Questões do ENEM: Linguagens e Universidade de São Paulo (USP)

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315 questões encontradas. Mostrando a página 8 de 16.

  • 33ED1FFA-D4

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos

                                        Sarapalha


          – Ô calorão, Primo!... E que dor de cabeça excomungada!

          – É um instantinho e passa... É só ter paciência....

          – É... passa... passa... passa... Passam umas mulheres vestidas de cor de água, sem olhos na cara, para não terem de olhar a gente... Só ela é que não passa, Primo Argemiro!... E eu já estou cansado de procurar, no meio das outras... Não vem!... Foi, rio abaixo, com o outro... Foram p’r’os infernos!...

          – Não foi, Primo Ribeiro. Não foram pelo rio... Foi trem-de-ferro que levou...

          – Não foi no rio, eu sei... No rio ninguém não anda... Só a maleita é quem sobe e desce, olhando seus mosquitinhos e pondo neles a benção... Mas, na estória... Como é mesmo a estória, Primo? Como é?...

          – O senhor bem que sabe, Primo... Tem paciência, que não é bom variar...

          – Mas, a estória, Primo!... Como é?... Conta outra vez...

          – O senhor já sabe as palavras todas de cabeça... “Foi o moço-bonito que apareceu, vestido com roupa de dia-de-domingo e com a viola enfeitada de fitas... E chamou a moça p’ra ir se fugir com ele”...

          – Espera, Primo, elas estão passando... Vão umas atrás das outras... Cada qual mais bonita... Mas eu não quero, nenhuma!... Quero só ela... Luísa...

          – Prima Luísa...

          – Espera um pouco, deixa ver se eu vejo... Me ajuda, Primo! Me ajuda a ver...

          – Não é nada, Primo Ribeiro... Deixa disso!

          – Não é mesmo não...

          – Pois então?!

          – Conta o resto da estória!...

          – ...“Então, a moça, que não sabia que o moço-bonito era o capeta, ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa, e foi com ele na canoa, descendo o rio...”

                                                                                                                      Guimarães Rosa, Sagarana.

    Tendo como base o trecho “só a maleita é quem sobe e desce, olhando seus mosquitinhos e pondo neles a benção...”, o termo em destaque foi empregado ironicamente por aludir ao inseto
    Escolha uma alternativa para a questão 33ed1ffa-d4
  • 33EA6E1D-D4

    Português

    Figuras de Linguagem
    USP · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos

                                        Sarapalha


          – Ô calorão, Primo!... E que dor de cabeça excomungada!

          – É um instantinho e passa... É só ter paciência....

          – É... passa... passa... passa... Passam umas mulheres vestidas de cor de água, sem olhos na cara, para não terem de olhar a gente... Só ela é que não passa, Primo Argemiro!... E eu já estou cansado de procurar, no meio das outras... Não vem!... Foi, rio abaixo, com o outro... Foram p’r’os infernos!...

          – Não foi, Primo Ribeiro. Não foram pelo rio... Foi trem-de-ferro que levou...

          – Não foi no rio, eu sei... No rio ninguém não anda... Só a maleita é quem sobe e desce, olhando seus mosquitinhos e pondo neles a benção... Mas, na estória... Como é mesmo a estória, Primo? Como é?...

          – O senhor bem que sabe, Primo... Tem paciência, que não é bom variar...

          – Mas, a estória, Primo!... Como é?... Conta outra vez...

          – O senhor já sabe as palavras todas de cabeça... “Foi o moço-bonito que apareceu, vestido com roupa de dia-de-domingo e com a viola enfeitada de fitas... E chamou a moça p’ra ir se fugir com ele”...

          – Espera, Primo, elas estão passando... Vão umas atrás das outras... Cada qual mais bonita... Mas eu não quero, nenhuma!... Quero só ela... Luísa...

          – Prima Luísa...

          – Espera um pouco, deixa ver se eu vejo... Me ajuda, Primo! Me ajuda a ver...

          – Não é nada, Primo Ribeiro... Deixa disso!

          – Não é mesmo não...

          – Pois então?!

          – Conta o resto da estória!...

          – ...“Então, a moça, que não sabia que o moço-bonito era o capeta, ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa, e foi com ele na canoa, descendo o rio...”

                                                                                                                      Guimarães Rosa, Sagarana.

    No texto de Sarapalha, constitui exemplo de personificação o seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 33ea6e1d-d4
  • 33E79F9B-D4

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

                                        Sarapalha


          – Ô calorão, Primo!... E que dor de cabeça excomungada!

