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Questões do ENEM: Linguagens

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Resultados: 18.995 questões

Página 784 de 950

  • Linguagens

    Português

    “A América está ameaçada não só pelo autoritarismo, mas pelo fascismo que opera como um culto explicitamente antidemocrático, centrado em torno de uma liderança que promete restauração nacional ante uma humilhação supostamente causada por minorias, liberais e marxistas. Como o fascismo glorifica a violência e a militarização da política, devemos ficar alertas ao fato de Trump ter se recusado a assumir compromisso com uma transferência pacífica do poder. (...)
    Ao normalizar discurso e ideologia antidemocráticos, Trump está cada vez mais normalizando também um governo autoritário. A estratégia de Trump de enfraquecer as regras democráticas e a legitimidade da eleição está cada vez mais, e de modo assombroso, lembrando a destruição das democracias latino-americanas nas décadas de 60 e 70, quando ditadores criaram um clima em que atos anteriormente considerados ilegais, de uma hora para outra, se tornaram o novo padrão.”

    (Jason Stanley, Federico Finchelstein e Pablo Piccato, “O fascismo vai ganhar a eleição nos EUA?”. Project Sindicate. Disponível em https://www.project-syndicate.org/commentary/trumpian-threat-of-fasci st-authoritarianism-after-election-by-federico-finchelstein-et-al-2020-10 /portuguese. Acessado em 09/11/2020.)

    A partir do texto, é correto afirmar que os autores
    Escolha uma alternativa para a questão 4cabc3b2-8c
  • Linguagens

    Português

    “Segundo Michiko Kakutani, em seu livro A morte da verdade, a direita populista contemporânea se apropriou dos argumentos pós-modernistas e seu repúdio filosófico da objetividade. A rejeição dos ideais do Esclarecimento pela Nova Esquerda, como razão e progresso, passou, ironicamente, a ser compartilhada pelas novas expressões populistas. Negacionistas de todas as estirpes – revisionistas do Holocausto, do golpe civil-militar de 1964 no Brasil, por exemplo – exploram o argumento de que não existem verdades e que todas aquelas que são proferidas carregam uma parcialidade e/ou são arbitrárias.”

    (Rodrigo Caldeira, “A pandemia do anti-intelectualismo”. Estado da Arte. 25/03/2020. Disponível em https://estadodaarte.estadao.com.br/ a-pandemia-do-anti-intelectualismo/. Acessado em 11/10/2020.)

    Assinale a alternativa correta a partir da leitura do fragmento.
    Escolha uma alternativa para a questão 4cb1c661-8c
  • Linguagens

    Português

    NÃO SE COME DINHEIRO
    Ailton Krenak

         Quando falo de humanidade não estou falando só Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos a baleia, tiramos barbatanas de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que nós achamos que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade - que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições -, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são as sub-humanidades. Não são só os caiçaras, quilombolas e os povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo o que não interessa; o que sobra, a sub-humanidade - alguns de nós fazemos parte dela.
         É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra (...) dizer: "Respirem agora, eu quero ver.” [...] Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar poralguns minutos, nós morremos. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.
         E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do banco central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, qual economia deles. Ninguém come dinheiro.
         Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciãos do povo lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Um Manee, também conhecido como Vernon Foster.
    (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: "quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da Terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

    KRENAK, Ailton. Não se come dinheiro. In: Avida não é útil.
    SP: Companhia das Letras, 2020. Adaptado.
    O título do texto I, "Não se come dinheiro”, sintetiza a seguinte discussão presente no texto:
    Escolha uma alternativa para a questão 625eff02-8e
  • Linguagens

    Português

    NÃO SE COME DINHEIRO
    Ailton Krenak

         Quando falo de humanidade não estou falando só Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos a baleia, tiramos barbatanas de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que nós achamos que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade - que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições -, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são as sub-humanidades. Não são só os caiçaras, quilombolas e os povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo o que não interessa; o que sobra, a sub-humanidade - alguns de nós fazemos parte dela.
         É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra (...) dizer: "Respirem agora, eu quero ver.” [...] Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar poralguns minutos, nós morremos. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.
         E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do banco central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, qual economia deles. Ninguém come dinheiro.
         Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciãos do povo lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Um Manee, também conhecido como Vernon Foster.
    (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: "quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da Terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

    KRENAK, Ailton. Não se come dinheiro. In: Avida não é útil.
    SP: Companhia das Letras, 2020. Adaptado.
    "Quando falo de humanidade não estou falando só Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos baleia, tiramos barbatanas de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele.”

