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Questões do ENEM: Linguagens

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Resultados: 18.995 questões

Página 533 de 950

  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão:


    Tecendo a Manhã

    Um galo sozinho não tece uma manhã:
    ele precisará sempre de outros galos.
    De um que apanhe esse grito que ele
    e o lance a outro; de um outro galo
    que apanhe o grito de um galo antes
    e o lance a outro; e de outros galos
    que com muitos outros galos se cruzem
    os fios de sol de seus gritos de galo,
    para que a manhã, desde uma teia tênue,
    se vá tecendo, entre todos os galos.
    (João Cabral de Melo Neto, A educação pela pedra)
    Uma das características da poesia é o uso de imagens metafóricas. No excerto do poema de João Cabral transcrito acima, as imagens elaboradas representam:
    Escolha uma alternativa para a questão 4a4ad406-dc
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão.


        No grande dia Primeiro de Maio, não eram bem seis horas e já o 35 pulara da cama, afobado. Estava bem disposto, até alegre, ele bem afirmara aos companheiros da Estação da Luz que queria celebrar e havia de celebrar.

        Os outros carregadores mais idosos meio que tinham caçoado do bobo, viesse trabalhar que era melhor, trabalho deles não tinha feriado. Mas o 35 retrucava com altivez que não carregava mala de ninguém, havia de celebrar o dia deles. E agora tinha o grande dia pela frente.

    [...]

        Abriu o jornal. Havia logo um artigo muito bonito, bem pequeno, falando na nobreza do trabalho, nos operários que eram também os “operários da nação”, é isso mesmo. O 35 se orgulhou todo comovido. Se pedissem pra ele matar, ele matava roubava, trabalhava grátis, tomado dum sublime desejo de fraternidade, todos os seres juntos, todos bons... Depois vinham as notícias. Se esperavam “grandes motins” em Paris, deu uma raiva tal no 35. E ele ficou todo fremente, quase sem respirar, desejando “motins” (devia ser turumbamba) na sua desmesurada força física, ah, as ruças de algum... polícia? polícia. Pelo menos os safados dos polícias.

        Pois estava escrito em cima do jornal: em São Paulo a Polícia proibira comícios na rua e passeatas, embora se falasse vagamente em motins de tarde no Largo da Sé. Mas a polícia já tomara todas as providências, até metralhadoras, estavam em cima do jornal, nos arranha-céus, escondidas, o 35 sentiu um frio. O sol brilhante queimava, banco na sombra? Mas não tinha, que a Prefeitura, pra evitar safadez dos namorados, punha os bancos só bem no sol. E ainda por cima era aquela imensidade de guardas e polícias vigiando que nem bem a gente punha a mão no pescocinho dela, trilo. Mas a Polícia permitiria a grande reunião proletária, com discurso do ilustre Secretário do Trabalho, no magnífico pátio interno do Palácio das Indústrias, lugar fechado! A sensação foi claramente péssima. Não era medo, mas por que que a gente havia de ficar encurralado assim! é! E pra eles depois poderem cair em cima da gente, (palavrão)! Não vou! não sou besta! Quer dizer: vou sim! desaforo! (palavrão), socos, uma visão tumultuaria, rolando no chão, se machucava mas não fazia mal, saíam todos enfurecidos do Palácio das Indústrias, pegavam fogo no Palácio das Indústrias, não! a indústria é a gente, “operários da nação” pegavam fogo na igreja de São Bento mais próxima que era tão linda por “drento”, mas pra que pegar fogo em nada!

    (Mário de Andrade. “Primeiro de Maio” in Contos novos)

    No conto, o personagem não recebe um nome próprio, é designado pelo número “35”. Levando em consideração a crítica social que o trecho parece revelar, assinale a alternativa que apresente relação verdadeira entre o tema do conto e a data que o nome do personagem parece fazer referência:
    Escolha uma alternativa para a questão 4a45cd17-dc
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão.


        No grande dia Primeiro de Maio, não eram bem seis horas e já o 35 pulara da cama, afobado. Estava bem disposto, até alegre, ele bem afirmara aos companheiros da Estação da Luz que queria celebrar e havia de celebrar.