          – É um instantinho e passa... É só ter paciência....

          – É... passa... passa... passa... Passam umas mulheres vestidas de cor de água, sem olhos na cara, para não terem de olhar a gente... Só ela é que não passa, Primo Argemiro!... E eu já estou cansado de procurar, no meio das outras... Não vem!... Foi, rio abaixo, com o outro... Foram p’r’os infernos!...

          – Não foi, Primo Ribeiro. Não foram pelo rio... Foi trem-de-ferro que levou...

          – Não foi no rio, eu sei... No rio ninguém não anda... Só a maleita é quem sobe e desce, olhando seus mosquitinhos e pondo neles a benção... Mas, na estória... Como é mesmo a estória, Primo? Como é?...

          – O senhor bem que sabe, Primo... Tem paciência, que não é bom variar...

          – Mas, a estória, Primo!... Como é?... Conta outra vez...

          – O senhor já sabe as palavras todas de cabeça... “Foi o moço-bonito que apareceu, vestido com roupa de dia-de-domingo e com a viola enfeitada de fitas... E chamou a moça p’ra ir se fugir com ele”...

          – Espera, Primo, elas estão passando... Vão umas atrás das outras... Cada qual mais bonita... Mas eu não quero, nenhuma!... Quero só ela... Luísa...

          – Prima Luísa...

          – Espera um pouco, deixa ver se eu vejo... Me ajuda, Primo! Me ajuda a ver...

          – Não é nada, Primo Ribeiro... Deixa disso!

          – Não é mesmo não...

          – Pois então?!

          – Conta o resto da estória!...

          – ...“Então, a moça, que não sabia que o moço-bonito era o capeta, ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa, e foi com ele na canoa, descendo o rio...”

                                                                                                                      Guimarães Rosa, Sagarana.

    A novela Sarapalha apresenta uma estória dentro de outra, por meio da qual a personagem masculina da narrativa principal (Primo Argemiro) alude a uma mulher da narrativa secundária (a moça levada pelo capeta). O mesmo procedimento ocorre em
    Escolha uma alternativa para a questão 33e79f9b-d4
  • 33E4E2B2-D4

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

          (...) procurei adivinhar o que se passa na alma duma cachorra. Será que há mesmo alma em cachorro? Não me importo. O meu bicho morre desejando acordar num mundo cheio de preás. Exatamente o que todos nós desejamos. A diferença é que eu quero que eles apareçam antes do sono, e padre Zé Leite pretende que eles nos venham em sonhos, mas no fundo todos somos como a minha cachorra Baleia e esperamos preás. (...)

                                                                                                  Carta de Graciliano Ramos a sua esposa.



          (...) Uma angústia apertou-lhe o pequeno coração. Precisava vigiar as cabras: àquela hora cheiros de suçuarana deviam andar pelas ribanceiras, rondar as moitas afastadas. Felizmente os meninos dormiam na esteira, por baixo do caritó onde sinha Vitória guardava o cachimbo.

          (...)

          Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.

                                                                                                                  Graciliano Ramos, Vidas secas.

    A comparação entre os fragmentos, respectivamente, da Carta e de Vidas secas, permite afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 33e4e2b2-d4
  • 33E229F6-D4

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

          (...) procurei adivinhar o que se passa na alma duma cachorra. Será que há mesmo alma em cachorro? Não me importo. O meu bicho morre desejando acordar num mundo cheio de preás. Exatamente o que todos nós desejamos. A diferença é que eu quero que eles apareçam antes do sono, e padre Zé Leite pretende que eles nos venham em sonhos, mas no fundo todos somos como a minha cachorra Baleia e esperamos preás. (...)

                                                                                                  Carta de Graciliano Ramos a sua esposa.



          (...) Uma angústia apertou-lhe o pequeno coração. Precisava vigiar as cabras: àquela hora cheiros de suçuarana deviam andar pelas ribanceiras, rondar as moitas afastadas. Felizmente os meninos dormiam na esteira, por baixo do caritó onde sinha Vitória guardava o cachimbo.

          (...)

          Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.

                                                                                                                  Graciliano Ramos, Vidas secas.

