Questões do ENEM: Linguagens e Uso dos conectivos

Use os filtros para chegar às questões que interessam. Cada resultado abre em uma página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

330 questões encontradas. Mostrando a página 12 de 17.

  • 296D9570-DE

    Português

    Sintaxe
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2014FácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão:


    Complexo de d. Sebastião

    Neymar expia a culpa pela derrota, mas as mudanças em

    nosso futebol não podem mais esperar, diz autor

    Entrevista de Ivan Marsiglia com José Miguel Wisnik



    ESTADÃO - A palavra mais usada nas avaliações da derrota da seleção brasileira para a alemã, por 7 a 1, na Copa de 2014, foi “apagão”. Concorda com ela?


    WISNIK - Prefiro “implosão”. “Apagão” sugere uma falha de energia, um acidente de percurso, um lapso momentâneo. A comissão técnica, que se especializou na negação da evidência e da amplitude dos fatos, apega-se a essa versão. Implosão, em vez disso, significa que uma estrutura cedeu a pressões que ela não pôde mais suportar. Acho que é claramente esse o caso. Ou, pelo menos, é esse o claro enigma.


    ESTADÃO - Outra palavra muito repetida foi 'vexame', e de tal proporção que teria redimido a histórica derrota na final de 1950 para o Uruguai.

    WISNIK - “Vexame” dá uma inflexão moral a essa catástrofe futebolística, e quem dirá que não se trata de uma tremenda humilhação esportiva? Mas martelar a palavra soa como uma atualização do gozo regressivo da eleição do bode expiatório. Não vejo mais essa necessidade de achar nos jogadores o novo Barbosa e o novo Bigode, [jogadores culpabilizados pela derrota da seleção na Copa de 1950] felizmente. O que não passou, no entanto, é a permanente espera mágica pela vitória por goleada, independente da existência do adversário, combinada com a precária análise dos dados de realidade. Esse desequilíbrio pesa sobre os jogadores. O grau da expectativa futebolístico-messiânica é altíssimo, e não é de se espantar que o time brasileiro entre em colapso em certas situações cruciais. Aliás, isso já aconceu pelo menos três vezes: lá no Maracanazo [Copa de 1950], agora no Mineiraço, e na final de 1998 na França, depois da convulsão de Ronaldo. Não me consta que outras seleções nacionais passem pela mesma síndrome. Uma vez é um acidente. Duas, uma coincidência. Mas três é uma estrutura.


    ESTADÃO - E de onde vem essa estrutura?

    WISNIK - Essas partidas fazem pensar na batalha de Alcácer Quibir, em 1578, durante a qual, segundo relatos, o jovem rei português d. Sebastião foi tomado por estranha catatonia, antes de desaparecer no deserto e ter a sua volta aguardada durante séculos pelos portugueses. [...] Em 1950, a equipe, encolhida na partida final ante a enormidade do sucesso ou do fracasso inéditos, esteve paralisada abaixo do seu tamanho. Em 2014, sucumbiu ante a expectativa maciça, projetada sobre ela, por algo maior do que seu tamanho. Nos dois casos, espelhados sintomaticamente em território brasileiro, há uma resistente dificuldade de dimensionar, isto é, de encarar o real, que se junta à euforização publicitária, à cobertura da Rede Globo, aos oportunismos políticos de todo tipo e ao baixo nível médio da cultura futebolística. Tudo continua muito parecido com o ambiente que cercou a final de 1950, embora sem a mesma inocência trágica.


    ESTADÃO - Você escreveu que 'a glorificação frenética de Neymar, justificada pela excepcionalidade do jogador, disfarça uma ansiedade compensatória de fundo'. Por quê?

    WISNIK - Sem querer me repetir, [a figura de Neymar] ferida encarnava d. Sebastião em batalha, desaparecido do campo, mas preservado misteriosamente da desgraça explícita e ocupando mais ainda o lugar mítico do Desejado.

    (O Estado de S. Paulo, 12/07/2014. Disponível em http://m.estadao.com.br/ O Estado de S. Paulo noticias/ali%C3%A1s,complexo-de-d-sebastiao,1527395,0.htm, acesso em 01/09/2014)

    Releia o trecho: “O grau da expectativa futebolístico-messiânica é altíssimo, e não é de se espantar que o time brasileiro entre em colapso em certas situações cruciais. Aliás, isso já aconteceu pelo menos três vezes: lá no Maracanazo [Copa de 1950], agora no Mineiraço, e na final de 1998 na França [...].” O termo “aliás”, na segunda sentença, estabelece com a antecedente uma relação de
    Escolha uma alternativa para a questão 296d9570-de
  • 13A5BD79-DE

    Português

    Sintaxe
    FGV · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão.


