Questões do ENEM: Linguagens e Funções morfossintáticas da palavra QUE

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Resultados

110 questões encontradas. Mostrando a página 4 de 6.

  • BA7B8E1D-B1

    Português

    Análise sintática
    UEL · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    (Disponível em: <https://br.noticias.yahoo.com/cientistas-brasileiros-descobrem-maneira-de-deter-o-mal-de-alzheimer-185422617.html>. Acesso em: 23 jun. 2017.)

    Em relação aos recursos linguísticos e morfossintáticos do texto, considere o trecho a seguir.


    De acordo com reportagem do jornal O Globo, o alvo do estudo foram os astrócitos, tipo de célula cerebral considerada secundária até há alguns anos. Sem eles, as mensagens químicas que fazem o cérebro comandar o organismo não são enviadas.


    Assinale a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão ba7b8e1d-b1
  • E466FA0A-B0

    Português

    Adjetivos
    UDESC · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Analise as proposições em relação à obra Nós, Salim Miguel, e ao Texto 3, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.

    ( ) Em “Dupin foi até o banheiro” (linha 1) e “teve a consideração de vir até aqui” (linha 15) a palavra destacada, nos períodos, estabelece relação de lugar na primeira oração, enquanto no segundo período de finalidade, embora, morfologicamente, seja preposição nos dois períodos.
    ( ) Nas estruturas gramaticais “e sem interrupção: “esta casa de madeira é um arremedo, não lhe parece, do apartamento” (linhas 6 e 7) as expressões destacadas são locuções adjetivas, e podem ser substituídas por ininterrupta e lígnea, sem alterar o sentido no Texto.
    ( ) A novela policial de Salim Miguel é entremeada por intertextualidade. O capítulo Ninguém se apresenta sem logicidade literária – conceitos, poemas, notícias, relatos de jornais, quebrando a linearidade da narrativa e, simultaneamente, interrompendo o ato investigatório.
    ( ) O sinal gráfico de aspas, pontuando o Texto, representa o diálogo entre as personagens, logo pode ser substituído por travessões, sem que haja alteração de sentido no diálogo.
    ( ) Na estrutura “diante de duas gravuras, uma de Goeldi, outra de Carlos Scliar” (linhas 2 e 3) as palavras destacadas remetem a uma característica marcante do autor – a intertextualidade.

    Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
    Escolha uma alternativa para a questão e466fa0a-b0
  • DC736220-A6

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UFU-MG · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos
    Analise a presença da partícula se nos exemplos abaixo. A seguir, faça a correspondência dos exemplos com as explicações dadas.

    I. Se você não chegar cedo, teremos de improvisar um apresentador para o recital.
    II. Com tantos problemas, vive-se um dia de cada vez.
    III. Os irmãos, João e Luísa, deram-se as mãos.
    IV. Naquele condomínio, vendem-se casas.

    ( ) O se, no exemplo, indica que a frase está na voz passiva, ou seja, o sujeito sofre a ação praticada por outro agente.
    ( ) O se, nesse caso, é chamado de índice de indeterminação do sujeito. É utilizado em frases cujo sujeito é indeterminado.
    ( ) O se, no exemplo, é pronome pessoal. Nesse caso, a ação envolve dois sujeitos, sendo que um pratica a ação sobre o outro e, portanto, ambos sofrem a consequência da ação praticada.
    ( ) O se, nesse caso, indica uma condição para a oração principal.

    A sequência correta, de cima para baixo, é:
    Escolha uma alternativa para a questão dc736220-a6
  • C5E27650-3B

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UNESP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o soneto “Alma minha gentil, que te partiste”, do poeta português Luís de Camões (1525?-1580), para responder à questão.

                                Alma minha gentil, que te partiste

                                tão cedo desta vida descontente,

                                repousa lá no Céu eternamente,

                                e viva eu cá na terra sempre triste.

                                Se lá no assento etéreo, onde subiste,

                                memória desta vida se consente,

                                não te esqueças daquele amor ardente

                                que já nos olhos meus tão puro viste.

