Questões do ENEM: Significação Contextual de Palavras e Expressões. Sinônimos e Antônimos.

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955 questões encontradas. Mostrando a página 28 de 48.

  • 91AB827F-AF

    Português

    Advérbios
    UNESP · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão toma por base um fragmento da crônica Letra de canção e poesia, de Antonio Cicero.

           Como escrevo poemas e letras de canções, frequentemente perguntam-me se acho que as letras de canções são poemas. A expressão “letra de canção” já indica de que modo essa questão deve ser entendida, pois a palavra “letra” remete à escrita. O que se quer saber é se a letra, separada da canção, constitui um poema escrito.
         “Letra de canção é poema?” Essa formulação é inadequada. Desde que as vanguardas mostraram que não se pode determinar a priori quais são as formas lícitas para a poesia, qualquer coisa pode ser um poema. Se um poeta escreve letras soltas na página e diz que é um poema, quem provará o contrário?
           Neste ponto, parece-me inevitável introduzir um juízo de valor. A verdadeira questão parece ser se uma letra de canção é um bom poema. Entretanto, mesmo esta última pergunta ainda não é suficientemente precisa, pois pode estar a indagar duas coisas distintas: 1) Se uma letra de canção é necessariamente um bom poema; e 2) Se uma letra de canção é possivelmente um bom poema.
            Quanto à primeira pergunta, é evidente que deve ter uma resposta negativa. Nenhum poema é necessariamente um bom poema; nenhum texto é necessariamente um bom poema; logo, nenhuma letra é necessariamente um bom poema. Mas talvez o que se deva perguntar é se uma boa letra é necessariamente um bom poema. Ora, também a essa pergunta a resposta é negativa. Quem já não teve a experiência, em relação a uma letra de canção, de se emocionar com ela ao escutá-la cantada e depois considerá-la insípida, ao lê-la no papel, sem acompanhamento musical? Não é difícil entender a razão disso.
           Um poema é um objeto autotélico, isto é, ele tem o seu fim em si próprio. Quando o julgamos bom ou ruim, estamos a considerá-lo independentemente do fato de que, além de ser um poema, ele tenha qualquer utilidade. O poema se realiza quando é lido: e ele pode ser lido em voz baixa, interna, aural.
            Já uma letra de canção é heterotélica, isto é, ela não tem o seu fim em si própria. Para que a julguemos boa, é necessário e suficiente que ela contribua para que a obra lítero-musical de que faz parte seja boa. Em outras palavras, se uma letra de canção servir para fazer uma boa canção, ela é boa, ainda que seja ilegível. E a letra pode ser ilegível porque, para se estruturar, para adquirir determinado colorido, para ter os sons ou as palavras certas enfatizadas, ela depende da melodia, da harmonia, do ritmo, do tom da música à qual se encontra associada.
    (Folha de S.Paulo, 16.06.2007.)
    Nenhum poema é necessariamente um bom poema; nenhum texto é necessariamente um bom poema; logo, nenhuma letra é necessariamente um bom poema.


    O advérbio necessariamente, nas três ocorrências verificadas na passagem mencionada, equivale, pelo sentido, a:
    Escolha uma alternativa para a questão 91ab827f-af
  • 919DDC9E-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão toma por base um fragmento de Glória moribunda, do poeta romântico brasileiro Álvares de Azevedo (1831-1852).



    É uma visão medonha uma caveira?

    Não tremas de pavor, ergue-a do lodo.

    Foi a cabeça ardente de um poeta,

    Outrora à sombra dos cabelos loiros.

    Quando o reflexo do viver fogoso

    Ali dentro animava o pensamento,

    Esta fronte era bela. Aqui nas faces

    Formosa palidez cobria o rosto;

    Nessas órbitas — ocas, denegridas! —

    Como era puro seu olhar sombrio!



    Agora tudo é cinza. Resta apenas

    A caveira que a alma em si guardava,

    Como a concha no mar encerra a pérola,

    Como a caçoula a mirra incandescente.



