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Questões do ENEM: Linguagens

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Resultados: 18.995 questões

Página 768 de 950

  • Linguagens

    Português

    “O Sinhô foi açoitar
    sozinho a negra Fulô.
    A negra tirou a saia
    e tirou o cabeção,
    de dentro dêle pulou
    nuinha a negra Fulô.

    Essa negra Fulô!
    Essa negra Fulô!

    Ó Fulô! Ó Fulô!
    Cadê, cadê teu Sinhô
    que Nosso Senhor me mandou?
    Ah! Foi você que roubou,
    foi você, negra Fulô?

    Essa negra Fulô!”
    (Jorge de Lima, Poesias Completas, v.1. Rio de Janeiro/Brasília: J.Aguilar e INL,
    1974, p. 121.)

    “A Sinhá mandou arrebentar-lhe os dentes:
    Fute, Cafute, Pé-de-pato, Não-sei-que-diga,
    avança na branca e me vinga.
    Exu escangalha ela, amofina ela,
    amuxila ela que eu não tenho defesa de homem,
    sou só uma mulher perdida neste mundão.
    Neste mundão.
    Louvado seja Oxalá.
    Para sempre seja louvado.”
    (Idem, p.164.)

    Essas duas cenas de ciúmes concluem dois textos diferentes de Jorge de Lima. A primeira pertence ao conhecido poema modernista “Essa negra Fulô”; a segunda, ao poema “História”, de Poemas Negros (1947). Em relação a “Essa negra Fulô”, o poema “História”, especificamente, representa
    Escolha uma alternativa para a questão 6e31a183-1d
  • Linguagens

    Português

    A partir dos anos 20, com os estudos desenvolvidos por Bakhtin e seu grupo, a língua passou a ser vista como um fenômeno social e os enunciados passaram a ser considerados como uma grande rede responsiva: cada enunciado responde a enunciado anterior e, ao mesmo tempo, espera resposta de um outro enunciado posterior.

                                                     Texto 2

                                                Super-Homem

                                                   (A Canção)

                                                           I

    Um dia

    Vivi a ilusão de que ser homem bastaria

    Que o mundo masculino tudo me daria

    Do que eu quisesse ter

                                                           II

    Que nada

    Minha porção mulher, que até então se resguardara

    É a porção melhor que trago em mim agora

    É que me faz viver

                                                          III

    Quem dera

    Pudesse todo homem compreender, oh, mãe,

                                                          [quem dera

    Ser no verão o apogeu da primavera

    E só por ela ser

                                                           IV

    Quem sabe

    O Super-homem venha nos restituir a glória

    Mudando como um deus o curso da história

    Por causa da mulher

                                                                                                                     (Gilberto Gil)

                                   (https://www.vagalume.com.br/search.php?q=super%20 homem)

    A divisão do Texto 2 em partes ou apartados nos mostra uma estrutura bem delimitada com uma sequência lógica que facilita sua compreensão. A atenção aos verbos empregados no poema é indispensável para que se possa explorar o sentido do texto.

    Relacione as quatro estrofes do poema aos comentários apresentados a seguir, numerando-os de I a IV, de acordo com cada uma delas.

    ( ) Revela esperança débil e frouxa, e expectativa. Esses dois sentimentos são linguisticamente manifestados por uma interjeição e um verbo no subjuntivo. Aparece, ainda, um gerúndio, demarcando a maneira como ocorre a ação.

    ( ) Expressa o tempo presente, dentro do qual se divisa um passado anterior a outro passado.

    ( ) Foi estruturada de modo a expressar desejo e vontade, função que se realiza com o uso da interjeição e de uma forma do subjuntivo.

    ( ) Inicia-se com uma expressão indicativa de tempo, mas de um tempo indeterminado. O emprego do pretérito perfeito sugere que a ação indicada pelo verbo já está concluída. Os recursos linguísticos empregados na estrofe imprimem, na mente do leitor, a inviabilização do que seria o desejo do sujeito lírico.

    A sequência correta, de cima para baixo, é:

    Escolha uma alternativa para a questão 0a9d1155-0d
  • Linguagens

    Português

    O texto 1 desta prova consta, como prefácio, da 2ª edição do romance Janelas Fechadas, do maranhense Josué Montello, publicado pela primeira vez em 1941. Foi escrito por Tristão de Athayde (Alceu Amoroso Lima), que compõe uma crítica na qual desenvolve ideias originais, como uma aproximação entre Benzinho, protagonista do romance de Montello, e Capitu.


