Questões do ENEM: Linguagens e Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

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5.815 questões encontradas. Mostrando a página 128 de 291.

  • 97509AB5-E8

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    Deficientes visuais já podem ir a algumas salas de cinema e teatros para curtir, em maior intensidade, as atrações em cartaz. Quem ajuda na tarefa é o aplicativo Whatscine, recém-chegado ao Brasil e disponível para os sistemas operacionais iOS (Apple) ou Android (Google). Ao ser conectado à rede wi-fi de cinemas e teatros, o app sincroniza um áudio que descreve o que ocorre na tela ou no palco com o espetáculo em andamento: o usuário, então, pode ouvir a narração em seu celular.

    O programa foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Carlos III, em Madri. “Na Espanha, 200 salas de cinema já oferecem o recurso e filmes de grandes estúdios já são exibidos com o recurso do Whatscine!”, diz o brasileiro Luis Mauch, que trouxe a tecnologia para o país. “No Brasil, já fechamos parceria com a São Paulo Companhia de Dança para adaptar os espetáculos deles! Isso já é um avanço. Concorda?”

    Disponível em: http://veja.abril.com.br. Acesso em: 25jun. 2014 (adaptado).


    Por ser múltipla e apresentar peculiaridades de acordo com a intenção do emissor, a linguagem apresenta funções diferentes. Nesse fragmento, predomina a função referencial da linguagem, porque há a presença de elementos que

    Escolha uma alternativa para a questão 97509ab5-e8
  • 974CB666-E8

    Português

    Interpretação de Textos
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                 Imagem da questão de Português, ENEM 2018, Interpretação de Textos


    TEXTO II


          A body art põe o corpo tão em evidência e o submete a experimentações tão variadas, que sua influência estende-se aos dias de hoje. Se na arte atual as possibilidades de investigação do corpo parecem ilimitadas - pode-se escolher entre representar, apresentar, ou ainda apenas evocar o corpo - isso ocorre graças ao legado dos artistas pioneiros.

    SILVA, P. R. Corpo na arte, body art, body modification: fronteiras. II Encontro de História da Arte: IFCH-Unicamp, 2006 (adaptado).


    Nos textos, a concepção de body art está relacionada à intenção de

    Escolha uma alternativa para a questão 974cb666-e8
  • 97492655-E8

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Quebranto


    às vezes sou o policial que me suspeito

    me peço documentos

    e mesmo de posse deles

    me prendo e me dou porrada

    às vezes sou o porteiro

    não me deixando entrar em mim mesmo

    a não ser

    pela porta de serviço

    [..]

    às vezes faço questão de não me ver

    e entupido com a visão deles

    sinto-me a miséria concebida como um eterno

    começo

    fecho-me o cerco

    sendo o gesto que me nego

    a pinga que me bebo e me embebedo

    o dedo que me aponto

    e denuncio

    o ponto em que me entrego.

    às vezes!...

    CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza, 2007 (fragmento).


    Na literatura de temática negra produzida no Brasil, é recorrente a presença de elementos que traduzem experiências históricas de preconceito e violência. No poema, essa vivência revela que o eu lírico

    Escolha uma alternativa para a questão 97492655-e8
  • 9745C8C1-E8

    Português

    Interpretação de Textos
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    Na sociologia e na literatura, o brasileiro foi por vezes tratado como cordial e hospitaleiro, mas não é isso o que acontece nas redes sociais: a democracia racial apregoada por Gilberto Freyre passa ao largo do que acontece diariamente nas comunidades virtuais do país. Levantamento inédito realizado pelo projeto Comunica que Muda [...] mostra em números a intolerância do internauta tupiniquim. Entre abril e junho, um algoritmo vasculhou plataformas [...] atrás de mensagens e textos sobre temas sensíveis, como racismo, posicionamento político e homofobia. Foram identificadas 393 284 menções, sendo 84% delas com abordagem negativa, de exposição do preconceito e da discriminação.

    Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 6 dez. 2017 (adaptado).


    Ao abordar a postura do internauta brasileiro mapeada por meio de uma pesquisa em plataformas virtuais, o texto

    Escolha uma alternativa para a questão 9745c8c1-e8
  • 97424ADF-E8

    Português

    Interpretação de Textos
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    — Famigerado? [...]

    — Famigerado é “inóxio”, é “célebre”, “notório”, “notável”...

    — Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?

    — Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos...

    — Pois... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia de semana?

    — Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito...

    ROSA, G. Famigerado. In: Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.


    Nesse texto, a associação de vocábulos da língua portuguesa a determinados dias da semana remete ao

    Escolha uma alternativa para a questão 97424adf-e8
  • 973EC200-E8

    Português

    Interpretação de Textos
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    Imagem da questão de Português, ENEM 2018, Interpretação de Textos


    A utilização de determinadas variedades linguísticas em campanhas educativas tem a função de atingir o público-alvo de forma mais direta e eficaz. No caso desse texto, identifica-se essa estratégia pelo(a)

    Escolha uma alternativa para a questão 973ec200-e8
  • 973B2B38-E8

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    “A Declaração Universal dos Direitos Humanos está completando 70 anos em tempos de desafios crescentes, quando o ódio, a discriminação e a violência permanecem vivos”, disse a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Audrey Azoulay.

    “Ao final da Segunda Guerra Mundial, a humanidade inteira resolveu promover a dignidade humana em todos os lugares e para sempre. Nesse espírito, as Nações Unidas adotaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos como um padrão comum de conquistas para todos os povos e todas as nações”, disse Audrey.

    “Centenas de milhões de mulheres e homens são destituídos e privados de condições básicas de subsistência e de oportunidades. Movimentos populacionais forçados geram violações aos direitos em uma escala sem precedentes. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável promete não deixar ninguém para trás - e os direitos humanos devem ser o alicerce para todo o progresso.”

    Segundo ela, esse processo precisa começar o quanto antes nas carteiras das escolas. Diante disso, a Unesco lidera a educação em direitos humanos para assegurar que todas as meninas e meninos saibam seus direitos e os direitos dos outros.

    Disponível em: https://nacoesunidas.org. Acesso em: 3 abr. 2018 (adaptado).


    Defendendo a ideia de que “os direitos humanos devem ser o alicerce para todo o progresso”, a diretora-geral da Unesco aponta, como estratégia para atingir esse fim, a

    Escolha uma alternativa para a questão 973b2b38-e8
  • AB993852-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    UFPR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

                 ‘Ferrugem’: um ótimo nacional encara o cyberbullying


          Um celular perdido, um vídeo viralizado, e Tati, de 16 anos, se vê no meio de um furacão que abalaria qualquer um – e muito mais uma menina a quem ainda falta o equipamento emocional para lidar com uma situação tão drástica de exposição da intimidade e de ostracismo social. Os amigos e amigas vão caindo fora; com os pais, ela não consegue falar. Renet, o garoto com quem ela começava a engatar um flerte quando tudo começou, dá as costas a ela. E Tati, interpretada pela ótima novata Tiffanny Dopke, de fisionomia suave e jeitinho cativante, sucumbe à pressão.

          ‘Ferrugem’, do diretor Aly Muritiba, é um dos pontos altos de uma safra surpreendentemente boa do cinema nacional nos últimos meses (completada ainda por ‘Aos Teus Olhos’, ‘As Boas Maneiras’, ‘O Animal Cordial’ e ‘Benzinho’). Da agitação e cacofonia dessa primeira parte do filme, Muritiba vai, na segunda metade, para um estilo oposto: com atenção e reflexão, acompanha o sofrimento de Renet (o também muito bom Giovanni de Lorenzi) com as consequências do episódio que afetou Tati. Aqui, duas visões morais muito distintas se opõem: a do pai (Enrique Diaz), que quer poupar Renet, e a da mãe (a calorosa Clarissa Kiste), que quer obrigá-lo a enfrentar os fatos.

