Questões do ENEM: Linguagens e Variação Linguística

Use os filtros para chegar às questões que interessam. Cada resultado abre em uma página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

156 questões encontradas. Mostrando a página 1 de 8.

  • B4B2549A-F9

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná · 2025DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Texto II


    Inculta e Bela


    Como todos sabemos, essa expressão saiu da pena de nosso aclamado príncipe dos poetas, Olavo Bilac, logo no primeiro verso do seu famoso soneto “A Língua Portuguesa.” Bela, sim, por que não? As vezes que primeiro ouvimos dos lábios de nossas mães ficam-nos no espírito como pura melodia. “Todos cantam sua terra / Também vou cantar a minha.” E esse canto encantado é música das palavras que nos afagaram no colo materno. Mas inculta? Como assim? O próprio poeta se desmente e contradiz ao se imortalizar no mesmo idioma em que Camões se irmanou ao gênio de Virgílio e Dante. Língua culta e de cultura, eis a coroa que há séculos lhe ornara a fronte, onde resplandecem as galas de patrimônio de uma civilização.


    Nada, pois, que admirar venha a língua portuguesa continuamente atraindo inteligências e dedicações para o seu estudo em tantos dos recantos deste mundo de Deus. E isso em qualquer de suas fases ou de suas modalidades coloquial ou popular.



    ELIA, Sílvio. 50 textos errados e corrigidos, Rio de Janeiro: Gráfica Olímpica. 

    O segmento do Texto II,


    “E isso em qualquer de suas fases ou de suas modalidades coloquial ou popular”, refere-se a modalidades da língua.


    Assinale a frase que apresenta um exemplo da modalidade popular
    Escolha uma alternativa para a questão b4b2549a-f9
  • 5170E47D-47

    Português

    Interpretação de Textos
    FAME · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.



    ‘A Geração Ansiosa’ e a nova caverna de Platão



    Vício da geração Z, internet e as redes sociais são catalisadores para uma infância cada vez mais ansiosa, solitária e fragilizada



    Onde brincam as crianças? [“Where do the children play?”] perguntava‑se Cat Stevens, no rescaldo da contracultura, numa canção belíssima de crítica ao desenvolvimento técnico e ao crescimento econômico desenfreado. Entre muitas outras coisas, os versos de Stevens aludiam ao fuzuê urbano e à falta de espaço nas cidades. O tempo respondeu à pergunta de Stevens de maneira inusitada: elas brincam em seus celulares.



    [...]


    LEITE, J. G. P. ‘A Geração Ansiosa’ e a nova caverna de Platão. Carta Capital. Disponível em: https://www.cartacapital. com.br/opiniao/a-geracao-ansiosa-e-a-nova-caverna-de-platao/. Acesso em: 20 fev. 2025. [Fragmento]

    A escolha da palavra “fuzuê” reforça a intencionalidade comunicativa do texto porque
    Escolha uma alternativa para a questão 5170e47d-47
  • A91F2742-04

    Português

    Interpretação de Textos
    UFGD · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    “Machado de Assis com sotaque carioca? ‘Brás Cubas’ ganha um novo viral.”


    Mais de cem anos após sua primeira publicação, o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas voltou a ser assunto no Brasil. Com o sucesso de um TikTok, em que uma leitora americana se encantava pela obra de Machado de Assis, mais discussões sobre o livro e o autor vieram à tona – e uma nova brincadeira tomou conta das redes sociais.


    Como relembrado por internautas, Machado de Assis nasceu e viveu no Rio de Janeiro. Com isso, muitos retomaram uma discussão que surgiu em 2021: qual era o sotaque do escritor? “Ele provavelmente falava ‘Memóriax Poxtumax de Braix Cubax’”, brincou um usuário do X (antigo Twitter).


    Conhecida por seu sotaque carregado, a influenciadora Baueny Barroco entrou na brincadeira e releu o primeiro trecho de Memórias Póstumas de Brás Cubas em “carioquês”. O áudio rapidamente viralizou e, no último sábado, 25, até a apresentadora Maria Beltrão entrou na brincadeira.


    Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/machado-de-assis-com-sotaque-carioca-trecho-de-bras-cubas-viranovo-meme-viral-entenda-nprec/. Acesso em: 27 jun. 2024.



    A notícia, ao abordar o possível sotaque de Machado de Assis, remete ao fenômeno da variação geográfica ou diatópica. Sobre o fenômeno da variação linguística, é correto afirmar que uma língua se constitui 

    Escolha uma alternativa para a questão a91f2742-04
  • 07DB50FB-D9

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Dois países, três cidades, uma só comunidade 


         Cidades separadas por fronteira seca reúnem paranaenses, catarinenses e argentinos em uma integração. Essa irmandade entre os municípios é perceptível não apenas pela relação geográfica. Nas ruas ou no comércio, é fácil encontrar quem trabalhe em uma cidade e viva na outra. É comum perceber um sotaque quase indefinido, misturando português e espanhol, resultado da convivência entre brasileiros e argentinos. Palavras como camiáu (caminhão) não são encontradas nem no espanhol nem no português vernáculos, apenas no portunhol. Tal situação, de contato linguístico, é muito comum nas fronteiras de países ou até mesmo dentro de um país em que duas línguas coexistem, em regiões próximas a países fronteiriços ou em comunidades bilíngues. 


    Disponível em: www.gazetadopovo.com.br.

    Acesso em: 12 dez. 2023 (adaptado).



    De acordo com esse texto, a palavra “camiáu” é um exemplo de fenômeno que revela a



    Escolha uma alternativa para a questão 07db50fb-d9
  • 079EB9CB-D9

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Cotidiano


    [...]


    Seis da tarde como era de se esperar
    Ela pega e me espera no portão
    Diz que está muito louca pra beijar
    E me beija com a boca de paixão


    Toda noite ela diz pra eu não me afastar
    Meia-noite ela jura eterno amor
    E me aperta pra eu quase sufocar
    E me morde com a boca de pavor


    Todo dia ela faz tudo sempre igual
    Me sacode às seis horas da manhã
    Me sorri um sorriso pontual
    E me beija com a boca de hortelã


    CHICO BUARQUE. Construção. São Paulo:
    Phonogram / Philips, 1971 (fragmento).




    Nessa letra de canção, que retrata o cotidiano de um casal, há marca de uso coloquial da língua portuguesa em
    Escolha uma alternativa para a questão 079eb9cb-d9
  • 5DDC996F-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Falar errado é uma arte, Arnesto!

       
          No dia 6 de agosto de 1910, Emma Riccini Rubinato pariu um garoto sapeca em Valinhos e deu a ele o nome de João Rubinato. Na escola, João não passou do terceiro ano. Não era a área dele, tinha de escolher outra. Fez o que apareceu. Foi ser garçom, metalúrgico, até virar radialista, comediante, ator de cinema e TV, cantor e compositor. De samba.

        Como tinha sobrenome italiano, João resolveu mudar para emplacar seu samba. E como ia mudar o sobrenome, mudou o nome. Virou Adoniran Barbosa. O cara falava errado, voz rouca, pinta de malandro da roça. Virou ícone da música brasileira, o mais paulista de todos, falando errado e irritando Vinicius de Moraes, que ficou de bico fechado depois de ouvir a música que Adoniran fez para a letra Bom dia, tristeza, de autoria do Poetinha. Coisa de arrepiar.

          Para toda essa gente que implicava, Adoniran tinha uma resposta neoerudita: “Gosto de samba e não foi fácil, pra mim, ser aceito como compositor, porque ninguém queria nada com as minhas letras que falavam ‘nóis vai’, ‘nóis fumo’, ‘nóis fizemo’, ‘nóis peguemo’. Acontece que é preciso saber falar errado. Falar errado é uma arte, senão vira deboche”.

          Ele sabia o que fazia. Por isso dizia que falar errado era uma arte. A sua arte. Escolhida a dedo porque casava com seu tipo. O Samba do Arnesto é um monumento à fala errada, assim como Tiro ao Álvaro. O erudito podia resmungar, mas o povo se identificava.