        Os outros carregadores mais idosos meio que tinham caçoado do bobo, viesse trabalhar que era melhor, trabalho deles não tinha feriado. Mas o 35 retrucava com altivez que não carregava mala de ninguém, havia de celebrar o dia deles. E agora tinha o grande dia pela frente.

    [...]

        Abriu o jornal. Havia logo um artigo muito bonito, bem pequeno, falando na nobreza do trabalho, nos operários que eram também os “operários da nação”, é isso mesmo. O 35 se orgulhou todo comovido. Se pedissem pra ele matar, ele matava roubava, trabalhava grátis, tomado dum sublime desejo de fraternidade, todos os seres juntos, todos bons... Depois vinham as notícias. Se esperavam “grandes motins” em Paris, deu uma raiva tal no 35. E ele ficou todo fremente, quase sem respirar, desejando “motins” (devia ser turumbamba) na sua desmesurada força física, ah, as ruças de algum... polícia? polícia. Pelo menos os safados dos polícias.

        Pois estava escrito em cima do jornal: em São Paulo a Polícia proibira comícios na rua e passeatas, embora se falasse vagamente em motins de tarde no Largo da Sé. Mas a polícia já tomara todas as providências, até metralhadoras, estavam em cima do jornal, nos arranha-céus, escondidas, o 35 sentiu um frio. O sol brilhante queimava, banco na sombra? Mas não tinha, que a Prefeitura, pra evitar safadez dos namorados, punha os bancos só bem no sol. E ainda por cima era aquela imensidade de guardas e polícias vigiando que nem bem a gente punha a mão no pescocinho dela, trilo. Mas a Polícia permitiria a grande reunião proletária, com discurso do ilustre Secretário do Trabalho, no magnífico pátio interno do Palácio das Indústrias, lugar fechado! A sensação foi claramente péssima. Não era medo, mas por que que a gente havia de ficar encurralado assim! é! E pra eles depois poderem cair em cima da gente, (palavrão)! Não vou! não sou besta! Quer dizer: vou sim! desaforo! (palavrão), socos, uma visão tumultuaria, rolando no chão, se machucava mas não fazia mal, saíam todos enfurecidos do Palácio das Indústrias, pegavam fogo no Palácio das Indústrias, não! a indústria é a gente, “operários da nação” pegavam fogo na igreja de São Bento mais próxima que era tão linda por “drento”, mas pra que pegar fogo em nada!

    (Mário de Andrade. “Primeiro de Maio” in Contos novos)

    No conjunto da obra de Mário de Andrade, destaca-se uma quase militância pelo uso, na literatura, de uma língua próxima àquela que se fala nas ruas. Um exemplo de aproximação com a oralidade do cotidiano pode ser encontrado na alternativa:
    Escolha uma alternativa para a questão 4a3c50e5-dc
  • Linguagens