          Maduro, lúcido, muito bem escrito e filmado, ‘Ferrugem’ está na comissão de frente dos possíveis indicados do Brasil ao Oscar do ano que vem.

    (Disponível em: <https://veja.abril.com.br/tveja/em-cartaz/ferrugem-um-otimo-nacional-encara-o-cyberbullying/> . Acesso em 31/08/2018.) 

    As expressões ‘equipamento emocional’ e ‘ostracismo social’, no segundo parágrafo, podem ser interpretadas, segundo o contexto de ocorrência, respectivamente, como:
    Escolha uma alternativa para a questão ab993852-dd
  • AB95F82B-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    UFPR · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

                 ‘Ferrugem’: um ótimo nacional encara o cyberbullying


          Um celular perdido, um vídeo viralizado, e Tati, de 16 anos, se vê no meio de um furacão que abalaria qualquer um – e muito mais uma menina a quem ainda falta o equipamento emocional para lidar com uma situação tão drástica de exposição da intimidade e de ostracismo social. Os amigos e amigas vão caindo fora; com os pais, ela não consegue falar. Renet, o garoto com quem ela começava a engatar um flerte quando tudo começou, dá as costas a ela. E Tati, interpretada pela ótima novata Tiffanny Dopke, de fisionomia suave e jeitinho cativante, sucumbe à pressão.

          ‘Ferrugem’, do diretor Aly Muritiba, é um dos pontos altos de uma safra surpreendentemente boa do cinema nacional nos últimos meses (completada ainda por ‘Aos Teus Olhos’, ‘As Boas Maneiras’, ‘O Animal Cordial’ e ‘Benzinho’). Da agitação e cacofonia dessa primeira parte do filme, Muritiba vai, na segunda metade, para um estilo oposto: com atenção e reflexão, acompanha o sofrimento de Renet (o também muito bom Giovanni de Lorenzi) com as consequências do episódio que afetou Tati. Aqui, duas visões morais muito distintas se opõem: a do pai (Enrique Diaz), que quer poupar Renet, e a da mãe (a calorosa Clarissa Kiste), que quer obrigá-lo a enfrentar os fatos.

          Maduro, lúcido, muito bem escrito e filmado, ‘Ferrugem’ está na comissão de frente dos possíveis indicados do Brasil ao Oscar do ano que vem.

    (Disponível em: <https://veja.abril.com.br/tveja/em-cartaz/ferrugem-um-otimo-nacional-encara-o-cyberbullying/> . Acesso em 31/08/2018.) 

    Com base no texto, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:


    ( ) O filme “Ferrugem”, segundo a reportagem apura, concorrerá ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano que vem.

    ( ) O filme “Ferrugem” narra a história de uma menina, Tati, que tem sua intimidade exposta publicamente depois de perder o celular.

    ( ) O filme apresenta duas linhas narrativas: uma agitada e dissonante, e outra, psicológica e reflexiva.

    ( ) O filme “Ferrugem” critica a exposição descuidada dos adolescentes em redes sociais.


    Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.

    Escolha uma alternativa para a questão ab95f82b-dd
  • AB8900B9-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    UFPR · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

          O texto a seguir é referência para as questões 41 a 45.


    Imagem da questão de Português, UFPR 2018, Interpretação de Textos

    Com relação aos contos tradicionais, a autora:
    Escolha uma alternativa para a questão ab8900b9-dd
  • 32992F81-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    O adiado avô.

