Questões do ENEM: Linguagens e nível fácil

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Resultados

4.021 questões encontradas. Mostrando a página 161 de 202.

  • 2CC6CDE3-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    FATEC · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho a seguir adaptado de um importante romance da literatura brasileira.

    Veio para a biblioteca, sentou-se a uma cadeira de balanço, descansando.
    Estava num vasto aposento. Quem examinasse vagarosamente aquela grande coleção de livros havia de espantar-se ao perceber o espírito que presidia a sua reunião.
    Na ficção, havia unicamente autores nacionais ou tidos como tais: o Bento Teixeira, da Prosopopeia; o Gregório de Matos, o Basílio da Gama, o Santa Rita Durão, o José de Alencar (todo), o Macedo, o Gonçalves Dias (todo), além de muitos outros. Podia-se afiançar que nem um dos autores nacionais ou nacionalizados faltava nas estantes do major.
    A razão tinha de ser encontrada numa disposição particular de seu espírito, no forte sentimento que guiava sua vida: era um patriota.

    O trecho refere-se à personagem
    Escolha uma alternativa para a questão 2cc6cde3-b0
  • F0826888-B0

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC-MINAS · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

    “No meio das tabas de amenos verdores,

    Cercadas de troncos — cobertos de flores,

    Alteiam-se os tetos d’altiva nação;

    São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,

    Temíveis na guerra, que em densas coortes

    Assombram das matas a imensa extensão.

    São rudes, severos, sedentos de glória,

    Já prélios incitam, já cantam vitória,

    Já meigos atendem à voz do cantor:

    São todos Timbiras, guerreiros valentes!

    Seu nome lá voa na boca das gentes,

    Condão de prodígios, de glória e terror!”

    (Dias, Gonçalves. I-Juca-Pirama. [Trecho] [1851]. In: Fundação Biblioteca Nacional. Departamento Nacional do Livro. Disponível em: objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/jucapirama.pdf. Acesso: 21 ago. 2013).  


    TEXTO 2

    No meio das tabas há menos verdores,
    Não há gentes brabas nem campos de flores.

    No meio das tabas cercadas de insetos,
    Pensando nas babas dos analfabetos,
    Vou chamando as tribos dos sertões gerais,
    Passando recibos nos vãos de Goiás.

    Venham os xerentes, craôs e crixás,
    Bororos doentes e xicriabás.
    E os apinajés, os carajás roídos,
    E os tapirapés e os inás perdidos

    [...]

    No meio das tabas não quero ver dores,
    Mas morubixabas e altivos senhores.

    Quero a rebeldia das tribos na aldeia.
    Nada de “poesia”. Quero cara feia:
    Cor de jenipapo e urucum no peito,
    Não índio de trapo falando sem jeito.

    (TELES, Gilberto M. “Aldeia global”. In: Os melhores poemas de Gilberto Mendonça Teles. Seleção Luís Busatto. São Paulo: Global, 2001.p. 91-92).  

    I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, é um texto representativo do Romantismo brasileiro. Considerando-se a leitura do trecho, assinale a característica estética que evidencia sua relação com o contexto cultural do movimento romântico.
    Escolha uma alternativa para a questão f0826888-b0
  • 40B16DA5-B0

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC-MINAS · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    Why the Internet is so addictive
        "Checking Facebook should only take a minute." Those are the famous last words of countless people every day, right before getting sucked into several hours of watching cat videos or commenting on Instagrammed sushi lunches. That behavior is natural, given how the Internet is structured, experts say. The Internet’s omnipresence and lack of limits encourage people to lose track of time, making it hard to exercise the self-control to turn it off.
        "The Internet is not addictive in the same way as pharmacological substances are," said Tom Stafford, a cognitive scientist at the University of Sheffield in the U.K. "But it's compulsive; it's compelling; it's distracting." Humans are social creatures. Therefore, people enjoy the social information available via email and the Web.     
        The main reason the Internet is so addictive is that it lacks boundaries between tasks, Stafford said. Someone may set out to "research something, and then accidentally go to Wikipedia, and then wind up trying to find out what ever happened to Depeche Mode," Stafford said, referring to the music band. Studies suggest willpower is like a muscle: It can be strengthened, but can also become exhausted. Because the Internet is always "on," staying on task requires constantly flexing that willpower muscle, which can exhaust a person's self-control.
        For those who want to loosen the grip of the Web on their lives, a few simple techniques may do the trick. Web-blocking tools that limit surfing time can help people regain control over their time. Another method is to plan ahead, committing to work for 20 minutes, or until a certain task is complete, and then allowing five minutes of Web surfing, Stafford said.
    (Adapted from: http://www.mnn.com/green-tech/computers/stories/why-the-internet-is-so-addictive) 
    The word It in “It can be strengthened” (paragraph 3) refers to
    Escolha uma alternativa para a questão 40b16da5-b0
  • 9BD38241-B0

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC-MINAS · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    Read the following passage and choose the option which best completes each question, according to the text:  

    Footfalls

        London is a city made for walking. Unlike, for example, Los Angeles its centre is easily accessible on foot. Between 2001 and 2011 the number of trips made daily on foot in London increased by 12%. Each day 6.2m walks are made across the city.
       Several reasons account for the walking boom. The number of Londoners increased by 12% from 7.3m in 2001 to 8.2m in 2011, and Underground trains are hot and overcrowded. But other factors also encourage pedestrians. In 2004 Ken Livingstone, then mayor of London, promised to make London a “walkable city”. Some of his plans were carried on by Boris Johnson, the current mayor. These include a scheme to create clearly-marked maps for use across the city and make streets more pedestrian-friendly. Londoners may also be more aware of the advantages of walking. Health campaigns like the National Health Service’s “Live Well” emphasize that walking is the easiest form of exercise.
       High streets and town centres need to win back walkers. Learning from London’s incentives could be a start. 

