Questões do ENEM: Linguagens e Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação

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148 questões encontradas. Mostrando a página 2 de 8.

  • FF3FC312-F0

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos
    A técnica na sofisticada marcha da humanidade em direção ao precipício 
    Márcio Seligmann-Silva

        [...] Aparentemente, a marcha incontornável da humanidade em direção ao precipício (em regimes capitalistas puros, nos de capitalismo de Estado e nos que tentaram, de modo infeliz, a ditadura dos partidos comunistas) não pode ser alterada sem um levante de uma população que, lamentavelmente, parece cada vez mais fascinada pelo mundo da técnica dos gadgets.

        Como no mito dos lemingues que se suicidam no mar, nossa espécie supostamente racional faria algo semelhante por meios mais “sofisticados”. [...]

        A chamada “força do mercado”, esse “quarto poder” que efetivamente manda e desmanda no mundo, está calcada nesse modelo de técnica predadora sem o qual as indústrias (e suas ações no mercado) não existiriam. O capitalismo se alimenta da Terra, mas desconsidera que esta mesma Terra é finita e está sendo exaurida.

        O filósofo Hans Jonas dedicou os últimos anos de sua longa vida (1903- 1993) à construção de uma nova ética da responsabilidade à altura desses desafios contemporâneos. Ele afirmava que “não temos o direito de hipotecar a existência das gerações futuras por conta de nosso comodismo” e propôs uma virada.

        Ao invés de construir um modelo calcado no presente, com o objetivo do viver bem e da felicidade conectados ao aqui e agora, estabeleceu o desafio de construir uma ética do futuro: da destruição da casa-Terra, ele deduz o imperativo de salvar essa morada para garantir a possibilidade de vida futura.

        Em vez de apostar no modelo liberal do progresso infinito a qualquer custo ou de acreditar na promessa revolucionária que traria de um golpe o “paraíso sobre a Terra?” ele aposta em um “summum bonum” moderado, modesto, o único possível para a nossa sobrevivência. Fala de um “princípio de moderação”, reconhecendo que a conta deveria ser paga pelos que mais possuem.

        Hoje, podemos dizer que esse futuro que ele desenhava, ou seja, esse tempo já sem muito tempo de sobrevida, tornou-se o nosso tempo. Sua “heurística do medo” — a saber, uma pedagogia da humanidade que se transformaria a partir do confronto com a visão medonha de seu fim muito próximo — soa ainda poderosa, mas um tanto inocente, mesmo reconhecendo que suas ideias influenciaram protocolos como o Acordo de Paris, de 2015.

        Observando a sequência de crimes socioambientais, parece que essa heurística não está rendendo frutos. Não aprendemos com as catástrofes, e isso nos levará, caso não alteremos nosso curso, à catástrofe final. Ou seja, a emoção do medo do Armagedom está sendo vencida pela razão instrumental e sua promessa (distópica) de transformar a natureza em mercadoria.

         [...] Um lamentável e terrível exemplo da situação em que nos encontramos em termos dessa submissão a um determinado modelo liberal associado a uma técnica espoliadora e destrutiva é justamente o que acaba de ocorrer com o rompimento da barragem da empresa Vale em Brumadinho (MG).

        Apenas a arrogância fáustica, a hybris que cega, o sentimento de onipotência podem justificar que essa barragem (como tantas outras) tenha sido construída logo acima de uma área urbana e das instalações dos funcionários da empresa. Novamente a situação de risco associada a esse tipo de tecnologia ficou exposta. Os alarmes que não soaram reproduzem o silêncio da humanidade diante das repetidas manifestações da violência da técnica.
        O cerne do capitalismo é o lucro e isso explica, nesse caso e em outros, tudo de modo simples e direto. O crime de Brumadinho deve ultrapassar 300 vítimas fatais diretas, fora a destruição de toda uma região habitada também por pescadores, ribeirinhos e indígenas pataxó que dependiam diretamente do rio Paraopeba para a sua sobrevivência. Se pensarmos nos inúmeros atingidos, apenas no Brasil, por barragens (de mineradoras e de hidroelétricas), fica claro que não se trata apenas de uma questão de “barragem a montante”.

    (Adaptado de “A técnica na sofisticada marcha da humanidade em direção ao precipício”, publicado na FOLHA DE S.PAULO, em 17/02/19, pelo Prof. Dr Márcio Seligmann-Silva, titular de teoria literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.) 
    O trecho a seguir propõe ao leitor um jogo semântico com a palavra “tempo”.

    “Hoje, podemos dizer que esse futuro que ele desenhava, ou seja, esse tempo (1) já sem muito tempo (2) de sobrevida, tornou-se o nosso tempo (3).”

    A alternativa que mais bem interpreta, na ordem, os sentidos dessa expressão é:
    Escolha uma alternativa para a questão ff3fc312-f0
  • FF3B585C-F0

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos
    A técnica na sofisticada marcha da humanidade em direção ao precipício 
    Márcio Seligmann-Silva

        [...] Aparentemente, a marcha incontornável da humanidade em direção ao precipício (em regimes capitalistas puros, nos de capitalismo de Estado e nos que tentaram, de modo infeliz, a ditadura dos partidos comunistas) não pode ser alterada sem um levante de uma população que, lamentavelmente, parece cada vez mais fascinada pelo mundo da técnica dos gadgets.

