Questões do ENEM: Linguagens e nível fácil
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4.021 questões encontradas. Mostrando a página 29 de 202.
D2044FF6-C4 Os casos de feminicídio, no século XXI, têm sido constantemente anunciados na mídia. Embora possa parecer “algo novo”, já se afirmava a violência à mulher em séculos anteriores. Leia os textos sobre o tema. O primeiro descreve as formas de opressão sofridas pelas mulheres; o segundo define o conceito de feminicídio no mundo contemporâneo.TEXTO INAS MÃOS DE UM HOMEM, A LÓGICA É MUITAS VEZES VIOLÊNCIA0 casamento incita o homem a um imperialismo caprichoso: a tentação de dominar é a mais universal, a mais irresistível que existe; muitas vezes não basta ao esposo ser aprovado, admirado, aconselhar, guiar: ele ordena, representa o papel de soberano. Todos os rancores acumulados em sua infância, durante sua vida, acumulados quotidianamente entre os outros homens cuja existência o freia e fere, ele descarrega em casa, acenando para a mulher com sua autoridade; mima a violência, a força, a intransigência: dá ordens com voz severa, ou grita, bate na mesa; essa comédia é para a mulher uma realidade quotidiana. Ele se acha tão convencido de seus direitos que a menor autonomia conservada pela mulher lhe parece uma rebeldia; gostaria de impedi-la de respirar sem ele.BEAUVOIR, Simone. Segundo Sexo. São Paulo, Nova Fonteira: 2020.TEXTO IIO CONCEITO DE FEMINICÍDIO“Trata-se de um crime de ódio. O conceito surgiu na década de 1970 com o fim de reconhecer e dar visibilidade à discriminação, opressão, desigualdade e violência sistemática contra as mulheres, que, em sua forma mais aguda, culmina na morte. Essa forma de assassinato não constitui um evento isolado e nem repentino ou inesperado; ao contrário, faz parte de um processo contínuo de violências, cujas raízes misóginas caracterizam o uso de violência extrema. Inclui uma vasta gama de abusos, desde verbais, físicos e sexuais, como o estupro, e diversas formas de mutilação e de barbárie.”Eleonora Menicuccihttps://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br/feminicidio/capitulos/o-que-e-feminicidio/#o-que-e-feminicidio.Da leitura dos dois textos, pode-se afirmar que Beauvoir já identificava, nos anos 40 do século XX, que a violência contra a mulher sempre foiD1E4C5F7-C4 Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionUniversidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosThis text refers to question.P U R E Z A
Mrs. Pureza’s son, Abel, left Maranhão with great plans, but ended up as a victim of modern slavery inside a farm in the southeast of Pará. Similar stories are shared by many workers coming from different Brazilian states, mostly in the Northeast of the country, such as Maranhão, Piauí, Ceará and Bahia. The protagonists of many of these stories end up becoming numbers, or not even that, they simply “disappeared into the world”.With the lack of news from her son, Pureza did not observe this situation inertly, but instead waged a colossal struggle, probably much greater and more complex than she could have imagined when she started the three-year journey in search of her son.Clues led Pureza to a farm where she was able to unmask a major modern slavery scheme. With immense courage, she was able to change not only the life of her son but also lives connected to several other families and friends, bringing into focus the violation of human rights happening openly in Pará. A region that has been made invisible on the national scene and even more ignored on an international scale.LIMA, Ana Rosa de. Extract taken from Recommendation: Pureza (movie) – Meli (meli-bees.org). Accessed on June 6th. Text slightly modifiedBased on the reading of this extract as well as the other two triggered texts in this English Test, one can affirm that the main common linking-points among them is that theyD1E1FE7B-C4 Inglês
Adjetivos | AdjectivesUniversidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosThis text refers to question.Wangari Maathai
Wangari Maathai, in full Wangari Muta Maathai, (born April 1, 1940, Nyeri, Kenya—died September 25, 2011, Nairobi), Kenyan politician and environmental activist who was awarded the 2004 Nobel Prize for Peace, becoming the first Black African woman to win a Nobel Prize.Maathai was educated in the United States at Mount St. Scholastica College (1964) and at the University of Pittsburgh (M.S., 1966). In 1971 she received a Ph.D. at the University of Nairobi, effectively becoming the first woman in either East or Central Africa to earn a doctorate.Maathai developed the idea that village women could improve the environment by planting trees to provide a fuel source and to slow the processes of deforestation and desertification. The Green Belt Movement, an organization she founded in 1977, had by the early 21st century planted some 30 million trees. Leaders of the Green Belt Movement established the Pan African Green Belt Network in 1986 in order to educate world leaders about conservation and environmental improvement.In addition to her conservation work, Maathai was elected to Kenya’s National Assembly in 2002 with 98 percent of the vote, and in 2003 she was appointed assistant minister of environment, natural resources, and wildlife. When she won the Nobel Prize in 2004, the committee commended her “holistic approach to sustainable development that embraces democracy, human rights, and women’s rights in particular.” She published an autobiography, Unbowed, in 2007. Another volume, The Challenge for Africa (2009), criticized Africa’s leadership as ineffectual and urged Africans to try to solve their problems without Western assistance. Maathai was a frequent contributor to international publications such as the Los Angeles Times and the Guardian.Wangari Maathai | Extract taken from Biography, Nobel Peace Prize, Books, Green Belt Movement, & Facts | BritannicaThe underlined words environmental (3rd par.), National (4th par.), and natural (4th par.), according to the english morphology, are respectivelyD1DC8EF2-C4 Inglês
Caso genitivo | Genitive caseUniversidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosThis text refers to question.
