Questões do ENEM: Linguagens e nível difícil

Use os filtros para chegar às questões que interessam. Cada resultado abre em uma página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

4.735 questões encontradas. Mostrando a página 101 de 237.

  • AB6F0F85-B3

    Português

    Figuras de Linguagem
    IF-PR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    (...)
    Em lugares distantes, onde não há hospital
    nem escola
    homens que não sabem ler e morrem de fome
    aos 27 anos
    plantaram e colheram a cana
    que viraria açúcar.
    Em usinas escuras,
    homens de vida amarga
    e dura
    produziram este açúcar
    branco e puro
    com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.

    Na 2ª estrofe do poema de Ferreira Gullar, há figuras de linguagem que reforçam a carga poética do texto. Leia atentamente os textos a seguir.

    I) O amor é o fogo que arde sem se ver;

    É ferida que dói e não se sente;

    É um contentamento descontente;

    É dor que desatina sem doer (Legião Urbana).

    II) Na outra margem do rio uma casa acendeu. Dois galos ensaiaram. O farol que estava na mão do homem apagou. A lancha apitou despedida. O Porto de manga está amanhecendo (Manoel de Barros).

    III) Se fosse só para medir a dimensão de nossos homens públicos, nem teria sido necessário inventar o sistema métrico decimal (Millôr Fernandes).

    IV) Como, se na desordem do armário embutido

    Meu paletó enlaça o teu vestido

    E o meu sapato inda pisa no teu (Chico Buarque).


    Identifique, em quais textos, pelo menos um desses recursos está presente e assinale a alternativa correspondente.

    Escolha uma alternativa para a questão ab6f0f85-b3
  • AB5AA39B-B3

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Deuses e Demônios.

    A possessão constituía um fenômeno familiar no mundo grego. Gente de todas as camadas sociais consultava o oráculo de Apolo, em Delfos, onde a pitonisa, em transe, oferecia respostas – por vezes enigmáticas e ambíguas – às questões apresentadas. O domínio dos corpos pela divindade era habitual nos rituais sagrados, como o de Dionísio, (a)que deu origem ao teatro. Por sua vez, Platão chegou a afirmar (b)que muitos poetas criavam sob o domínio das Musas e de outras deidades, sem controle sobre as palavras proferidas.

    Milênios depois, os principais estudiosos do psiquismo empreenderam o exame da possessão. Jung, por exemplo, abordou o fenômeno já na sua tese de doutoramento, focalizando o caso de uma adolescente (c)que dizia “receber” o espírito do avô já falecido. Mais tarde, o criador da psicologia analítica desenvolveria o conceito de arquétipos – representações inatas e específicas da humanidade (d)que são o correspondente psíquico dos instintos –, que se revelaria de enorme valor no estudo das mais diversas manifestações culturais. O culto a Dionísio, por exemplo, foi considerado um arquétipo da fertilidade humana. O pensador suíço também escreveu sobre o oráculo de Delfos, relacionando a obscuridade das respostas com as mensagens ambíguas do inconsciente.

    O cenário da possessão esteve igualmente presente no desenvolvimento de outro conceito junguiano fundamental: os complexos, “ilhas de fantasia” psíquicas (e)que atuam sobre o eu e chegam a dominá-lo. Tornam-se nocivos quando ganham autonomia, sem se integrar à estrutura do psiquismo; Jung chegou a comparar o controle do eu pelos complexos autônomos com a noção medieval de possessão demoníaca (Mente, Cérebro e Filosofia, nº1, Duetto)

    Da leitura do texto, pode-se inferir que:
    Escolha uma alternativa para a questão ab5aa39b-b3
  • EA7271A6-B3

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    IF-MT · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, IF-MT 2016, Interpretação de texto | Reading comprehensionFigura 2 de 2 da questão de Inglês, IF-MT 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

    A QUESTÃO REFERE-SE AO TEXTO.    

    As pesquisas financiadas pela NASA:
    Escolha uma alternativa para a questão ea7271a6-b3
  • EA6ED08F-B3

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    IF-MT · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, IF-MT 2016, Interpretação de texto | Reading comprehensionFigura 2 de 2 da questão de Inglês, IF-MT 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

    A QUESTÃO REFERE-SE AO TEXTO.    