    Tu outrora talvez desses-lhe um beijo;

    Por que repugnas levantá-la agora?

    Olha-a comigo! Que espaçosa fronte!

    Quanta vida ali dentro fermentava,

    Como a seiva nos ramos do arvoredo!

    E a sede em fogo das ideias vivas

    Onde está? onde foi? Essa alma errante

    Que um dia no viver passou cantando,

    Como canta na treva um vagabundo,

    Perdeu-se acaso no sombrio vento,

    Como noturna lâmpada apagou-se?

    E a centelha da vida, o eletrismo

    Que as fibras tremulantes agitava

    Morreu para animar futuras vidas?



    Sorris? eu sou um louco. As utopias,

    Os sonhos da ciência nada valem.

    A vida é um escárnio sem sentido,

    Comédia infame que ensanguenta o lodo.

    Há talvez um segredo que ela esconde;

    Mas esse a morte o sabe e o não revela.

    Os túmulos são mudos como o vácuo.

    Desde a primeira dor sobre um cadáver,

    Quando a primeira mãe entre soluços

    Do filho morto os membros apertava

    Ao ofegante seio, o peito humano

    Caiu tremendo interrogando o túmulo...

    E a terra sepulcral não respondia.



                        (Poesias completas, 1962.)

    E a centelha da vida, o eletrismo


    No contexto em que é empregado, o termo eletrismo, que não consta dos dicionários, significa:
    Escolha uma alternativa para a questão 919ddc9e-af
  • 82E602A6-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Texto 2


    A obra D. Guidinha do Poço conta a história de D. Margarida Reginaldo de Sousa Barros — conhecida como Guida ou Guidinha —, herdeira do Capitão-Mor Reginaldo Venceslau. Depois da morte do pai, ela se casa com o Major Joaquim Damião de Barros, o Major Quim, dezesseis anos mais velho do que ela. Embora tivessem casa na vila, fixaram residência na fazenda Poço da Moita, herdade de Margarida. Depois de alguns anos de casados, Margarida se apaixona por Secundino, jovem praciano, sobrinho do marido. Quando o Major Quim descobre a traição, pede o divórcio, que Guida não aceita. O Major deixa-a na fazenda e vai morar na casa da Vila. A mulher, então, contrata um capanga de nome Naiú para matar o marido. O caboclo faz o serviço, mas, quando é preso, revela que fora D. Margarida a mandante do homicídio.

    O capítulo que você lerá é o último da obra, quando se dá a prisão de D. Guidinha do Poço. 


    Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    Manuel de Oliveira Paiva. Dona Guidinha do Poço. p. 125-126. Texto adaptado. 

    “O crime nivela, como a virtude.” (linhas 114- 115) Essa frase axiomática significa que
    Escolha uma alternativa para a questão 82e602a6-af
  • 82CC4B7C-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Texto 2


    A obra D. Guidinha do Poço conta a história de D. Margarida Reginaldo de Sousa Barros — conhecida como Guida ou Guidinha —, herdeira do Capitão-Mor Reginaldo Venceslau. Depois da morte do pai, ela se casa com o Major Joaquim Damião de Barros, o Major Quim, dezesseis anos mais velho do que ela. Embora tivessem casa na vila, fixaram residência na fazenda Poço da Moita, herdade de Margarida. Depois de alguns anos de casados, Margarida se apaixona por Secundino, jovem praciano, sobrinho do marido. Quando o Major Quim descobre a traição, pede o divórcio, que Guida não aceita. O Major deixa-a na fazenda e vai morar na casa da Vila. A mulher, então, contrata um capanga de nome Naiú para matar o marido. O caboclo faz o serviço, mas, quando é preso, revela que fora D. Margarida a mandante do homicídio.

    O capítulo que você lerá é o último da obra, quando se dá a prisão de D. Guidinha do Poço. 


    Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    Manuel de Oliveira Paiva. Dona Guidinha do Poço. p. 125-126. Texto adaptado. 