        Como no mito dos lemingues que se suicidam no mar, nossa espécie supostamente racional faria algo semelhante por meios mais “sofisticados”. [...]

        A chamada “força do mercado”, esse “quarto poder” que efetivamente manda e desmanda no mundo, está calcada nesse modelo de técnica predadora sem o qual as indústrias (e suas ações no mercado) não existiriam. O capitalismo se alimenta da Terra, mas desconsidera que esta mesma Terra é finita e está sendo exaurida.

        O filósofo Hans Jonas dedicou os últimos anos de sua longa vida (1903- 1993) à construção de uma nova ética da responsabilidade à altura desses desafios contemporâneos. Ele afirmava que “não temos o direito de hipotecar a existência das gerações futuras por conta de nosso comodismo” e propôs uma virada.

        Ao invés de construir um modelo calcado no presente, com o objetivo do viver bem e da felicidade conectados ao aqui e agora, estabeleceu o desafio de construir uma ética do futuro: da destruição da casa-Terra, ele deduz o imperativo de salvar essa morada para garantir a possibilidade de vida futura.

        Em vez de apostar no modelo liberal do progresso infinito a qualquer custo ou de acreditar na promessa revolucionária que traria de um golpe o “paraíso sobre a Terra?” ele aposta em um “summum bonum” moderado, modesto, o único possível para a nossa sobrevivência. Fala de um “princípio de moderação”, reconhecendo que a conta deveria ser paga pelos que mais possuem.

        Hoje, podemos dizer que esse futuro que ele desenhava, ou seja, esse tempo já sem muito tempo de sobrevida, tornou-se o nosso tempo. Sua “heurística do medo” — a saber, uma pedagogia da humanidade que se transformaria a partir do confronto com a visão medonha de seu fim muito próximo — soa ainda poderosa, mas um tanto inocente, mesmo reconhecendo que suas ideias influenciaram protocolos como o Acordo de Paris, de 2015.

        Observando a sequência de crimes socioambientais, parece que essa heurística não está rendendo frutos. Não aprendemos com as catástrofes, e isso nos levará, caso não alteremos nosso curso, à catástrofe final. Ou seja, a emoção do medo do Armagedom está sendo vencida pela razão instrumental e sua promessa (distópica) de transformar a natureza em mercadoria.

         [...] Um lamentável e terrível exemplo da situação em que nos encontramos em termos dessa submissão a um determinado modelo liberal associado a uma técnica espoliadora e destrutiva é justamente o que acaba de ocorrer com o rompimento da barragem da empresa Vale em Brumadinho (MG).

        Apenas a arrogância fáustica, a hybris que cega, o sentimento de onipotência podem justificar que essa barragem (como tantas outras) tenha sido construída logo acima de uma área urbana e das instalações dos funcionários da empresa. Novamente a situação de risco associada a esse tipo de tecnologia ficou exposta. Os alarmes que não soaram reproduzem o silêncio da humanidade diante das repetidas manifestações da violência da técnica.
        O cerne do capitalismo é o lucro e isso explica, nesse caso e em outros, tudo de modo simples e direto. O crime de Brumadinho deve ultrapassar 300 vítimas fatais diretas, fora a destruição de toda uma região habitada também por pescadores, ribeirinhos e indígenas pataxó que dependiam diretamente do rio Paraopeba para a sua sobrevivência. Se pensarmos nos inúmeros atingidos, apenas no Brasil, por barragens (de mineradoras e de hidroelétricas), fica claro que não se trata apenas de uma questão de “barragem a montante”.

    (Adaptado de “A técnica na sofisticada marcha da humanidade em direção ao precipício”, publicado na FOLHA DE S.PAULO, em 17/02/19, pelo Prof. Dr Márcio Seligmann-Silva, titular de teoria literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.) 

    O excerto a seguir descreve uma saída apontada pelo filósofo Hans Jonas para amenizar efeitos do modelo de desenvolvimento liberal. “Fala de um ‘princípio de moderação’, reconhecendo que a conta deveria ser paga pelos que mais possuem.”

    Assinale, dentre as manchetes abaixo, aquela que evidencia um “efeito negativo” implícito no trecho acima.

    Escolha uma alternativa para a questão ff3b585c-f0
  • FF368F60-F0

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos
    A técnica na sofisticada marcha da humanidade em direção ao precipício 
    Márcio Seligmann-Silva

        [...] Aparentemente, a marcha incontornável da humanidade em direção ao precipício (em regimes capitalistas puros, nos de capitalismo de Estado e nos que tentaram, de modo infeliz, a ditadura dos partidos comunistas) não pode ser alterada sem um levante de uma população que, lamentavelmente, parece cada vez mais fascinada pelo mundo da técnica dos gadgets.

        Como no mito dos lemingues que se suicidam no mar, nossa espécie supostamente racional faria algo semelhante por meios mais “sofisticados”. [...]

