Prova de 2023: Universidade Estadual do Maranhão — questões com gabarito
24 questões da prova de 2023 de Universidade Estadual do Maranhão, em Literatura, Português. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.
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24 questões encontradas. Mostrando a página 2 de 2.
D1BBFAA4-C4 Leia, agora, um fragmento do poema A Leviana, de Gonçalves Dias para responder à questão.És engraçada e formosaComo a rosa,Como a rosa em mês d'Abril;És como a nuvem doiradaDeslizada,Deslizada em céus d'anil.Tu és vária e melindrosa,Qual formosaBorboleta num jardim,Que as flores todas afaga,E divagaEm devaneio sem fim.És pura, como uma estrelaDoce e bela,Que treme incerta no mar:Mostras nos olhos tua almaTerna e calma,Como a luz d'almo luar.Tuas formas tão donosas,Tão airosas,Formas da terra não são;Pareces anjo formoso,Vaporoso,Vindo da etérea mansão.Assim, beijar-te receio, Contra o seioEu tremo de te apertar:Pois me parece que um beijo É sobejoPara o teu corpo quebrar. [...]DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. Belo Horizonte:Autêntica Ed.: 1998.A leitura comparativa do poema de Gonçalves Dias e da canção de Erasmo Carlos, quanto à figura da mulher e seu papel na sociedade, indica que a mulher,D1B95DFA-C4 Português
Interpretação de TextosUniversidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosNa década de 80, a canção Mulher (Sexo frágil) fez muito sucesso. Trata-se de uma declaração sobre a força feminina, que se vale do poder que as mulheres têm na relação com os homens. Ao mesmo tempo que a canção mostra a realidade de como a mulher é vista na sociedade, o eu lírico marca a posição de quão equivocada é essa perspectiva.Mulher (Sexo frágil)Canção de Erasmo CarlosDizem que a mulher é o sexo frágilMas que mentira absurda!Eu que faço parte da rotina de uma delasSei que a força está com elasVejam como é forte a que eu conheçoSua sapiência não tem preçoSatisfaz meu ego se fingindo submissaMas no fundo me enfeitiçaQuando eu chego em casa à noitinhaQuero uma mulher só minhaMas pra quem deu luz não tem mais jeitoPorque um filho quer seu peitoO outro já reclama a sua mãoE o outro quer o amor que ela tiverQuatro homens dependentes e carentesDa força da mulherMulher, mulherDo barro de que você foi geradaMe veio inspiraçãoPra decantar você nessa cançãoNa escola em que você foi ensinadaJamais tirei um dezSou forte mas não chego aos seus pésMulher, mulherMulher, mulherhttps://www.letras.mus.br/erasmo-carlos/A letra da canção deixa transparecer o machismo vigente na sociedade. Essa assertiva está comprovada nos seguintes versos:D1B6D4E7-C4 Português
Interpretação de TextosUniversidade Estadual do Maranhão · 2023MédioEntre para guardar nos favoritosAntônio Gonçalves Dias, filho de um comerciante português e de uma mestiça de negro com índio, nasceu em um sítio próximo à cidade maranhense de Caxias, em 1823. Além dos temas de amor, o poeta engajou-se com uma poética de cunho social, centrada, sobretudo, nas questões dos povos originários, ao enobrecer o indígena, em uma perspectiva do conhecido “Mito do bom selvagem”.
Leia as estrofes extraídas de “O Canto do Piaga” para responder à questão.
O CANTO DO PIAGA
I
Ó Guerreiros da Taba sagrada,
Ó Guerreiros da Tribo Tupi,
Falam Deuses nos cantos do Piaga,
Ó Guerreiros, meus cantos ouvi.
Esta noite - era a lua já morta –
Anhangá me vedava sonhar;
Eis na horrível caverna, que habito,
Rouca voz começou-me a chamar.
Abro os olhos, inquieto, medroso,
Manitôs! que prodígios que vi!
