Questões do ENEM: Linguagens e Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

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Resultados

5.815 questões encontradas. Mostrando a página 182 de 291.

  • 225C0F7B-30

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - Campinas · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

                 História da pintura, história do mundo 

    Imagem da questão de Português, PUC - Campinas 2016, Interpretação de Textos

                                                                                                                    (BATISTA, Domenico, inédito)                                                                                   

    Sobre o parágrafo 3, em seu contexto, entende-se com correção:
    Escolha uma alternativa para a questão 225c0f7b-30
  • 2256149A-30

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - Campinas · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

                 História da pintura, história do mundo 

    Imagem da questão de Português, PUC - Campinas 2016, Interpretação de Textos

                                                                                                                    (BATISTA, Domenico, inédito)                                                                                   

    O autor,
    Escolha uma alternativa para a questão 2256149a-30
  • 1A759949-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o soneto XLVI, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), para responder a questão.
    Não vês, Lise, brincar esse menino
    Com aquela avezinha? Estende o braço,
    Deixa-a fugir, mas apertando o laço,
    A condena outra vez ao seu destino.

    Nessa mesma figura, eu imagino,
    Tens minha liberdade, pois ao passo
    Que cuido que estou livre do embaraço,
    Então me prende mais meu desatino.

    Em um contínuo giro o pensamento
    Tanto a precipitar-me se encaminha,
    Que não vejo onde pare o meu tormento.

    Mas fora menos mal esta ânsia minha,
    Se me faltasse a mim o entendimento,
    Como falta a razão a esta avezinha.

    (Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.)
    No soneto, o menino e a avezinha, mencionados na primeira estrofe, são comparados, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão 1a759949-30
  • 1A72B33B-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o soneto XLVI, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), para responder a questão.
    Não vês, Lise, brincar esse menino
    Com aquela avezinha? Estende o braço,
    Deixa-a fugir, mas apertando o laço,
    A condena outra vez ao seu destino.

    Nessa mesma figura, eu imagino,
    Tens minha liberdade, pois ao passo
    Que cuido que estou livre do embaraço,
    Então me prende mais meu desatino.

    Em um contínuo giro o pensamento
    Tanto a precipitar-me se encaminha,
    Que não vejo onde pare o meu tormento.

    Mas fora menos mal esta ânsia minha,
    Se me faltasse a mim o entendimento,
    Como falta a razão a esta avezinha.

    (Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.)
    O tom predominante no soneto é de
    Escolha uma alternativa para a questão 1a72b33b-30
  • 1A6F9EBC-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder a questão, leia o excerto de Auto da Barca do Inferno do escritor português Gil Vicente (1465?-1536?). A peça prefigura o destino das almas que chegam a um braço de mar onde se encontram duas barcas (embarcações): uma destinada ao Paraíso, comandada pelo anjo, e outra destinada ao Inferno, comandada pelo diabo.

     Vem um Frade com uma Moça pela mão […]; e ele
    mesmo fazendo a baixa1  começou a dançar, dizendo
    Frade: Tai-rai-rai-ra-rã ta-ri-ri-rã;
                Tai-rai-rai-ra-rã ta-ri-ri-rã;
                Tã-tã-ta-ri-rim-rim-rã, huha!
    Diabo: Que é isso, padre? Quem vai lá?
    Frade: Deo gratias2 ! Sou cortesão.
    Diabo: Danças também o tordião3 ?
    Frade: Por que não? Vê como sei.
    Diabo: Pois entrai, eu tangerei4
                e faremos um serão.
                E essa dama, porventura?
    Frade: Por minha a tenho eu,
                e sempre a tive de meu.
    Diabo: Fizeste bem, que é lindura!
                Não vos punham lá censura
                no vosso convento santo?
    Frade: E eles fazem outro tanto!
    Diabo: Que preciosa clausura5!
    Entrai, padre reverendo!
    Frade: Para onde levais gente?
    Diabo: Para aquele fogo ardente
                que não temestes vivendo.
    Frade: Juro a Deus que não te entendo!
                E este hábito6não me val7?
    Diabo: Gentil padre mundanal8
                a Belzebu vos encomendo!
    Frade: Corpo de Deus consagrado!
                Pela fé de Jesus Cristo,
                que eu não posso entender isto!
                Eu hei de ser condenado?
                Um padre tão namorado
                e tanto dado à virtude?
                Assim Deus me dê saúde,
                que eu estou maravilhado!
    Diabo: Não façamos mais detença9
                embarcai e partiremos;
                tomareis um par de remos.
    Frade: Não ficou isso na avença10.
    Diabo: Pois dada está já a sentença!
    Frade: Por Deus! Essa seria ela?
                Não vai em tal caravela
                minha senhora Florença?
                Como? Por ser namorado
                e folgar c’uma mulher?
                Se há um frade de perder,
                com tanto salmo rezado?!
    Diabo: Ora estás bem arranjado!
    Frade: Mas estás tu bem servido.
    Diabo: Devoto padre e marido,
                haveis de ser cá pingado11

    (Auto da Barca do Inferno, 2007.)

