Sociologia
- O nascimento da sociologia
- Prova de 2024
- UEG
- Dificuldade: Fácil
- Código da questão: 7DCBB455-68
Questões filtradas
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Texto 01
VII. Só podemos duvidar se existirmos: esse é o primeiro conhecimento que adquirimos quando filosofamos ordenadamente.
Como rejeitamos assim tudo aquilo em que podemos cogitar a menor dúvida ou mesmo imaginamos ser falso, supomos facilmente, com efeito, que não há Deus, nem céu, nem corpos, e que nós mesmos não temos nem mãos nem pés, tampouco, finalmente, um corpo; mas não podemos da mesma maneira supor que não existimos enquanto duvidamos da verdade de todas essas coisas; pois é repugnante conceber que aquilo que pensa não existe no momento em que pensa. Por conseguinte, o conhecimento PENSO, LOGO EXISTO, é o primeiro e mais certo que se apresenta àquele que filosofa ordenadamente.
DESCARTES, René. Princípios da Filosofia. 2. ed. São Paulo: Rideel, 2007. p. 27.
Texto 02
Um conceito básico convencional, que no momento ainda é algo obscuro, mas que nos é indispensável na psicologia, é o de um ‘instinto’. Podemos afirmar que um instinto é um estímulo aplicado à mente. Em primeiro lugar, um estímulo instintual não surge do mundo exterior, mas de dentro do próprio organismo. Por esse motivo ele atua diferentemente sobre a mente, e diferentes ações se tornam necessárias para removê-lo. Um instinto jamais atua como uma força que imprime um impacto momentâneo, mas sempre como um impacto constante. Considerando a vida mental de um ponto de vista biológico, um ‘instinto’ nos aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em consequência de sua ligação com o corpo.
FREUD, Sigmund. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Vol. XIV. Ed. Standart Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 123- 127. [Adaptado].
Analisando-se os textos apresentados e situando-os no contexto em que foram produzidos, verificamos o seguinte:
Michel Foucault, em seu livro Arqueologia do saber, propõe a noção de “formação discursiva” e a apresenta do seguinte modo: “No caso em que se puder descrever, entre um certo número de enunciados, [um] sistema de dispersão, e no caso em que entre os objetos, os tipos de enunciados, os conceitos, as escolhas temáticas, se puder definir a regularidade (ordem, correlações, posições e funcionamentos, transformações), diremos, por convenção, que se trata de uma formação discursiva”.
FOUCAULT, Michel. Arqueologia do saber. 8. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2022. p. 47.
Uma implicação da noção de formação discursiva para os discursos que se produzem nos diversos campos do saber é que
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou nesta sexta-feira (05/01/2024) o relatório mensal elaborado pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) sobre a Balança Comercial Brasileira, referente a 2023. De acordo com o relatório, o País bateu recorde de exportações no ano passado, com 339,7 bilhões de dólares, crescimento de 1,7% em relação a 2022 [...]. O saldo comercial também foi inédito: 98,8 bilhões de dólares, isto é, um aumento de 60,6% em relação ao ano anterior (61,5 bilhões).
[…]
O relatório aponta ainda que o setor agropecuário respondeu por 24% das exportações brasileiras, somando 81,5 bilhões de dólares em 2023, com crescimento de 9% ao longo do ano. Os itens mais exportados foram: soja, com 15,6% de participação; óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (12,52%); minério de ferro e seus concentrados (8,98%).
Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202401/exportacoes-brasileiras-cresceram-dez-vezes-mais-do-que-a-media-mundialem-2023-afirma-vice-presidente. Acesso em: 21 fev. 2024.
Sobre os dados da balança comercial brasileira na atualidade e considerando o cenário da produção agrícola no Brasil, verifica-se:
Leia a definição a seguir.
Gruta ou caverna
Cavidade de formas variadas que aparecem frequentemente nas rochas calcárias ou em arenitos de cimento calcário. Estes buracos são realizados pela dissolução do carbonato de cálcio produzida pelo ácido carbônico, pela erosão mecânica e também pela pressão hidrostática.
GUERRA, A. T. e GUERRA, A. J. T. Novo Dicionário Geológico – Geomorfológico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997, p.331.
Tal formação ocorre em rochas
Em maio de 1977, um mês e um dia depois de fechar o Congresso e decretar o Pacote de Abril, o general presidente Ernesto Geisel disse a jornalistas franceses que o Brasil era uma democracia “relativa”. Na entrevista, Geisel negou a prática de torturas e assassinatos políticos no país.
(Adaptado de http://memorialdademocracia.com.br/card/pais-tem-de mocracia-relativa-diz-geisel. Acesso em: 23/08/20
Tendo em vista seus conhecimentos sobre o regime militar e considerando o texto acima, assinale a alternativa correta.
Na Lei de Terras de 1850, podia-se ler o seguinte artigo: “Art. 12. O Governo reservará das terras devolutas as que julgar necessárias: 1º, para a colonização dos indígenas; 2º, para a fundação de povoações, abertura de estradas, e quaisquer outras servidões, e assento de estabelecimentos públicos; 3º, para a construção naval”.
A Lei de Terras