    Mia Couto.
      Nossa irmã Glória pariu e foi motivo de contentamentos familiares. Todos festejaram, exceto o nosso velho, Zedmundo Constantino Constante, que recusou ir ao hospital ver a criança. No isolamento de seu quarto hospitalar, Glória chorou babas e aranhas. Todo o dia seus olhos patrulharam a porta do quarto. A presença de nosso pai seria a bênção, tão esperada quanto o seu próprio recém-nascido. - Ele há-de vir, há-de vir. Não veio. Foi preciso trazerem o miúdo a nossa casa para que o avô lhe passasse os olhos. Mas foi como um olhar para nada. Ali no berço não estava ninguém. Glória reincidiu no choro. (...). Suplicou a sua mãe Dona Amadalena. Ela que falasse com o pai para que este não mais a castigasse. Falasse era fraqueza de expressão: a mãe era muda, a sua voz esquecera de nascer. O menino disse as primeiras palavras e, logo, o nosso pai Zedmundo desvalorizou: - Bahh! Contrariava a alegria geral. À mana Glória já não restava sombra de glória. (...) O homem sempre acinzentava a nuvem. Mas Zedmundo, no capítulo das falas, tinha a sua razão: nós, pobres, devíamos alargar a garganta não para falar, mas para melhor engolir sapos. - E é o que repito: falar é fácil. Custa é aprender a calar. E repetia a infinita e inacabada lembrança, esse episódio que já conhecíamos de salteado. Mas escutamos, em nosso respeitoso dever. Que uma certa vez, o patrão português, perante os restantes operários, lhe intimou: - Você, fulano, o que é que pensa? Ainda lhe veio à cabeça responder: preto não pensa, patrão. Mas preferiu ficar calado. - Não fala? Tem que falar, meu cabrão. Curioso: um regime inteiro para não deixar nunca o povo falar e a ele o ameaçavam para que não ficasse calado. E aquilo lhe dava um tal sabor de poder que ele se amarrou no silêncio. E foram insultos. Foram pancadas. E foi prisão. Ele entre os muitos cativos por falarem de mais: o único que pagava por não abrir a boca. - Eu tão calado que parecia a vossa mãe, Dona Amadalena, com o devido respeito... Meu velho acabou a história e só minha mãe arfou a mostrar saturação. Dona Amadalena sempre falara suspiros. Porém, em tons tão precisos que aquilo se convertera em língua. Amadalena suspirava direito por silêncios tortos. (...) A mulher puxou-o para o quarto. Ali, no côncavo de suas intimidades, o velho Zedmundo se explicou. (...). Eu não sou avô, eu sou eu, Zedmundo Constante. Agora, ele queria gozar o merecido direito: ser velho. A gente morre ainda com tanta vida! - Você não entende, mulher, mas os netos foram inventados para, mais uma vez, nos roubarem a regalia de sermos nós. E ainda mais se explicou: primeiro, não fomos nós porque éramos filhos. Depois, adiámos o ser porque fomos pais. Agora, querem-nos substituir pelo sermos avós. (...)
    Assinale a alternativa que melhor caracteriza o texto em relação aos gêneros literários.
    Escolha uma alternativa para a questão 32992f81-dd
  • 329610B4-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    O adiado avô.