    As declarações de Graciliano Ramos na Carta e o excerto do romance permitem afirmar que a personagem Baleia, em Vidas secas, representa
    Escolha uma alternativa para a questão 33e229f6-d4
  • 33DF6E00-D4

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2017      

    Constitui marca do registro informal da língua o trecho
    Escolha uma alternativa para a questão 33df6e00-d4
  • 33D43804-D4

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

          Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente, que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

                                                                         Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.


          Não sei por que até hoje todo o mundo diz que tinha pena dos escravos. Eu não penso assim. Acho que se fosse obrigada a trabalhar o dia inteiro não seria infeliz. Ser obrigada a ficar à toa é que seria castigo para mim. Mamãe às vezes diz que ela até deseja que eu fique preguiçosa; a minha esperteza é que a amofina. Eu então respondo: “Se eu fosse preguiçosa não sei o que seria da senhora, meu pai e meus irmãos, sem uma empregada em casa”.

                                                                                                      Helena Morley, Minha vida de menina.

    Nos dois textos, obtém-se ênfase por meio do emprego de um mesmo recurso expressivo, como se pode verificar nos seguintes trechos:
    Escolha uma alternativa para a questão 33d43804-d4
  • 33D16A6C-D4

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

          Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente, que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

                                                                         Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.


          Não sei por que até hoje todo o mundo diz que tinha pena dos escravos. Eu não penso assim. Acho que se fosse obrigada a trabalhar o dia inteiro não seria infeliz. Ser obrigada a ficar à toa é que seria castigo para mim. Mamãe às vezes diz que ela até deseja que eu fique preguiçosa; a minha esperteza é que a amofina. Eu então respondo: “Se eu fosse preguiçosa não sei o que seria da senhora, meu pai e meus irmãos, sem uma empregada em casa”.

                                                                                                      Helena Morley, Minha vida de menina.

    São características dos narradores Brás Cubas e Helena, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão 33d16a6c-d4
  • 33CE9A61-D4

    Português

    Advérbios
    USP · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos

           Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    No trecho “Numa palavra, qualquer gênero de arte que, de fato, nos afete, torna-se, deste modo, arte moderna” (L. 5-6), as expressões sublinhadas podem ser substituídas, sem prejuízo do sentido do texto, respectivamente, por
    Escolha uma alternativa para a questão 33ce9a61-d4
  • 33CBD946-D4

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

           Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    De acordo com o texto, a compreensão do significado de uma obra de arte pressupõe
    Escolha uma alternativa para a questão 33cbd946-d4
  • FFA35B8D-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Mas o pecado maior contra a Civilização e o Progresso, contra o Bom Senso e o Bom Gosto e até os Bons Costumes, que estaria sendo cometido pelo grupo de regionalistas a quem se deve a ideia ou a organização deste Congresso, estaria em procurar reanimar não só a arte arcaica dos quitutes finos e caros em que se esmeraram, nas velhas casas patriarcais, algumas senhoras das mais ilustres famílias da região, e que está sendo esquecida pelos doces dos confeiteiros franceses e italianos, como a arte - popular como a do barro, a do cesto, a da palha de Ouricuri, a de piaçava, a dos cachimbos e dos santos de pau, a das esteiras, a dos ex-votos, a das redes, a das rendas e bicos, a dos brinquedos de meninos feitos de sabugo de milho, de canudo de mamão, de lata de doce de goiaba, de quenga de coco, de cabaça - que é, no Nordeste, o preparado do doce, do bolo, do quitute de tabuleiro, feito por mãos negras e pardas com uma perícia que iguala, e às vezes excede, a das sinhás brancas.

    Gilberto Freyre. Manifesto regionalista (7ª ed.). Recife: FUNDAJ, Ed. Massangana, 1996.

    De acordo com o texto de Gilberto Freyre, o Manifesto regionalista, publicado em 1926,

    Escolha uma alternativa para a questão ffa35b8d-e1
  • FF8AE2D7-E1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

        A study carried out by Lauren Sherman of the University of California and her colleagues investigated how use of the “like” button in social media affects the brains of teenagers lying in body scanners.

        Thirty-two teens who had Instagram accounts were asked to lie down in a functional magnetic resonance imaging (fMRI) scanner. This let Dr. Sherman monitor their brain activity while they were perusing both their own Instagram photos and photos that they were told had been added by other teenagers in the experiment. In reality, Dr. Sherman had collected all the other photos, which included neutral images of food and friends as well as many depicting risky behaviours like drinking, smoking and drug use, from other peoples’ Instagram accounts. The researchers told participants they were viewing photographs that 50 other teenagers had already seen and endorsed with a “like” in the laboratory.