        A chamada “força do mercado”, esse “quarto poder” que efetivamente manda e desmanda no mundo, está calcada nesse modelo de técnica predadora sem o qual as indústrias (e suas ações no mercado) não existiriam. O capitalismo se alimenta da Terra, mas desconsidera que esta mesma Terra é finita e está sendo exaurida.

        O filósofo Hans Jonas dedicou os últimos anos de sua longa vida (1903- 1993) à construção de uma nova ética da responsabilidade à altura desses desafios contemporâneos. Ele afirmava que “não temos o direito de hipotecar a existência das gerações futuras por conta de nosso comodismo” e propôs uma virada.

        Ao invés de construir um modelo calcado no presente, com o objetivo do viver bem e da felicidade conectados ao aqui e agora, estabeleceu o desafio de construir uma ética do futuro: da destruição da casa-Terra, ele deduz o imperativo de salvar essa morada para garantir a possibilidade de vida futura.

        Em vez de apostar no modelo liberal do progresso infinito a qualquer custo ou de acreditar na promessa revolucionária que traria de um golpe o “paraíso sobre a Terra?” ele aposta em um “summum bonum” moderado, modesto, o único possível para a nossa sobrevivência. Fala de um “princípio de moderação”, reconhecendo que a conta deveria ser paga pelos que mais possuem.

        Hoje, podemos dizer que esse futuro que ele desenhava, ou seja, esse tempo já sem muito tempo de sobrevida, tornou-se o nosso tempo. Sua “heurística do medo” — a saber, uma pedagogia da humanidade que se transformaria a partir do confronto com a visão medonha de seu fim muito próximo — soa ainda poderosa, mas um tanto inocente, mesmo reconhecendo que suas ideias influenciaram protocolos como o Acordo de Paris, de 2015.

        Observando a sequência de crimes socioambientais, parece que essa heurística não está rendendo frutos. Não aprendemos com as catástrofes, e isso nos levará, caso não alteremos nosso curso, à catástrofe final. Ou seja, a emoção do medo do Armagedom está sendo vencida pela razão instrumental e sua promessa (distópica) de transformar a natureza em mercadoria.

         [...] Um lamentável e terrível exemplo da situação em que nos encontramos em termos dessa submissão a um determinado modelo liberal associado a uma técnica espoliadora e destrutiva é justamente o que acaba de ocorrer com o rompimento da barragem da empresa Vale em Brumadinho (MG).

        Apenas a arrogância fáustica, a hybris que cega, o sentimento de onipotência podem justificar que essa barragem (como tantas outras) tenha sido construída logo acima de uma área urbana e das instalações dos funcionários da empresa. Novamente a situação de risco associada a esse tipo de tecnologia ficou exposta. Os alarmes que não soaram reproduzem o silêncio da humanidade diante das repetidas manifestações da violência da técnica.
        O cerne do capitalismo é o lucro e isso explica, nesse caso e em outros, tudo de modo simples e direto. O crime de Brumadinho deve ultrapassar 300 vítimas fatais diretas, fora a destruição de toda uma região habitada também por pescadores, ribeirinhos e indígenas pataxó que dependiam diretamente do rio Paraopeba para a sua sobrevivência. Se pensarmos nos inúmeros atingidos, apenas no Brasil, por barragens (de mineradoras e de hidroelétricas), fica claro que não se trata apenas de uma questão de “barragem a montante”.

    (Adaptado de “A técnica na sofisticada marcha da humanidade em direção ao precipício”, publicado na FOLHA DE S.PAULO, em 17/02/19, pelo Prof. Dr Márcio Seligmann-Silva, titular de teoria literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.) 
    Releia o seguinte trecho:
    “Ao invés de construir um modelo calcado no presente, com o objetivo do viver bem e da felicidade conectados ao aqui e agora, estabeleceu o desafio de construir uma ética do futuro: da destruição da casa-Terra, ele deduz o imperativo de salvar essa morada para garantir a possibilidade de vida futura.”

    Segundo o texto, o dito “modelo [de desenvolvimento] calcado no presente” conduz:
    Escolha uma alternativa para a questão ff368f60-f0
  • FF30D477-F0

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos
    A técnica na sofisticada marcha da humanidade em direção ao precipício 
    Márcio Seligmann-Silva

        [...] Aparentemente, a marcha incontornável da humanidade em direção ao precipício (em regimes capitalistas puros, nos de capitalismo de Estado e nos que tentaram, de modo infeliz, a ditadura dos partidos comunistas) não pode ser alterada sem um levante de uma população que, lamentavelmente, parece cada vez mais fascinada pelo mundo da técnica dos gadgets.

        Como no mito dos lemingues que se suicidam no mar, nossa espécie supostamente racional faria algo semelhante por meios mais “sofisticados”. [...]

        A chamada “força do mercado”, esse “quarto poder” que efetivamente manda e desmanda no mundo, está calcada nesse modelo de técnica predadora sem o qual as indústrias (e suas ações no mercado) não existiriam. O capitalismo se alimenta da Terra, mas desconsidera que esta mesma Terra é finita e está sendo exaurida.