    A mudança de postura da NASA irá
    Escolha uma alternativa para a questão ea6ed08f-b3
  • EA5D76F0-B3

    Inglês

    Sinônimos | Synonyms
    IF-MT · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, IF-MT 2016, Sinônimos | SynonymsFigura 2 de 2 da questão de Inglês, IF-MT 2016, Sinônimos | Synonyms

    A QUESTÃO REFERE-SE AO TEXTO I   


    De acordo com o contexto, considere o significado das palavras nas opções abaixo:

    I. “junk food” (L. 14) significa “comida sem valor nutritivo” .

    II. “pupils” (L. 14) é sinômimo de “students”.

    III. “ultimately” (L. 04) significa “ultimamente”.

    IV. “committed” (L.14) significa “engajado”.

    Estão corretas:

    Escolha uma alternativa para a questão ea5d76f0-b3
  • EA571DD2-B3

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    IF-MT · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, IF-MT 2016, Interpretação de texto | Reading comprehensionFigura 2 de 2 da questão de Inglês, IF-MT 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

    A QUESTÃO REFERE-SE AO TEXTO I   


    De acordo com a leitura do texto, pode-se afirmar que o governo britânico:
    Escolha uma alternativa para a questão ea571dd2-b3
  • E99029C9-B3

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-MT · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, IF-MT 2016, Interpretação de Textos

    A QUESTÃO REFERE-SE AO TEXTO II.

    A partir do enunciado verbal “Por favor, cumé mesmo aquela história de “Imagem e semelhança”? analise as afirmativas abaixo.

    I. A pergunta feita pelo personagem mostra que ele se preocupa em aprofundar os seus conhecimentos bíblicos.

    II. O morador de rua se considera imagem e semelhança do religioso. Isso se comprova pelas imagens verbal e não verbal.

    III. O personagem, ironicamente, questiona o religioso que prega a crença de que todos os seres humanos são criaturas semelhantes a Deus. No contexto da charge, é difícil aceitar essa interpretação.

    IV. Essa pergunta representa a diferença existente apenas no aspecto religioso

    Está correto o que se afirma em 




    Escolha uma alternativa para a questão e99029c9-b3
  • E98141C4-B3

    Português

    Coesão e coerência
    IF-MT · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, IF-MT 2016, Coesão e coerência

    A QUESTÃO REFERE-SE AO TEXTO I.

    Em “Cada qual sentia pelo outro um profundo desprezo, que pouco a pouco se foi transformando em repugnância completa,” (1º parágrafo) o termo sublinhado se remete
    Escolha uma alternativa para a questão e98141c4-b3
  • E97904FF-B3

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-MT · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, IF-MT 2016, Interpretação de Textos

    A QUESTÃO REFERE-SE AO TEXTO I.

    Assinale a alternativa que não retrata a cena acima.
    Escolha uma alternativa para a questão e97904ff-b3
  • A5E5EE68-B2

    Português

    Gêneros Textuais
    Universidade de Pernambuco · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Texto 3

    Retrato de Novembro

    I
    Os trabalhadores protestam na rua,
    Excelência.
    Não me incomodam!
    Como?!
    Não vou sair para essas bandas!
    Querem avistar-se com Vossa Excelência.
    Não os conheço!
    Já estão a fazer barulho.
    Manda-os embora!
    Não abalam.
    Manda-os calar!

    Não nos escutam, Excelência.
    Bom, somos um país livre!
    Mas a gritaria vai-nos incomodar.
    Fecha as portas e as janelas!
    Mesmo assim os ouviremos.
    Tapa os ouvidos!
    Também não resulta, Excelência.
    Então, ignora-os!
    Como?!
    Finge que não existem!
    Vai ser difícil, Excelência.
    Mas não impossível!
    II
    E os massacres no Alentejo, Excelência?
    Oh nada de extraordinário a assinalar
    Senão os coveiros já teriam reclamado
    Horas suplementares!

