Questões do ENEM: Linguagens e nível fácil
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4.021 questões encontradas. Mostrando a página 141 de 202.
1CF8232D-E0 Texto 2Coragem“A pior coisa do mundo é a pessoa não ter coragem na vida”. Pincei essa frase do relato de uma moça chamada Florescelia, nascida no Ceará e que passou (e vem passando) poucas e boas: a morte da mãe quando tinha dois anos, uma madrasta cruel, uma gravidez prematura, a perda do único homem que amou, uma vida sem porto fixo, sem emprego fixo, mas com sonhos diversos, que lhe servem de sustentação.Ela segue em frente porque tem o combustível que necessitamos para trilhar o longo caminho desde o nascimento até a morte. Coragem.Quando eu era pequena, achava que coragem era o sentimento que designava o ímpeto de fazer coisas perigosas, e por perigoso eu entendia, por exemplo, andar de tobogã, aquela rampa alta e ondulada em que a gente descia sentada sobre um saco de algodão ou coisa parecida.Por volta dos nove anos, decidi descer o tobogã, mas na hora H, amarelei. Faltou coragem. Assim como faltou também no dia em que meus pais resolveram ir até a Ilha dos Lobos, em Torres, num barco de pescador. No momento de subir no barco, desisti. Foram meu pai, minha mãe, meu irmão, e eu retornei sozinha, caminhando pela praia, até a casa da vó.Muita coragem me faltou na infância: até para colar durante as provas eu ficava nervosa.Mentir para pai e mãe, nem pensar. Ir de bicicleta até ruas muito distantes de casa, não me atrevia. Travada desse jeito, desconfiava que meu futuro seria bem diferente do das minhas amigas.Até que cresci e segui medrosa para andar de helicóptero, escalar vulcões, descer corredeiras d’água. No entanto, aos poucos fui descobrindo que mais importante do que ter coragem para aventuras de fim de semana, era ter coragem para aventuras mais definitivas, como a de mudar o rumo da minha vida se preciso fosse. Enfrentar helicópteros, vulcões, corredeiras e tobogãs exige apenas que tenhamos um bom relacionamento com a adrenalina.Coragem, mesmo, é preciso para terminar um relacionamento, trocar de profissão, abandonar um país que não atende nossos anseios, dizer não para propostas lucrativas porém vampirescas, optar por um caminho diferente do da boiada, confiar mais na intuição do que em estatísticas, arriscar-se a decepções para conhecer o que existe do outro lado da vida convencional. E, principalmente, coragem para enfrentar a própria solidão e descobrir o quanto ela fortalece o ser humano.Não subi no barco quando criança – e não gosto de barcos até hoje. Vi minha família sair em expedição pelo mar e voltei sozinha pela praia, uma criança ainda, caminhando em meio ao povo, acreditando que era medrosa. Mas o que parecia medo era a coragem me dando as boas vindas, me acompanhando naquele recuo solitário, quando aprendi que toda escolha requer ousadia.MEDEIROS, Marta. A graça das coisas. Porto Alegre - RS: L&PM, 2014, p. 90-91.Quanto ao gênero e ao tipo textual, o texto 2 pode ser classificado como um(a):1CEE94E3-E0 Português
CraseCentro universitário FAG · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosTexto 1A CHAVEEla abre mais do que uma porta, inaugura um novo tempoCertos objetos dão a exata medida de um relacionamento. A chave, por exemplo. Embora caiba no bolso, ela tem importância gigantesca na vida dos casais. O momento em que você oferece a chave da sua casa é aquele em que você renuncia à sua privacidade, por amor. Quando pede a chave de volta - ou troca a fechadura da porta - está retomando aquilo que havia oferecido, por que o amor acabou.O primeiro momento é de exaltação e esperança. O segundo é sombrio.Quem já passou pela experiência sabe como é gostoso carregar no bolso - ou na bolsa - aquela cópia de cinco reais que vai dar início à nova vida. Carregada de expectativas e temores, a chave será entregue de forma tímida e casual, como se não fosse importante, ou pode vir