        O filósofo Hans Jonas dedicou os últimos anos de sua longa vida (1903- 1993) à construção de uma nova ética da responsabilidade à altura desses desafios contemporâneos. Ele afirmava que “não temos o direito de hipotecar a existência das gerações futuras por conta de nosso comodismo” e propôs uma virada.

        Ao invés de construir um modelo calcado no presente, com o objetivo do viver bem e da felicidade conectados ao aqui e agora, estabeleceu o desafio de construir uma ética do futuro: da destruição da casa-Terra, ele deduz o imperativo de salvar essa morada para garantir a possibilidade de vida futura.

        Em vez de apostar no modelo liberal do progresso infinito a qualquer custo ou de acreditar na promessa revolucionária que traria de um golpe o “paraíso sobre a Terra?” ele aposta em um “summum bonum” moderado, modesto, o único possível para a nossa sobrevivência. Fala de um “princípio de moderação”, reconhecendo que a conta deveria ser paga pelos que mais possuem.

        Hoje, podemos dizer que esse futuro que ele desenhava, ou seja, esse tempo já sem muito tempo de sobrevida, tornou-se o nosso tempo. Sua “heurística do medo” — a saber, uma pedagogia da humanidade que se transformaria a partir do confronto com a visão medonha de seu fim muito próximo — soa ainda poderosa, mas um tanto inocente, mesmo reconhecendo que suas ideias influenciaram protocolos como o Acordo de Paris, de 2015.

        Observando a sequência de crimes socioambientais, parece que essa heurística não está rendendo frutos. Não aprendemos com as catástrofes, e isso nos levará, caso não alteremos nosso curso, à catástrofe final. Ou seja, a emoção do medo do Armagedom está sendo vencida pela razão instrumental e sua promessa (distópica) de transformar a natureza em mercadoria.

         [...] Um lamentável e terrível exemplo da situação em que nos encontramos em termos dessa submissão a um determinado modelo liberal associado a uma técnica espoliadora e destrutiva é justamente o que acaba de ocorrer com o rompimento da barragem da empresa Vale em Brumadinho (MG).

        Apenas a arrogância fáustica, a hybris que cega, o sentimento de onipotência podem justificar que essa barragem (como tantas outras) tenha sido construída logo acima de uma área urbana e das instalações dos funcionários da empresa. Novamente a situação de risco associada a esse tipo de tecnologia ficou exposta. Os alarmes que não soaram reproduzem o silêncio da humanidade diante das repetidas manifestações da violência da técnica.
        O cerne do capitalismo é o lucro e isso explica, nesse caso e em outros, tudo de modo simples e direto. O crime de Brumadinho deve ultrapassar 300 vítimas fatais diretas, fora a destruição de toda uma região habitada também por pescadores, ribeirinhos e indígenas pataxó que dependiam diretamente do rio Paraopeba para a sua sobrevivência. Se pensarmos nos inúmeros atingidos, apenas no Brasil, por barragens (de mineradoras e de hidroelétricas), fica claro que não se trata apenas de uma questão de “barragem a montante”.

    (Adaptado de “A técnica na sofisticada marcha da humanidade em direção ao precipício”, publicado na FOLHA DE S.PAULO, em 17/02/19, pelo Prof. Dr Márcio Seligmann-Silva, titular de teoria literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.) 
    Releia o trecho:

    “O filósofo Hans Jonas [...] afirmava que ‘não temos o direito de hipotecar a existência das gerações futuras por conta de nosso comodismo’ e propôs uma virada.”

    Transpondo do texto para a realidade mundial hoje, um exemplo prático da “virada” a que o dito filósofo se refere poderia ser, hipoteticamente:
    Escolha uma alternativa para a questão ff30d477-f0
  • FF2C260F-F0

    Português

    Gêneros Textuais
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos
    A técnica na sofisticada marcha da humanidade em direção ao precipício 
    Márcio Seligmann-Silva

        [...] Aparentemente, a marcha incontornável da humanidade em direção ao precipício (em regimes capitalistas puros, nos de capitalismo de Estado e nos que tentaram, de modo infeliz, a ditadura dos partidos comunistas) não pode ser alterada sem um levante de uma população que, lamentavelmente, parece cada vez mais fascinada pelo mundo da técnica dos gadgets.

        Como no mito dos lemingues que se suicidam no mar, nossa espécie supostamente racional faria algo semelhante por meios mais “sofisticados”. [...]

        A chamada “força do mercado”, esse “quarto poder” que efetivamente manda e desmanda no mundo, está calcada nesse modelo de técnica predadora sem o qual as indústrias (e suas ações no mercado) não existiriam. O capitalismo se alimenta da Terra, mas desconsidera que esta mesma Terra é finita e está sendo exaurida.

        O filósofo Hans Jonas dedicou os últimos anos de sua longa vida (1903- 1993) à construção de uma nova ética da responsabilidade à altura desses desafios contemporâneos. Ele afirmava que “não temos o direito de hipotecar a existência das gerações futuras por conta de nosso comodismo” e propôs uma virada.