    (Mário de Andrade)


    Texto 4

    Alerta

    Lá vem o lança-chamas
    Pega a garrafa de gasolina
    Atira
    Eles querem matar todo amor
    Corromper o polo
    Estancar a sede que eu tenho doutro ser
    Vem de flanco, de lado
    Por cima, por trás
    Atira
    Atira
    Resiste
    Defende
    De pé
    De pé
    De pé
    O futuro será de toda a humanidade
    (Oswald de Andrade)
    Acerca dos Textos 3 e 4, bem como dos seus autores e do contexto histórico e literário em que estão inscritos, analise as seguintes proposições.

    I. O Texto 3 é um poema em que o autor se revela comprometido com as causas sociais de seu tempo, e em que um eu lírico questionador faz vir à tona imagens da indiferença de quem está no poder, subjugando o oprimido.
    II. Mário de Andrade foi o autor de Macunaíma, cujo protagonista é um “herói sem nenhum caráter”, uma espécie de mito grego, nascido na selva amazônica que vai até São Paulo, em busca de um valioso talismã. Sobre o nascimento desse mito, confira o seguinte trecho: “No fundo do matovirgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite”.
    III. O Texto 4 é um poema, cujo eu lírico é um revolucionário, em luta por sua liberdade. A sua causa, isto é, o seu ideal, é a humanidade.
    IV.Para Oswald de Andrade, no seu Manifesto da Poesia Pau-brasil, “a poesia existe nos fatos”. Isso faz entender que ele conseguiu reunir, na sua poesia e na sua prosa, elementos para um olhar crítico sobre a realidade brasileira.

    Estão CORRETAS:
    Escolha uma alternativa para a questão a5e5ee68-b2
  • A5E2A3BF-B2

    Português

    Coesão e coerência
    Universidade de Pernambuco · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, Universidade de Pernambuco 2016, Coesão e coerência

    O início do século XX, compreendido entre 1902 a 1922, foi muito significativo para a fase de transição da literatura brasileira. As Vanguardas Europeias e a Semana de 1922 representaram mudanças importantíssimas no fazer artístico e literário, no Brasil. Acerca desse período, analise as proposições a seguir e assinale com V as Verdadeiras e com F as Falsas.

    ( ) O ano de 1902, marcado pela publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi decisivo para a liberdade intelectual brasileira. Essa obra foi importante porque lançou, de um só golpe, a realidade brasileira até então disfarçada. Isso mantinha os escritores da época presos à visão europeia, em razão de sentimentos de inferioridade, motivados pelo status colonial vivenciado.
    ( ) O Futurismo, um dos movimentos de vanguarda, foi lançado por Marinetti. Tal movimento estético caracterizou-se mais por manifestos que por obras; assim, os futuristas exaltavam a vida moderna, cultuavam a máquina e a velocidade.
    ( ) Os romances de Lima Barreto têm muito de crônica, pois neles se encontram cenas do cotidiano, de jornal, sobre a vida burocrática, tudo numa linguagem fluente e sem muitas ambições. Isso pode ser percebido no seguinte trecho de sua obra Recordações do Escrivão Isaías Caminha: “Almocei, saí até à cidade próxima para fazer as minhas despedidas, jantei e, sempre, aquela visão doutoral que me não deixava”.
    ( ) Augusto dos Anjos é um poeta eloquente; assim, encontram-se, em sua obra, palavras do jargão científico e termos técnicos, que não podem ser ignorados, porque tais palavras fazem parte do contexto de produção do poeta. Pode-se conferir isso no seguinte trecho de seu poema A ideia: “Vem do encéfalo absconso que a constringe, / Chega em seguida às cordas do laringe, / Tísica, tênue, mínima, raquítica ...”
    ( ) A Semana de 22 ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922. A ideia da Semana era a de destruir, escandalizar e, especialmente, criticar. Acerca dessa postura, Aníbal Machado diz a seguinte frase: “Não sabemos definir o que queremos, mas sabemos discernir o que não queremos”.

