Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados de Mas em que mundo tu vive, de José Falero.
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Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados de Mas em que mundo tu
vive, de José Falero.
Eu também poderia contar aqui sobre como os colegas me chamavam, na época em que trabalhei
num certo supermercado: macaco branco, babuíno malpassado. Ou, então, poderia falar sobre como
o pessoal da Bela Vista, onde trabalhei como porteiro, corria a guardar o celular tão logo botava os
olhos em mim.
Aqui na Lomba do Pinheiro existe uma lenda conhecida como C98, ou Circular Pinheiro. Esse ônibus
– que dá mil e uma voltas no bairro pra depois ir morrer de cansado lá no alto do Campus do Vale –,
nossa mãe!, o bicho passa quando bem entende. A coisa é tanta que as pessoas nunca sabem dizer
com certeza se a linha ainda tá funcionando.
– Vem cá, e o C98, que nunca mais vi, hein? Será que ainda existe aquilo?
– Ué, e já existiu mesmo alguma vez? Ouvi falar desse troço aqui e ali, mas ver, ver, que é bom,
nunca nem vi.
Pois o troço existe mesmo. E no ano passado, quando comecei a estudar no Colégio de Aplicação, me
dei conta de que o C98 era a linha que melhor me servia na ida da Pinheiro pro campus.
A partir das leitura dos excertos e da leitura integral da obra Mas em que mundo tu vive, considere as
seguintes afirmações.
I - A obra contém textos divididos em quatro seções: “Assalariados”, “Em construção”, “Branco é a
vó” e “Entre as tripas e a razão”. Nesse conjunto de crônicas, o autor se compromete em denunciar
questões como as desigualdades econômica e social e o racismo estrutural.
II - O projeto literário de Falero revela-se no desejo de assumir-se como voz oriunda da periferia. Tal
intenção é reiterada em diferentes passagens de suas crônicas, ainda que não seja enunciada de
forma literal, transparecendo tanto na escolha temática quanto na elaboração estilística de seus
textos.
III- O autor das crônicas constrói sua escrita de modo a recriar o ritmo da fala, sobretudo aquela
própria da periferia de Porto Alegre, seu lugar de origem. Suas crônicas apresentam,
frequentemente, gírias e formas de expressão que rompem com a norma culta padrão.
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