Ciências Humanas
História
- História do Brasil
- Prova de 2023
- IFN-MG
- Dificuldade: Muito fácil
- Código da questão: AAA1399B-B1
No trecho do livro “Quarto de despejo” a seguir, a escritora Carolina Maria de Jesus rememora uma data importante
para a história do Brasil, o dia da Abolição:
“13 de maio de 1958.
Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpático para mim. É o dia da Abolição. Dia que comemoramos a libertação
dos escravos.
Continua chovendo. Eu tenho só feijão e sal. A chuva está forte. Mesmo assim mandei os meninos para a escola.
Estou escrevendo até passar a chuva, para eu ir lá no senhor Manuel vender os ferros. Com o dinheiro dos ferros
vou comprar arroz e linguiça. A chuva passou um pouco. Vou sair.
Eu tenho tanto dó dos meus filhos. Quando eles veem as coisas de comer eles bradam: Viva a mamãe. A
manifestação me agrada. Mas eu já perdi o hábito de sorrir. Dez minutos depois eles querem mais comida. Eu
mandei o João pedir um pouquinho de gordura pra Dona Ida. Ela não tinha. Mandei-lhe um bilhete assim: Dona Ida
peço-te se pode me arranjar um pouco de gordura, para eu fazer uma sopa para os meninos. Hoje choveu e eu não
pude ir catar papel. Agradeço. Carolina.
Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno a gente come mais. A minha filha Vera começou pedir comida.
E eu não tinha. Era a reprise do espetáculo. Eu estava com dois cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha
para fazer um virado. Fui pedir um pouco de banha a dona Alice. Ela me deu a banha e arroz. Era 9 horas da noite
quando comemos.
E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual, a fome!”
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Francisco Alves, 2004. p. 29.
A partir do texto e sobre a abolição da escravidão no Brasil, é possível afirmar:







