Gato que brincas na rua Como se fosse na cama, Invejo a sorte que é tua Porque nem sorte se chama.

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Enunciado

TEXTO 4

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
 Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

(Fernando Pessoa. Obras completas. 9 ed., Lisboa: Edições Ática.
1973, p. 133). 
Uma análise do poema de Fernando Pessoa nos leva a admitir que:

1) há uma espécie de lamento frente às desigualdades de condições constatadas entre os supostos interlocutores.
2) quem fala acredita estar em clara desvantagem e fundamenta as razões de seu desengano.
3) o discurso tem a estrutura de um diálogo face a face, embora o ouvinte esteja apenas presumido.
4) a condição humana, pelos sentidos expressos no poema, parece estar sujeita a grandes complexidades.
5) as ‘leis fatais’, que ‘regem pedras e gentes’, são flexíveis, gerais e necessariamente contingentes.

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