        Ao invés de construir um modelo calcado no presente, com o objetivo do viver bem e da felicidade conectados ao aqui e agora, estabeleceu o desafio de construir uma ética do futuro: da destruição da casa-Terra, ele deduz o imperativo de salvar essa morada para garantir a possibilidade de vida futura.

        Em vez de apostar no modelo liberal do progresso infinito a qualquer custo ou de acreditar na promessa revolucionária que traria de um golpe o “paraíso sobre a Terra?” ele aposta em um “summum bonum” moderado, modesto, o único possível para a nossa sobrevivência. Fala de um “princípio de moderação”, reconhecendo que a conta deveria ser paga pelos que mais possuem.

        Hoje, podemos dizer que esse futuro que ele desenhava, ou seja, esse tempo já sem muito tempo de sobrevida, tornou-se o nosso tempo. Sua “heurística do medo” — a saber, uma pedagogia da humanidade que se transformaria a partir do confronto com a visão medonha de seu fim muito próximo — soa ainda poderosa, mas um tanto inocente, mesmo reconhecendo que suas ideias influenciaram protocolos como o Acordo de Paris, de 2015.

        Observando a sequência de crimes socioambientais, parece que essa heurística não está rendendo frutos. Não aprendemos com as catástrofes, e isso nos levará, caso não alteremos nosso curso, à catástrofe final. Ou seja, a emoção do medo do Armagedom está sendo vencida pela razão instrumental e sua promessa (distópica) de transformar a natureza em mercadoria.

         [...] Um lamentável e terrível exemplo da situação em que nos encontramos em termos dessa submissão a um determinado modelo liberal associado a uma técnica espoliadora e destrutiva é justamente o que acaba de ocorrer com o rompimento da barragem da empresa Vale em Brumadinho (MG).

        Apenas a arrogância fáustica, a hybris que cega, o sentimento de onipotência podem justificar que essa barragem (como tantas outras) tenha sido construída logo acima de uma área urbana e das instalações dos funcionários da empresa. Novamente a situação de risco associada a esse tipo de tecnologia ficou exposta. Os alarmes que não soaram reproduzem o silêncio da humanidade diante das repetidas manifestações da violência da técnica.
        O cerne do capitalismo é o lucro e isso explica, nesse caso e em outros, tudo de modo simples e direto. O crime de Brumadinho deve ultrapassar 300 vítimas fatais diretas, fora a destruição de toda uma região habitada também por pescadores, ribeirinhos e indígenas pataxó que dependiam diretamente do rio Paraopeba para a sua sobrevivência. Se pensarmos nos inúmeros atingidos, apenas no Brasil, por barragens (de mineradoras e de hidroelétricas), fica claro que não se trata apenas de uma questão de “barragem a montante”.

    (Adaptado de “A técnica na sofisticada marcha da humanidade em direção ao precipício”, publicado na FOLHA DE S.PAULO, em 17/02/19, pelo Prof. Dr Márcio Seligmann-Silva, titular de teoria literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.) 
    A estrutura linguística predominante no texto acima permite que ele seja entendido como:

    Escolha uma alternativa para a questão ff2c260f-f0
  • C202179F-F2

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018Muito difícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o texto a seguir para responder à questão.


    Facebook’s new data policy: Answers to your privacy questions

        Facebook, the world’s largest social network, revamped the policies it uses when collecting data on the more than 2 billion people who use it every month. As part of the new policy, released April 19, the company is also spelling out more clearly how it collects and uses that information about you.

        Where does Facebook get information about me?

        It finds this information from a mixture of photos, videos and thoughts you post on your timeline. It also gleans data from your interactions with Facebook friends, as well as the pages and posts you “like.” Plus, the company collects seven different kinds of information it takes from a phone, computer or tablet you’re using. That includes data about the version of software you’re running, how low your battery is and how much storage you have left on your device. On top of that, Facebook can access information about devices that are connected to the same network you’re on.

        This kind of info is often used for something industry experts call fingerprinting, which is how websites identify you based on all the data they can collect from your device.

    (Adaptado de https://www.cnet.com/news/facebook-data-policy-answers-to-your-privacyquestions-cambridge-analytica/. Publicado em: 21 abr. 2018.

    Acesso em: 21 ago. 2018, às 16h31.)

    “Fingerprinting”, segundo o texto, é a maneira pela qual
    Escolha uma alternativa para a questão c202179f-f2
  • C1FDFE71-F2

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018Muito difícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o texto a seguir para responder à questão.


    Facebook’s new data policy: Answers to your privacy questions

        Facebook, the world’s largest social network, revamped the policies it uses when collecting data on the more than 2 billion people who use it every month. As part of the new policy, released April 19, the company is also spelling out more clearly how it collects and uses that information about you.

        Where does Facebook get information about me?

        It finds this information from a mixture of photos, videos and thoughts you post on your timeline. It also gleans data from your interactions with Facebook friends, as well as the pages and posts you “like.” Plus, the company collects seven different kinds of information it takes from a phone, computer or tablet you’re using. That includes data about the version of software you’re running, how low your battery is and how much storage you have left on your device. On top of that, Facebook can access information about devices that are connected to the same network you’re on.