    Imagem da questão de Português, UECE 2016, Interpretação de Textos

    Um dos fenômenos típicos da sociedade moderna, segundo palavras de Athayde, é “a confusão ou o desencontro entre os sexos”. Seguindo o raciocínio apresentado no texto, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 0a948656-0d
  • Linguagens

    Português

    O texto 1 desta prova consta, como prefácio, da 2ª edição do romance Janelas Fechadas, do maranhense Josué Montello, publicado pela primeira vez em 1941. Foi escrito por Tristão de Athayde (Alceu Amoroso Lima), que compõe uma crítica na qual desenvolve ideias originais, como uma aproximação entre Benzinho, protagonista do romance de Montello, e Capitu.


    Imagem da questão de Português, UECE 2016, Interpretação de Textos

    Considerando o raciocínio do autor do texto, atente ao que se diz nas seguintes afirmações:

    I. A paisagem do romance “Janelas Fechadas”, de Josué Montello, está para a paisagem tipicamente nordestina dos romances de José Lins do Rego e de José Américo, assim como o caráter da jovem Benzinho está para o tipo genuíno das jovens nordestinas e, de maneira geral, dos homens dessa região.

    II. A adolescente da cidade de São Luís está para a sofisticada Capitu, assim como a mesma adolescente está para qualquer das Inocências ou Moreninhas do romantismo da época.

    III. As razões do coração estão para Benzinho assim como o valor da ascensão social está para a mulher nordestina.

    Está correto o que se diz em

    Escolha uma alternativa para a questão 0a808bfc-0d
  • Linguagens

    Inglês

    TEXTO 6

    Arandir — Posso ir?

    Comissário Barros — Pode.

    Arandir (recuando, com sofrida humildade) — Então, boa tarde, boa tarde.

    Cunha — Um minutinho.

    Arandir (incerto) — Comigo?

    Cunha — Um momento.

    Barros — Já prestou declarações.

    Cunha (entre divertido e ameaçador) — Sei. Agora vai conversar comigo.

    Aruba (baixo e veemente para Arandir) — O delegado.

    Amado — Senta.

    Arandir (sentindo a pressão de novo ambiente) — Mas é que eu estou com um pouquinho de pressa. (Arandir começa a ter medo. Ele próprio não sabe de quê.)

    Cunha (com o riso ofegante) — Rapaz, a polícia não tem pressa.

    Amado — Mas senta. (Arandir olha em torno, como um bicho apavorado. Senta-se, finalmente.)

    Arandir (sem ter de quê) — Obrigado.

    Barros (baixo e reverente, para o delegado) — Ele é apenas testemunha.

    Cunha — Não te mete.

    (Arandir ergue-se, sôfrego.)

    Arandir — Posso telefonar?

    Cunha — Mais tarde.

    (Amado cutuca o fotógrafo.)

    Amado — Bate agora! (flash estoura. Arandir toma um choque.)

    Arandir — Retrato?

    Amado — Nervoso, rapaz?

    (Arandir senta-se, une os joelhos.)

    Arandir — Absolutamente!

    Cunha (lançando a pergunta como uma chicotada)

    — Você é casado, rapaz?

    Arandir — Não ouvi.

    Cunha (num berro) — Tira a cera dos ouvidos!

    Amado (inclinando-se para o rapaz) — Casado ou solteiro?

    Arandir — Casado.

    Cunha — Casado. Muito bem. (vira-se para Amado, com segunda intenção) O homem é casado. (para o Comissário Barros) Casado.

    Barros — Eu sabia.

    Arandir (com sofrida humildade) — O senhor deixa dar um telefonema rápido para minha mulher?

    Cunha (rápido e incisivo) — Gosta de sua mulher, rapaz?

    (Arandir, por um momento, acompanha o movimento do fotógrafo que se prepara para bater uma nova fotografia.)

    Arandir — Naturalmente!

    Cunha (com agressividade policial) — E não usa nada no dedo, por quê?

    Arandir (atarantado) — Um dia, no banheiro, caiu. Caiu a aliança. No ralo do banheiro.