                                E se vires que pode merecer-te

                                alguma coisa a dor que me ficou

                                da mágoa, sem remédio, de perder-te,

                                roga a Deus, que teus anos encurtou,

                                que tão cedo de cá me leve a ver-te,

                                quão cedo de meus olhos te levou.

                                                                         (Sonetos, 2001.)

    Se lá no assento etéreo, onde subiste,

    memória desta vida se consente,” (2ª estrofe)

    Os termos destacados constituem

    Escolha uma alternativa para a questão c5e27650-3b
  • 7FCE8A40-FF

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNICENTRO · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar,

    1964. p. 70.

    Sobre o poema, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 7fce8a40-ff
  • 55EF6AF2-BB

    Português

    Análise sintática
    Universidade do Estado da Bahia · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO:

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016


    CRITELLI, Dulce. Disponível em: http://www.cartaeducacao.com.br/ artigo/somos-todos-testemunhas. Acesso em: 10 fev. 2106. Adaptado.

    A análise dos fragmentos retirados do texto está correta em
    Escolha uma alternativa para a questão 55ef6af2-bb
  • 55E55F4D-BB

    Português

    Coesão e coerência
    Universidade do Estado da Bahia · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO:

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    SANTOS, Milton. Uma globalização perversa. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 17.ed. Rio de Janeiro: Record, 2008, p. 37-39. Adaptado. 

    Sobre os aspectos linguísticos presentes no texto, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 55e55f4d-bb
  • AB662132-B3

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    IF-PR · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Deuses e Demônios.

    A possessão constituía um fenômeno familiar no mundo grego. Gente de todas as camadas sociais consultava o oráculo de Apolo, em Delfos, onde a pitonisa, em transe, oferecia respostas – por vezes enigmáticas e ambíguas – às questões apresentadas. O domínio dos corpos pela divindade era habitual nos rituais sagrados, como o de Dionísio, (a)que deu origem ao teatro. Por sua vez, Platão chegou a afirmar (b)que muitos poetas criavam sob o domínio das Musas e de outras deidades, sem controle sobre as palavras proferidas.

    Milênios depois, os principais estudiosos do psiquismo empreenderam o exame da possessão. Jung, por exemplo, abordou o fenômeno já na sua tese de doutoramento, focalizando o caso de uma adolescente (c)que dizia “receber” o espírito do avô já falecido. Mais tarde, o criador da psicologia analítica desenvolveria o conceito de arquétipos – representações inatas e específicas da humanidade (d)que são o correspondente psíquico dos instintos –, que se revelaria de enorme valor no estudo das mais diversas manifestações culturais. O culto a Dionísio, por exemplo, foi considerado um arquétipo da fertilidade humana. O pensador suíço também escreveu sobre o oráculo de Delfos, relacionando a obscuridade das respostas com as mensagens ambíguas do inconsciente.

    O cenário da possessão esteve igualmente presente no desenvolvimento de outro conceito junguiano fundamental: os complexos, “ilhas de fantasia” psíquicas (e)que atuam sobre o eu e chegam a dominá-lo. Tornam-se nocivos quando ganham autonomia, sem se integrar à estrutura do psiquismo; Jung chegou a comparar o controle do eu pelos complexos autônomos com a noção medieval de possessão demoníaca (Mente, Cérebro e Filosofia, nº1, Duetto)

    Entre as orações abaixo, assinaladas de (a) a (d) no texto, identifique a única em que a palavra “que” tem função diferente das demais:
    Escolha uma alternativa para a questão ab662132-b3
  • AB635103-B3

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    IF-PR · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Deuses e Demônios.

    A possessão constituía um fenômeno familiar no mundo grego. Gente de todas as camadas sociais consultava o oráculo de Apolo, em Delfos, onde a pitonisa, em transe, oferecia respostas – por vezes enigmáticas e ambíguas – às questões apresentadas. O domínio dos corpos pela divindade era habitual nos rituais sagrados, como o de Dionísio, (a)que deu origem ao teatro. Por sua vez, Platão chegou a afirmar (b)que muitos poetas criavam sob o domínio das Musas e de outras deidades, sem controle sobre as palavras proferidas.