    (Adapted from: http://www.economist.com/news/britain/21582576-urban-pedestrians-buck-national-trend-footfalls.) 

    The word these in “These include a scheme...” (paragraph 02) refers to
    Escolha uma alternativa para a questão 9bd38241-b0
  • 9BD075D2-B0

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC-MINAS · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    Read the following passage and choose the option which best completes each question, according to the text:  

    Footfalls

        London is a city made for walking. Unlike, for example, Los Angeles its centre is easily accessible on foot. Between 2001 and 2011 the number of trips made daily on foot in London increased by 12%. Each day 6.2m walks are made across the city.
       Several reasons account for the walking boom. The number of Londoners increased by 12% from 7.3m in 2001 to 8.2m in 2011, and Underground trains are hot and overcrowded. But other factors also encourage pedestrians. In 2004 Ken Livingstone, then mayor of London, promised to make London a “walkable city”. Some of his plans were carried on by Boris Johnson, the current mayor. These include a scheme to create clearly-marked maps for use across the city and make streets more pedestrian-friendly. Londoners may also be more aware of the advantages of walking. Health campaigns like the National Health Service’s “Live Well” emphasize that walking is the easiest form of exercise.
       High streets and town centres need to win back walkers. Learning from London’s incentives could be a start. 

    (Adapted from: http://www.economist.com/news/britain/21582576-urban-pedestrians-buck-national-trend-footfalls.) 

    What is one of reasons for the walking boom in London mentioned in the text?
    Escolha uma alternativa para a questão 9bd075d2-b0
  • 9B3D228B-B0

    Português

    Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    PUC-MINAS · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto abaixo e responda, em seguida, a questão.

    O xadrez de Marina

    SÃO PAULO — Eduardo Campos não é um "zero", como Ciro Gomes o chamou na sua tola e habitual verborragia, tampouco é o estrategista político formidável, tal qual passou a ser pintado em Brasília após a surpreendente filiação da ex-senadora Marina Silva ao seu PSB.
    O governador de Pernambuco é um construtor de pontes, paciente e habilidoso, que consegue se manter como interlocutor de quase todo o mundo, de Lula a Serra, de Bornhausen e Ronaldo Caiado a Marina. É um conciliador que parece mais mineiro do que o próprio Aécio Neves.
    É evidente que esses traços o ajudaram a se posicionar no momento em que Marina precisava achar uma saída para o imbróglio em que se meteu ao não conseguir oficializar a tal Rede Sustentabilidade -- não se filiar a um partido significaria abdicar totalmente da eleição presidencial; entrar numa sigla qualquer apenas para ser candidata seria um gesto personalista que poderia arranhar a imagem da nova política, que Marina tanto cultiva.
    Mas, na prática, o governador pernambucano foi um agente passivo nessa história toda. Se alguém anteviu alguma coisa, foi Marina. A ex-senadora criou o principal fato político desde a eleição de Dilma e ainda jogou sobre Campos a responsabilidade de crescer nas pesquisas em pouco tempo, ao deixar claro que, se o governador não se viabilizar, ela pode concorrer.
    No cenário anterior, Campos seria um vitorioso se terminasse a eleição presidencial do ano que vem com cerca de 15% dos votos. Atingiria seu objetivo de tornar-se um nome nacionalmente conhecido a fim de, quatro anos depois, disputar a sucessão para valer.
    Agora, após o empurrão da ex-senadora, se Campos não atingir esse patamar nos próximos meses, antes mesmo de a campanha eleitoral começar, poderá ser forçado a abdicar da candidatura em favor de Marina. 

    Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/rogeriogentile/2013/10/1354262-o-xadrez-de-marina.shtml. Acesso em: 10 out. 2013. 
    Todos os excertos a seguir trazem considerações que pertencem ao campo da suposição ou hipótese, EXCETO:
    Escolha uma alternativa para a questão 9b3d228b-b0
  • 4E5EEF0D-AF

    Inglês

    Análise sintática | Syntax Parsing
    UECE · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXT
       