    Amado — O que é que você estava fazendo na praça da Bandeira?

    Arandir — Bem. Fui lá e...

    Cunha (num berro) — Não gagueja, rapaz!

    Arandir (falando rápido) — Fui levar uma joia.

    Cunha (alto) — Joia!

    Arandir — Joia. Aliás, empenhar uma joia na Caixa Econômica. (Amado e Cunha cruzam as perguntas para confundir e levar Arandir ao desespero.)

    Amado — Casado há quanto tempo?

    Arandir — Eu?

    Cunha — Gosta de mulher, rapaz?

    ARANDIR (desesperado) — Quase um ano!

    Cunha (mais forte) — Gosta de mulher?

    Arandir (quase chorando) — Casado há um ano. (Cunha muda de voz, sem transição. Põe a mão no joelho do rapaz.)

    Cunha (caricioso e ignóbil) — Escuta. O que significa para ti. Sim, o que significa para “você” uma mulher!?

    Arandir (lento e olhando em torno) — Mas eu estou preso?

    Cunha (sem ouvi-lo e sempre melífluo) — Rapaz, escuta! Uma hipótese. Se aparecesse, aqui, agora, uma mulher, uma “boa”. Nua. Completamente nua. Qual seria. É uma curiosidade. Seria a tua reação? (Arandir olha, ora o Cunha, ora o Amado. Silêncio.)

    (RODRIGUES, Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 23-27.)

    In English there are different ways to say “Completamente nua” (Text 6). Read the sentences below and choose the one or ones which has or have the same idea:

    I - Someone is completely naked.

    II - Someone has nothing on.

    III - Someone doesn’t have anything on.

    IV - Someone ran through the yard with nothing on.

    The correct choice is:

    Escolha uma alternativa para a questão d18f09e1-e4
  • Linguagens

    Inglês

    TEXTO 4

    Não desejei a morte de minha filha. Ou desejei? Aí é que reside a dúvida, é onde habita o nó que nada nem ninguém no mundo tem o poder de desatar. O inconsciente, desculpe-me a vulgaridade do termo, minha filha, é uma merda. Sendo autônomo, o inconsciente age por si, sem pedir licença nem se revelar. Desejei ou não a morte de minha filha, hein? Você pode responder a essa pergunta? Alguém pode? Eu não posso. Busquei na fonte a resposta e ela não veio. Como minha filha havia feito, busquei nas águas do Cristal a cura imediata para uma dor que parecia infinda. A ferida tinha sido cavada pelas águas, então elas que tratassem de cicatrizá-la. O rio recusou meu corpo, mas não a dor. Nem o aconselhamento. Pediu tempo, apenas. Permaneci plantada no barranco, juntando ao seu caudal minhas lágrimas secas. Disseram que eu tinha enlouquecido, talvez tivesse mesmo. Em diálogo profundo, as águas me fizeram compreender verdades para as quais eu nunca havia me atinado. Todo rio tem seu leito, suas margens, seu limite, toda vez que ele avança além de seu leito original provoca estragos, descalabros. O rio de nossa vida não é diferente. Ele também está sujeito a limitações intransponíveis. Existe você e você; seu campo de visão, a capacidade de administrar o próprio caudal. Tem a hora de abrir e a hora de fechar as comportas. Felicidade ou dor, a escolha é sua, depende do grau de intensidade que você der a cada coisa. Hoje posso dizer que me conheço um pouquinho, mesmo assim, perguntas continuam sem resposta.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    In Barros’s paragraph, there is a lot of emphasis on liquidity, that is, the state of being liquid. For example, tear, water, river. Read the sentences below:

    I - There are lots of water lilies on the surface of river and lakes.

    II - The village is famous for its spectacular waterfalls.

    III - Can you tell me where the water fountain is? I am thirsty.

    IV - According to authorities, the water supply for the summer will be normal.