    As expressões introduzidas pelos dois-pontos estabelecem com o trecho anterior uma relação de:
    Escolha uma alternativa para a questão 6264c494-8e
  • Linguagens

    Português

    NÃO SE COME DINHEIRO
    Ailton Krenak

         Quando falo de humanidade não estou falando só Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos a baleia, tiramos barbatanas de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que nós achamos que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade - que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições -, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são as sub-humanidades. Não são só os caiçaras, quilombolas e os povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo o que não interessa; o que sobra, a sub-humanidade - alguns de nós fazemos parte dela.
         É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra (...) dizer: "Respirem agora, eu quero ver.” [...] Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar poralguns minutos, nós morremos. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.
         E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do banco central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, qual economia deles. Ninguém come dinheiro.
         Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciãos do povo lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Um Manee, também conhecido como Vernon Foster.
    (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: "quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da Terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

    KRENAK, Ailton. Não se come dinheiro. In: Avida não é útil.
    SP: Companhia das Letras, 2020. Adaptado.
    "Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade...”

    O uso do vocábulo aliás marca entre as partes da frase uma relação de:
    Escolha uma alternativa para a questão 626762c3-8e
  • Linguagens

    Português

    NÃO SE COME DINHEIRO
    Ailton Krenak

         Quando falo de humanidade não estou falando só Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos a baleia, tiramos barbatanas de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que nós achamos que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade - que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições -, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são as sub-humanidades. Não são só os caiçaras, quilombolas e os povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo o que não interessa; o que sobra, a sub-humanidade - alguns de nós fazemos parte dela.
         É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra (...) dizer: "Respirem agora, eu quero ver.” [...] Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar poralguns minutos, nós morremos. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.
         E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do banco central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, qual economia deles. Ninguém come dinheiro.
         Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciãos do povo lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Um Manee, também conhecido como Vernon Foster.
    (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: "quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da Terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

    KRENAK, Ailton. Não se come dinheiro. In: Avida não é útil.
    SP: Companhia das Letras, 2020. Adaptado.
    No trecho "Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra (...) dizer: "Respirem agora, eu quero ver”, a fala atribuída à Terra revela que:
    Escolha uma alternativa para a questão 626a01cd-8e
  • Linguagens

    Português

    NÃO SE COME DINHEIRO
    Ailton Krenak

         Quando falo de humanidade não estou falando só Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos a baleia, tiramos barbatanas de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que nós achamos que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade - que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições -, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são as sub-humanidades. Não são só os caiçaras, quilombolas e os povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo o que não interessa; o que sobra, a sub-humanidade - alguns de nós fazemos parte dela.
         É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra (...) dizer: "Respirem agora, eu quero ver.” [...] Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar poralguns minutos, nós morremos. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.
         E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do banco central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, qual economia deles. Ninguém come dinheiro.
         Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciãos do povo lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Um Manee, também conhecido como Vernon Foster.
    (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: "quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da Terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

    KRENAK, Ailton. Não se come dinheiro. In: Avida não é útil.
    SP: Companhia das Letras, 2020. Adaptado.
    O texto I apresenta uma estrutura predominantemente:
    Escolha uma alternativa para a questão 626ca0ab-8e
  • Linguagens

    Português

    Texto II

    A história da literatura brasileira é em grande parte a história de uma imposição cultural que foi aos poucos gerando expressão literária diferente, embora em correlação estreita com os centros civilizadores da Europa. Esta imposição atuou também no sentido mais forte da palavra, isto é, como instrumento colonizador, destinado a impor e manter a ordem política e social estabelecida pela Metrópole, através inclusive das classes dominantes locais.

    CANDIDO, Antonio. Iniciação à Literatura Brasileira. Rio de
    Janeiro: Outro sobre Azul, 2015.