    A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
    Escolha uma alternativa para a questão a5e2a3bf-b2
  • A5D28F3D-B2

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Texto 1

    COMPREENDER O BRASIL É DIFÍCIL, MAS NÃO IMPOSSÍVEL

         Ouvimos muitos comentários de analistas sociais e também do senso comum (sobretudo) de que o grande mal do Brasil é o “jeitinho brasileiro”, que é atrelado à corrupção. Pois bem, a observação não é de todo errada, mas esconde outro truísmo aparente. Os males do Brasil enquanto nação e enquanto Estado assentam-se em dois pilares: o genocídio indígena e a escravidão africana.
         Advém daí o machismo e a cultura do estupro: as índias foram as primeiras a serem violentadas pelo colonizador europeu, o que acabou naturalizando essa abominável prática de invasão do corpo do outro, tempos depois aplicando-se o mesmo “método” no corpo da mulher negra e da mulher branca. Os escravocratas, em uma sociedade patriarcal, tornaram legítima também a decisão sobre o corpo da mulher, inclusive da sua esposa: bela, recatada e do lar, e da sua ama de leite (a mãe preta), cujo leite afro acalentava seu filho branco.
         Advém daí o racismo: o colonizador branco, com a chancela da religião cristã e da ciência, arrogou para si a superioridade racial branca, em detrimento do negro, do indígena e do asiático. Nem o questionável 13 de maio nem o estado democrático de direito superou isso. Isso é reproduzido hoje em nível societário. Quem mais morre nas periferias das cidades brasileiras são negros. Alguém cantou num passado recente “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.
         Advém daí o paternalismo: transplantamos para nossas relações humanas as antigas relações típicas de senhor escravo, não na acepção nietzschiana (moral do senhor/moral do escravo), mas na acepção eugênica herdada do darwinismo social de Spencer, que hierarquizou as raças, estando essas associadas ao processo civilizatório de aculturação do indígena, método descrito de forma primorosa por Alfredo Bosi em “As flechas do Sagrado”. Os jesuítas arrogaram para si a responsabilidade por “cuidar do indígena”, inculcando no colonizado a dependência contínua na esteira da “benevolência” mal intencionada. Mal sabiam os colonizadores que as etnias também negociavam, como enunciou Eduardo Viveiros de Castro em “A inconstância da alma selvagem”: os tupinambás jamais abriram mão do que lhes era essencial, a guerra.
         Advém daí o genocídio negro: desde 1982 até 2014 foram 1,2 milhões de negros mortos pela polícia nas periferias, dados da Anistia Internacional. O negro de hoje é o escravizado de ontem e o corpo reificado de anteontem. Na imprensa de hoje, a morte de um jovem branco de classe média suscita debates em torno da violência, ao passo que a morte de um negro é mais uma estatística. Do mesmo modo que a violência contra a mulher é naturalizada e contra a mulher negra duas vezes mais, pois aprendemos com a “globeleza” que o corpo negro feminino é o veículo do pecado e que o corpo feminino deve ser submetido à vontade do corpo masculino, estando apto desde sempre a servi-lo.
         Advém daí o genocídio indígena, ainda em curso. Ruralistas e posseiros o fazem à luz do dia no Norte e Centro-Oeste do país. A imprensa fala pouco, o silêncio cemiterial em torno do tema é um crime confesso, típico de quem consente porque se cala.
         Advém daí a corrupção, pois, no processo colonizatório, legitimou-se a prática de que tudo tem seu preço, quando até mesmo o corpo do outro poderia ser negociado, outrora o escravizado, tempos depois o trabalhador fabril, hoje qualquer alma vulnerável ao consumismo em busca de status.
         Resumo da ópera: a corrupção é um subciclo de dois ciclos maiores: genocídio e escravidão. Por isso esses dois temas interessam a todos os brasileiros. Enquanto não encararmos isso, não avançaremos como povo ou como nação.

    Victor Martins. Disponível em: http://www.circulopalmarino.org.br/2016/05/compreender-o-brasil-e-dificil-mas-nao-impossivel. Acesso em: 14/07/16. Adaptado.
    Quanto aos aspectos semânticos do vocabulário empregado no Texto 1, assinale a alternativa que identifica CORRETAMENTE o efeito de sentido obtido com o uso do termo destacado.
    Escolha uma alternativa para a questão a5d28f3d-b2
  • A5CC0E50-B2

    Português

    Coesão e coerência
    Universidade de Pernambuco · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Texto 1

