Questões do ENEM: Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

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5.815 questões encontradas. Mostrando a página 43 de 291.

  • DF5E0248-7B

    Português

    Coesão e coerência
    USP · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos

    Psicanálise do açúcar


    O açúcar cristal, ou açúcar de usina,

    mostra a mais instável das brancuras:

    quem do Recife sabe direito o quanto,

    e o pouco desse quanto, que ela dura.

    Sabe o mínimo do pouco que o cristal

    se estabiliza cristal sobre o açúcar,

    por cima do fundo antigo, de mascavo,

    do mascavo barrento que se incuba;

    e sabe que tudo pode romper o mínimo

    em que o cristal é capaz de censura:

    pois o tal fundo mascavo logo aflora

    quer inverno ou verão mele o açúcar.


    Só os banguês* que-ainda purgam ainda

    o açúcar bruto com barro, de mistura;

    a usina já não o purga: da infância,

    não de depois de adulto, ela o educa;

    em enfermarias, com vácuos e turbinas,

    em mãos de metal de gente indústria,

    a usina o leva a sublimar em cristal

    o pardo do xarope: não o purga, cura.

    Mas como a cana se cria ainda hoje,

    em mãos de barro de gente agricultura,

    o barrento da pré-infância logo aflora

    quer inverno ou verão mele o açúcar.

    João Cabral de Melo Neto, A Educação pela Pedra.


    *banguê: engenho de açúcar primitivo movido a força animal. 

    Na oração "que ela dura" (v. 4), o pronome sublinhado
    Escolha uma alternativa para a questão df5e0248-7b
  • DF5B7257-7B

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos

    Psicanálise do açúcar


    O açúcar cristal, ou açúcar de usina,

    mostra a mais instável das brancuras:

    quem do Recife sabe direito o quanto,

    e o pouco desse quanto, que ela dura.

    Sabe o mínimo do pouco que o cristal

    se estabiliza cristal sobre o açúcar,

    por cima do fundo antigo, de mascavo,

    do mascavo barrento que se incuba;

    e sabe que tudo pode romper o mínimo

    em que o cristal é capaz de censura:

    pois o tal fundo mascavo logo aflora

    quer inverno ou verão mele o açúcar.


    Só os banguês* que-ainda purgam ainda

    o açúcar bruto com barro, de mistura;

    a usina já não o purga: da infância,

    não de depois de adulto, ela o educa;

    em enfermarias, com vácuos e turbinas,

    em mãos de metal de gente indústria,

    a usina o leva a sublimar em cristal

    o pardo do xarope: não o purga, cura.

    Mas como a cana se cria ainda hoje,

    em mãos de barro de gente agricultura,

    o barrento da pré-infância logo aflora

    quer inverno ou verão mele o açúcar.

    João Cabral de Melo Neto, A Educação pela Pedra.


    *banguê: engenho de açúcar primitivo movido a força animal. 

    Os últimos quatro versos do poema rompem com a série de contrapontos entre a usina e o banguê, pois
    Escolha uma alternativa para a questão df5b7257-7b
  • DF57B6DB-7B

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, USP 2021, Interpretação de Textos


    O efeito de humor presente nas falas das personagens decorre

    Escolha uma alternativa para a questão df57b6db-7b
  • DF54A92B-7B

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

    Remissão


    Tua memória, pasto de poesia,

    tua poesia, pasto dos vulgares,

    vão se engastando numa coisa fria

    a que tu chamas: vida, e seus pesares.


    Mas, pesares de quê? perguntaria,

    se esse travo de angústia nos cantares,

    se o que dorme na base da elegia

    vai correndo e secando pelos ares,


    e nada resta, mesmo, do que escreves

    e te forçou ao exílio das palavras,

    senão contentamento de escrever,


    enquanto o tempo, e suas formas breves

    ou longas, que sutil interpretavas,

    se evapora no fundo do teu ser?

    Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.


    Claro enigma apresenta, por meio do lirismo reflexivo, o posicionamento do escritor perante a sua condição no mundo. Considerando-o como representativo desse seu aspecto, o poema "Remissão"

    Escolha uma alternativa para a questão df54a92b-7b
  • DF51337F-7B

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

    Rubião fitava a enseada, - eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas em verdade vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora! Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.

    - Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...

    Machado de Assis, Quincas Borba.