       HARVARD BUSINESS REVIEW calls data science “the sexiest job in the 21st century,” and by most accounts this hot new field promises to revolutionize industries from business to government, health care to academia. 
       The field has been spawned by the enormous amounts of data that modern technologies create — be it the online behavior of Facebook users, tissue samples of cancer patients, purchasing habits of grocery shoppers or crime statistics of cities. Data scientists are the magicians of the Big Data era. They crunch the data, use mathematical models to analyze it and create narratives or visualizations to explain it, then suggest how to use the information to make decisions. 
         In the last few years, dozens of programs under a variety of names have sprung up in response to the excitement about Big Data, not to mention the six-figure salaries for some recent graduates. In the fall, Columbia will offer new master’s and certificate programs heavy on data. The University of San Francisco will soon graduate its charter class of students with a master’s in analytics.
          Rachel Schutt, a senior research scientist at Johnson Research Labs, taught “Introduction to Data Science” last semester at Columbia (its first course with “data science” in the title). She described the data scientist this way: “a hybrid computer scientist software engineer statistician.” And added: “The best tend to be really curious people, thinkers who ask good questions and are O.K. dealing with unstructured situations and trying to find structure in them.”
          Eurry Kim, a 30-year-old “wannabe data scientist,” is studying at Columbia for a master’s in quantitative methods in the social sciences and plans to use her degree for government service. She discovered the possibilities while working as a corporate tax analyst at the Internal Revenue Service. She might, for example, analyze tax return data to develop algorithms that flag fraudulent filings, or cull national security databases to spot suspicious activity.
         Some of her classmates are hoping to apply their skills to e-commerce, where data about users’ browsing history is gold.
         “This is a generation of kids that grew up with data science around them — Netflix telling them what movies they should watch, Amazon telling them what books they should read — so this is an academic interest with real-world applications,” said Chris Wiggins, a professor of applied mathematics at Columbia who is involved in its new Institute for Data Sciences and Engineering. “And,” he added, “they know it will make them employable.”
      Universities can hardly turn out data scientists fast enough. To meet demand from employers, the United States will need to increase the number of graduates with skills handling large amounts of data by as much as 60 percent, according to a report by McKinsey Global Institute. There will be almost half a million jobs in five years, and a shortage of up to 190,000 qualified data scientists, plus a need for 1.5 million executives and support staff who have an understanding of data.
          Because data science is so new, universities are scrambling to define it and develop curriculums. As an academic field, it cuts across disciplines, with courses in statistics, analytics, computer science and math, coupled with the specialty a student wants to analyze, from patterns in marine life to historical texts.
        With the sheer volume, variety and speed of data today, as well as developing technologies, programs are more than a repackaging of existing courses. “Data science is emerging as an academic discipline, defined not by a mere amalgamation of interdisciplinary fields but as a body of knowledge, a set of professional practices, a professional organization and a set of ethical responsibilities,” said Christopher Starr, chairman of the computer science department at the College of Charleston, one of a few institutions offering data science at the undergraduate level.
         Most master’s degree programs in data science require basic programming skills. They start with what Ms. Schutt describes as the “boring” part — scraping and cleaning raw data and “getting it into a nice table where you can actually analyze it.” Many use data sets provided by businesses or government, and pass back their results. Some host competitions to see which student can come up with the best solution to a company’s problem.
         Studying a Web user’s data has privacy implications. Using data to decide someone’s eligibility for a line of credit or health insurance, or even recommending who they friend on Facebook, can affect their lives. “We’re building these models that have impact on human life,” Ms. Schutt said. “How can we do that carefully?” Ethics classes address these questions.
           Finally, students have to learn to communicate their findings, visually and orally, and they need business know-how, perhaps to develop new products.

    From: www.nytimes.com
    In the sentences “We’re building these models that have impact on human life.” and “She discovered the possibilities while working as a corporate tax analyst at the Internal Revenue Service.” one finds, respectively, a/an
    Escolha uma alternativa para a questão 4e5eef0d-af
  • 1A094080-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO II


    O texto II desta prova foi extraído do segundo capítulo da novela A indesejada aposentadoria, do escritor maranhense Josué Montello (*1917 — 2006). Contemporâneo dos escritores que fizeram o romance de 30, Montello enveredou por outro caminho: explorou a narrativa urbana. Escreveu uma das obras-primas da literatura brasileira: Os tambores de São Luís (1975). A novela A indesejada aposentadoria, de 1972, conta a história de Guihermino Pereira, um funcionário público, já nas vésperas de se aposentar. 


    Imagem da questão de Português, UECE 2013, Interpretação de Textos

    Josué Montello. A indesejada aposentadoria.
    Capítulo II, p. 11-14. Texto adaptado. 

    Assinale a alternativa em que aparecem traços do tradicionalismo e/ou da índole burocrática de Guilhermino.
    Escolha uma alternativa para a questão 1a094080-af
  • 91EA8C91-AF

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UNESP · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos

    Brazil wants to count trees in the Amazon rainforest


    By Channtal Fleischfresser

    February 11, 2013



    Imagem da questão de Inglês, UNESP 2013, Interpretação de texto | Reading comprehension

    Photo: Flickr/Nico Crisafulli



              Brazil is home to roughly 60 percent of the Amazon, about half of what remains of the world’s tropical rainforests. And now, the country has plans to count its trees. A vast undertaking, the new National Forest Inventory hopes to gain “a broad panorama of the quality and the conditions in the forest cover”, according to Brazil’s Forestry Minister Antonio Carlos Hummel.

           The census, set to take place over the next four years, will scour 3,288,000 square miles, sampling 20,000 points at 20 kilometer intervals and registering the number, height, diameter, and species of the trees, among other data.

             The initiative, aimed to better allocate resources to the country’s forests, is part of a large-scale turnaround in Brazil’s relationship to its forests. While it once had one of the worst rates of deforestation in the world, last year only 1,797 square miles of the Amazon were destroyed – a reduction of nearly 80% compared to 2004.



    (www.smartplanet.com. Adaptado.)

    O objetivo do Censo Florestal é
    Escolha uma alternativa para a questão 91ea8c91-af
  • 91E1719D-AF

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UNESP · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos

    Brazil wants to count trees in the Amazon rainforest


    By Channtal Fleischfresser

    February 11, 2013



    Imagem da questão de Inglês, UNESP 2013, Interpretação de texto | Reading comprehension

    Photo: Flickr/Nico Crisafulli



              Brazil is home to roughly 60 percent of the Amazon, about half of what remains of the world’s tropical rainforests. And now, the country has plans to count its trees. A vast undertaking, the new National Forest Inventory hopes to gain “a broad panorama of the quality and the conditions in the forest cover”, according to Brazil’s Forestry Minister Antonio Carlos Hummel.