    COMPREENDER O BRASIL É DIFÍCIL, MAS NÃO IMPOSSÍVEL

         Ouvimos muitos comentários de analistas sociais e também do senso comum (sobretudo) de que o grande mal do Brasil é o “jeitinho brasileiro”, que é atrelado à corrupção. Pois bem, a observação não é de todo errada, mas esconde outro truísmo aparente. Os males do Brasil enquanto nação e enquanto Estado assentam-se em dois pilares: o genocídio indígena e a escravidão africana.
         Advém daí o machismo e a cultura do estupro: as índias foram as primeiras a serem violentadas pelo colonizador europeu, o que acabou naturalizando essa abominável prática de invasão do corpo do outro, tempos depois aplicando-se o mesmo “método” no corpo da mulher negra e da mulher branca. Os escravocratas, em uma sociedade patriarcal, tornaram legítima também a decisão sobre o corpo da mulher, inclusive da sua esposa: bela, recatada e do lar, e da sua ama de leite (a mãe preta), cujo leite afro acalentava seu filho branco.
         Advém daí o racismo: o colonizador branco, com a chancela da religião cristã e da ciência, arrogou para si a superioridade racial branca, em detrimento do negro, do indígena e do asiático. Nem o questionável 13 de maio nem o estado democrático de direito superou isso. Isso é reproduzido hoje em nível societário. Quem mais morre nas periferias das cidades brasileiras são negros. Alguém cantou num passado recente “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.
         Advém daí o paternalismo: transplantamos para nossas relações humanas as antigas relações típicas de senhor escravo, não na acepção nietzschiana (moral do senhor/moral do escravo), mas na acepção eugênica herdada do darwinismo social de Spencer, que hierarquizou as raças, estando essas associadas ao processo civilizatório de aculturação do indígena, método descrito de forma primorosa por Alfredo Bosi em “As flechas do Sagrado”. Os jesuítas arrogaram para si a responsabilidade por “cuidar do indígena”, inculcando no colonizado a dependência contínua na esteira da “benevolência” mal intencionada. Mal sabiam os colonizadores que as etnias também negociavam, como enunciou Eduardo Viveiros de Castro em “A inconstância da alma selvagem”: os tupinambás jamais abriram mão do que lhes era essencial, a guerra.
         Advém daí o genocídio negro: desde 1982 até 2014 foram 1,2 milhões de negros mortos pela polícia nas periferias, dados da Anistia Internacional. O negro de hoje é o escravizado de ontem e o corpo reificado de anteontem. Na imprensa de hoje, a morte de um jovem branco de classe média suscita debates em torno da violência, ao passo que a morte de um negro é mais uma estatística. Do mesmo modo que a violência contra a mulher é naturalizada e contra a mulher negra duas vezes mais, pois aprendemos com a “globeleza” que o corpo negro feminino é o veículo do pecado e que o corpo feminino deve ser submetido à vontade do corpo masculino, estando apto desde sempre a servi-lo.
         Advém daí o genocídio indígena, ainda em curso. Ruralistas e posseiros o fazem à luz do dia no Norte e Centro-Oeste do país. A imprensa fala pouco, o silêncio cemiterial em torno do tema é um crime confesso, típico de quem consente porque se cala.
         Advém daí a corrupção, pois, no processo colonizatório, legitimou-se a prática de que tudo tem seu preço, quando até mesmo o corpo do outro poderia ser negociado, outrora o escravizado, tempos depois o trabalhador fabril, hoje qualquer alma vulnerável ao consumismo em busca de status.
         Resumo da ópera: a corrupção é um subciclo de dois ciclos maiores: genocídio e escravidão. Por isso esses dois temas interessam a todos os brasileiros. Enquanto não encararmos isso, não avançaremos como povo ou como nação.

