Questões do ENEM: Linguagens e Funções morfossintáticas da palavra QUE

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110 questões encontradas. Mostrando a página 1 de 6.

  • 1FADF7AC-89

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UFU-MG · 2026MédioEntre para guardar nos favoritos
        A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (11ª edição) mostra ser três vezes mais comum mulheres fora da força de trabalho sofrerem violência doméstica (12%) do que as brasileiras empregadas (4%). O estudo traz ainda que 66% das mulheres que já sofreram agressões recebem até 2 salários mínimos.

        “Quando cruzamos esses dados socioeconômicos com os indicadores de violência, vemos com mais nitidez como a desigualdade molda o risco e a permanência das mulheres em ciclos de agressão. Isso mostra que a autonomia econômica não é apenas uma condição desejável, mas uma política estratégica de enfrentamento”, ressalta a diretora executiva da Associação Gênero e Número, Vitória Régia da Silva.

         Segundo a líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência Contra Mulheres e Meninas no Instituto Natura, a pesquisa deixa clara a necessidade de implementação de políticas públicas que promovam a independência financeira e qualificação profissional das mulheres.

         “O que precisamos é de políticas integrais, que articulem segurança pública, saúde, assistência, educação e renda, e que ofereçam respostas reais que dialoguem com demandas e vulnerabilidades diversas. Não podemos continuar transferindo para as mulheres a tarefa de superar, sozinhas, estruturas que são coletivas”, disse.


    Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-11/mulher-fora-do-trabalho-tem-3-vezes-mais-chancesde-sofrer-violencia. Acesso em: 28 nov. 2025.


    Assinale a alternativa em que o termo em negrito introduz uma informação que, de acordo com a gramática normativa, restringe e limita o sentido do termo antecedente a que se refere.  
    Escolha uma alternativa para a questão 1fadf7ac-89
  • B8420597-7B

    Português

    Colocação Pronominal
    Centro Universitário UNICEPLAC · 2026FácilEntre para guardar nos favoritos
        Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...
          Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios.


    Machado de Assis. Dom Casmurro (fragmento). In: Obras Completas de Machado de Assis, vol. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (originalmente datado de 1899-1900).
    Cada uma das alternativas a seguir apresenta uma proposta de reescrita para um trecho extraído do texto. Assinale a alternativa em que a proposta apresentada preserva a correção gramatical do texto, de acordo com a norma-padrão.  
    Escolha uma alternativa para a questão b8420597-7b
  • B837E47A-7B

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Centro Universitário UNICEPLAC · 2026Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Eu tenho uns amores — quem é que os não tinha
    Nos tempos antigos? — Amar não faz mal;
    As almas que sentem paixão como a minha
    Que digam, que falem em regra geral.
    — A flor dos meus sonhos é moça e bonita
    Qual flor entreaberta do dia ao raiar,
    Mas onde ela mora, que casa ela habita,
    Não quero, não posso, não devo contar!

    Seu rosto é formoso, seu talhe elegante,
    Seus lábios de rosa, a fala é de mel,
    As tranças compridas, qual livre bacante,
    O pé de criança, cintura de anel;
    — Os olhos rasgados são cor das safiras,
    Serenos e puros, azuis como o mar;
    Se falam sinceros, se pregam mentiras,
    Não quero, não posso, não devo contar!

    Oh! ontem no baile com ela valsando
    Senti as delícias dos anjos do céu!
    Na dança ligeira qual silfo voando
    Caiu-lhe do rosto seu cândido véu!
    — Que noite e que baile! — Seu hálito virgem
    Queimava-me as faces no louco valsar,
    As falas sentidas que os olhos falavam
    Não posso, não quero, não devo contar!

    Depois indolente firmou-se em meu braço,
    Fugimos das salas, do mundo talvez!
    Inda era mais bela rendida ao cansaço,
    Morrendo de amores em tal languidez!
    — Que noite e que festa! e que lânguido rosto
    Banhado ao reflexo do branco luar!
    A neve do colo e as ondas dos seios
    Não quero, não posso, não devo contar!


