Questões do ENEM: Linguagens e nível difícil

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4.735 questões encontradas. Mostrando a página 26 de 237.

  • 0E47F2CA-EF

    Português

    Interpretação de Textos
    Instituto Nacional de Telecomunicações · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Texto I

    Maio Amarelo: 5 Pilares da ONU que Explicam a Importância da Busca Pela Segurança no Trânsito

    Quando chega o mês de maio, os olhos do mundo se voltam para o Maio Amarelo, movimento que busca chamar a atenção para o alto índice de mortos e feridos no trânsito.
    Neste ano, o tema do movimento é “No trânsito, o sentido é a vida”, buscando estimular condutores, ciclistas e pedestres a optarem por um trânsito mais seguro.
    Além disso, apresenta o lema “Me ouça”, proposta que tem por fim incentivar os adultos a ouvirem os conselhos dados pelas crianças e, assim, absorverem, sem filtros, o que é certo ou errado.
    De acordo com o site do movimento, que é uma ação coordenada entre o Poder Público e a sociedade civil, ao todo, 27 países apoiam a campanha atualmente, incluindo, é claro, o Brasil.
    Ainda sobre o Maio Amarelo, sua criação esta atrelada à campanha Década de Ação para a Segurança no Trânsito, decretada pela Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 11 de maio de 2011.
    O amarelo foi a cor escolhida para representar o movimento porque, na sinalização de trânsito, serve para chamar a atenção dos condutores para o que acontece a sua volta.
    Este ano, o Maio Amarelo chega a sua sexta edição, desejando que a sociedade se envolva mais nas ações educativas realizadas pelo mundo e, assim, reflita sobre a mobilidade urbana.
    No Brasil, o movimento tem o apoio da Associação Nacional de DETRANS (AND) e do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), sendo mais uma tentativa para que o número de infrações de trânsito, que ocasionam ferimentos graves e muitas vezes levam à morte, diminua em nosso país.
    (doutormultas.com.br) 