embalada em vinho e flores, pondo violinos na ocasião. Qualquer que seja a cena, não cabe engano: foi dado um passo gigantesco. Alguém pôs na mão de outro alguém um totem de confiança.Não interessa se você dá ou ganha a chave, a sensação é a mesma. Ou quase. Quem a recebe se enche de orgulho. No auge da paixão, e a pessoa que provoca seus melhores sentimentos (a pessoa mais legal do mundo, evidentemente) põe no seu chaveiro a cópia discreta que abre a casa dela. Você só nota mais tarde, quando chega à sua própria casa e vai abrir a porta. Primeiro, estranha a cor e o formato da chave nova, mas logo entende a delicadeza da situação. Percebe, com um sorriso nos lábios, que suas emoções são compartilhadas. Compreende que está sendo convidado a participar de outra vida. Sente, com enorme alívio, que foi aceito, e que uma nova etapa tem início, mais intensa e mais profunda que anterior. Aquela chave abre mais do que uma porta. Abre um novo tempo.O momento de entregar a chave sempre foi para mim o momento de máximo otimismo.[...]Você tem certeza de que a outra pessoa ficará feliz e comovida, mas ao mesmo tempo teme, secretamente, ser recusado. Então vê nos olhos dela a alegria que havia antecipado e desejado. O rosto querido se abre num sorriso sem reservas, que você não ganharia se tivesse lhe dado uma joia ou uma aliança. (Uma não vale nada; para a outra ela não está pronta). Por isto ela esperava, e retribui com um olhar cheio de amor. Esse é um instante que viverá na sua alma para sempre. Nele, tudo parece perfeito. É como estar no início de um sonho em que nada pode dar errado. A gente se sente adulto e moderno, herdeiro dos melhores sonhos da adolescência, parte da espécie feliz dos adultos livres que são amados e correspondidos - os que acharam uma alma gêmea, aqueles que jamais estarão sozinhos.Se as chaves de despedida parecem a pior coisa do mundo, não são.[...]A gente sabe que essas coisas, às vezes, são efêmeras, mas é tão bonito.Pode ser que dentro de três meses ou três anos a chave inútil e esquecida seja encontrada no bolso de uma calça ou no fundo de uma bolsa. Ela já não abrirá porta alguma exceto a da memória, que poderá ser boa ou ruim. O mais provável é que o tato e a visão daquela ferramenta sem propósito provoquem um sorriso agridoce, grisalho de nostalgia. Essa chave do adeus não dói, ela constata e encerra.Nestes tempos de arrogante independência, em que a solidão virou estandarte exibido como prova de força, a doação de chaves ganhou uma solenidade inesperada. Com ela, homens e mulheres sinalizam a disposição de renunciar a um pedaço da sua sagrada liberdade pessoal. Sugerem ao outro que precisam dele e o desejam próximo. Cedem o seu terreno, correm o risco. É uma forma moderna e eloquente de dizer “eu te amo”. E, assim como a outra, dispensa “eu também”. Oferece a chave quem está pronto, aceita a chave quem a deseja, reciproca, oferecendo a sua, quem sente que é o caso, verdadeiramente. Nada mais triste que uma chave falsa. Ela parece abrir uma esperança, mas abre somente uma ilusão.Adaptado de http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/noticia/2015/04/chave.htmlEm “... quando chega à sua própria casa e vai abrir a porta.”, a crase509CD753-DF Português
Figuras de LinguagemEscola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosDa arte de citarSÍRIO POSSENTINo texto, chamado ‘Com o sentido que você quiser’, publicado na Folha de S. Paulo de 25/04/2012, Ruy Castro estranha o emprego de ‘dérbi’ para designar embates como Guarani X Ponte Preta e cita uma série de dicionários que não anotam a acepção relativa a confrontos futebolísticos.Cita o Aurélio, que informa que dérbi é a “mais importante e tradicional carreira inglesa, disputada em Epsom pela primeira vez no século 18, e que veio a dar o nome ao primeiro clube de corrida de cavalos do Brasil, no RJ, depois incorporado ao Jóquei Clube”. Não há referências ao futebol, o que o deixou tranquilo.Para mostrar que aqueles jornalistas estão mesmo errados, consultou também o Webster’s Dictionary, cujas informações traduz: “1. Corrida de cavalos em Epsom, Inglaterra, patrocinada pelo 12º conde de Derby em 1780, daí o nome. Por extensão, corrida de cachorros (sic). 