Sou um homem arrasado. Doença? Não. Gozo perfeita saúde.

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Enunciado

    Sou um homem arrasado. Doença? Não. Gozo perfeita saúde.
  O que estou é velho. Cinquenta anos pelo S. Pedro. Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta casca espessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada.
    Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber para quê! Comer e dormir como um porco! Levantar-se cedo todas as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez! Que porcaria! Não é bom vir o diabo e levar tudo?

RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1979. p. 179-180.


Na percepção que constrói de si mesmo, o sujeito-narrador

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Resposta Bexpressa, ao escrever o seu livro, a sensação de aniquilamento em face da vida que escolheu.

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