    O substantivo “diligência” (linha 73) foi empregado, no texto, com o significado de
    Escolha uma alternativa para a questão 82cc4b7c-af
  • 82C8984D-AF

    Português

    Coesão e coerência
    UECE · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Texto 2


    A obra D. Guidinha do Poço conta a história de D. Margarida Reginaldo de Sousa Barros — conhecida como Guida ou Guidinha —, herdeira do Capitão-Mor Reginaldo Venceslau. Depois da morte do pai, ela se casa com o Major Joaquim Damião de Barros, o Major Quim, dezesseis anos mais velho do que ela. Embora tivessem casa na vila, fixaram residência na fazenda Poço da Moita, herdade de Margarida. Depois de alguns anos de casados, Margarida se apaixona por Secundino, jovem praciano, sobrinho do marido. Quando o Major Quim descobre a traição, pede o divórcio, que Guida não aceita. O Major deixa-a na fazenda e vai morar na casa da Vila. A mulher, então, contrata um capanga de nome Naiú para matar o marido. O caboclo faz o serviço, mas, quando é preso, revela que fora D. Margarida a mandante do homicídio.

    O capítulo que você lerá é o último da obra, quando se dá a prisão de D. Guidinha do Poço. 


    Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    Manuel de Oliveira Paiva. Dona Guidinha do Poço. p. 125-126. Texto adaptado. 

    A personagem Margarida é referida por várias palavras ou expressões. Observe o que se diz sobre esses elementos referenciais e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.


    ( ) A expressão “a presa mandatária”, a primeira a aparecer no texto (linha 75), antecipa a aparição de Guida como a assassina e indica uma posição tendenciosa do enunciador.

    ( ) O antropônimo “Guida” (linha 78), que já havia substituído a expressão “a presa mandatária”, é substituído pela expressão “a presa” (linha 83), o que reforça a estratégia de apresentar Guida, de antemão, como uma criminosa.

    ( ) No texto, a palavra “presa” pode assumir também o sentido de “coisa ou pessoa que alguém ou algo subjuga; coisa ou pessoa de que(m) alguém ou algo se apodera”.

    ( ) “Presa” vem substituída por “Naiú” (linha 96), o nome do assassino real. Isso iguala Guida àquele que, por uma ordem sua, apunhalou o Major.

    ( ) Na linha 103, o vocábulo “Naiú” foi substituído pela expressão “(a)a pobre senhora”. Essa substituição pode ser entendida ou como uma expressão da compaixão de um homem da Igreja ou como uma expressão de ironia do enunciador.


    Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:

    Escolha uma alternativa para a questão 82c8984d-af
  • 82BFB688-AF

    Português

    Análise sintática
    UECE · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Texto 1

    O texto 1 desta prova é da autoria do intelectual cearense Gustavo Barroso, que nasceu em Fortaleza, no ano de 1888 e morreu no Rio de Janeiro, em 1959. Professor, jornalista, ensaísta, romancista, foi membro da Academia Brasileira de Letras. A obra À margem da história do Ceará, em dois volumes, foi seu último trabalho. É uma reunião de setenta e seis artigos e crônicas que falam exclusivamente sobre a história do Ceará entre 1608 e 1959. O texto transcrito abaixo foi extraído do segundo volume e, como vocês poderão ver, é um artigo sobre a obra do também cearense Manuel de Oliveira Paiva, Dona Guidinha do Poço. Servindo-se de uma pesquisa feita pelo historiador Ismael Pordeus, Gustavo Barroso fala do romance de Oliveira Paiva, mais especificamente, das relações entre essa obra literária e a verdade histórica que ela transfigura. 


    Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    Gustavo Barroso. À margem da história do Ceará. v. 2, 3 ed. p. 347-350. Texto adaptado.