           The census, set to take place over the next four years, will scour 3,288,000 square miles, sampling 20,000 points at 20 kilometer intervals and registering the number, height, diameter, and species of the trees, among other data.

             The initiative, aimed to better allocate resources to the country’s forests, is part of a large-scale turnaround in Brazil’s relationship to its forests. While it once had one of the worst rates of deforestation in the world, last year only 1,797 square miles of the Amazon were destroyed – a reduction of nearly 80% compared to 2004.



    (www.smartplanet.com. Adaptado.)

    O Governo brasileiro
    Escolha uma alternativa para a questão 91e1719d-af
  • 91CC139C-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão toma por base uma passagem de um livro de José Ribeiro sobre o folclore nacional.



    Curupira


           Na teogonia* tupi, o anhangá, gênio andante, espírito andejo ou vagabundo, destinava-se a proteger a caça do campo. Era imaginado, segundo a tradição colhida pelo Dr. Couto de Magalhães, sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo.
          Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá e a visão determinava logo a febre e, às vezes, a loucura. O caapora é o mesmo tipo mítico encontrado nas regiões central e meridional e aí representado por um homem enorme coberto de pelos negros por todo o rosto e por todo o corpo, ao qual se confiou a proteção da caça do mato. Tristonho e taciturno, anda sempre montado em um porco de grandes dimensões, dando de quando em vez um grito para impelir a vara. Quem o encontra adquire logo a certeza de ficar infeliz e de ser mal sucedido em tudo que intentar. Dele se originaram as expressões portuguesas caipora e caiporismo, como sinônimo de má sorte, infelicidade, desdita nos negócios. Bilac assim o descreve: “Companheiro do curupira, ou sua duplicata, é o Caapora, ora gigante, ora anão, montado num caititu, e cavalgando à frente de varas de porcos do mato, fumando cachimbo ou cigarro, pedindo fogo aos viajores; à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho”.
         Ambos representam um só mito com diferente configuração e a mesma identidade com o curupira e o jurupari, numes que guardam a floresta. Todos convergem mais ou menos para o mesmo fim, sendo que o curupira é representado na região setentrional por um “pequeno tapuio” com os pés voltados para trás e sem os orifícios necessários para as secreções indispensáveis à vida, pelo que a gente do Pará diz que ele é músico. O Curupira ou Currupira, como é chamado no sul, aliás erroneamente, figura em uma infinidade de lendas tanto no norte como no sul do Brasil. No Pará, quando se viaja pelos rios e se ouve alguma pancada longínqua no meio dos bosques, “os romeiros dizem que é o Curupira que está batendo nas sapupemas, a ver se as árvores estão suficientemente fortes para sofrerem a ação de alguma tempestade que está próxima. A função do Curupira é proteger as florestas. Todo aquele que derriba, ou por qualquer modo estraga inutilmente as árvores, é punido por ele com a pena de errar tempos imensos pelos bosques, sem poder atinar com o caminho de casa, ou meio algum de chegar até os seus”. Como se vê, qualquer desses tipos é a manifestação de um só mito em regiões e circunstâncias diferentes.

    (O Brasil no folclore, 1970.)



    (*) Teogonia, s.f.: 1. Filos. Doutrina mística relativa ao nascimento dos deuses, e que frequentemente se relaciona com a formação do mundo. 2. Conjunto de divindades cujo culto forma o sistema religioso dum povo politeísta. (Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI.)
    Tomando por base as informações do texto, as ações de Anhangá, Caapora e Curupira seriam consideradas, na atualidade,
    Escolha uma alternativa para a questão 91cc139c-af
  • 91C2D381-AF

    Português

    Coesão e coerência
    UNESP · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão toma por base uma passagem de um livro de José Ribeiro sobre o folclore nacional.



    Curupira


           Na teogonia* tupi, o anhangá, gênio andante, espírito andejo ou vagabundo, destinava-se a proteger a caça do campo. Era imaginado, segundo a tradição colhida pelo Dr. Couto de Magalhães, sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo.
          Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá e a visão determinava logo a febre e, às vezes, a loucura. O caapora é o mesmo tipo mítico encontrado nas regiões central e meridional e aí representado por um homem enorme coberto de pelos negros por todo o rosto e por todo o corpo, ao qual se confiou a proteção da caça do mato. Tristonho e taciturno, anda sempre montado em um porco de grandes dimensões, dando de quando em vez um grito para impelir a vara. Quem o encontra adquire logo a certeza de ficar infeliz e de ser mal sucedido em tudo que intentar. Dele se originaram as expressões portuguesas caipora e caiporismo, como sinônimo de má sorte, infelicidade, desdita nos negócios. Bilac assim o descreve: “Companheiro do curupira, ou sua duplicata, é o Caapora, ora gigante, ora anão, montado num caititu, e cavalgando à frente de varas de porcos do mato, fumando cachimbo ou cigarro, pedindo fogo aos viajores; à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho”.
         Ambos representam um só mito com diferente configuração e a mesma identidade com o curupira e o jurupari, numes que guardam a floresta. Todos convergem mais ou menos para o mesmo fim, sendo que o curupira é representado na região setentrional por um “pequeno tapuio” com os pés voltados para trás e sem os orifícios necessários para as secreções indispensáveis à vida, pelo que a gente do Pará diz que ele é músico. O Curupira ou Currupira, como é chamado no sul, aliás erroneamente, figura em uma infinidade de lendas tanto no norte como no sul do Brasil. No Pará, quando se viaja pelos rios e se ouve alguma pancada longínqua no meio dos bosques, “os romeiros dizem que é o Curupira que está batendo nas sapupemas, a ver se as árvores estão suficientemente fortes para sofrerem a ação de alguma tempestade que está próxima. A função do Curupira é proteger as florestas. Todo aquele que derriba, ou por qualquer modo estraga inutilmente as árvores, é punido por ele com a pena de errar tempos imensos pelos bosques, sem poder atinar com o caminho de casa, ou meio algum de chegar até os seus”. Como se vê, qualquer desses tipos é a manifestação de um só mito em regiões e circunstâncias diferentes.