2. Chapéu-coco. 3. Um certo tipo de sapato com fivela para homens”. Ruy não lamenta os sentidos 2 e 3, nem explica suas razões.O final da coluna dele é irônico: “Ora, que besteira. Por que não fui logo ao Google ou à Wikipédia? Neles tem ‘dérbi’ à vontade, e com o sentido que você quiser” (anote-se a ocorrência de ‘tem’, embora a questão seja outra).O brilhante Ruy Castro erra pelo menos três vezes (imaginem os outros!): a) não se chateia com o fato de ‘dérbi’ signifi car chapéu-coco ou um tipo de sapato, mas acha estapafúrdio que designe uma partida de futebol; b) diz que se pode atribuir à palavra o sentido que se quiser; c) não consultou outros dicionários (ou não contou ao leitor o que eles dizem).Começo pelo final, que cobre as outras questões. Consultar outras fontes pode ser revelador. Vamos lá.O Houaiss informa que dérbi é um “jogo, partida ou competição esportiva de grande destaque (como o Derby de Epsom, na Inglaterra)”. Como se vê, ele não o restringe ao turfe; só menciona o evento ‘original’ entre parênteses.O Petit Larousse (traduzo) diz que é um “encontro esportivo entre equipes vizinhas” (como Ponte e Guarani, portanto). Segundo o Petit Robert, é um “encontro de futebol entre duas cidades vizinhas”.O McMillan anota: “um jogo entre dois times da mesma cidade” (nada de cavalos, como se vê) e o YOURDictionary repete a mesma informação (ou será o contrário?).Finalmente, o Diccionario de La Lengua Española (da Real Academia) informa que dérby é um “encontro, geralmente futebolístico, entre duas equipes cujos torcedores mantêm permanente rivalidade”. De novo, nada de cavalos. E prioriza claramente o futebol!Gostaria muito de conseguir entender outras coisas (que dérbi não significa só corridas de cavalos está mais do que claro; já entendi). Uma: por que será que dérbi significa chapéu-coco e um tipo de sapato com fivela para homens? Meu faro diz que eram peças usadas para ir aos dérbis.Pergunta: por que Ruy Castro teve a má sorte de só conhecer dicionários que, casualmente, não citam o sentido relativo a encontros futebolísticos?Outra pergunta: por que Ruy Castro estranha os sentidos analógicos (no caso, a extensão de uma disputa turfística para uma futebolística), que são uma das principais características das línguas humanas? Será que ele pensa, por exemplo, que uma pessoa doce vem coberta de açúcar?Finalmente, queria entender como Ruy Castro consegue não entender que, se todo mundo emprega ‘dérbi’ para falar de certos jogos de futebol e os dicionários que ele consultou não registram o fato, o problema deve ser dos dicionários.(Ciência Hoje, 24/04/2015. Disponível em http://cienciahoje.uol.com.br/ colunas/palavreado/da-arte-de-citar, acesso em 02/09/2015. Adaptado.)“Outra pergunta: por que Ruy Castro estranha os sentidos analógicos (no caso, a extensão de uma disputa turfística para uma futebolística), que são uma das principais características das línguas humanas? Será que ele pensa, por exemplo, que uma pessoa doce vem coberta de açúcar?”Sírio Possenti sugere que Ruy Castro não compreende uma figura de linguagem muito comum na língua, trata-se:5099C392-DF Português
