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Questões do ENEM: Linguagens

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Resultados: 18.995 questões

Página 540 de 950

  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, ENEM 2015, Interpretação de Textos

    O texto Essa pequena registra a expressão subjetiva do enunciador, trabalhada em uma linguagem informal, comum na música popular. Observa-se, como marca da variedade coloquial da linguagem presente no texto, o uso de
    Escolha uma alternativa para a questão 95c91e7e-7f
  • Linguagens

    Português

    Carta ao Tom 74

    Rua Nascimento Silva, cento e sete

    Você ensinando pra Elizete

    As canções de canção do amor demais

    Lembra que tempo feliz

    Ah, que saudade,

    Ipanema era só felicidade

    Era como se o amor doesse em paz

    Nossa famosa garota nem sabia

    A que ponto a cidade turvaria

    Esse Rio de amor que se perdeu

    Mesmo a tristeza da gente era mais bela

    E além disso se via da janela

    Um cantinho de céu e o Redentor

    É, meu amigo, só resta uma certeza,

    É preciso acabar com essa tristeza

    É preciso inventar de novo o amor


    MORAES, V.; TOQUINHO. Bossa Nova, sua história, sua gente. São Paulo: Universal; Philips,1975 (fragmento).

    O trecho da canção de Toquinho e Vinícius de Moraes apresenta marcas do gênero textual carta, possibilitando que o eu poético e o interlocutor


    Escolha uma alternativa para a questão 95cf2aca-7f
  • Linguagens

    Português

    14 coisas que você não deve jogar na privada

       Nem no ralo. Elas poluem rios, lagos e mares, o que contamina o ambiente e os animais. Também deixa mais difícil obter a água que nós mesmos usaremos. Alguns produtos podem causar entupimentos:

    • cotonete e fio dental;

    • medicamento e preservativo;

    • óleo de cozinha;

    • ponta de cigarro;

    • poeira de varrição de casa;

    • fio de cabelo e pelo de animais;

    • tinta que não seja à base de água;

    • querosene, gasolina, solvente, tíner.

       Jogue esses produtos no lixo comum. Alguns deles, como óleo de cozinha, medicamento e tinta, podem ser levados a pontos de coleta especiais, que darão a destinação final adequada.

    MORGADO, M.; EMASA. Manual de etiqueta. Planeta Sustentável, jul.-ago. 2013 (adaptado).

    O texto tem objetivo educativo. Nesse sentido, além do foco no interlocutor, que caracteriza a função conativa da linguagem, predomina também nele a função referencial, que busca


    Escolha uma alternativa para a questão 95d4c15f-7f
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, USP 2010, Interpretação de Textos Os aspectos expressivo e exortativo do texto conjugam-se, de modo mais evidente, no verso:
    Escolha uma alternativa para a questão 95d66d89-fc
  • Linguagens

    Português

    Embalagens usadas e resíduos devem ser descartados adequadamente

        Todos os meses são recolhidas das rodovias brasileiras centenas de milhares de toneladas de lixo. Só nos 22,9 mil quilômetros das rodovias paulistas são 41,5 mil toneladas. O hábito de descartar embalagens, garrafas, papéis e bitucas de cigarro pelas rodovias persiste e tem aumentado nos últimos anos. O problema é que o lixo acumulado na rodovia, além de prejudicar o meio ambiente, pode impedir o escoamento da água, contribuir para as enchentes, provocar incêndios, atrapalhar o trânsito e até causar acidentes. Além dos perigos que o lixo representa para os motoristas, o material descartado poderia ser devolvido para a cadeia produtiva. Ou seja, o papel que está sobrando nas rodovias poderia ter melhor destino. Isso também vale para os plásticos inservíveis, que poderiam se transformar em sacos de lixo, baldes, cabides e até acessórios para os carros.

    Disponível em: www.girodasestradas.com.br. Acesso em: 31 jul. 2012.

    Os gêneros textuais correspondem a certos padrões de composição de texto, determinados pelo contexto em que são produzidos, pelo público a que eles se destinam, por sua finalidade. Pela leitura do texto apresentado, reconhece-se que sua função é


    Escolha uma alternativa para a questão 95db0fc3-7f
  • Linguagens

    Português

    TEXTO I



    Melro

    Carlos Drummond de Andrade



    Melro que cantas no morrer da noite,

    com estas asas rotas aprende teu voo.

    A vida toda

    esperaste a hora e a vez de teu voo.


    Melro que cantas no morrer da noite,

    com estes olhos fundos aprende a ver.

    A vida toda

    esperaste a hora e a vez de ser livre.


    Voa, melro, voa, melro,

    para o clarão da escura noite.


    Voa, melro, voa, melro,

    para o clarão da escura noite.


    Melro que cantas no morrer da noite,

    com estas asas rotas aprende teu voo

    A vida toda

    esperaste a hora e a vez de teu voo

    esperaste a hora e a vez de teu voo

    esperaste a hora e a vez de teu voo.


    Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Tradução de "Blackbird", canção de Lenon e McCaartney. In: REALIDADE. São Paulo: Editora Abril, ano III, nº 36, mar. 1969, p. 61 (Pesquisado na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional).



    GLOSSÁRIO:


    Melro: ave de penas pretas, também chamada de açum-preto, graúna, pássaro preto, entre outros nomes.

    Em março de 1969, o poeta Carlos Drummond de Andrade traduziu algumas canções da banda inglesa The Beatles, do então recém lançado Álbum Branco. Dentre as canções, escreveu o poema "Melro", uma tradução da composição dos Beatles, cujo título original é "Blackbird" (pássaro preto - outro possível sinônimo de Melro, em língua portuguesa). Essa canção composta pela banda britânica teria como motivação a luta do Movimento dos Direitos Civis dos Negros, nos Estados Unidos.


    A partir da leitura do poema de Drummond e considerando as informações acima, assinale a alternativa que melhor interprete os versos lidos:
    Escolha uma alternativa para a questão 95df1caf-3f
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, ENEM 2015, Interpretação de Textos



    Trabalhando com recursos formais inspirados no Concretismo, o poema atinge uma expressividade que se caracteriza pela
    Escolha uma alternativa para a questão 95e0c6f9-7f
  • Linguagens

    Português

    TEXTO II



    Um Índio

    Caetano Veloso



    Um índio descerá de uma estrela colorida,  brilhante

        

    De uma estrela que virá numa velocidade estonteante

        

    E pousará no coração do Hemisfério Sul, na  América, num claro instante

        

    Depois de exterminada a última nação indígena


    E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida

          

    Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

       




    Virá Impávido que nem Muhammad Ali


    Virá que eu vi


    Apaixonadamente como Peri


    Virá que eu vi


    Tranquilo e infalível como Bruce Lee


    Virá que eu vi


    O axé do afoxé Filhos de Gandhi


    Virá



    Um índio preservado em pleno corpo físico


    Em todo sólido, todo gás e todo líquido


    Em átomos, palavras, alma, cor


    Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico

      

    Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífco

       

    Do objeto-sim resplandecente descerá o índio


    E as coisas que eu sei que ele dirá, fará


    Não sei dizer assim de um modo explícito


    (...)



    E aquilo que nesse momento se revelará aos  povos

        

    Surpreenderá a todos não por ser exótico


    Mas pelo fato de poder ter sempre estado  oculto

        

    Quando terá sido o óbvio



    Fonte: UM ÍNDIO. Caetano Veloso. In: BICHO. Philips Records, 1977. 1 LP, faixa 5.



    GLOSSÁRIO:


    Muhammad Ali: foi um famoso pugilista estadunidense.

    Peri: personagem indígena da obra "O guarani", de José de Alencar.

    Bruce Lee: de origem chinesa, foi um conhecedor e praticante de muitas artes marciais, além de ator e diretor de cinema.

    Afoxé Filhos de Gandhi: "O Desfile de Afoxés", ou "Cortejo de Afoxés", é uma expressão característica do carnaval baiano, com raízes vinculadas à religiosidade afro-baiana, e reconhecido como patrimônio cultural imaterial no estado" Já o "Afoxé Filhos de Gandhi" é um importante grupo baiano que desfila tradicionalmente no carnaval de Salvador.



    Disponível em https://www.multirio.rj.gov.br/index.php/reportagens/17562- afox%C3%A9, Acesso em 07/08/2024.

    Sobre a canção "Um índio", de Caetano Veloso, marque a única alternativa que NÃO se apresenta como uma leitura possível:

    Escolha uma alternativa para a questão 95e29be9-3f
  • Linguagens

    Literatura

    TEXTO III


    Amor
    Clarice Lispector


            Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]

    - o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


    FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.
    Nos trechos apresentados do conto "Amor", de Clarice Lispector, observa-se:
    Escolha uma alternativa para a questão 95e5121b-3f
  • Linguagens

    Português

       A emergência da sociedade da informação está associada a um conjunto de profundas transformações ocorridas desde as últimas duas décadas do século XX. Tais mudanças ocorrem em dimensões distintas da vida humana em sociedade, as quais interagem de maneira sinérgica e confluem para projetar a informação e o conhecimento como elementos estratégicos, dos pontos de vista econômico-produtivo, político e sociocultural.

       A sociedade da informação caracteriza-se pela crescente utilização de técnicas de transmissão, armazenamento de dados e informações a baixo custo, acompanhadas por inovações organizacionais, sociais e legais. Ainda que tenha surgido motivada por um conjunto de transformações na base técnico-científica, ela se investe de um significado bem mais abrangente.

    LEGEY L.-R.; ALBAGLI, S. Disponível em: wwwdgz.org.br. Acesso em: 4 dez. 2012 (adaptado).



    O mundo contemporâneo tem sido caracterizado pela crescente utilização das novas tecnologias e pelo acesso à informação cada vez mais facilitado. De acordo com o texto, a sociedade da informação corresponde a uma mudança na organização social porque

    Escolha uma alternativa para a questão 95e65059-7f
  • Linguagens

    Literatura

    TEXTO III


    Amor
    Clarice Lispector


            Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]

    - o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


                                                                              FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.  



    TEXTO IV


            A questão da epifania (epiphaneia) pode ser compreendida num sentido místico-religioso e num sentido literário. No sentido místico-religioso, a epifania é o aparecimento de uma divindade e uma manifestação espiritual - e é neste sentido que a palavra surge descrevendo a aparição de Cristo aos gentios. Aplicado à literatura, o termo significa o relato de uma experiência que, a princípio, se mostra simples e rotineira, mas que acaba por mostrar toda a força de uma inusitada revelação. É a percepção de uma realidade atordoante quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam iluminação súbita na consciência dos figurantes, e a grandiosidade do êxtase pouco tem a ver com o elemento prosaico em que se inscreve a personagem.

    Fonte: SANT'ANNA, Affonso Romano de. Com Clarice. São Paulo: Editora Unesp, 2013, p.128.
    Considerando o conteúdo do texto IV, assinale a alternativa em que há o momento de "epifania" da personagem Ana, do conto de Clarice Lispector, no Texto III.
    Escolha uma alternativa para a questão 95e7f4ac-3f
  • Linguagens

    Português

    TEXTO III


    Amor
    Clarice Lispector


            Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...] - o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


    FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.



    TEXTO V


    Legiões de mulheres não têm por quinhão senão uma fadiga indefinidamente recomeçada no decorrer de um combate que jamais comporta uma vitória. Mesmo em casos mais privilegiados, essa vitória nunca é definitiva. Há poucas tarefas que se aparentem, mais do que as da dona de casa, ao suplício de Sísifo; dia após dia, é preciso lavar os pratos, espanar os móveis, consertar a roupa, que no dia seguinte já estarão novamente sujos, empoeirados, rasgada.
    No trecho acima (texto V), Simone de Beauvoir compara o trabalho de uma mulher do lar, dedicada aos afazeres domésticos e à criação dos filhos, ao mito de Sísifo, personagem da mitologia grega que foi condenado a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha. Considerando os textos III e V, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 95ea7ee8-3f
  • Linguagens

    Português

    A pátria

    Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste! Criança! não verás nenhum país como este! Olha que céu! que mar! que rios! que floresta! A Natureza, aqui, perpetuamente em festa, É um seio de mãe a transbordar carinhos. Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos, Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos! Vê que luz, que calor, que multidão de insetos! Vê que grande extensão de matas, onde impera, Fecunda e luminosa, a eterna primavera! Boa terra! jamais negou a quem trabalha O pão que mata a fome, o teto que agasalha...

    Quem com o seu suor a fecunda e umedece, Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!

    Criança! não verás país nenhum como este: Imita na grandeza a terra em que nasceste!

    BILAC, O. Poesias infantis. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1929.

    Publicado em 1904, o poema A pátria harmoniza-se com um projeto ideológico em construção na Primeira República. O discurso poético de Olavo Bilac ecoa esse projeto, na medida em que

    Escolha uma alternativa para a questão 95f0cc03-7f
  • Linguagens

    Literatura

    Imagem da questão de Literatura, ENEM 2015, Escolas Literárias


    O Surrealismo configurou-se como uma das vanguardas artísticas europeias do início do século XX. René Magritte, pintor belga, apresenta elementos dessa vanguarda em suas produções. Um traço do Surrealismo presente nessa pintura é o(a)

    Escolha uma alternativa para a questão 95f6b3e5-7f
  • Linguagens

    Literatura

    Imagem da questão de Literatura, ENEM 2015, Escolas Literárias


    As formas plásticas nas produções africanas conduziram artistas modernos do início do século XX, como Pablo Picasso, a algumas proposições artísticas denominadas vanguardas. A máscara remete à 

    Escolha uma alternativa para a questão 9602a945-7f
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto abaixo para responder às questões 10 e 11.

    Imagem da questão de Português, UEG 2011, Interpretação de Textos

    Destaca-se no fragmento a ideia de que
    Escolha uma alternativa para a questão 960802fe-6d
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho da entrevista e observe a imagem abaixo.


            O torturador, o traficante de escravos, o senhor de escravos, o capataz da plantação, todas essas pessoas tornaram-se piores ao ter a autorização para cometer os crimes que cometeram. Essa discussão continua atualíssima porque o policial que assedia, agride, mata um negro, também se torna um péssimo ser humano. 

    Trecho de entrevista de Eurídice Figueiredo, professora do programa de pós-graduação em estudos de literatura da UFF (Universidade Federal Fluminense). Disponível em: https://tinyurl.com/42cdmmyd. Acesso em 12 ago. 2024.


    Imagem da questão de Português, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG 2024, Interpretação de Textos

    Manifestantes protestam em Saint Louis, nos EUA, contra a violência policial. Disponível em: https://vermelho.org.br/2016/07/11/eua-tem-mais-protestoscontra-racismo-e-violencia-policial/ Acesso em: 20 jun. 2024.


    Marque a alternativa CORRETA: 
    Escolha uma alternativa para a questão 960ed045-3f
  • Linguagens

    Português

    O período que, além de apresentar coesão e coerência, está redigido de acordo com as normas do padrão culto da língua é
    Escolha uma alternativa para a questão 9614ccc0-3f