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Prova

Prova de 2024: Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto — questões com gabarito

72 questões da prova de 2024 de Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, em Matemática, Português, Inglês, Biologia e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 72 questões
  • 11 matérias

Resultados: 10 questões

  • Linguagens

    Português

    Leia o excerto para responder à questão.


         A presença feminina foi sempre destacada no exercício do pequeno comércio em vilas e cidades do Brasil colonial. Desde os primeiros tempos, em lugares como Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, estabeleceu-se uma divisão de trabalho assentada em critérios sexuais, em que o comércio ambulante representava ocupação preponderantemente feminina. A quase exclusiva presença de mulheres num mercado onde se consumiam gêneros a varejo resultou da convergência de duas referências culturais determinantes no Brasil. A primeira delas está relacionada à influência africana, uma vez que nessas sociedades tradicionais as mulheres desempenhavam tarefas de alimentação e distribuição de gêneros de primeira necessidade. O segundo tipo de influência deriva da transposição para o mundo colonial da divisão de papéis sexuais vigentes em Portugal, onde a legislação amparava de maneira incisiva a participação feminina.


    (Luciano Figueiredo. “Mulheres nas Minas Gerais”.

    In: Mary del Priore (org.). História das mulheres no Brasil, 2015.)

    O tipo de atividade econômica mencionado no excerto
    Escolha uma alternativa para a questão ab30ed3f-31
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho de uma crônica de Machado de Assis, publicada originalmente em 16.06.1878.


           Estrugiram1 os últimos foguetes de Santo Antônio; não tarda chegar a vez de S. João e de S. Pedro. [...] Indague quem quiser o motivo histórico deste foguetear os três santos, uso que herdamos dos nossos maiores; a realidade é que, não obstante o ceticismo do tempo, muita e muita dezena de anos há de correr, primeiro que o povo perca os seus antigos amores. Nestas noites abençoadas é que as crendices sãs abrem todas as velas. As consultas, as sortes, os ovos guardados em água, e outras sublimes ridicularias2, ria-se delas quem quiser; eu vejo-as com respeito, com simpatia, e se alguma coisa me molestam é por eu não as saber já praticar. [...]


          Os dias passam, e os meses, e os anos, e as situações políticas, e as gerações e os sentimentos, e as ideias. Cada olimpíada3 traz nas mãos uma nova andaina4 do tempo. [...]


          Duas coisas, entretanto, perduram no meio da instabilidade universal: 1o a constância da polícia, que todos os anos declara editalmente ser proibido queimar fogos, por ocasião das festas de S. João e seus comensais; 2o a disposição do povo em desobedecer às ordens da polícia. A proibição não é simples vontade do chefe; é uma postura municipal de 1856. Anualmente aparece o mesmo edital, escrito com os mesmos termos; o chefe rubrica essa chapa inofensiva, que é impressa, lida e desrespeitada. Da tenacidade com que a polícia proíbe, e da teimosia com que o povo infringe a proibição, fica um resíduo comum: o trecho impresso e os fogos queimados.


    (Machado de Assis. Notas semanais, 2008.)


    1 estrugir: soar ou vibrar fortemente.


    2 ridicularia: coisa mínima e sem importância; insignificância.


    3 olimpíada: período de quatro anos.


    4 andaina: veste.

    Originalmente um verbo, o termo sublinhado está empregado como substantivo no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão ab0c047d-31
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho de uma crônica de Machado de Assis, publicada originalmente em 16.06.1878.


           Estrugiram1 os últimos foguetes de Santo Antônio; não tarda chegar a vez de S. João e de S. Pedro. [...] Indague quem quiser o motivo histórico deste foguetear os três santos, uso que herdamos dos nossos maiores; a realidade é que, não obstante o ceticismo do tempo, muita e muita dezena de anos há de correr, primeiro que o povo perca os seus antigos amores. Nestas noites abençoadas é que as crendices sãs abrem todas as velas. As consultas, as sortes, os ovos guardados em água, e outras sublimes ridicularias2, ria-se delas quem quiser; eu vejo-as com respeito, com simpatia, e se alguma coisa me molestam é por eu não as saber já praticar. [...]