AdjetivosEscola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosDa arte de citarSÍRIO POSSENTINo texto, chamado ‘Com o sentido que você quiser’, publicado na Folha de S. Paulo de 25/04/2012, Ruy Castro estranha o emprego de ‘dérbi’ para designar embates como Guarani X Ponte Preta e cita uma série de dicionários que não anotam a acepção relativa a confrontos futebolísticos.Cita o Aurélio, que informa que dérbi é a “mais importante e tradicional carreira inglesa, disputada em Epsom pela primeira vez no século 18, e que veio a dar o nome ao primeiro clube de corrida de cavalos do Brasil, no RJ, depois incorporado ao Jóquei Clube”. Não há referências ao futebol, o que o deixou tranquilo.Para mostrar que aqueles jornalistas estão mesmo errados, consultou também o Webster’s Dictionary, cujas informações traduz: “1. Corrida de cavalos em Epsom, Inglaterra, patrocinada pelo 12º conde de Derby em 1780, daí o nome. Por extensão, corrida de cachorros (sic). 2. Chapéu-coco. 3. Um certo tipo de sapato com fivela para homens”. Ruy não lamenta os sentidos 2 e 3, nem explica suas razões.O final da coluna dele é irônico: “Ora, que besteira. Por que não fui logo ao Google ou à Wikipédia? Neles tem ‘dérbi’ à vontade, e com o sentido que você quiser” (anote-se a ocorrência de ‘tem’, embora a questão seja outra).O brilhante Ruy Castro erra pelo menos três vezes (imaginem os outros!): a) não se chateia com o fato de ‘dérbi’ signifi car chapéu-coco ou um tipo de sapato, mas acha estapafúrdio que designe uma partida de futebol; b) diz que se pode atribuir à palavra o sentido que se quiser; c) não consultou outros dicionários (ou não contou ao leitor o que eles dizem).Começo pelo final, que cobre as outras questões. Consultar outras fontes pode ser revelador. Vamos lá.O Houaiss informa que dérbi é um “jogo, partida ou competição esportiva de grande destaque (como o Derby de Epsom, na Inglaterra)”. Como se vê, ele não o restringe ao turfe; só menciona o evento ‘original’ entre parênteses.O Petit Larousse (traduzo) diz que é um “encontro esportivo entre equipes vizinhas” (como Ponte e Guarani, portanto). Segundo o Petit Robert, é um “encontro de futebol entre duas cidades vizinhas”.O McMillan anota: “um jogo entre dois times da mesma cidade” (nada de cavalos, como se vê) e o YOURDictionary repete a mesma informação (ou será o contrário?).Finalmente, o Diccionario de La Lengua Española (da Real Academia) informa que dérby é um “encontro, geralmente futebolístico, entre duas equipes cujos torcedores mantêm permanente rivalidade”. De novo, nada de cavalos. E prioriza claramente o futebol!Gostaria muito de conseguir entender outras coisas (que dérbi não significa só corridas de cavalos está mais do que claro; já entendi). Uma: por que será que dérbi significa chapéu-coco e um tipo de sapato com fivela para homens? Meu faro diz que eram peças usadas para ir aos dérbis.Pergunta: por que Ruy Castro teve a má sorte de só conhecer dicionários que, casualmente, não citam o sentido relativo a encontros futebolísticos?Outra pergunta: por que Ruy Castro estranha os sentidos analógicos (no caso, a extensão de uma disputa turfística para uma futebolística), que são uma das principais características das línguas humanas? Será que ele pensa, por exemplo, que uma pessoa doce vem coberta de açúcar?Finalmente, queria entender como Ruy Castro consegue não entender que, se todo mundo emprega ‘dérbi’ para falar de certos jogos de futebol e os dicionários que ele consultou não registram o fato, o problema deve ser dos dicionários.(Ciência Hoje, 24/04/2015. Disponível em http://cienciahoje.uol.com.br/ colunas/palavreado/da-arte-de-citar, acesso em 02/09/2015. Adaptado.)Em “O brilhante Ruy Castro erra pelo menos três vezes (imaginem os outros!)”, o uso do adjetivo “brilhante” é:7754744F-DE Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionEscola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosConsidere o cartoon a seguir para responder à questão:

(https://latuffcartoons.wordpress.com/page/2/ acesso em 19/03/2015)
Segundo o contexto da charge, o presidente estadunidense, representado pelo personagem de terno,
76FE8C7F-DE Português
Figuras de LinguagemEscola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosTexto para a questão.
Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.
Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.
Mulher gordaça, filó *,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência...
Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta do pobre arromba:
Uma bomba.
(ANDRADE, Mário de. Poesias Completas. São Paulo: Círculo do Livro. p. 304.)
*filó: Tecido fino e transparente, em forma de rede (www.aulete.com.br)
Assinale a alternativa que apresenta a relação correta entre o trecho do texto e a figura de linguagem correspondente:76F8726E-DE Português
Interpretação de TextosEscola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosTexto para a questão.
Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.
Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.
Mulher gordaça, filó *,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência...
Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta do pobre arromba:
Uma bomba.
(ANDRADE, Mário de. Poesias Completas. São Paulo: Círculo do Livro. p. 304.)
*filó: Tecido fino e transparente, em forma de rede (www.aulete.com.br)
No poema de Mário de Andrade (1893-1945), há:76DEE78D-DE Português
Interpretação de TextosEscola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosMarginalzinho: a socialização de uma elite vazia e covardeParada em um sinal de trânsito, uma cena capturou minha atenção e me fez pensar como, ao longo da vida, a segregação da sociedade brasileira nos bestializa.por Rosana Pinheiro-Machado — publicado 27/01/2015 15:08, última modificação 27/01/2015 15:44Era a largada de duas escolas que estavam situadas uma do lado da outra, separadas por um muro altíssimo de uma delas. Da escola pública saíam crianças correndo, brincando e falando alto. A maioria estava desacompanhada e dirigia-se ao ponto de ônibus da grande avenida, que terminaria nas periferias. Era uma massa escura, especialmente quando contrastada com a massa mais clara que saía da escola particular do lado: crianças brancas, de mãos dadas com os pais, babás ou seguranças, caminhando duramente em direção à fila de caminhonetes. Lado a lado, os dois grupos não se misturavam. Cada um sabia exatamente seu lugar. Desde muito pequenas, aquelas crianças tinham literalmente incorporado a segregação à brasileira, que se caracteriza pela mistura única entre o sistema de apartheid racial e o de castas de classes. Os corpos domesticados revelavam o triste processo de socialização ao desprezo, que tende a só piorar na vida adulta.Mas eis que, de repente, um menino negro, magro e sorridente, ousou subverter as regras tácitas. Brincando de correr em ziguezague, ele “invadiu” a área branca e se esbarrou num menino que, imediatamente, se agarrou desesperadamente no braço da mulher que lhe buscara. Foi um reflexo automático do medo. O menino “invasor” fez um gesto de desculpas – algo como “foi mal” -, e voltou a correr entre os seus, enquanto que a outra criança seguia petrificada.No olhar do menino “invadido”, havia um misto de medo, de raiva, mas principalmente, de nojo – como que se a outra criança tivesse uma doença altamente contagiosa. Não é difícil imaginar o impacto de esse olhar no inconsciente do menino negro e pobre. Este aprendia, desde muito cedo, que era um intocável, que vivia em uma sociedade na qual seu corpo, na esfera pública, valia menos que o de um menino da mesma idade, que ainda não tinha nenhum mérito conquistado, apenas privilégios herdados. As consequências desse gesto minúsculo serão trágicas para o menino "invadido", pois é vítima da ignorância social. Mas será muito mais trágica para quem é negro e desprovido de capital econômico, social e cultural. Para que essa criança não se corrompa no futuro, ela precisa ser salva do olhar de nojo.É possível que, por meio de leitura e mistura, o menino amedrontado se engrandeça politicamente no futuro, se liberte do muro que lhe protege e dispense o braço da babá. Mas, infelizmente, há uma tendência grande de que ele, cercado por medo e preconceito, passe o resto de sua existência se protegendo do “marginalzinho”. Pivetes, favelados, fedorentos: isso é tudo que ele ouve sobre seus vizinhos. Trata-se de uma verdade histórica a priori, para além da qual não se consegue pensar. Essas categorias compõem o discurso forjado sobre a pobreza, que, em última instância, visa à intervenção e à manutenção do poder. Reproduzindo este discurso, então, o menino tornar-se-á um adulto. Ele blindará seu carro, colocará alarme em sua casa, pedirá a morte de traficantes. Dirá que rolezinho é arrastão, pedirá mais polícia e curtirá a vida em camarotes. Pode ser até que ele peça a volta da ditadura. Achando que é um cidadão de bem que age contra a marginalidade do mal, forma-se um perfeito idiota.(Adaptado de , 27/01/2015. Disponível em Carta Capital http://www.cartacapital.com.br/sociedade/marginalzinho-asocializacao-de-uma-elite-vazia-e-covarde-3514.html)O segundo parágrafo traz em si a expressão “regras tácitas”, que significa:034969DE-DE Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosRead the text below and answer following four questions according to it.MSF has an impartial agenda,Doctors without Borders / Médecins Sans Frontières (MSF)
Every year, Doctors Without Borders/Médecins Sans Frontières (MSF) provides emergency medical care to millions of people caught in crises in some 70 countries around the world. MSF provides assistance when catastrophic events—such as armed conflict, epidemics, malnutrition, or natural disasters—overwhelm local health systems. MSF also assists people who face discrimination or neglect from their local health systems or when populations are otherwise excluded from health care.