Sprowston mother in stand-off with school over bullying
By David HannantDHannant87Specialist reporter: health and education
A Sprowston mother is locked in a stand-off with her daughter's school after keeping her at home for the past six weeks to avoid what she describes as "brutal" bullying.
Rebecca Everson says the treatment her 12-year-old daughter Phoebe suffers has become so severe that the youngster has been left "a shell of a girl".
She says the Year 8 Sprowston Community Academy pupil is subjected to cruel messages on social media platforms like Whatsapp, Instagram and Snapchat and has abuse hurled at her by classmates regularly.
After raising her concerns with school leaders, Ms. Everson said her daughter's issues only got worse so for the past six weeks she has refused to send her in. However, she now claims the school is threatening her with fines over Phoebe's attendance record.
She said: "The bullying Phoebe has suffered has been awful. They send her messages calling her every name under the sun. It is brutal.
"I have rung the school and told them she does not feel safe at school and requested work to be sent home for her, but they have done nothing."
Ms. Everson the issue started in October last year, which she reported to Phoebe's teachers.
She said: "The school said they would talk to the girls involved, but when they did it just aggravated the situation.
"Some of the girls involved in the cyberbullying attend other schools nearby too, so moving schools is just not viable.
"Phoebe is a shell of the girl she was before this all began. She has done nothing to deserve this but now she's terrified to even go to school.
"I just feel like I'm going around and around in circles trying to get something done - it's terribly awful."
Sprowston Community Academy was approached for comment but said the school was unable to comment on individual cases.
Sprowston mother in stand-off with school over bullying | Extract taken from Eastern Daily Press (edp24.co.uk) and slightly modified.
The English grammar has been established by the usage of strict rules along the time. The following group of options has been used under the same core grammar fundament EXCEPT one. It is the option in letterD1C35E53-C4 Português
Interpretação de TextosUniversidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosConceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.O conto Maria serve de base para responder à questão.MARIAMaria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.[...]Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.[...]O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?[...]Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:— Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.Em “Ouviu uma voz: negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois.” e “Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!...” , a seleção vocabular dos fragmentos revela, com veemência, por parte dos demais personagens da cena narrada, uma atitude (de)D1C0E2A7-C4 Português
Interpretação de TextosUniversidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosConceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.O conto Maria serve de base para responder à questão.MARIAMaria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.[...]Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.[...]O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?[...]Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:— Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.“Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Por que não podia ser de outra forma? Por que não podiam ser felizes?”Essa passagem inicia uma sequência que caracteriza aD1BE552F-C4 Português