    Victor Martins. Disponível em: http://www.circulopalmarino.org.br/2016/05/compreender-o-brasil-e-dificil-mas-nao-impossivel. Acesso em: 14/07/16. Adaptado.
    O autor do Texto 1 traz vários argumentos para a defesa de seus pontos de vista. Assinale a alternativa que sintetiza CORRETAMENTE um desses argumentos.
    Escolha uma alternativa para a questão a5cc0e50-b2
  • A5C7F7E3-B2

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Texto 1

    COMPREENDER O BRASIL É DIFÍCIL, MAS NÃO IMPOSSÍVEL

         Ouvimos muitos comentários de analistas sociais e também do senso comum (sobretudo) de que o grande mal do Brasil é o “jeitinho brasileiro”, que é atrelado à corrupção. Pois bem, a observação não é de todo errada, mas esconde outro truísmo aparente. Os males do Brasil enquanto nação e enquanto Estado assentam-se em dois pilares: o genocídio indígena e a escravidão africana.
         Advém daí o machismo e a cultura do estupro: as índias foram as primeiras a serem violentadas pelo colonizador europeu, o que acabou naturalizando essa abominável prática de invasão do corpo do outro, tempos depois aplicando-se o mesmo “método” no corpo da mulher negra e da mulher branca. Os escravocratas, em uma sociedade patriarcal, tornaram legítima também a decisão sobre o corpo da mulher, inclusive da sua esposa: bela, recatada e do lar, e da sua ama de leite (a mãe preta), cujo leite afro acalentava seu filho branco.
         Advém daí o racismo: o colonizador branco, com a chancela da religião cristã e da ciência, arrogou para si a superioridade racial branca, em detrimento do negro, do indígena e do asiático. Nem o questionável 13 de maio nem o estado democrático de direito superou isso. Isso é reproduzido hoje em nível societário. Quem mais morre nas periferias das cidades brasileiras são negros. Alguém cantou num passado recente “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.
         Advém daí o paternalismo: transplantamos para nossas relações humanas as antigas relações típicas de senhor escravo, não na acepção nietzschiana (moral do senhor/moral do escravo), mas na acepção eugênica herdada do darwinismo social de Spencer, que hierarquizou as raças, estando essas associadas ao processo civilizatório de aculturação do indígena, método descrito de forma primorosa por Alfredo Bosi em “As flechas do Sagrado”. Os jesuítas arrogaram para si a responsabilidade por “cuidar do indígena”, inculcando no colonizado a dependência contínua na esteira da “benevolência” mal intencionada. Mal sabiam os colonizadores que as etnias também negociavam, como enunciou Eduardo Viveiros de Castro em “A inconstância da alma selvagem”: os tupinambás jamais abriram mão do que lhes era essencial, a guerra.
         Advém daí o genocídio negro: desde 1982 até 2014 foram 1,2 milhões de negros mortos pela polícia nas periferias, dados da Anistia Internacional. O negro de hoje é o escravizado de ontem e o corpo reificado de anteontem. Na imprensa de hoje, a morte de um jovem branco de classe média suscita debates em torno da violência, ao passo que a morte de um negro é mais uma estatística. Do mesmo modo que a violência contra a mulher é naturalizada e contra a mulher negra duas vezes mais, pois aprendemos com a “globeleza” que o corpo negro feminino é o veículo do pecado e que o corpo feminino deve ser submetido à vontade do corpo masculino, estando apto desde sempre a servi-lo.
         Advém daí o genocídio indígena, ainda em curso. Ruralistas e posseiros o fazem à luz do dia no Norte e Centro-Oeste do país. A imprensa fala pouco, o silêncio cemiterial em torno do tema é um crime confesso, típico de quem consente porque se cala.
         Advém daí a corrupção, pois, no processo colonizatório, legitimou-se a prática de que tudo tem seu preço, quando até mesmo o corpo do outro poderia ser negociado, outrora o escravizado, tempos depois o trabalhador fabril, hoje qualquer alma vulnerável ao consumismo em busca de status.
         Resumo da ópera: a corrupção é um subciclo de dois ciclos maiores: genocídio e escravidão. Por isso esses dois temas interessam a todos os brasileiros. Enquanto não encararmos isso, não avançaremos como povo ou como nação.

    Victor Martins. Disponível em: http://www.circulopalmarino.org.br/2016/05/compreender-o-brasil-e-dificil-mas-nao-impossivel. Acesso em: 14/07/16. Adaptado.
    Do ponto de vista temático, o Texto 1 se constrói tendo como foco a abordagem
    Escolha uma alternativa para a questão a5c7f7e3-b2
  • 6102E811-B2

    Português

    Interpretação de Textos
    FUVEST · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
               Nasceu o dia e expirou.
              Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente.
             Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores.
           Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do guerreiro.