     1 baixa: dança popular no século XVI.
    2 Deo gratias: graças a Deus.
    3 tordião: outra dança popular no século XVI.
    4 tanger: fazer soar um instrumento.
    5 clausura: convento.
    6 hábito: traje religioso.
    7 val: vale.
    8 mundanal: mundano.
    9 detença: demora.
    10 avença: acordo.
    11 ser pingado: ser pingado com gotas de gordura fervendo (segundo o imaginário popular, processo de tortura que ocorreria no inferno)
    Assinale a alternativa cuja máxima está em conformidade com o excerto e com a proposta do teatro de Gil Vicente.
    Escolha uma alternativa para a questão 1a6f9ebc-30
  • 1A6CC77E-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder a questão, leia o excerto de Auto da Barca do Inferno do escritor português Gil Vicente (1465?-1536?). A peça prefigura o destino das almas que chegam a um braço de mar onde se encontram duas barcas (embarcações): uma destinada ao Paraíso, comandada pelo anjo, e outra destinada ao Inferno, comandada pelo diabo.

     Vem um Frade com uma Moça pela mão […]; e ele
    mesmo fazendo a baixa1  começou a dançar, dizendo
    Frade: Tai-rai-rai-ra-rã ta-ri-ri-rã;
                Tai-rai-rai-ra-rã ta-ri-ri-rã;
                Tã-tã-ta-ri-rim-rim-rã, huha!
    Diabo: Que é isso, padre? Quem vai lá?
    Frade: Deo gratias2 ! Sou cortesão.
    Diabo: Danças também o tordião3 ?
    Frade: Por que não? Vê como sei.
    Diabo: Pois entrai, eu tangerei4
                e faremos um serão.
                E essa dama, porventura?
    Frade: Por minha a tenho eu,
                e sempre a tive de meu.
    Diabo: Fizeste bem, que é lindura!
                Não vos punham lá censura
                no vosso convento santo?
    Frade: E eles fazem outro tanto!
    Diabo: Que preciosa clausura5!
    Entrai, padre reverendo!
    Frade: Para onde levais gente?
    Diabo: Para aquele fogo ardente
                que não temestes vivendo.
    Frade: Juro a Deus que não te entendo!
                E este hábito6não me val7?
    Diabo: Gentil padre mundanal8
                a Belzebu vos encomendo!
    Frade: Corpo de Deus consagrado!
                Pela fé de Jesus Cristo,
                que eu não posso entender isto!
                Eu hei de ser condenado?
                Um padre tão namorado
                e tanto dado à virtude?
                Assim Deus me dê saúde,
                que eu estou maravilhado!
    Diabo: Não façamos mais detença9
                embarcai e partiremos;
                tomareis um par de remos.
    Frade: Não ficou isso na avença10.
    Diabo: Pois dada está já a sentença!
    Frade: Por Deus! Essa seria ela?
                Não vai em tal caravela
                minha senhora Florença?
                Como? Por ser namorado
                e folgar c’uma mulher?
                Se há um frade de perder,
                com tanto salmo rezado?!
    Diabo: Ora estás bem arranjado!
    Frade: Mas estás tu bem servido.
    Diabo: Devoto padre e marido,
                haveis de ser cá pingado11

    (Auto da Barca do Inferno, 2007.)

     1 baixa: dança popular no século XVI.
    2 Deo gratias: graças a Deus.
    3 tordião: outra dança popular no século XVI.
    4 tanger: fazer soar um instrumento.
    5 clausura: convento.
    6 hábito: traje religioso.
    7 val: vale.
    8 mundanal: mundano.
    9 detença: demora.
    10 avença: acordo.
    11 ser pingado: ser pingado com gotas de gordura fervendo (segundo o imaginário popular, processo de tortura que ocorreria no inferno)
    Com a fala “E eles fazem outro tanto!”, o frade sugere que seus companheiros de convento
    Escolha uma alternativa para a questão 1a6cc77e-30
  • 1A69F6A9-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder a questão, leia o excerto de Auto da Barca do Inferno do escritor português Gil Vicente (1465?-1536?). A peça prefigura o destino das almas que chegam a um braço de mar onde se encontram duas barcas (embarcações): uma destinada ao Paraíso, comandada pelo anjo, e outra destinada ao Inferno, comandada pelo diabo.