    Português

    Um olhar estrangeiro
    Vanessa Jurgenfeld


        Há anos, o americano James Green se dedica ao ensino de história do Brasil na Universidade Brown, nos Estados Unidos. Em junho, ele desembarcou no Rio de Janeiro para o que seria apenas mais um simpósio internacional, mas foi surpreendido pela magnitude das manifestações de rua que tornariam junho um mês histórico. Green não teve dúvidas: com as atividades da conferência suspensas um pouco mais cedo, decidiu ouvir de perto as vozes das ruas.
        Assim como Green, outros brasilianistas passaram pelo país nos últimos dias. O historiador Bryan McCann, da Universidade Georgetown, e o economista Werner Baer, da Universidade de Illinois. Aproveitando as férias de verão nos Estados Unidos e o recesso das aulas, visitaram o Brasil para tocar pesquisas sobre assuntos como favelas no Rio e infraestrutura. Depararam-se, porém, com as manifestações, e agora tentam interpretar suas causas e possíveis consequências.
        Green faz ressalvas a comparações internacionais. Para ele, os pesquisadores têm grande dificuldade para analisar os fatos de fora porque, muitas vezes, não entendem as complexidades internas dos países. “Achei inadequadas as análises que imediatamente fizeram analogias com o Oriente Médio. A única coisa em comum é que se usou o mesmo meio [o Facebook] para a mobilização.” Segundo ele, as ansiedades e as preocupações dos manifestantes são totalmente diferentes. “Não dá para comparar o regime autoritário que estava no Egito antes da “Primavera Árabe” com o Brasil, que antes das manifestações tinha um governo com 70% de aprovação.”
        Diferentemente de Green, McCann e Baer acreditam que a onda global recente de protestos indica que o Brasil pode não ser um caso único. Para McCann, comparações com os episódios na Turquia e mesmo com o movimento Occupy Wall Street, que ocorreu nos Estados Unidos em 2011, são pertinentes. “Certamente, as características brasileiras são um pouco diferentes. Mas as manifestações deixam claro que a mídia social e a comunicação instantânea ajudam a espalhar um modo de agir, ajudam a levantar pessoas.” Numa comparação com a Turquia, McCann diz que, embora o Brasil seja “muito mais democrático”, o perfil dos manifestantes é similar. “É uma faixa parecida da população - os jovens -, e o que se poderia chamar de nova classe média. São manifestações de consumidores e de cidadãos que estão exigindo um nível melhor de serviços do governo e de transparência.” Assim como no Occupy Wall Street, McCann identifica nas manifestações no Brasil uma insatisfação com a distribuição de renda e o entendimento de que o crescimento econômico em si não é bom para todo mundo. No Brasil, apesar de a desigualdade cair nos últimos 20 anos, o fato é que alguns enriquecem muito mais rapidamente e de forma mais expressiva do que a maioria, que continua com problemas cotidianos de saúde e transporte público, e não vai comprar mais a ideia de que tudo está ótimo porque tem as Olimpíadas e a Copa do Mundo.” Para o historiador Bryan McCann, as mobilizações acabaram com a utopia de que o Brasil tinha resolvido todos os seus problemas. Baer concorda que as manifestações no Brasil não devem ser vistas de maneira isolada. Mas diz que aqui parece existir insatisfação com questões específicas, como o reaparecimento da inflação e os atrasos em obras de infraestrutura. “É uma mistura de fatos que deixou a população insatisfeita. Não tenho uma teoria nova, são as mesmas especulações que todo mundo está fazendo. Combinando essas insatisfações em geral com o acesso à rede social, resulta esse tipo de acontecimento.” Mas o que o deixou um pouco surpreso é que, embora haja uma taxa de crescimento baixa da economia brasileira, o desemprego - que vem sendo objeto de manifestações em diversos países desenvolvidos - não aumentou. “Então, é muito difícil saber exatamente o que acontece. Acho que ninguém tem uma teoria certa. Nenhuma pessoa honesta pode dizer exatamente: “eu sei a causa de tudo isso””.
        Os brasilianistas observam diferenças nas atitudes dos governos dos diferentes países frente às manifestações. “De certa maneira, o governo brasileiro está reagindo”, diz Baer. “Parece que a presidente Dilma Rousseff sabe que alguma coisa precisa ser feita para atender às reivindicações. McCann concorda que o governo brasileiro procura responder aos protestos, diferentemente do que faz o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, “que está tapando os ouvidos”. A presidenta Dilma, segundo ele, está acenando para o movimento popular. “Se vai dar em alguma coisa, não sei. A reforma política é necessária e isso está claro há uns dez anos. Green argumenta que, para se compreender o encadeamento de protestos no Brasil, é preciso pensar na relação com “as promessas de uma social-democracia justa e ampla que não estão sendo cumpridas por um governo que diz que tudo está melhorando”. A energia política liberada nas ruas, em diferentes manifestações de insatisfação, precisaria, num processo de desdobramento natural, ser combinada com um vigor correspondente na realização das mudanças reclamadas. Os protestos poderão incentivar uma disputa mais acirrada na próxima eleição presidencial. “Acho que a percepção é de que vai haver mais competição política e que a reeleição de Dilma não está garantida. Agora há realmente um debate, o que também é algo positivo”, diz McCann.
    (Adaptado de Valor Econômico, 19/07/2013, pp. 11-13.)
    Muitos compararam as manifestações brasileiras às da Primavera Árabe. Para Green, tal associação é:
    Escolha uma alternativa para a questão 4a0756ef-dc
  • Linguagens