Interpretação de TextosUniversidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosConceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.O conto Maria serve de base para responder à questão.MARIAMaria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.[...]Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.[...]O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?[...]Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:— Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.No início do conto, primeiro parágrafo, a personagem Maria não é definida, nem apresentada ao leitor, porque o enunciador tem a expectativa deD1B95DFA-C4 Português
Interpretação de TextosUniversidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosNa década de 80, a canção Mulher (Sexo frágil) fez muito sucesso. Trata-se de uma declaração sobre a força feminina, que se vale do poder que as mulheres têm na relação com os homens. Ao mesmo tempo que a canção mostra a realidade de como a mulher é vista na sociedade, o eu lírico marca a posição de quão equivocada é essa perspectiva.Mulher (Sexo frágil)Canção de Erasmo CarlosDizem que a mulher é o sexo frágilMas que mentira absurda!Eu que faço parte da rotina de uma delasSei que a força está com elasVejam como é forte a que eu conheçoSua sapiência não tem preçoSatisfaz meu ego se fingindo submissaMas no fundo me enfeitiçaQuando eu chego em casa à noitinhaQuero uma mulher só minhaMas pra quem deu luz não tem mais jeitoPorque um filho quer seu peitoO outro já reclama a sua mãoE o outro quer o amor que ela tiverQuatro homens dependentes e carentesDa força da mulherMulher, mulherDo barro de que você foi geradaMe veio inspiraçãoPra decantar você nessa cançãoNa escola em que você foi ensinadaJamais tirei um dezSou forte mas não chego aos seus pésMulher, mulherMulher, mulherhttps://www.letras.mus.br/erasmo-carlos/A letra da canção deixa transparecer o machismo vigente na sociedade. Essa assertiva está comprovada nos seguintes versos:D1B32390-C4 Português
Interpretação de TextosUniversidade Estadual do Maranhão · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosAntônio Gonçalves Dias, filho de um comerciante português e de uma mestiça de negro com índio, nasceu em um sítio próximo à cidade maranhense de Caxias, em 1823. Além dos temas de amor, o poeta engajou-se com uma poética de cunho social, centrada, sobretudo, nas questões dos povos originários, ao enobrecer o indígena, em uma perspectiva do conhecido “Mito do bom selvagem”.
Leia as estrofes extraídas de “O Canto do Piaga” para responder à questão.
O CANTO DO PIAGA
I
Ó Guerreiros da Taba sagrada,
Ó Guerreiros da Tribo Tupi,
Falam Deuses nos cantos do Piaga,
Ó Guerreiros, meus cantos ouvi.
Esta noite - era a lua já morta –
Anhangá me vedava sonhar;
Eis na horrível caverna, que habito,
Rouca voz começou-me a chamar.
Abro os olhos, inquieto, medroso,
Manitôs! que prodígios que vi!
Arde o pau de resina fumosa,
Não fui eu, não fui eu, que o acendi!
Eis rebenta a meus pés um fantasma,
Um fantasma d’imensa extensão;
Liso crânio repousa a meu lado,
Feia cobra se enrosca no chão.
O meu sangue gelou-se nas veias,
Todo inteiro - ossos, carnes – tremi.
Frio horror me coou pelos membros,
Frio vento no rosto senti.
Era feio, medonho, tremendo
Ó Guerreiros, o espectro que eu vi.
Falam Deuses nos cantos do Piaga,
Ó Guerreiros, meus cantos ouvi!
[...]
Vem trazer-vos crueza, impiedade –
Dons cruéis do cruel Anhangá;
Vem quebrar-vos a maça valente,
Profanar Manitôs, Maracás.
Vem trazer-vos algemas pesadas,
Com que a tribo Tupi vai gemer;
Hão-de os velhos servirem de escravos
Mesmo o Piaga inda escravo há de ser!
Fugireis procurando um asilo,
Triste asilo por ínvio sertão;
Anhangá de prazer há de rir-se,
Vendo os vossos quão poucos serão.
Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,
Susta as iras do fero Anhangá.
Manitôs já fugiram da Taba,
Ó desgraça! ó ruína!! ó Tupá!
DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. Belo Horizonte:Autêntica Ed.: 1998.