    Casimiro de Abreu. Segredos (fragmento). In: As Primaveras.
    São Paulo: Livraria Editora Martins S/A; Instituto Nacional do Livro, 1972
    (texto original datado do século XIX). 
    No verso “Serenos e puros, azuis como o mar;” (segunda estrofe), o termo “como” exprime noção de 
    Escolha uma alternativa para a questão b837e47a-7b
  • F605072A-6E

    Português

    Análise sintática
    UFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

    Q9_15.png (309×405)
    Q9_15_.png (308×537)



    Adaptado de: FARACO, C. A. Apresentação. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.
    Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 14, 18, 19 e 20, nesta ordem.
    Escolha uma alternativa para a questão f605072a-6e
  • F5FA56B0-6E

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

    Q1_8.png (293×565)
    Q1_8_.png (292×224)
    Q1_8__.png (293×565)
    Q1_8___.png (296×209)


    Adaptado de KENEDY, E. Celulares não vão derreter o cérebro de seus filhosmas quase. Disponível em: <https://lefufrj.wordpress.com/2024/12/16/celulares-naovao-derreter-o-cerebro-de-seus-filhos-mas-quase/>.
    Acesso em: 25 ago. 2025.
    Assinale a alternativa em que a partícula que desempenha a função sintática de sujeito.
    Escolha uma alternativa para a questão f5fa56b0-6e
  • B4B6F188-F9

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos

    Texto II


    Inculta e Bela


    Como todos sabemos, essa expressão saiu da pena de nosso aclamado príncipe dos poetas, Olavo Bilac, logo no primeiro verso do seu famoso soneto “A Língua Portuguesa.” Bela, sim, por que não? As vezes que primeiro ouvimos dos lábios de nossas mães ficam-nos no espírito como pura melodia. “Todos cantam sua terra / Também vou cantar a minha.” E esse canto encantado é música das palavras que nos afagaram no colo materno. Mas inculta? Como assim? O próprio poeta se desmente e contradiz ao se imortalizar no mesmo idioma em que Camões se irmanou ao gênio de Virgílio e Dante. Língua culta e de cultura, eis a coroa que há séculos lhe ornara a fronte, onde resplandecem as galas de patrimônio de uma civilização.


    Nada, pois, que admirar venha a língua portuguesa continuamente atraindo inteligências e dedicações para o seu estudo em tantos dos recantos deste mundo de Deus. E isso em qualquer de suas fases ou de suas modalidades coloquial ou popular.



    ELIA, Sílvio. 50 textos errados e corrigidos, Rio de Janeiro: Gráfica Olímpica. 

    O próprio poeta se desmente e contradiz ao se imortalizar no mesmo idioma em que Camões se irmanou ao gênio de Virgílio e Dante.


    Sobre a classificação dos termos sublinhados nesse segmento do Texto II, assinale a afirmativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão b4b6f188-f9
  • EBCF3FE7-CD

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Qualin - Faculdade de Saúde · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos
    O que a BNCC diz

        Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Cada competência traz a proposta de um aluno ativo, que consegue não apenas compreender e reconhecer a importância do que foi aprendido, mas, principalmente, refletir sobre como ocorre a construção do conhecimento, conquistando autonomia para estudar e aprender em diversos contextos, inclusive fora da escola.

    Disponível em: https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/5/competencia-1-conhecimento. Acesso em: 30 mar. 2025.


    A respeito do vocábulo “que” no contexto: “Cada competência traz a proposta de um aluno ativo, que consegue não apenas compreender e reconhecer a importância...”, assinale a alternativa correta. 
    Escolha uma alternativa para a questão ebcf3fe7-cd
  • EBC77514-CD

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Qualin - Faculdade de Saúde · 2025DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Eu ando pelo mundo

    Prestando atenção em cores

    Que eu não sei o nome

    Cores de Almodóvar

    Cores de Frida Kahlo

    Cores!


    Passeio pelo escuro

    Eu presto muita atenção

    No que meu irmão ouve

    E como uma segunda pele

    Um calo, uma casca

    Uma cápsula protetora

    Ai, Eu quero chegar antes

    Pra sinalizar

    O estar de cada coisa

    Filtrar seus graus

    [...] 

    Disponível em: https://www.letras.mus.br/adriana-calcanhotto/43856/. Acesso em: 28 mar. 2025.