    Um fator considerado relevante na opinião de Antonio Candido acerca do processo de formação literária do Brasil é:
    Escolha uma alternativa para a questão 627008ac-8e
  • Linguagens

    Português

    NÃO SE COME DINHEIRO
    Ailton Krenak

         Quando falo de humanidade não estou falando só Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos a baleia, tiramos barbatanas de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que nós achamos que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade - que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições -, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são as sub-humanidades. Não são só os caiçaras, quilombolas e os povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo o que não interessa; o que sobra, a sub-humanidade - alguns de nós fazemos parte dela.
         É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra (...) dizer: "Respirem agora, eu quero ver.” [...] Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar poralguns minutos, nós morremos. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.
         E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do banco central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, qual economia deles. Ninguém come dinheiro.
         Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciãos do povo lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Um Manee, também conhecido como Vernon Foster.
    (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: "quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da Terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

    KRENAK, Ailton. Não se come dinheiro. In: Avida não é útil.
    SP: Companhia das Letras, 2020. Adaptado.

    Texto II

    A história da literatura brasileira é em grande parte a história de uma imposição cultural que foi aos poucos gerando expressão literária diferente, embora em correlação estreita com os centros civilizadores da Europa. Esta imposição atuou também no sentido mais forte da palavra, isto é, como instrumento colonizador, destinado a impor e manter a ordem política e social estabelecida pela Metrópole, através inclusive das classes dominantes locais.

    CANDIDO, Antonio. Iniciação à Literatura Brasileira. Rio de
    Janeiro: Outro sobre Azul, 2015.

    A relação entre os textos I e II pode ser evidenciada no seguinte trecho:

    Escolha uma alternativa para a questão 62729b79-8e
  • Linguagens

    Literatura

    Texto III

    A pátria que quisera ter era um mito; era um fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete. Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a política que julgava existir, havia. A que existia de fato, era a do Tenente Antonino, a do doutor Campos, a do homem do Itamarati.

    Disponível em: https:// docente.ifn.edu.br/franciscoarruda/
    disciplinas/admam3am/triste-fim-de-policarpo-quaresma/view.
    Acesso 15/11/2020.

    No trecho da obra "Triste Fim de Policarpo Quaresma”, a reflexão acerca da noção de pátria propõe uma:
    Escolha uma alternativa para a questão 6275295f-8e
  • Linguagens

    Inglês

    What about the artists?

    The Guardian - Wed 14 Oct 2020


    The government is deaf to the plight of freelance musicians and othercreatives


          On Monday, a number of British arts organisations finally heard whether they had received grants from the £1.57bn bailout fund announced in July by the chancellor, Rishi Sunak. Not a moment too soon, institutions such as Wigmore Hall in London, Bristol Old Vic and the City of Birmingham Symphony Orchestra have been given a cash bufferthatshould keep them alive until March.

         The welcome announcement has been marred, though, by the failure of the government to address the question of freelancers and self-employed people in the arts. In an interview with ITV last week, Mr. Sunak was asked what he thought professional musicians ought to do, given that they can’t earn enough to live. He answered that up to 3 million people in the country qualified for help under the self-employed support scheme. Pressed on whether musicians oughttofind differentwork, he mentioned retraining schemes that are "providing new and fresh opportunity”. People must adapt, he said. He added that it was untrue that there was no work for musicians. Music lessons, in his own household at least, were still going on.