    PEREIRA, E. Disponível em: www.tribunapr.com.br. Acesso em: 8 jul. 2024 (adaptado).



    O “falar errado” a que o texto se refere constitui um preconceito em relação ao uso que Adoniran Barbosa fazia da língua em suas composições, pois esse uso
    Escolha uma alternativa para a questão 5ddc996f-d8
  • 5D9898E8-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Maranhenses que moram longe matam a saudade da terra natal usando expressões próprias do estado. Se o maranhês impressiona e desperta a curiosidade de quem mora no próprio Maranhão, imagine de quem vem de outros estados e países? A variedade linguística local é enorme e o modo de falar tão próprio e característico dos maranhenses vem conquistando muita gente e inspirando títulos e muito conteúdo digital com a criação de podcasts, blogs, perfis na internet, além de estampar diversos tipos de produtos e serviços de empresas locais.

    Com saudades do Maranhão, morando há 16 anos no Rio de Janeiro, um fotógrafo maranhense criou um perfil na internet no qual compartilha a culinária, brincadeiras e o ‘dicionário’ maranhês. “A primeira vez que fui a uma padaria no Rio, na inocência, pedi 3 reais de ‘pães misturados’. Quando falei isso, as pessoas pararam e me olharam de uma forma bem engraçada, aí já fiquei ‘encabulado, ó’ e o atendente sorriu e explicou que lá não existia pão misturado e, sim, pão francês e suíço. Depois foi a minha vez de explicar sobre os pães ‘massa grossa e massa fina’”, contou o fotógrafo, com humor.


    Disponível em: https://oimparcial.com.br. Acesso em: 1 nov. 2021 (adaptado).


    A vivência relatada no texto evidencia que as variedades linguísticas
    Escolha uma alternativa para a questão 5d9898e8-d8
  • 5D92DB6B-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    A Língua da Tabatinga, falada na cidade de Bom Despacho, Minas Gerais, foi por muito tempo estigmatizada devido à sua origem e à própria classe social de seus falantes, pois, segundo uma pesquisadora, era falada por “meninos pobres vindos da Tabatinga ou de Cruz de Monte — ruas da periferia da cidade cujos habitantes sempre foram tidos por marginais”. Conhecida por antigos como a “língua dos engraxates”, pois muitos trabalhadores desse ofício conversavam nessa língua enquanto lustravam sapatos na praça da matriz, a Língua da Tabatinga era utilizada por negros escravizados como uma espécie de “língua secreta”, um código para trocarem informações de como conseguir alimentos, ou para planejar fugas de seus senhores sem risco de serem descobertos por eles.

    De acordo com um documento do Iphan (2011), os falantes da língua apresentam uma forte consciência de sua relação com a descendência africana e da importância de preservar a “fala que os identifica na região”. Essa mudança de compreensão tangencia aspectos de pertencimento, pois, à medida que o falante da Língua da Tabatinga se identifica com a origem afro-brasileira, ele passa a ver essa língua como um legado recebido e tem o cuidado de transmiti-la para outras gerações. A concentração de falantes dessa língua está na faixa entre 21 e 60 anos de idade.


    Disponível em: www.historiaeparcerias2019.rj.anpuh.org. Acesso em: 3 fev. 2024 (adaptado).


    A Língua da Tabatinga tem sido preservada porque o(a)
    Escolha uma alternativa para a questão 5d92db6b-d8
  • 5D904188-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
        Evanildo Bechara prepara a sua aposentadoria de pouco em pouco, como se a adiasse ao máximo. Aos 95 anos, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) alcançou um status de astro pop no mundo da filologia e da gramática. Quando ainda tinha saúde para viagens mais longas, o filólogo lotava plateias em suas palestras na Europa e no Brasil, que não raro terminavam com filas para selfies.

         A idade acentuou o lado “cientista” e professoral de Bechara, que adota um tom técnico na conversa até mesmo diante das perguntas mais pessoais. — “Qual o seu tipo preferido de leitura?”. — “A minha leitura está dividida em duas partes, a científica e a literária, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre elas.” — responde.