    (O Brasil no folclore, 1970.)



    (*) Teogonia, s.f.: 1. Filos. Doutrina mística relativa ao nascimento dos deuses, e que frequentemente se relaciona com a formação do mundo. 2. Conjunto de divindades cujo culto forma o sistema religioso dum povo politeísta. (Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI.)
    [...] à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho.



    Eliminando-se o aposto, a frase em destaque apresentará, de acordo com a norma-padrão, a seguinte forma:
    Escolha uma alternativa para a questão 91c2d381-af
  • 91BF3FC7-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão toma por base uma passagem de um livro de José Ribeiro sobre o folclore nacional.



    Curupira


           Na teogonia* tupi, o anhangá, gênio andante, espírito andejo ou vagabundo, destinava-se a proteger a caça do campo. Era imaginado, segundo a tradição colhida pelo Dr. Couto de Magalhães, sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo.
          Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá e a visão determinava logo a febre e, às vezes, a loucura. O caapora é o mesmo tipo mítico encontrado nas regiões central e meridional e aí representado por um homem enorme coberto de pelos negros por todo o rosto e por todo o corpo, ao qual se confiou a proteção da caça do mato. Tristonho e taciturno, anda sempre montado em um porco de grandes dimensões, dando de quando em vez um grito para impelir a vara. Quem o encontra adquire logo a certeza de ficar infeliz e de ser mal sucedido em tudo que intentar. Dele se originaram as expressões portuguesas caipora e caiporismo, como sinônimo de má sorte, infelicidade, desdita nos negócios. Bilac assim o descreve: “Companheiro do curupira, ou sua duplicata, é o Caapora, ora gigante, ora anão, montado num caititu, e cavalgando à frente de varas de porcos do mato, fumando cachimbo ou cigarro, pedindo fogo aos viajores; à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho”.
         Ambos representam um só mito com diferente configuração e a mesma identidade com o curupira e o jurupari, numes que guardam a floresta. Todos convergem mais ou menos para o mesmo fim, sendo que o curupira é representado na região setentrional por um “pequeno tapuio” com os pés voltados para trás e sem os orifícios necessários para as secreções indispensáveis à vida, pelo que a gente do Pará diz que ele é músico. O Curupira ou Currupira, como é chamado no sul, aliás erroneamente, figura em uma infinidade de lendas tanto no norte como no sul do Brasil. No Pará, quando se viaja pelos rios e se ouve alguma pancada longínqua no meio dos bosques, “os romeiros dizem que é o Curupira que está batendo nas sapupemas, a ver se as árvores estão suficientemente fortes para sofrerem a ação de alguma tempestade que está próxima. A função do Curupira é proteger as florestas. Todo aquele que derriba, ou por qualquer modo estraga inutilmente as árvores, é punido por ele com a pena de errar tempos imensos pelos bosques, sem poder atinar com o caminho de casa, ou meio algum de chegar até os seus”. Como se vê, qualquer desses tipos é a manifestação de um só mito em regiões e circunstâncias diferentes.

    (O Brasil no folclore, 1970.)



    (*) Teogonia, s.f.: 1. Filos. Doutrina mística relativa ao nascimento dos deuses, e que frequentemente se relaciona com a formação do mundo. 2. Conjunto de divindades cujo culto forma o sistema religioso dum povo politeísta. (Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI.)
    Segundo o texto, a lenda do Caapora foi responsável pela criação de uma palavra no português com o significado de dor, sofrimento, má sorte, fracasso. Tal palavra é:
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  • 91B78299-AF

    Português

    Análise sintática
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    Instrução: A questão toma por base um fragmento da crônica Letra de canção e poesia, de Antonio Cicero.

           Como escrevo poemas e letras de canções, frequentemente perguntam-me se acho que as letras de canções são poemas. A expressão “letra de canção” já indica de que modo essa questão deve ser entendida, pois a palavra “letra” remete à escrita. O que se quer saber é se a letra, separada da canção, constitui um poema escrito.
         “Letra de canção é poema?” Essa formulação é inadequada. Desde que as vanguardas mostraram que não se pode determinar a priori quais são as formas lícitas para a poesia, qualquer coisa pode ser um poema. Se um poeta escreve letras soltas na página e diz que é um poema, quem provará o contrário?
           Neste ponto, parece-me inevitável introduzir um juízo de valor. A verdadeira questão parece ser se uma letra de canção é um bom poema. Entretanto, mesmo esta última pergunta ainda não é suficientemente precisa, pois pode estar a indagar duas coisas distintas: 1) Se uma letra de canção é necessariamente um bom poema; e 2) Se uma letra de canção é possivelmente um bom poema.
            Quanto à primeira pergunta, é evidente que deve ter uma resposta negativa. Nenhum poema é necessariamente um bom poema; nenhum texto é necessariamente um bom poema; logo, nenhuma letra é necessariamente um bom poema. Mas talvez o que se deva perguntar é se uma boa letra é necessariamente um bom poema. Ora, também a essa pergunta a resposta é negativa. Quem já não teve a experiência, em relação a uma letra de canção, de se emocionar com ela ao escutá-la cantada e depois considerá-la insípida, ao lê-la no papel, sem acompanhamento musical? Não é difícil entender a razão disso.
           Um poema é um objeto autotélico, isto é, ele tem o seu fim em si próprio. Quando o julgamos bom ou ruim, estamos a considerá-lo independentemente do fato de que, além de ser um poema, ele tenha qualquer utilidade. O poema se realiza quando é lido: e ele pode ser lido em voz baixa, interna, aural.
            Já uma letra de canção é heterotélica, isto é, ela não tem o seu fim em si própria. Para que a julguemos boa, é necessário e suficiente que ela contribua para que a obra lítero-musical de que faz parte seja boa. Em outras palavras, se uma letra de canção servir para fazer uma boa canção, ela é boa, ainda que seja ilegível. E a letra pode ser ilegível porque, para se estruturar, para adquirir determinado colorido, para ter os sons ou as palavras certas enfatizadas, ela depende da melodia, da harmonia, do ritmo, do tom da música à qual se encontra associada.
    (Folha de S.Paulo, 16.06.2007.)