    O primeiro capítulo de Quincas Borba já apresenta ao leitor um elemento que será fundamental na construção do romance:

    Escolha uma alternativa para a questão df51337f-7b
  • DF4E3A3E-7B

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leusipo perguntou o que eu tinha ido fazer na aldeia. Preferi achar que o tom era amistoso e, no meu paternalismo ingênuo, comecei a lhe explicar o que era um romance. Eu tentava convencê-lo de que não havia motivo para preocupação. Tudo o que eu queria saber já era conhecido. E ele me perguntava: "Então, por que você quer saber, se já sabe?" Tentei lhe explicar que pretendia escrever um livro e mais uma vez o que era um romance, o que era um livro de ficção (e mostrava o que tinha nas mãos), que seria tudo historinha, sem nenhuma consequência na realidade. Ele seguia incrédulo. Fazia-se de desentendido, mas na verdade só queria me intimidar. As minhas explicações sobre o romance eram inúteis. Eu tentava dizer que, para os brancos que não acreditam em deuses, a ficção servia de mitologia, era o equivalente dos mitos dos índios, e antes mesmo de terminar a frase, já não sabia se o idiota era ele ou eu. Ele não dizia nada a não ser: "O que você quer com o passado?". Repetia. E, diante da sua insistência bovina, tive de me render à evidência de que eu não sabia responder à sua pergunta.

    Bernardo Carvalho, Nove noites. Adaptado.

    Na cena apresentada, que explora o desconforto gerado pela difícil interlocução com o indígena, o narrador
    Escolha uma alternativa para a questão df4e3a3e-7b
  • DF4AE0E6-7B

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leusipo perguntou o que eu tinha ido fazer na aldeia. Preferi achar que o tom era amistoso e, no meu paternalismo ingênuo, comecei a lhe explicar o que era um romance. Eu tentava convencê-lo de que não havia motivo para preocupação. Tudo o que eu queria saber já era conhecido. E ele me perguntava: "Então, por que você quer saber, se já sabe?" Tentei lhe explicar que pretendia escrever um livro e mais uma vez o que era um romance, o que era um livro de ficção (e mostrava o que tinha nas mãos), que seria tudo historinha, sem nenhuma consequência na realidade. Ele seguia incrédulo. Fazia-se de desentendido, mas na verdade só queria me intimidar. As minhas explicações sobre o romance eram inúteis. Eu tentava dizer que, para os brancos que não acreditam em deuses, a ficção servia de mitologia, era o equivalente dos mitos dos índios, e antes mesmo de terminar a frase, já não sabia se o idiota era ele ou eu. Ele não dizia nada a não ser: "O que você quer com o passado?". Repetia. E, diante da sua insistência bovina, tive de me render à evidência de que eu não sabia responder à sua pergunta.

    Bernardo Carvalho, Nove noites. Adaptado.

    As respostas do narrador às perguntas de Leusipo são uma tentativa de disfarçar o caráter
    Escolha uma alternativa para a questão df4ae0e6-7b
  • DF443ED4-7B

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2021DifícilEntre para guardar nos favoritos

    I


    - Traíste-me, Sem Medo. Tu traíste-me.

    ( ...)

    Sabes o que tu és afinal, Sem Medo? És um ciumento. Chego a pensar se não és homossexual. Tu querias-me só, como tu. Um solitário do Mayombe. (...) Desprezo-te. (...) Nunca me verás atrás de uma garrafa vazia. (...) Cada sucesso que eu tiver, será a paga da tua bofetada, pois não serei um falhado como tu.

    Pepetela, Mayombe. Adaptado.


    II

    - Peço-te perdão, Sem Medo. Não te compreendí, fui um imbecil. E quis igualar o inigualável.

    Pepetela, Mayombe.


    Esses excertos de Mayombe referem-se a conversas entre as personagens Comissário e Sem Medo em momentos distintos do romance. Em I e II, as falas do Comissário revelam, respectivamente,

    Escolha uma alternativa para a questão df443ed4-7b
  • DF4146E5-7B

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

    Alferes, Ouro Preto em sombras

    Espera pelo batizado,

    Ainda que tarde sobre a morte do sonhador

    Ainda que tarde sobre as bocas do traidor.

    Raios de sol brilharão nos sinos:

    Dez vias dar.


    Ai Marilia, as liras e o amor

    Não posso mais sufocar

    E a minha voz irá

    Pra muito além do desterro e do sal,

    Maior que a voz do rei.

    Aldir Blanc e João Bosco, trecho da canção "Alferes", de 1973.