    Com base na construção dos versos: “Prestando atenção em cores / Que eu não sei o nome”, da música Esquadros, de Adriana Calcanhotto, e, considerando a estrutura morfossintática, dadas as afirmativas,


    I. Como acontece com as orações relativas-padrão, houve nos versos em questão uma drástica alteração da ordem “antecedente - preposição - consequente”.

    II. Pelas regras da norma-padrão, a autora deveria ter usado uma adequada preposição no verso: “Que eu não sei o nome”.

    III. O verso: “Que eu não sei o nome” poderia ser substituído, sem prejuízos semânticos, por: “Das quais eu não sei o nome”.


    verifica-se que está/ão correta/s 
    Escolha uma alternativa para a questão ebc77514-cd
  • 3DB7A6DA-C4

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Faculdade Municipal Professor Franco Montoro - São Paulo · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos
    AMAR

    Que pode uma criatura senão,

    Entre criaturas, amar?

    Amar e esquecer, amar e malamar,

    Amar, desamar, amar?

    Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

    Que pode, pergunto, o ser amoroso,

    Sozinho, em rotação universal, senão

    Rodar também, e amar?

    Amar o que o mar traz à praia,

    O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

    É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

    Amar solenemente as palmas do deserto,

    O que é entrega ou adoração expectante,

    E amar o inóspito, o áspero,

    Um vaso sem flor, um chão de ferro,

    E o peito inerte, e a rua vista em sonho,

    E uma ave de rapina.

    Este o nosso destino: Amor sem conta,

    Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

    Doação ilimitada a uma completa ingratidão,

    E na concha vazia do amor à procura medrosa,

    Paciente, de mais e mais amor.

    Amar a nossa falta mesma de amor,

    E na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito,

    e a sede infinita.

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Amar se aprende amando. Rio de Janeiro: Record, 1985.
    Em “Amar o que o mar traz à praia, / O que ele sepulta…”, o termo “que”, em destaque, exerce, respectivamente em suas duas ocorrências, a função sintática de: 
    Escolha uma alternativa para a questão 3db7a6da-c4
  • C1C3BC8A-8D

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    Da moenda para a célula a combustível: caldo de cana é usado para produzir energia elétrica



        “Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), órgão associado à USP, testaram o uso de caldo de cana para gerar energia elétrica em células a combustível. O processo dispensa a transformação do caldo in natura em etanol, feita nas usinas de álcool, impedindo a formação de resíduos nocivos ao meio ambiente. Após o êxito dos experimentos em laboratório, os cientistas vão desenvolver a aplicação da técnica em escala industrial.
        ‘A célula a combustível tem o mesmo princípio de funcionamento de uma pilha. A diferença é que o combustível serve como reagente para ser consumido e gerar eletricidade’, explica o pesquisador do Ipen, Almir Oliveira Neto, que coordenou a pesquisa. ‘No dispositivo que foi desenvolvido na pesquisa, a oxidação do caldo de cana acontece no ânodo e a redução de oxigênio no cátodo. O objetivo do experimento era obter energia da biomassa com o mínimo impacto ambiental possível. Para isso, utilizou-se o caldo de cana em uma célula a combustível para gerar energia elétrica’, diz o pesquisador. ‘O uso do caldo de cana direto evita a formação de vinhaça, um resíduo ambientalmente perigoso decorrente da produção de etanol, contribuindo, assim, para a preservação do meio ambiente’.”


    Disponível em https://jornal.usp.br/ciencias/ (Adaptado).
    Ao empregar o pronome se em “utilizou-se o caldo de cana em uma célula a combustível para gerar energia elétrica”, o pesquisador  
    Escolha uma alternativa para a questão c1c3bc8a-8d
  • C13B2209-8D