    Mia Couto.
      Nossa irmã Glória pariu e foi motivo de contentamentos familiares. Todos festejaram, exceto o nosso velho, Zedmundo Constantino Constante, que recusou ir ao hospital ver a criança. No isolamento de seu quarto hospitalar, Glória chorou babas e aranhas. Todo o dia seus olhos patrulharam a porta do quarto. A presença de nosso pai seria a bênção, tão esperada quanto o seu próprio recém-nascido. - Ele há-de vir, há-de vir. Não veio. Foi preciso trazerem o miúdo a nossa casa para que o avô lhe passasse os olhos. Mas foi como um olhar para nada. Ali no berço não estava ninguém. Glória reincidiu no choro. (...). Suplicou a sua mãe Dona Amadalena. Ela que falasse com o pai para que este não mais a castigasse. Falasse era fraqueza de expressão: a mãe era muda, a sua voz esquecera de nascer. O menino disse as primeiras palavras e, logo, o nosso pai Zedmundo desvalorizou: - Bahh! Contrariava a alegria geral. À mana Glória já não restava sombra de glória. (...) O homem sempre acinzentava a nuvem. Mas Zedmundo, no capítulo das falas, tinha a sua razão: nós, pobres, devíamos alargar a garganta não para falar, mas para melhor engolir sapos. - E é o que repito: falar é fácil. Custa é aprender a calar. E repetia a infinita e inacabada lembrança, esse episódio que já conhecíamos de salteado. Mas escutamos, em nosso respeitoso dever. Que uma certa vez, o patrão português, perante os restantes operários, lhe intimou: - Você, fulano, o que é que pensa? Ainda lhe veio à cabeça responder: preto não pensa, patrão. Mas preferiu ficar calado. - Não fala? Tem que falar, meu cabrão. Curioso: um regime inteiro para não deixar nunca o povo falar e a ele o ameaçavam para que não ficasse calado. E aquilo lhe dava um tal sabor de poder que ele se amarrou no silêncio. E foram insultos. Foram pancadas. E foi prisão. Ele entre os muitos cativos por falarem de mais: o único que pagava por não abrir a boca. - Eu tão calado que parecia a vossa mãe, Dona Amadalena, com o devido respeito... Meu velho acabou a história e só minha mãe arfou a mostrar saturação. Dona Amadalena sempre falara suspiros. Porém, em tons tão precisos que aquilo se convertera em língua. Amadalena suspirava direito por silêncios tortos. (...) A mulher puxou-o para o quarto. Ali, no côncavo de suas intimidades, o velho Zedmundo se explicou. (...). Eu não sou avô, eu sou eu, Zedmundo Constante. Agora, ele queria gozar o merecido direito: ser velho. A gente morre ainda com tanta vida! - Você não entende, mulher, mas os netos foram inventados para, mais uma vez, nos roubarem a regalia de sermos nós. E ainda mais se explicou: primeiro, não fomos nós porque éramos filhos. Depois, adiámos o ser porque fomos pais. Agora, querem-nos substituir pelo sermos avós. (...)
    Assinale a alternativa que explica corretamente a atitude do protagonista, de se “amarrar no silêncio” (negritado, no texto).
    Escolha uma alternativa para a questão 329610b4-dd
  • 328F2B55-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    O adiado avô.

    Mia Couto.
      Nossa irmã Glória pariu e foi motivo de contentamentos familiares. Todos festejaram, exceto o nosso velho, Zedmundo Constantino Constante, que recusou ir ao hospital ver a criança. No isolamento de seu quarto hospitalar, Glória chorou babas e aranhas. Todo o dia seus olhos patrulharam a porta do quarto. A presença de nosso pai seria a bênção, tão esperada quanto o seu próprio recém-nascido. - Ele há-de vir, há-de vir. Não veio. Foi preciso trazerem o miúdo a nossa casa para que o avô lhe passasse os olhos. Mas foi como um olhar para nada. Ali no berço não estava ninguém. Glória reincidiu no choro. (...). Suplicou a sua mãe Dona Amadalena. Ela que falasse com o pai para que este não mais a castigasse. Falasse era fraqueza de expressão: a mãe era muda, a sua voz esquecera de nascer. O menino disse as primeiras palavras e, logo, o nosso pai Zedmundo desvalorizou: - Bahh! Contrariava a alegria geral. À mana Glória já não restava sombra de glória. (...) O homem sempre acinzentava a nuvem. Mas Zedmundo, no capítulo das falas, tinha a sua razão: nós, pobres, devíamos alargar a garganta não para falar, mas para melhor engolir sapos. - E é o que repito: falar é fácil. Custa é aprender a calar. E repetia a infinita e inacabada lembrança, esse episódio que já conhecíamos de salteado. Mas escutamos, em nosso respeitoso dever. Que uma certa vez, o patrão português, perante os restantes operários, lhe intimou: - Você, fulano, o que é que pensa? Ainda lhe veio à cabeça responder: preto não pensa, patrão. Mas preferiu ficar calado. - Não fala? Tem que falar, meu cabrão. Curioso: um regime inteiro para não deixar nunca o povo falar e a ele o ameaçavam para que não ficasse calado. E aquilo lhe dava um tal sabor de poder que ele se amarrou no silêncio. E foram insultos. Foram pancadas. E foi prisão. Ele entre os muitos cativos por falarem de mais: o único que pagava por não abrir a boca. - Eu tão calado que parecia a vossa mãe, Dona Amadalena, com o devido respeito... Meu velho acabou a história e só minha mãe arfou a mostrar saturação. Dona Amadalena sempre falara suspiros. Porém, em tons tão precisos que aquilo se convertera em língua. Amadalena suspirava direito por silêncios tortos. (...) A mulher puxou-o para o quarto. Ali, no côncavo de suas intimidades, o velho Zedmundo se explicou. (...). Eu não sou avô, eu sou eu, Zedmundo Constante. Agora, ele queria gozar o merecido direito: ser velho. A gente morre ainda com tanta vida! - Você não entende, mulher, mas os netos foram inventados para, mais uma vez, nos roubarem a regalia de sermos nós. E ainda mais se explicou: primeiro, não fomos nós porque éramos filhos. Depois, adiámos o ser porque fomos pais. Agora, querem-nos substituir pelo sermos avós. (...)