     Vem um Frade com uma Moça pela mão […]; e ele
    mesmo fazendo a baixa1  começou a dançar, dizendo
    Frade: Tai-rai-rai-ra-rã ta-ri-ri-rã;
                Tai-rai-rai-ra-rã ta-ri-ri-rã;
                Tã-tã-ta-ri-rim-rim-rã, huha!
    Diabo: Que é isso, padre? Quem vai lá?
    Frade: Deo gratias2 ! Sou cortesão.
    Diabo: Danças também o tordião3 ?
    Frade: Por que não? Vê como sei.
    Diabo: Pois entrai, eu tangerei4
                e faremos um serão.
                E essa dama, porventura?
    Frade: Por minha a tenho eu,
                e sempre a tive de meu.
    Diabo: Fizeste bem, que é lindura!
                Não vos punham lá censura
                no vosso convento santo?
    Frade: E eles fazem outro tanto!
    Diabo: Que preciosa clausura5!
    Entrai, padre reverendo!
    Frade: Para onde levais gente?
    Diabo: Para aquele fogo ardente
                que não temestes vivendo.
    Frade: Juro a Deus que não te entendo!
                E este hábito6não me val7?
    Diabo: Gentil padre mundanal8
                a Belzebu vos encomendo!
    Frade: Corpo de Deus consagrado!
                Pela fé de Jesus Cristo,
                que eu não posso entender isto!
                Eu hei de ser condenado?
                Um padre tão namorado
                e tanto dado à virtude?
                Assim Deus me dê saúde,
                que eu estou maravilhado!
    Diabo: Não façamos mais detença9
                embarcai e partiremos;
                tomareis um par de remos.
    Frade: Não ficou isso na avença10.
    Diabo: Pois dada está já a sentença!
    Frade: Por Deus! Essa seria ela?
                Não vai em tal caravela
                minha senhora Florença?
                Como? Por ser namorado
                e folgar c’uma mulher?
                Se há um frade de perder,
                com tanto salmo rezado?!
    Diabo: Ora estás bem arranjado!
    Frade: Mas estás tu bem servido.
    Diabo: Devoto padre e marido,
                haveis de ser cá pingado11

    (Auto da Barca do Inferno, 2007.)

     1 baixa: dança popular no século XVI.
    2 Deo gratias: graças a Deus.
    3 tordião: outra dança popular no século XVI.
    4 tanger: fazer soar um instrumento.
    5 clausura: convento.
    6 hábito: traje religioso.
    7 val: vale.
    8 mundanal: mundano.
    9 detença: demora.
    10 avença: acordo.
    11 ser pingado: ser pingado com gotas de gordura fervendo (segundo o imaginário popular, processo de tortura que ocorreria no inferno)
    No excerto, o traço mais característico do diabo é
    Escolha uma alternativa para a questão 1a69f6a9-30
  • 1A67185F-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Para responder a questão, leia o excerto de Auto da Barca do Inferno do escritor português Gil Vicente (1465?-1536?). A peça prefigura o destino das almas que chegam a um braço de mar onde se encontram duas barcas (embarcações): uma destinada ao Paraíso, comandada pelo anjo, e outra destinada ao Inferno, comandada pelo diabo.

     Vem um Frade com uma Moça pela mão […]; e ele
    mesmo fazendo a baixa1  começou a dançar, dizendo
    Frade: Tai-rai-rai-ra-rã ta-ri-ri-rã;
                Tai-rai-rai-ra-rã ta-ri-ri-rã;
                Tã-tã-ta-ri-rim-rim-rã, huha!
    Diabo: Que é isso, padre? Quem vai lá?
    Frade: Deo gratias2 ! Sou cortesão.
    Diabo: Danças também o tordião3 ?
    Frade: Por que não? Vê como sei.
    Diabo: Pois entrai, eu tangerei4
                e faremos um serão.
                E essa dama, porventura?
    Frade: Por minha a tenho eu,
                e sempre a tive de meu.
    Diabo: Fizeste bem, que é lindura!
                Não vos punham lá censura
                no vosso convento santo?
    Frade: E eles fazem outro tanto!
    Diabo: Que preciosa clausura5!
    Entrai, padre reverendo!
    Frade: Para onde levais gente?
    Diabo: Para aquele fogo ardente
                que não temestes vivendo.
    Frade: Juro a Deus que não te entendo!
                E este hábito6não me val7?
    Diabo: Gentil padre mundanal8
                a Belzebu vos encomendo!
    Frade: Corpo de Deus consagrado!
                Pela fé de Jesus Cristo,
                que eu não posso entender isto!
                Eu hei de ser condenado?
                Um padre tão namorado
                e tanto dado à virtude?
                Assim Deus me dê saúde,
                que eu estou maravilhado!
    Diabo: Não façamos mais detença9
                embarcai e partiremos;
                tomareis um par de remos.
    Frade: Não ficou isso na avença10.
    Diabo: Pois dada está já a sentença!
    Frade: Por Deus! Essa seria ela?
                Não vai em tal caravela
                minha senhora Florença?
                Como? Por ser namorado
                e folgar c’uma mulher?
                Se há um frade de perder,
                com tanto salmo rezado?!
    Diabo: Ora estás bem arranjado!
    Frade: Mas estás tu bem servido.
    Diabo: Devoto padre e marido,
                haveis de ser cá pingado11