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
        “O que torna possível o surgimento de uma ‘cultura do cancelamento’ é um cenário em que os detentores de poder econômico e/ou político vislumbram a utilização de valores morais como valores de mercado, seja no campo da publicidade, seja no campo da responsabilidade social da empresa.
        O conjunto de valores defendidos pelos movimentos sociais que lutam por reconhecimento e respeito à diversidade tornam-se atributos exigidos por diversas empresas como elemento fundamental nas suas escolhas de investimento.
        Sendo assim, a sanção específica realizada pelos agentes do ‘cancelamento’ procura atingir não a liberdade do sujeito que supostamente ofende valores morais relevantes, que seria o instrumento coercitivo tradicionalmente previsto no direito penal, ou mesmo buscar reparações indenizatórias, instrumento de resposta a atos ilícitos no direito civil, mas sim impedir, restringir ou infligir danos na trajetória econômica e/ou profissional do sujeito ‘cancelado’.
         Nesse contexto, a ‘cultura do cancelamento’ representa um mecanismo de eliminação do mercado, em casos considerados graves, ou, em outros casos, de mera diminuição relativa do capital, de sujeitos ineficientes em fator competitivo específico, como inadequação de valores morais ostentados, por atos e/ou palavras, em determinados ambientes sociais.”


    MARTINS, Tamires de Assis Lima; CORDEIRO, Ana Paula. A cultura do cancelamento: contribuições de um olhar sociológico. Extraprensa, v.15, n. esp., p.39, mai.2022 (Adaptado).
    Em relação aos conectivos sublinhados no texto, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão c13b2209-8d
  • 1A9F3577-71

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná · 2024Entre para guardar nos favoritos
    Assinale a opção que apresenta a frase em que a palavra se é um pronome apassivador
    Escolha uma alternativa para a questão 1a9f3577-71
  • C9EFE17B-5A

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UFRGS · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo. 

    Captura_de tela 2025-07-06 172700.png (317×783)

    Captura_de tela 2025-07-06 172713.png (308×412)

    No bloco superior abaixo, estão indicadas classes gramaticais; no inferior, partículas que retiradas do texto.



    Associe corretamente o bloco inferior ao superior.


    1. Pronome relativo.


    2. Conjunção integrante.


    3. Pronome interrogativo. 



    ( ) que (l. 18).


    ( ) que (l. 22).


    ( ) que (l. 24).


    ( ) que (l. 32).


    ( ) que (l. 42).


    ( ) que (l. 50).



    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

    Escolha uma alternativa para a questão c9efe17b-5a
  • B4111307-46

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UEA · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho do romance Capitães da areia, de Jorge Amado, para responder à questão.

        Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Barandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula1 com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançavam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. [...] Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo.
        A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro.
    (Capitães da areia, 2008.)

    1picula: brincadeira infantil também conhecida como pega-pega, pegador e manja-pega.
    A palavra sublinhada indica uma condição em:
    Escolha uma alternativa para a questão b4111307-46
  • 74BB80F9-32

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Centro Universitário FAESA · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

    Gurulândia

    Em uma semana, eu garanto: sua vida vai estar diferente". Assim começa o vídeo do guru-influenciador de dentes alvos e brilhantes. Ao fundo, um rock pesadão, trilha sonora de quem vai começar uma competição de UFC. Letras fortes e chamativas, soluções milagrosas e felicidade instantânea. O moço lota grandes teatros e até ginásios. É uma igreja sem santos, sem Deus. O deus, na verdade, é ele. Que cita todos os filósofos, dos gregos aos católicos, de cor. "Como dizia Platão...", assim começa sua frase. E todos ficam boquiabertos.

    Nestes tempos de coaches, tenho pensado muito na figura dos professores e professoras. Daqueles de antigamente, os que formaram a nós, geração analógica que, de repente, foi apresentada ao mundo digital. Longe de mim querer romantizar o passado, afinal o mundo evolui, mas como eu admiro meus mestres. Mulheres e homens que, dia após dia, ano após ano, ficavam diante de nós em salas de aula modestas. Eles não tinham ternos sob medida nem PowerPoints elaborados. Seu palco era um simples quadro, seu público, uma trintena de alunos turbulentos. E, no entanto, sua influência em nossas vidas foi imensurável.

    Poderiam, mas não escreveram nenhum best-seller nem venderam seminários caros para compartilhar sua sabedoria. Não fariam sucesso, pois seu "produto" não é de fórmula fácil: a própria educação, que muitas vezes se baseia no desagrado, no não, na contrariedade. Eles não prometiam transformar nossa vida em sete dias, mas se engajavam em um processo longo e paciente de formação da nossa mente e do nosso caráter. Quando tocavam o coração de um aluno, ele não virava um seguidor, mas um discípulo. Sua influência não se media em curtidas ou compartilhamentos, mas em vidas transformadas. Muito loucos os meus professores: ao mesmo tempo que exigiam de nós comportamento, esperavam que fôssemos corações rebeldes para mudar este mundo insano.