    Mia Couto, autor moçambicano, é conhecido por abordar o passado colonial de sua terra natal, a opressão feminina, a família patriarcal e a luta do povo em busca de sua identidade. Metaforicamente, de modo implícito, ou explícito, essas marcas se evidenciam nesse texto, nas situações:

    I) silêncio de Amadalena.

    II) insistência de Zedmundo em ser ele mesmo.

    III) insistência de Glória na bênção do pai ao neto.

    IV) postura autoritária do patrão português.

    V) mágoa explícita do narrador.


    Estão corretos apenas:

    Escolha uma alternativa para a questão 328f2b55-dd
  • 328BAA10-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Analise a charge com atenção.


    Imagem da questão de Português, IF-PR 2018, Interpretação de Textos

        Nessa charge, os recursos não-verbais são suficientes para a compreensão da mensagem, que poderia ser assim registrada: 

    Escolha uma alternativa para a questão 328baa10-dd
  • 32850BF7-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    Os dois amigos se encontram, para um dia de pescaria. Um deles estranha a “bagagem” do outro:

    – Ô cumpade, pra mode quê tá levano esses dois embornal? Tudo é isca?

    – Não... É que tô levano uma pingazinha, cumpade.

    – Pinga, cumpade? Nóis num tinha acertado que num ia bebê mais?!

    – Cumpade, é que pode aparecê uma cobra e picá a gente. Aí nóis desinfeta com a pinga e toma uns gole, que é pra mode num sinti a dô.

    – É... e na outra sacola, o que cê tá levano?

    – É a cobra, cumpade. Pode num tê lá...

    Considerando o texto, selecione, entre as alternativas, o dizer popular ao qual se pode relacionar algum fragmento dele, ou sua totalidade.
    Escolha uma alternativa para a questão 32850bf7-dd
  • 3281003E-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Os dois amigos se encontram, para um dia de pescaria. Um deles estranha a “bagagem” do outro:

    – Ô cumpade, pra mode quê tá levano esses dois embornal? Tudo é isca?

    – Não... É que tô levano uma pingazinha, cumpade.

    – Pinga, cumpade? Nóis num tinha acertado que num ia bebê mais?!

    – Cumpade, é que pode aparecê uma cobra e picá a gente. Aí nóis desinfeta com a pinga e toma uns gole, que é pra mode num sinti a dô.

    – É... e na outra sacola, o que cê tá levano?

    – É a cobra, cumpade. Pode num tê lá...