    Português

    Um olhar estrangeiro
    Vanessa Jurgenfeld


        Há anos, o americano James Green se dedica ao ensino de história do Brasil na Universidade Brown, nos Estados Unidos. Em junho, ele desembarcou no Rio de Janeiro para o que seria apenas mais um simpósio internacional, mas foi surpreendido pela magnitude das manifestações de rua que tornariam junho um mês histórico. Green não teve dúvidas: com as atividades da conferência suspensas um pouco mais cedo, decidiu ouvir de perto as vozes das ruas.
        Assim como Green, outros brasilianistas passaram pelo país nos últimos dias. O historiador Bryan McCann, da Universidade Georgetown, e o economista Werner Baer, da Universidade de Illinois. Aproveitando as férias de verão nos Estados Unidos e o recesso das aulas, visitaram o Brasil para tocar pesquisas sobre assuntos como favelas no Rio e infraestrutura. Depararam-se, porém, com as manifestações, e agora tentam interpretar suas causas e possíveis consequências.
        Green faz ressalvas a comparações internacionais. Para ele, os pesquisadores têm grande dificuldade para analisar os fatos de fora porque, muitas vezes, não entendem as complexidades internas dos países. “Achei inadequadas as análises que imediatamente fizeram analogias com o Oriente Médio. A única coisa em comum é que se usou o mesmo meio [o Facebook] para a mobilização.” Segundo ele, as ansiedades e as preocupações dos manifestantes são totalmente diferentes. “Não dá para comparar o regime autoritário que estava no Egito antes da “Primavera Árabe” com o Brasil, que antes das manifestações tinha um governo com 70% de aprovação.”
        Diferentemente de Green, McCann e Baer acreditam que a onda global recente de protestos indica que o Brasil pode não ser um caso único. Para McCann, comparações com os episódios na Turquia e mesmo com o movimento Occupy Wall Street, que ocorreu nos Estados Unidos em 2011, são pertinentes. “Certamente, as características brasileiras são um pouco diferentes. Mas as manifestações deixam claro que a mídia social e a comunicação instantânea ajudam a espalhar um modo de agir, ajudam a levantar pessoas.” Numa comparação com a Turquia, McCann diz que, embora o Brasil seja “muito mais democrático”, o perfil dos manifestantes é similar. “É uma faixa parecida da população - os jovens -, e o que se poderia chamar de nova classe média. São manifestações de consumidores e de cidadãos que estão exigindo um nível melhor de serviços do governo e de transparência.” Assim como no Occupy Wall Street, McCann identifica nas manifestações no Brasil uma insatisfação com a distribuição de renda e o entendimento de que o crescimento econômico em si não é bom para todo mundo. No Brasil, apesar de a desigualdade cair nos últimos 20 anos, o fato é que alguns enriquecem muito mais rapidamente e de forma mais expressiva do que a maioria, que continua com problemas cotidianos de saúde e transporte público, e não vai comprar mais a ideia de que tudo está ótimo porque tem as Olimpíadas e a Copa do Mundo.” Para o historiador Bryan McCann, as mobilizações acabaram com a utopia de que o Brasil tinha resolvido todos os seus problemas. Baer concorda que as manifestações no Brasil não devem ser vistas de maneira isolada. Mas diz que aqui parece existir insatisfação com questões específicas, como o reaparecimento da inflação e os atrasos em obras de infraestrutura. “É uma mistura de fatos que deixou a população insatisfeita. Não tenho uma teoria nova, são as mesmas especulações que todo mundo está fazendo. Combinando essas insatisfações em geral com o acesso à rede social, resulta esse tipo de acontecimento.” Mas o que o deixou um pouco surpreso é que, embora haja uma taxa de crescimento baixa da economia brasileira, o desemprego - que vem sendo objeto de manifestações em diversos países desenvolvidos - não aumentou. “Então, é muito difícil saber exatamente o que acontece. Acho que ninguém tem uma teoria certa. Nenhuma pessoa honesta pode dizer exatamente: “eu sei a causa de tudo isso””.
        Os brasilianistas observam diferenças nas atitudes dos governos dos diferentes países frente às manifestações. “De certa maneira, o governo brasileiro está reagindo”, diz Baer. “Parece que a presidente Dilma Rousseff sabe que alguma coisa precisa ser feita para atender às reivindicações. McCann concorda que o governo brasileiro procura responder aos protestos, diferentemente do que faz o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, “que está tapando os ouvidos”. A presidenta Dilma, segundo ele, está acenando para o movimento popular. “Se vai dar em alguma coisa, não sei. A reforma política é necessária e isso está claro há uns dez anos. Green argumenta que, para se compreender o encadeamento de protestos no Brasil, é preciso pensar na relação com “as promessas de uma social-democracia justa e ampla que não estão sendo cumpridas por um governo que diz que tudo está melhorando”. A energia política liberada nas ruas, em diferentes manifestações de insatisfação, precisaria, num processo de desdobramento natural, ser combinada com um vigor correspondente na realização das mudanças reclamadas. Os protestos poderão incentivar uma disputa mais acirrada na próxima eleição presidencial. “Acho que a percepção é de que vai haver mais competição política e que a reeleição de Dilma não está garantida. Agora há realmente um debate, o que também é algo positivo”, diz McCann.
    (Adaptado de Valor Econômico, 19/07/2013, pp. 11-13.)
    De acordo com o texto, brasilianista seria quem:
    Escolha uma alternativa para a questão 4a036376-dc
  • Linguagens