    Engajamento agora é outro, revela pesquisa


    Os jovens brasileiros desconfiam dos políticos e estão cada vez mais desencantados com os partidos. Isso não provoca, no entanto, o seu afastamento automático de atividades politicamente engajadas. Ligado a organizações que se caracterizam pelo uso de redes sociais e pela estrutura pouco hierarquizada, um número significativo de jovens está se mobilizando em torno de um amplo leque de questões políticas e sociais.

    Temas que vão da mobilidade urbana à organização de grupos de hip hop e cineclubes na periferia das grandes cidades fazem parte do cotidiano desses moços e moças, de acordo com três grandes pesquisas realizadas recentemente sobre juventude no Brasil. Embora conduzidas por diferentes pesquisadores e com focos diversos, as três apontaram na mesma direção.

    R. Arruda, www.estadao.com.br, 14/07/2013.

    O trecho “Embora conduzidas”, que inicia o último período do texto, poderia ser substituído, sem prejuízo para o sentido e para a correção gramatical, por
    Escolha uma alternativa para a questão 13a5bd79-de
  • DBC59564-BB

    Português

    Coesão e coerência
    Universidade do Estado da Bahia · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2014

    BLACH, Mateus. Patrimônio Cultural, parte II: a contemporaneidade. Disponível em:. Acesso em: 9 nov. 2014. 

    No que se refere aos aspectos linguísticos do texto, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão dbc59564-bb
  • DBB0886E-BB

    Português

    Análise sintática
    Universidade do Estado da Bahia · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2014

    Sobre os aspectos linguísticos do texto, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão dbb0886e-bb
  • CDBA8610-B8

    Português

    Sintaxe
    UECE · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2014

    LISPECTOR, Clarice. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Organização e introdução. As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 186-187.

    Acerca do “pois” da linha 4, deve-se dizer que
    Escolha uma alternativa para a questão cdba8610-b8
  • CDA1BE2F-B8

    Português

    Coesão e coerência
    UECE · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2014

    LISPECTOR, Clarice. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Organização e introdução. As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 186-187.

    Atente ao que se diz sobre o texto.

    I. Pode-se dividir o texto em duas partes: a primeira, da linha 1 à linha 25; a segunda, da linha 26 à linha 44. Essa delimitação, no nível do texto, corresponde a uma divisão no nível das ideias.

    II. O conectivo “mas” (linha 26) pressupõe um embate entre duas vozes: uma que afirma algo, e outra que se opõe a esse algo ou o restringe. Na crônica de Lispector, essas vozes derivam de personagens diferentes.

    III. O conectivo “mas” (linha 26) evidencia a oposição básica do texto, que nomeamos aqui de milagre 1 e milagre 2.

    Está correto o que se diz apenas em

    Escolha uma alternativa para a questão cda1be2f-b8
  • 5F0AF6B0-B2

    Português

    Sintaxe
    FATEC · 2014Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto para responder a questão.

    O futebol repete a vida

    Tostão

    (Colunista da Folha)


         Há muitas analogias entre o esporte e a vida. Por isso, as empresas, principalmente as americanas, adoram convidar pessoas do futebol para darem palestras aos seus funcionários e executivos. Por ter sido campeão do mundo e ser agora um cronista, recebo muitos convites. Recuso todos.

         As empresas confundem as razões e as emoções do esporte com as experiências pessoais. Querem criar um manual e um perfil dos vencedores. Não existe. As experiências não se transmitem. Cada um faz do seu jeito.

         Um jogo de futebol é um espetáculo, uma metáfora da vida. Estão presentes a alegria e a tristeza, a glória e o ocaso, a razão e a paixão, a ganância e a solidariedade, o invisível e o previsível, o evidente e o contraditório, o real e o simbólico, a ternura e a agressividade e outras ambivalências que fazem parte da alma humana.

         Nos esportes coletivos e na vida, todos querem brilhar mais do que os outros. Muitos aprendem que só vão se destacar e melhorar de vida se participarem de um grupo ou de uma sociedade organizada, forte e solidária. Por outro lado, são os talentos individuais que iluminam o coletivo. Parece contraditório. A vida é contraditória.