    Para que a julguemos boa, é necessário e suficiente que ela contribua para que a obra lítero-musical de que faz parte seja boa.


    No período em destaque, a oração Para que a julguemos boa indica, em relação à oração principal,

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  • 91B33FD1-AF

    Português

    Interpretação de Textos
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    Instrução: A questão toma por base um fragmento da crônica Letra de canção e poesia, de Antonio Cicero.

           Como escrevo poemas e letras de canções, frequentemente perguntam-me se acho que as letras de canções são poemas. A expressão “letra de canção” já indica de que modo essa questão deve ser entendida, pois a palavra “letra” remete à escrita. O que se quer saber é se a letra, separada da canção, constitui um poema escrito.
         “Letra de canção é poema?” Essa formulação é inadequada. Desde que as vanguardas mostraram que não se pode determinar a priori quais são as formas lícitas para a poesia, qualquer coisa pode ser um poema. Se um poeta escreve letras soltas na página e diz que é um poema, quem provará o contrário?
           Neste ponto, parece-me inevitável introduzir um juízo de valor. A verdadeira questão parece ser se uma letra de canção é um bom poema. Entretanto, mesmo esta última pergunta ainda não é suficientemente precisa, pois pode estar a indagar duas coisas distintas: 1) Se uma letra de canção é necessariamente um bom poema; e 2) Se uma letra de canção é possivelmente um bom poema.
            Quanto à primeira pergunta, é evidente que deve ter uma resposta negativa. Nenhum poema é necessariamente um bom poema; nenhum texto é necessariamente um bom poema; logo, nenhuma letra é necessariamente um bom poema. Mas talvez o que se deva perguntar é se uma boa letra é necessariamente um bom poema. Ora, também a essa pergunta a resposta é negativa. Quem já não teve a experiência, em relação a uma letra de canção, de se emocionar com ela ao escutá-la cantada e depois considerá-la insípida, ao lê-la no papel, sem acompanhamento musical? Não é difícil entender a razão disso.
           Um poema é um objeto autotélico, isto é, ele tem o seu fim em si próprio. Quando o julgamos bom ou ruim, estamos a considerá-lo independentemente do fato de que, além de ser um poema, ele tenha qualquer utilidade. O poema se realiza quando é lido: e ele pode ser lido em voz baixa, interna, aural.
            Já uma letra de canção é heterotélica, isto é, ela não tem o seu fim em si própria. Para que a julguemos boa, é necessário e suficiente que ela contribua para que a obra lítero-musical de que faz parte seja boa. Em outras palavras, se uma letra de canção servir para fazer uma boa canção, ela é boa, ainda que seja ilegível. E a letra pode ser ilegível porque, para se estruturar, para adquirir determinado colorido, para ter os sons ou as palavras certas enfatizadas, ela depende da melodia, da harmonia, do ritmo, do tom da música à qual se encontra associada.
    (Folha de S.Paulo, 16.06.2007.)
    Com o conceito expresso pelo termo autotélico, o cronista considera que
    Escolha uma alternativa para a questão 91b33fd1-af
  • 91AF374F-AF

    Português

    Interpretação de Textos
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    Instrução: A questão toma por base um fragmento da crônica Letra de canção e poesia, de Antonio Cicero.