        The participants were more likely themselves to “like” photos already depicted as having been “liked” a lot than they were photos depicted with fewer previous “likes”. When she looked at the fMRI results, Dr. Sherman found that activity in the nucleus accumbens, a hub of reward circuitry in the brain, increased with the number of “likes” that a photo had.

    The Economist, June 13, 2016. Adaptado.

    Conforme o texto, a região do cérebro que se mostrou mais ativa, quando da análise dos resultados da ressonância, corresponde a um sistema de
    Escolha uma alternativa para a questão ff8ae2d7-e1
  • FF85E4C9-E1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2016

        Plants not only remember when you touch them, but they can also make risky decisions that are as sophisticated as those made by humans, all without brains or complex nervous systems.

        Researchers showed that when faced with the choice between a pot containing constant levels of nutrients or one with unpredictable levels, a plant will pick the mystery pot when conditions are sufficiently poor.

        In a set of experiments, Dr. Shemesh, from Tel✄Hai College in Israel, and Alex Kacelnik, from Oxford University, grew pea plants and split their roots between two pots. Both pots had the same amount of nutrients on average, but in one, the levels were constant; in the other, they varied over time. Then the researchers switched the conditions so that the average nutrients in both pots would be equally high or low, and asked: Which pot would a plant prefer?

        When nutrient levels were low, the plants laid more roots in the unpredictable pot. But when nutrients were abundant, they chose the one that always had the same amount.

    The New York Times, June 30, 2016. Adaptado.

    De acordo com os experimentos relatados no texto, em condições adversas, as plantas de ervilha priorizaram o crescimento de raízes nos vasos que apresentaram níveis de nutrientes
    Escolha uma alternativa para a questão ff85e4c9-e1
  • FF7B8FCD-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere as imagens e o texto, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016


    II / São Francisco de Assis*

    Senhor, não mereço isto.

    Não creio em vós para vos amar.

    Trouxestes-me a São Francisco

    e me fazeis vosso escravo.


    Não entrarei, senhor, no templo,

    seu frontispício me basta.

    Vossas flores e querubins

    são matéria de muito amar.


    Dai-me, senhor, a só beleza

    destes ornatos. E não a alma.

    Pressente-se dor de homem,

    paralela à das cinco chagas.


    Mas entro e, senhor, me perco

    na rósea nave triunfal.

    Por que tanto baixar o céu?

    por que esta nova cilada?


    Senhor, os púlpitos mudos

    entretanto me sorriem.

    Mais que vossa igreja, esta

    sabe a voz de me embalar.


    Perdão, senhor, por não amar-vos.


    *O texto faz parte do conjunto de poemas “Estampas de Vila Rica”, que integra a edição crítica de Claro enigma. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

    Um aspecto do poema em que se manifesta a persistência de um valor afirmado também no Modernismo da década de 1920 é o
    Escolha uma alternativa para a questão ff7b8fcd-e1
  • FF790CB0-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Considere as imagens e o texto, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016


    II / São Francisco de Assis*

    Senhor, não mereço isto.

    Não creio em vós para vos amar.

    Trouxestes-me a São Francisco

    e me fazeis vosso escravo.


    Não entrarei, senhor, no templo,

    seu frontispício me basta.

    Vossas flores e querubins

    são matéria de muito amar.


    Dai-me, senhor, a só beleza

    destes ornatos. E não a alma.

    Pressente-se dor de homem,

    paralela à das cinco chagas.


    Mas entro e, senhor, me perco

    na rósea nave triunfal.

    Por que tanto baixar o céu?

    por que esta nova cilada?


    Senhor, os púlpitos mudos

    entretanto me sorriem.

    Mais que vossa igreja, esta

    sabe a voz de me embalar.


    Perdão, senhor, por não amar-vos.


    *O texto faz parte do conjunto de poemas “Estampas de Vila Rica”, que integra a edição crítica de Claro enigma. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

    Analise as seguintes afirmações relativas à arquitetura das igrejas sob a estética do Barroco:
    I. Unem-se, no edifício, diferentes artes, para assaltar de uma vez os sentidos, de modo que o público não possa escapar.
    II. O arquiteto procurava surpreender o observador, suscitando nele uma reação forte de maravilhamento.
    III. A arquitetura e a ornamentação dos templos deviam encenar, entre outras coisas, a preeminência da Igreja.
    A experiência que se expressa no poema de Drummond registra, em boa medida, as reações do eu lírico ao que se encontra registrado em
    Escolha uma alternativa para a questão ff790cb0-e1
  • FF742570-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Observe a imagem e leia o texto, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

        O Comissário apertou-lhe mais a mão, querendo transmitir-lhe o sopro de vida. Mas a vida de Sem Medo esvaía-se para o solo do Mayombe, misturando-se às folhas em decomposição.