          Os dias passam, e os meses, e os anos, e as situações políticas, e as gerações e os sentimentos, e as ideias. Cada olimpíada3 traz nas mãos uma nova andaina4 do tempo. [...]


          Duas coisas, entretanto, perduram no meio da instabilidade universal: 1o a constância da polícia, que todos os anos declara editalmente ser proibido queimar fogos, por ocasião das festas de S. João e seus comensais; 2o a disposição do povo em desobedecer às ordens da polícia. A proibição não é simples vontade do chefe; é uma postura municipal de 1856. Anualmente aparece o mesmo edital, escrito com os mesmos termos; o chefe rubrica essa chapa inofensiva, que é impressa, lida e desrespeitada. Da tenacidade com que a polícia proíbe, e da teimosia com que o povo infringe a proibição, fica um resíduo comum: o trecho impresso e os fogos queimados.


    (Machado de Assis. Notas semanais, 2008.)


    1 estrugir: soar ou vibrar fortemente.


    2 ridicularia: coisa mínima e sem importância; insignificância.


    3 olimpíada: período de quatro anos.


    4 andaina: veste.

    “a realidade é que, não obstante o ceticismo do tempo, muita e muita dezena de anos há de correr, primeiro que o povo perca os seus antigos amores.” (1o parágrafo)

    No contexto em que se insere, o trecho sublinhado expressa ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão ab095d98-31
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho de uma crônica de Machado de Assis, publicada originalmente em 16.06.1878.


           Estrugiram1 os últimos foguetes de Santo Antônio; não tarda chegar a vez de S. João e de S. Pedro. [...] Indague quem quiser o motivo histórico deste foguetear os três santos, uso que herdamos dos nossos maiores; a realidade é que, não obstante o ceticismo do tempo, muita e muita dezena de anos há de correr, primeiro que o povo perca os seus antigos amores. Nestas noites abençoadas é que as crendices sãs abrem todas as velas. As consultas, as sortes, os ovos guardados em água, e outras sublimes ridicularias2, ria-se delas quem quiser; eu vejo-as com respeito, com simpatia, e se alguma coisa me molestam é por eu não as saber já praticar. [...]


          Os dias passam, e os meses, e os anos, e as situações políticas, e as gerações e os sentimentos, e as ideias. Cada olimpíada3 traz nas mãos uma nova andaina4 do tempo. [...]


          Duas coisas, entretanto, perduram no meio da instabilidade universal: 1o a constância da polícia, que todos os anos declara editalmente ser proibido queimar fogos, por ocasião das festas de S. João e seus comensais; 2o a disposição do povo em desobedecer às ordens da polícia. A proibição não é simples vontade do chefe; é uma postura municipal de 1856. Anualmente aparece o mesmo edital, escrito com os mesmos termos; o chefe rubrica essa chapa inofensiva, que é impressa, lida e desrespeitada. Da tenacidade com que a polícia proíbe, e da teimosia com que o povo infringe a proibição, fica um resíduo comum: o trecho impresso e os fogos queimados.


    (Machado de Assis. Notas semanais, 2008.)


    1 estrugir: soar ou vibrar fortemente.


    2 ridicularia: coisa mínima e sem importância; insignificância.


    3 olimpíada: período de quatro anos.


    4 andaina: veste.

    Observa-se uma incompatibilidade semântica entre os termos que compõem a seguinte expressão:
    Escolha uma alternativa para a questão ab06ba82-31
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho de uma crônica de Machado de Assis, publicada originalmente em 16.06.1878.


           Estrugiram1 os últimos foguetes de Santo Antônio; não tarda chegar a vez de S. João e de S. Pedro. [...] Indague quem quiser o motivo histórico deste foguetear os três santos, uso que herdamos dos nossos maiores; a realidade é que, não obstante o ceticismo do tempo, muita e muita dezena de anos há de correr, primeiro que o povo perca os seus antigos amores. Nestas noites abençoadas é que as crendices sãs abrem todas as velas. As consultas, as sortes, os ovos guardados em água, e outras sublimes ridicularias2, ria-se delas quem quiser; eu vejo-as com respeito, com simpatia, e se alguma coisa me molestam é por eu não as saber já praticar. [...]


