Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
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Descobrimento
Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.
Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
muito longe de mim,
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos
olhos
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu...
(ANDRADE, Mário de. Poesias completas. Belo Horizonte – São Paulo:
Itatiaia – Edusp, 1987.)
Mário de Andrade, autor do poema anterior, fez parte do
grupo que idealizou a Semana de Arte Moderna. Acerca da
linguagem empregada pelo poeta em “Descobrimento”,
pode-se afirmar que:
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