      Ainda adolescente, Bechara descobriu a lexicologia. Um “novo mundo” se abriu para o pernambucano, que se mantém atento às metamorfoses do nosso idioma. Seu colega de ABL, o filólogo Ricardo Cavaliere, se lembra de quando deu carona para o mestre e este encucou com os estrangeirismos do aplicativo de navegação instalado no veículo. — “A vozinha do aplicativo avisou que havia um radar de velocidade ‘reportado’ à frente”, lembra Cavaliere. — “Esse ‘reportado’ é uma importação, né?”, notou Bechara.

    Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 3 jan. 2024 (adaptado).


    Nesse texto, as falas atribuídas a Evanildo Bechara são representativas da variedade linguística 
    Escolha uma alternativa para a questão 5d904188-d8
  • 5D81C1CC-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Expressões e termos utilizados no Amazonas são retratados em livro e em camisetas



    “Na linguagem, podemos nos ver da forma mais verdadeira: nossas crenças, nossos valores, nosso lugar no mundo”, afirmou o doutor em linguística e professor da Ufam em seu livro Amazonês: expressões e termos usados no Amazonas. Portanto, o amazonense, com todas as suas “cunhantãs” e “curumins”, acaba por encontrar um lugar no mundo e formar uma unidade linguística, informalmente denominada de português “caboco”, que muito se diferencia do português “mineiro”, “gaúcho”, “carioca” e de tantos outros espalhados pelo Brasil. O livro, que conta com cerca de 1100 expressões e termos típicos do falar amazonense, levou dez anos para ser construído. Para o autor, o principal objetivo da obra é registrar a linguagem.

    Um designer amazonense também acha o amazonês “xibata”, tanto é que criou uma série de camisetas estampadas com o nome de Caboquês Ilustrado, que mistura o bom humor com as expressões típicas da região. A coleção conta com sete modelos já lançados, entre eles: Leseira Baré, Xibata no Balde e Até o Tucupi, e 43 ainda na fila de espera. Para o criador, as camisas têm como objetivo “resgatar o orgulho do povo manauara, do povo do Norte”.

    Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).


    A reportagem apresenta duas iniciativas: o livro Amazonês e as camisetas do Caboquês Ilustrado. Com temática em comum, essas iniciativas
    Escolha uma alternativa para a questão 5d81c1cc-d8
  • 2080A3BE-B7

    Português

    Denotação e Conotação
    UNICAMP · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Qual o macete de ‘Macetando’?


    Macetar, verbo transitivo: “golpear (alguém ou algo) com maceta ou macete, um martelo de cabo curto”. A definição está nos dicionários, mas o carnaval, como de praxe, mascarou o significado a seu bel-prazer. O coro da multidão que acompanhou Ivete Sangalo na abertura da folia de Salvador comprova que essa é a época ideal para enriquecer o vocabulário. Música gravada pela cantora baiana com participação de Ludmilla, “Macetando” despontou como hit nacional ao encher a boca do povo com o refrão-chiclete: “Ah, bebê, é a Veveta que tá no comando / Macetando, macetando, macetando...”.

    (Adaptado de CUNHA, G. Qual o macete de ‘macetando’? O Globo (versão online), 10/02/2024.)



    Na letra da música em questão, um dos aspectos que contribuem para o mascaramento do significado de macetar é
    Escolha uma alternativa para a questão 2080a3be-b7
  • 4ABADC1E-75

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    O cronista recorre a expressão própria da linguagem coloquial em:
    Escolha uma alternativa para a questão 4abadc1e-75
  • B48C7ACB-4C

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    ENEM · 2023MédioEntre para guardar nos favoritos
    Proclamação do amor antigramática