    Choose the ones which are related to this state. The best alternative is:

    Escolha uma alternativa para a questão d1632b34-e4
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 4

    Não desejei a morte de minha filha. Ou desejei? Aí é que reside a dúvida, é onde habita o nó que nada nem ninguém no mundo tem o poder de desatar. O inconsciente, desculpe-me a vulgaridade do termo, minha filha, é uma merda. Sendo autônomo, o inconsciente age por si, sem pedir licença nem se revelar. Desejei ou não a morte de minha filha, hein? Você pode responder a essa pergunta? Alguém pode? Eu não posso. Busquei na fonte a resposta e ela não veio. Como minha filha havia feito, busquei nas águas do Cristal a cura imediata para uma dor que parecia infinda. A ferida tinha sido cavada pelas águas, então elas que tratassem de cicatrizá-la. O rio recusou meu corpo, mas não a dor. Nem o aconselhamento. Pediu tempo, apenas. Permaneci plantada no barranco, juntando ao seu caudal minhas lágrimas secas. Disseram que eu tinha enlouquecido, talvez tivesse mesmo. Em diálogo profundo, as águas me fizeram compreender verdades para as quais eu nunca havia me atinado. Todo rio tem seu leito, suas margens, seu limite, toda vez que ele avança além de seu leito original provoca estragos, descalabros. O rio de nossa vida não é diferente. Ele também está sujeito a limitações intransponíveis. Existe você e você; seu campo de visão, a capacidade de administrar o próprio caudal. Tem a hora de abrir e a hora de fechar as comportas. Felicidade ou dor, a escolha é sua, depende do grau de intensidade que você der a cada coisa. Hoje posso dizer que me conheço um pouquinho, mesmo assim, perguntas continuam sem resposta.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    Em determinado momento do Texto 4, a narrativa ganha contornos argumentativos visíveis quando o enunciador (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d15a8a09-e4
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 3

                              Escalada para o inferno

    Iniciava-se ali, meu estágio no inferno. A ardida solidão corroía cada passo que eu dava. Via crucis vivida aos seis anos de idade, ao sol das duas horas. Vermelhidão por todos os lados daquela rua íngreme e poeirenta. Meus olhos pediam socorro mas só encontravam uma infinitude de terra e desolação. Tentava acompanhar os passos de meu pai. E eles eram enormes. Não só os passos mas as pernas. Meus olhos olhavam duplamente: para os passos e para as pernas e não alcançavam nem um nem outro. Apenas se defrontavam com um vazio empoeirado que entrava no meu ser inteiro. Eu queria chorar mas tinha medo. Tropeçava a cada tentativa de correr para alcançar meu pai. E eu tinha medo de ter medo. E eu tinha medo de chorar. E era um sofrimento com todos os vórtices de agonia. À minha frente, até onde meus olhos conseguiram enxergar, estavam os pés e as pernas de meu pai que iam firmes subindo subindo subindo sem cessar. À minha volta eu podia ver e sentir a terra vermelha e minha vida envolta num turbilhão de desespero. Na verdade eu não sabia muito bem para onde estava indo. Eu era bestializado nos meus próprios passos. Nas minhas próprias pernas. Tinha a impressão que o ponto de chegada era aquele redemoinho em que me encontrava e que dele nunca mais sairia. Na ânsia de ir sem querer ir eu gaguejava no caminhar. E olhava com sofreguidão para os meus pés e via ainda com mais aflição que os bicos de meus sapatos novos estavam sujos daquela poeira impregnante, vasculhante, suja. Eu sempre gostei de sapatos. Eu sempre gostei de sapatos novos. Novos e luzidios. E eles estavam sujos. Cobertos de poeira. E a subida prosseguia inalterada. Tentava olhar para o alto e só conseguia ver os enormes joelhos de meu pai que dobravam num ritmo compassado. Via suas pernas e seus pés. E só. Sentia, lá no fundo, um desejo calado de dizer alguma coisa. De dizer-lhe que parasse. Que fosse mais devagar. Que me amparasse. Mas esse desejo era um calo na minha pequenina garganta que jamais seria curado. E eu prossegui ao extremo de meus limites. Tinha de acontecer: desamarrou o cadarço de meu sapato. A loucura do sol das duas horas parece ter se engraçado pelo meu desatino. Tudo ficou muito mais quente. Tudo ficou mais empoeirado e muito mais vermelho. O desatino me levou ao choro. Não sei se chorei ou se choraminguei. Só sei que dei índices de que eu precisava de meu pai. E ele atendeu. Voltou-se para mim e viu que estava pisando no cadarço. Que estava prestes a cair. Então me socorreu. Olhou-me nos olhos com a expressão casmurra. Levou suas enormes mãos aos meus pés e amarrou o cadarço firmemente com um intrincado nó. A cena me levou a um estado de cegueira anestésica tão intensa que sofri uma espécie de amnésia passageira. Estado de torpor. Quando dei por mim, já tinha chegado ao meu destino: cadeira do barbeiro. Alta, prepotente e giratória. Ele, o barbeiro, cabeça enorme, mãos enormes, enormes unhas, sorriso nos lábios dos quais surgiam grandes caninos. Ele portava enorme máquina que apontava em minha direção. E ouvi a voz do pai: pode tirar quase tudo! deixa só um pouco em cima! Ali, finalmente, para lembrar Rimbaud, ia se encerrar meu estágio no inferno.

