Questões do ENEM: Orações Intercaladas
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4AC9B1EE-75 O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:— O que está escrito aqui?— O nome do remédio.— Sei, mas qual é o remédio?— Você é quem tem de saber.— Mas como vou saber, se não entendo a letra?— Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?— Vou ver.Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.— Não temos.— Acabou ou está em falta?— Está em falta.Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.— Não temos.— Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico. — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:— Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.(Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)1 champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.2 aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.“Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado.” (1o parágrafo)No contexto em que se insere, o termo sublinhado expressa ideia deF24431B6-F9 Português
Orações IntercaladasPUC - SP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos“É dever das titulares de um blog feminino e feminista trazer a público, sabendo ser verdadeira, uma denúncia de prática machista.”
• Nesse trecho do antepenúltimo parágrafo, a intercalação da oração demarcada por vírgulas implica
F359FB17-B0 Português
Interpretação de TextosPUC - SP · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosDesafio da nossa época é lidar com a abundânciaLeandro Narloch, Folha de S.Paulo - 25.abr.2018 às 9h06A abundância, quem diria, se tornou um problema. A humanidade passou milênios tentando sobreviver à fome, ao desabrigo e à escassez: hoje precisa aprender a lidar com excesso.
Temos alimentos demais, bugigangas demais, roupas,
carros, embalagens, papéis, remédios, drogas, livros, filmes,
eletrônicos e diversões demais. Ainda estamos aprendendo a
viver no meio de tantas coisas.
É uma delícia de problema, é claro. Até o século 18, a teoria
malthusiana fazia sentido. O crescimento da população levava
à escassez de comida e assim à diminuição da poluição. Crises
de fome ceifavam multidões todos os séculos.
A Revolução Industrial nos fez escapar dessa armadilha.
Produzindo mais com menos esforço, operamos um milagre: a
população explodiu e a riqueza também. A fome, até então uma
condição natural da humanidade, se tornou uma anomalia. Luxos que antes eram reservados a reis ou milionários (chás ou janelas com vidros e cortinas, por exemplo) entraram na casa de trabalhadores comuns.
É claro que boa parte do mundo ainda enfrenta a fome e a escassez. Mas não é por falta de conhecimento que isso acontece. Pelo contrário, o caminho da prosperidade já está mais ou menos mapeado e pavimentado.
A abundância é um tipo de problema chique, que todo mundo gostaria de ter. Como o da grã-fina que está cansada de passar as férias em Paris. Mas ainda assim é um problema.
Muitas más notícias que os jornais publicam hoje são produtos da abundância: o trânsito, a obesidade, a poluição, o lixo, o tempo que crianças gastam em frente a telas. Não só crianças, mas os adultos — que em média tocam 2600 vezes no celular por dia.
As pessoas parecem meio perdidas entre tanto conforto e atrações que desviam a atenção. Se perdem em realizações imediatas de consumo, sem foco e força de vontade para perseguir grandes desejos ou objetivos mais ousados.
Se o problema já é grave hoje, imagine no futuro. O autocontrole será cada vez mais necessário. Nossos filhos e netos terão que aprender desde cedo a se controlar diante do excesso de comida, de drogas, de opções de vida e de diversão.
O mundo capitalista já resolveu o problema da escassez: precisa agora de uma educação para a abundância.
Leandro Narloch - Jornalista, mestre em filosofia e autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, entre outros.
Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/leandro-narloch/2018/04/desafio-da-nossa-epoca-e-lidar-com-a-abundancia.shtm> Acesso em: 25 abr. 2018.
Qual o efeito de sentido da oração intercalada “quem diria”, no primeiro parágrafo do texto 1?