Pode-se afirmar que, ao iniciar seu canto, o eu lírico confere ao PiagaA265B0FF-B1 Português
SintaxeIFN-MG · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosTexto 01Fake newsNão é de hoje que mentiras são divulgadas como verdades, mas foi com o advento das redes sociais que esse tipo de publicação se popularizou. A imprensa internacional começou a usar com mais frequência o termo fake news durante a eleição de 2016 nos Estados Unidos, na qual Donald Trump tornou-se presidente. Fake news é um termo em inglês e é usado para referir-se a falsas informações divulgadas, principalmente, em redes sociais.Na época em que Trump foi eleito, algumas empresas especializadas identificaram uma série de sites com conteúdo duvidoso. A maioria das notícias divulgadas por esses sites explorava conteúdos sensacionalistas, envolvendo, em alguns casos, personalidades importantes, como a adversária de Trump, Hillary Clinton.Os motivos para que sejam criadas notícias falsas são diversos. Em alguns casos, os autores criam manchetes absurdas com o claro intuito de atrair acessos aos sites e, assim, faturar com a publicidade digital. No entanto, além da finalidade puramente comercial, as fake news podem ser usadas apenas para criar boatos e reforçar um pensamento, por meio de mentiras e da disseminação de ódio. Dessa maneira, prejudicam-se pessoas comuns, celebridades, políticos e empresas.Existem grupos específicos que trabalham espalhando boatos. Porém, não é fácil encontrar as empresas que atuam nesse segmento, pois elas operam na chamada deep web, isto é, uma parte da rede que não é indexada pelos mecanismos de buscas, ficando oculta ao grande público. Para disseminar informações falsas, é criada uma página na internet. Um robô criado pelos programadores desses grupos é o responsável por disseminar o link nas redes. Quanto mais o assunto é mencionado nas redes, mais o robô atua, chegando a disparar informações a cada dois segundos, o que é humanamente impossível. Com tamanho volume de disseminação de conteúdos, pessoas reais ficam vulneráveis às fake news e acabam compartilhando essas informações. Dessa forma, está criada uma rede de mentiras com pessoas reais.Como os responsáveis pelas fake news atuam, geralmente, em uma região da web que é oculta para a grande maioria dos usuários, não é fácil identificá-los e, consequentemente, puni-los. Além disso, essas pessoas usam servidores de fora do país, em lan houses que não exigem identificação.Qualquer tipo de informação falsa, da mais simples à mais descabida, induz as pessoas ao erro. Em vários casos, a notícia contém uma informação falsa cercada de outras verdadeiras. É principalmente nessas situações que estão escondidos os perigos das fake news, e suas consequências podem ser desastrosas.Um caso que ficou conhecido e chegou ao extremo foi o da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, que morreu após ter sido espancada por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo, em 2014. A revolta dos moradores foi em virtude de informações publicadas em uma rede social, com um retrato falado de uma possível sequestradora de crianças [...]. A dona de casa foi confundida com a criminosa e acabou linchada por moradores.Outro boato que tomou conta das redes e influenciou diretamente o calendário de vacinação infantil foi o de que algumas vacinas seriam mortais e teriam matado milhares de crianças. O impacto foi tão grande que doenças como o sarampo, do qual o Brasil era considerado livre, voltaram a acometer crianças.Depois da greve dos caminhoneiros em 2018, que durou 11 dias, fechou rodovias de Norte a Sul do país e provocou desabastecimento de diversos produtos, alguns boatos de uma nova greve geraram tumulto nas grandes cidades. Em alguns municípios, filas de carros formaram-se em postos de combustíveis, pois as pessoas temiam o aumento do preço e até mesmo a falta do produto.Em época de eleições, é comum candidatos ou eleitores usarem mentiras para levar vantagem. Com a presença de tantos eleitores nas redes sociais, uma mentira bem plantada pode alterar os rumos de uma eleição, como no caso das eleições de 2016 nos Estados Unidos.Um dado grave que foi constatado pelos pesquisadores do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), nos Estados Unidos, é que a chance de uma notícia falsa ser repassada é consideravelmente maior que a de uma verdadeira. Foram analisadas 126 mil notícias, e percebeu-se que a probabilidade de republicar uma informação falsa é 70% maior do que a de republicar uma notícia verdadeira.Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/curiosidades/fake-news.htm. Acesso em: 15 out. 2023. Adaptado.A expressão destacada no trecho “Os motivos para que sejam criadas notícias falsas são diversos.” garante à frase uma ideia deA25ABA1E-B1 Português