    Português

    Um olhar estrangeiro
    Vanessa Jurgenfeld


        Há anos, o americano James Green se dedica ao ensino de história do Brasil na Universidade Brown, nos Estados Unidos. Em junho, ele desembarcou no Rio de Janeiro para o que seria apenas mais um simpósio internacional, mas foi surpreendido pela magnitude das manifestações de rua que tornariam junho um mês histórico. Green não teve dúvidas: com as atividades da conferência suspensas um pouco mais cedo, decidiu ouvir de perto as vozes das ruas.
        Assim como Green, outros brasilianistas passaram pelo país nos últimos dias. O historiador Bryan McCann, da Universidade Georgetown, e o economista Werner Baer, da Universidade de Illinois. Aproveitando as férias de verão nos Estados Unidos e o recesso das aulas, visitaram o Brasil para tocar pesquisas sobre assuntos como favelas no Rio e infraestrutura. Depararam-se, porém, com as manifestações, e agora tentam interpretar suas causas e possíveis consequências.
        Green faz ressalvas a comparações internacionais. Para ele, os pesquisadores têm grande dificuldade para analisar os fatos de fora porque, muitas vezes, não entendem as complexidades internas dos países. “Achei inadequadas as análises que imediatamente fizeram analogias com o Oriente Médio. A única coisa em comum é que se usou o mesmo meio [o Facebook] para a mobilização.” Segundo ele, as ansiedades e as preocupações dos manifestantes são totalmente diferentes. “Não dá para comparar o regime autoritário que estava no Egito antes da “Primavera Árabe” com o Brasil, que antes das manifestações tinha um governo com 70% de aprovação.”
        Diferentemente de Green, McCann e Baer acreditam que a onda global recente de protestos indica que o Brasil pode não ser um caso único. Para McCann, comparações com os episódios na Turquia e mesmo com o movimento Occupy Wall Street, que ocorreu nos Estados Unidos em 2011, são pertinentes. “Certamente, as características brasileiras são um pouco diferentes. Mas as manifestações deixam claro que a mídia social e a comunicação instantânea ajudam a espalhar um modo de agir, ajudam a levantar pessoas.” Numa comparação com a Turquia, McCann diz que, embora o Brasil seja “muito mais democrático”, o perfil dos manifestantes é similar. “É uma faixa parecida da população - os jovens -, e o que se poderia chamar de nova classe média. São manifestações de consumidores e de cidadãos que estão exigindo um nível melhor de serviços do governo e de transparência.” Assim como no Occupy Wall Street, McCann identifica nas manifestações no Brasil uma insatisfação com a distribuição de renda e o entendimento de que o crescimento econômico em si não é bom para todo mundo. No Brasil, apesar de a desigualdade cair nos últimos 20 anos, o fato é que alguns enriquecem muito mais rapidamente e de forma mais expressiva do que a maioria, que continua com problemas cotidianos de saúde e transporte público, e não vai comprar mais a ideia de que tudo está ótimo porque tem as Olimpíadas e a Copa do Mundo.” Para o historiador Bryan McCann, as mobilizações acabaram com a utopia de que o Brasil tinha resolvido todos os seus problemas. Baer concorda que as manifestações no Brasil não devem ser vistas de maneira isolada. Mas diz que aqui parece existir insatisfação com questões específicas, como o reaparecimento da inflação e os atrasos em obras de infraestrutura. “É uma mistura de fatos que deixou a população insatisfeita. Não tenho uma teoria nova, são as mesmas especulações que todo mundo está fazendo. Combinando essas insatisfações em geral com o acesso à rede social, resulta esse tipo de acontecimento.” Mas o que o deixou um pouco surpreso é que, embora haja uma taxa de crescimento baixa da economia brasileira, o desemprego - que vem sendo objeto de manifestações em diversos países desenvolvidos - não aumentou. “Então, é muito difícil saber exatamente o que acontece. Acho que ninguém tem uma teoria certa. Nenhuma pessoa honesta pode dizer exatamente: “eu sei a causa de tudo isso””.
        Os brasilianistas observam diferenças nas atitudes dos governos dos diferentes países frente às manifestações. “De certa maneira, o governo brasileiro está reagindo”, diz Baer. “Parece que a presidente Dilma Rousseff sabe que alguma coisa precisa ser feita para atender às reivindicações. McCann concorda que o governo brasileiro procura responder aos protestos, diferentemente do que faz o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, “que está tapando os ouvidos”. A presidenta Dilma, segundo ele, está acenando para o movimento popular. “Se vai dar em alguma coisa, não sei. A reforma política é necessária e isso está claro há uns dez anos. Green argumenta que, para se compreender o encadeamento de protestos no Brasil, é preciso pensar na relação com “as promessas de uma social-democracia justa e ampla que não estão sendo cumpridas por um governo que diz que tudo está melhorando”. A energia política liberada nas ruas, em diferentes manifestações de insatisfação, precisaria, num processo de desdobramento natural, ser combinada com um vigor correspondente na realização das mudanças reclamadas. Os protestos poderão incentivar uma disputa mais acirrada na próxima eleição presidencial. “Acho que a percepção é de que vai haver mais competição política e que a reeleição de Dilma não está garantida. Agora há realmente um debate, o que também é algo positivo”, diz McCann.
    (Adaptado de Valor Econômico, 19/07/2013, pp. 11-13.)
    O título do texto “Um olhar estrangeiro” se refere:
    Escolha uma alternativa para a questão 49ff1059-dc
  • Linguagens

