Questões do ENEM: Modernismo

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484 questões encontradas. Mostrando a página 10 de 25.

  • 2F7BD644-DB

    Literatura

    Escolas Literárias
    Ensino Einstein · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Literatura, da prova de 2017

    • Esse poema integra a obra Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Da leitura dele, depreende-se que

    Escolha uma alternativa para a questão 2f7bd644-db
  • 4F10D017-D8

    Literatura

    Escolas Literárias
    Ensino Einstein · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Mas ... Houve um pequeno engano, um

    contratempo de última hora, que veio

    pôr dois bons sujeitos, pacatíssimos e

    pacíficos, num jogo dos demônios, numa

    comprida complicação.



    O trecho acima faz parte do conto “Duelo”, uma das narrativas de Sagarana, de João Guimarães Rosa. Essa narrativa, como um todo, apresenta

    Escolha uma alternativa para a questão 4f10d017-d8
  • 4F048A9B-D8

    Literatura

    Escolas Literárias
    Ensino Einstein · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    A MÁQUINA DO MUNDO


    E como eu palmilhasse vagamente

    uma estrada de Minas, pedregosa,

    e no fecho da tarde um sino rouco


    se misturasse ao som de meus sapatos

    que era pausado e seco; e aves pairassem

    no céu de chumbo, e suas formas pretas


    lentamente se fossem diluindo

    na escuridão maior, vinda dos montes

    e de meu próprio ser desenganado,


    a máquina do mundo se entreabriu

    para quem de a romper já se esquivava

    e só de o ter pensado se carpia.

    ( ... )


    O trecho ao lado integra um poema maior da obra Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Considerando o poema como um todo, NÃO É CORRETO afirmar que

    Escolha uma alternativa para a questão 4f048a9b-d8
  • 985757E0-D5

    Literatura

    Escolas Literárias
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Analise o poema, transcrito abaixo.


    A água é falsa, a água é boa.
    Nada, nadador!
    A água é mansa, a água é doida,
    aqui é fria, ali é morna,
    a água é fêmea.
    Nada, nadador!
    A água sobe, a água desce,
    a água é mansa, a água é doida.
    Nada, nadador!
    A água te lambe, a água te abraça,
    a água te leva, a água te mata.
    Nada, nadador!
    Senão, o que restará de ti, nadador?
    Nada, nadador!

                                        Jorge de Lima. Poemas escolhidos.


    Veja acima o poema O Nadador, de autoria do poeta alagoano Jorge Lima. Analise os comentários que são feitos acerca de sua obra e, particularmente, acerca desse poema. 

    1) O poema exibe uma grande incidência de recursos reiterativos, sobretudo no âmbito da forma.

    2) O poeta emprestou ao poema uma elaboração dialógica, muito semelhante às práticas sociais da conversação coloquial.

    3) A obra poética de Jorge de Lima se insere na segunda geração dos modernistas brasileiros. Revelou-se um artista multifacetado, em constante mudança, pois recorreu a diferentes estilos e perspectivas estéticas.

    4) Os dois últimos versos são bastante expressivos, pois exploram os efeitos de sentido provocados pelo recurso a uma homonímia.


    Estão corretas as alternativas:  

    Escolha uma alternativa para a questão 985757e0-d5
  • 9854155A-D5

    Literatura

    Escolas Literárias
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Os romancistas de 1930, ao contrário dos poetas modernistas, não pretendiam seguir os pressupostos estéticos das correntes de vanguarda, embora considerassem irreversíveis muitas ideias dos primeiros modernistas. Entre essas ideias, merece destaque:
    Escolha uma alternativa para a questão 9854155a-d5
  • 02B7F7C6-D5

    Literatura

    Escolas Literárias
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    A obra de Graciliano Ramos se perfaz em vários gêneros: romance, literatura infanto-juvenil, diário de viagem, crônicas, memórias, etc. No entanto, foi no romance que Graciliano fixou alguns dos personagens mais relevantes da literatura brasileira. Dentre os nomes elencados abaixo, quais pertencem ao universo literário de Graciliano?
    Escolha uma alternativa para a questão 02b7f7c6-d5
  • 02B43727-D5