    “Dá-me um beijo”, ela me disse,
    E eu nunca mais voltei lá.
    Quem fala “dá-me” não ama,
    Quem ama fala “me dá”
    “Dá-me um beijo” é que é correto,
    É linguagem de doutor,
    Mas “me dá” tem mais afeto,
    Beijo me-dado é melhor.
    A gramática foi feita
    Por um velho professor,
    Por isso é tão má receita
    Pra dizer coisas de amor.
    O mestre pune com zero
    Quem não diz “amo-te”. Aposto
    Que em casa ele é mais sincero
    E diz pra mulher: “te gosto”
    Delírio dos olhos meus,
    Estás ficando antipática.
    Pelo diabo ou por deus
    Manda às favas a gramática.
    Fala, meu cheiro de rosa,
    Do jeito que estou pedindo:
    “Hoje estou menas formosa,
    Com licença, vou se indo”.
    Comete miles de erros,
    Mistura tu com você,
    E eu proclamarei aos berros:
    “Vós és o meu bem querer”.


    LAGO, M. Disponível em: www.mariolago.com.br. Acesso em: 30 out. 2021.



    Nesse poema, o eu lírico defende o uso de algumas estruturas consideradas inadequadas na norma-padrão da língua. Esse uso, exemplificado por “me dá” e “te gosto”, é legitimado
    Escolha uma alternativa para a questão b48c7acb-4c
  • B47CE01A-4C

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    ENEM · 2023Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023



    Disponível em: https://twitter.com/emicida. Acesso em: 23 out. 2021.



    Nessa postagem dirigida aos seus seguidores de rede social, o autor utiliza uma linguagem

    Escolha uma alternativa para a questão b47ce01a-4c
  • A167D326-DF

    Português

    Interpretação de Textos
    CEDERJ · 2022MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2022


    Disponível em: https://www.google.com/search?q=emicida+letra+ amarelo&rlz=1C1ISCS_pt PTBR978BR978&oq=emicida+letra+amarelo &aqs=chrome. 69i57j0i22i30l4j69i64l2.4123j0j7&sourceid = chrome&ie=UTF-8. Acesso em: 06 out. 2022. 

    Num deixo quieto, num tem como deixar quieto/A meta é deixar sem chão quem riu de nóis sem teto, vai ...” (versos 8-9)


    As formas sublinhadas no segmento em análise são características da variante:
    Escolha uma alternativa para a questão a167d326-df
  • 99703D75-7A

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2022MédioEntre para guardar nos favoritos

        Imagem da questão de Português, da prova de 2022

    Os verbos “detonar” e “avariar”, no texto, são exemplos de
    Escolha uma alternativa para a questão 99703d75-7a
  • 2558DD1A-7A

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2022MédioEntre para guardar nos favoritos

    Gírias das redes sociais caem na boca do povo

    Nem adianta fazer a egípcia! Entendeu? Veja o glossário

    com as principais expressões da internet


                Lacrou, biscoiteiro, crush. Quem nunca se deparou com ao menos uma dessas palavras não passa muito tempo nas redes sociais. Do dia para a noite, palavras e frases começaram a definir sentimentos e acontecimentos, e o sucesso desse tour foi parar no vocabulário de muita gente. O dialeto já não se restringe só à web. O contato constante com palavras do ambiente on-line acaba rompendo a barreira entre o mundo virtual e o mundo real. Quando menos se espera, começamos a repetir, em conversas do dia a dia, o que aprendemos na internet. A partir daí, juntamos palavras já conhecidas do nosso idioma às novas expressões.


    Glossário de expressões

    Biscoiteiro: alguém que faz de tudo para ter atenção o tempo inteiro, para ter curtidas.

    Chamar no probleminha: conversar no privado.

    Crush: alguém que desperta interesse.

    Divou: estar muito produzida, sair bem em uma foto, assim como uma diva.

    Fazer a egípcia: ignorar algo.

    Lacrou/sambou: ganhar uma discussão com bons argumentos a ponto de não haver possibilidade de resposta.

    Stalkear : investigar sobre a vida de alguém nas redes sociais.


    Disponível em: https://odia.ig.com.br. Acesso em: 19 jun. 2019 (adaptado).



    Embora migrando do ambiente on-line para o vocabulário das pessoas fora da rede, essas expressões não são consideradas como características do uso padrão da língua porque

    Escolha uma alternativa para a questão 2558dd1a-7a
  • 041370C3-B3

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho a seguir para responder à questão.