    Milênios depois, os principais estudiosos do psiquismo empreenderam o exame da possessão. Jung, por exemplo, abordou o fenômeno já na sua tese de doutoramento, focalizando o caso de uma adolescente (c)que dizia “receber” o espírito do avô já falecido. Mais tarde, o criador da psicologia analítica desenvolveria o conceito de arquétipos – representações inatas e específicas da humanidade (d)que são o correspondente psíquico dos instintos –, que se revelaria de enorme valor no estudo das mais diversas manifestações culturais. O culto a Dionísio, por exemplo, foi considerado um arquétipo da fertilidade humana. O pensador suíço também escreveu sobre o oráculo de Delfos, relacionando a obscuridade das respostas com as mensagens ambíguas do inconsciente.

    O cenário da possessão esteve igualmente presente no desenvolvimento de outro conceito junguiano fundamental: os complexos, “ilhas de fantasia” psíquicas (e)que atuam sobre o eu e chegam a dominá-lo. Tornam-se nocivos quando ganham autonomia, sem se integrar à estrutura do psiquismo; Jung chegou a comparar o controle do eu pelos complexos autônomos com a noção medieval de possessão demoníaca (Mente, Cérebro e Filosofia, nº1, Duetto)

    Assinale a alternativa em que a palavra “como” tem o mesmo valor que a da expressão “como o de Dionísio”, grifada no texto (1o parágrafo).
    Escolha uma alternativa para a questão ab635103-b3
  • 1EFD7766-B0

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    Universidade Federal do Amazonas · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto a seguir, para responder a questão que a ele se refere:

        De todos os conceitos fundamentais na ciência da vida, a evolução é o mais importante e também o mais mal compreendido. Primeiramente, a evolução, assim como qualquer área da ciência, não é capaz de sondar a questão das origens fundamentais ou significados éticos. A ciência, como um empreendimento, busca explicar fenômenos e regularidades do universo empírico, sob o pressuposto de que leis naturais são uniformes no espaço e no tempo. Assim, a evolução não é o estudo da origem primordial da vida no universo ou do significado intrínseco da vida entre os objetos da natureza; essas questões são filosóficas (ou teológicas) e não fazem parte do domínio da ciência. Esse aspecto é relevante, pois fundamentalistas fervorosos, disfarçados de “criacionistas científicos”, afirmam que a criação deve ser equiparada à evolução e receber tempo proporcional nas escolas, uma vez que ambas são igualmente “religiosas”, ao lidar com mistérios primordiais.
        Em segundo lugar, a evolução foi acrescentado um conjunto de conceitos e significados que representam muito mais antigos preconceitos sociais e crenças psicológicas da cultura ocidental do que uma descrição da realidade natural. Tal “bagagem” pode ser inevitável em qualquer campo que se relacione de modo tão íntimo com preocupações humanas profundas, mas esse forte viés social impediu-nos de levar a termo a revolução de Darwin. O mais pernicioso e limitante desses preconceitos é a ideia de progresso, a noção de que a evolução possui uma motivação ou manifesta uma poderosa tendência de caminhar em direção à maior complexidade, ao projeto biomecânico mais eficiente, a cérebros maiores ou alguma outra definição paroquial de progresso. Esse preconceito baseia-se num antigo desejo que os seres humanos têm de se colocar no ápice do mundo natural – e, dessa forma, afirmar um direito natural de dominar e explorar nosso planeta. Evolução, na formulação de Darwin, é adaptação a ambientes que mudam, não “progresso” universal. (BROCKMAN, J. & MATSON, K. As coisas são assim, p. 95-96. Adaptado.)
    Assinale a alternativa INCORRETA a respeito do sentido do texto e de fenômenos morfológicos, sintáticos ou semânticos que nele se observam:
    Escolha uma alternativa para a questão 1efd7766-b0
  • C1E419F1-C2

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UNESPAR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016
    Imagem da questão de Português, da prova de 2016
    O vocábulo “que” pode desempenhar diferentes funções na língua portuguesa, dentre elas, a de pronome relativo e a de conjunção integrante. Com base em tal afirmação, analise os períodos a seguir e assinale a alternativa CORRETA quanto à classificação do conectivo “que”.
    Escolha uma alternativa para a questão c1e419f1-c2
  • CE24573F-29

    Português

    Análise sintática
    UNESP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho extraído do livro A dança do universo do físico brasileiro Marcelo Gleiser para responder à questão.