    Literatura

    Escolas Literárias
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos
    A poesia de Cecília Meireles se inscreve naquilo que muitos críticos definem como neo-simbolista. Sua obra expressa os sentimentos em imagens, norteando-os para a sombra, o indefinido, o sentimento de ausência e do nada. Por outro lado, Cecília também escreveu poemas de cunho político e histórico. Dentre as obras relacionadas abaixo, qual fala de um episódio histórico brasileiro?
    Escolha uma alternativa para a questão 02b43727-d5
  • 02B11597-D5

    Literatura

    Escolas Literárias
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos
    Os sertões, de Euclides da Cunha, foi publicado em 1902 e desde então se firmou como um dos mais importantes livros de interpretação do Brasil. Obra dividida em três partes — A Terra, O Homem e A Luta —, a obra de Euclides fixou por definitivo na imaginação dos brasileiros o sertão como um espaço geográfico seco, místico e avesso ao mundo moderno. Ainda sobre a obra de Euclides, é correto afirmar o que segue.
    Escolha uma alternativa para a questão 02b11597-d5
  • DD8196F3-C2

    Literatura

    Escolas Literárias
    IFN-MG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    Sobre a Obra Tenda dos Milagres, de Jorge Amado, só NÃO é correta a seguinte afirmativa.
    Escolha uma alternativa para a questão dd8196f3-c2
  • DD7C2526-C2

    Literatura

    Escolas Literárias
    IFN-MG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o poema que se segue.


    TEXTO 07


    Assaltaram a gramática
    Assaltaram a gramática
    Assassinaram a lógica
    Meteram poesia
    na bagunça do dia a dia
    Sequestraram a fonética
    Violentaram a métrica
    Meteram poesia
    onde devia e não devia
    Lá vem o poeta
    com sua coroa de louro,
    Agrião, pimentão, boldo
    O poeta é a pimenta
    do planeta!
    (Malagueta!)


    Waly Salomão


    Fonte: http://portugues.uol.com.br/literatura/dez-poemas-geracao-mimeografo-ou-poesia-marginal.html. Acesso em: 12 de mar 2017.


    Sobre o TEXTO 07 e ou sobre o poeta Waly Salomão, só NÃO é correta a seguinte afirmativa:

    Escolha uma alternativa para a questão dd7c2526-c2
  • DD7567E3-C2

    Literatura

    Escolas Literárias
    IFN-MG · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Texto 05



    Mãos dadas 


    Carlos Drummond de Andrade



    Não serei o poeta de um mundo caduco.

    Também não cantarei o mundo futuro.

    Estou preso à vida e olho meus companheiros.

    Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

    Entre eles, considero a enorme realidade.

    O presente é tão grande, não nos afastemos.

    Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.



    Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

    não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,

    não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

    não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

    O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,

    a vida presente.(in: Sentimento de Mundo)


    Fonte: https://www.letras.mus.br/carlos-drummond-de-andrade/460648/. Acesso em: 17 mar 2017.


    Sobre o poema “Mãos dadas” e sobre a estética de Carlos Drummond de Andrade, TEXTO 05, NÃO É CORRETA a seguinte afirmativa:


    Escolha uma alternativa para a questão dd7567e3-c2
  • 3C57A1B0-B5

    Literatura

    Arcadismo
    IF Sul - MG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa INCORRETA a respeito dos movimentos literários brasileiros abaixo.
    Escolha uma alternativa para a questão 3c57a1b0-b5
  • F6CFAD5C-B2

    Literatura

    Escolas Literárias
    IF-PE · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 4

    NO MEIO DO CAMINHO

    No meio do caminho tinha uma pedra

    tinha uma pedra no meio do caminho

     tinha uma pedra                                   

    no meio do caminho tinha uma pedra.


               Nunca me esquecerei desse acontecimento

        na vida de minhas retinas tão fatigadas.

                   Nunca me esquecerei que no meio do caminho

    tinha uma pedra                                  

    tinha uma pedra no meio do caminho

    no meio do caminho tinha uma pedra.