(Censo Demográfico 2022: Quilombolas – Primeiros Resultados do Universo. Adaptado de Agência IBGE: Brasil tem 1,3 milhão de quilombolas em 1.696 municípios (ibge.gov.br). Acesso em: 16/09/2023.)
Tendo em vista seus conhecimentos sobre as populações quilombolas no Brasil e considerando os dados da figura, assinale a alternativa correta.

(Agência Nacional de Águas. Disponível em: https://metadados.snirh.gov.br/geonetwork/srv/api/records/0574947a-2c5b-48d2-96a4-b07c4702bbab. Acesso em: 22/11/2023.)
Tendo em vista seus conhecimentos sobre as bacias hidrográficas presentes no território brasileiro e considerando o mapa fornecido, indique a alternativa correta.
O gráfico a seguir retrata a dinâmica populacional e a Transição Demográfica (TD) do Brasil desde 1880, com projeção até 2100.

(Adaptado de ALVES, J.E.D. A transição demográfica nos 200 anos da Independência do Brasil.)
Considere o gráfico acima, seus conhecimentos sobre a Taxa Bruta de Natalidade (TBN), a Taxa Bruta de Mortalidade (TBM) e o crescimento Vegetativo ou Natural da população brasileira e indique a alternativa que faz a análise correta do período de 1950 a 2020.
Nos últimos anos, o avanço do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, somado ao desmonte de políticas públicas, foram importantes indutores de impactos socioambientais e de mortes junto à população indígena que habita essa terra.
Assinale a alternativa que indica corretamente a região de localização da Terra Indígena Yanomami e os impactos socioambientais resultantes do avanço do garimpo ilegal.
Brasil tem 1,7 milhão de indígenas e mais da metade deles vive na Amazônia Legal
Em 2022, o número de indígenas residentes no Brasil era em torno de 1.700.000 pessoas, o que representava cerca de 0,83% da população total do país. Em 2010, o IBGE contou 896.917 indígenas, ou 0,47% do total de residentes no território nacional. Isso significa que esse contingente teve uma ampliação em torno de 88,82% desde o Censo Demográfico anterior. Esse aumento expressivo pode ser explicado pelas mudanças metodológicas do levantamento do censo que possibilitou a autodeclaração indígena. (Adaptado de https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias. Acesso em: 24/11/2023.)
A divisão da população indígena por região – tendo em vista o Censo de 2022 – é apresentada no gráfico a seguir.

De acordo com informações do texto e do gráfico acima, podemos afirmar que a população indígena na região Nordeste, em 2022, é de aproximadamente
Considere o texto abaixo.
Em 2022, havia no país 59,6 milhões de casas ocupadas, nas quais residiam 171,3 milhões de pessoas. A maioria da população (84,8%) morava nesse tipo de residência. O segundo tipo mais encontrado foi apartamento, categoria de domicílio na qual residiam 12,5% da população. Apesar de registrar uma expansão dos domicílios do tipo apartamento, o Censo Demográfico 2022 mostrou que, dos 5.570 municípios brasileiros, em apenas três predominava essa modalidade. São exceções nacionais, mas com características peculiares e diferentes entre si.
Adaptado de: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/> . Acesso em: 18 jul. 2024.
Com base no texto acima, leia os fragmentos 1 e 2 a seguir.
1 - Com uma atividade mobiliária intensa nos últimos anos e sendo um destino turístico importante, esse município viu o percentual de moradores em apartamentos saltar de 48,9% para 57,2% do Censo 2010 para o Censo 2022. A cidade tem chamado a atenção pelo grande número de arranhacéus construídos recentemente.
2 - O município tem uma área relativamente pequena, com população de porte médio e inserida em uma Região Metropolitana, estando consideravelmente próxima ao centro da capital.
Assinale a alternativa que identifica os municípios descritos nos fragmentos 1 e 2, respectivamente.
Considere a figura abaixo que mostra dados do Censo 2022 relativos ao saneamento básico no Brasil.