    Eram mentores que não buscavam nos deslumbrar com citações pomposas ou teorias rebuscadas. Sua sabedoria estava ancorada no concreto, adaptada ao nosso nível de compreensão. Eles nos ensinavam a ler, contar, pensar por nós mesmos. O respeito, a curiosidade e o valor do trabalho árduo e da perseverança. Não nos ofereciam atalhos para o sucesso, mas as ferramentas para enfrentar os desafios da vida: resiliência e indignação. Ao mesmo tempo, eram cansados, impacientes — ?a grana era sempre curta — enfim, eram humanos.

    Os meus melhores professores e professoras não tentaram me fazer acreditar; eles me ensinaram a duvidar. A fazer perguntas. A rebater o inaceitável. A abraçar o estranho. A checar as fontes. Tudo isso com a mão imunda de giz, que arranhava o quadro sob aquela luz fria de necrotério. Mas quanta vida entrava em nós. O sopro da sabedoria. Tenho muito orgulho de ser filho de professores e de ter começado minha vida como um.

    Mas há de tudo nesta vida: bons gurus e maus professores; maus coaches e bons mestres; sábios no boteco e ignorantes na academia. Só que nunca vi os verdadeiros mestres se preocuparem em conquistar multidões. Pelo contrário; era uma dedicação artesanal, diária e sussurrada aos poucos espíritos que estavam ali, naqueles 50 minutos de aula. A educação não é plastificada, ela é esculpida.


    https://oglobo.globo.com/ela/bruno-astuto/coluna/2024/09/gurulandia.gh tml
    "Tudo isso com a mão imunda de giz, que arranhava o quadro sob aquela luz fria de necrotério."


    O pronome relativo sublinhado exerce igual função sintática da expressão sublinhada em: 
    Escolha uma alternativa para a questão 74bb80f9-32
  • 74B650E6-32

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Centro Universitário FAESA · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

    Gurulândia

    Em uma semana, eu garanto: sua vida vai estar diferente". Assim começa o vídeo do guru-influenciador de dentes alvos e brilhantes. Ao fundo, um rock pesadão, trilha sonora de quem vai começar uma competição de UFC. Letras fortes e chamativas, soluções milagrosas e felicidade instantânea. O moço lota grandes teatros e até ginásios. É uma igreja sem santos, sem Deus. O deus, na verdade, é ele. Que cita todos os filósofos, dos gregos aos católicos, de cor. "Como dizia Platão...", assim começa sua frase. E todos ficam boquiabertos.

    Nestes tempos de coaches, tenho pensado muito na figura dos professores e professoras. Daqueles de antigamente, os que formaram a nós, geração analógica que, de repente, foi apresentada ao mundo digital. Longe de mim querer romantizar o passado, afinal o mundo evolui, mas como eu admiro meus mestres. Mulheres e homens que, dia após dia, ano após ano, ficavam diante de nós em salas de aula modestas. Eles não tinham ternos sob medida nem PowerPoints elaborados. Seu palco era um simples quadro, seu público, uma trintena de alunos turbulentos. E, no entanto, sua influência em nossas vidas foi imensurável.

    Poderiam, mas não escreveram nenhum best-seller nem venderam seminários caros para compartilhar sua sabedoria. Não fariam sucesso, pois seu "produto" não é de fórmula fácil: a própria educação, que muitas vezes se baseia no desagrado, no não, na contrariedade. Eles não prometiam transformar nossa vida em sete dias, mas se engajavam em um processo longo e paciente de formação da nossa mente e do nosso caráter. Quando tocavam o coração de um aluno, ele não virava um seguidor, mas um discípulo. Sua influência não se media em curtidas ou compartilhamentos, mas em vidas transformadas. Muito loucos os meus professores: ao mesmo tempo que exigiam de nós comportamento, esperavam que fôssemos corações rebeldes para mudar este mundo insano.