           Como escrevo poemas e letras de canções, frequentemente perguntam-me se acho que as letras de canções são poemas. A expressão “letra de canção” já indica de que modo essa questão deve ser entendida, pois a palavra “letra” remete à escrita. O que se quer saber é se a letra, separada da canção, constitui um poema escrito.
         “Letra de canção é poema?” Essa formulação é inadequada. Desde que as vanguardas mostraram que não se pode determinar a priori quais são as formas lícitas para a poesia, qualquer coisa pode ser um poema. Se um poeta escreve letras soltas na página e diz que é um poema, quem provará o contrário?
           Neste ponto, parece-me inevitável introduzir um juízo de valor. A verdadeira questão parece ser se uma letra de canção é um bom poema. Entretanto, mesmo esta última pergunta ainda não é suficientemente precisa, pois pode estar a indagar duas coisas distintas: 1) Se uma letra de canção é necessariamente um bom poema; e 2) Se uma letra de canção é possivelmente um bom poema.
            Quanto à primeira pergunta, é evidente que deve ter uma resposta negativa. Nenhum poema é necessariamente um bom poema; nenhum texto é necessariamente um bom poema; logo, nenhuma letra é necessariamente um bom poema. Mas talvez o que se deva perguntar é se uma boa letra é necessariamente um bom poema. Ora, também a essa pergunta a resposta é negativa. Quem já não teve a experiência, em relação a uma letra de canção, de se emocionar com ela ao escutá-la cantada e depois considerá-la insípida, ao lê-la no papel, sem acompanhamento musical? Não é difícil entender a razão disso.
           Um poema é um objeto autotélico, isto é, ele tem o seu fim em si próprio. Quando o julgamos bom ou ruim, estamos a considerá-lo independentemente do fato de que, além de ser um poema, ele tenha qualquer utilidade. O poema se realiza quando é lido: e ele pode ser lido em voz baixa, interna, aural.
            Já uma letra de canção é heterotélica, isto é, ela não tem o seu fim em si própria. Para que a julguemos boa, é necessário e suficiente que ela contribua para que a obra lítero-musical de que faz parte seja boa. Em outras palavras, se uma letra de canção servir para fazer uma boa canção, ela é boa, ainda que seja ilegível. E a letra pode ser ilegível porque, para se estruturar, para adquirir determinado colorido, para ter os sons ou as palavras certas enfatizadas, ela depende da melodia, da harmonia, do ritmo, do tom da música à qual se encontra associada.
    (Folha de S.Paulo, 16.06.2007.)
    Sobre a qualidade da canção, o cronista acredita que
    Escolha uma alternativa para a questão 91af374f-af
  • 91A62E40-AF

    Português

    Interpretação de Textos
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    Instrução: A questão toma por base um fragmento da crônica Letra de canção e poesia, de Antonio Cicero.

           Como escrevo poemas e letras de canções, frequentemente perguntam-me se acho que as letras de canções são poemas. A expressão “letra de canção” já indica de que modo essa questão deve ser entendida, pois a palavra “letra” remete à escrita. O que se quer saber é se a letra, separada da canção, constitui um poema escrito.
         “Letra de canção é poema?” Essa formulação é inadequada. Desde que as vanguardas mostraram que não se pode determinar a priori quais são as formas lícitas para a poesia, qualquer coisa pode ser um poema. Se um poeta escreve letras soltas na página e diz que é um poema, quem provará o contrário?
           Neste ponto, parece-me inevitável introduzir um juízo de valor. A verdadeira questão parece ser se uma letra de canção é um bom poema. Entretanto, mesmo esta última pergunta ainda não é suficientemente precisa, pois pode estar a indagar duas coisas distintas: 1) Se uma letra de canção é necessariamente um bom poema; e 2) Se uma letra de canção é possivelmente um bom poema.
            Quanto à primeira pergunta, é evidente que deve ter uma resposta negativa. Nenhum poema é necessariamente um bom poema; nenhum texto é necessariamente um bom poema; logo, nenhuma letra é necessariamente um bom poema. Mas talvez o que se deva perguntar é se uma boa letra é necessariamente um bom poema. Ora, também a essa pergunta a resposta é negativa. Quem já não teve a experiência, em relação a uma letra de canção, de se emocionar com ela ao escutá-la cantada e depois considerá-la insípida, ao lê-la no papel, sem acompanhamento musical? Não é difícil entender a razão disso.
           Um poema é um objeto autotélico, isto é, ele tem o seu fim em si próprio. Quando o julgamos bom ou ruim, estamos a considerá-lo independentemente do fato de que, além de ser um poema, ele tenha qualquer utilidade. O poema se realiza quando é lido: e ele pode ser lido em voz baixa, interna, aural.
            Já uma letra de canção é heterotélica, isto é, ela não tem o seu fim em si própria. Para que a julguemos boa, é necessário e suficiente que ela contribua para que a obra lítero-musical de que faz parte seja boa. Em outras palavras, se uma letra de canção servir para fazer uma boa canção, ela é boa, ainda que seja ilegível. E a letra pode ser ilegível porque, para se estruturar, para adquirir determinado colorido, para ter os sons ou as palavras certas enfatizadas, ela depende da melodia, da harmonia, do ritmo, do tom da música à qual se encontra associada.
    (Folha de S.Paulo, 16.06.2007.)
    No primeiro parágrafo de sua crônica, Antonio Cicero apresenta como indagação central:
    Escolha uma alternativa para a questão 91a62e40-af
  • 91A27779-AF

    Português

    Coesão e coerência
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    Instrução: A questão toma por base um fragmento de Glória moribunda, do poeta romântico brasileiro Álvares de Azevedo (1831-1852).



    É uma visão medonha uma caveira?

    Não tremas de pavor, ergue-a do lodo.

    Foi a cabeça ardente de um poeta,

    Outrora à sombra dos cabelos loiros.

    Quando o reflexo do viver fogoso

    Ali dentro animava o pensamento,

    Esta fronte era bela. Aqui nas faces

    Formosa palidez cobria o rosto;

    Nessas órbitas — ocas, denegridas! —

    Como era puro seu olhar sombrio!



    Agora tudo é cinza. Resta apenas

    A caveira que a alma em si guardava,

    Como a concha no mar encerra a pérola,

    Como a caçoula a mirra incandescente.



    Tu outrora talvez desses-lhe um beijo;

    Por que repugnas levantá-la agora?

    Olha-a comigo! Que espaçosa fronte!

    Quanta vida ali dentro fermentava,

    Como a seiva nos ramos do arvoredo!

    E a sede em fogo das ideias vivas

    Onde está? onde foi? Essa alma errante

    Que um dia no viver passou cantando,

    Como canta na treva um vagabundo,

    Perdeu-se acaso no sombrio vento,

    Como noturna lâmpada apagou-se?