    ANDRADE, Carlos Drummond de. No meio do caminho. Disponível em: http://www.algumapoesia.com.br/drummond/ drummond04.htm. Acesso: 12 out. 2017.


    TEXTO 5

    POEMA DE SETE FACES


    Quando nasci, um anjo torto           

      desses que vivem na sombra          

          disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


    As casas espiam os homens          

    que correm atrás de mulheres.      

    A tarde talvez fosse azul,               

      não houvesse tantos desejos.          


    O bonde passa cheio de pernas:   

    pernas brancas pretas amarelas. 

                           Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu

     coração.                                         

    Porém meus olhos                        

    não perguntam nada.                   


     O homem atrás do bigode             

    é sério, simples e forte.               

    Quase não conversa.                  

        Tem poucos, raros amigos              

                o homem atrás dos óculos e do bigode. 


    Meu Deus, por que me                

    abandonaste                               

     se sabias que eu não era Deus   

         se sabias que eu era fraco.             


    Mundo mundo vasto mundo,       

     se eu me chamasse Raimundo    

    seria uma rima, não seria uma    

    solução.                                      

    Mundo mundo vasto mundo,      

    mais vasto é meu coração.        


     Eu não devia te dizer                 

     mas essa lua                             

     mas esse conhaque                  

    botam a gente comovido como

    o diabo.                                    

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Poema de sete faces. Disponível em: http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/poema-das-sete-faces-carlos-drummond-de-andrade/. Acesso: 12 out. 2017

    Os TEXTOS 4 e 5 apresentam poemas de Carlos Drummond de Andrade, importante poeta do Modernismo brasileiro. Acerca deste significativo movimento da literatura brasileira, analise as proposições a seguir e assinale a alternativa CORRETA.


    I. Drummond integrou a 2ª Geração Modernista Brasileira, a qual, ao contrário da 1ª Geração, mostrava consolidação e amadurecimento na literatura do Brasil.

    II. Juntamente com Oswald de Andrade e Mário de Andrade, Drummond de Andrade fez parte da 1ª Geração Modernista, e os TEXTOS 4 e 5 demonstram a insatisfação e a rebeldia frente ao comportamento das pessoas no Brasil daquela época.

    III.Drummond fez parte da 3ª Geração Modernista, a “Geração de 45”, e, por se tratar de um período menos conturbado em relação ao vivenciado pelas Gerações anteriores, a produção literária tinha espaço para suscitar reflexões acerca do comportamento da sociedade.

    IV. Os poemas que constituem os TEXTOS 4 e 5 abordam temáticas cotidianas e fazem uso da linguagem coloquial, características recorrentes nas produções literárias dessa fase do Modernismo brasileiro.

    V. O uso de versos livres e brancos nos poemas dos TEXTOS 4 e 5 corresponde à tendência das produções literárias do Modernismo brasileiro nesta fase: com evidente desprendimento de formatos clássicos e limitadores para se fazer poesia.


    Estão CORRETAS, apenas, as proposições

    Escolha uma alternativa para a questão f6cfad5c-b2
  • C5ACE656-B2

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade do Estado da Bahia · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO:


    Imagem da questão de Literatura, da prova de 2017

    AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. São

    Paulo, Companhia das Letras, 2008. p. 91-92.

    Marque com V ou com F, conforme sejam, respectivamente, verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre o autor do texto e sobre a obra de onde foi retirado.

    ( ) Nessa obra, o autor se afasta da abordagem crítica de questões sociais de seus romances anteriores para se concentrar na criação de tipos humanos especiais e na ênfase na cor local e costumes típicos – o que granjeou grande sucesso popular para sua obra.
    ( ) Essa obra integra um momento da produção literária do autor em que o seu foco se desloca da crítica social para crítica de costumes, voltando-se para a criação de personagens que promovem uma ruptura com os valores pequeno-burgueses da classe média.
    ( ) O conjunto das obras do autor se concentra num foco único, que privilegia a denúncia da exploração sofrida pelas classes marginalizadas, com a criação de personagens que são heróis e cujo comportamento revolucionário se volta para a superação das injustiças sociais.
    ( ) Mesmo que o autor seja situado na segunda fase do modernismo – de 1930 a 1945, quando os romances se dedicam a registrar criticamente a realidade brasileira – essa obra foi publicada pela primeira vez na década de 50, quando o autor se volta para um percurso literário diferenciado.
    ( ) Considerado um clássico da literatura brasileira, essa obra se situa num momento literário denominado regionalismo nordestino, do qual fazem parte autores como Rachel de Queiroz, José Lins do Rego e Graciliano Ramos, que produzem uma literatura engajada na luta contra a miséria social provocada pela seca e pelo coronelismo.