Interpretação de TextosIFN-MG · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosO assunto principal abordado no texto 01 é/sãoTexto 01Fake newsNão é de hoje que mentiras são divulgadas como verdades, mas foi com o advento das redes sociais que esse tipo de publicação se popularizou. A imprensa internacional começou a usar com mais frequência o termo fake news durante a eleição de 2016 nos Estados Unidos, na qual Donald Trump tornou-se presidente. Fake news é um termo em inglês e é usado para referir-se a falsas informações divulgadas, principalmente, em redes sociais.Na época em que Trump foi eleito, algumas empresas especializadas identificaram uma série de sites com conteúdo duvidoso. A maioria das notícias divulgadas por esses sites explorava conteúdos sensacionalistas, envolvendo, em alguns casos, personalidades importantes, como a adversária de Trump, Hillary Clinton.Os motivos para que sejam criadas notícias falsas são diversos. Em alguns casos, os autores criam manchetes absurdas com o claro intuito de atrair acessos aos sites e, assim, faturar com a publicidade digital. No entanto, além da finalidade puramente comercial, as fake news podem ser usadas apenas para criar boatos e reforçar um pensamento, por meio de mentiras e da disseminação de ódio. Dessa maneira, prejudicam-se pessoas comuns, celebridades, políticos e empresas.Existem grupos específicos que trabalham espalhando boatos. Porém, não é fácil encontrar as empresas que atuam nesse segmento, pois elas operam na chamada deep web, isto é, uma parte da rede que não é indexada pelos mecanismos de buscas, ficando oculta ao grande público. Para disseminar informações falsas, é criada uma página na internet. Um robô criado pelos programadores desses grupos é o responsável por disseminar o link nas redes. Quanto mais o assunto é mencionado nas redes, mais o robô atua, chegando a disparar informações a cada dois segundos, o que é humanamente impossível. Com tamanho volume de disseminação de conteúdos, pessoas reais ficam vulneráveis às fake news e acabam compartilhando essas informações. Dessa forma, está criada uma rede de mentiras com pessoas reais.Como os responsáveis pelas fake news atuam, geralmente, em uma região da web que é oculta para a grande maioria dos usuários, não é fácil identificá-los e, consequentemente, puni-los. Além disso, essas pessoas usam servidores de fora do país, em lan houses que não exigem identificação.Qualquer tipo de informação falsa, da mais simples à mais descabida, induz as pessoas ao erro. Em vários casos, a notícia contém uma informação falsa cercada de outras verdadeiras. É principalmente nessas situações que estão escondidos os perigos das fake news, e suas consequências podem ser desastrosas.Um caso que ficou conhecido e chegou ao extremo foi o da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, que morreu após ter sido espancada por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo, em 2014. A revolta dos moradores foi em virtude de informações publicadas em uma rede social, com um retrato falado de uma possível sequestradora de crianças [...]. A dona de casa foi confundida com a criminosa e acabou linchada por moradores.Outro boato que tomou conta das redes e influenciou diretamente o calendário de vacinação infantil foi o de que algumas vacinas seriam mortais e teriam matado milhares de crianças. O impacto foi tão grande que doenças como o sarampo, do qual o Brasil era considerado livre, voltaram a acometer crianças.Depois da greve dos caminhoneiros em 2018, que durou 11 dias, fechou rodovias de Norte a Sul do país e provocou desabastecimento de diversos produtos, alguns boatos de uma nova greve geraram tumulto nas grandes cidades. Em alguns municípios, filas de carros formaram-se em postos de combustíveis, pois as pessoas temiam o aumento do preço e até mesmo a falta do produto.Em época de eleições, é comum candidatos ou eleitores usarem mentiras para levar vantagem. Com a presença de tantos eleitores nas redes sociais, uma mentira bem plantada pode alterar os rumos de uma eleição, como no caso das eleições de 2016 nos Estados Unidos.Um dado grave que foi constatado pelos pesquisadores do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), nos Estados Unidos, é que a chance de uma notícia falsa ser repassada é consideravelmente maior que a de uma verdadeira. Foram analisadas 126 mil notícias, e percebeu-se que a probabilidade de republicar uma informação falsa é 70% maior do que a de republicar uma notícia verdadeira.Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/curiosidades/fake-news.htm. Acesso em: 15 out. 2023. Adaptado.AA723AB8-A0 Português
Interpretação de TextosUFPR · 2023FácilEntre para guardar nos favoritos“Ora, mídias são meios, e meios, como o próprio nome diz, são simplesmente meios, isto é, suportes materiais, canais físicos, nos quais as linguagens se corporificam e através dos quais transitam. Por isso mesmo, o veículo, meio ou mídia de comunicação é o componente mais superficial, no sentido de ser aquele que primeiro aparece no processo comunicativo. Não obstante sua relevância para o estudo desse processo, veículos são meros canais, tecnologias que estariam esvaziadas de sentido não fossem as mensagens que nelas se configuram”. (SANTAELLA, 2003, p. 25).Levando em consideração a explicação da autora sobre o significado das mídias, assinale a alternativa correta.098BFA55-9D Inglês