    A imagem deTiradentes-a quem Cecília Meireles qualificou "o Alferes imortal, radiosa expressão dos mais altos sonhos desta cidade, do Brasil e do próprio mundo", em palestra feita em Ouro Preto - torna a aparecer como símbolo da luta pela liberdade em vários momentos da cultura nacional. Os versos do letrista Aldir Blanc evocam, em novo contexto, o mártir sonhador para resistir ao discurso

    Escolha uma alternativa para a questão df4146e5-7b
  • DF3DB253-7B

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

    Romance LIII ou Das Palavras Aéreas


    Ai, palavras, ai, palavras,

    que estranha potência, a vossa!

    Ai, palavras, ai, palavras,

    sois de vento, ides no vento,

    no vento que não retorna,

    e, em tão rápida existência,

    tudo se forma e transforma!


    Sois de vento, ides no vento,

    e quedais, com sorte nova! (...)


    Ai, palavras, ai, palavras,

    que estranha potência, a vossa!

    Perdão podieis ter sido!

    - sois madeira que se corta,

    - sois vinte degraus de escada,

    - sois um pedaço de corda...

    - sois povo pelas janelas,

    cortejo, bandeiras, tropa...


    Ai, palavras, ai, palavras,

    que estranha potência, a vossa!

    Éreis um sopro na aragem...

    - sois um homem que se enforca!

    Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência

    A "estranha potência" que a voz lírica ressalta nas palavras decorre de uma combinação entre
    Escolha uma alternativa para a questão df3db253-7b
  • DF3503B1-7B

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

    - Posso furar os olhos do povo?

    Esta frase besta foi repetida muitas vezes e, em falta de coisa melhor, aceitei-a. Sem dúvida. As mulheres hoje não vivem como antigamente, escondidas, evitando os homens. Tudo é descoberto, cara a cara. Uma pessoa topa outra. Se gostou, gostou; se não gostou, até logo. E eu de fato não tinha visto nada. As aparências mentem. A terra não é redonda? Esta prova da inocência de Marina me pareceu considerável. Tantos indivíduos condenados injustamente neste mundo ruim! O retirante que fora encontrado violando afilha de quatro anos - estava ai um exemplo. As vizinhas tinham visto o homem afastando as pernas da menina, todo o mundo pensava que ele era um monstro. Engano. Quem pode lá jurar que isto é assim ou assado? Procurei mesmo capacitar-me de que Julião Tavares não existia. Julião Tavares era uma sensação. Uma sensação desagradável, que eu pretendia afastar de minha casa quando me juntasse àquela sensação agradável que ali estava a choramingar.

    Graciliano Ramos, Angústia.


    Em termos críticos, esse fragmento permite observar que, no plano maior do romance Angústia, o ponto de vista

    Escolha uma alternativa para a questão df3503b1-7b
  • D76CBF73-72

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos
    Cruz na porta da tabacaria!
    Quem morreu? O próprio Alves? Dou
    Ao diabo o bem-’star que trazia.
    Desde ontem a cidade mudou.

    Quem era? Ora, era quem eu via.
    Todos os dias o via. Estou
    Agora sem essa monotonia.
    Desde ontem a cidade mudou.

    Ele era o dono da tabacaria.
    Um ponto de referência de quem sou.
    Eu passava ali de noite e de dia.
    Desde ontem a cidade mudou.

    Meu coração tem pouca alegria,
    E isto diz que é morte aquilo onde estou.
    Horror fechado da tabacaria!
    Desde ontem a cidade mudou.

    Mas ao menos a ele alguém o via,
    Ele era fixo, eu, o que vou,
    Se morrer, não falto, e ninguém diria:
    Desde ontem a cidade mudou.

    (Obra poética, 1997.)
    No poema, o eu lírico sente-se
    Escolha uma alternativa para a questão d76cbf73-72
  • D755F4FE-72

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

        A palavra sonho, do latim somnium, significa muitas coisas diferentes, todas vivenciadas durante a vigília, e não durante o sono. Realizei “o sonho da minha vida”, “meu sonho de consumo” são frases usadas cotidianamente pelas pessoas para dizer que pretendem ou conseguiram alcançar algo. Todo mundo tem um sonho, no sentido de plano futuro. Todo mundo deseja algo que não tem. Por que será que o sonho, fenômeno normalmente noturno que tanto pode evocar o prazer quanto o medo, é justamente a palavra usada para designar tudo aquilo que se quer ter?
        