         The interviewer’s question was specifically about musicians - a third of whom have been ineligible for the selfemployed support scheme. So even if, as he later asserted, Mr Sunak was talking about the workforce as a whole rather than cultural workers in particular when he spoke of the need to retrain, he certainly gave a strong impression of indifference to and ignorance of musicians’ plight. This was reinforced on Monday when a government-backed advertisement went viral, launching hundreds of derisive parodies. Aiming to recruit workers into cybersecurity roles, it showed a dancer doing up her ballet shoes. It read: "Fatima’s next job could be in cyber (she just doesn’t know it yet)”. 
         The culture secretary, Oliver Dowden, was forced to condemn the advertisement as "crass” as his day of good news descended into farce and contumely. The government seems unable to grasp that putting money into the arts infrastructure is only part of the solution; creatives themselves need to be helped to survive economically too. Though some institutions are putting work on stage - and will be helped to do so in the months to come by the rescue package - these events will necessarily be small-scale, representing a drop in the ocean compared with the industry working at full tilt.
         New digital business models are being explored, but they are in their infancy and are not going to pay next month’s rent. Moreover, performance dates in the diary - that is, employment opportunities for freelancers - amount to perilous bets against the future course of the virus. As infections soar, organisations are bound, quite rightly, to be cautious, particularly in the face of the catastrophic failure of the government’s test-and-trace scheme.
         Meanwhile, musicians and others are certainly "adapting” - often to unskilled, low-paid work, though there is not much of that to go around. The government’s continued implication that musicians and other creative workers - many of whom have trained since childhood for some of the most demanding, competitive and highly skilled work in the economy - are somehow not "viable” is both insulting and ignorant. Underlying Mr Sunak’s remarks was the tired old Tory notion that creative jobs are not "real jobs”, and are undertaken by some fantastical species who are not, in fact, real people. Perhaps the chancellor should ask his family’s music teacher what it’s really like for artists right now - and actually listen to the answer.

    Source: The Guardian, available at https://www.theguardian. com/commentisfree/2020/oct/14/the-guardian-view-on-saving-thearts-what-about-the-artists, accessed on October21st, 2020.

    The opinion editorial above advances the following position:
    Escolha uma alternativa para a questão 62fe86b3-8e
  • Linguagens

    Inglês

    What about the artists?

    The Guardian - Wed 14 Oct 2020


    The government is deaf to the plight of freelance musicians and othercreatives


          On Monday, a number of British arts organisations finally heard whether they had received grants from the £1.57bn bailout fund announced in July by the chancellor, Rishi Sunak. Not a moment too soon, institutions such as Wigmore Hall in London, Bristol Old Vic and the City of Birmingham Symphony Orchestra have been given a cash bufferthatshould keep them alive until March.

         The welcome announcement has been marred, though, by the failure of the government to address the question of freelancers and self-employed people in the arts. In an interview with ITV last week, Mr. Sunak was asked what he thought professional musicians ought to do, given that they can’t earn enough to live. He answered that up to 3 million people in the country qualified for help under the self-employed support scheme. Pressed on whether musicians oughttofind differentwork, he mentioned retraining schemes that are "providing new and fresh opportunity”. People must adapt, he said. He added that it was untrue that there was no work for musicians. Music lessons, in his own household at least, were still going on.

         The interviewer’s question was specifically about musicians - a third of whom have been ineligible for the selfemployed support scheme. So even if, as he later asserted, Mr Sunak was talking about the workforce as a whole rather than cultural workers in particular when he spoke of the need to retrain, he certainly gave a strong impression of indifference to and ignorance of musicians’ plight. This was reinforced on Monday when a government-backed advertisement went viral, launching hundreds of derisive parodies. Aiming to recruit workers into cybersecurity roles, it showed a dancer doing up her ballet shoes. It read: "Fatima’s next job could be in cyber (she just doesn’t know it yet)”. 
         The culture secretary, Oliver Dowden, was forced to condemn the advertisement as "crass” as his day of good news descended into farce and contumely. The government seems unable to grasp that putting money into the arts infrastructure is only part of the solution; creatives themselves need to be helped to survive economically too. Though some institutions are putting work on stage - and will be helped to do so in the months to come by the rescue package - these events will necessarily be small-scale, representing a drop in the ocean compared with the industry working at full tilt.
         New digital business models are being explored, but they are in their infancy and are not going to pay next month’s rent. Moreover, performance dates in the diary - that is, employment opportunities for freelancers - amount to perilous bets against the future course of the virus. As infections soar, organisations are bound, quite rightly, to be cautious, particularly in the face of the catastrophic failure of the government’s test-and-trace scheme.
         Meanwhile, musicians and others are certainly "adapting” - often to unskilled, low-paid work, though there is not much of that to go around. The government’s continued implication that musicians and other creative workers - many of whom have trained since childhood for some of the most demanding, competitive and highly skilled work in the economy - are somehow not "viable” is both insulting and ignorant. Underlying Mr Sunak’s remarks was the tired old Tory notion that creative jobs are not "real jobs”, and are undertaken by some fantastical species who are not, in fact, real people. Perhaps the chancellor should ask his family’s music teacher what it’s really like for artists right now - and actually listen to the answer.