Vocabulário | VocabularyUFPR · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosO texto a seguir é referência para a questão.Implications of English as an International Language for Language PedagogyThe position of the English language in the world has recently underwent an enormous shift. Much literature has been written about what English as an International Language (EIL) actually is (e.g. Alsagoff et al., 2012; Matsuda, 2003; McKay and Brown, 2016; Sharifian, 2009), ranging from a view of EIL as the many varieties of English that are spoken today to the use of English by second language speakers of English. Thus, EIL is viewed both as a type of English and as a way of using English (Cameron & Galloway, 2019).In addition, the global spread of English has altered its status from being a homogeneous and standard language spoken by a few powerful countries into an international language or lingua franca spoken by a wide variety of speakers around the world (Llurda, 2004; Galloway & Rose, 2017). Crystal (1997) stated that “if there is one predictable consequence of globalization of a language, it is that nobody owns it anymore” (p. 2). Various studies (e.g. Llurda, 2017; Marlina, 2018; Schuttz, 2019) have widely argued that English does not belong only to native-speaking communities because the number of people who currently speak English as a second/foreign language exceeds that of native English speakers. Seidlhofer (2003) asserted that “English is being shaped at least as much by its nonnative speakers as by its native speakers” (p. 339).Disponível em: https://files.eric.ed.gov/fulltext/EJ1234483.pdf. Acesso em 28 jun. 2023.Dentre as expressões em negrito no texto, assinale a alternativa que apresenta aquela que tem como função somar uma ideia ao que já foi posto.B68B3537-7E Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionEnsino Einstein · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosRead the text to answer question from.Rescuers spotted debris from the tourist submarine Titan on the ocean floor near the wreck of the Titanic on June 22, 2023, indicating that the vessel suffered a catastrophic failure and the five people aboard were killed. Below, Purdue University professor Nina Mahmoudian talks about vehicles for deep ocean research.Nina Mahmoudian: When we talk about water studies, we’re talking about vast areas. And covering vast areas requires tools that can work for extended periods of time, sometimes months. Having people aboard underwater vehicles, especially for such long periods, is expensive and dangerous.One of the tools researchers use is remotely operated vehicles, or ROVs. Basically, there is a cable between the vehicle and operator that allows the operator to command and move the vehicle, and the vehicle can transmit data in real time. ROVs can reach deep ocean — up to a depth of 6,000 meters. It’s also better able to provide the mobility necessary for observing the sea bed and gathering data. Autonomous underwater vehicles provide another opportunity for underwater exploration. They are usually not tied to a ship. They are typically programmed ahead of time to do a specific mission. And while they are underwater they usually don’t have constant communication. At some interval, they surface, relay the data that they have gathered, change the battery or recharge and receive renewed instructions before again submerging.Crewed1 submersibles will be exciting for the public and those involved. However, they will be much more expensive compared with uncrewed explorations because of the required size of the platforms and the need for life-support systems. So, uncrewed vehicles provide better opportunities for exploration at less cost and risk in operating in inhospitable locations. Using remotely operated and autonomous underwater vehicles gives operators the opportunity to perform tasks that are unsafe for humans, like observing under ice and detecting underwater mines.(https://theconversation.com, 23.06.2023. Adapted.)1crewed: carrying or operated by a person or people on board.According to the fifth paragraph, uncrewed submersibles have some advantages over crewed ones, such as the fact that uncrewed submersiblesB685F74F-7E Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionEnsino Einstein · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosRead the text to answer question from.Rescuers spotted debris from the tourist submarine Titan on the ocean floor near the wreck of the Titanic on June 22, 2023, indicating that the vessel suffered a catastrophic failure and the five people aboard were killed. Below, Purdue University professor Nina Mahmoudian talks about vehicles for deep ocean research.Nina Mahmoudian: When we talk about water studies, we’re talking about vast areas. And covering vast areas requires tools that can work for extended periods of time, sometimes months. Having people aboard underwater vehicles, especially for such long periods, is expensive and dangerous.One of the tools researchers use is remotely operated vehicles, or ROVs. Basically, there is a cable between the vehicle and operator that allows the operator to command and move the vehicle, and the vehicle can transmit data in real time. ROVs can reach deep ocean — up to a depth of 6,000 meters. It’s also better able to provide the mobility necessary for observing the sea bed and gathering data. Autonomous underwater vehicles provide another opportunity for underwater exploration. They are usually not tied to a ship. They are typically programmed ahead of time to do a specific mission. And while they are underwater they usually don’t have constant communication. At some interval, they surface, relay the data that they have gathered, change the battery or recharge and receive renewed instructions before again submerging.Crewed1 submersibles will be exciting for the public and those involved. However, they will be much more expensive compared with uncrewed explorations because of the required size of the platforms and the need for life-support systems. So, uncrewed vehicles provide better opportunities for exploration at less cost and risk in operating in inhospitable locations. Using remotely operated and autonomous underwater vehicles gives operators the opportunity to perform tasks that are unsafe for humans, like observing under ice and detecting underwater mines.