    Considere o seguinte extrato transcrito do texto: “o romance narra simplesmente, com nomes e topônimos diversos, o crime cometido pela velha Lessa a mulher que matou o marido da molecada fortalezense de há mais de meio século.” (linhas 31- 36). O excerto traz uma ambiguidade causada pela construção sintática: “a mulher que matou o marido da molecada fortalezense de há mais de um século” (linhas 34-36).


    Observe o que se comenta sobre o extrato e assinale a opção INCORRETA.

    Escolha uma alternativa para a questão 82bfb688-af
  • 82AF89F2-AF

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto 1

    O texto 1 desta prova é da autoria do intelectual cearense Gustavo Barroso, que nasceu em Fortaleza, no ano de 1888 e morreu no Rio de Janeiro, em 1959. Professor, jornalista, ensaísta, romancista, foi membro da Academia Brasileira de Letras. A obra À margem da história do Ceará, em dois volumes, foi seu último trabalho. É uma reunião de setenta e seis artigos e crônicas que falam exclusivamente sobre a história do Ceará entre 1608 e 1959. O texto transcrito abaixo foi extraído do segundo volume e, como vocês poderão ver, é um artigo sobre a obra do também cearense Manuel de Oliveira Paiva, Dona Guidinha do Poço. Servindo-se de uma pesquisa feita pelo historiador Ismael Pordeus, Gustavo Barroso fala do romance de Oliveira Paiva, mais especificamente, das relações entre essa obra literária e a verdade histórica que ela transfigura. 


    Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    Gustavo Barroso. À margem da história do Ceará. v. 2, 3 ed. p. 347-350. Texto adaptado.

    Escolha, dentre as opções abaixo, a única cujo provérbio tem o mesmo sentido do provérbio do texto:“saiu-lhe o trunfo às avessas” (linha 63).
    Escolha uma alternativa para a questão 82af89f2-af
  • 0EE4C951-4E

    Português

    Interpretação de Textos
    ENEM · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Em um mundo onde o “boca a boca” tornou-se virtual, é de extrema importância que a empresa se faça presente e tenha um bom canal de comunicação com o consumidor. Enfim, a empresa deve saber interagir com o seu consumidor, atender às suas necessidades, dúvidas e estabelecer um contato direto, claro e contínuo com os consumidores cada vez mais exigentes.

    Disponível em: www.agenciars.com.br. Acesso em: 26 fev. 2012.


    O texto apresenta um assunto interessante e atual, uma vez que a internet constitui-se como um meio de comunicação eficiente. Nesse contexto, “boca a boca” é uma expressão indicadora de que

    Escolha uma alternativa para a questão 0ee4c951-4e
  • D45B0AFC-96

    Português

    Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    CEDERJ · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
                                                        Infância

         
    Uma noite, depois do café, meu pai me mandou buscar um livro que deixara na cabeceira da cama. Novidade: meu velho nunca se dirigia a mim. E eu, engolido o café, beijava-lhe a mão, porque isto era praxe, mergulhava na rede e adormecia. Espantado, entrei no quarto, peguei com repugnância o antipático objeto e voltei à sala de jantar. Aí recebi ordem para me sentar e abrir o volume. Obedeci engulhando, com a vaga esperança de que uma visita me interrompesse. Ninguém nos visitou naquela noite extraordinária.

          Meu pai determinou que eu principiasse a leitura. Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando, gemendo uma cantilena medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas e repisando linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. Parei surpreendido, virei a folha, continuei a arrastar-me na gemedeira, como um carro em estrada cheia de buracos.

          Com certeza o negociante recebera alguma dívida perdida: no meio do capítulo pôs-se a conversar comigo, perguntou-me se eu estava compreendendo o que lia. Explicou-me que se tratava de uma história, um romance, exigiu atenção e resumiu a parte já lida. Um casal com filhos andava numa floresta, em noite de inverno, perseguido por lobos, cachorros selvagens. Depois de muito correr, essas criaturas chegavam à cabana de um lenhador. Era ou não era? Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Animei-me a parolar. Sim, realmente havia alguma coisa no livro, mas era difícil conhecer tudo.