MSF is a neutral and impartial humanitarian organization that aims first and foremost to provide high-quality medical care to the people who need it the most. It does not promote the agenda of any country, political party, or religious faith, and, as such, endeavors to communicate its history, background, and capabilities to all parties in a given situation so that it may gain the necessary access to populations in need.
On any given day, more than 30,000 doctors, nurses, logisticians, water-and-sanitation experts, administrators, and other qualified professionals working with MSF can be found providing medical care around the world.
At its core, the purpose of humanitarian action is to save the lives and ease the suffering of people caught in acute crises, thereby restoring their ability to rebuild their lives and communities.
In the countries where MSF works, one or more of the following crises is usually occurring or has occurred: armed conflict, epidemics, malnutrition, natural disasters, or exclusion from health care.Adaptado de: http://www.doctorswithoutborders.org/our-work/howwe-work/types-of-projects Acessado em 1 de maio de 2015.033177A3-DE Literatura
Escolas LiteráriasCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosJorge de Lima foi, ao lado do poeta mineiro Murilo Mendes, o mais importante poeta católico brasileiro da sua geração. Ao lado de obras como A Túnica inconsútil, Tempo e Eternidade e Quatro poemas negros, Jorge de Lima escreveu também um dos mais importantes poemas épicos da língua portuguesa. Como foi intitulado este poema épico?03114D92-DE Português
Interpretação de TextosCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosTEXTO 1Português, a língua mais difícil do mundo?
Conta outra! . Alguns mitos resistentes rondam como mosquitos chatos a língua portuguesa falada no Brasil. Diante deles, argumentações fundadas em fatos e um mínimo de racionalidade são tão inúteis quanto tapas desferidos às cegas no escuro do quarto em pernilongos zumbidores. Os tapas acertam o vazio, os zumbidos continuam lá.
A lenda de que se fala no estado do Maranhão o português mais “correto” do Brasil é uma dessas balelas aceitas por aí como verdades reveladas – e nem os tristíssimos índices educacionais maranhenses podem fazer nada contra isso. Tapas no vazio.
Outra bobagem de grande prestígio é aquela que sustenta ser o português “a língua mais difícil do mundo”. Baseada, talvez, na dor de cabeça real que acomete estrangeiros confrontados com a arquitetura barroca de nossos verbos, a afirmação é categórica o bastante para dispensar a necessidade de uma prova.
O sujeito erra o gênero da palavra alface e pronto, lá vem a desculpa universal: “Ah, também, como é difícil a porcaria dessa língua! Ah, se tivéssemos sido colonizados pelos holandeses!” Não, claro que isso não quer dizer que o queixoso saiba falar holandês. É justamente na imensa parcela monoglota da população que a crença na dificuldade insuperável da língua portuguesa encontra solo mais fértil.
Não é uma conclusão a que se chegue depois de estudar judiciosamente latim, alemão, húngaro, russo e japonês. Ninguém precisa ter encarado um idioma em que se use declinação – vespeiro do qual a gramática portuguesa nos poupou – para sair deplorando em altos brados o desafio invencível da crase. Não há dúvida de que o mito das agruras superlativas do português diz muito sobre a falência educacional brasileira, cupim que rói as fundações de qualquer projeto de desenvolvimento social que vá além da promoção de um maior acesso da população a shopping centers.