    (Auto da Barca do Inferno, 2007.)

     1 baixa: dança popular no século XVI.
    2 Deo gratias: graças a Deus.
    3 tordião: outra dança popular no século XVI.
    4 tanger: fazer soar um instrumento.
    5 clausura: convento.
    6 hábito: traje religioso.
    7 val: vale.
    8 mundanal: mundano.
    9 detença: demora.
    10 avença: acordo.
    11 ser pingado: ser pingado com gotas de gordura fervendo (segundo o imaginário popular, processo de tortura que ocorreria no inferno)
    No excerto, o escritor satiriza, sobretudo,
    Escolha uma alternativa para a questão 1a67185f-30
  • 1A641525-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Para responder a questão, leia a crônica “Anúncio de João Alves”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), publicada originalmente em 1954.

         Figura o anúncio em um jornal que o amigo me mandou, e está assim redigido:

         À procura de uma besta. – A partir de 6 de outubro do ano cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os seguintes característicos: calçada e ferrada de todos os membros locomotores, um pequeno quisto na base da orelha direita e crina dividida em duas seções em consequência de um golpe, cuja extensão pode alcançar de quatro a seis centímetros, produzido por jumento.

       Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, é muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que foi roubada, assim que hão sido falhas todas as indagações.

      Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer entregue aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será razoavelmente remunerado. Itambé do Mato Dentro, 19 de novembro de 1899. (a) João Alves Júnior.

      Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves Júnior, tua besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó. E tu mesmo, se não estou enganado, repousas suavemente no pequeno cemitério de Itambé. Mas teu anúncio continua um modelo no gênero, se não para ser imitado, ao menos como objeto de admiração literária.

       Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. Não escreveste apressada e toscamente, como seria de esperar de tua condição rural. Pressa, não a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de outubro, e só a 19 de novembro recorreste à Cidade de Itabira. Antes, procedeste a indagações. Falharam. Formulaste depois um raciocínio: houve roubo. Só então pegaste da pena, e traçaste um belo e nítido retrato da besta.

       Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados; preferiste dizê-lo “de todos os seus membros locomotores”. Nem esqueceste esse pequeno quisto na orelha e essa divisão da crina em duas seções, que teu zelo naturalista e histórico atribuiu com segurança a um jumento.

       Por ser “muito domiciliada nas cercanias deste comércio”, isto é, do povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido, mas antes foi roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório: “tudo me induz a esse cálculo”. Revelas aí a prudência mineira, que não avança (ou não avançava) aquilo que não seja a evidência mesma. É cálculo, raciocínio, operação mental e desapaixonada como qualquer outra, e não denúncia formal.

       Finalmente – deixando de lado outras excelências de tua prosa útil – a declaração final: quem a apreender ou pelo menos “notícia exata ministrar”, será “razoavelmente remunerado”. Não prometes recompensa tentadora; não fazes praça de generosidade ou largueza; acenas com o razoável, com a justa medida das coisas, que deve prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e entregues.

       Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro João Alves do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque soubeste descrevê-la com decoro e propriedade, num dia remoto, e o jornal a guardou e alguém hoje a descobre, e muitos outros são informados da ocorrência. Se lesses os anúncios de objetos e animais perdidos, na imprensa de hoje, ficarias triste. Já não há essa precisão de termos e essa graça no dizer, nem essa moderação nem essa atitude crítica. Não há, sobretudo, esse amor à tarefa bem-feita, que se pode manifestar até mesmo num anúncio de besta sumida.

    (Fala, amendoeira, 2012.)

    Com base no último parágrafo, a principal qualidade atribuída pelo cronista a João Alves é
    Escolha uma alternativa para a questão 1a641525-30
  • 1A612727-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Para responder a questão, leia a crônica “Anúncio de João Alves”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), publicada originalmente em 1954.

