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Questões do ENEM: Linguagens

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Resultados: 18.995 questões

Página 371 de 950

  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

          Nos poemas indianistas, o heroísmo dos indígenas em nenhum momento é utilizado como crítica à colonização europeia, da qual a elite era a herdeira. Ao contrário, pela resistência ou pela colaboração, os indígenas do passado colonial, do ponto de vista dos nossos literatos, valorizavam a colonização e deviam servir de inspiração moral à elite brasileira. (...) Já o africano escravizado demorou para aparecer como protagonista na literatura romântica. Na segunda metade do século XIX, Castro Alves, na poesia, e Bernardo Guimarães, na prosa, destacaram em obras suas o tema da escravidão.

    (Adaptado de: NAPOLITANO, Marcos e VILLAÇA, Mariana. História para o ensino médio. São Paulo: Atual Editora, 2013, p. 436-37) 

    Passagens muito representativas da tendência literária da segunda metade do século XIX, referida no texto, encontram-se em obras de Castro Alves e de Bernardo Guimarães, respectivamente
    Escolha uma alternativa para a questão 8134a54e-31
  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

    Também no Brasil o século XVIII é momento da maior importância, fase de transição e preparação para a Independência. Demarcada, povoada, defendida, dilatada a terra, o século vai lhe dar prosperidade econômica, organização política e administrativa, ambiente para a vida cultural, terreno fecundo para a semente da liberdade. (...) A literatura produzida nos fins do século XVIII reflete, de modo geral, esse espírito, podendo-se apontar a obra de Tomás Antônio Gonzaga como a sua expressão máxima.

    (COUTINHO, Afrânio. Introdução à Literatura no Brasil. Rio de Janeiro: EDLE, 1972, 7. Ed. p. 127 e p. 138) 

    Manifestações socioculturais do período de que trata o texto assumem grande importância para o crítico Afrânio Coutinho na medida em que
    Escolha uma alternativa para a questão 81403c8f-31
  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

    Também no Brasil o século XVIII é momento da maior importância, fase de transição e preparação para a Independência. Demarcada, povoada, defendida, dilatada a terra, o século vai lhe dar prosperidade econômica, organização política e administrativa, ambiente para a vida cultural, terreno fecundo para a semente da liberdade. (...) A literatura produzida nos fins do século XVIII reflete, de modo geral, esse espírito, podendo-se apontar a obra de Tomás Antônio Gonzaga como a sua expressão máxima.

    (COUTINHO, Afrânio. Introdução à Literatura no Brasil. Rio de Janeiro: EDLE, 1972, 7. Ed. p. 127 e p. 138) 

    Considera-se um aspecto importante da poesia arcádica e neoclássica de Tomás Antonio Gonzaga no seguinte segmento crítico:
    Escolha uma alternativa para a questão 81432afb-31
  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

          Contraditoriamente, foi o patrocínio da fração mais europeizada da aristocracia rural de São Paulo, aberta às influências internacionais, que permitiu o florescimento das inovações estéticas. O café pesou mais do que as indústrias. Os velhos troncos paulistas, ameaçados em face da burguesia e da imigração, se juntaram aos artistas numa grande “orgia intelectual”, conforme a definição de Mário de Andrade. Segundo ele, “foi da proteção desses salões literários [promovidos pela aristocracia rural] que se alastrou pelo Brasil o espírito destruidor do movimento modernista.”

    (MARQUES, Ivan. Cenas de um modernismo de província. São Paulo: Editora 34, 2011, p. 11)

    O Modernismo de 22 caracterizou-se, de fato, por algumas contradições, entre as quais a que o texto aponta:
    Escolha uma alternativa para a questão 8152b67f-31
  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

          Contraditoriamente, foi o patrocínio da fração mais europeizada da aristocracia rural de São Paulo, aberta às influências internacionais, que permitiu o florescimento das inovações estéticas. O café pesou mais do que as indústrias. Os velhos troncos paulistas, ameaçados em face da burguesia e da imigração, se juntaram aos artistas numa grande “orgia intelectual”, conforme a definição de Mário de Andrade. Segundo ele, “foi da proteção desses salões literários [promovidos pela aristocracia rural] que se alastrou pelo Brasil o espírito destruidor do movimento modernista.”