    A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
    Escolha uma alternativa para a questão c5ace656-b2
  • C5A70D9D-B2

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade do Estado da Bahia · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO:


    Imagem da questão de Literatura, da prova de 2017

    AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. São

    Paulo, Companhia das Letras, 2008. p. 91-92.

    Sobre o personagem central da obra de onde foi extraído o trecho acima, é correto afirmar:

    I. Quincas Berro Dágua e Joaquim Soares da Cunha correspondem a traços contrastantes de um mesmo indivíduo, sendo Quincas uma transmutação de Joaquim, que rompe com as configurações de sua vida social de teor burguês.

    II. Quincas e Joaquim, apesar de comportamentos antitéticos, são amigos e têm em comum o nome e o desejo de promover uma ruptura com tudo que represente a opressão: o funcionalismo público e o conservadorismo de suas respectivas famílias.

    III. O personagem central sintetiza uma oposição entre um ícone da ordem burguesa – o funcionário público exemplar Joaquim Soares da Cunha, esposo, pai e cidadão de bem – e a marginalidade – representada pelo boêmio e malandro Quincas Berro Dágua.

    IV. Para Joaquim, Quincas é o seu alter ego, um ser imaginário que representa seu desejo reprimido e não consumado de romper com as amarras de um emprego monótono de funcionário público e os vínculos sufocantes de uma família conservadora.

    V. Apesar do título, na obra, há três mortes do personagem: a morte moral, promovida pela família para ocultar a ruptura de Joaquim com a ordem estabelecida, a morte real, ocorrida na pocilga em que ele morava como boêmio, e a morte onírica ou fantástica, narrada pelos amigos, ocorrida nos mares da Bahia.

    A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
    Escolha uma alternativa para a questão c5a70d9d-b2
  • 47A6C885-B1

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade Federal do Amazonas · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto

        Quando eu ainda não sabia nadar, meu pai me levava para ali, segurava-me um braço e atirava-me num lugar fundo. Puxava-me para cima e deixava-me respirar um instante. Em seguida repetia a tortura. Com o correr do tempo aprendi natação com os bichos e livrei-me disso.Mais tarde, na escola de mestre Antônio Justino, li a história de um pintor e de um cachorro que morria afogado. Pois para mim era no poço da Pedra que se dava o desastre. Sempre imaginei o pintor com a cara de Camilo Pereira da Silva, e o cachorro parecia-se comigo.
        Se eu pudesse fazer o mesmo com Marina, afogá-la devagar, trazendo-a para a superfície quando ela estivesse perdendo o fôlego, prolongar o suplício um dia inteiro...
       Debaixo da chuva, a mangueira do quintal está toda branca. O papagaio na cozinha bate as asas, sacudindo os salpicos que vêm da biqueira. Afago o pelo macio do meu gato mourisco, que dorme enroscado numa cadeira. As ideias ruins desaparecem. Marina desaparece.
       Ponho-me a vagabundear em pensamento pela vila distante, entro na igreja, escuto os sermões e os desaforos que padre Inácio pregava aos matutos: – “Arreda, povo, raça de cachorro com porco.” Sento-me no paredão do açude, ouço a cantilena dos sapos. Vejo a figura sinistra de seu Evaristo enforcado e os homens que iam para a cadeia amarrados de cordas. Lembro-me de um fato, de outro fato anterior ou posterior ao primeiro, mas os dois vêm juntos. E os tipos que evoco não têm relevo. Tudo empastado, confuso. Em seguida os dois acontecimentos se distanciam e entre eles nascem outros acontecimentos que vão crescendo até me darem sofrível noção de realidade. As feições das pessoas ganham nitidez. De toda aquela vida havia no meu espírito vagos indícios. Saíram do entorpecimento recordações que a imaginação completou.
       A escola era triste. Mas, durante as lições, em pé, de braços cruzados, escutando as emboanças de mestre Antônio Justino, eu via, no outro lado da rua, uma casa que tinha sempre a porta escancarada mostrando a sala, o corredor e o quintal cheio de roseiras. Moravam ali três mulheres velhas que pareciam formigas.
    Relacione os trechos retirados do livro Angústia, de Graciliano Ramos, às afirmações a seguir.