    Texto II


    Plano de Ação Global da ONU e a Busca Pela Segurança no Trânsito


    Em 2011, a ONU propôs uma união mundial pela busca de um trânsito mais seguro. O movimento Maio Amarelo busca juntar forças à ONU que, há oito anos, propôs ao mundo uma tarefa bastante difícil: diminuir o número de vidas perdidas em decorrência de acidentes de trânsito.
    A Global Plan for the decade of action for Road Safety (Década de Ação para Segurança Viária), Plano de Ação Global da ONU, propôs que, até o ano de 2020, os governos de todo o mundo desenvolvam planos nacionais para a Década, como um complemento das demais ações educativas para o trânsito que acontecem pelo mundo.
    De acordo com a ONU, acidentes de trânsito ferem de 20 a 50 milhões de pessoas a cada ano, sendo que a maior parte desses acidentes acontece em países populosos, como o Brasil, a China e a Índia.
    Além disso, esses países estão entre os que mais têm vítimas no trânsito porque os serviços de emergência disponíveis não são capazes de atender de forma adequada os feridos, já que as condições oferecidas não são capazes de proporcionar bons atendimentos.
    Ao propor a Década, a ONU informou que o problema da acidentalidade no trânsito é grande demais para ser solucionado de forma isolada por apenas uma entidade, órgão ou autoridade.
    Com isso, a organização reforça, a cada ano, o convite, para que o número de acidentes continue a diminuir e, ao final do prazo (2020), o trânsito seja um lugar mais seguro em todos os cantos do mundo.
    A meta, que é reduzir em 50% o número de mortes no trânsito, é orientada a partir de cinco pilares básicos, propostos pela Organização.
    Veja abaixo quais são e como eles são capazes de reduzir esses números.
    1. Gestão da segurança no trânsito
    Com este pilar, a ONU visa incentivar, nos países, a criação de parcerias para que o desenvolvimento e a elaboração de estratégias nacionais de segurança no trânsito sejam realizados, assim como planos de ações.
    O órgão acredita que, ao coletar dados referentes ao trânsito em seus territórios, os países conseguirão desenvolver também estudos para que a avaliação e as concepções de medidas que consigam reduzir o número de acidentes de trânsito tenham sua eficácia.
    A ONU também indicou que os países estabelecessem uma agência nacional, na qual grupos de coordenação e desenvolvimento de trabalhos devem ser desenvolvidos.
    Ainda neste pilar, a ONU recomenda, aos países definidos, objetivos realistas a longo prazo, instalando e mantendo os sistemas de dados necessários para que possam ser obtidos os resultados da supervisão, avaliação e demais medidas em processo. 
    Todas essas instruções, de acordo com a ONU, devem acontecer aliadas à verificação dos financiamentos necessários, tendo como base operações já realizadas e que obtiveram bons resultados em outros países.
    2. Infraestrutura viária adequada
    Aumentar a segurança das redes viárias, proporcionando um ambiente seguro a todos, principalmente aos usuários mais vulneráveis, como os pedestres, ciclistas e motociclistas, é um dos objetivos da ONU com o Plano de Ação.
    Aliás, este pilar propõe algo muito importante: a responsabilidade de todas as partes envolvidas na busca pela segurança no trânsito.
    A ONU indicou, em 2011, quando propôs a Década de Ação para a Segurança Viária, que os governos e órgãos gestores de vias tivessem como objetivo banir vias de alto risco até o ano de 2020.
    É também solicitado aos governos repassar as melhorias da segurança no trânsito para os órgãos gestores de vias, que devem apresentar relatórios anuais sobre a situação da segurança e sobre as melhorias realizadas.
    No Brasil, esse serviço é realizado pelas concessionárias de rodovias, que têm seus serviços regulamentados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
    A ONU também solicita que os países levem em conta, ao realizarem novas obras, as necessidades de cada tipo de usuário do trânsito, assim como as condições de segurança das novas construções.
    Ainda dentro deste pilar, a ONU indica aos Estados que promovam a segurança na operação, manutenção e melhoramentos da infraestrutura, realizando avaliações para que sejam identificadas as vítimas e os fatores ligados à infraestrutura que ocasionam os acidentes de trânsito.
    3. Segurança veicular
    A ONU chama a atenção para a importância dos dispositivos de segurança
    Este pilar é muito importante, pois ele visa incentivar o uso de tecnologias comprovadas para que a segurança dos veículos possa estar assegurada aos condutores.
    Para este pilar, a ONU estabeleceu que haja incentivo por parte dos Estados-Membros em relação aos programas de avaliação de automóveis em todas as regiões do mundo para que os consumidores tenham acesso às informações referentes à segurança dos veículos motorizados.
    A solicitação da ONU também aponta que, até 2020, todos os veículos estejam equipados com dispositivos de segurança de qualidade, como o cinto de segurança.
    Para isso, a Organização também indica que empresas que sigam esses parâmetros de segurança recebam incentivos fiscais, para que importações e exportações de automóveis de segunda mão, com padrões de segurança reduzidos, sejam combatidas.
    A ONU também solicita, neste período que vai até 2020, que haja incentivo para a aplicação de regulamentações cujo objetivo é obter a segurança de pedestres, para que sejam reduzidos os riscos aos usuários mais vulneráveis.
    4. Usuários mais seguros
    Este pilar tem como objetivo promover, aos usuários do trânsito, programas completos para que o mau comportamento seja evitado, estabelecendo medidas que combinem educação e sensibilização do público, como é o caso de muitas campanhas que acontecem no mundo e no Brasil.
    Programas que incentivem, por exemplo, o uso dos acessórios de segurança, promovam o combate ao excesso de velocidade e ao uso de substância psicoativa ao dirigir são de grande valia, pois abordam comportamentos que devem ser combatidos pelas campanhas educativas.
    Para isso, a ONU sugere que os países aumentem o conhecimento em relação a esses fatores, assim como às medidas preventivas, realizando campanhas de marketing social, a fim de ajudar a influenciar as atitudes e opiniões dos condutores.
    No Brasil, de acordo com a legislação, essas campanhas também devem ser financiadas com o dinheiro arrecadado com as multas de trânsito, como está previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), artigo 320.
    Este pilar também prevê a criação de leis que alertem os motoristas a respeito do uso do capacete, do cinto de segurança e do consumo de álcool, como acontece aqui no Brasil com a Lei Seca.
    A ONU também recomenda que sejam estabelecidas leis profissionais de saúde e de segurança relativas ao transporte, assim como normas e regras para a operação segura dos veículos utilitários, como fretes, transportes rodoviários e frotas de veículos, para que sejam reduzidos os números de acidentes.
    Por fim, de acordo com o documento disponibilizado pela ONU, para que os países membros possam melhorar as estatísticas de segurança no trânsito em seus territórios, é preciso desenvolver pesquisas e políticas públicas para que os prejuízos causados por acidentes de trânsito ligados ao trabalho nos setores públicos sejam evitados.
    5. Resposta pós-acidente 
    Priorizar o atendimento às vitimas de trânsito, de acordo com a ONU, ajudaria na diminuição de vidas perdidas no trânsito
    Por fim, o último pilar que serve como base para que os países melhorem os índices de acidentes e mortes no trânsito é a questão da assistência às emergências decorrentes das tragédias no trânsito.
    A ONU acredita que, até 2020, é preciso melhorar a capacidade do sistema de saúde e dos demais sistemas envolvidos neste processo para que seja fornecido tratamento emergencial adequado e urgente às vítimas, assim como oportunidade de reabilitação.
    No Brasil, de acordo com a Seguradora Líder, responsável pelo pagamento do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT), somente em 2017, foram pagas 383.993 indenizações relativas a acidentes, sendo que mais de 41 mil pessoas morreram em decorrência do trânsito. Todos esses casos significam perdas de vidas, pessoas que deixam um vazio na vida daqueles que os amam. Além disso, representam, aos órgãos públicos de saúde, números com os quais, muitas vezes, não estão preparados para lidar, principalmente em países de terceiro mundo, onde está a maior incidência dos acidentes de trânsito.
    A ONU reforça neste pilar a importância de que sejam incentivadas iniciativas que visam analisar quem são essas pessoas e quais os prejuízos do trânsito, podendo, assim, procurar acertos equitativos para as famílias dos mortos e feridos.
    Portanto, a Organização acredita que é preciso melhorar a assistência às vítimas de acidentes para que os reflexos dessas perdas não signifiquem prejuízos para a sociedade como um todo.
    (doutormultas.com.br)



    Texto III 


    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Instruções:

    Fuja das generalizações, clichês, lugares-comuns e frases feitas.
    Seu texto deve obrigatoriamente conter um título.
    O texto deve ter, no máximo, 25 linhas.
    Utilize a última folha da prova como rascunho. É permitido destacá-la.


    Coletânea:

    Leia toda a coletânea e selecione o que julgar pertinente para a realização da proposta. Articule os elementos selecionados com sua história de leituras e suas reflexões.


    Tema: “Como melhorar a situação do trânsito no Brasil?” 

    O longo período chuvoso tornava completamente sem sentido o esforço da Defesa Civil.


    Sobre o texto, está incorreto o que se afirma em:

    Escolha uma alternativa para a questão 0e47f2ca-ef
  • 0A6C5B13-EB

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdade Cásper Líbero · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2019

    Fonte: https://steemit.com/meme/@ epicdave/whats-the-difference-between-ignorance-and-apathy


    A resposta dada pela garota neste meme significa:

    Escolha uma alternativa para a questão 0a6c5b13-eb
  • 0A654D2F-EB

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdade Cásper Líbero · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto a seguir para responder à questão.