         Figura o anúncio em um jornal que o amigo me mandou, e está assim redigido:

         À procura de uma besta. – A partir de 6 de outubro do ano cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os seguintes característicos: calçada e ferrada de todos os membros locomotores, um pequeno quisto na base da orelha direita e crina dividida em duas seções em consequência de um golpe, cuja extensão pode alcançar de quatro a seis centímetros, produzido por jumento.

       Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, é muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que foi roubada, assim que hão sido falhas todas as indagações.

      Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer entregue aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será razoavelmente remunerado. Itambé do Mato Dentro, 19 de novembro de 1899. (a) João Alves Júnior.

      Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves Júnior, tua besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó. E tu mesmo, se não estou enganado, repousas suavemente no pequeno cemitério de Itambé. Mas teu anúncio continua um modelo no gênero, se não para ser imitado, ao menos como objeto de admiração literária.

       Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. Não escreveste apressada e toscamente, como seria de esperar de tua condição rural. Pressa, não a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de outubro, e só a 19 de novembro recorreste à Cidade de Itabira. Antes, procedeste a indagações. Falharam. Formulaste depois um raciocínio: houve roubo. Só então pegaste da pena, e traçaste um belo e nítido retrato da besta.

       Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados; preferiste dizê-lo “de todos os seus membros locomotores”. Nem esqueceste esse pequeno quisto na orelha e essa divisão da crina em duas seções, que teu zelo naturalista e histórico atribuiu com segurança a um jumento.

       Por ser “muito domiciliada nas cercanias deste comércio”, isto é, do povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido, mas antes foi roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório: “tudo me induz a esse cálculo”. Revelas aí a prudência mineira, que não avança (ou não avançava) aquilo que não seja a evidência mesma. É cálculo, raciocínio, operação mental e desapaixonada como qualquer outra, e não denúncia formal.

       Finalmente – deixando de lado outras excelências de tua prosa útil – a declaração final: quem a apreender ou pelo menos “notícia exata ministrar”, será “razoavelmente remunerado”. Não prometes recompensa tentadora; não fazes praça de generosidade ou largueza; acenas com o razoável, com a justa medida das coisas, que deve prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e entregues.

       Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro João Alves do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque soubeste descrevê-la com decoro e propriedade, num dia remoto, e o jornal a guardou e alguém hoje a descobre, e muitos outros são informados da ocorrência. Se lesses os anúncios de objetos e animais perdidos, na imprensa de hoje, ficarias triste. Já não há essa precisão de termos e essa graça no dizer, nem essa moderação nem essa atitude crítica. Não há, sobretudo, esse amor à tarefa bem-feita, que se pode manifestar até mesmo num anúncio de besta sumida.

    (Fala, amendoeira, 2012.)

    Em “Contudo, não o afirmas em tom peremptório: ‘tudo me induz a esse cálculo’.” (5º parágrafo), o termo destacado pode ser substituído, sem prejuízo de sentido para o texto, por:
    Escolha uma alternativa para a questão 1a612727-30
  • 1A5E4DD0-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Para responder a questão, leia a crônica “Anúncio de João Alves”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), publicada originalmente em 1954.

         Figura o anúncio em um jornal que o amigo me mandou, e está assim redigido:

         À procura de uma besta. – A partir de 6 de outubro do ano cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os seguintes característicos: calçada e ferrada de todos os membros locomotores, um pequeno quisto na base da orelha direita e crina dividida em duas seções em consequência de um golpe, cuja extensão pode alcançar de quatro a seis centímetros, produzido por jumento.

       Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, é muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que foi roubada, assim que hão sido falhas todas as indagações.

      Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer entregue aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será razoavelmente remunerado. Itambé do Mato Dentro, 19 de novembro de 1899. (a) João Alves Júnior.

      Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves Júnior, tua besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó. E tu mesmo, se não estou enganado, repousas suavemente no pequeno cemitério de Itambé. Mas teu anúncio continua um modelo no gênero, se não para ser imitado, ao menos como objeto de admiração literária.

       Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. Não escreveste apressada e toscamente, como seria de esperar de tua condição rural. Pressa, não a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de outubro, e só a 19 de novembro recorreste à Cidade de Itabira. Antes, procedeste a indagações. Falharam. Formulaste depois um raciocínio: houve roubo. Só então pegaste da pena, e traçaste um belo e nítido retrato da besta.

       Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados; preferiste dizê-lo “de todos os seus membros locomotores”. Nem esqueceste esse pequeno quisto na orelha e essa divisão da crina em duas seções, que teu zelo naturalista e histórico atribuiu com segurança a um jumento.