          Durante o século VI a.C., o comércio entre os vários Estados gregos cresceu em importância, e a riqueza gerada levou a uma melhoria das cidades e das condições de vida. O centro das atividades era em Mileto, uma cidade-Estado situada na parte sul da Jônia, hoje a costa mediterrânea da Turquia. Foi em Mileto que a primeira escola de filosofia pré-socrática floresceu. Sua origem marca o início da grande aventura intelectual que levaria, 2 mil anos depois, ao nascimento da ciência moderna. De acordo com Aristóteles, Tales de Mileto foi o fundador da filosofia ocidental.

          A reputação de Tales era legendária. Usando seu conhecimento astronômico e meteorológico (provavelmente herdado dos babilônios), ele previu uma excelente colheita de azeitonas com um ano de antecedência. Sendo um homem prático, conseguiu dinheiro para alugar todas as prensas de azeite de oliva da região e, quando chegou o verão, os produtores de azeite de oliva tiveram que pagar a Tales pelo uso das prensas, que acabou fazendo uma fortuna.

          Supostamente, Tales também previu um eclipse solar que ocorreu no dia 28 de maio de 585 a.C., que efetivamente causou o fim da guerra entre os lídios e os persas. Quando lhe perguntaram o que era difícil, Tales respondeu: “Conhecer a si próprio”. Quando lhe perguntaram o que era fácil, respondeu: “Dar conselhos”. Não é à toa que era considerado um dos Sete Homens Sábios da Grécia Antiga. No entanto, nem sempre ele era prático. Um dia, perdido em especulações abstratas, Tales caiu dentro de um poço. Esse acidente aparentemente feriu os sentimentos de uma jovem escrava que estava em frente ao poço, a qual comentou, de modo sarcástico, que Tales estava tão preocupado com os céus que nem conseguia ver as coisas que estavam a seus pés.

                                                                 (A dança do universo, 2006. Adaptado.)

    Em “Tales também previu um eclipse solar que ocorreu no dia 28 de maio de 585 a.C.” (3° parágrafo), o termo destacado exerce função de
    Escolha uma alternativa para a questão ce24573f-29
  • 34F9DE17-FC

    Português

    Flexão de voz (ativa, passiva, reflexiva)
    Universidade Federal do Ceará · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa em que a palavra sublinhada é um pronome apassivador.
    Escolha uma alternativa para a questão 34f9de17-fc
  • F5C8A3DE-D8

    Português

    Flexão de voz (ativa, passiva, reflexiva)
    Universidade Estadual de Roraima · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO I

    ERRO POÉTICO

    Rosa-se quintal


    (PEREZ, Marcelo. Ainda se estivesse faltando pedaços. Série Máfia do Verso V 4. Boa Vista, 2014.) 

    Assinale a alternativa VERDADEIRA, a partir do TEXTO I.
    Escolha uma alternativa para a questão f5c8a3de-d8
  • 6B7CEDC8-24

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 2

                                              VI

          Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta contar-te como morreu minha avó.

          — Como foi?

          — Senta-te.

          Rubião obedeceu, dando ao rosto o maior interesse possível, enquanto Quincas Borba continuava a andar.

          — Foi no Rio de Janeiro, começou ele, defronte da Capela Imperial, que era então Real, em dia de grande festa; minha avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do Paço. Gente como formiga. O povo queria ver entrar as grandes senhoras nas suas ricas traquitanas. No momento em que minha avó saía do adro para ir à cadeirinha, um pouco distante, aconteceu espantar-se uma das bestas de uma sege; a besta disparou, a outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas como a sege passaram-lhe por cima. Foi levada em braços para uma botica da Rua Direita, veio um sangrador, mas era tarde; tinha a cabeça rachada, uma perna e o ombro partidos, era toda sangue; expirou minutos depois.

          — Foi realmente uma desgraça, disse Rubião.

          — Não.

          — Não?