        McDonald’s new paper straws – described as “eco-friendly” by the US fast food giant – cannot be recycled. Last year, it axed plastic straws, even though they were recyclable, in all its UK branches as part of a green drive. But the US fast food giant says the new paper straws are not yet easy to recycle and should be put into general waste. McDonald’s says the materials are recyclable, but their thickness makes it difficult for them to be processed.
        The firm switched from plastic straws to paper ones in its restaurants in the UK and Republic of Ireland last autumn. The straws are manufactured by Transcend Packaging, based in Ebbw Vale, South Wales.
        But some customers were unhappy with the new straws, saying they dissolved before a drink could be finished, with milkshakes particularly hard to drink.
        “As a result of customer feedback, we have strengthened our paper straws, so while the materials are recyclable, their current thickness makes it difficult for them to be processed by our waste solution providers, who also help us recycle our paper cups,” a McDonald’s spokesman said.
        The firm said it was working to find a solution, and that current advice, as first reported by The Sun, to put paper straws in general waste was therefore temporary.
        “This waste from our restaurants does not go to landfill, but is used to generate energy,” the company added.
        A petition by irate McDonald’s customers to bring back plastic straws has so far been signed by 51,000 people. The restaurant chain uses 1.8 million straws a day in the UK, so the move to paper was a significant step in helping to reduce single-use plastic. Some single-use plastic products can take hundreds of years to decompose if not recycled.
    Extracted from BBC News, 5th of August, 2019 (https://www.bbc.com/news/business-49234054) 
    Considere as seguintes afirmações relativas ao texto anterior:


    1. Os canudos de plástico usados por todas as lojas do McDonald’s no Reino Unido até o outono passado já eram recicláveis. Mesmo assim, foram substituídos por canudos de papel para evitar plásticos de uso único.

    2. A direção do McDonald’s do Reino Unido e da Irlanda pede que os consumidores descartem os canudos de papel no lixo comum porque descobriram que, na verdade, eles não são totalmente recicláveis.

    3. Inicialmente, foram utilizados canudos de papel reciclável que se desmanchavam com facilidade, gerando reclamações de consumidores. Por isso a troca para o papel mais grosso, o que torna impossível sua reciclagem.

    4. O problema com os novos canudos de papel vem da incapacidade apenas momentânea das empresas recicladoras de processar esse tipo de papel – mas elas garantem que os canudos não vão para aterros sanitários.

    5. Um grupo de consumidores ambientalistas do McDonald’s criou um abaixo-assinado com mais de 51.000 adesões, pedindo a volta dos canudos de plástico, para os quais já há tecnologia de reciclagem existente.


    Indique qual das opções abaixo classifica corretamente as cinco afirmações acima como Verdadeiras (V) ou Falsas (F).
    Escolha uma alternativa para a questão 0a654d2f-eb
  • 0A117323-EB

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Cásper Líbero · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a opção que está em desacordo com as características de Minha vida de menina, de Helena Morley:
    Escolha uma alternativa para a questão 0a117323-eb
  • 0A0957BA-EB

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Cásper Líbero · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a opção que está em desacordo com a estrutura narrativa de “A hora e vez de Augusto Matraga”, que integra o volume Sagarana, de João Guimarães Rosa (Todas as definições são da crítica literária Walnice Nogueira Galvão):
    Escolha uma alternativa para a questão 0a0957ba-eb
  • 0A05306A-EB

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Cásper Líbero · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a opção que identifica corretamente a forma narrativa de Sagarana, de João Guimarães Rosa (Todas as definições são do crítico literário Luiz Costa Lima):
    Escolha uma alternativa para a questão 0a05306a-eb
  • 0A01013D-EB

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Cásper Líbero · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a opção que identifica corretamente o excerto crítico relacionado a Sagarana, de João Guimarães Rosa:
    Escolha uma alternativa para a questão 0a01013d-eb
  • 09FE2A71-EB

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Cásper Líbero · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a opção que identifica corretamente o que representa a filosofia do humanitismo em Quincas Borba, de Machado de Assis:
    Escolha uma alternativa para a questão 09fe2a71-eb
  • 09FA75CB-EB

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Cásper Líbero · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a opção que está em desacordo com a estrutura narrativa de Quincas Borba, de Machado de Assis:
    Escolha uma alternativa para a questão 09fa75cb-eb
  • 09F6D977-EB

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Cásper Líbero · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a opção que identifica corretamente o excerto crítico relacionado a Quincas Borba, de Machado de Assis:
    Escolha uma alternativa para a questão 09f6d977-eb
  • 09F3798C-EB

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade Cásper Líbero · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a opção em que o advérbio tem o mesmo valor semântico daquele presente em “Debalde eles lutavam contra a má sorte”.
    Escolha uma alternativa para a questão 09f3798c-eb
  • 09E0CE32-EB

    Português

    Adjetivos
    Faculdade Cásper Líbero · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    DA LÓGICA DA POLÍTICA À LÓGICA DA MÍDIA: ENTRE DEMOCRACIA E ENTRETENIMENTO
    Luís Mauro Sá Martino


        As relações entre política e entretenimento vêm sendo um objeto privilegiado de investigação tanto no campo das Ciências Sociais como no da Comunicação. Dentre os vários focos, seria possível destacar a preocupação com as formas de concepções de política presentes na arte, questões de política cultural e o engajamento de artistas, canções e movimentos musicais em atividades de natureza política – a canção de protesto, nesse sentido, seria o caso mais explícito. Se a perspectiva crítica foi, em algum momento, dominante, proposições recentes vêm procurando contrabalançar essa questão
        O argumento deste ensaio é que a política está tomando a forma do entretenimento porque ela não seria entendida de outra maneira. Boa parte das referências coletivas contemporâneas estão articuladas com os ambientes da mídia e os discursos em circulação nesses espaços, fazendo parte de uma “cultura digital”, “cultura de massa”, “cultura da mídia” ou mesmo “popular culture”, como preferem os anglo-saxões, em uma acepção de “popular” que fica em diagonal com a dos discursos teóricos latino-americanos. O semiólogo francês Roland Barthes (1915-1980), em seu trabalho pioneiro de análise da mídia, sugeria que as “mitologias modernas” – tramas de novelas, trechos de filmes, episódios de séries, canções populares e rock’n’roll – estão muito mais presentes na memória, tanto individual como coletiva, do que outras formas de narrativa.
        O “mundo vivido”, no dizer do filósofo alemão Edmund Husserl (1859-1938), está permeado de elementos dos meios de comunicação; eles formam nossa memória e os discursos coletivos, permitem associações e identificações individuais e sociais, expressam sentimentos e aspirações. Estão vinculados às condições materiais de sua produção e às relações sociais, mas, ao mesmo tempo em que as expressam, também as transcendem – a dialética da produção cultural, em alguma medida, parece se direcionar para esse aparente paradoxo que, no entanto, se dissolve quando se lembra que essa, em alguma medida, é a própria dinâmica da sociedade.
        Isso não é superdimensionar o poder da mídia e sua articulação com a política da vida cotidiana. Se ela tem a série de prerrogativas, é porque está presente em algo mais amplo chamado “vida humana”, que certamente não depende apenas dos ambientes midiáticos, mas está em constante articulação com eles dentro de um processo de midiatização.
        O sentido das mensagens da mídia é negociado em seu uso pelos indivíduos, entendidos como sujeitos históricos e sociais, dotados de vínculos, sentimentos, afetos, razão. Sua presença inicialmente se deve muito mais à maneira como ela se articula e se relaciona com outras instâncias da vida social, articulando-se em termos de um “ambiente”.