       Por ser “muito domiciliada nas cercanias deste comércio”, isto é, do povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido, mas antes foi roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório: “tudo me induz a esse cálculo”. Revelas aí a prudência mineira, que não avança (ou não avançava) aquilo que não seja a evidência mesma. É cálculo, raciocínio, operação mental e desapaixonada como qualquer outra, e não denúncia formal.

       Finalmente – deixando de lado outras excelências de tua prosa útil – a declaração final: quem a apreender ou pelo menos “notícia exata ministrar”, será “razoavelmente remunerado”. Não prometes recompensa tentadora; não fazes praça de generosidade ou largueza; acenas com o razoável, com a justa medida das coisas, que deve prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e entregues.

       Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro João Alves do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque soubeste descrevê-la com decoro e propriedade, num dia remoto, e o jornal a guardou e alguém hoje a descobre, e muitos outros são informados da ocorrência. Se lesses os anúncios de objetos e animais perdidos, na imprensa de hoje, ficarias triste. Já não há essa precisão de termos e essa graça no dizer, nem essa moderação nem essa atitude crítica. Não há, sobretudo, esse amor à tarefa bem-feita, que se pode manifestar até mesmo num anúncio de besta sumida.

    (Fala, amendoeira, 2012.)

    Está empregado em sentido figurado o termo destacado no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 1a5e4dd0-30
  • 1A58A2BA-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Para responder a questão, leia a crônica “Anúncio de João Alves”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), publicada originalmente em 1954.

         Figura o anúncio em um jornal que o amigo me mandou, e está assim redigido:

         À procura de uma besta. – A partir de 6 de outubro do ano cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os seguintes característicos: calçada e ferrada de todos os membros locomotores, um pequeno quisto na base da orelha direita e crina dividida em duas seções em consequência de um golpe, cuja extensão pode alcançar de quatro a seis centímetros, produzido por jumento.

       Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, é muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que foi roubada, assim que hão sido falhas todas as indagações.

      Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer entregue aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será razoavelmente remunerado. Itambé do Mato Dentro, 19 de novembro de 1899. (a) João Alves Júnior.

      Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves Júnior, tua besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó. E tu mesmo, se não estou enganado, repousas suavemente no pequeno cemitério de Itambé. Mas teu anúncio continua um modelo no gênero, se não para ser imitado, ao menos como objeto de admiração literária.

       Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. Não escreveste apressada e toscamente, como seria de esperar de tua condição rural. Pressa, não a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de outubro, e só a 19 de novembro recorreste à Cidade de Itabira. Antes, procedeste a indagações. Falharam. Formulaste depois um raciocínio: houve roubo. Só então pegaste da pena, e traçaste um belo e nítido retrato da besta.

       Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados; preferiste dizê-lo “de todos os seus membros locomotores”. Nem esqueceste esse pequeno quisto na orelha e essa divisão da crina em duas seções, que teu zelo naturalista e histórico atribuiu com segurança a um jumento.

       Por ser “muito domiciliada nas cercanias deste comércio”, isto é, do povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido, mas antes foi roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório: “tudo me induz a esse cálculo”. Revelas aí a prudência mineira, que não avança (ou não avançava) aquilo que não seja a evidência mesma. É cálculo, raciocínio, operação mental e desapaixonada como qualquer outra, e não denúncia formal.

       Finalmente – deixando de lado outras excelências de tua prosa útil – a declaração final: quem a apreender ou pelo menos “notícia exata ministrar”, será “razoavelmente remunerado”. Não prometes recompensa tentadora; não fazes praça de generosidade ou largueza; acenas com o razoável, com a justa medida das coisas, que deve prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e entregues.

       Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro João Alves do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque soubeste descrevê-la com decoro e propriedade, num dia remoto, e o jornal a guardou e alguém hoje a descobre, e muitos outros são informados da ocorrência. Se lesses os anúncios de objetos e animais perdidos, na imprensa de hoje, ficarias triste. Já não há essa precisão de termos e essa graça no dizer, nem essa moderação nem essa atitude crítica. Não há, sobretudo, esse amor à tarefa bem-feita, que se pode manifestar até mesmo num anúncio de besta sumida.

    (Fala, amendoeira, 2012.)

    O cronista manifesta um juízo de valor sobre a sua própria época em:
    Escolha uma alternativa para a questão 1a58a2ba-30
  • 1A55BD46-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Para responder a questão, leia a crônica “Anúncio de João Alves”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), publicada originalmente em 1954.