          Os dias passam, e os meses, e os anos, e as situações políticas, e as gerações e os sentimentos, e as ideias. Cada olimpíada3 traz nas mãos uma nova andaina4 do tempo. [...]


          Duas coisas, entretanto, perduram no meio da instabilidade universal: 1o a constância da polícia, que todos os anos declara editalmente ser proibido queimar fogos, por ocasião das festas de S. João e seus comensais; 2o a disposição do povo em desobedecer às ordens da polícia. A proibição não é simples vontade do chefe; é uma postura municipal de 1856. Anualmente aparece o mesmo edital, escrito com os mesmos termos; o chefe rubrica essa chapa inofensiva, que é impressa, lida e desrespeitada. Da tenacidade com que a polícia proíbe, e da teimosia com que o povo infringe a proibição, fica um resíduo comum: o trecho impresso e os fogos queimados.


    (Machado de Assis. Notas semanais, 2008.)


    1 estrugir: soar ou vibrar fortemente.


    2 ridicularia: coisa mínima e sem importância; insignificância.


    3 olimpíada: período de quatro anos.


    4 andaina: veste.

    De acordo com o cronista,
    Escolha uma alternativa para a questão ab041f82-31
  • Linguagens

    Português

    Examine o cartum de Richard Bittencourt, o Fí.


    Imagem da questão de Português, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto 2024, Interpretação de Textos


    (Richard Bittencourt. As lágrimas sinceras de Júlio Gilson, 2023.)


    Para obter seu efeito de humor, o cartum explora o seguinte recurso expressivo: 

    Escolha uma alternativa para a questão ab018db6-31
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga. 



    Cai a cinta a Vênus1 bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada2 entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    O tesouro se procura,

    Os desejos se interessam,

    Os cuidados já se apressam,

    E a ternura vai também. 


    Empenhou-se, ó Glaura, o zelo;

    Mas em vão: que perda triste!

    Só eu vi, sei onde existe;

    E dizê-lo não convém. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Roubador do puro ornato

    Foi Antero e foi Cupido3;

    E o levaram escondido

    Com recato, eu sei a quem.


    Receosos pelo insulto,

    Que traidores cometeram,

    No teu seio se acolheram,

    Onde oculto asilo têm. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Dos meus olhos não se escondem

    Os meninos4 , a quem amo:

    Se os procuro, espreito e chamo,

    Correspondem, mas não vêm.


    Com acenos expressivos

    De alegria suspeitosa

    Mostram faixa preciosa,

    Que atrativos mil contêm. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Se piedade aflito rogo,

    E que cessem teus rigores,

    (Ah cruéis, lindos Amores!)

    Fogem logo e com desdém. 


    Abrandá-los não consigo,

    E já deles tenho medo:

    Guarda, Ninfa, este segredo,

    Que não digo a mais ninguém. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.



    (Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.)



    1Vênus: deusa do Amor.

    2 turbada: aflita, transtornada.

    3Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus.

    4meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido.

    Está empregado como pronome apassivador o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão aaff0fc4-31
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga. 



    Cai a cinta a Vênus1 bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada2 entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    O tesouro se procura,

    Os desejos se interessam,

    Os cuidados já se apressam,

    E a ternura vai também. 


    Empenhou-se, ó Glaura, o zelo;

    Mas em vão: que perda triste!

    Só eu vi, sei onde existe;

    E dizê-lo não convém. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Roubador do puro ornato

    Foi Antero e foi Cupido3;

    E o levaram escondido

    Com recato, eu sei a quem.


    Receosos pelo insulto,

    Que traidores cometeram,

    No teu seio se acolheram,

    Onde oculto asilo têm. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Dos meus olhos não se escondem

    Os meninos4 , a quem amo:

    Se os procuro, espreito e chamo,

    Correspondem, mas não vêm.