        A realidade compartilhada
       O filósofo norte-americano William James (1842-1910) foi um dos primeiros a chamar a atenção para esse fenômeno: vivemos em múltiplas realidades, mas quase não nos damos conta disso e, na maior parte dos casos, essa pluralidade é deixada de lado e comprimida em uma entidade singular, a realidade. E, nesse sentido, boa parte de nossa experiência cotidiana está relacionada de alguma maneira com as interações mediadas.
        Em primeiro lugar, pela onipresença das redes de comunicação. As tecnologias de comunicação, transformadas em miniaturas e acopladas ao corpo humano, permitem uma interação mais rápida e ampla com outros seres humanos, mas também com outros canais de informações, como jamais foi experimentado na história. Se é possível dizer que a realidade é relacional, é possível argumentar também que essas relações são hoje mais mediadas do que em qualquer outra época. O acoplamento de dispositivos tecnoeletrônicos ao corpo humano – alguns autores chamariam de “pós-humano” – torna possível a criação e a experiência do “mundo real” em ambientes antes inimagináveis, múltiplos e simultâneos. Em qualquer lugar posso estar ligado simultaneamente a várias realidades, sobretudo quando se leva em conta a noção de “múltiplas realidades” mencionada por James.
        Mesmo em um plano mais amplo, é praticamente impossível escapar da presença da mídia em qualquer espaço, seja como o som ambiente de um supermercado, seja nas telas eletrônicas presentes nos lugares mais inesperados ou no toque do smartphone. A torrente de informações, inesgotável, não é apreendida em sua totalidade pelos cinco sentidos, e aí também encontra lugar um intenso processo de negociação na dinâmica entre emissor, mensagem e receptor – se essas categorias ainda têm alguma validade para definir os parâmetros da comunicação contemporânea. Essa torrente não é nova e, quando se leva em consideração o desenvolvimento de uma cultura vinculada à mídia desde o final do século XIX, seria possível dizer que, de alguma maneira, a história cultural dos séculos XX e XXI está ligada aos discursos produzidos nos e pelos meios de comunicação e à sua apropriação e ressignificação pelos indivíduos.
        Ao menos nas grandes cidades, seria difícil encontrar alguém nascido após 1950 que não tenha, em suas memórias pessoais, lembranças da televisão, do cinema e do rádio. O repertório das pessoas está povoado de personagens de filmes e novelas, cenas de cinema, música popular, MPB, rock’n’roll, citações de séries de televisão. (Texto adaptado).  
    Assinale a opção que identifica corretamente o adjetivo que qualifica a acepção de realidade apresentada no texto:
    Escolha uma alternativa para a questão 09e0ce32-eb
  • 2C6E2262-EA

    Português

    Coesão e coerência
    Universidade Federal de Pelotas · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia os textos a seguir para responder à questão


    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Impostos inteligentes: cobrados em tempo real, que se modificam de acordo com as escolhas individuais, baseados em estilos de vida e nas necessidades de cada um. (linhas 19, 20 e 21)

    Reescrevendo o período acima e, conforme as ideias do texto, a alternativa mais adequada, de acordo com a língua padrão, é:
    Escolha uma alternativa para a questão 2c6e2262-ea
  • 7D40728C-EA

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Instituto Federal de Alagoas · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Big education publisher to end printed textbooks  


    The world's largest education publisher, Pearson, has said it will gradually phase out printed textbooks. It has taken a decision to make all of its learning resources "digital first". Pearson said the future of the industry is in e-books and digital services. Pearson CEO John Fallon explained more about the company's future direction. He told the BBC: "We are now over the digital tipping point. Over half our annual revenues come from digital sales, so we've decided, a little bit like in other industries like newspapers or music or in broadcast, that it is time to flick the switch in how we primarily make and create our products." He added: "I am increasingly confident and excited about this." Pearson said a huge advantage of digital books is that they can be continually updated, _________3 means teachers will always have access to the latest versions of textbooks. Mr. Fallon said Pearson would stop its current business model of revising printed course books every three years. He said this model has dominated the industry for over four decades and is now past its use-by date. Fallon said: "We learn by engaging and sharing with others, and a digital environment enables you to do that in a much more effective way." He added the digital books will appeal to the "Netflix and Spotify generation". Textbook writers are worried they will earn less from their books as digital products are sold on a subscription basis.


    Source: https://breakingnewsenglish.com/1907/190718- textbooks.html Captured on: 26/07/19

    According to the text, it is wrong to affirm that:
    Escolha uma alternativa para a questão 7d40728c-ea
  • 7D03B2DF-EA

    Português

    Interpretação de Textos
    Instituto Federal de Alagoas · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Abaixo segue um trecho do romance “Ninho de cobras”, do escritor Lêdo Ivo. Leia-o e, depois, responda ao que se pede na questão.


        E, num fiapo de tempo, bem menor do que aquele em que um estilhaço de estrela resvala no céu escuro e cego, a raposa conheceu a morte, algo atordoador e fulgente que só poderia ser a morte, caso esta existisse em toda a sua absurda plenitude e dura magnificência, e não fosse apenas uma ficção ou um ponto de referência dos vivos deixados repentinamente de amar e odiar, demitidos de súbito de sua grandeza e miséria. Era a morte que, incandescente e perversa, a alcançava, alterando a sua inconfundível beleza animal, tumultuando-lhe o sangue, destruindo a sua ardente harmonia de movimentos, tornando vítrea a sua visão da manhã cristalina e fantasmagórica.