          Alinhavei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa confusa, aventurando-me às vezes a inquirir. E uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se, ressurgia, vacilante, nas trevas do meu espírito.

          Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos e o lenhador agitaram-me o sono. Dormi com eles, acordei com eles. As horas voaram. Alheio à escola, aos brinquedos de minhas irmãs, à tagarelice dos moleques, vivi com essas criaturas de sonho, incompletas e misteriosas.

          À noite meu pai me pediu novamente o volume, e a cena da véspera se reproduziu: leitura emperrada, mal-entendidos, explicações.

            Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso. E no dia seguinte, quando me preparei para moer a narrativa, afastou-me com um gesto, carrancudo.

          Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito preciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de me haver ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sensação de perda e ruína, em seguida uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto eram boas demais para mim e não podiam durar.


                                                     RAMOS, Graciliano. Infância. São Paulo: Record, 1995. p.187-191.

    Leia o trecho:

    Uma noite, depois do café, meu pai me mandou buscar um livro que deixara na cabeceira da cama. Novidade: meu velho nunca se dirigia a mim.

    As formas verbais assinaladas indicam, respectivamente, os seguintes aspectos do passado:
    Escolha uma alternativa para a questão d45b0afc-96
  • D44451F2-96

    Português

    Interpretação de Textos
    CEDERJ · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
                                                        Infância

         
    Uma noite, depois do café, meu pai me mandou buscar um livro que deixara na cabeceira da cama. Novidade: meu velho nunca se dirigia a mim. E eu, engolido o café, beijava-lhe a mão, porque isto era praxe, mergulhava na rede e adormecia. Espantado, entrei no quarto, peguei com repugnância o antipático objeto e voltei à sala de jantar. Aí recebi ordem para me sentar e abrir o volume. Obedeci engulhando, com a vaga esperança de que uma visita me interrompesse. Ninguém nos visitou naquela noite extraordinária.

          Meu pai determinou que eu principiasse a leitura. Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando, gemendo uma cantilena medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas e repisando linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. Parei surpreendido, virei a folha, continuei a arrastar-me na gemedeira, como um carro em estrada cheia de buracos.

          Com certeza o negociante recebera alguma dívida perdida: no meio do capítulo pôs-se a conversar comigo, perguntou-me se eu estava compreendendo o que lia. Explicou-me que se tratava de uma história, um romance, exigiu atenção e resumiu a parte já lida. Um casal com filhos andava numa floresta, em noite de inverno, perseguido por lobos, cachorros selvagens. Depois de muito correr, essas criaturas chegavam à cabana de um lenhador. Era ou não era? Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Animei-me a parolar. Sim, realmente havia alguma coisa no livro, mas era difícil conhecer tudo.

          Alinhavei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa confusa, aventurando-me às vezes a inquirir. E uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se, ressurgia, vacilante, nas trevas do meu espírito.

          Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos e o lenhador agitaram-me o sono. Dormi com eles, acordei com eles. As horas voaram. Alheio à escola, aos brinquedos de minhas irmãs, à tagarelice dos moleques, vivi com essas criaturas de sonho, incompletas e misteriosas.

          À noite meu pai me pediu novamente o volume, e a cena da véspera se reproduziu: leitura emperrada, mal-entendidos, explicações.

            Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso. E no dia seguinte, quando me preparei para moer a narrativa, afastou-me com um gesto, carrancudo.

          Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito preciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de me haver ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sensação de perda e ruína, em seguida uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto eram boas demais para mim e não podiam durar.


                                                     RAMOS, Graciliano. Infância. São Paulo: Record, 1995. p.187-191.