    (MARQUES, Ivan. Cenas de um modernismo de província. São Paulo: Editora 34, 2011, p. 11)

    O “espírito destruidor” que costuma atuar num movimento de vanguarda está presente e bem tipificado nesta formulação de um manifesto estético do Modernismo:
    Escolha uma alternativa para a questão 81559d23-31
  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

          Contraditoriamente, foi o patrocínio da fração mais europeizada da aristocracia rural de São Paulo, aberta às influências internacionais, que permitiu o florescimento das inovações estéticas. O café pesou mais do que as indústrias. Os velhos troncos paulistas, ameaçados em face da burguesia e da imigração, se juntaram aos artistas numa grande “orgia intelectual”, conforme a definição de Mário de Andrade. Segundo ele, “foi da proteção desses salões literários [promovidos pela aristocracia rural] que se alastrou pelo Brasil o espírito destruidor do movimento modernista.”

    (MARQUES, Ivan. Cenas de um modernismo de província. São Paulo: Editora 34, 2011, p. 11)

    Sobre o movimento a que o texto se refere é correto afirmar que, além de ter sido uma manifestação intelectual e artística,
    Escolha uma alternativa para a questão 81586bf9-31
  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

          Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira, de Paulo Prado (escritor a quem Mário de Andrade dedicou Macunaíma), é hoje um livro quase esquecido. Quando saiu, porém, alcançou êxito excepcional: quatro edições entre 1928 e 1931. O momento era propício para tentar explicações do Brasil, país que se via a si mesmo como um ponto de interrogação. Terra tropical e mestiça condenada ao atraso ou promessa de um eldorado sul-americano?

                                                  (BOSI, Alfredo. Céu, Inferno. São Paulo: Ática, 1988, p. 137) 

    A razão pela qual o escritor Mário de Andrade dedicou a Paulo Prado seu romance Macunaíma é sugerida no próprio texto, uma vez que nesse romance o autor pretende
    Escolha uma alternativa para a questão 815e4f1c-31
  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

          Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira, de Paulo Prado (escritor a quem Mário de Andrade dedicou Macunaíma), é hoje um livro quase esquecido. Quando saiu, porém, alcançou êxito excepcional: quatro edições entre 1928 e 1931. O momento era propício para tentar explicações do Brasil, país que se via a si mesmo como um ponto de interrogação. Terra tropical e mestiça condenada ao atraso ou promessa de um eldorado sul-americano?

                                                  (BOSI, Alfredo. Céu, Inferno. São Paulo: Ática, 1988, p. 137) 

    A tendência de se aprofundar o conhecimento do Brasil, numa linha nacionalista e tropical, no período referido no texto, está indiciada já em expressões que identificam obras e grupos literários, tais como
    Escolha uma alternativa para a questão 816164b4-31
  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

          No fim de 1944 estávamos em regime de ditadura no Brasil, como todos sabem. Uma ditadura que já se ia dissolvendo, porque o ditador de então começara a acertar o passo com as chamadas Potências do Eixo; mas quando os Estados Unidos entraram na guerra e pressionaram no mesmo sentido os seus dependentes, ele não só passou para o outro lado, como teve de concordar que o país interviesse efetivamente na luta, como aliás pedia a opinião pública, às vezes em manifestações de massa que foram as primeiras a quebrar a rotina disciplinada de tranquilidade aparente nas grandes cidades.

                (CÂNDIDO, Antonio. Teresina etc. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980, p. 107-108) 

    No imediato pós-guerra, precisamente no ano de 1945, um grupo de poetas − a chamada geração de 45 − acabou se caracterizando por abraçar
    Escolha uma alternativa para a questão 8173811d-31
  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

          Com base numa ideia central de Lucien Goldmann, o crítico e historiador Alfredo Bosi propõe, para a moderna ficção brasileira, enquadramentos como estes:

    I. romances de tensão mínima: as personagens não se destacam visceralmente da estrutura social e da paisagem que as condicionam. Exemplos, as histórias populistas de Jorge Amado.

    II. romances de tensão crítica: o herói opõe-se e resiste agonicamente às pressões da natureza e da exploração social. Exemplos, os romances de Graciliano Ramos.

    III. romances de tensão transfigurada: o herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafísica da realidade: Exemplos, Guimarães Rosa e Clarice Lispector.

                             (Apud História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1970) 

    Ao lado de Jorge Amado, outros escritores incumbiram-se de retratar aspectos marcantes da historia e da cultura da região em que nasceram. Entre eles, destaca-se o nome de José Lins do Rego,
    Escolha uma alternativa para a questão 817c537d-31
  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

          Com base numa ideia central de Lucien Goldmann, o crítico e historiador Alfredo Bosi propõe, para a moderna ficção brasileira, enquadramentos como estes:

    I. romances de tensão mínima: as personagens não se destacam visceralmente da estrutura social e da paisagem que as condicionam. Exemplos, as histórias populistas de Jorge Amado.