        O repertório publicitário contemporâneo não tem dúvidas de que o sonho é a força motriz de nossos comportamentos. Desejo é o sinônimo mais preciso da palavra “sonho”. [...] Na área de desembarque de um aeroporto nos Estados Unidos, uma foto enorme de um casal belo e sorridente, velejando num mar caribenho em dia ensolarado, sob a frase enigmática: “Aonde seus sonhos o levarão?”, embaixo o logotipo da empresa de cartão de crédito. Deduz-se do anúncio que os sonhos são como veleiros, capazes de levar-nos a lugares idílicos, perfeitos, altamente… desejáveis. As equações “sonho é igual a desejo que é igual a dinheiro” têm como variável oculta a liberdade de ir, ser e principalmente ter, liberdade que até os mais miseráveis podem experimentar no mundo de regras frouxas do sonho noturno, mas que no sonho diurno é privilégio apenas dos detentores de um mágico cartão plástico.

        A rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria dos trabalhadores, são cruciais para o mal-estar da civilização contemporânea. É gritante o contraste entre a relevância motivacional do sonho e sua banalização no mundo industrial globalizado. [...] A indústria da saúde do sono, um setor que cresce aceleradamente, tem valor estimado entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares. Mesmo assim a insônia impera. Se o tempo é sempre escasso, se despertamos diariamente com o toque insistente do despertador, ainda sonolentos e já atrasados para cumprir compromissos que se renovam ao infinito, se tão poucos se lembram que sonham pela simples falta de oportunidade de contemplar a vida interior, quando a insônia grassa e o bocejo se impõe, chega-se a duvidar da sobrevivência do sonho.

        E, no entanto, sonha-se. Sonha-se muito e a granel, sonha-se sofregamente apesar das luzes e dos ruídos da cidade, da incessante faina da vida e da tristeza das perspectivas. Dirá a formiga cética que quem sonha assim tão livre é o artista, cigarra de fábula que vive de brisa. [...] Na peça teatral A vida é sonho, o espanhol Pedro Calderón de la Barca dramatizou a liberdade de construir o próprio destino. O sonho é a imaginação sem freio nem controle, solta para temer, criar, perder e achar.

    (O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho, 2019.)
    De acordo com o texto,
    Escolha uma alternativa para a questão d755f4fe-72
  • D74B3BFC-72

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    O entendimento dos contos

        — Agora você vai me contar uma história de amor — disse o rapaz à moça. — Quero ouvir uma história de amor em que entrem caravelas, pedras preciosas e satélites artificiais.

        — Pois não — respondeu a moça, que acabara de concluir o mestrado de contador de histórias, e estava com a imaginação na ponta da língua. — Era uma vez um país onde só havia água, eram águas e mais águas, e o governo como tudo mais se fazia em embarcações atracadas ou em movimento, conforme o tempo. Osmundo mantinha uma grande indústria de barcos, mas não era feliz, porque Sertória, objeto dos seus sonhos, se recusava a casar com ele. Osmundo ofereceu-lhe um belo navio embandeirado, que ela recusou. Só aceitaria uma frota de dez caravelas, para si e para seus familiares.

        Ora, ninguém sabia fazer caravelas, era um tipo de embarcação há muito fora de uso. Osmundo apresentou um mau produto, que Sertória não aceitou, enumerando os defeitos, a começar pelas velas latinas, que de latinas não tinham um centavo. Osmundo, desesperado, pensou em afogar-se, o que fez sem êxito, pois desceu no fundo das águas e lá encontrou um cofre cheio de esmeraldas, topázios, rubis, diamantes e o mais que você imagina. Voltou à tona para oferecê-lo à rígida Sertória, que virou o rosto. Nada a fazer, pensou Osmundo; vou transformar-me em satélite artificial. Mas os satélites artificiais ainda não tinham sido inventados. Continuou humilde satélite de Sertória, que ultimamente passeava de uma lancha para outra, levando-o preso a um cordão de seda, com a inscrição “Amor imortal”. Acabou.

        — Mas que significa isso? — perguntou o moço, insatisfeito. — Não entendi nada.

        — Nem eu — respondeu a moça —, mas os contos devem ser contados, e não entendidos; exatamente como a vida.