        This kind of info is often used for something industry experts call fingerprinting, which is how websites identify you based on all the data they can collect from your device.

    (Adaptado de https://www.cnet.com/news/facebook-data-policy-answers-to-your-privacyquestions-cambridge-analytica/. Publicado em: 21 abr. 2018.

    Acesso em: 21 ago. 2018, às 16h31.)

    De acordo com as informações apresentadas no texto, os dados coletados pelo Facebook são
    Escolha uma alternativa para a questão c1fdfe71-f2
  • C1FA76F6-F2

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Considere o texto a seguir para responder à questão.


    Facebook’s new data policy: Answers to your privacy questions

        Facebook, the world’s largest social network, revamped the policies it uses when collecting data on the more than 2 billion people who use it every month. As part of the new policy, released April 19, the company is also spelling out more clearly how it collects and uses that information about you.

        Where does Facebook get information about me?

        It finds this information from a mixture of photos, videos and thoughts you post on your timeline. It also gleans data from your interactions with Facebook friends, as well as the pages and posts you “like.” Plus, the company collects seven different kinds of information it takes from a phone, computer or tablet you’re using. That includes data about the version of software you’re running, how low your battery is and how much storage you have left on your device. On top of that, Facebook can access information about devices that are connected to the same network you’re on.

        This kind of info is often used for something industry experts call fingerprinting, which is how websites identify you based on all the data they can collect from your device.

    (Adaptado de https://www.cnet.com/news/facebook-data-policy-answers-to-your-privacyquestions-cambridge-analytica/. Publicado em: 21 abr. 2018.

    Acesso em: 21 ago. 2018, às 16h31.)

    De acordo com o texto, indique a única informação correta sobre o Facebook.
    Escolha uma alternativa para a questão c1fa76f6-f2
  • C1F65213-F2

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o texto a seguir para responder à questão.


    Facebook’s new data policy: Answers to your privacy questions

        Facebook, the world’s largest social network, revamped the policies it uses when collecting data on the more than 2 billion people who use it every month. As part of the new policy, released April 19, the company is also spelling out more clearly how it collects and uses that information about you.

        Where does Facebook get information about me?

        It finds this information from a mixture of photos, videos and thoughts you post on your timeline. It also gleans data from your interactions with Facebook friends, as well as the pages and posts you “like.” Plus, the company collects seven different kinds of information it takes from a phone, computer or tablet you’re using. That includes data about the version of software you’re running, how low your battery is and how much storage you have left on your device. On top of that, Facebook can access information about devices that are connected to the same network you’re on.

        This kind of info is often used for something industry experts call fingerprinting, which is how websites identify you based on all the data they can collect from your device.

    (Adaptado de https://www.cnet.com/news/facebook-data-policy-answers-to-your-privacyquestions-cambridge-analytica/. Publicado em: 21 abr. 2018.

    Acesso em: 21 ago. 2018, às 16h31.)

    Segundo o texto, os usuários do Facebook não costumam:
    Escolha uma alternativa para a questão c1f65213-f2
  • C1F2FD06-F2

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018Muito difícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o texto e o gráfico abaixo para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2018


    Corresponds to the quantification of homicides of women 15 years of age and over, killed by gender violence. Expressed in absolute number and rate per 100,000 women.

    Femicide or feminicide in Latin America, the Caribbean and Spain

        According to official information provided by countries, in 2016 a total of 1,917 women from 17 countries in the region (14 from Latin America and 3 from the Caribbean) were victims of feminicide or femicide.

        Honduras is still, for all years in the historical series, the country of the region with the highest number of femicides (466 in 2016), reaching a worrying rate of 10,2 femicides per 100,000 women. El Salvador currently presents the highest rate of femicides: 11,0 per 100,000 women, meaning 349 deaths in 2016.

        Those figures are a strong call to attention to persevere in its efforts sustain and deepen efforts at national level to put an end to this problem. In addition to concrete measures of prevention, care, protection and reparation, the availability of information is another major challenge to eradicate violence against women.

    (Adaptado de https://oig.cepal.org/en/indicators/femicide-or-feminicide.

    Acesso em: 17 ago. 2018, às 16h25.)

    Considerando as informações apresentadas sobre El Salvador, em 2016, a população de mulheres, com 15 anos ou mais, era de, aproximadamente,
    Escolha uma alternativa para a questão c1f2fd06-f2
  • C1EE03D4-F2

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o texto e o gráfico abaixo para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2018


    Corresponds to the quantification of homicides of women 15 years of age and over, killed by gender violence. Expressed in absolute number and rate per 100,000 women.

    Femicide or feminicide in Latin America, the Caribbean and Spain

        According to official information provided by countries, in 2016 a total of 1,917 women from 17 countries in the region (14 from Latin America and 3 from the Caribbean) were victims of feminicide or femicide.

        Honduras is still, for all years in the historical series, the country of the region with the highest number of femicides (466 in 2016), reaching a worrying rate of 10,2 femicides per 100,000 women. El Salvador currently presents the highest rate of femicides: 11,0 per 100,000 women, meaning 349 deaths in 2016.