        O esporte é uma boa analogia entre razão e paixão. Um grande jogo precisa ter técnica e emoção. Para formarmos um grande time, é necessário talento, criatividade, disciplina tática e garra. Os grandes atletas são sábios e guerreiros. Quanto mais difícil a partida, mais Pelé vibrava em campo.

       O futebol está tão próximo da brincadeira e da descontração quanto da disciplina e da seriedade. Garrincha foi barrado antes da Copa de 58 porque era considerado uma criança irresponsável. Ele mostrou que o futebol pode ser uma brincadeira séria.

        Em qualquer atividade, a base da criatividade está na brincadeira com seriedade. Craques brincam com a bola; poetas e artistas brincam com as palavras, as imagens e os sons. O ideal seria brincar com a vida, com responsabilidade e sem sentimento de culpa.

      Em um jogo de futebol é muito estreita a linha divisória entre a ética, a responsabilidade e a ambição e a busca pela vitória de todas as maneiras. Na emoção de uma partida, no desejo intenso de ser um campeão, muitas vezes se perdem esses limites. Aí, o atleta dribla a ética. Alguns se arrependem. Assim é também na vida.

    (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk0405200342.htm Acesso em:12.02.14. Adaptado)

    Leia o fragmento do texto: “[...] muitos aprendem que só vão se destacar e melhorar de vida se participarem de um grupo [...]”.

    É correto afirmar que a palavra destacada estabelece entre as orações uma relação de
    Escolha uma alternativa para a questão 5f0af6b0-b2
  • 1A049452-4B

    Português

    Sintaxe
    ENEM · 2014FácilEntre para guardar nos favoritos
    Miss Universo: "As pessoas racistas devem procurar ajuda"

    SÃO PAULO - Leila Lopes, de 25 anos, não é a primeira negra a receber a faixa de Miss Universo. A primazia coube a Janelle "Penny" Commissiong, de Trinidad e Tobago, vencedora do concurso em 1977. Depois dela vieram Chelsi Smith, dos Estados Unidos, em 1995; Wendy Fitzwilliam, também de Trindad e Tobago, em 1998, e Mpule Kwelagobe, de Botswana, em 1999. Em 1986, a gaúcha Deise Nunes, que foi a primeira negra a se eleger Miss Brasil, ficou em sexto lugar na classificação geral. Ainda assim a estupidez humana faz com que, vez ou outra, surjam manifestações preconceituosas como a de um site brasileiro que, às vésperas da competição, e se valendo do anonimato de quem o criou, emitiu opiniões do tipo "Como alguém consegue achar uma preta bonita?" Após receber o título, a mulher mais linda do mundo - que tem o português como língua materna e também fala fluentemente o inglês - disse o que pensa de atitudes como essa e também sobre como sua conquista pode ajudar os necessitados de Angola e de outros países.

    COSTA, D. Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 10 set 2011 (adaptado)

    O uso da expressão “ainda assim” presente nesse texto tem como finalidade
    Escolha uma alternativa para a questão 1a049452-4b
  • C65208D6-96

    Português

    Conjunções: Relação de causa e consequência
    CEDERJ · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto 2

                                        Canção de garoa

                                                                                  Mário Quintana

                                  Em cima do meu telhado
                                  Pirulin lulin lulin,
                                  Um anjo, todo molhado,
                                  Soluça no seu flautim.

                                  O relógio vai bater:
                                  As molas rangem sem fim.
                                  O retrato na parede
                                  Fica olhando para mim.

                                  E chove sem saber por quê...
                                  E tudo foi sempre assim!
                                  Parece que vou sofrer:
                                  Pirulin lulin lulin...

        QUINTANA, Mário. Nariz de vidro. 4.ed. Editora Moderna, 1984. p. 23.
    A conjunção “e" foi usada duas vezes na terceira estrofe, para reforçar a ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão c65208d6-96
  • C052DBF1-AB

    Português

    Interpretação de Textos
    UFG · 2014FácilEntre para guardar nos favoritos
    imagem-001.jpg

    Cosplay = Comportamento que consiste em caracterizar-se de personagens fictícios de desenhos animados, mangás, filmes e/ou séries televisivas.