    (Contos plausíveis, 2012.)
    Observa-se o emprego de expressão própria da linguagem coloquial no trecho
    Escolha uma alternativa para a questão d74b3bfc-72
  • D7479805-72

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    O entendimento dos contos

        — Agora você vai me contar uma história de amor — disse o rapaz à moça. — Quero ouvir uma história de amor em que entrem caravelas, pedras preciosas e satélites artificiais.

        — Pois não — respondeu a moça, que acabara de concluir o mestrado de contador de histórias, e estava com a imaginação na ponta da língua. — Era uma vez um país onde só havia água, eram águas e mais águas, e o governo como tudo mais se fazia em embarcações atracadas ou em movimento, conforme o tempo. Osmundo mantinha uma grande indústria de barcos, mas não era feliz, porque Sertória, objeto dos seus sonhos, se recusava a casar com ele. Osmundo ofereceu-lhe um belo navio embandeirado, que ela recusou. Só aceitaria uma frota de dez caravelas, para si e para seus familiares.

        Ora, ninguém sabia fazer caravelas, era um tipo de embarcação há muito fora de uso. Osmundo apresentou um mau produto, que Sertória não aceitou, enumerando os defeitos, a começar pelas velas latinas, que de latinas não tinham um centavo. Osmundo, desesperado, pensou em afogar-se, o que fez sem êxito, pois desceu no fundo das águas e lá encontrou um cofre cheio de esmeraldas, topázios, rubis, diamantes e o mais que você imagina. Voltou à tona para oferecê-lo à rígida Sertória, que virou o rosto. Nada a fazer, pensou Osmundo; vou transformar-me em satélite artificial. Mas os satélites artificiais ainda não tinham sido inventados. Continuou humilde satélite de Sertória, que ultimamente passeava de uma lancha para outra, levando-o preso a um cordão de seda, com a inscrição “Amor imortal”. Acabou.

        — Mas que significa isso? — perguntou o moço, insatisfeito. — Não entendi nada.

        — Nem eu — respondeu a moça —, mas os contos devem ser contados, e não entendidos; exatamente como a vida.

    (Contos plausíveis, 2012.)
    O título do conto antecipa seu caráter
    Escolha uma alternativa para a questão d7479805-72
  • D7434B24-72

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    O entendimento dos contos

        — Agora você vai me contar uma história de amor — disse o rapaz à moça. — Quero ouvir uma história de amor em que entrem caravelas, pedras preciosas e satélites artificiais.

        — Pois não — respondeu a moça, que acabara de concluir o mestrado de contador de histórias, e estava com a imaginação na ponta da língua. — Era uma vez um país onde só havia água, eram águas e mais águas, e o governo como tudo mais se fazia em embarcações atracadas ou em movimento, conforme o tempo. Osmundo mantinha uma grande indústria de barcos, mas não era feliz, porque Sertória, objeto dos seus sonhos, se recusava a casar com ele. Osmundo ofereceu-lhe um belo navio embandeirado, que ela recusou. Só aceitaria uma frota de dez caravelas, para si e para seus familiares.

        Ora, ninguém sabia fazer caravelas, era um tipo de embarcação há muito fora de uso. Osmundo apresentou um mau produto, que Sertória não aceitou, enumerando os defeitos, a começar pelas velas latinas, que de latinas não tinham um centavo. Osmundo, desesperado, pensou em afogar-se, o que fez sem êxito, pois desceu no fundo das águas e lá encontrou um cofre cheio de esmeraldas, topázios, rubis, diamantes e o mais que você imagina. Voltou à tona para oferecê-lo à rígida Sertória, que virou o rosto. Nada a fazer, pensou Osmundo; vou transformar-me em satélite artificial. Mas os satélites artificiais ainda não tinham sido inventados. Continuou humilde satélite de Sertória, que ultimamente passeava de uma lancha para outra, levando-o preso a um cordão de seda, com a inscrição “Amor imortal”. Acabou.

        — Mas que significa isso? — perguntou o moço, insatisfeito. — Não entendi nada.

        — Nem eu — respondeu a moça —, mas os contos devem ser contados, e não entendidos; exatamente como a vida.

    (Contos plausíveis, 2012.)
    Em sua história, a moça incorre em contradição ao tratar
    Escolha uma alternativa para a questão d7434b24-72
  • D73E7871-72

    Português

    Interpretação de Textos
    UNIFESP · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos
    O entendimento dos contos

        — Agora você vai me contar uma história de amor — disse o rapaz à moça. — Quero ouvir uma história de amor em que entrem caravelas, pedras preciosas e satélites artificiais.