    (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 45-46.)

    Sobre o texto “Escalada para o inferno” (Texto 3), é correto afirmar que se trata de (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d15246d9-e4
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 2

                                    O milagre de viajar

    Quisera eu, então, decifrar

    os dias repletos de sombras moventes,

    à exaltação do que, insalubre, vaga

    pelos olhos dos homens.


    Quisera, enfim,

    saber por que das causas e quilhas

    de barco nenhum

    flui das tinas

    dos dias

    o fumo

    o rum(o)


    do que se foi e nunca mais será,

    como da via o milagre

    de viajar!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 142.)


    As palavras “decifrar” e “saber” presentes no Texto 2 com o sentido de descobrir caminhos que o homem deve tomar relembram o drama de Alice no país das maravilhas, sobre o qual René Dubos, professor de Biomedicina Ambiental, propõe algumas reflexões acerca da ciência e seus valores. O fragmento a seguir mostra que, para o professor, as respostas do Gato Cheshire evidenciam que os cientistas não sabem para onde o conhecimento está levando a humanidade.

    “Lewis Carroll era professor de matemática na Universidade de Oxford quando escreveu o seguinte em Alice no país das maravilhas:

    ‘– Gato Cheshire... quer fazer o favor de me dizer qual é o caminho que eu devo tomar?

    – Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato.

    – Não me interessa muito para onde... – disse Alice.

    – Não tem importância então o caminho que você tomar – disse o Gato.

    – ... contanto que eu chegue a algum lugar – acrescentou Alice como uma explicação.

    – Ah, disso pode ter certeza – disse o Gato – desde que caminhe bastante.’”

    (ARANHA, Maria Lúcia A.; MARTINS, Maria Helena P. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2009, p. 342.)


    Diz-se que a ciência não pode oferecer objetivos sociais porque os seus valores são intelectuais e não éticos. Porém, ela pode contribuir para a formulação de valores e, assim, estabelecer objetivos capazes de tornar o homem mais consciente das consequências de seus atos. A respeito das relações entre o fragmento de Lewis Carroll e as considerações do professor René Dubos, analise as afirmativas a seguir:

    I - A resposta dada pelo Gato Cheshire a Alice já enfatiza a importância de se chegar a um determinado lugar, pois o essencial na busca do conhecimento não são os valores e sim o fim último.

    II - A resposta do Gato aponta para uma reflexão: Alice precisa chegar a algum lugar, mas esse lugar pode ser indesejável. Portanto, ela deve fazer escolhas conscientes, para que esse lugar seja pelo menos desejável.

    III - Afirma-se que a ciência pode oferecer objetivos sociais porque os seus valores são éticos. Logo, todas as escolhas que Alice faz na busca de um caminho são pensadas e analisadas a fim de que esse caminho seja ético e justo; esse é o objetivo final da garota.

    IV - Na conversa entre Alice e o Gato está implícita a observação de que a menina chegaria a algum lugar se caminhasse bastante. Logo, a ciência não é um saber neutro, desinteressado, puramente intelectual, à margem do questionamento social e político acerca dos fins de suas pesquisas.

    Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:
    Escolha uma alternativa para a questão d13811a2-e4
  • Linguagens

    Português

    Considere as imagens e o texto, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, USP 2016, Interpretação de Textos


    II / São Francisco de Assis*

    Senhor, não mereço isto.

    Não creio em vós para vos amar.

    Trouxestes-me a São Francisco

    e me fazeis vosso escravo.