    Inglês

    “__( I )__ you know who you are, and what you want, __( II )__ you let things upset you.” -Bob Harris, “Lost in Translation”

    The best way to complete the blanks I and II in the text is
    Escolha uma alternativa para a questão d2022cbc-dc
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão

    Texto I
    Esses Moços
    01 Esses moços, pobres moços
    02 Ah! Se soubessem o que eu sei
    03 Não amavam...
    04 Não passavam aquilo que eu já passei
    05 Por meus olhos
    06 Por meus sonhos
    07 Por meu sangue, tudo enfim
    08 É que eu peço a esses moços
    09 Que acreditem em mim
    10 Se eles julgam
    11 Que há um lindo futuro
    12 Só o amor nesta vida conduz
    13 Saibam que deixam o céu por ser escuro
    14 E vão ao inferno
    15 À procura de luz
    16 Eu também tive nos meus belos dias
    17 Essa mania que muito me custou
    18 E só as mágoas eu trago hoje em dia
    19 E essas rugas o amor me deixou!
    Lupicínio Rodrigues (1948)

    Texto II
    Capítulo LXXIII / O contrarregra
    Imagem da questão de Português, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2013, Coesão e coerência
    Machado de Assis, Dom Casmurro (1899)

    Obs.: dandy (dândi): homem elegante, que se traja com apuro
    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão d1d5423c-dc
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão

    Texto I
    Esses Moços
    01 Esses moços, pobres moços
    02 Ah! Se soubessem o que eu sei
    03 Não amavam...
    04 Não passavam aquilo que eu já passei
    05 Por meus olhos
    06 Por meus sonhos
    07 Por meu sangue, tudo enfim
    08 É que eu peço a esses moços
    09 Que acreditem em mim
    10 Se eles julgam
    11 Que há um lindo futuro
    12 Só o amor nesta vida conduz
    13 Saibam que deixam o céu por ser escuro
    14 E vão ao inferno
    15 À procura de luz
    16 Eu também tive nos meus belos dias
    17 Essa mania que muito me custou
    18 E só as mágoas eu trago hoje em dia
    19 E essas rugas o amor me deixou!
    Lupicínio Rodrigues (1948)