Disponível em: <https://www.poder360.com.br/brasil/757-dos-brasileiros-tem-acesso-a-saneamento-basico-dizcenso/>. Acesso em: 16 jul. 2024.
Sobre a situação do saneamento básico brasileiro, assinale a alternativa correta.
Considere o texto abaixo.
O caso que mais ganhou destaque neste período foi a morte do jornalista Wladimir Herzog, em 26 de outubro de 1975, nas dependências do Centro de Operações para a Defesa Interna (CODI), em São Paulo. Herzog, que se apresentou espontaneamente às autoridades militares, morreu sob a tutela do Estado. (…) E meses após este “incidente”, em 17 de janeiro de 1976, a morte do operário Manuel Fiel Filho, nas mesmas condições em que morreu Herzog, deixava claro esta situação de descontrole.
DA SILVA, F. C. T. A modernização autoritária: do golpe militar à redemocratização 1964/1984. In: LINHARES, M. Y. História geral do Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1990.
Os eventos sobre os anos finais da ditadura militar no Brasil, narrados no texto, estão diretamente relacionados
Em 13 de agosto de 2024, em São Paulo, faleceu Takashi Morita, aos 100 anos. Japonês, pacifista, sobrevivente da bomba atômica de Hiroshima (06/08/1945). Em 2017, Takashi Morita publicou o livro A Última Mensagem de Hiroshima. Na obra, aborda sua vida no Japão antes e depois da guerra – incluindo o dia da explosão e seus desdobramentos – e o recomeço no Brasil. Escreveu:
“Esse foi apenas o começo do dia. Então se passou mais uma situação estranhíssima: começou a cair do céu uma chuva preta e espessa. Eram pingos mornos e enormes, que chegavam a machucar quando entravam em contato com a nossa pele e caíam da enorme nuvem negra que encobria toda a cidade. [...] Recebendo essa chuva negra, que não era óleo, mas uma chuva radioativa, a minha queimadura na nuca começou a arder ainda mais e ficou inchada”.
Nessa descrição, é possível perceber como o sobrevivente já sentia os efeitos da explosão ocorrida naquele dia. A bomba, que caiu às 08h15min da manhã, era um dos resultados do “projeto Manhattan”, dos Estados Unidos, no qual esteve envolvido Robert Oppenheimer. Os ataques atômicos dos EUA sobre o Japão foram um dos últimos capítulos do conflito iniciado na década anterior e amplificados após o ataque japonês à base de Pearl Harbor em 1941.
Com base nas informações acima, assinale a alternativa correta sobre a Segunda Guerra Mundial.
Considere o texto abaixo.
Dizem que, se você olhar para o mar por muito tempo, cenas do passado renascerão. Dizem que “o mar é história”. E “o mar não tem nada para mostrar além de uma bem escavada sepultura”. Encarando o Atlântico, pensei na garota. Havia inúmeras outras enterradas no fundo do oceano, mas ela era aquela em que eu pusera meus olhos. Se me concentrasse o bastante, poderia ver tudo acontecendo novamente. (…) O capitão, o médico e os abolicionistas, todos discordavam sobre o que ocorrera no convés do Recovery, ainda que todos insistissem em dizer que estavam tentando salvar a vida da garota. A esse respeito, eu sou tão responsável quanto todos os outros. Eu também estou tentando salvar a vida da garota, não da morte, da doença ou de um tirano, mas do esquecimento. Entretanto, não tenho certeza se é possível salvar uma existência a partir de um punhado de palavras: o suposto assassinato de uma garota negra. Sua vida era impossível de ser reconstruída, nem mesmo seu nome sobreviveu. (…) Umas poucas linhas de uma transcrição judicial mofada formam a história inteira da vida de uma garota.
HARTMAN, S. Perder a mãe: uma jornada pela rota atlântica da escravidão. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
O enfoque principal do trecho do livro “Perder a mãe...”, da pesquisadora Saidiya Hartman, aborda um problema enfrentado para a investigação e a pesquisa da história da escravidão e da diáspora Africana, que diz respeito