    Eram mentores que não buscavam nos deslumbrar com citações pomposas ou teorias rebuscadas. Sua sabedoria estava ancorada no concreto, adaptada ao nosso nível de compreensão. Eles nos ensinavam a ler, contar, pensar por nós mesmos. O respeito, a curiosidade e o valor do trabalho árduo e da perseverança. Não nos ofereciam atalhos para o sucesso, mas as ferramentas para enfrentar os desafios da vida: resiliência e indignação. Ao mesmo tempo, eram cansados, impacientes — ?a grana era sempre curta — enfim, eram humanos.

    Os meus melhores professores e professoras não tentaram me fazer acreditar; eles me ensinaram a duvidar. A fazer perguntas. A rebater o inaceitável. A abraçar o estranho. A checar as fontes. Tudo isso com a mão imunda de giz, que arranhava o quadro sob aquela luz fria de necrotério. Mas quanta vida entrava em nós. O sopro da sabedoria. Tenho muito orgulho de ser filho de professores e de ter começado minha vida como um.

    Mas há de tudo nesta vida: bons gurus e maus professores; maus coaches e bons mestres; sábios no boteco e ignorantes na academia. Só que nunca vi os verdadeiros mestres se preocuparem em conquistar multidões. Pelo contrário; era uma dedicação artesanal, diária e sussurrada aos poucos espíritos que estavam ali, naqueles 50 minutos de aula. A educação não é plastificada, ela é esculpida.


    https://oglobo.globo.com/ela/bruno-astuto/coluna/2024/09/gurulandia.gh tml
    " 'Como dizia Platão...' "

    A conjunção sublinhada pode ser substituída sem prejuízo de sentido por:
    Escolha uma alternativa para a questão 74b650e6-32
  • AAFF0FC4-31

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    Para responder à questão, leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga. 



    Cai a cinta a Vênus1 bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada2 entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    O tesouro se procura,

    Os desejos se interessam,

    Os cuidados já se apressam,

    E a ternura vai também. 


    Empenhou-se, ó Glaura, o zelo;

    Mas em vão: que perda triste!

    Só eu vi, sei onde existe;

    E dizê-lo não convém. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Roubador do puro ornato

    Foi Antero e foi Cupido3;

    E o levaram escondido

    Com recato, eu sei a quem.


    Receosos pelo insulto,

    Que traidores cometeram,

    No teu seio se acolheram,

    Onde oculto asilo têm. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Dos meus olhos não se escondem

    Os meninos4 , a quem amo:

    Se os procuro, espreito e chamo,

    Correspondem, mas não vêm.


    Com acenos expressivos

    De alegria suspeitosa

    Mostram faixa preciosa,

    Que atrativos mil contêm. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.


    Se piedade aflito rogo,

    E que cessem teus rigores,

    (Ah cruéis, lindos Amores!)

    Fogem logo e com desdém. 


    Abrandá-los não consigo,

    E já deles tenho medo:

    Guarda, Ninfa, este segredo,

    Que não digo a mais ninguém. 


    Cai a cinta a Vênus bela,

    Sem cautela recostada;

    E turbada entre os pesares

    Pede aos mares que lha deem.



    (Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.)



    1Vênus: deusa do Amor.

    2 turbada: aflita, transtornada.

    3Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus.

    4meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido.

    Está empregado como pronome apassivador o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão aaff0fc4-31
  • 9B5E6BC9-31

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UNESP · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho de uma crônica de José de Alencar, publicada originalmente em 03.09.1854.


                Um belo dia, não sei de que ano, uma linda fada, que chamareis como quiserdes, a poesia ou a imaginação, tomou-se de amores por um moço de talento, um tanto volúvel como de ordinário o são as fantasias ricas e brilhantes que se deleitam admirando o belo em todas as formas. Ora, dizem que as fadas não podem sofrer a inconstância, no que lhes acho toda a razão; e por isso a fada de meu conto, temendo a rivalidade dos anjinhos cá deste mundo, onde os há tão belos, tomou as formas de uma pena, pena de cisne, linda como os amores, e entregou-se ao seu amante de corpo e alma.