    II. romances de tensão crítica: o herói opõe-se e resiste agonicamente às pressões da natureza e da exploração social. Exemplos, os romances de Graciliano Ramos.

    III. romances de tensão transfigurada: o herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafísica da realidade: Exemplos, Guimarães Rosa e Clarice Lispector.

                             (Apud História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1970) 

    Na literatura de Graciliano Ramos, a luta contra as pressões da natureza e da exploração social ocorre de modo exemplar em

    I. Sagarana, em que a violência do meio e dos homens traz também consigo um voto de esperança na regeneração do espírito, tal como ocorre com os protagonistas.

    II. Caetés, romance em que o autor, retomando a dicção do indianismo romântico, dispõe-se a narrar a saga de uma tribo oprimida.

    III. Vidas secas, romance “em quadros”, como já foi classificado, no qual se relata o esforço de sobrevivência de Fabiano e de sua família.

    Atende ao enunciado o que está APENAS em

    Escolha uma alternativa para a questão 817f1d8d-31
  • Linguagens

    Literatura

    Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

          Com base numa ideia central de Lucien Goldmann, o crítico e historiador Alfredo Bosi propõe, para a moderna ficção brasileira, enquadramentos como estes:

    I. romances de tensão mínima: as personagens não se destacam visceralmente da estrutura social e da paisagem que as condicionam. Exemplos, as histórias populistas de Jorge Amado.

    II. romances de tensão crítica: o herói opõe-se e resiste agonicamente às pressões da natureza e da exploração social. Exemplos, os romances de Graciliano Ramos.

    III. romances de tensão transfigurada: o herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafísica da realidade: Exemplos, Guimarães Rosa e Clarice Lispector.

                             (Apud História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1970) 

    Comparando-se a linguagem, o meio social retratado e os temas frequentados, poucos pontos comuns há entre Clarice Lispector e Guimarães Rosa, entre eles
    Escolha uma alternativa para a questão 818225d2-31
  • Linguagens

    Inglês

    Read the text and choose the best alternative for the underlined word.


                           Pictures of Ascent in the Fiction of Edgar Allan Poe.

                                                                                                        By Douglas Anderson.

                                                 New York: Palgrave Macmillan. 2009. xi, 201 pp. $ 80.00.


    The material world and the ability to transcend it are at the heart of this study of Edgar Allan Poe’s writings. In chapters such as “Problems of Disposal” and “The Gravity of Things,” Anderson contrasts the “weight of living” present in Poe’s life and work with, in Italo Calvino’s words, the “lightness of thoughtfulness.” This book provides a taxonomy of Poe’s literary imagination through suggestive literary analyses of the fictive environments that inhabit and undergird his stories, and it expands the purview of Poe studies as well as of nineteenth-century American literature.

    Available in: <http://americanliterature.dukejournals.org/content/82/3/663.full.pdf> . Access on: August 2015.


    Taxonomy means 

    Escolha uma alternativa para a questão 8871af54-31
  • Linguagens

    Inglês

     Read the text and choose the best alternative.


                                    Don’t Set Goals: Use Systems


    Have you already set your goals for the New Year? Do you want to lose 10 kilos, run a marathon or speak fluent English? Some experts believe that you need systems, not goals. A system is something you do on a regular basis. This means focusing on what you can control (your actions) rather than what you can’t (the unpredictable). For example, don’t focus on losing 10 kilos, focus on shopping for healthy food and cooking something light every day. Don’t focus on the marathon; focus on the training schedule. Invent a system to improve your English, one step at a time. Good luck!

    Disponível em: . Acesso em: junho de 2015.


    According to the text we can state that:


    I. In order to achieve something you should focus on your actions.

    II. In order to achieve something you should eat healthy food every day.

    III. In order to achieve something you should set your systems for the New Year.

    IV. In order to achieve something you should take one step at a time.  

    Escolha uma alternativa para a questão 88744da7-31
  • Linguagens

    Português

    Protestos a Arminda

        Conheço muitas pastoras
    Que beleza e graça têm,
    Mas é uma só que eu amo
    Só Arminda e mais ninguém.

        Revolvam meu coração
    Procurem meu peito bem,
    Verão estar dentro dele
    Só Arminda e mais ninguém.

        De tantas, quantas belezas
    Os meus ternos olhos veem,
    Nenhuma outra me agrada
    Só Arminda e mais ninguém.

        Estes suspiros que eu solto
    Vão buscar meu doce bem,
    É causa dos meus suspiros
    Só Arminda e mais ninguém.

    Os segredos de meu peito
    Guardá-los nele convém,
    Guardá-los aonde os veja
    Só Arminda e mais ninguém.

