Literatura
- Escolas Literárias
- Prova de 2018
- IFN-MG
- Dificuldade: Muito difícil
- Código da questão: 72DCB2AA-B5
Questões filtradas
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Leia os TEXTOS 01 e 02, "O grito" e "Gueto‖, da obra Textos Urbanos, de Toni Vargas, e responda ao que se pede.
TEXTO 01
O Grito
Uma voz se levanta do silêncio e quebra a hipnose coletiva
Na verdade é um grito de basta de ódio
Ele nasceu fraco nos quilombos
Foi gerado nas senzalas em ventres humilhados
Tentaram abortá-lo, secá-lo na garganta
Mas o grito se impôs à morte e, devagar, foi tateando a vida
Ele cresceu franzino nos cortiços, correu nas palafitas, nas favelas
E encontrou eco nas bocas vazias, sem dentes
Embriagou-se nos prostíbulos, viciou-se nas prisões
E conheceu o medo nas salas de tortura
Arriscou-se em plena rua, em passeatas,
E corajoso soou mais alto que os tiros
Invadiu palácios, subiu em palanques e falou versos de mangue ao mais seleto público
Entrou nas casas, acordou pessoas e, pela mão, levou-as aos comícios
Fortificou-se nos hospícios bebendo a valentia dos dementes
E aí ganhou o espaço e, como um braço, desceu sobre os ouvidos
Agora ninguém mais desconhece o grito
Só aqueles que por polidez não gritam
E quando a dor é grande, quando a fome atrofia todos os sentidos
O povo todo dá as mãos na rua aos gritos
E os donos do povo se assustam e fazem leis para proibir o grito
E ensinam as crianças bem pequenas
Mas como eu, existem outros adeptos do grito
Ensinando o contrário às criancinhas
Que gritam juntas e felizes nas pracinhas
Reivindicando espaço e pirulitos
TEXTO 02
Gueto
O Brasil é um imenso gueto
O Brasil é um gueto continental
No Brasil, Portugais e Áfricas
E o mundo inteiro toca berimbau
O Brasil é um moleque de rua,
Maluco de cola, que embola geral
Ameaça de caco de vidro do subnutrido
Fera de sinal
É o não do seu dedo medroso
O desprezo asqueroso, o finge que não vê
O alívio do sinal abrindo, o medo vai fugindo
Mas sobra você
Muito pouco, enfim, quase nada
Virando piada, tão fora do tom
Esbarrando na idiotice, correndo na rua atrás de Pokémon
Caçador de nada, cidadão de merda
O Brasil é sede, o Brasil que pede nos sinais do mundo
Prometendo praia, prometendo carnaval...
O Brasil é um grande gueto
O Brasil é um gueto CONTINENTAL.
Marque a opção INADEQUADA, em relação à poética de Toni Vargas, em Textos Urbanos.
TEXTO 01

TEXTO 01

TEXTO 01

TEXTO 01

TEXTO 01

TEXTO 01

Leia o TEXTO 02 para responder à questão:

(Disponível em:.m:<http://www.incredibleteam.com/incredible-marketing-news/social-media-does-advertising-pay/> Acesso em: 10/09/2018)
Leia o TEXTO 03 para responder à questão:

Leia o TEXTO 03 para responder à questão:

Leia o TEXTO 03 para responder à questão:

Leia o seguinte soneto.
RECORDO AINDA...
Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...
QUINTANA, Mário. Nariz de vidro. São Paulo: Moderna, 2003, p. 42.
Marque a alternativa que identifica CORRETAMENTE o eu lírico do soneto.
Leia atentamente o fragmento I-Juca-Pirama.
Em fundos vasos d'alvacenta argila
Ferve o cauim;
Enche-se as copas, o prazer começa,
Reina o festim.
O prisioneiro, cuja morte anseia,
Sentado está,
O prisioneiro, que outro sol no ocaso
Jamais verá!
A dura corda, que lhe enlaça o colo,
Mostra-lhe o fim
Da vida escura, que será mais breve
Do que o festim!
Contudo os olhos d'ignóbil pranto
Secos estão;
Mudos os lábios não descerram queixas
Do coração.
Mais um martírio, que encobrir não pode
Em rugas faz
A mentirosa placidez do rosto
Na fronte audaz!
Que tens, guerreiro? Que temor te assalta
No passo horrendo?
Honra das tabas que nascer te viram,
Folga morrendo.
Folga morrendo; porque além dos Andes
Revive o forte,
Que soube ufano contrastar os medos
Da fria morte.
GONÇALVES, Dias. Poesia e Prosa Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998, p. 380-381.
Considerando o poema como um todo e seu conhecimento sobre o Romantismo brasileiro, assinale a
alternativa CORRETA.
Leia atentamente o poema que se segue.
BUSCANDO A CRISTO
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.
A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me.
A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.
MATOS, Gregório de. In: WISNIK, José Miguel (org.). Gregório de Matos: poemas escolhidos. São Paulo: Círculo do Livro/Cultrix, s.d., p. 282.
Marque a alternativa CORRETA que melhor expressa o desejo do eu lírico no último terceto.