        Desfigurada pelos golpes que os homens lhe haviam vibrado, ela ficou jazendo durante mais de uma hora sobre as pedras da rua. Era um montão de carnes e pelos informes e ensanguentados, e em torno dela se revezava um círculo de curiosos, cambiando os comentários mais variados. Quando o dia já clareava por completo, uma carroça de lixo parou perto do ajuntamento, e o cadáver da raposa foi jogado entre os monturos.


    (IVO, Lêdo. Ninho de cobras: uma história mal contada. Maceió: Imprensa Oficial Graciliano Ramos, 2015, p. 21-22)

    No texto “A propósito de uma raposa: reflexões de um romancista”, o escritor Lêdo Ivo observou, acerca de seu romance “Ninho de cobras”, o seguinte: “[...] ao lado dos que me apontavam como sendo autor de um romance poético, enraizado em minha condição fundamental de poeta, e ligado ao sonho e ao pesadelo, havia os que me acusavam de ser demasiado realista.” Os juízos críticos a que se refere o autor, atribuídos por ele a dois grupos distintos de leitores de sua obra, podem estar relacionados a qual dos pares de características, verificados, inclusive, no excerto de “Ninho de cobras” acima exposto?
    Escolha uma alternativa para a questão 7d03b2df-ea
  • 7D00C448-EA

    Português

    Coesão e coerência
    Instituto Federal de Alagoas · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o texto seguinte.

    Sobre a alagoanidade
    Extraído do livro “Notas Sobre Leitura”, de Sidney Wanderley 

        Certa feita, em conversa com a jornalista Janayna Ávila, disse-lhe considerar a alagoanidade um nativismo para broncos. De fato, exaspera-me esta questão – monocórdia, obsessiva, recorrente e estéril – da identidade de um povo, qualquer que seja ele. Acrescentei gaiatamente que a viçosanidade – atributo inconfundível de qualquer bípede implume nascido em Viçosa de Alagoas – consiste no amor desmedido às bolachas de padaria, à xistose e à zabumba. Aliás, esse troço de amor desmedido e acrítico ao torrão natal é coisa que fede e da qual desconfio visceralmente.
        Tomo sempre um susto danado quando meu interlocutor, com ares de sociólogo, antropólogo, etnólogo ou besteirólogo, invariavelmente posudo e sisudo, assevera-me existir a ironia tipicamente alagoana, a maledicência inconfundivelmente caeté ou o humor característico de quem por aqui nasceu. Não ignoro que há uma diferença nítida e notória entre o humor inglês e o humor italiano; mas o que diferencia o humor de um alagoano do humor de um capixaba ou de um sergipano? Acaso rimos mais graciosamente que esses outros, ou emitimos algum som inconfundível quando gargalhamos?
        Haver uma ironia, um humor, uma maledicência, uma violência ou um ressentimento inconfundivelmente alagoanos parece-me um disparate tão considerável quanto haver um futebol alagoano, uma poesia alagoana ou uma cardiologia alagoana. O que há é gente a jogar bola, a compor poemas ou a distrair-se remuneradamente com  cateteres nos limites desta modestíssima unidade federativa.
        Arrisco imaginar o muxoxo de desdém e o coice de impaciência que Graciliano Ramos, nosso ícone maior, não dispensaria a quem fosse importuná-lo com essa conversa mole de alagoanidade. A alagoanidade do caráter predatório e tirânico de Paulo Honório; a alagoanidade lastimável e prepotente do soldado amarelo; a alagoanidade agônica da cachorra Baleia, à beira da morte, a sonhar com um mundo repleto de preás; a alagoanidade adiposa e burguesa de Julião Tavares acoplada à alagoanidade ressentida e assassina de Luís da Silva; a alagoanidade mendicante e fétida de Venta-Romba... Melhor deixar em paz o homo quebrangulensis.
        Ocorre-me agora um dilema visceral: opto pela concisão (“as mesmas vinte palavras”) de nosso romancista maior ou pela incontinência verbal de nosso poeta maior, o palmarino Jorge de Lima? Deverei, de imediato, atribuir alguma média ponderada a suas obras e a seus espíritos e obter algum valor que exprima com exatidão e fidedignidade a alma média do homo alagoensis, afogada por inteiro numa mescla de nossos pontos/homens culminantes. Assim, decerto obterei por fim essa tão apregoada quanto fictícia alagoanidade – força vital, espírito motor, éter, suprassumo, élan, quinta-essência – que nos desconfunde e anima.
        Que pecado para um alagoano típico preferir o primeiro (“há sempre um copo de mar” – não necessariamente alagoano – “para um homem navegar”) e o quarto cantos de Invenção de Orfeu (“O perigo da vida são os vácuos”), bem como a difícil decifração do Livro de sonetos, ao Jorge de Lima dengoso e aliciante dos Poemas negros e ao devoto fervoroso de A túnica inconsútil. Que ato bárbaro de antialagoanidade – digno talvez de um fim similar ao que obtiveram Zumbi, Julião Tavares, Baleia e Calabar – preferir a viagem ao lado da vaca palustre e bela e do cavalo erudito e em chamas, ao passeio pelo parnasianismo sentencioso e de fácil consagração de “O acendedor de lampiões”!
        Advogo, sim, uma alagoanidade esculhambada, disforme, banguela, antropofágica (com direito a sardinhas e Sardinha), macunaímica (“Ai! que preguiça!” desse papo infausto e broncoposudo de identidade cultural etc. e coisa e tal), desbragadamente inclusiva e insaciavelmente cosmofágica. Uma alagoanidade tal a de dona Nise da Silveira, que soube unir os tórridos loucos e os gatos tupiniquins à psicologia dos arquétipos junguianos, oriundos da fria e fleumática Suíça. Uma alagoanidade que acolha o cego Homero e o boêmio Zé do Cavaquinho, os epilépticos Dostoiévski e Machado de Assis e o desassossegado Breno Accioly, a mitologia nórdica e o reisado, a madeleine proustiana e as bolachas Pirauê da padaria de Viçosa, o puteiro do finado Mossoró e as libidinagens de Molly Bloom, os travestis da Pajuçara e os versos de Whitman e Lorca, os labirintos borgianos e os descaminhos da feira do Rato, o mujique russo e o sertanejo de Dois Riachos, os feitiços verbais de Guimarães Rosa e o segredo sagrado do camarão do Bar das Ostras, o decassílabo camoniano e o martelo agalopado dos cantadores de viola da minha já recuada infância.
        Uma alagoanidade que me permita ser os trezentos, os trezentos e cinquenta que trago em mim desde a nascença e que se finarão em breve, felizmente, pois viver por vezes é um bocado custoso e prolongado. Ai, que preguiça! e que vontade de adormecer, profundamente, em Viçosa, na confluência dos rios Paraíba, Tejo, Ganges, Mississippi e Eufrates.