    E a centelha da vida, o eletrismo

    Que as fibras tremulantes agitava

    Morreu para animar futuras vidas?



    Sorris? eu sou um louco. As utopias,

    Os sonhos da ciência nada valem.

    A vida é um escárnio sem sentido,

    Comédia infame que ensanguenta o lodo.

    Há talvez um segredo que ela esconde;

    Mas esse a morte o sabe e o não revela.

    Os túmulos são mudos como o vácuo.

    Desde a primeira dor sobre um cadáver,

    Quando a primeira mãe entre soluços

    Do filho morto os membros apertava

    Ao ofegante seio, o peito humano

    Caiu tremendo interrogando o túmulo...

    E a terra sepulcral não respondia.



                        (Poesias completas, 1962.)

    Mas esse a morte o sabe e o não revela.


    Nas duas orações que constituem este verso, os termos em destaque apresentam o mesmo referente, a saber:

    Escolha uma alternativa para a questão 91a27779-af
  • 91882A1E-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão a seguir toma por base uma passagem da crônica O pai, hoje e amanhã, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          A civilização industrial, entidade abstrata, nem por isso menos poderosa, encomendou à ciência aplicada a execução de um projeto extremamente concreto: a fabricação do ser humano sem pais.
           A ciência aplicada faz o possível para aviar a encomenda a médio prazo. Já venceu a primeira etapa, com a inseminação artificial, que, de um lado, acelera a produtividade dos rebanhos (resultado econômico) e, de outro, anestesia o sentimento filial (resultado moral).
         O ser humano concebido por esse processo tanto pode considerar-se filho de dois pais como de nenhum. Em fase mais evoluída, o chamado bebê de proveta dispensará a incubação em ventre materno, desenvolvendo-se sob condições artificiais plenamente satisfatórias. Nenhum vínculo de memória, gratidão, amor, interesse, costume – direi mesmo: de ressentimento ou ódio – o ligará a qualquer pessoa responsável por seu aparecimento. O sêmen, anônimo, obtido por masturbação profissional e recolhido ao banco especializado, por sua vez cederá lugar ao gerador sintético, extraído de recursos da natureza vegetal e mineral. Estará abolida, assim, qualquer participação consciente do homem e da mulher no preparo e formação de uma unidade humana. Esta será produzida sob critérios políticos e econômicos tecnicamente estabelecidos, que excluem a inútil e mesmo perturbadora intromissão do casal. Pai? Mito do passado.
           Aparentemente, tal projeto parece coincidir com a tendência, acentuada nos últimos anos, de se contestar a figura tradicional do pai. Eliminando-se a presença incômoda, ter-se-ia realizado o ideal de inúmeros jovens que se revoltam contra ela – o pai de família e o pai social, o governo, a lei – e aspiram à vida isenta de compromissos com valores do passado.
          Julgo ilusória esta interpretação. O projeto tecnológico de eliminação do pai vai longe demais no caminho da quebra de padrões. A meu ver, a insubmissão dos filhos aos pais é fenômeno que envolve novo conceito de relações, e não ruptura de relações.

    (De notícias e não notícias faz-se a crônica, 1975.)
    Com o termo unidade humana, empregado no penúltimo período do terceiro parágrafo, Drummond sugere que
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  • 91842A3B-AF

    Português

    Interpretação de Textos
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    Instrução: A questão a seguir toma por base uma passagem da crônica O pai, hoje e amanhã, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          A civilização industrial, entidade abstrata, nem por isso menos poderosa, encomendou à ciência aplicada a execução de um projeto extremamente concreto: a fabricação do ser humano sem pais.
           A ciência aplicada faz o possível para aviar a encomenda a médio prazo. Já venceu a primeira etapa, com a inseminação artificial, que, de um lado, acelera a produtividade dos rebanhos (resultado econômico) e, de outro, anestesia o sentimento filial (resultado moral).
         O ser humano concebido por esse processo tanto pode considerar-se filho de dois pais como de nenhum. Em fase mais evoluída, o chamado bebê de proveta dispensará a incubação em ventre materno, desenvolvendo-se sob condições artificiais plenamente satisfatórias. Nenhum vínculo de memória, gratidão, amor, interesse, costume – direi mesmo: de ressentimento ou ódio – o ligará a qualquer pessoa responsável por seu aparecimento. O sêmen, anônimo, obtido por masturbação profissional e recolhido ao banco especializado, por sua vez cederá lugar ao gerador sintético, extraído de recursos da natureza vegetal e mineral. Estará abolida, assim, qualquer participação consciente do homem e da mulher no preparo e formação de uma unidade humana. Esta será produzida sob critérios políticos e econômicos tecnicamente estabelecidos, que excluem a inútil e mesmo perturbadora intromissão do casal. Pai? Mito do passado.
           Aparentemente, tal projeto parece coincidir com a tendência, acentuada nos últimos anos, de se contestar a figura tradicional do pai. Eliminando-se a presença incômoda, ter-se-ia realizado o ideal de inúmeros jovens que se revoltam contra ela – o pai de família e o pai social, o governo, a lei – e aspiram à vida isenta de compromissos com valores do passado.
          Julgo ilusória esta interpretação. O projeto tecnológico de eliminação do pai vai longe demais no caminho da quebra de padrões. A meu ver, a insubmissão dos filhos aos pais é fenômeno que envolve novo conceito de relações, e não ruptura de relações.

    (De notícias e não notícias faz-se a crônica, 1975.)
    De acordo com a crônica, o autor acredita que a inseminação artificial apresentará uma consequência no sistema de valores familiares:
    Escolha uma alternativa para a questão 91842a3b-af