    1. “Era como se a gente houvesse deixado a Terra. De repente surgiam vozes estranhas. Que eram? Ainda hoje não sei. Vozes que iam crescendo, monótonas, e me causavam medo”.
    2. “Ia cheio de satisfação maluca. Não tirava a mão do bolso, apalpava as caixinhas, sentia através do papel de seda a macieza do veludo. Na alvura do braço roliço a fita do relógio faria uma cinta negra; a pedrinha branca faiscaria no dedo miúdo”.
    3. “E Julião Tavares parado. Minutos antes andava na maciota, o cigarro aceso, o pensamento na cama da mocinha sardenta. Agora ali junto da cerca, estirado. Inconveniente ficar ao lado dele. Inconveniente”.
    4. “Não haveria desatino: as duas mulheres eram fatalistas e queixavam-se da sorte. Malucas. Revoltava-me o recurso infantil de se xingarem, arrancarem os cabelos. Era evidente que Julião Tavares devia morrer. Não procurei investigar as razões desta necessidade. Ela se impunha, entravame na cabeça como um prego. Um prego me atravessava os miolos.”
    5. “– D. Aurora, tenha paciência. Veja se me arranja um quarto mais barato. Os tempos andam safados, d. Aurora
    [...]
    Tudo pela hora da morte, seu Luís.
    – É verdade, tudo pela hora da morte, d. Adélia.
    – A senhora já reparou nos preços dos remédios? A farmácia tem uma goela!”

    ( ) O Brasil sentia os reflexos econômicos da queda da bolsa de Nova York, em 1929, e da revolução de 1930.
    ( ) Luís da Silva é um homem atormentado e sua narrativa revela confusão.
    ( ) Após o homicídio, a memória de Luís da Silva é fragmentada, passado e presente se confundem.
    ( ) Empolgado com o noivado, Luís da Silva se vê desejando entregar à Marina o presente que tanto lhe custara.
    ( ) Luís da Silva alimenta ódio por Julião Tavares. A gravidez e o abandono de Marina são a mola propulsora para o assassinato.

    Assinale a alternativa que apresenta a numeração em sequência CORRETA, de cima para baixo.
    Escolha uma alternativa para a questão 47a6c885-b1
  • 47A3AFD0-B1

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade Federal do Amazonas · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Texto

