Uma obra de arte pode denominar-se revolucionária se, em virtude da transformação estética, representar, no destino exemplar dos…
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Uma obra de arte pode denominar-se revolucionária se,
em virtude da transformação estética, representar, no destino
exemplar dos indivíduos, a predominante ausência de liberdade,
rompendo assim com a realidade social mistificada e petrificada e abrindo os horizontes da libertação. Esta tese implica que
a literatura não é revolucionária por ser escrita para a classe
trabalhadora ou para a “revolução”. O potencial político da
arte baseia-se apenas na sua própria dimensão estética. A sua
relação com a práxis (ação política) é inexoravelmente indireta e frustrante. Quanto mais imediatamente política for a obra
de arte, mais reduzidos são seus objetivos de transcendência e
mudança. Nesse sentido, pode haver mais potencial subversivo
na poesia de Baudelaire e Rimbaud que nas peças didáticas de
Brecht.
(Herbert Marcuse. A dimensão estética, s/d.)
Segundo o filósofo, a dimensão estética da obra de arte caracteriza-se por
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