         Figura o anúncio em um jornal que o amigo me mandou, e está assim redigido:

         À procura de uma besta. – A partir de 6 de outubro do ano cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os seguintes característicos: calçada e ferrada de todos os membros locomotores, um pequeno quisto na base da orelha direita e crina dividida em duas seções em consequência de um golpe, cuja extensão pode alcançar de quatro a seis centímetros, produzido por jumento.

       Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, é muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que foi roubada, assim que hão sido falhas todas as indagações.

      Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer entregue aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será razoavelmente remunerado. Itambé do Mato Dentro, 19 de novembro de 1899. (a) João Alves Júnior.

      Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves Júnior, tua besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó. E tu mesmo, se não estou enganado, repousas suavemente no pequeno cemitério de Itambé. Mas teu anúncio continua um modelo no gênero, se não para ser imitado, ao menos como objeto de admiração literária.

       Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. Não escreveste apressada e toscamente, como seria de esperar de tua condição rural. Pressa, não a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de outubro, e só a 19 de novembro recorreste à Cidade de Itabira. Antes, procedeste a indagações. Falharam. Formulaste depois um raciocínio: houve roubo. Só então pegaste da pena, e traçaste um belo e nítido retrato da besta.

       Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados; preferiste dizê-lo “de todos os seus membros locomotores”. Nem esqueceste esse pequeno quisto na orelha e essa divisão da crina em duas seções, que teu zelo naturalista e histórico atribuiu com segurança a um jumento.

       Por ser “muito domiciliada nas cercanias deste comércio”, isto é, do povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido, mas antes foi roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório: “tudo me induz a esse cálculo”. Revelas aí a prudência mineira, que não avança (ou não avançava) aquilo que não seja a evidência mesma. É cálculo, raciocínio, operação mental e desapaixonada como qualquer outra, e não denúncia formal.

       Finalmente – deixando de lado outras excelências de tua prosa útil – a declaração final: quem a apreender ou pelo menos “notícia exata ministrar”, será “razoavelmente remunerado”. Não prometes recompensa tentadora; não fazes praça de generosidade ou largueza; acenas com o razoável, com a justa medida das coisas, que deve prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e entregues.

       Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro João Alves do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque soubeste descrevê-la com decoro e propriedade, num dia remoto, e o jornal a guardou e alguém hoje a descobre, e muitos outros são informados da ocorrência. Se lesses os anúncios de objetos e animais perdidos, na imprensa de hoje, ficarias triste. Já não há essa precisão de termos e essa graça no dizer, nem essa moderação nem essa atitude crítica. Não há, sobretudo, esse amor à tarefa bem-feita, que se pode manifestar até mesmo num anúncio de besta sumida.

    (Fala, amendoeira, 2012.)

    O humor presente na crônica decorre, entre outros fatores, do fato de o cronista
    Escolha uma alternativa para a questão 1a55bd46-30
  • 1A529C88-30

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Para responder a questão, leia a crônica “Anúncio de João Alves”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), publicada originalmente em 1954.

         Figura o anúncio em um jornal que o amigo me mandou, e está assim redigido:

         À procura de uma besta. – A partir de 6 de outubro do ano cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os seguintes característicos: calçada e ferrada de todos os membros locomotores, um pequeno quisto na base da orelha direita e crina dividida em duas seções em consequência de um golpe, cuja extensão pode alcançar de quatro a seis centímetros, produzido por jumento.

       Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, é muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que foi roubada, assim que hão sido falhas todas as indagações.

      Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer entregue aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será razoavelmente remunerado. Itambé do Mato Dentro, 19 de novembro de 1899. (a) João Alves Júnior.

      Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves Júnior, tua besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó. E tu mesmo, se não estou enganado, repousas suavemente no pequeno cemitério de Itambé. Mas teu anúncio continua um modelo no gênero, se não para ser imitado, ao menos como objeto de admiração literária.

       Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. Não escreveste apressada e toscamente, como seria de esperar de tua condição rural. Pressa, não a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de outubro, e só a 19 de novembro recorreste à Cidade de Itabira. Antes, procedeste a indagações. Falharam. Formulaste depois um raciocínio: houve roubo. Só então pegaste da pena, e traçaste um belo e nítido retrato da besta.

       Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados; preferiste dizê-lo “de todos os seus membros locomotores”. Nem esqueceste esse pequeno quisto na orelha e essa divisão da crina em duas seções, que teu zelo naturalista e histórico atribuiu com segurança a um jumento.

       Por ser “muito domiciliada nas cercanias deste comércio”, isto é, do povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido, mas antes foi roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório: “tudo me induz a esse cálculo”. Revelas aí a prudência mineira, que não avança (ou não avançava) aquilo que não seja a evidência mesma. É cálculo, raciocínio, operação mental e desapaixonada como qualquer outra, e não denúncia formal.