        Não cuidem que a mim me importa
    Parecer às outras bem,
    Basta que de mim se agrade
    Só Arminda e mais ninguém.

        Não me alegra, ou me desgosta
    Doutra o mimo, ou o desdém,
    Satisfaz-me e me contenta
    Só Arminda e mais ninguém.

        Cantem os outros pastores
    Outras pastoras também,
    Que eu canto e cantarei sempre
    Só Arminda e mais ninguém.

    (Viola de Lereno, 1980.)
    Além de outras características, a presença de dois vocábulos contribui para identificar o aspecto neoclássico desta modinha, a saber:
    Escolha uma alternativa para a questão 44b77b4d-3c
  • Linguagens

    Português

    Protestos a Arminda

        Conheço muitas pastoras
    Que beleza e graça têm,
    Mas é uma só que eu amo
    Só Arminda e mais ninguém.

        Revolvam meu coração
    Procurem meu peito bem,
    Verão estar dentro dele
    Só Arminda e mais ninguém.

        De tantas, quantas belezas
    Os meus ternos olhos veem,
    Nenhuma outra me agrada
    Só Arminda e mais ninguém.

        Estes suspiros que eu solto
    Vão buscar meu doce bem,
    É causa dos meus suspiros
    Só Arminda e mais ninguém.

    Os segredos de meu peito
    Guardá-los nele convém,
    Guardá-los aonde os veja
    Só Arminda e mais ninguém.

        Não cuidem que a mim me importa
    Parecer às outras bem,
    Basta que de mim se agrade
    Só Arminda e mais ninguém.

        Não me alegra, ou me desgosta
    Doutra o mimo, ou o desdém,
    Satisfaz-me e me contenta
    Só Arminda e mais ninguém.

        Cantem os outros pastores
    Outras pastoras também,
    Que eu canto e cantarei sempre
    Só Arminda e mais ninguém.

    (Viola de Lereno, 1980.)
    Assinale a alternativa que indica duas estrofes em que o termo “Arminda” surge como paciente da ação expressa pelo verbo da oração de que faz parte.
    Escolha uma alternativa para a questão 44bdb8f5-3c
  • Linguagens

    Português

    Para chegar ao soberbo resultado de transformar a banha em fibra, aí vem o futebol.
    Mas por que o futebol?
    Não seria, porventura, melhor exercitar-se a mocidade em jogos nacionais, sem mescla de estrangeirismo, o murro, o cacete, a faca de ponta, por exemplo?
    Não é que me repugne a introdução de coisas exóticas entre nós. Mas gosto de indagar se elas serão assimiláveis ou não.
    No caso afirmativo, seja muito bem-vinda a instituição alheia, fecundemo-la, arranjemos nela um filho híbrido que possa viver cá em casa. De outro modo, resignemo-nos às broncas tradições dos sertanejos e dos matutos. Ora, parece- -me que o futebol não se adapta a estas boas paragens do cangaço. É roupa de empréstimo, que não nos serve.
    Para que um costume intruso possa estabelecer-se definitivamente em um país é necessário, não só que se harmonize com a índole do povo que o vai receber, mas que o lugar a ocupar não esteja tomado por outro mais antigo, de cunho indígena. É preciso, pois, que vá preencher uma lacuna, como diz o chavão.
    O do futebol não preenche coisa nenhuma, pois já temos a muito conhecida bola de palha de milho, que nossos amadores mambembes1 jogam com uma perícia que deixaria o mais experimentado sportman britânico de queixo caído.
    Os campeões brasileiros não teriam feito a figura triste que fizeram em Antuérpia se a bola figurasse nos programas das Olimpíadas e estivessem a disputá-la quatro sujeitos de pulso. Apenas um representante nosso conseguiu ali distinguir-se, no tiro de revólver, o que é pouco lisonjeiro para a vaidade de um país em que se fala tanto. Aqui seria muito mais fácil o indivíduo salientar-se no tiro de espingarda umbiguda, emboscado atrás de um pau.
    Temos esportes em quantidade. Para que metermos o bedelho em coisas estrangeiras?
    O futebol não pega, tenham a certeza. Não vale o argumento de que ele tem ganho terreno nas capitais de importância. Não confundamos.
    As grandes cidades estão no litoral; isto aqui é diferente, é sertão.
    As cidades regurgitam de gente de outras raças ou que pretende ser de outras raças; nós somos mais ou menos botocudos, com laivos de sangue cabinda e galego.
    Nas cidades os viciados elegantes absorvem o ópio, a cocaína, a morfina; por aqui há pessoas que ainda fumam liamba².
    1 mambembe: medíocre, reles, de baixa condição.
    2 liamba: cânhamo, maconha.
    (Linhas tortas, 1971.)
    No contexto da crônica, “transformar a banha em fibra” significa converter
    Escolha uma alternativa para a questão 44c955eb-3c
  • Linguagens