(https://theconversation.com, 23.06.2023. Adapted.)1crewed: carrying or operated by a person or people on board.Professor Nina Mahmoudian, mainly,B6835A9D-7E Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionEnsino Einstein · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosRead the text to answer question from.Rescuers spotted debris from the tourist submarine Titan on the ocean floor near the wreck of the Titanic on June 22, 2023, indicating that the vessel suffered a catastrophic failure and the five people aboard were killed. Below, Purdue University professor Nina Mahmoudian talks about vehicles for deep ocean research.Nina Mahmoudian: When we talk about water studies, we’re talking about vast areas. And covering vast areas requires tools that can work for extended periods of time, sometimes months. Having people aboard underwater vehicles, especially for such long periods, is expensive and dangerous.One of the tools researchers use is remotely operated vehicles, or ROVs. Basically, there is a cable between the vehicle and operator that allows the operator to command and move the vehicle, and the vehicle can transmit data in real time. ROVs can reach deep ocean — up to a depth of 6,000 meters. It’s also better able to provide the mobility necessary for observing the sea bed and gathering data. Autonomous underwater vehicles provide another opportunity for underwater exploration. They are usually not tied to a ship. They are typically programmed ahead of time to do a specific mission. And while they are underwater they usually don’t have constant communication. At some interval, they surface, relay the data that they have gathered, change the battery or recharge and receive renewed instructions before again submerging.Crewed1 submersibles will be exciting for the public and those involved. However, they will be much more expensive compared with uncrewed explorations because of the required size of the platforms and the need for life-support systems. So, uncrewed vehicles provide better opportunities for exploration at less cost and risk in operating in inhospitable locations. Using remotely operated and autonomous underwater vehicles gives operators the opportunity to perform tasks that are unsafe for humans, like observing under ice and detecting underwater mines.(https://theconversation.com, 23.06.2023. Adapted.)1crewed: carrying or operated by a person or people on board.The fact which motivated the publication of this article on the specific date of June 23, 2023 was theB67B9ABD-7E Português
SintaxeEnsino Einstein · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia a crônica “A decadência do Ocidente”, de Luis Fernando Verissimo.
O doutor ganhou uma galinha viva e chegou em casa com ela, para alegria de toda a família. O filho mais moço, inclusive, nunca tinha visto uma galinha viva de perto. Já tinha até um nome para ela — Margarete — e planos para adotá-la, quando ouviu do pai que a galinha seria, obviamente, comida.
— Comida?!
— Sim, senhor.
— Mas se come ela?
— Ué. Você está cansado de comer galinha.
— Mas a galinha que a gente come é igual a esta aqui?
— Claro.
Na verdade o guri gostava muito de peito, de coxa e de asa, mas nunca tinha ligado as partes ao animal. Ainda mais aquele animal vivo ali no meio do apartamento.
O doutor disse que queria a galinha ao molho pardo. Há anos que não comia uma galinha ao molho pardo. A empregada sabia como se preparava galinha ao molho pardo? A mulher foi consultar a empregada. Dali a pouco o doutor ouviu um grito de horror vindo da cozinha. Depois veio a mulher dizer que ele esquecesse a galinha ao molho pardo.
— A empregada não sabe fazer?
— Não só não sabe fazer, como quase desmaiou quando eu disse que precisava cortar o pescoço da galinha. Nunca cortou um pescoço de galinha.
Era o cúmulo. Então a mulher que cortasse o pescoço da galinha.
— Eu?! Não mesmo!
O doutor lembrou-se de uma velha empregada da sua mãe. A Dona Noca. Não só cortava pescoços de galinhas, como fazia isto com uma certa alegria assassina. A solução era a Dona Noca.
— A Dona Noca já morreu — disse a mulher.
— O quê?!
— Há dez anos.
— Não é possível! A última galinha ao molho pardo que eu comi foi feita por ela.
— Então faz mais de dez anos que você não come galinha ao molho pardo.
Alguém no edifício se disporia a degolar a galinha. Fizeram uma rápida enquete entre os vizinhos. Ninguém se animava a cortar o pescoço da galinha. Nem o Rogerinho do 701, que fazia coisas inomináveis com gatos.
— Somos uma civilização de frouxos! — sentenciou o doutor.
Foi para o poço do edifício e repetiu:
— Frouxos! Perdemos o contato com o barro da vida!
E a Margarete só olhando.
(Luis Fernando Verissimo. A mãe do Freud, 1997.)
Ao se transpor a oração “Fizeram uma rápida enquete entre os vizinhos.” (20º parágrafo) para a voz passiva sintética, a forma verbal resultante será:B678DB9A-7E Português
SintaxeEnsino Einstein · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia a crônica “A decadência do Ocidente”, de Luis Fernando Verissimo.