          — Ouve o resto. Aqui está como se tinha passado o caso. O dono da sege estava no adro, e tinha fome, muita fome, porque era tarde, e almoçara cedo e pouco. Dali pôde fazer sinal ao cocheiro; este fustigou as mulas para ir buscar o patrão. A sege no meio do caminho achou um obstáculo e derribou-o; esse obstáculo era minha avó. O primeiro ato dessa série de atos foi um movimento de conservação: Humanitas tinha fome. Se em vez de minha avó, fosse um rato ou um cão, é certo que minha avó não morreria, mas o fato era o mesmo; Humanitas precisa comer. Se em vez de um rato ou de um cão, fosse um poeta, Byron ou Gonçalves Dias diferia o caso no sentido de dar matéria a muitos necrológios; mas o fundo subsistia. O universo ainda não parou por lhe faltarem alguns poemas mortos em flor na cabeça de um varão ilustre ou obscuro; mas Humanitas (e isto importa, antes de tudo) Humanitas precisa comer.

          Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de entender; mas não dava pela necessidade a que o amigo atribuía a morte da avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que chegasse à casa, não morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para sempre. Explicou-lhe, como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe:

          — E que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não és capaz de entender isto, meu caro Rubião; falemos de outra coisa.

          — Diga sempre.

          Quincas Borba, que não deixara de andar, parou alguns instantes.

          — Queres ser meu discípulo?

          — Quero.

          — Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no dia em que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse dia terás o maior prazer da vida, porque não há vinho que embriague como a verdade. Crê-me, o Humanitismo é o remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é ele, é Humanitas...

          — Mas que Humanitas é esse?

          — Humanitas é o principio. Há nas coisas todas certa substância recôndita e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem do grande Camões:

          Uma verdade que nas coisas anda,

          Que mora no visíbil e invisíbil. 

          Pois essa sustância ou verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo é o homem. Vais entendendo?

          — Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...

          — Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o carácter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

          — Mas a opinião do exterminado?

          — Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias.

          — Bem; a opinião da bolha...

          — Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É Dom Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra, que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e supradivino.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 18. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 26-28.)

    Sobre as funções da palavra “que”, no Texto 2, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 6b7cedc8-24
  • DC72D027-FA

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Universidade Federal do Ceará · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2014

    COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco, 1996, p. 130-132. 

    Assinale a alternativa que analisa corretamente a função do se na frase: O clamor da batalha diluiu-se no silêncio
    Escolha uma alternativa para a questão dc72d027-fa
  • DB91B8F9-B6

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UFAL · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa que apresenta a respectiva classificação do vocábulo “se” nos períodos abaixo.
    I. “Não se descobriu o erro”.
    II. “O patrão zangou-se”.
    Escolha uma alternativa para a questão db91b8f9-b6
  • C6D2D0D8-F6

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Universidade Federal do Ceará · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa em que o vocábulo “mesmo” apresenta o sentido igual ao que se observa no enunciado “Eu insisto em ser feliz, mesmo que minhas condições me testem”. 
    Escolha uma alternativa para a questão c6d2d0d8-f6
  • D1B8CB14-DC

    Português

    Colocação Pronominal
    Universidade Presbiteriana Mackenzie · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    Texto para a questão
    Diário de bordo
    Imagem da questão de Português, da prova de 2013
    Carlos Heitor Cony
    Assinale a alternativa INCORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão d1b8cb14-dc
  • 0AE53826-64

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UNEAL · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritos
    O texto a seguir é referência para as questões.

    XI
    Aquela senhora tem um piano
    Que é agradável, mas não é o correr dos rios
    Nem o murmúrio que as árvores fazem...
    Para que é preciso ter um piano?
    O melhor é ter ouvidos
    E amar a Natureza.

    PESSOA, Fernando. O guardador de rebanhos. Poemas completos de Alberto Caeiro.
    In:GALHOZ, Maria Aliete. Fernando Pessoa: obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999. p. 213 (Fragmento).

    Nos versos acima, o poeta Fernando Pessoa explora vários recursos da língua portuguesa a fim de dar maior organicidade ao pensamento, dentre eles a utilização do vocábulo “que”. Há, na primeira estrofe, duas ocorrências desse vocábulo. Sobre isso, é correto dizer que

    Escolha uma alternativa para a questão 0ae53826-64