    Source: The Guardian, available at https://www.theguardian. com/commentisfree/2020/oct/14/the-guardian-view-on-saving-thearts-what-about-the-artists, accessed on October21st, 2020.

    The "3 million people in the country qualified for help under the self-employed support scheme” (2nd paragraph) includes the following group of people:
    Escolha uma alternativa para a questão 63019382-8e
  • Linguagens

    Inglês

    What about the artists?

    The Guardian - Wed 14 Oct 2020


    The government is deaf to the plight of freelance musicians and othercreatives


          On Monday, a number of British arts organisations finally heard whether they had received grants from the £1.57bn bailout fund announced in July by the chancellor, Rishi Sunak. Not a moment too soon, institutions such as Wigmore Hall in London, Bristol Old Vic and the City of Birmingham Symphony Orchestra have been given a cash bufferthatshould keep them alive until March.

         The welcome announcement has been marred, though, by the failure of the government to address the question of freelancers and self-employed people in the arts. In an interview with ITV last week, Mr. Sunak was asked what he thought professional musicians ought to do, given that they can’t earn enough to live. He answered that up to 3 million people in the country qualified for help under the self-employed support scheme. Pressed on whether musicians oughttofind differentwork, he mentioned retraining schemes that are "providing new and fresh opportunity”. People must adapt, he said. He added that it was untrue that there was no work for musicians. Music lessons, in his own household at least, were still going on.

         The interviewer’s question was specifically about musicians - a third of whom have been ineligible for the selfemployed support scheme. So even if, as he later asserted, Mr Sunak was talking about the workforce as a whole rather than cultural workers in particular when he spoke of the need to retrain, he certainly gave a strong impression of indifference to and ignorance of musicians’ plight. This was reinforced on Monday when a government-backed advertisement went viral, launching hundreds of derisive parodies. Aiming to recruit workers into cybersecurity roles, it showed a dancer doing up her ballet shoes. It read: "Fatima’s next job could be in cyber (she just doesn’t know it yet)”. 
         The culture secretary, Oliver Dowden, was forced to condemn the advertisement as "crass” as his day of good news descended into farce and contumely. The government seems unable to grasp that putting money into the arts infrastructure is only part of the solution; creatives themselves need to be helped to survive economically too. Though some institutions are putting work on stage - and will be helped to do so in the months to come by the rescue package - these events will necessarily be small-scale, representing a drop in the ocean compared with the industry working at full tilt.
         New digital business models are being explored, but they are in their infancy and are not going to pay next month’s rent. Moreover, performance dates in the diary - that is, employment opportunities for freelancers - amount to perilous bets against the future course of the virus. As infections soar, organisations are bound, quite rightly, to be cautious, particularly in the face of the catastrophic failure of the government’s test-and-trace scheme.
         Meanwhile, musicians and others are certainly "adapting” - often to unskilled, low-paid work, though there is not much of that to go around. The government’s continued implication that musicians and other creative workers - many of whom have trained since childhood for some of the most demanding, competitive and highly skilled work in the economy - are somehow not "viable” is both insulting and ignorant. Underlying Mr Sunak’s remarks was the tired old Tory notion that creative jobs are not "real jobs”, and are undertaken by some fantastical species who are not, in fact, real people. Perhaps the chancellor should ask his family’s music teacher what it’s really like for artists right now - and actually listen to the answer.

    Source: The Guardian, available at https://www.theguardian. com/commentisfree/2020/oct/14/the-guardian-view-on-saving-thearts-what-about-the-artists, accessed on October21st, 2020.

    The second and first paragraphs are linked by a notion of contrast, which is explicitly conveyed by the linking word "though” (2nd paragraph). The contrast refers to the difference in treatment between::
    Escolha uma alternativa para a questão 63043f53-8e
  • Linguagens

    Inglês

    What about the artists?

    The Guardian - Wed 14 Oct 2020


    The government is deaf to the plight of freelance musicians and othercreatives


          On Monday, a number of British arts organisations finally heard whether they had received grants from the £1.57bn bailout fund announced in July by the chancellor, Rishi Sunak. Not a moment too soon, institutions such as Wigmore Hall in London, Bristol Old Vic and the City of Birmingham Symphony Orchestra have been given a cash bufferthatshould keep them alive until March.

         The welcome announcement has been marred, though, by the failure of the government to address the question of freelancers and self-employed people in the arts. In an interview with ITV last week, Mr. Sunak was asked what he thought professional musicians ought to do, given that they can’t earn enough to live. He answered that up to 3 million people in the country qualified for help under the self-employed support scheme. Pressed on whether musicians oughttofind differentwork, he mentioned retraining schemes that are "providing new and fresh opportunity”. People must adapt, he said. He added that it was untrue that there was no work for musicians. Music lessons, in his own household at least, were still going on.

         The interviewer’s question was specifically about musicians - a third of whom have been ineligible for the selfemployed support scheme. So even if, as he later asserted, Mr Sunak was talking about the workforce as a whole rather than cultural workers in particular when he spoke of the need to retrain, he certainly gave a strong impression of indifference to and ignorance of musicians’ plight. This was reinforced on Monday when a government-backed advertisement went viral, launching hundreds of derisive parodies. Aiming to recruit workers into cybersecurity roles, it showed a dancer doing up her ballet shoes. It read: "Fatima’s next job could be in cyber (she just doesn’t know it yet)”. 
         The culture secretary, Oliver Dowden, was forced to condemn the advertisement as "crass” as his day of good news descended into farce and contumely. The government seems unable to grasp that putting money into the arts infrastructure is only part of the solution; creatives themselves need to be helped to survive economically too. Though some institutions are putting work on stage - and will be helped to do so in the months to come by the rescue package - these events will necessarily be small-scale, representing a drop in the ocean compared with the industry working at full tilt.
         New digital business models are being explored, but they are in their infancy and are not going to pay next month’s rent. Moreover, performance dates in the diary - that is, employment opportunities for freelancers - amount to perilous bets against the future course of the virus. As infections soar, organisations are bound, quite rightly, to be cautious, particularly in the face of the catastrophic failure of the government’s test-and-trace scheme.
         Meanwhile, musicians and others are certainly "adapting” - often to unskilled, low-paid work, though there is not much of that to go around. The government’s continued implication that musicians and other creative workers - many of whom have trained since childhood for some of the most demanding, competitive and highly skilled work in the economy - are somehow not "viable” is both insulting and ignorant. Underlying Mr Sunak’s remarks was the tired old Tory notion that creative jobs are not "real jobs”, and are undertaken by some fantastical species who are not, in fact, real people. Perhaps the chancellor should ask his family’s music teacher what it’s really like for artists right now - and actually listen to the answer.

    Source: The Guardian, available at https://www.theguardian. com/commentisfree/2020/oct/14/the-guardian-view-on-saving-thearts-what-about-the-artists, accessed on October21st, 2020.

    Considering the expression of happenings in the past, verbs vary following time precision or imprecision. The example extracted from the editorial that reflects unspecified time is:
    Escolha uma alternativa para a questão 6306fb07-8e
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de Alberto Caeiro para responder à questão.

    Não basta abrir a janela
    Para ver os campos e o rio.
    Não é bastante não ser cego
    Para ver as árvores e as flores.
    É preciso também não ter filosofia nenhuma.
    Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
    Há só cada um de nós, como uma cave1 .
    Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
    E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
    Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

    (Obra poética, 1992.)

    1cave: pavimento de uma construção que fica abaixo do nível do solo.
    De acordo com o poema,
    Escolha uma alternativa para a questão 6607d3f4-05
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de Alberto Caeiro para responder à questão.

    Não basta abrir a janela
    Para ver os campos e o rio.
    Não é bastante não ser cego
    Para ver as árvores e as flores.
    É preciso também não ter filosofia nenhuma.
    Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
    Há só cada um de nós, como uma cave1 .
    Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
    E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
    Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

    (Obra poética, 1992.)