            Não serei eu que desvendarei os mistérios desses amores fantásticos, e vos contarei as horas deliciosas que corriam no silêncio do gabinete, mudas e sem palavras. Só vos direi, e isto mesmo é confidência, que, depois de muito sonho e de muita inspiração, a pena se lançava sobre o papel, deslizava docemente, brincava como uma fada que era, bordando as flores mais delicadas, destilando perfumes mais esquisitos que todos os perfumes do Oriente. As folhas se animavam ao seu contato, a poesia corria em ondas de ouro, donde saltavam chispas brilhantes de graça e espírito.

           Por fim, a desoras1 , quando já não havia mais papel, quando a luz a morrer apenas empalidecia as sombras da noite, a pena trêmula e vacilante caía sobre a mesa sem forças e sem vida, e soltava uns acentos doces, notas estremecidas como as cordas da harpa ferida pelo vento. Era o último beijo da fada que se despedia, o último canto do cisne moribundo.

           Assim se passou muito tempo; mas já não há amores que durem sempre, principalmente em dias como os nossos, nos quais o símbolo da constância é uma borboleta. Acabou o poema fantástico no fim de dois anos; e um dia o herói do meu conto, chamado a estudos mais graves, lembrou-se de um amigo obscuro, e deu-lhe a sua pena de ouro.


    (José de Alencar. Crônicas escolhidas, 1995.)


    1desoras: altas horas da noite. 
    Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
    Escolha uma alternativa para a questão 9b5e6bc9-31
  • C28C84E0-30

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Centro Universitário FAESA · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    No que isso vai dar?

    Uma velha amiga jornalista, hoje professora da graduação, estava me contando: "É uma luta para fazer com que os alunos leiam um livro inteiro. Eles vivem grudados no TikTok ou no Instagram e não têm concentração. Outro dia, ao ver que todos estavam no celular, parei a aula. Perguntei a alguns o que estavam vendo —e muitos não se lembravam. Não se lembravam do que tinham acabado de ver 15 segundos atrás! Um deles disse que estava comprando uma calça comprida. Para usar a palavra que eles mais dizem, não têm 'foco'."

    "Não é só a facilidade das mídias digitais", ela continuou. "A falta de gosto pela leitura é culpa também da pandemia, da preguiça e, agora, entrando firme, da inteligência artificial. Na pós-graduação, não tem jeito, os alunos são obrigados a ler. Mas, na graduação, recorrem aos resumos de livros na internet, às lives, às gravações. Claro que não são todos assim. Alguns são inteligentes e fazem coisas que não aprendemos no nosso tempo, como editar áudios e vídeos. Sabem falar e, até certo ponto, escrever. Mas, ler??? No que isso vai dar?"

    Nos EUA, uma organização denunciou o declínio dos estudantes americanos em leitura, matemática e ciência, pela falta de atenção provocada pela distração digital. Os filmes têm ritmo cada vez mais acelerado, com takes de menos de um segundo. As músicas estão cada vez mais curtas. O vocabulário encolheu, o que significa que, em breve, só poderão expressar ideias muito simples. Não toleram nada que passe de dois minutos e meio.

    Minha amiga tem razão: no que isso vai dar? Esses garotos serão os médicos, cientistas, engenheiros e juristas do futuro? Ou só chegarão a isso os excepcionalmente bem dotados, que, cada vez em menor número, ainda existem?

    Ao ouvir que o aluno estava comprando uma calça durante a aula, minha amiga disse: "Oba! Vou aproveitar e fazer minhas compras da semana!".


    Folha de São Paulo,
    13/07/2024-https://www.academia.org.br/artigos/no-que-isso-vai-dar-Ru y Castro
    "... e fazem coisas que não aprendemos no nosso tempo..."


    Os pronomes relativos, além de terem função de substituir um termo anterior, podem unir as orações dentro de um período.


    Nos fragmentos a seguir, o termo "que" como pronome relativo está sublinhado em: 
    Escolha uma alternativa para a questão c28c84e0-30
  • 38F20B70-03

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UECE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 1


    81% dos adolescentes têm dois ou mais fatores de risco para saúde, aponta pesquisa da UFMG e Unifesp


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    Do HOJE EM DIA - portal@hojeemdia.com.br em 18/07/2024 . Adaptado.
    Assinale a opção em que o termo destacado funciona como conjunção integrante.
    Escolha uma alternativa para a questão 38f20b70-03