Temo, porém, que suas raízes sejam mais profundas. Percebe-se aí uma mistura tóxica de autocomplacência, autodepreciação, ufanismo, fuga da realidade e desculpa esfarrapada que pode ser ainda mais difícil de derrotar do que nosso vicejante semianalfabetismo.http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/cronica/portugues-a-lingua-mais-dificil-do-mundo-conta-outra/Uma análise do vocabulário em uso no Texto 1 revela que foi frequente o recurso a analogias e comparações, como em: a “falência educacional brasileira” é como um “cupim que rói”; “o “semianalfabetismo” brasileiro é como uma planta “vicejante”; medidas improdutivas são como “tapas no vazio”; “autocomplacência, autodepreciação, ufanismo” é uma “mistura tóxica”; um “idioma que usa declinações” é um “vespeiro”. Na verdade, o recurso a essas analogias:
1) torna as ideias mais próximas das realidades concretas e, assim, mais facilmente perceptíveis.
2) aproxima o texto dos padrões próprios da oralidade menos formal.
3) deixa o texto mais interativo, mais interessante e mais capaz de provocar a adesão do leitor.
4) fere as especificidades de um comentário jornalístico, pois remete para a informalidade.
5) é estranho, pois as metáforas devem se restringir à poesia e a outras produções literárias.
Estão corretas:B21706DB-DD Português
Interpretação de TextosUniversidade Presbiteriana Mackenzie · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosTextos para a questãoTexto I
Adaptado de www.significados.com.br
Texto II
Adaptado de www.sobiologia.com.brTexto III
www.googleimagens.comObserve as afirmações abaixo.
I. Em sua origem, a palavra vírus pertence ao domínio da biologia, mas por conta do seu significado tem sido utilizada para fazer referência a algo que se dissemina de forma rápida e intensa.
II. Os vírus que atingem os modernos computadores causam tamanho prejuízo que atualmente são conhecidos como marketing viral.
III. A publicidade viral é aquela que se baseia na troca de informações sobre medicamentos da área biológica.
Assinale a alternativa correta.FCE9F05A-DC Inglês
Vocabulário | VocabularyUniversidade Estadual do Maranhão · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos
A figura do Uncle Sam sempre está relacionada à convocação de soldados americanos para a guerra. As duas figuras acima estão fazendo essa convocação, porém de maneiras diferentes. Considerando que os dois cartazes indicam uma ordem, a expressão utilizada em um desses cartazes que torna a ordem mais educada é
FCBB4FA0-DC Português
PontuaçãoUniversidade Estadual do Maranhão · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o fragmento extraído do referido romance, para responder à questão
A pontuação sintático-estilística, no fragmento, compõe a autoexpressividade da personagem, com o emprego da vírgula no vocativo, no seguinte trecho:F613B7BD-D8 Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionUniversidade Estadual de Roraima · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosText 3
Al Capone
Born in 1899 in Brooklyn, New York, to poor immigrant parents, Al Capone went on to become the most infamous gangster in American history. In 1920 during the height of Prohibition, Capone’s multi-million dollar Chicago operation in bootlegging, prostitution and gambling dominated the organized crime scene. Capone was responsible for many brutal acts of violence, mainly against other gangsters. The most famous of these was the St. Valentine’s Day Massacre in 1929, in which he ordered the assassination of seven rivals. Capone was never indicted for his racketeering but was finally brought to justice for income-tax evasion in 1931. After serving six-and-a-half years, Capone was released. He died in 1947 in Miami. Capone’s life captured the public imagination, and his gangster persona has been immortalized in the many movies and books inspired by his exploits.
(Excerpt from the site: http://www.history.com/topics/alcapone. Researched on: October 2015)
Mark the option that correctly completes the meaning of the sentence: Sharks don't __________ their food; they rip off __________of meat and swallow ________whole.D9248965-D8 Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionFaculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto para responder à questão.