        Quando eu ainda não sabia nadar, meu pai me levava para ali, segurava-me um braço e atirava-me num lugar fundo. Puxava-me para cima e deixava-me respirar um instante. Em seguida repetia a tortura. Com o correr do tempo aprendi natação com os bichos e livrei-me disso.Mais tarde, na escola de mestre Antônio Justino, li a história de um pintor e de um cachorro que morria afogado. Pois para mim era no poço da Pedra que se dava o desastre. Sempre imaginei o pintor com a cara de Camilo Pereira da Silva, e o cachorro parecia-se comigo.
        Se eu pudesse fazer o mesmo com Marina, afogá-la devagar, trazendo-a para a superfície quando ela estivesse perdendo o fôlego, prolongar o suplício um dia inteiro...
       Debaixo da chuva, a mangueira do quintal está toda branca. O papagaio na cozinha bate as asas, sacudindo os salpicos que vêm da biqueira. Afago o pelo macio do meu gato mourisco, que dorme enroscado numa cadeira. As ideias ruins desaparecem. Marina desaparece.
       Ponho-me a vagabundear em pensamento pela vila distante, entro na igreja, escuto os sermões e os desaforos que padre Inácio pregava aos matutos: – “Arreda, povo, raça de cachorro com porco.” Sento-me no paredão do açude, ouço a cantilena dos sapos. Vejo a figura sinistra de seu Evaristo enforcado e os homens que iam para a cadeia amarrados de cordas. Lembro-me de um fato, de outro fato anterior ou posterior ao primeiro, mas os dois vêm juntos. E os tipos que evoco não têm relevo. Tudo empastado, confuso. Em seguida os dois acontecimentos se distanciam e entre eles nascem outros acontecimentos que vão crescendo até me darem sofrível noção de realidade. As feições das pessoas ganham nitidez. De toda aquela vida havia no meu espírito vagos indícios. Saíram do entorpecimento recordações que a imaginação completou.
       A escola era triste. Mas, durante as lições, em pé, de braços cruzados, escutando as emboanças de mestre Antônio Justino, eu via, no outro lado da rua, uma casa que tinha sempre a porta escancarada mostrando a sala, o corredor e o quintal cheio de roseiras. Moravam ali três mulheres velhas que pareciam formigas.
    A partir da leitura do texto anterior, retirado do livro Angústia, de Graciliano Ramos, pode-se afirmar:

    I. O primeiro parágrafo traz o transtorno emocional do narrador em sua relação com o pai. A brincadeira no poço não o ensinara a nadar, antes, era uma tortura. O narrador explica que aprendeu a nadar com os bichos.
    II. O narrador é um homem atormentado, de ideias agressivas, até mesmo homicidas, como se vê no segundo parágrafo, o que se justifica pelo tratamento recebido na infância.
    III. Ao observar e acarinhar seus bichos de estimação “as ideias ruins desaparecem. Marina desaparece”. Esse trecho comprova que Marina é a causa primeira de tudo o que atormenta Luís da Silva.
    IV. Apesar da relação difícil com o pai, as memórias da infância do narrador são afáveis: a vida farta na fazenda, os belos sermões do padre Inácio e as lições inesquecíveis do mestre Antônio Justino.
    V. A metáfora produzida com animais demonstra a inferioridade com que Luís percebe a si e aos outros. 
    Escolha uma alternativa para a questão 47a3afd0-b1
  • 47A0C0FF-B1

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade Federal do Amazonas · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a afirmativa que mais acertadamente esclarece sobre a razão do homicídio cometido por Luís.
    Escolha uma alternativa para a questão 47a0c0ff-b1
  • 479D3E48-B1

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade Federal do Amazonas · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a afirmativa INCORRETA sobre o enredo de Angústia:
    Escolha uma alternativa para a questão 479d3e48-b1
  • 4798D0C2-B1

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade Federal do Amazonas · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale V para verdadeiro e F para falso nas afirmativas a seguir:

    ( ) Após o movimento experimentalista da Geração de 22, Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Carlos Drummond de Andrade fazem parte da Geração que traz para a literatura o amadurecimento do movimento modernista.
    ( ) Na prosa de ficção da geração de 30, a paisagem nos é familiar. Estão ali o nordeste decadente, as agruras das classes médias no começo da fase urbanizadora, os conflitos internos da burguesia entre provinciana e cosmopolita.
    ( ) Caetés (1933), São Bernardo (1934) e Angústia (1936) são romances autobiográficos de Graciliano Ramos, portanto escritos em primeira pessoa, nos quais as narrativas se prendem à análise do mundo interior, sem desprezar o contexto sócio-político em que vive cada personagem.
    ( ) Na escrita de Graciliano Ramos, o “herói” é sempre um problema: não aceita o mundo, nem os outros, nem a si mesmo.
    ( ) Graciliano Ramos é, ao mesmo tempo, ora neo-realista, ao molde de um Machado de Assis, ora neo-naturalista, ao molde de um Aluízio Azevedo, ao contextualizar seus romances no Nordeste ou na memória da vida de origem nordestina de seus personagens.

    Assinale a alternativa que relaciona a sequência CORRETA de V e F de cima para baixo:
    Escolha uma alternativa para a questão 4798d0c2-b1