    Não entrarei, senhor, no templo,

    seu frontispício me basta.

    Vossas flores e querubins

    são matéria de muito amar.


    Dai-me, senhor, a só beleza

    destes ornatos. E não a alma.

    Pressente-se dor de homem,

    paralela à das cinco chagas.


    Mas entro e, senhor, me perco

    na rósea nave triunfal.

    Por que tanto baixar o céu?

    por que esta nova cilada?


    Senhor, os púlpitos mudos

    entretanto me sorriem.

    Mais que vossa igreja, esta

    sabe a voz de me embalar.


    Perdão, senhor, por não amar-vos.


    *O texto faz parte do conjunto de poemas “Estampas de Vila Rica”, que integra a edição crítica de Claro enigma. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

    Um aspecto do poema em que se manifesta a persistência de um valor afirmado também no Modernismo da década de 1920 é o
    Escolha uma alternativa para a questão ff7b8fcd-e1
  • Linguagens

    Português

    Observe a imagem e leia o texto, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, USP 2016, Interpretação de Textos

        O Comissário apertou-lhe mais a mão, querendo transmitir-lhe o sopro de vida. Mas a vida de Sem Medo esvaía-se para o solo do Mayombe, misturando-se às folhas em decomposição.

        [...]

        Mas o Comissário não ouviu o que o Comandante disse. Os lábios já mal se moviam.

        A amoreira gigante à sua frente. O tronco destaca-se do sincretismo da mata, mas se eu percorrer com os olhos o tronco para cima, a folhagem dele mistura-se à folhagem geral e é de novo o sincretismo. Só o tronco se destaca, se individualiza. Tal é o Mayombe, os gigantes só o são em parte, ao nível do tronco, o resto confunde-se na massa. Tal o homem. As impressões visuais são menos nítidas e a mancha verde predominante faz esbater progressivamente a claridade do tronco da amoreira gigante. As manchas verdes são cada vez mais sobrepostas, mas, num sobressalto, o tronco da amoreira ainda se afirma, debatendo-se. Tal é a vida.

        [...]

        Os olhos de Sem Medo ficaram abertos, contemplando o tronco já invisível do gigante que para sempre desaparecera no seu elemento verde.

    Pepetela, Mayombe.

    Consideradas no âmbito dos valores que são postos em jogo em Mayombe, as relações entre a árvore e a floresta, tal como concebidas e expressas no excerto, ensejam a valorização de uma conduta que corresponde à da personagem
    Escolha uma alternativa para a questão ff742570-e1
  • Linguagens

    Português

    Se pudesse mudar-se, gritaria bem alto que o roubavam. Aparentemente resignado, sentia um ódio imenso a qualquer coisa que era ao mesmo tempo a campina seca, o patrão, os soldados e os agentes da prefeitura. Tudo na verdade era contra ele. Estava acostumado, tinha a casca muito grossa, mas às vezes se arreliava. Não havia paciência que suportasse tanta coisa.

    - Um dia um homem faz besteira e se desgraça.

    Graciliano Ramos, Vidas secas.

    Tendo em vista as causas que a provocam, a revolta que vem à consciência de Fabiano, apresentada no texto como ainda contida e genérica, encontrará foco e uma expressão coletiva militante e organizada, em época posterior à publicação de Vidas secas, no movimento

    Escolha uma alternativa para a questão ff6ed892-e1
  • Linguagens

    Português

    Examine este cartaz, cuja finalidade é divulgar uma exposição de obras de Pablo Picasso.

    Imagem da questão de Português, USP 2016, Adjetivos

    Nas expressões “Mão erudita” e “Olho selvagem”, que compõem o texto do anúncio, os adjetivos “erudita” e “selvagem” sugerem que as obras do referido artista conjugam, respectivamente,

    Escolha uma alternativa para a questão ff4ba48c-e1
  • Linguagens

    Inglês

    The Future of Jobs

    http://www3.weforum.org/docs/WEF_Future_of_Jobs.pdf Acessado em 19/09/2016

    Today, we are at the beginning of a Fourth Industrial Revolution. Developments in genetics, artificial intelligence, robotics, nanotechnology, 3D printing and biotechnology, to name just a few, are all building on and amplifying one another. This will lay the foundation for a revolution more comprehensive and all-encompassing than anything we have ever seen. Smart systems — homes, factories, farms, grids or cities — will help tackle problems ranging from supply chain management to climate change. The rise of the sharing economy will allow people to monetize everything from their empty house to their car. 