       Finalmente – deixando de lado outras excelências de tua prosa útil – a declaração final: quem a apreender ou pelo menos “notícia exata ministrar”, será “razoavelmente remunerado”. Não prometes recompensa tentadora; não fazes praça de generosidade ou largueza; acenas com o razoável, com a justa medida das coisas, que deve prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e entregues.

       Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro João Alves do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque soubeste descrevê-la com decoro e propriedade, num dia remoto, e o jornal a guardou e alguém hoje a descobre, e muitos outros são informados da ocorrência. Se lesses os anúncios de objetos e animais perdidos, na imprensa de hoje, ficarias triste. Já não há essa precisão de termos e essa graça no dizer, nem essa moderação nem essa atitude crítica. Não há, sobretudo, esse amor à tarefa bem-feita, que se pode manifestar até mesmo num anúncio de besta sumida.

    (Fala, amendoeira, 2012.)

    Na crônica, João Alves é descrito como
    Escolha uma alternativa para a questão 1a529c88-30
  • 6E37270B-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Sabe-se que Coração, cabeça e estômago é uma obra atípica na produção ficcional de Camilo Castelo Branco. Em relação a essa obra, assinale a alternativa em que todas as características listadas são corretas.
    Escolha uma alternativa para a questão 6e37270b-1d
  • 6E346CC6-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos
    “São Francisco botava o dedo nas feridas dos leprosos. Mas é que ele era um santo, fazia milagres, e ela é simplesmente Doralice Leitão Leiria, um ser humano como qualquer outro.”
    (Érico Veríssimo, Caminhos cruzados. São Paulo: Companhia de Bolso, 2016, p.77.)
    “ – Queres seguir a política? Então? Procura imitar Bismarck! Haverá padrão melhor?” (Idem, p. 290.)
    Os fragmentos acima captam um dos traços principais de Caminhos cruzados no que diz respeito à identidade narrativa das personagens. Considerando o conjunto do romance, tal traço consiste em uma
    Escolha uma alternativa para a questão 6e346cc6-1d
  • 6E31A183-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    “O Sinhô foi açoitar
    sozinho a negra Fulô.
    A negra tirou a saia
    e tirou o cabeção,
    de dentro dêle pulou
    nuinha a negra Fulô.

    Essa negra Fulô!
    Essa negra Fulô!

    Ó Fulô! Ó Fulô!
    Cadê, cadê teu Sinhô
    que Nosso Senhor me mandou?
    Ah! Foi você que roubou,
    foi você, negra Fulô?

    Essa negra Fulô!”
    (Jorge de Lima, Poesias Completas, v.1. Rio de Janeiro/Brasília: J.Aguilar e INL,
    1974, p. 121.)

    “A Sinhá mandou arrebentar-lhe os dentes:
    Fute, Cafute, Pé-de-pato, Não-sei-que-diga,
    avança na branca e me vinga.
    Exu escangalha ela, amofina ela,
    amuxila ela que eu não tenho defesa de homem,
    sou só uma mulher perdida neste mundão.
    Neste mundão.
    Louvado seja Oxalá.
    Para sempre seja louvado.”
    (Idem, p.164.)

    Essas duas cenas de ciúmes concluem dois textos diferentes de Jorge de Lima. A primeira pertence ao conhecido poema modernista “Essa negra Fulô”; a segunda, ao poema “História”, de Poemas Negros (1947). Em relação a “Essa negra Fulô”, o poema “História”, especificamente, representa
    Escolha uma alternativa para a questão 6e31a183-1d
  • 6E2EEB15-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    No conto “Amor”, de Clarice Lispector, após ver um cego mascando chicletes, a personagem passa por uma situação que, segundo o narrador, ela própria chama de “crise”:
    “O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.”
    (Clarice Lispector, Laços de Família. Rio de Janeiro: Rocco, 2009, p.23.)
    Essa crise, que transforma a relação da personagem com o mundo e com a família,
    Escolha uma alternativa para a questão 6e2eeb15-1d
  • 6E295D97-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    “Uma peripécia, uma reviravolta nas circunstâncias, de uma hora para outra transforma uma sequência rotineira de acontecimentos numa história.”
    (Jerome Bruner, Fabricando histórias. Direito, literatura, vida. São Paulo: Letra e Voz, 2014, p.15.)
    Levando-se em conta a noção acima proposta por Jerome Bruner, qual é a peripécia que ocorre no terceiro ato da peça Lisbela e o prisioneiro
    Escolha uma alternativa para a questão 6e295d97-1d