    P.S.: Dez ou doze coisas em que creio piamente: 1) na metempsicose; 2) nas almas motrizes dos planetas e do Sol; 3) no dilúvio universal; 4) nos vórtices cartesianos; 5) na hereditariedade dos caracteres adquiridos; 6) no geocentrismo: 7) na finitude do universo: 8) na teoria do flogisto; 9) no saci-pererê, no lobisomem e na caipora; e, last but not least, 10) na alagoanidade.

    (Disponível em:<http://www.agendaa.tnh1.com.br/vida/literatura/7576/2018/12/1existe-uma-alagoanidade-leia-artigo-do-poeta-sidney-wanderleyem-livro-lancado-nesta-quarta>. Acesso em 5/3/2018)
    Quanto aos aspectos linguístico-discursivos do texto, assinale a alternativa que apresenta uma afirmação INCORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão 7d00c448-ea
  • 7CFC3474-EA

    Português

    Estrutura das Palavras: Radical, Desinência, Prefixo e Sufixo
    Instituto Federal de Alagoas · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o texto seguinte.

    Sobre a alagoanidade
    Extraído do livro “Notas Sobre Leitura”, de Sidney Wanderley 

        Certa feita, em conversa com a jornalista Janayna Ávila, disse-lhe considerar a alagoanidade um nativismo para broncos. De fato, exaspera-me esta questão – monocórdia, obsessiva, recorrente e estéril – da identidade de um povo, qualquer que seja ele. Acrescentei gaiatamente que a viçosanidade – atributo inconfundível de qualquer bípede implume nascido em Viçosa de Alagoas – consiste no amor desmedido às bolachas de padaria, à xistose e à zabumba. Aliás, esse troço de amor desmedido e acrítico ao torrão natal é coisa que fede e da qual desconfio visceralmente.
        Tomo sempre um susto danado quando meu interlocutor, com ares de sociólogo, antropólogo, etnólogo ou besteirólogo, invariavelmente posudo e sisudo, assevera-me existir a ironia tipicamente alagoana, a maledicência inconfundivelmente caeté ou o humor característico de quem por aqui nasceu. Não ignoro que há uma diferença nítida e notória entre o humor inglês e o humor italiano; mas o que diferencia o humor de um alagoano do humor de um capixaba ou de um sergipano? Acaso rimos mais graciosamente que esses outros, ou emitimos algum som inconfundível quando gargalhamos?
        Haver uma ironia, um humor, uma maledicência, uma violência ou um ressentimento inconfundivelmente alagoanos parece-me um disparate tão considerável quanto haver um futebol alagoano, uma poesia alagoana ou uma cardiologia alagoana. O que há é gente a jogar bola, a compor poemas ou a distrair-se remuneradamente com  cateteres nos limites desta modestíssima unidade federativa.
        Arrisco imaginar o muxoxo de desdém e o coice de impaciência que Graciliano Ramos, nosso ícone maior, não dispensaria a quem fosse importuná-lo com essa conversa mole de alagoanidade. A alagoanidade do caráter predatório e tirânico de Paulo Honório; a alagoanidade lastimável e prepotente do soldado amarelo; a alagoanidade agônica da cachorra Baleia, à beira da morte, a sonhar com um mundo repleto de preás; a alagoanidade adiposa e burguesa de Julião Tavares acoplada à alagoanidade ressentida e assassina de Luís da Silva; a alagoanidade mendicante e fétida de Venta-Romba... Melhor deixar em paz o homo quebrangulensis.
        Ocorre-me agora um dilema visceral: opto pela concisão (“as mesmas vinte palavras”) de nosso romancista maior ou pela incontinência verbal de nosso poeta maior, o palmarino Jorge de Lima? Deverei, de imediato, atribuir alguma média ponderada a suas obras e a seus espíritos e obter algum valor que exprima com exatidão e fidedignidade a alma média do homo alagoensis, afogada por inteiro numa mescla de nossos pontos/homens culminantes. Assim, decerto obterei por fim essa tão apregoada quanto fictícia alagoanidade – força vital, espírito motor, éter, suprassumo, élan, quinta-essência – que nos desconfunde e anima.
        Que pecado para um alagoano típico preferir o primeiro (“há sempre um copo de mar” – não necessariamente alagoano – “para um homem navegar”) e o quarto cantos de Invenção de Orfeu (“O perigo da vida são os vácuos”), bem como a difícil decifração do Livro de sonetos, ao Jorge de Lima dengoso e aliciante dos Poemas negros e ao devoto fervoroso de A túnica inconsútil. Que ato bárbaro de antialagoanidade – digno talvez de um fim similar ao que obtiveram Zumbi, Julião Tavares, Baleia e Calabar – preferir a viagem ao lado da vaca palustre e bela e do cavalo erudito e em chamas, ao passeio pelo parnasianismo sentencioso e de fácil consagração de “O acendedor de lampiões”!
        Advogo, sim, uma alagoanidade esculhambada, disforme, banguela, antropofágica (com direito a sardinhas e Sardinha), macunaímica (“Ai! que preguiça!” desse papo infausto e broncoposudo de identidade cultural etc. e coisa e tal), desbragadamente inclusiva e insaciavelmente cosmofágica. Uma alagoanidade tal a de dona Nise da Silveira, que soube unir os tórridos loucos e os gatos tupiniquins à psicologia dos arquétipos junguianos, oriundos da fria e fleumática Suíça. Uma alagoanidade que acolha o cego Homero e o boêmio Zé do Cavaquinho, os epilépticos Dostoiévski e Machado de Assis e o desassossegado Breno Accioly, a mitologia nórdica e o reisado, a madeleine proustiana e as bolachas Pirauê da padaria de Viçosa, o puteiro do finado Mossoró e as libidinagens de Molly Bloom, os travestis da Pajuçara e os versos de Whitman e Lorca, os labirintos borgianos e os descaminhos da feira do Rato, o mujique russo e o sertanejo de Dois Riachos, os feitiços verbais de Guimarães Rosa e o segredo sagrado do camarão do Bar das Ostras, o decassílabo camoniano e o martelo agalopado dos cantadores de viola da minha já recuada infância.
        Uma alagoanidade que me permita ser os trezentos, os trezentos e cinquenta que trago em mim desde a nascença e que se finarão em breve, felizmente, pois viver por vezes é um bocado custoso e prolongado. Ai, que preguiça! e que vontade de adormecer, profundamente, em Viçosa, na confluência dos rios Paraíba, Tejo, Ganges, Mississippi e Eufrates.