    José de Alencar, Iracema.

    Atente para as seguintes afirmações, extraídas e adaptadas de um estudo do crítico Augusto Meyer sobre José de Alencar:



    I. “Nesta obra, assim como nos ‘poemas americanos’ dos nossos poetas, palpita um sentimento sincero de distância poética e exotismo, de coisa notável por estranha para nós, embora a rotulemos como nativa.”

    II. “Mais do que diante de um relato, estamos diante de um poema, cujo conteúdo se concentra a cada passo na magia do ritmo e na graça da imagem.”

    III. “O tema do bom selvagem foi, neste caso, aproveitado para um romance histórico, que reproduz o enredo típico das narrativas de capa e espada, oriundas da novela de cavalaria.”


    É compatível com o trecho de Iracema aqui reproduzido, considerado no contexto dessa obra, o que se afirma em

    Escolha uma alternativa para a questão 6102e811-b2
  • 54F679E8-B1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Universidade Federal de Roraima · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, Universidade Federal de Roraima 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

    Disponível em: < http://www.sumauma.net/amazonian/legends/ legends-pirarucu.html> CELEMENT, Rosa. Acesso em: 31 jul. 16 (Adaptado).

    Read the text above and choose the only CORRECT alternative
    Escolha uma alternativa para a questão 54f679e8-b1
  • 54E69AE3-B1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Universidade Federal de Roraima · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    TEXT I
    ‘500 Years of Brazil’s Discovery’ 
    By GAIL FINEBERG

       Our territory was already inhabited before 1500 A.D., by a large population, estimated in the 1500s at 3 million Indians, with their own communal organization and traditions.
       The encounter occurred on April 22, 1500, when Pedro Álvares Cabral, commander of a Portuguese armada, sighted the South American mainland and staked a claim for Portugal.
       The encounter occurred on April 22, 1500, when Pedro Álvares Cabral, commander of a Portuguese armada, sighted the South American mainland and staked a claim for Portugal.
       The Portuguese found Brazil attractive, as did the French, Dutch and Spanish. The first agreement between Spain and Portugal on frontiers was not reached until 1750.
       The Jesuits were enterprising, and their missionary efforts spread throughout the country between 1625 and 1759.
       The religious influence was responsible for an extraordinarily beautiful Brazilian baroque architecture.
       Thoughts of independence began to take root in the late 18th century. Revolutionary events in Europe had a profound effect on Brazil. Napoleon’s invasion of Portugal prompted the Portuguese prince regent, Dom João, to move the Portuguese court to Brazil in 1808.
       Brazil matured quickly as the seat of the Portuguese empire. The prince opened Brazilian ports to trade with friendly nations, including Great Britain, and also government offices in Rio de Janeiro, a supreme court, a bank, the royal treasury, mint, printing office, a national library with holdings from the Portuguese National Library and other academic institutions.
       With the death of Portugal’s queen, Maria I, in 1816, the regent became King João VI. He returned to Portugal in 1821 to contain a revolution there and appointed his son, Dom Pedro, as regent in Brazil. Dom Pedro refused orders a few months later to return to Lisbon, established a legislative assembly in São Paulo and proclaimed Brazil’s independence from Portugal on Sept. 7, 1822.
       Dom Pedro I was crowned emperor in 1822, but after a troubled reign marked by conflict with the assembly, he abdicated in favor of 5-year- old Dom Pedro de Alcântara in 1831. For the next nine years, Brazil seethed with civil unrest until both houses of parliament declared the young regent had reached majority in 1840. The Brazilian Empire lasted to 1889.
       Dom Pedro II proved to be an enlightened leader. Brazil grew and prospered under his reign, and the country enjoyed a great deal of stability. (The country’s population grew from 4 million to 14 million; railroads built 5,000 miles of track; and public revenues and products multiplied.) However, support for a republic grew, and the empire finally collapsed in 1889, when the royal family went to exile in Europe.
       The country’s 19th century economy relied on slave-based agriculture. Slave trade with Africa did not cease until 1853. At the dawn of the 21st century, Brazil, with an economy that is the eighth largest in the world, is a contributor of music, painting, literature and other arts to the world’s culture.