        [...]

        Mas o Comissário não ouviu o que o Comandante disse. Os lábios já mal se moviam.

        A amoreira gigante à sua frente. O tronco destaca-se do sincretismo da mata, mas se eu percorrer com os olhos o tronco para cima, a folhagem dele mistura-se à folhagem geral e é de novo o sincretismo. Só o tronco se destaca, se individualiza. Tal é o Mayombe, os gigantes só o são em parte, ao nível do tronco, o resto confunde-se na massa. Tal o homem. As impressões visuais são menos nítidas e a mancha verde predominante faz esbater progressivamente a claridade do tronco da amoreira gigante. As manchas verdes são cada vez mais sobrepostas, mas, num sobressalto, o tronco da amoreira ainda se afirma, debatendo-se. Tal é a vida.

        [...]

        Os olhos de Sem Medo ficaram abertos, contemplando o tronco já invisível do gigante que para sempre desaparecera no seu elemento verde.

    Pepetela, Mayombe.

    Consideradas no âmbito dos valores que são postos em jogo em Mayombe, as relações entre a árvore e a floresta, tal como concebidas e expressas no excerto, ensejam a valorização de uma conduta que corresponde à da personagem
    Escolha uma alternativa para a questão ff742570-e1
  • FF715B07-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Observe a imagem e leia o texto, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

        O Comissário apertou-lhe mais a mão, querendo transmitir-lhe o sopro de vida. Mas a vida de Sem Medo esvaía-se para o solo do Mayombe, misturando-se às folhas em decomposição.

        [...]

        Mas o Comissário não ouviu o que o Comandante disse. Os lábios já mal se moviam.

        A amoreira gigante à sua frente. O tronco destaca-se do sincretismo da mata, mas se eu percorrer com os olhos o tronco para cima, a folhagem dele mistura-se à folhagem geral e é de novo o sincretismo. Só o tronco se destaca, se individualiza. Tal é o Mayombe, os gigantes só o são em parte, ao nível do tronco, o resto confunde-se na massa. Tal o homem. As impressões visuais são menos nítidas e a mancha verde predominante faz esbater progressivamente a claridade do tronco da amoreira gigante. As manchas verdes são cada vez mais sobrepostas, mas, num sobressalto, o tronco da amoreira ainda se afirma, debatendo-se. Tal é a vida.

        [...]

        Os olhos de Sem Medo ficaram abertos, contemplando o tronco já invisível do gigante que para sempre desaparecera no seu elemento verde.

    Pepetela, Mayombe.

    Considerando-se o excerto no contexto de Mayombe, os paralelos que nele são estabelecidos entre aspectos da natureza e da vida humana podem ser interpretados como uma
    Escolha uma alternativa para a questão ff715b07-e1
  • FF6ED892-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Se pudesse mudar-se, gritaria bem alto que o roubavam. Aparentemente resignado, sentia um ódio imenso a qualquer coisa que era ao mesmo tempo a campina seca, o patrão, os soldados e os agentes da prefeitura. Tudo na verdade era contra ele. Estava acostumado, tinha a casca muito grossa, mas às vezes se arreliava. Não havia paciência que suportasse tanta coisa.

    - Um dia um homem faz besteira e se desgraça.

    Graciliano Ramos, Vidas secas.

    Tendo em vista as causas que a provocam, a revolta que vem à consciência de Fabiano, apresentada no texto como ainda contida e genérica, encontrará foco e uma expressão coletiva militante e organizada, em época posterior à publicação de Vidas secas, no movimento

    Escolha uma alternativa para a questão ff6ed892-e1
  • FF696094-E1

    Português

    Figuras de Linguagem
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    Dentre os recursos expressivos empregados no texto, tem papel preponderante a
    Escolha uma alternativa para a questão ff696094-e1
  • FF66A097-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    No último período do texto, o ritmo que o narrador imprime ao relato de seus amores corresponde sobretudo ao que se encontra expresso em
    Escolha uma alternativa para a questão ff66a097-e1