    Português

    Para chegar ao soberbo resultado de transformar a banha em fibra, aí vem o futebol.
    Mas por que o futebol?
    Não seria, porventura, melhor exercitar-se a mocidade em jogos nacionais, sem mescla de estrangeirismo, o murro, o cacete, a faca de ponta, por exemplo?
    Não é que me repugne a introdução de coisas exóticas entre nós. Mas gosto de indagar se elas serão assimiláveis ou não.
    No caso afirmativo, seja muito bem-vinda a instituição alheia, fecundemo-la, arranjemos nela um filho híbrido que possa viver cá em casa. De outro modo, resignemo-nos às broncas tradições dos sertanejos e dos matutos. Ora, parece- -me que o futebol não se adapta a estas boas paragens do cangaço. É roupa de empréstimo, que não nos serve.
    Para que um costume intruso possa estabelecer-se definitivamente em um país é necessário, não só que se harmonize com a índole do povo que o vai receber, mas que o lugar a ocupar não esteja tomado por outro mais antigo, de cunho indígena. É preciso, pois, que vá preencher uma lacuna, como diz o chavão.
    O do futebol não preenche coisa nenhuma, pois já temos a muito conhecida bola de palha de milho, que nossos amadores mambembes1 jogam com uma perícia que deixaria o mais experimentado sportman britânico de queixo caído.
    Os campeões brasileiros não teriam feito a figura triste que fizeram em Antuérpia se a bola figurasse nos programas das Olimpíadas e estivessem a disputá-la quatro sujeitos de pulso. Apenas um representante nosso conseguiu ali distinguir-se, no tiro de revólver, o que é pouco lisonjeiro para a vaidade de um país em que se fala tanto. Aqui seria muito mais fácil o indivíduo salientar-se no tiro de espingarda umbiguda, emboscado atrás de um pau.
    Temos esportes em quantidade. Para que metermos o bedelho em coisas estrangeiras?
    O futebol não pega, tenham a certeza. Não vale o argumento de que ele tem ganho terreno nas capitais de importância. Não confundamos.
    As grandes cidades estão no litoral; isto aqui é diferente, é sertão.
    As cidades regurgitam de gente de outras raças ou que pretende ser de outras raças; nós somos mais ou menos botocudos, com laivos de sangue cabinda e galego.
    Nas cidades os viciados elegantes absorvem o ópio, a cocaína, a morfina; por aqui há pessoas que ainda fumam liamba².
    1 mambembe: medíocre, reles, de baixa condição.
    2 liamba: cânhamo, maconha.
    (Linhas tortas, 1971.)
    Na oração “O do futebol não preenche coisa nenhuma” (7o parágrafo) é omitida, por elipse, uma palavra empregada anteriormente:
    Escolha uma alternativa para a questão 44d1b291-3c
  • Linguagens

    Português

    Ao Príncipe
    Pela estrada da vida subi morros,
    Desci ladeiras e, afinal, te digo
    Que, se entre amigos encontrei cachorros,
    Entre os cachorros encontrei-te, amigo!

    Para insultar alguém hoje recorro
    A novos nomes feios, porque vi
    Que elogio a quem chame de cachorro,
    Depois que este cachorro conheci.

    (Fernando Góes (org.). Panorama da poesia brasileira, vol. 5, 1960.)
    Imagem da questão de Português, UNESP 2015, Interpretação de Textos
    No poema de Belmiro Braga, a diferença expressiva mais relevante entre as duas ocorrências da palavra “cachorros” consiste no fato de que:
    Escolha uma alternativa para a questão 44d4e265-3c
  • Linguagens

    Português

    Ao Príncipe
    Pela estrada da vida subi morros,
    Desci ladeiras e, afinal, te digo
    Que, se entre amigos encontrei cachorros,
    Entre os cachorros encontrei-te, amigo!

    Para insultar alguém hoje recorro
    A novos nomes feios, porque vi
    Que elogio a quem chame de cachorro,
    Depois que este cachorro conheci.

    (Fernando Góes (org.). Panorama da poesia brasileira, vol. 5, 1960.)
    Imagem da questão de Português, UNESP 2015, Interpretação de Textos
    Indique a situação existencial de mendigos e cachorros de rua, implícita na tira, que leva a personagem a equipará-los.
    Escolha uma alternativa para a questão 44d7aeca-3c