     https://www.loc.gov/loc/lcib/0006/brazil.html


    Roraima is an interesting mountain located in the Guiana Highlands. The peak actually shares the border with Venezuela, Brazil, and Guyana, but the mountain is almost always approached from the Venezuela side. The Brazil and Guyana sides are much more difficult. The mountain’s highest point is Maverick Rock which is at and on the Venezuela side (thought some other sources may differ on this).
    Mount Roraima was the first of the Tepuis to be climbed and the credit goes to English botanist Everard Im Thurn on an expedition sponsored by the Royal Geographical Society in 1884. It was his subsequent lectures in England that are believed to have inspired Sir Arthur Conan Doyle’s book ‘The Lost World’

    According to the sentence highlighted in the text, the CORRECT alternative is in:

    Escolha uma alternativa para a questão 54e69ae3-b1
  • 53F67B86-B1

    Português

    Colocação Pronominal
    Universidade Federal de Roraima · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia os fragmentos retirados da obra Terras do sem fim de Jorge Amado, em seguida, observe os termos destacados e a análise feita em cada uma das proposições:


    I - “(...) Ester ficou com os avós que lhe faziam todas as vontades, que a mimavam”. A flexão do verbo “fazer” está perfeita, concordando com o sujeito “os avós”;

    II - “escapou da justa condenação devido à chacina de advogados que desmoralizavam a profissão, mas não escapou da condenação pública”. O uso da crase na expressão “à chacina” está de acordo com a norma culta; bem como a ausência da crase na expressão “a profissão” também está correta em função da transitividade do verbo “desmoralizar”;

    III - “O vestido é meu, foi o senhor quem me deu”, a colocação do pronome “me” não está de acordo com a norma culta. O correto seria “... o senhor quem deu-me”, não há nenhum elemento atrativo para a posição proclítica, ou seja, o pronome antes do verbo;

    IV - “Passo a passo até alcançar o caminho mais largo, onde são menos numerosos os espinhos e os atoleiros.” A crase é obrigatória na expressão “passo à passo”;

    V - “O menino que assistia ao júri, saíra pela mão do pai, mas já estava na porta da sala quando o meirinho badalou a grande sineta chamando os advogados e os escrivães.” A regência do verbo “assistir” está de acordo com a norma culta, ou seja, assistir com sentido de “presenciar” é transitivo indireto e exige o emprego da preposição “a”, portanto, a expressão “ao júri” está corretíssima.


    Considerando a análise feita em cada proposição, é CORRETO afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 53f67b86-b1
  • 53F3407D-B1

    Português

    Análise sintática
    Universidade Federal de Roraima · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia os fragmentos retirados da obra “Dois irmãos”, em seguida, observe a análise feita referente a cada termo destacado:


    I - “Trouxera livros de matemática para mim e roupa para Domingas”. Os termos “livros” e “roupa” são objetos diretos; enquanto o pronome “mim” e o substantivo “Domingas” são objetos indiretos;

    II - “(…) eu tentava dizer que as coisas não têm alma nem carne”. A oração destacada é subordinada substantiva objetiva direta - exerce função de objeto direto do verbo dizer;

    III - “Uma carta de Yaqub, pontual, chegava de São Paulo no fim de cada mês.” Ambos são adjuntos adverbiais;

    IV - “Os filhos haviam se intrometido na vida de Halim,” A concordância do verbo haver está em desacordo com a norma culta, fazendo a correção ficaria: “Os filhos havia ...”;

    V - “(…) Omar cometia o erro de trair a mulher que nunca o havia traído. Zana se remexeu na cadeira ao ver o filho aproximar-se de Dália…” todos os termos destacados exercem função de sujeito.


    Assinale a alternativa em que a análise NÃO corresponde aos termos destacados:

    Escolha uma alternativa para a questão 53f3407d-b1
  • 53EF8F09-B1

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Roraima · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Entre as obras sugeridas, está a de Milton Hatoum, como se verifica na imagem a seguir:

    Imagem da questão de Português, Universidade Federal de Roraima 2016, Interpretação de Textos

    Considerando a leitura da obra, assinale a única alternativa em que as informações NÃO são verdadeiras.

    Escolha uma alternativa para a questão 53ef8f09-b1