        — Pois não — respondeu a moça, que acabara de concluir o mestrado de contador de histórias, e estava com a imaginação na ponta da língua. — Era uma vez um país onde só havia água, eram águas e mais águas, e o governo como tudo mais se fazia em embarcações atracadas ou em movimento, conforme o tempo. Osmundo mantinha uma grande indústria de barcos, mas não era feliz, porque Sertória, objeto dos seus sonhos, se recusava a casar com ele. Osmundo ofereceu-lhe um belo navio embandeirado, que ela recusou. Só aceitaria uma frota de dez caravelas, para si e para seus familiares.

        Ora, ninguém sabia fazer caravelas, era um tipo de embarcação há muito fora de uso. Osmundo apresentou um mau produto, que Sertória não aceitou, enumerando os defeitos, a começar pelas velas latinas, que de latinas não tinham um centavo. Osmundo, desesperado, pensou em afogar-se, o que fez sem êxito, pois desceu no fundo das águas e lá encontrou um cofre cheio de esmeraldas, topázios, rubis, diamantes e o mais que você imagina. Voltou à tona para oferecê-lo à rígida Sertória, que virou o rosto. Nada a fazer, pensou Osmundo; vou transformar-me em satélite artificial. Mas os satélites artificiais ainda não tinham sido inventados. Continuou humilde satélite de Sertória, que ultimamente passeava de uma lancha para outra, levando-o preso a um cordão de seda, com a inscrição “Amor imortal”. Acabou.

        — Mas que significa isso? — perguntou o moço, insatisfeito. — Não entendi nada.

        — Nem eu — respondeu a moça —, mas os contos devem ser contados, e não entendidos; exatamente como a vida.

    (Contos plausíveis, 2012.)
    No texto, a moça
    Escolha uma alternativa para a questão d73e7871-72
  • A7645935-70

    Português

    Acentuação Gráfica: Proparoxítonas, Paroxítonas, Oxítonas e Hiatos
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

    O Texto  serve de base para a questão.

    Texto 

    Imagem da questão de Português, Universidade de Pernambuco 2021, Acentuação Gráfica: Proparoxítonas, Paroxítonas, Oxítonas e Hiatos

    Disponível em: https://redeglobo.globo.com/sp/eptv/eptv-na-escola-ribeirao/noticia/a-leitura-como-aliada-da-boa-redacao.ghtml 

    Prevalece, na parte verbal do Texto, o emprego da norma culta da língua. Nesse contexto, é CORRETO afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão a7645935-70
  • A75EB47D-70

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos

    O Texto  serve de base para a questão.

    Texto 

    Imagem da questão de Português, Universidade de Pernambuco 2021, Interpretação de Textos

    Disponível em: https://redeglobo.globo.com/sp/eptv/eptv-na-escola-ribeirao/noticia/a-leitura-como-aliada-da-boa-redacao.ghtml 

    Acerca de elementos não verbais do Texto, analise as afirmações abaixo.

    1) As nuvens na parte superior do texto cumprem a função de reforçar a ideia, geralmente consensual, de que, pela leitura, "nos elevamos às alturas", ou seja, a leitura nos permite voar.
    2) A sugestão dada no texto verbal, de o leitor ler livros clássicos, é representada nas imagens por livros grossos, pesados, como são todos os clássicos.
    3) Toda a composição visual do texto, com imagens de livros empilhados, um garoto lendo sentado nas alturas e textos verbais curtinhos na lateral, confere harmonia ao texto como um todo e é mais um elemento pensado para atrair o potencial leitor.
    4) A imagem dos livros empilhados com o jovem sentado sobre eles sugere que as obras impressas estão ultrapassadas e que a leitura por meio virtual é a 'nova onda‘ que deve ser seguida.

    Estão CORRETAS:
    Escolha uma alternativa para a questão a75eb47d-70
  • A75B3300-70

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

    O Texto  serve de base para a questão.

    Texto 

    Imagem da questão de Português, Universidade de Pernambuco 2021, Interpretação de Textos

    Disponível em: https://redeglobo.globo.com/sp/eptv/eptv-na-escola-ribeirao/noticia/a-leitura-como-aliada-da-boa-redacao.ghtml 

    Para compreender bem um texto, dentre outras habilidades, devemos apreender qual a função desse texto, na sociedade em que ele circula. Assim, para compreendermos bem o Texto, é importante perceber que ele tem, prioritariamente, uma função
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