        Those figures are a strong call to attention to persevere in its efforts sustain and deepen efforts at national level to put an end to this problem. In addition to concrete measures of prevention, care, protection and reparation, the availability of information is another major challenge to eradicate violence against women.

    (Adaptado de https://oig.cepal.org/en/indicators/femicide-or-feminicide.

    Acesso em: 17 ago. 2018, às 16h25.)

    Segundo as informações do gráfico, é correto afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão c1ee03d4-f2
  • C1E927F3-F2

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o texto e o gráfico abaixo para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2018


    Corresponds to the quantification of homicides of women 15 years of age and over, killed by gender violence. Expressed in absolute number and rate per 100,000 women.

    Femicide or feminicide in Latin America, the Caribbean and Spain

        According to official information provided by countries, in 2016 a total of 1,917 women from 17 countries in the region (14 from Latin America and 3 from the Caribbean) were victims of feminicide or femicide.

        Honduras is still, for all years in the historical series, the country of the region with the highest number of femicides (466 in 2016), reaching a worrying rate of 10,2 femicides per 100,000 women. El Salvador currently presents the highest rate of femicides: 11,0 per 100,000 women, meaning 349 deaths in 2016.

        Those figures are a strong call to attention to persevere in its efforts sustain and deepen efforts at national level to put an end to this problem. In addition to concrete measures of prevention, care, protection and reparation, the availability of information is another major challenge to eradicate violence against women.

    (Adaptado de https://oig.cepal.org/en/indicators/femicide-or-feminicide.

    Acesso em: 17 ago. 2018, às 16h25.)

    Os números “14” e “3”, apresentados no primeiro parágrafo do texto, informam a quantidade de:
    Escolha uma alternativa para a questão c1e927f3-f2
  • C1E4B758-F2

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere a mensagem abaixo, retirada da página do jornal “The Guardian” na internet, para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2018


    Segundo as informações do texto e de seus conhecimentos prévios, um “paywall”:
    Escolha uma alternativa para a questão c1e4b758-f2
  • C1E13A48-F2

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere a mensagem abaixo, retirada da página do jornal “The Guardian” na internet, para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2018


    De acordo com a mensagem, pode-se inferir que o jornal “The Guardian” almeja a:
    Escolha uma alternativa para a questão c1e13a48-f2
  • C1DD729D-F2

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o cartum a seguir para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2018

    A mensagem expressa pelo cartum:
    Escolha uma alternativa para a questão c1dd729d-f2
  • C1765E00-F2

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

        A voz o chama. Uma voz que o alegra, que faz bater seu coração. Ajudar a mudar o destino de todos os pobres. Uma voz que atravessa a cidade, que parece vir dos atabaques que ressoam nas macumbas da religião ilegal dos negros. Uma voz que vem com o ruído dos bondes onde vão os condutores e motorneiros grevistas. Uma voz que vem do cais, do peito dos estivadores, de João de Adão, de seu pai morrendo num comício, dos marinheiros dos navios, dos saveiristas e dos canoeiros. Uma voz que vem do grupo que joga a luta da capoeira, que vem dos golpes que o Querido-de-Deus aplica. Uma voz que vem mesmo do padre José Pedro, padre pobre de olhos espantados diante do destino terrível dos Capitães da Areia. Uma voz que vem das filhas-de-santo do candomblé de Don’Aninha, na noite que a polícia levou Ogum. Voz que vem do trapiche dos Capitães da Areia. Que vem do reformatório e do orfanato. Que vem do ódio do Sem-Pernas se atirando do elevador para não se entregar. […] Porque é uma voz que chama para lutar por todos, pelo destino de todos, sem exceção. Voz poderosa como nenhuma outra. Voz que atravessa a cidade e vem de todos os lados. Voz que traz com ela uma festa, que faz o inverno acabar lá fora e ser a primavera. A primavera da luta. Voz que chama Pedro Bala, que o leva para a luta. Voz que vem de todos os peitos esfomeados da cidade, de todos os peitos explorados da cidade. Voz que traz o bem maior do mundo, bem que é igual ao sol, mesmo maior que o sol: a liberdade. […] Dentro de Pedro Bala uma voz o chama: voz que traz para a canção da Bahia, a canção da liberdade. Voz poderosa que o chama. Voz de toda a cidade pobre da Bahia, voz da liberdade. A revolução chama Pedro Bala.