    P.S.: Dez ou doze coisas em que creio piamente: 1) na metempsicose; 2) nas almas motrizes dos planetas e do Sol; 3) no dilúvio universal; 4) nos vórtices cartesianos; 5) na hereditariedade dos caracteres adquiridos; 6) no geocentrismo: 7) na finitude do universo: 8) na teoria do flogisto; 9) no saci-pererê, no lobisomem e na caipora; e, last but not least, 10) na alagoanidade.

    (Disponível em:<http://www.agendaa.tnh1.com.br/vida/literatura/7576/2018/12/1existe-uma-alagoanidade-leia-artigo-do-poeta-sidney-wanderleyem-livro-lancado-nesta-quarta>. Acesso em 5/3/2018)
    Assinale a alternativa que apresenta uma compreensão INCORRETA quanto aos efeitos de sentido decorrentes de aspectos morfológicos na formação de algumas palavras presentes no texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 7cfc3474-ea
  • 7CF5CD7F-EA

    Português

    Interpretação de Textos
    Instituto Federal de Alagoas · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Considere os textos abaixo para responder à questão.

    I)
    Consolo na praia (Carlos Drummond de Andrade)

    Vamos, não chores
    A infância está perdida.
    A mocidade está perdida.
    Mas a vida não está perdida.

    O primeiro amor passou.
    O segundo amor passou.
    O terceiro amor passou.
    Mas o coração continua.

    Perdeste o melhor amigo.
    Não tentaste qualquer viagem.
    Não possuis casa, navio, terra.
    Mas tens um cão.

    [...]
    (ADNRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética.
    39. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998, p. 26)

    II)
    Velha chácara (Manuel Bandeira)

    A casa era por aqui...
    Onde? Procuro-a e não acho.
    Ouço uma voz que esqueci:
    É a voz deste mesmo riacho.

    Ah quanto tempo passou!
    (Foram mais de cinquenta anos.)
    Tantos que a morte levou!
    (E a vida... nos desenganos...)

    A usura fez tábua rasa
    Da velha chácara triste:
    Não existe mais a casa...

    – Mas o menino ainda existe.

    (BANDEIRA, Manuel. Lira dos cinquent’anos. In: Bandeira de bolso:uma antologia poética. Porto Alegre: L&PM, 2008, 111-112.)

    III)
    Quarenta anos (Olavo Bilac)

    Sim! Como um dia de verão, de acesa
    Luz, de acesos e cálidos fulgores,
    Como os sorrisos da estação das flores,
    Foi passando também tua beleza.

    Hoje, das garras da descrença presa,
    Perdes as ilusões. Vão-se-te as cores
    Da face. E entram-te n’alma os dissabores,
    Nublam-te o olhar as sombras da tristeza.

    Expira a primavera. O sol fulgura
    Com o brilho extremo... E aí vêm as noites frias,
    Aí vem o inverno da velhice escura...

    Ah! pudesse eu fazer, novo Ezequias,
    Que o sol poente dessa formosura
    Volvesse à aurora dos primeiros dias!
    (BILAC, Olavo. Poesias. São Paulo:
    Martin Claret: 2006, p. 70.)

    IV)
    Adeus, meus sonhos! (Álvares de Azevedo)

    Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
    Não levo da existência uma saudade!
    E tanta vida que meu peito enchia
    Morreu na minha triste mocidade!

    Misérrimo! votei meus pobres dias
    À sina doida de um amor sem fruto,
    A minh’alma na treva agora dorme
    Como um olhar que a morte envolve em luto.

    Que me resta, meu Deus? morra comigo
    A estrela de meus cândidos amores
    Já que não levo no meu peito morto
    Um punhado sequer de murchas flores!
    (AZEVEDO, Álvares. Lira dos vinte anos. São Paulo: Martin Claret, 2007, p. 224.)

    No livro intitulado “A poesia lírica”, a autora Angélica Soares afirma que o “lirismo é uma maneira especial de recorte do mundo e de arranjo de linguagem” e, também, que o “fenômeno lírico [...] responde a um certo ‘horizonte possível’, determinado pelo seu tempo e contexto”, sendo “preciso perseguir as relações entre expressão lírica e história, observando seus modos de expressão nos vários momentos.” (SOARES, Angélica. A poesia lírica. São Paulo: Ática, 1986, p. 7 e 61) Quanto às características do lirismo que caracteriza a produção literária do autor do texto III, assinale a alternativa que traz uma informação ERRADA.
    Escolha uma alternativa para a questão 7cf5cd7f-ea
  • 7CF2539B-EA

    Português

    Interpretação de Textos
    Instituto Federal de Alagoas · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Considere os textos abaixo para responder à questão.

    I)
    Consolo na praia (Carlos Drummond de Andrade)

    Vamos, não chores
    A infância está perdida.
    A mocidade está perdida.
    Mas a vida não está perdida.

    O primeiro amor passou.
    O segundo amor passou.
    O terceiro amor passou.
    Mas o coração continua.

    Perdeste o melhor amigo.
    Não tentaste qualquer viagem.
    Não possuis casa, navio, terra.
    Mas tens um cão.

    [...]
    (ADNRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética.
    39. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998, p. 26)

    II)
    Velha chácara (Manuel Bandeira)

    A casa era por aqui...
    Onde? Procuro-a e não acho.
    Ouço uma voz que esqueci:
    É a voz deste mesmo riacho.

    Ah quanto tempo passou!
    (Foram mais de cinquenta anos.)
    Tantos que a morte levou!
    (E a vida... nos desenganos...)

    A usura fez tábua rasa
    Da velha chácara triste:
    Não existe mais a casa...

    – Mas o menino ainda existe.

    (BANDEIRA, Manuel. Lira dos cinquent’anos. In: Bandeira de bolso:uma antologia poética. Porto Alegre: L&PM, 2008, 111-112.)

    III)
    Quarenta anos (Olavo Bilac)

    Sim! Como um dia de verão, de acesa
    Luz, de acesos e cálidos fulgores,
    Como os sorrisos da estação das flores,
    Foi passando também tua beleza.

    Hoje, das garras da descrença presa,
    Perdes as ilusões. Vão-se-te as cores
    Da face. E entram-te n’alma os dissabores,
    Nublam-te o olhar as sombras da tristeza.

    Expira a primavera. O sol fulgura
    Com o brilho extremo... E aí vêm as noites frias,
    Aí vem o inverno da velhice escura...

    Ah! pudesse eu fazer, novo Ezequias,
    Que o sol poente dessa formosura
    Volvesse à aurora dos primeiros dias!
    (BILAC, Olavo. Poesias. São Paulo:
    Martin Claret: 2006, p. 70.)

    IV)
    Adeus, meus sonhos! (Álvares de Azevedo)

    Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
    Não levo da existência uma saudade!
    E tanta vida que meu peito enchia
    Morreu na minha triste mocidade!

    Misérrimo! votei meus pobres dias
    À sina doida de um amor sem fruto,
    A minh’alma na treva agora dorme
    Como um olhar que a morte envolve em luto.

    Que me resta, meu Deus? morra comigo
    A estrela de meus cândidos amores
    Já que não levo no meu peito morto
    Um punhado sequer de murchas flores!
    (AZEVEDO, Álvares. Lira dos vinte anos. São Paulo: Martin Claret, 2007, p. 224.)

    Analise as afirmações abaixo e, depois, assinale a alternativa correta.

    I – Os quatro poemas tematizam liricamente a passagem do tempo, valendo-se de recursos estilísticos diversos, apresentando, cada um, uma visão particular da vida.
    II – No texto IV, o eu lírico manifesta, na linguagem, o egocentrismo caro aos poetas da segunda geração romântica, levando ao extremo o foco da mensagem na figura do emissor, o que fica expresso, entre outros, pela recorrência do sinal de exclamação e pelo tom dramático assumido ao longo do poema.
    III – No texto I, como nos demais poemas de Drummond, fala um eu lírico comprometido com a esperança na vida, ainda que, nem sempre, esta pareça fácil, posição que se evidencia pela escolha de vocabulário simples e encadeamento frasal sem torneios sintáticos.
    IV – O poema de Bandeira, texto II, faz-se da dialética lírica que atualiza, esteticamente, o olhar da criança na experiência vital do adulto, processo que implica uma relação entre fatalismo da vida e saudosismo da memória do passado.

    Estão CORRETAS as afirmações feitas apenas em:
    Escolha uma alternativa para a questão 7cf2539b-ea
  • CAFD8071-E6

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Centro universitário FAG · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Why a global Language?


        ‘English is the global language.’ – A headline of this kind must have appeared in a thousand newspapers and magazines in recent years. ‘English Rules’ is an actual example, presenting to the world an uncomplicated scenario suggesting the universality of the language’s spread and the likelihood of its continuation. (…)
        These are the kinds of statement which seem so obvious that most people would give them hardly a second thought. Of course English is a global language, they would say. You hear it on television spoken by politicians from all over the world. Wherever you travel, you see English signs and advertisements. Whenever you enter a hotel or restaurant in a foreign city, they will understand English, and there will be an English menu. (…)
        But English is news. The language continues to make news daily in many countries. And the headline isn’t stating the obvious. For what does it mean, exactly? Is it saying that everyone in the world speaks English? This is certainly not true, as we shall see. Is it saying, then, that every country in the world recognizes English as an offcial language? This is not true either. So what does it mean to say that a language is a global language? Why is English the language which is usually cited in this connection? How did the situation arise? And could it change? Or is it the case that, once a language becomes a global language, it is there forever?
        These are fascinating questions to explore, whether your frst language is English or not. If English is your mother tongue, you may have mixed feelings about the way English is spreading around the world. You may feel pride, that your language is the one which has been so successful; but your pride may be tinged with concern, when you realize that people in other countries may not want to use the language in the same way that you do, and are changing it to suit themselves. We are all sensitive to the way other people use (it is often said, abuse) ‘our’ language. Deeply held feelings of ownership begin to be questioned. Indeed, if there is one predictable consequence of a language becoming a global language, it is that nobody owns it any more. Or rather, everyone who has learned it now owns it – ‘has a share in it’ might be more accurate – and has the right to use it in the way they want. This fact alone makes many people feel uncomfortable, even vaguely resentful. ‘Look what the Americans have done to English’ is a not uncommon comment found in the letter-columns of the British press.
        But similar comments can be heard in the USA when people encounter the sometimes striking variations in English which are emerging all over the world. And if English is not your mother tongue, you may still have mixed feelings about it. You may be strongly motivated to learn it, because you know it will put you in touch with more people than any other language; but at the same time you know it will take a great deal of effort to master it, and you may begrudge that effort. Having made progress, you will feel pride in your achievement, and savour the communicative power you have at your disposal, but may none the less feel that mother-tongue speakers of English have an unfair advantage over you. (…)
        These feelings are natural, and would arise whichever language emerged as a global language. They are feelings which give rise to fears, whether real or imaginary, and fears lead to conflict. Language is always in the news, and the nearer a language moves to becoming a global language, the more newsworthy it is. So how does a language come to achieve global status?
    (Source: CRYSTAL, David. English as a global language. 2 ed. United Kingdom: Cambridge University Press, 2003.
    According to the text, what is the one predictable consequence of a language becoming a global language?
    Escolha uma alternativa para a questão cafd8071-e6