    [...]
    — Mãe, quem que leva nossa casa pra outra banda do rio no banhado, quem que leva? Pergunta assim!  
    A velha fez. Macunaíma pediu pra ela ficar com os olhos fechados e carregou todos os carregos, tudo, pro lugar em que estavam de já-hoje no mondongo imundado. Quando a velha abriu os olhos tudo estava no lugar de dantes, vizinhando com os tejupares de mano Maanape e de mano Jiguê com a linda Iriqui. E todos ficaram roncando de fome outra vez.  
    Então a velha teve uma raiva malvada. Carregou o herói na cintura e partiu. Atravessou o mato e chegou no capoeirão chamado Cafundó do Judas. Andou légua e meia nele, nem se enxergava mato mais, era um coberto plano apenas movimentado com o pulinho dos cajueiros. 
    Nem guaxe animava a solidão. A velha botou o curumim no campo onde ele podia crescer mais não e falou: 
    — Agora vossa mãe vai embora. Tu ficas perdido no coberto e podes crescer mais não. 

    Andrade, M. Macunaíma. Porto Alegre: L&PM, 2018.

    Em Macunaíma, Mário de Andrade inova nos padrões linguísticos, nos níveis lexical, morfológico e sintático, ao empregar a linguagem coloquial popular falada como marca de identidade nacional. No trecho acima, essa brasilidade está presente no(a)
    Escolha uma alternativa para a questão 041370c3-b3
  • 0410D62E-B3

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto a seguir para responder à questão. 

    CARTA PRAS ICAMIABAS

    Ás mui queridas súbditas nossas, Senhoras Amazonas.
     Trinta de Maio de Mil Novecentos e Vinte e Seis,
     São Paulo.
     Senhoras:

    Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de saùdade e muito amor, com desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade de São Paulo – a maior do universo, no dizer de seus prolixos habitantes – não sois conhecidas por “icamiabas”, voz espúria, sinão que pelo apelativo de Amazonas; e de vós, se afirma, cavalgardes ginetes belígeros e virdes da Hélade clássica; e assim sois chamadas [...]

    Nem cinco sóis eram passados que de vós nos partíramos, quando a mais temerosa desdita pesou sobre Nós. Por uma bela noite dos idos de maio do ano translato, perdíamos a muiraquitã; que outrém grafara muraquitã, e, alguns doutos, ciosos de etimologias esdrúxulas, ortografam muyrakitan e até mesmo muraqué-itã, não sorriais! Haveis de saber que esse vocábulo, tão familiar às vossas trompas de Eustáquio, é quasi desconhecido por aqui. [...] Mas não nos sobra já vagar para discretearmos “sub tegmine fagi” sobre a língua portuguesa, também chamada lusitana. [...]

    Andrade, M. Macunaíma. Porto Alegre: L&PM, 2018.
    Há efeito de estranhamento para o leitor, porque a escrita difere da língua padrão atual, nas seguintes palavras:
    Escolha uma alternativa para a questão 0410d62e-b3
  • 30906AB1-57

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2021Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Falso moralista

    Você condena o que a moçada anda fazendo
    e não aceita o teatro de revista
    arte moderna pra você não vale nada
    e até vedete você diz não ser artista

    Você se julga um tanto bom e até perfeito
    Por qualquer coisa deita logo falação
    Mas eu conheço bem o seu defeito
    e não vou fazer segredo não

    Você é visto toda sexta no Joá
    e não é só no Carnaval que vai pros bailes se acabar
    Fim de semana você deixa a companheira
    e no bar com os amigos bebe bem a noite inteira

    Segunda-feira chega na repartição
    pede dispensa para ir ao oculista
    e vai curar sua ressaca simplesmente
    Você não passa de um falso moralista

    NELSON SARGENTO. Sonho de um sambista. São Paulo: Eldorado, 1979.
    As letras de samba normalmente se caracterizam por apresentarem marcas informais do uso da língua. Nessa letra de Nelson Sargento, são exemplos dessas marcas
    Escolha uma alternativa para a questão 30906ab1-57