    Com acenos expressivos

    De alegria suspeitosa

    Mostram faixa preciosa,

    Que atrativos mil contêm. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Se piedade aflito rogo,

    E que cessem teus rigores,

    (Ah cruéis, lindos Amores!)

    Fogem logo e com desdém. 


    Abrandá-los não consigo,

    E já deles tenho medo:

    Guarda, Ninfa, este segredo,

    Que não digo a mais ninguém. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.



    (Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.)



    1Vênus: deusa do Amor.

    2 turbada: aflita, transtornada.

    3Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus.

    4meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido.

    Dois pronomes átonos, quando ocorrem numa mesma oração, podem ser contraídos, como no verso “Pede aos mares que lha deem.”, em que “lha” é a junção de “lhe” + “a”. Esses pronomes referem-se, respectivamente, a
    Escolha uma alternativa para a questão aafc7d9d-31
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga. 



    Cai a cinta a Vênus1 bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada2 entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    O tesouro se procura,

    Os desejos se interessam,

    Os cuidados já se apressam,

    E a ternura vai também. 


    Empenhou-se, ó Glaura, o zelo;

    Mas em vão: que perda triste!

    Só eu vi, sei onde existe;

    E dizê-lo não convém. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Roubador do puro ornato

    Foi Antero e foi Cupido3;

    E o levaram escondido

    Com recato, eu sei a quem.


    Receosos pelo insulto,

    Que traidores cometeram,

    No teu seio se acolheram,

    Onde oculto asilo têm. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Dos meus olhos não se escondem

    Os meninos4 , a quem amo:

    Se os procuro, espreito e chamo,

    Correspondem, mas não vêm.


    Com acenos expressivos

    De alegria suspeitosa

    Mostram faixa preciosa,

    Que atrativos mil contêm. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Se piedade aflito rogo,

    E que cessem teus rigores,

    (Ah cruéis, lindos Amores!)

    Fogem logo e com desdém. 


    Abrandá-los não consigo,

    E já deles tenho medo:

    Guarda, Ninfa, este segredo,

    Que não digo a mais ninguém. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.



    (Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.)



    1Vênus: deusa do Amor.

    2 turbada: aflita, transtornada.

    3Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus.

    4meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido.

    No poema, o eu lírico manifesta um sentimento contraditório em relação aos filhos de Vênus. Tal sentimento contraditório está explícito no seguinte trecho: 
    Escolha uma alternativa para a questão aaf6ec1f-31
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    Português

    Para responder à questão, leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga. 



    Cai a cinta a Vênus1 bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada2 entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    O tesouro se procura,

    Os desejos se interessam,

    Os cuidados já se apressam,

    E a ternura vai também. 


    Empenhou-se, ó Glaura, o zelo;

    Mas em vão: que perda triste!

    Só eu vi, sei onde existe;

    E dizê-lo não convém. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Roubador do puro ornato

    Foi Antero e foi Cupido3;

    E o levaram escondido

    Com recato, eu sei a quem.


    Receosos pelo insulto,

    Que traidores cometeram,

    No teu seio se acolheram,

    Onde oculto asilo têm. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Dos meus olhos não se escondem

    Os meninos4 , a quem amo:

    Se os procuro, espreito e chamo,

    Correspondem, mas não vêm.


    Com acenos expressivos

    De alegria suspeitosa

    Mostram faixa preciosa,

    Que atrativos mil contêm. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Se piedade aflito rogo,

    E que cessem teus rigores,

    (Ah cruéis, lindos Amores!)

    Fogem logo e com desdém. 


    Abrandá-los não consigo,

    E já deles tenho medo:

    Guarda, Ninfa, este segredo,

    Que não digo a mais ninguém. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.



    (Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.)



    1Vênus: deusa do Amor.

    2 turbada: aflita, transtornada.

    3Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus.

    4meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido.

    Depreende-se do poema que Antero e Cupido se esconderam
    Escolha uma alternativa para a questão aaf3f10f-31