O doutor ganhou uma galinha viva e chegou em casa com ela, para alegria de toda a família. O filho mais moço, inclusive, nunca tinha visto uma galinha viva de perto. Já tinha até um nome para ela — Margarete — e planos para adotá-la, quando ouviu do pai que a galinha seria, obviamente, comida.
— Comida?!
— Sim, senhor.
— Mas se come ela?
— Ué. Você está cansado de comer galinha.
— Mas a galinha que a gente come é igual a esta aqui?
— Claro.
Na verdade o guri gostava muito de peito, de coxa e de asa, mas nunca tinha ligado as partes ao animal. Ainda mais aquele animal vivo ali no meio do apartamento.
O doutor disse que queria a galinha ao molho pardo. Há anos que não comia uma galinha ao molho pardo. A empregada sabia como se preparava galinha ao molho pardo? A mulher foi consultar a empregada. Dali a pouco o doutor ouviu um grito de horror vindo da cozinha. Depois veio a mulher dizer que ele esquecesse a galinha ao molho pardo.
— A empregada não sabe fazer?
— Não só não sabe fazer, como quase desmaiou quando eu disse que precisava cortar o pescoço da galinha. Nunca cortou um pescoço de galinha.
Era o cúmulo. Então a mulher que cortasse o pescoço da galinha.
— Eu?! Não mesmo!
O doutor lembrou-se de uma velha empregada da sua mãe. A Dona Noca. Não só cortava pescoços de galinhas, como fazia isto com uma certa alegria assassina. A solução era a Dona Noca.
— A Dona Noca já morreu — disse a mulher.
— O quê?!
— Há dez anos.
— Não é possível! A última galinha ao molho pardo que eu comi foi feita por ela.
— Então faz mais de dez anos que você não come galinha ao molho pardo.
Alguém no edifício se disporia a degolar a galinha. Fizeram uma rápida enquete entre os vizinhos. Ninguém se animava a cortar o pescoço da galinha. Nem o Rogerinho do 701, que fazia coisas inomináveis com gatos.
— Somos uma civilização de frouxos! — sentenciou o doutor.
Foi para o poço do edifício e repetiu:
— Frouxos! Perdemos o contato com o barro da vida!
E a Margarete só olhando.
(Luis Fernando Verissimo. A mãe do Freud, 1997.)
No período composto “Não só cortava pescoços de galinhas, como fazia isto com uma certa alegria assassina.” (14º parágrafo), há duas orações conectadas por uma relação deB673C943-7E Português
Interpretação de TextosEnsino Einstein · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosExamine a tirinha publicada pelo perfil “Safely Endangered Comics” no Instagram em 07.07.2023.

A tirinha permite caracterizar Derek como
B67108F4-7E Português
MorfologiaEnsino Einstein · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia um trecho do livro A queda do céu: palavras de uma xamã yanomami, de Davi Kopenawa e Bruce Albert.
Hoje, os brancos acham que deveríamos imitá-los em tudo. Mas não é o que queremos. Eu aprendi a conhecer seus costumes desde a minha infância e falo um pouco a sua língua. Mas não quero de modo algum ser um deles. A meu ver, só poderemos nos tornar brancos no dia em que eles mesmos se transformarem em Yanomami. Sei também que se formos viver em suas cidades, seremos infelizes. Então, eles acabarão com a floresta e nunca mais deixarão nenhum lugar onde possamos viver longe deles. Não poderemos mais caçar, nem plantar nada. Nossos filhos vão passar fome. Quando penso em tudo isso, fico tomado de tristeza e de raiva.
Os brancos se dizem inteligentes. Não o somos menos. Nossos pensamentos se expandem em todas as direções e nossas palavras são antigas e muitas. Elas vêm de nossos antepassados. Porém, não precisamos, como os brancos, de peles de imagens para impedi-las de fugir da nossa mente. Não temos de desenhá-las, como eles fazem com as suas. Nem por isso elas irão desaparecer, pois ficam gravadas dentro de nós. Por isso nossa memória é longa e forte. O mesmo ocorre com as palavras dos espíritos xapiri, que também são muito antigas. Mas voltam a ser novas sempre que eles vêm de novo dançar para um jovem xamã, e assim tem sido há muito tempo, sem fim.
(Davi Kopenawa e Bruce Albert. A queda do céu, 2015.)
Verifica-se o emprego de palavra formada com prefixo que exprime ideia de negação em: