Português
- Interpretação de Textos
- Prova de 2018
- Universidade do Estado da Bahia
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: A3708433-BB
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TEXTO 3
NADA COMO UMA BOA BRIGA
(Duda Teixeira)
COM TODO MUNDO lendo nas redes sociais somente as notícias que corroboram seus preconceitos, os debates entre políticos ganharam uma utilidade pública ainda maior. Ao confrontarem ideias opostas, eles revelam fragilidades e silenciam os radicalismos ancorados na internet. Na segunda-feira, 26, a refrega verbal entre Hillary Clinton e Donald Trump, candidatos à Presidência dos Estados Unidos, estendeu-se por noventa minutos. O republicano Trump escorregou ao dizer que não pode divulgar sua declaração de imposto de renda e ao negar ter sido a favor da Guerra do Iraque. A democrata Hillary não explicou por que passou a criticar os tratados de livre- comércio, os quais sempre defendeu. À vista de todos, nenhuma mentira ficou impune. As afirmações foram conferidas simultaneamente por equipes de jornalistas. Abastecido por eles, o moderador, Lester Holt, da NBC, interpelou várias vezes os dois rivais sobre as falsidades que tinham acabado de dizer. A transparência e a rapidez deixaram tudo mais empolgante e atraíram 84 milhões de espectadores nos Estados Unidos. Apesar do risco de corrigir algo que esteja certo, a checagem dos fatos em tempo real entusiasmou canais de televisão brasileiros, que pensam em reproduzir a iniciativa. Ficou a impressão de que, na era da polarização virtual, a democracia não perdeu vigor, como se especula aqui e ali. Está apenas sendo reinventada.
Veja. Ed. 2498, de 5 de outubro de 2016. p. 39.
Leia os versos de Carlos Drummond de Andrade para responder a questão.
Poesia
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Procura da Poesia
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso1 à efusão2
lírica.
[...]
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. Nova Reunião. Rio de Janeiro: BestBolso, 2012, p. 28 e 141.
Glossário
1. Infenso: em oposição a, inimigo de; contrário, hostil, oponente.
2. Efusão: manifestação expansiva de sentimentos amistosos, de afetos, de alegria.
Os trechos apresentados, do poeta mineiro e modernista Carlos Drummond de Andrade, retratamMetamorfose
Repara: – a imóvel crisálida
Já se agitou inquieta,
Cedo, rasgando a mortalha,
Ressurgirá borboleta.
Que misteriosa influência
A metamorfose opera!
Um raio de Sol, um sopro
Ao passar, a vida gera.
Assim minh’alma, inda ontem
Crisálida entorpecida,
Já hoje treme, e amanhã
Voará cheia de vida.
Tu olhaste – e do letargo
Mago influxo me desperta;
Surjo ao amor, surjo à vida,
À luz de uma aurora incerta.
(www.dominiopublico.gov.br)
Leia os versos de Carlos Drummond de Andrade para responder a questão.
Poesia
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Procura da Poesia
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso1 à efusão2
lírica.
[...]
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. Nova Reunião. Rio de Janeiro: BestBolso, 2012, p. 28 e 141.
Glossário
1. Infenso: em oposição a, inimigo de; contrário, hostil, oponente.
2. Efusão: manifestação expansiva de sentimentos amistosos, de afetos, de alegria.
Leia com atenção o texto abaixo.
Cálice
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga?
Tragar a dor engolir a labuta?
Mesmo calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
(Chico Buarque e Gilberto Gil. 1978.)
O texto faz menção a um fenômeno importante na história do Brasil que marcou toda uma geração de artistas e intelectuais dos mais diversos segmentos (teatro, música, poesia, dança). Sobre o texto, assinale V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Refere-se à censura que cerceava a manifestação de artistas e intelectuais contra a ditadura no Brasil.
( ) Refere-se ao forte viés devocional cristão que marcou a cultura brasileira nos anos 60 e 70 do século XX.
( ) É uma crítica à proximidade entre arte e política que se verificou nos anos 70 do século XX.
( ) Mostra o envolvimento e a politização de artistas nos anos 70 do século XX.
Marque a sequência correta.
Leia os poemas a seguir.

(LEMINSKI, P. Toda Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 235.)
Com base na leitura dos poemas, considere as afirmativas a seguir.
I. Os dois poemas concentram-se no presente, em detrimento de e com desprezo a tempos como passado e futuro.
II. A ideia de transformação do sujeito ao longo do tempo está presente em ambos os poemas.
III. A incerteza frequenta os dois poemas: a indefinição quanto ao futuro, no primeiro; e o questionamento da eternidade, no segundo.
IV. Os caminhos do primeiro poema e a descoberta, no segundo, situam-se no mesmo tempo: o presente.
Assinale a alternativa correta.