    No que se refere à Quarta Revolução Industrial, o texto acima nos informa que
    Escolha uma alternativa para a questão 591b71f6-d8
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, PUC - RS 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

    Read the statements below and write

    1. for text 1 only
    2. for text 2 only
    3. for both texts

    ( ) The text warns against hasty assertions.
    ( ) The text is conceived in a persuasive style.
    ( ) The text makes someone’s annoyance explicit.
    ( ) The text involves the concept of brainwashing.
    ( ) The text resorts to illustration to enhance the arguments.

    The correct top-down sequence to fill in the brackets is
    Escolha uma alternativa para a questão 533057ab-d6
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, PUC - RS 2016, Futuro simples | Simple future

    In the text, the use of the word “will” in “will power” conveys the same idea as in
    Escolha uma alternativa para a questão 532d4a2a-d6
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    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, PUC - RS 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

    Read the phrases related to the method advertised in text 2.
    I. Struggling to slim down.
    II. Ceasing to crave caloric foods.
    III. Fostering weight loss.
    IV. Keeping track of your money
    According to text 2, one can infer that the only pieces of information that are NOT involved in the method recommended are
    Escolha uma alternativa para a questão 532a4637-d6
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    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, PUC - RS 2016, Preposições | Prepositions

    The correct prepositions to fill in blanks 1, 2 and 3 in text 2 are, respectively,
    Escolha uma alternativa para a questão 53274aaf-d6
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    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, PUC - RS 2016, Infinitivo e gerúndio | Infinitive and gerund

    According to the text, the verb structures that fill in the blanks in lines 02, 11 and 19 are, respectively,
    Escolha uma alternativa para a questão 53145b5f-d6
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    Literatura

    Leia o trecho da crônica A morte da Velhinha de Taubaté, de Luís Fernando Veríssimo, e analise as considerações que seguem, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).
    “Morreu no último dia 19, aos 90 anos de idade, de causa ignorada, a paulista conhecida como “a Velhinha de Taubaté”, que se tornou uma celebridade nacional há alguns anos por ser a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo. (...)
    As circunstâncias da morte da Velhinha de Taubaté ainda não estão esclarecidas. Sua sobrinha Suzette, que tem uma agência de acompanhantes de congressistas em Brasília embora a Velhinha acreditasse que ela fazia trabalho social com religiosas, informou que a Velhinha já tivera um pequeno acidente vascular ao saber da compra de votos para a reeleição do Fernando Henrique Cardoso, em quem ela acreditava muito, mas ficara satisfeita com as explicações e se recuperara.
    Segundo Suzette, ela estava acompanhando as CPIs, comentara a sinceridade e o espírito público de todos os componentes das comissões, nenhum dos quais estava fazendo política, e de todos os depoentes, e acreditava que, como todos estavam dizendo a verdade, a crise acabaria logo, mas ultimamente começara a dar sinais de desânimo e, para grande surpresa da sobrinha, descrença.
    A Velhinha acreditara em Lula desde o começo e até rebatizara o seu gato, que agora se chamava Zé. Acreditava principalmente no Palocci. Ela morreu na frente da televisão, talvez com o choque de alguma notícia. Mas a polícia mandou os restos do chá que a Velhinha estava tomando com bolinhos de polvilho para exame de laboratório. Pode ter sido suicídio.

    ( ) A crônica constrói-se por meio da crítica bemhumorada do autor à corrupção generalizada da classe política.
    ( ) O autor explora, nesse texto, a linguagem típica da notícia de jornal para apresentar a realidade brasileira de forma caricaturesca.
    ( ) A profissão de Suzette na crônica é apresentada de modo direto, sem eufemismos.
    ( ) FHC, Lula e Palocci são personagens reais a partir dos quais a fé da Velhinha na política se consolida.
    ( ) Luís Fernando Veríssimo é um autor que, em seus textos, explora outros gêneros textuais, como a notícia, o conto, o diálogo, a poesia.
    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
    Escolha uma alternativa para a questão 52e88b61-d6