    Texto II
    Capítulo LXXIII / O contrarregra
    Imagem da questão de Português, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2013, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    Machado de Assis, Dom Casmurro (1899)

    Obs.: dandy (dândi): homem elegante, que se traja com apuro
    Considere as seguintes afirmações sobre os textos:

    I. Os textos pretendem convencer o leitor a respeito das benesses do amor, que é descrito como sentimento incondicionalmente venturoso.
    II. Os textos desenvolvem tema comum, utilizando também mesmo gênero literário, diferenciando-se apenas em relação ao estilo peculiar de cada um.
    III. Nos textos selecionados, há a presença da função emotiva da linguagem, que concede um caráter subjetivo ao modo de ver o mundo.

    Assinale
    Escolha uma alternativa para a questão d1cbaf06-dc
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão

    Imagem da questão de Português, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2013, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
    Adaptação de carta de leitor publicada na Revista Bravo
    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão d1c26c84-dc
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão
    Diário de bordo
    Imagem da questão de Português, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2013, Coesão e coerência
    Carlos Heitor Cony
    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão d1bd7871-dc
  • Linguagens

    Português

    Instrução: Leia o poema de Bocage para responder à questão.

    Oh retrato da morte, oh noite amiga
    Por cuja escuridão suspiro há tanto!
    Calada testemunha do meu pranto,
    De meus desgostos secretária antiga!

    Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
    Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
    Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
    Dorme a cruel, que a delirar me obriga:

    E vós, oh cortesãos da escuridade,
    Fantasmas vagos, mochos piadores,
    Inimigos, como eu, da claridade!

    Em bandos acudi aos meus clamores;
    Quero a vossa medonha sociedade,
    Quero fartar meu coração de horrores.

    (Bocage. Sonetos, 1994.)
    No contexto do poema, o verso – Por cuja escuridão suspiro há tanto! – equivale a
    Escolha uma alternativa para a questão e7e743f0-d9
  • Linguagens

    Inglês

    Instrução: Leia o texto para responder à questão.

    Brazil despite its economic success remains one of the inequality champions

    August 22nd, 2012

    Imagem da questão de Inglês, UFTM 2013, Interpretação de texto | Reading comprehension
    The ‘favelas’ or shanty towns that surround most Brazilian cities
        
        Brazil might be the leading economy in Latin America and has had a significant performance in reducing poverty in recent years, but it still remains among the countries with the highest inequality in the region together with Guatemala, Honduras and Colombia, points out the UN-Habitat report. In all four countries based on 2009 data, the Gini income per capita distribution index stood at 0.56, to which must be added Dominican Republic and Bolivia, two inequality champions with high concentration of wealth. This compares with the US and Portugal Gini indicator of 0.38, two countries that offer no relief since Portugal, for example, has the highest inequality index of the European Union.
         Nevertheless, Brazil advanced compared to 1990 when it had the highest degree of inequality and stood well ahead from the rest of the continent. But the region continues to have the highest inequality rate in spite of advances in helping income distribution. Among some of the causes for distribution improvement are productivity, upward trend of salaries and workers categories, strong economy and implementation of income transfer programs in several countries, particularly in the two leading economies, Brazil and Mexico. In the case of Brazil, the country’s economy now figures sixth at global level.
        Former president Lula da Silva and one of the most popular leaders in history of that country based his success precisely on the Bolsa Família Plan, which distributed a monthly basic food basket to millions, helping anywhere from 14 to 22 million climb out of poverty, plus ensuring his Workers Party an encouraging future.
        The Gini coefficient or index measures the inequality among values of a frequency distribution (for instance, levels of income). A Gini coefficient of zero expresses perfect equality where all values are the same (for instance, where everyone has an exactly equal income). A Gini coefficient of one (100 on the percentile scale) expresses maximal inequality among values (for instance, where only one person has all the income).

    (http://en.mercopress.com. Adaptado.)
    The picture relates to the text because it illustrates
    Escolha uma alternativa para a questão e7db81f8-d9
  • Linguagens

    Inglês

    Instrução: Leia o texto para responder à questão.