    No enunciado “Cosplay pode ser coisa de nerd, mas é um luxo”, o uso do termo “mas” instaura uma relação de
    Escolha uma alternativa para a questão c052dbf1-ab
  • 5635D0E1-FB

    Português

    Interpretação de Textos
    UEG · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos
    O período “Se a senhora não precisa de nada, vou ao médico” (Eça de Queirós) pode ser reescrito, sem prejuízo de sentido, do seguinte modo:
    Escolha uma alternativa para a questão 5635d0e1-fb
  • 270755C2-F9

    Português

    Sintaxe
    Universidade Federal do Ceará · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2013ALVES, Rubem. O retorno e eterno: crônicas. Campinas, SP: Papirus, 1992, p. 43-44. 


    Com base no texto 01, responda à questão.

    Assinale a alternativa que preenche o espaço pontilhado da frase As cartas são feitas de palavras .........................., o propósito explicito de uma carta é dar noticias, respeitando o sentido da frase do texto nas linhas 16 e 17.
    Escolha uma alternativa para a questão 270755c2-f9
  • FEC7DE49-F7

    Português

    Sintaxe
    Universidade do Estado da Bahia · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2013Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    É a nossa base cultural, a permear a literatura, a música, o cinema e o teatro, que contém os elementos para desenvolver essas capacidades.” (l. 32-34)


    Os vocábulos em negrito formam uma expressão que denota

    Escolha uma alternativa para a questão fec7de49-f7
  • C6EF7287-F6

    Português

    Coesão e coerência
    Universidade Federal do Ceará · 2013Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    Disponível em: http://cienciaemente.blogspot.com.br/2012/07/vale-pena-aprender-umasegunda-lingua.html. Acesso em 28 nov. 2012. Adaptado


    Com base no texto, responda à questão

    Assinale a alternativa que apresenta expressão equivalente a “Por que” (texto 1, linha 05). 
    Escolha uma alternativa para a questão c6ef7287-f6
  • C6EB90AC-F6

    Português

    Sintaxe
    Universidade Federal do Ceará · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    Disponível em: http://cienciaemente.blogspot.com.br/2012/07/vale-pena-aprender-umasegunda-lingua.html. Acesso em 28 nov. 2012. Adaptado


    Com base no texto, responda à questão

    Assinale a alternativa em que a relação de sentido estabelecida pela locução “Ou seja” (texto 1, linha 08) está corretamente indicada. 
    Escolha uma alternativa para a questão c6eb90ac-f6
  • C6E5205A-F6

    Português

    Coesão e coerência
    Universidade Federal do Ceará · 2013Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa cuja reescrita mantém a mesma relação de sentido presente em “Queria aprender o português depressa, por isto prestava muita atenção em tudo que os outros diziam”.
    Escolha uma alternativa para a questão c6e5205a-f6
  • C6E23A7F-F6

    Português

    Coesão e coerência
    Universidade Federal do Ceará · 2013Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa cuja reescrita do enunciado “Mesmo sendo um desafio, aprender uma segunda língua apresenta muitas vantagens” o mantém com o mesmo sentido do texto.
    Escolha uma alternativa para a questão c6e23a7f-f6
  • CFD65C0A-ED

    Português

    Análise sintática
    Faculdade Cásper Líbero · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto a seguir e responda à questão:


    Muitas regras, poucos direitos

    Há um princípio político que nos leva a acreditar que as lutas políticas caminham necessariamente para a institucionalização de direitos adquiridos. Assim, lutamos para ter direitos reconhecidos pelo ordenamento jurídico. Como resultado desse princípio, cada vez mais a vida social fica institucionalizada e regulada por cláusulas que visam dar voz ao direito dos grupos, até então, profundamente vulneráveis.
    Esse princípio funcionou para a ampliação de direitos em relação às minorias étnicas, religiosas e sexuais. Ou seja, nestes casos, eram demandas direcionadas ao Estado como ator capaz de garantir a universalização real das condições de liberdade exigidas por seus cidadãos. É inegável que tal processo foi e ainda é importante, mas ele poderia ser radicalizado. No entanto, tal radicalização não passa por um aprofundamento dos mecanismos de institucionalização. Ela passa, ao contrário, por uma profunda desinstitucionalização.
    Quando alguém levanta tal ideia, alguns acabam por ver nela uma forma insidiosa de liberalismo. Ou seja, tudo se passa como se estivéssemos diante de uma aplicação do velho mantra: quanto menos Estado melhor. Nesse sentido, desinstitucionalizar significaria deixar a sociedade livre para criar formas de vida, fechando os olhos para experiências de opressão e de vulnerabilidade. Dessa forma, liberais radicais defendem, por exemplo, o direito de uma mulher alugar seu útero, procedimento conhecido como “barriga de aluguel”. Eles afirmam que o Estado não deveria intervir no conteúdo do que sujeitos decidem colocar em relações de contrato, especialmente se ele passa pelo corpo próprio.
    Um contraargumento lembraria que a experiência concreta de alugar o útero é feita, normalmente, por mulheres em extrema pobreza e que praticamente ninguém passa por tal experiência se não estiver em grande vulnerabilidade econômica. Desinstitucionalizar tal “possibilidade de escolha” seria permitir e legitimar a pior de todas as espoliações econômicas.
    O argumento é válido. Por isso, poderíamos pensar uma versão de políticas de desinstitucionalização distinta de sua versão liberal. Ela passa pelo retraimento das legislações sobre costumes, família e autodeterminação, e pelo fortalecimento da sensibilidade jurídica contra processos de espoliação. Em outras ocasiões, sugeri dois exemplos. Um ligado à desinstitucionalização do casamento.
    Processo no interior do qual o Estado deixa de legislar sobre a forma do matrimônio, guardando-se para legislar única e exclusivamente sobre as relações econômicas entre casais ou outras formas de “agrupamentos afetivos”. Esta seria uma maneira de radicalizar o princípio de abertura do casamento a modelos não ligados à família heterossexual burguesa. Em vez de ampliar a lei para casos que ela não contemplava (como os homossexuais), deveríamos simplesmente eliminar a lei, conservando apenas os dispositivos ligados a problemas econômicos (pensão, obrigações financeiras) e guarda de filhos.
    Outro exemplo concerne às legislações sobre porte de signos religiosos, como burcas e véus. Em vez de entrar no guarda-roupa de seus cidadãos e decidir o que eles não devem vestir, o Estado deveria simplesmente garantir a liberdade de ninguém, a partir de certa idade, portar o que não quer (o que leva em conta até mesmo uniformes escolares impostos a adolescentes). Ou seja, no lugar de institucionalizar hábitos, como as vestimentas, por meio do discurso de que há roupas mais opressivas que outras, o Estado simplesmente sai, por exemplo, das discussões surreais sobre o significado de uma burca e contenta-se em garantir um quadro formal de liberdade.
    Esses processos de desinstitucionalização permitem às sociedades caminharem paulatinamente para um estado de indiferença em relação a questões culturais e de costumes. Pois questões culturais sempre serão espaços de afirmação da multiplicidade de identidades. Mas a política deve, no horizonte, se descolar dessa afirmação. Por mais que isso possa parecer contraintuitivo, a verdadeira política está sempre para além da afirmação das identidades. O que pode soar estranho para alguns, mas parece-me uma proposição necessária. (Vladimir Safatle, Carta Capital n. 768, ano XIX, 2/10/2013, p. 39).  
    Em “Por mais que isso possa parecer contraintuitivo, a verdadeira política está sempre para além da afirmação das identidades”, a expressão “por mais que” tem valor de:
    Escolha uma alternativa para a questão cfd65c0a-ed
  • D1BD7871-DC

    Português

    Coesão e coerência
    Universidade Presbiteriana Mackenzie · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto para a questão
    Diário de bordo
    Imagem da questão de Português, da prova de 2013
    Carlos Heitor Cony
    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão d1bd7871-dc
  • 43D79A0B-B8

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto 1

    Caro candidato, o primeiro texto desta prova foi extraído do livro de memórias do escritor e jornalista carioca, que nasceu em 1926, Carlos Heitor Cony. Um livro de memórias é “relato que alguém faz, frequentemente, na forma de obra literária, a partir de acontecimentos históricos dos quais participou ou foi testemunha, ou que estão fundamentados em sua vida particular”. Não deve ser confundido com autobiografia. 

    Imagem da questão de Português, da prova de 2013
    Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    CONY, Carlos Heitor. In: Eu aos pedaços:
    memórias. São Paulo: Leya, 2010. p. 114-115. 
    No seguinte enunciado — “Cheguei ao Santos Dumont, o voo estava atrasado, decidi engraxar os sapatos” (linhas 5-7) — a relação entre as orações está implícita. Marque a única alternativa que explicita o sentido que esse enunciado tem no texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 43d79a0b-b8