História
- História do Brasil
- Prova de 2023
- Universidade do Estado da Bahia
- Dificuldade: Fácil
- Código da questão: BCE0EF15-C4
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Leia, atentamente, a transcrição de trechos do documento enviado à Comissão de Anistia:
“Várzea da Palma, 21 de agosto de 2002.
Excelentíssimo Senhor:
Presidente da Comissão de Anistia
Vimos, respeitosamente, à presença desta Comissão requerer os direitos de anistiado político, em favor de Flávio Ferreira da Silva.
Flávio Ferreira da Silva era natural da cidade de Pirapora (MG), de nacionalidade brasileira, nascido aos 07-12- 1934. [...]
Esclareço, portanto, que Flávio Ferreira da Silva foi preso e torturado, durante o período militar, que vigorou no país a partir de março de 1964. Foi punido com a cassação de seu mandato eletivo, na cidade de Três Marias (MG), onde acabara de ocupar o cargo de Prefeito Municipal; vale ressaltar que foi o primeiro prefeito eleito daquela cidade. [...]
Fomos condenados a viver sem um pai amoroso, responsável, que nos ensinou a ler e nos fazia valorizar acima de tudo os estudos. Para piorar ainda mais a situação, perdemos no mesmo dia a nossa mãe, nosso amparo e toda nossa fonte de segurança e formação Estamos requerendo os seguintes direitos do Artigo 1° da Medida Provisória n.° 2.151-3, de 24 de agosto de 2001:
Inciso I – Declaração da condição de anistiado político;
Inciso II – Reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação mensal, permanente e continuada.
Desde já, agradecemos a atenção.”
Fonte: ARQUIVO NACIONAL. DOSSIÊ. Fundo: Comissão especial sobre mortos e desaparecidos políticos. Adaptado.
O documento faz referência ao processo de prisão e tortura do prefeito da cidade de Três Marias pela ditadura civilmilitar (1964-1985) e foi enviado pelos seus filhos, radicados em Várzea da Palma, município da região do Alto São Francisco.
A repressão, na ditadura civil-militar no Brasil,
Leia o trecho a seguir: A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito. Nas mais remotas épocas da história, verificamos, quase por toda parte, uma completa estruturação da sociedade em classes distintas, uma múltipla gradação das posições sociais. […] Entretanto, a nossa época [...] caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade divide-se, cada vez mais, em dois campos opostos, em duas grandes classes em confronto direto: a burguesia e o proletariado.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 1998. pp. 40-41. A luta de classes opõe contrários numa relação dialética.
O que isso significa? Assinale a alternativa correta.
Leia o fragmento a seguir:
Na verdade, a política do Ocidente — da URSS às Américas, passando pela Europa — pode ser mais bem entendida não como uma disputa entre Estados, mas como uma guerra civil ideológica internacional. (Como veremos, esta não é a melhor maneira de entender a política da África, da Ásia e do Extremo Oriente, dominados pelo colonialismo — ). E, conforme vimos, as linhas divisórias cruciais nesta guerra civil não foram traçadas entre o capitalismo como tal e a revolução social comunista, mas entre famílias ideológicas: de um lado, os descendentes do Iluminismo do século XVIII e das grandes revoluções, incluindo, claro, a russa; do outro, seus adversários. Em suma, a fronteira passava não entre capitalismo e comunismo, mas entre o que o século XIX teria chamado de "progresso" e a "reação" — só que esses termos já não eram exatamente opostos.
HOBSBAWM, Eric J. A era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995. pp.145-146.
Sobre o contexto analisado pelo autor, assinale a alternativa correta.
Leia o seguinte fragmento:
Afirmou-se várias vezes que a ideologia racial foi uma invenção alemã. Se assim realmente fosse, então o "modo de pensar alemão" teria influenciado uma grande parte do mundo intelectual muito antes que os nazistas se engajassem na malograda tentativa de conquistar o mundo. Pois se o hitlerismo exerceu tão forte atração internacional e intereuropeia durante os anos 30, é porque o racismo, embora promovido a doutrina estatal só na Alemanha, refletia a opinião pública de todos os países. Se a máquina de guerra política dos nazistas já funcionava muito antes de setembro de 1939, quando os tanques alemães iniciaram a sua marcha destruidora invadindo a Polônia, é porque Hitler previa que na guerra política o racismo seria um aliado mais forte na conquista de simpatizantes do que qualquer agente pago ou organização secreta de quinta-colunas.
ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p.188.
Sobre o racismo e suas relações com o imperialismo, assinale a alternativa correta.
Segundo o historiador inglês E. P. Thompson:
Se retornarmos ao tema da disciplina do trabalho, ou ao das mudanças nos padrões familiares de conduta e lazer e aos valores comunitários durante a industrialização, o campo para o estudo comparativo parece infindável. Basta nos voltarmos para os estudos de Walter Elkan sobre a adaptação ao trabalho em Uganda, ou para a investigação de Beate Salz a respeito do Equador [...], para que paralelos com os séculos XVII e XVIII na Inglaterra e Irlanda saltem das páginas. A familiaridade com os estudos antropológicos de mercados camponeses e tribais — tal como Markets in Africa, de Bohannan e Dalton — impelemnos a revisitar todo o complexo de mercados e feiras da Inglaterra pré-industrial e a vê-lo não só como um nexo econômico, mas também social.
THOMPSON, E. P. As Peculiaridades dos Ingleses In: NEGRO, A. L.; SILVA, S. (orgs). As Peculiaridades dos Ingleses e outros artigos. Campinas: Ed. Unicamp, 2001, p. 194.
Em relação ao tema, assinale a alternativa correta.
Leia o excerto a seguir:
Organizado de maneira diferente nas zonas rurais e urbanas (como o rosto de Janus) este Estado estava bifurcado. Continha uma dualidade: duas formas de poder sob uma só autoridade hegemônica. O poder urbano falava a língua da sociedade civil e dos direitos civis, o poder rural a da comunidade e da cultura. O poder civil afirmava proteger os direitos, o poder consuetudinário prometia fazer cumprir a tradição. O primeiro organizado sob o princípio de diferenciação para frear a concentração de poder, o segundo em torno ao princípio de fusão para assegurar uma autoridade unitária: Duas caras do mesmo Estado bifurcado.
MAMDANI, M. Ciudadano y Súbdito. África contemporánea y el legado del colonialismo tardío. Ed. Siglo XXI, México, 1996, p. 22.
Considerando o exposto pelo autor e relacionando os conhecimentos que existem sobre a formação do Estado na África, assinale a alternativa correta.