    (AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 258-259”)

    É possível perceber, no trecho apresentado, como a linguagem reflete aspectos típicos da tradição baiana. Isso pode ser notado em:
    Escolha uma alternativa para a questão c1765e00-f2
  • C172BA91-F2

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

        A voz o chama. Uma voz que o alegra, que faz bater seu coração. Ajudar a mudar o destino de todos os pobres. Uma voz que atravessa a cidade, que parece vir dos atabaques que ressoam nas macumbas da religião ilegal dos negros. Uma voz que vem com o ruído dos bondes onde vão os condutores e motorneiros grevistas. Uma voz que vem do cais, do peito dos estivadores, de João de Adão, de seu pai morrendo num comício, dos marinheiros dos navios, dos saveiristas e dos canoeiros. Uma voz que vem do grupo que joga a luta da capoeira, que vem dos golpes que o Querido-de-Deus aplica. Uma voz que vem mesmo do padre José Pedro, padre pobre de olhos espantados diante do destino terrível dos Capitães da Areia. Uma voz que vem das filhas-de-santo do candomblé de Don’Aninha, na noite que a polícia levou Ogum. Voz que vem do trapiche dos Capitães da Areia. Que vem do reformatório e do orfanato. Que vem do ódio do Sem-Pernas se atirando do elevador para não se entregar. […] Porque é uma voz que chama para lutar por todos, pelo destino de todos, sem exceção. Voz poderosa como nenhuma outra. Voz que atravessa a cidade e vem de todos os lados. Voz que traz com ela uma festa, que faz o inverno acabar lá fora e ser a primavera. A primavera da luta. Voz que chama Pedro Bala, que o leva para a luta. Voz que vem de todos os peitos esfomeados da cidade, de todos os peitos explorados da cidade. Voz que traz o bem maior do mundo, bem que é igual ao sol, mesmo maior que o sol: a liberdade. […] Dentro de Pedro Bala uma voz o chama: voz que traz para a canção da Bahia, a canção da liberdade. Voz poderosa que o chama. Voz de toda a cidade pobre da Bahia, voz da liberdade. A revolução chama Pedro Bala.

    (AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 258-259”)

    A “voz” que chama por Pedro Bala, no trecho apresentado, deseja que o garoto:
    Escolha uma alternativa para a questão c172ba91-f2
  • C16F5122-F2

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

        A voz o chama. Uma voz que o alegra, que faz bater seu coração. Ajudar a mudar o destino de todos os pobres. Uma voz que atravessa a cidade, que parece vir dos atabaques que ressoam nas macumbas da religião ilegal dos negros. Uma voz que vem com o ruído dos bondes onde vão os condutores e motorneiros grevistas. Uma voz que vem do cais, do peito dos estivadores, de João de Adão, de seu pai morrendo num comício, dos marinheiros dos navios, dos saveiristas e dos canoeiros. Uma voz que vem do grupo que joga a luta da capoeira, que vem dos golpes que o Querido-de-Deus aplica. Uma voz que vem mesmo do padre José Pedro, padre pobre de olhos espantados diante do destino terrível dos Capitães da Areia. Uma voz que vem das filhas-de-santo do candomblé de Don’Aninha, na noite que a polícia levou Ogum. Voz que vem do trapiche dos Capitães da Areia. Que vem do reformatório e do orfanato. Que vem do ódio do Sem-Pernas se atirando do elevador para não se entregar. […] Porque é uma voz que chama para lutar por todos, pelo destino de todos, sem exceção. Voz poderosa como nenhuma outra. Voz que atravessa a cidade e vem de todos os lados. Voz que traz com ela uma festa, que faz o inverno acabar lá fora e ser a primavera. A primavera da luta. Voz que chama Pedro Bala, que o leva para a luta. Voz que vem de todos os peitos esfomeados da cidade, de todos os peitos explorados da cidade. Voz que traz o bem maior do mundo, bem que é igual ao sol, mesmo maior que o sol: a liberdade. […] Dentro de Pedro Bala uma voz o chama: voz que traz para a canção da Bahia, a canção da liberdade. Voz poderosa que o chama. Voz de toda a cidade pobre da Bahia, voz da liberdade. A revolução chama Pedro Bala.

    (AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 258-259”)

    Capitães da Areia (1937), de Jorge Amado, é um dos expoentes do chamado Romance de 30, que se caracterizava pela abordagem social de determinadas regiões do país. Este aspecto pode ser observado no trecho apresentado pois:
    Escolha uma alternativa para a questão c16f5122-f2
  • C16B0654-F2

    Português

    Interpretação de Textos
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    A publicação de A Origem das Espécies (1859), por Charles Darwin, modificou o modo como alguns autores de literatura, principalmente os naturalistas, construiriam seus personagens. Isso porque o ambiente em que um personagem se encontrava determinaria quem ele era. Tendo isso em vista, qual das citações revela a atuação do meio sobre a personagem?
    Escolha uma alternativa para a questão c16b0654-f2
  • C167D03B-F2

    Literatura

    Escolas Literárias
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
         E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma pelos olhos enamorados.
       Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.
      Isto era o que Jerônimo sentia, mas o que o tonto não podia conceber. De todas as impressões daquele resto de domingo só lhe ficou no espírito o entorpecimento de uma desconhecida embriaguez, não de vinho, mas de mel chuchurreado no cálice de flores americanas, dessas muito alvas, cheirosas e úmidas, que ele na fazenda via debruçadas confidencialmente sobre os limosos pântanos sombrios, onde as oiticicas trescalam um aroma que entristece de saudade.
    (AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012. p. 152)
    Aluísio Azevedo (1857-1913) foi um dos principais nomes do Naturalismo no Brasil. Pode-se notar características da escola naturalista no trecho de O Cortiço pois
    Escolha uma alternativa para a questão c167d03b-f2