    A sequência de palavras e expressões em que se concretiza com mais propriedade a transformação da relação do menino com a leitura é:
    Escolha uma alternativa para a questão d44451f2-96
  • CF7E3458-94

    Português

    Interpretação de Textos
    UERJ · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    Ao descrever sua criação, Joana expressa uma opinião crítica acerca das redes sociais existentes. Essa crítica é reforçada, nas falas da personagem, principalmente pelo uso de:
    Escolha uma alternativa para a questão cf7e3458-94
  • CF786020-94

    Português

    Interpretação de Textos
    UERJ · 2013FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    No diálogo das personagens da tira, há mais de uma ocorrência de paradoxo, ou seja, uma combinação de termos ou expressões que se contradizem.

    O melhor exemplo de paradoxo presente na fala de Joana é:

    Escolha uma alternativa para a questão cf786020-94
  • DDF3B421-24

    Português

    Figuras de Linguagem
    SENAC-SP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    Considere a tirinha e as afirmativas abaixo.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2013


    I. O humor da tirinha provém do fato de Calvin usar a palavra “rua" em sentido figurado em um quadro e em sentido literal em outro.

    II. Na expressão sabedoria das ruas, percebe-se o uso de linguagem denotativa.

    III. Na frase ele não é inteligente, mas tem a sabedoria das ruas, há uma crítica e uma ressalva que atenua essa mesma crítica.

    IV. Infere-se da tirinha que um menino visto como “valentão" não pode ser inteligente.


    Está correto o que se afirma APENAS em

    Escolha uma alternativa para a questão ddf3b421-24
  • B3C40C32-E5

    Português

    Interpretação de Textos
    FMP · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    imagem-001.jpg
    imagem-003.jpg Em que sentença o uso da palavra até é feito como em “... o povo aqui se apaixona até pelos assuntos mais infantis,” (Texto I, l 8-9)
    Escolha uma alternativa para a questão b3c40c32-e5
  • B285CF77-E5

    Português

    Coesão e coerência
    FMP · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritos
    imagem-001.jpg
    imagem-003.jpg A sentença do Texto II “Ficou um instante assim besta, olhando os filhos, a mulher e a bagagem pesada.” ( l 9-10) foi reescrita alterando-se a colocação dos termos e a pontuação.

    A senteça alterada que mantém o sentido da original é:
    Escolha uma alternativa para a questão b285cf77-e5
  • DA2B9E55-E0

    Português

    Interpretação de Textos
    UFTM · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2013

    Em relação aos dois parágrafos transcritos, o título do texto contém informação.
    Escolha uma alternativa para a questão da2b9e55-e0
  • D676C16B-E0

    Português

    Coesão e coerência
    UFTM · 2013DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Em nossos dias, o neo­indianismo dos modernos de 1922 (precedido por meio século de etnografia sistemática) iria acen­ tuar aspectos autênticos da vida do índio, encarando­o, não como gentil­homem embrionário, mas como primitivo, cujo inte­ resse residia precisamente no que trouxesse de diferente, contra­ ditório em relação à nossa cultura europeia. O indianismo dos românticos, porém, preocupou­se sobremaneira em equipará­lo qualitativamente ao conquistador, realçando ou inventando aspectos do seu comportamento que pudessem fazê­lo ombrear com este - no cavalheirismo, na generosidade, na poesia.

    A altivez, o culto da vindita, a destreza bélica, a genero­ sidade, encontravam alguma ressonância nos costumes abo­ rígines, como os descreveram cronistas nem sempre capazes de observar fora dos padrões europeus e, sobretudo, como os quiseram deliberadamente ver escritores animados do desejo patriótico de chancelar a independência política do país com o brilho de uma grandeza heroica especificamente brasileira.
    Considere as passagens do texto:

    [...] encarando­o , não como gentil­homem embrionário [...]

    [...] cujo interesse residia precisamente [...].

    [...] como os descreveram cronistas [...].

    Os substantivos retomados pelos pronomes sublinhados são, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão d676c16b-e0
  • D2BEE241-E0

    Português

    Interpretação de Textos
    UFTM · 2013MédioEntre para guardar nos favoritos
    imagem-021.jpg Na charge, para efeito de humor, faz-se um jogo de palavras
    Escolha uma alternativa para a questão d2bee241-e0