W.H.O. calls ‘vaccine hesitancy’ an increasing concern globally
Rick Gladstone
August 18, 2015
The World Health Organization warned Tuesday of what it called the growing problem of “vaccine hesitancy,” when people delay or refuse vaccines for themselves or their children. In a statement on its website, the organization called the problem “a growing challenge for countries seeking to close the immunization gap.” Globally, the organization said, one in five children still do not receive routine lifesaving immunizations, and 1.5 million children die each year of diseases that could have been thwarted by vaccines.
(www.nytimes.com)
No trecho do texto “1.5 million children die each year of diseases that could have been thwarted by vaccines”, o termo em destaque indica uma ideia deD909F340-D8 Inglês
Advérbios e conjunções | Adverbs and conjunctionsFaculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto para responder à questão.
Social life in youth may impact health decades later
Robert Preidt
August 6, 2015

Having good social connections at age 20 can lead to improved well-being later in life, a new study suggests. Previous research has shown that people with poor social links are at increased risk for early death. “In fact, having few social connections is equivalent to tobacco use, and [the risk is] higher than for those who drink excessive amounts of alcohol, or who suffer from obesity,” study author Cheryl Carmichael, who conducted the study while a doctoral candidate at the University of Rochester in New York, said in a university news release.
The study included 133 people who enrolled when they were 20-year-old college students in the 1970s. The participants kept track of their daily social interactions at ages 20 and 30. At age 50, they completed an online survey about the quality of their social lives and emotional well-being, including questions about loneliness and depression, and their relationships with close friends.
The findings showed that frequent social interactions at age 20 and good-quality relationships – defined as intimate and satisfying – at age 30 were associated with higher levels of well-being at age 50. The study findings were published in a recent issue of the journal Psychology and Aging.
A high number of social interactions at age 20 are beneficial later in life because they help young adults determine who they are, the researchers said. “It’s often around this age that we meet people from diverse backgrounds, with opinions and values that are different from our own, and we learn how to best manage those differences,” said Carmichael, now an assistant professor of psychology at Brooklyn College. “Considering everything else that goes on in life over those 30 years – marriage, raising a family and building a career – it is extraordinary that there appears to be a relationship between the kinds of interactions college students and young adults have and their emotional health later in life,” she concluded.
(www.nlm.nih.gov)
No trecho do primeiro parágrafo “who conducted the study while a doctoral candidate”, o termo em destaque tem o sentido deD8FC7F50-D8 Literatura
Escolas LiteráriasFaculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o poema de Álvares de Azevedo para responder à questão.Se eu morresse amanhã!Se eu morresse amanhã, viria ao menosFechar meus olhos minha triste irmã;Minha mãe de saudades morreriaSe eu morresse amanhã!Quanta glória pressinto em meu futuro!Que aurora de porvir e que manhã!Eu perdera chorando essas coroasSe eu morresse amanhã!Que sol! que céu azul! que doce n’alvaAcorda a natureza mais louçã!Não me batera tanto amor no peito,Se eu morresse amanhã!Mas essa dor da vida que devoraA ânsia de glória, o dolorido afã…A dor no peito emudecera ao menosSe eu morresse amanhã!(Lira dos vinte anos, 2000.)O poema apresenta características que permitem situá-loD8F56BCC-D8 Português
MorfologiaFaculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho do conto “As caridades odiosas”, de Clarice Lispector, para responder à questão.Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchara na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos.– Um doce, moça, compre um doce para mim.Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido deste pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água.Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.(A descoberta do mundo, 1999.)“Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete” (4° parágrafo)A preposição destacada assume valor semântico semelhante ao que se verifica na frase:D8ED52FD-D8 Português
Interpretação de TextosFaculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho do conto “As caridades odiosas”, de Clarice Lispector, para responder à questão.Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchara na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos.– Um doce, moça, compre um doce para mim.Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido deste pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água.Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.(A descoberta do mundo, 1999.)“Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchara na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele.” (1° parágrafo)
A passagem narra o momento inicial do encontro da narradora com seu interlocutor. Tal momento é caracterizado