pouco enquanto não chegavam: um ódio de ter meus sábados totalmente dependentes deles, que não eram eu, e que não viveriam a minha vida por mim – embora eu nunca tivesse conseguido aprender como se vive aos sábados, se é que existe uma maneira específica de atravessá-los.  
    [...]
         E afinal, chovesse ou fizesse sol, sagradamente lá estavam eles, aos sábados. Naturalmente chovesse-ou-fizesse-sol é apenas isso que se convencionou chamar força de expressão, já que há muito tempo não fazia sol, talvez por ser agosto − mas de certa forma é sempre agosto nesta cidade, principalmente aos sábados.
          Não é que fossem chatos. Na verdade, eu nunca soube que critérios de julgamento se pode usar para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que isso tenha importância, mas nossas famílias não se conheciam, então não podíamos falar sobre os meus pais ou os avós deles, sobre os meus tios ou os seus sobrinhos ou qualquer outra dessas combinações genealógicas. Também não sabia que tipo de trabalho faziam, se é que faziam alguma coisa, nem sequer se liam, se estudavam, iam ao cinema, assistiam à televisão ou com que se ocupavam, enfim, além de me visitar aos sábados.

    (Caio Fernando Abreu. Mel e girassóis, 1988. Adaptado.) 
    "[...] para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que [...]" (3° parágrafo).

    Considerado o contexto, a expressão sublinhada pode ser entendida como:
    Escolha uma alternativa para a questão 66272ee8-05
  • Linguagens

    Português

    Considere o trecho inicial do conto "Uns sábados, uns agostos", de Caio Fernando Abreu, para responder à questão.

          Eles vinham aos sábados, sem telefonar. Não lembro desde quando criou-se o hábito de virem aos sábados, sem telefonar – e de vez em quando isso me irritava, pensando que se quisesse sair para, por exemplo, passear pelo parque ou tomar uma dessas lanchas de turismo que fazem excursões pelas ilhas, não poderia porque eles bateriam com as caras na porta fechada e ficariam ofendidos (eles eram sensíveis) e talvez não voltassem nunca mais. E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa. Certamente os odiava um pouco enquanto não chegavam: um ódio de ter meus sábados totalmente dependentes deles, que não eram eu, e que não viveriam a minha vida por mim – embora eu nunca tivesse conseguido aprender como se vive aos sábados, se é que existe uma maneira específica de atravessá-los.  
    [...]
         E afinal, chovesse ou fizesse sol, sagradamente lá estavam eles, aos sábados. Naturalmente chovesse-ou-fizesse-sol é apenas isso que se convencionou chamar força de expressão, já que há muito tempo não fazia sol, talvez por ser agosto − mas de certa forma é sempre agosto nesta cidade, principalmente aos sábados.
          Não é que fossem chatos. Na verdade, eu nunca soube que critérios de julgamento se pode usar para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que isso tenha importância, mas nossas famílias não se conheciam, então não podíamos falar sobre os meus pais ou os avós deles, sobre os meus tios ou os seus sobrinhos ou qualquer outra dessas combinações genealógicas. Também não sabia que tipo de trabalho faziam, se é que faziam alguma coisa, nem sequer se liam, se estudavam, iam ao cinema, assistiam à televisão ou com que se ocupavam, enfim, além de me visitar aos sábados.

    (Caio Fernando Abreu. Mel e girassóis, 1988. Adaptado.) 
    "E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa" (1° parágrafo).

    No contexto em que está inserida, a conjunção sublinhada introduz uma oração com sentido de
    Escolha uma alternativa para a questão 662350d5-05
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto de Teresinha Costa para responder à questão.

         Em História social da criança e da família, Philippe Ariès faz um estudo na Europa, no período compreendido entre a Idade Média e o século XX, para demonstrar como a definição de criança se modificou no decorrer do tempo de acordo com parâmetros ideológicos. Pela análise de pinturas, diários, esculturas e vitrais produzidos na Europa no período anterior aos ideais da Revolução Francesa, Ariès forja a expressão "sentimento da infância" para designar "a consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto". Esse sentimento vai aparecer a partir apenas do século XVII.
    Na Idade Média, a criança era vista como um pequeno adulto, sem características que a diferenciassem, e desconsiderada como alguém merecedor de cuidados especiais. Isso não significava que as crianças fossem até então desprezadas ou negligenciadas, mas sim que não se tinha consciência de uma série de particularidades intelectuais, comportamentais e emocionais que passaram, então, a ser consideradas como inerentes ou até mesmo naturais às crianças. Ariès comenta, inclusive, que os pintores ocidentais reproduziam crianças vestidas como pequenos adultos, e que somente percebemos se tratar de uma criança devido ao seu tamanho reduzido. Nas sociedades agrárias, a infância era um período rapidamente superado e, tão logo a criança adquiria alguma independência, passava a participar da vida dos adultos e de seus trabalhos, jogos e festas.

    (Psicanálise com crianças, 2010.)
    "entre a Idade Média e o século XX" (1º parágrafo)
    "Ariès forja a expressão 'sentimento da infância'" (1º parágrafo)
    "sem características que a diferenciassem" (2º parágrafo)

    As três ocorrências do vocábulo "a" sublinhadas correspondem, respectivamente, a:
    Escolha uma alternativa para a questão 66168106-05