    Brazil despite its economic success remains one of the inequality champions

    August 22nd, 2012

    Imagem da questão de Inglês, UFTM 2013, Interpretação de texto | Reading comprehension
    The ‘favelas’ or shanty towns that surround most Brazilian cities
        
        Brazil might be the leading economy in Latin America and has had a significant performance in reducing poverty in recent years, but it still remains among the countries with the highest inequality in the region together with Guatemala, Honduras and Colombia, points out the UN-Habitat report. In all four countries based on 2009 data, the Gini income per capita distribution index stood at 0.56, to which must be added Dominican Republic and Bolivia, two inequality champions with high concentration of wealth. This compares with the US and Portugal Gini indicator of 0.38, two countries that offer no relief since Portugal, for example, has the highest inequality index of the European Union.
         Nevertheless, Brazil advanced compared to 1990 when it had the highest degree of inequality and stood well ahead from the rest of the continent. But the region continues to have the highest inequality rate in spite of advances in helping income distribution. Among some of the causes for distribution improvement are productivity, upward trend of salaries and workers categories, strong economy and implementation of income transfer programs in several countries, particularly in the two leading economies, Brazil and Mexico. In the case of Brazil, the country’s economy now figures sixth at global level.
        Former president Lula da Silva and one of the most popular leaders in history of that country based his success precisely on the Bolsa Família Plan, which distributed a monthly basic food basket to millions, helping anywhere from 14 to 22 million climb out of poverty, plus ensuring his Workers Party an encouraging future.
        The Gini coefficient or index measures the inequality among values of a frequency distribution (for instance, levels of income). A Gini coefficient of zero expresses perfect equality where all values are the same (for instance, where everyone has an exactly equal income). A Gini coefficient of one (100 on the percentile scale) expresses maximal inequality among values (for instance, where only one person has all the income).

    (http://en.mercopress.com. Adaptado.)
    One of Lula’s achievements was
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    Brazil despite its economic success remains one of the inequality champions

    August 22nd, 2012

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    The ‘favelas’ or shanty towns that surround most Brazilian cities
        
        Brazil might be the leading economy in Latin America and has had a significant performance in reducing poverty in recent years, but it still remains among the countries with the highest inequality in the region together with Guatemala, Honduras and Colombia, points out the UN-Habitat report. In all four countries based on 2009 data, the Gini income per capita distribution index stood at 0.56, to which must be added Dominican Republic and Bolivia, two inequality champions with high concentration of wealth. This compares with the US and Portugal Gini indicator of 0.38, two countries that offer no relief since Portugal, for example, has the highest inequality index of the European Union.
         Nevertheless, Brazil advanced compared to 1990 when it had the highest degree of inequality and stood well ahead from the rest of the continent. But the region continues to have the highest inequality rate in spite of advances in helping income distribution. Among some of the causes for distribution improvement are productivity, upward trend of salaries and workers categories, strong economy and implementation of income transfer programs in several countries, particularly in the two leading economies, Brazil and Mexico. In the case of Brazil, the country’s economy now figures sixth at global level.
        Former president Lula da Silva and one of the most popular leaders in history of that country based his success precisely on the Bolsa Família Plan, which distributed a monthly basic food basket to millions, helping anywhere from 14 to 22 million climb out of poverty, plus ensuring his Workers Party an encouraging future.
        The Gini coefficient or index measures the inequality among values of a frequency distribution (for instance, levels of income). A Gini coefficient of zero expresses perfect equality where all values are the same (for instance, where everyone has an exactly equal income). A Gini coefficient of one (100 on the percentile scale) expresses maximal inequality among values (for instance, where only one person has all the income).

    (http://en.mercopress.com. Adaptado.)
    No trecho do segundo parágrafo – But the region continues to have the highest inequality rate in spite of advances in helping income distribution. –, in spite of equivale, em português, a
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    In the last paragraph, the phrase “…it’s no wonder they were long considered a matter of divine providence” most likely means approximately the same as which of the following?
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    According to the information in the article, the science of weather forecasting
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    According to the information in the article, Michael Fish
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    According to the information in the article, Kenneth D. Lukowiak and his team discovered in one test that
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    In the last sentence of paragraph 2, “that” in “And that is what the team did” most likely refers to which of the following?
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