Arde o pau de resina fumosa,
Não fui eu, não fui eu, que o acendi!
Eis rebenta a meus pés um fantasma,
Um fantasma d’imensa extensão;
Liso crânio repousa a meu lado,
Feia cobra se enrosca no chão.
O meu sangue gelou-se nas veias,
Todo inteiro - ossos, carnes – tremi.
Frio horror me coou pelos membros,
Frio vento no rosto senti.
Era feio, medonho, tremendo
Ó Guerreiros, o espectro que eu vi.
Falam Deuses nos cantos do Piaga,
Ó Guerreiros, meus cantos ouvi!
[...]
Vem trazer-vos crueza, impiedade –
Dons cruéis do cruel Anhangá;
Vem quebrar-vos a maça valente,
Profanar Manitôs, Maracás.
Vem trazer-vos algemas pesadas,
Com que a tribo Tupi vai gemer;
Hão-de os velhos servirem de escravos
Mesmo o Piaga inda escravo há de ser!
Fugireis procurando um asilo,
Triste asilo por ínvio sertão;
Anhangá de prazer há de rir-se,
Vendo os vossos quão poucos serão.
Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,
Susta as iras do fero Anhangá.
Manitôs já fugiram da Taba,
Ó desgraça! ó ruína!! ó Tupá!
DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. Belo Horizonte:Autêntica Ed.: 1998.
No contexto poético, são versos que mais caracterizam enfaticamente o pavor do homem branco:D1B32390-C4 Português
Interpretação de TextosUniversidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosAntônio Gonçalves Dias, filho de um comerciante português e de uma mestiça de negro com índio, nasceu em um sítio próximo à cidade maranhense de Caxias, em 1823. Além dos temas de amor, o poeta engajou-se com uma poética de cunho social, centrada, sobretudo, nas questões dos povos originários, ao enobrecer o indígena, em uma perspectiva do conhecido “Mito do bom selvagem”.
Leia as estrofes extraídas de “O Canto do Piaga” para responder à questão.
O CANTO DO PIAGA
I
Ó Guerreiros da Taba sagrada,
Ó Guerreiros da Tribo Tupi,
Falam Deuses nos cantos do Piaga,
Ó Guerreiros, meus cantos ouvi.
Esta noite - era a lua já morta –
Anhangá me vedava sonhar;
Eis na horrível caverna, que habito,
Rouca voz começou-me a chamar.
Abro os olhos, inquieto, medroso,
Manitôs! que prodígios que vi!
Arde o pau de resina fumosa,
Não fui eu, não fui eu, que o acendi!
Eis rebenta a meus pés um fantasma,
Um fantasma d’imensa extensão;
Liso crânio repousa a meu lado,
Feia cobra se enrosca no chão.
O meu sangue gelou-se nas veias,
Todo inteiro - ossos, carnes – tremi.
Frio horror me coou pelos membros,
Frio vento no rosto senti.
Era feio, medonho, tremendo
Ó Guerreiros, o espectro que eu vi.
Falam Deuses nos cantos do Piaga,
Ó Guerreiros, meus cantos ouvi!
[...]
Vem trazer-vos crueza, impiedade –
Dons cruéis do cruel Anhangá;
Vem quebrar-vos a maça valente,
Profanar Manitôs, Maracás.
Vem trazer-vos algemas pesadas,
Com que a tribo Tupi vai gemer;
Hão-de os velhos servirem de escravos
Mesmo o Piaga inda escravo há de ser!
Fugireis procurando um asilo,
Triste asilo por ínvio sertão;
Anhangá de prazer há de rir-se,
Vendo os vossos quão poucos serão.
Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,
Susta as iras do fero Anhangá.
Manitôs já fugiram da Taba,
Ó desgraça! ó ruína!! ó Tupá!
DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. Belo Horizonte:Autêntica Ed.: 1998.
Pode-se afirmar que, ao iniciar seu canto, o eu lírico confere ao Piaga