    Assinale a alternativa correta em relação ao texto.

    Escolha uma alternativa para a questão 3281003e-dd
  • 327A7257-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
         Em texto publicado no New York Times, Neal Gabler, da Universidade do Sul da Califórnia, argumenta que vivemos em uma sociedade na qual ter informações tornou-se mais importante do que pensar: uma era pós-ideias(...). Seu ponto de partida é uma constatação desconcertante: vivemos em uma sociedade vazia de grandes ideias, leia-se, conceitos e teorias influentes, capazes de mudar nossa maneira de ver o mundo. (...) Não somos menos inteligentes do que nossos ancestrais. A razão para a esqualidez de nossas ideias, segundo o autor, é que vivemos em um mundo no qual ideias que não podem ser rapidamente transformadas em negócios, lucros, são relegadas às margens. Tal condição é acompanhada pelo declínio dos ideais iluministas – o primado da razão, da ciência e da lógica – e a ascensão da superstição, da fé e da ortodoxia. (...)

        O autor aponta que a principal causa da debilidade das nossas ideias é o excesso de informações. Hoje, graças à internet, temos acesso facilitado a qualquer informação, de qualquer fonte, em qualquer parte do planeta. Colocamos a informação acima do conhecimento. Temos acesso a tantas informações que não temos tempo para processá-las. (...) Saber, ou possuir informação, tornou-se mais importante do que conhecer; mais importante porque tem mais valor, porque nos mantêm à tona, conectados em nossas infinitas redes de pseudorrelações.

       As novas gerações estão adotando maciçamente as mídias sociais, fazendo delas sua forma primária de comunicação. Para Glaber, tais mídias fomentam hábitos mentais que são opostos àqueles necessários para gerar ideias. Elas substituem raciocínios lógicos e argumentos por fragmentos de comunicação e opiniões descompromissadas.

       O mesmo fenômeno atinge as gerações mais velhas. Nas empresas, muitos executivos passam parte considerável de seu tempo captando fragmentos de notícias sobre mercados, concorrentes e clientes. (...) Vivem a colher informações e distribuí-las, sem vontade ou tempo para analisá-las. Tornam-se máquinas de captação e reprodução. À noite, em casa, repetem o comportamento nas mídias sociais. Seguem a vida dos amigos e dos amigos dos amigos; comunicam-se por uma orgia de imagens e frases curtas, signos cheios de significado e vazios de sentido. (Carta Capital, 16/10/2011)

    Analise as assertivas dadas a seguir.

    I) A sociedade atual não produz conhecimentos impactantes.

    II) No mundo em que vivemos, a ciência tem pouco valor; predominam as ideias infundadas, e os dogmatismos.

    III) Com tanta informação disponível, as novas gerações não precisam aprofundar seus conhecimentos: sabem de tudo um pouco.

    IV) Os ideais iluministas são muito marcantes e a sociedade atual não consegue ultrapassá-los.

    V) Na atualidade, as sociedades são regidas por interesses negociais que se traduzam em lucro.

    Assinale aquelas que estão de acordo com as ideias do texto.

    Escolha uma alternativa para a questão 327a7257-dd
  • B126655C-CE

    Português

    Interpretação de Textos
    IF Sul - MG · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    No conto de Clarice Lispector, o aspecto exótico, demarcado pela “raridade” da descoberta da “menor mulher do mundo”, é relativizado, principalmente, porque:
    Escolha uma alternativa para a questão b126655c-ce
  • B122D610-CE

    Português

    Interpretação de Textos
    IF Sul - MG · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    O conto “A menor mulher do mundo”, de Clarice Lispector, tem como tema a alteridade, ou seja, a relação Eu/Outro, marcada pelo tratamento da personagem feminina, Pequena Flor, como um objeto de curiosidade. Essa coisificação NÃO se concretiza na:
    Escolha uma alternativa para a questão b122d610-ce