    1cave: pavimento de uma construção que fica abaixo do nível do solo.
    No verso "Não basta abrir a janela", a oração sublinhada funciona como sujeito do verbo "basta". Um sujeito oracional ocorre também no verso:
    Escolha uma alternativa para a questão 660c35fe-05
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de Alberto Caeiro para responder à questão.

    Não basta abrir a janela
    Para ver os campos e o rio.
    Não é bastante não ser cego
    Para ver as árvores e as flores.
    É preciso também não ter filosofia nenhuma.
    Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
    Há só cada um de nós, como uma cave1 .
    Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
    E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
    Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

    (Obra poética, 1992.)

    1cave: pavimento de uma construção que fica abaixo do nível do solo.
    Considere os versos:

    "Não basta abrir a janela
    Para ver os campos e o rio."
    "E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse"

    No contexto, os termos sublinhados podem ser corretamente substituídos por:
    Escolha uma alternativa para a questão 660f606c-05
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto de Teresinha Costa para responder à questão.

         Em História social da criança e da família, Philippe Ariès faz um estudo na Europa, no período compreendido entre a Idade Média e o século XX, para demonstrar como a definição de criança se modificou no decorrer do tempo de acordo com parâmetros ideológicos. Pela análise de pinturas, diários, esculturas e vitrais produzidos na Europa no período anterior aos ideais da Revolução Francesa, Ariès forja a expressão "sentimento da infância" para designar "a consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto". Esse sentimento vai aparecer a partir apenas do século XVII.
    Na Idade Média, a criança era vista como um pequeno adulto, sem características que a diferenciassem, e desconsiderada como alguém merecedor de cuidados especiais. Isso não significava que as crianças fossem até então desprezadas ou negligenciadas, mas sim que não se tinha consciência de uma série de particularidades intelectuais, comportamentais e emocionais que passaram, então, a ser consideradas como inerentes ou até mesmo naturais às crianças. Ariès comenta, inclusive, que os pintores ocidentais reproduziam crianças vestidas como pequenos adultos, e que somente percebemos se tratar de uma criança devido ao seu tamanho reduzido. Nas sociedades agrárias, a infância era um período rapidamente superado e, tão logo a criança adquiria alguma independência, passava a participar da vida dos adultos e de seus trabalhos, jogos e festas.

    (Psicanálise com crianças, 2010.)
    De acordo com o texto, a pesquisa de Philippe Ariès
    Escolha uma alternativa para a questão 6612c01b-05
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto de Teresinha Costa para responder à questão.

         Em História social da criança e da família, Philippe Ariès faz um estudo na Europa, no período compreendido entre a Idade Média e o século XX, para demonstrar como a definição de criança se modificou no decorrer do tempo de acordo com parâmetros ideológicos. Pela análise de pinturas, diários, esculturas e vitrais produzidos na Europa no período anterior aos ideais da Revolução Francesa, Ariès forja a expressão "sentimento da infância" para designar "a consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto". Esse sentimento vai aparecer a partir apenas do século XVII.
    Na Idade Média, a criança era vista como um pequeno adulto, sem características que a diferenciassem, e desconsiderada como alguém merecedor de cuidados especiais. Isso não significava que as crianças fossem até então desprezadas ou negligenciadas, mas sim que não se tinha consciência de uma série de particularidades intelectuais, comportamentais e emocionais que passaram, então, a ser consideradas como inerentes ou até mesmo naturais às crianças. Ariès comenta, inclusive, que os pintores ocidentais reproduziam crianças vestidas como pequenos adultos, e que somente percebemos se tratar de uma criança devido ao seu tamanho reduzido. Nas sociedades agrárias, a infância era um período rapidamente superado e, tão logo a criança adquiria alguma independência, passava a participar da vida dos adultos e de seus trabalhos, jogos e festas.

    (Psicanálise com crianças, 2010.)
    "entre a Idade Média e o século XX" (1º parágrafo)
    "Ariès forja a expressão 'sentimento da infância'" (1º parágrafo)
    "sem características que a diferenciassem" (2º parágrafo)

    As três ocorrências do vocábulo "a" sublinhadas correspondem, respectivamente, a:
    Escolha uma alternativa para a questão 66168106-05