Questões do ENEM: Modernismo

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484 questões encontradas. Mostrando a página 14 de 25.

  • 58DD5455-AF

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNIOESTE · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: para responder a questão, leia o texto abaixo.

    De ficção e realidade: diálogo possível

    – Literatura é fuga do real, cara! Veja o Brasil que temos: propina, tráfico de influência, delações, politicalha, trapaças...  
    – Quem disse que a Literatura não tem os pés fincados na realidade? Para o momento brasileiro, valem os versos: “Começa o mundo enfim pela ignorância,/ e tem qualquer dos bens por natureza”.
    – Que bens? A rifa das licitações? O propinoduto?  
    – É isso mesmo, cara! Diferente do fantasma romântico, parece que o dinheiro virou uma “febre que nunca descansa,/ O delírio que te há de matar!...”. 
     – O que nós temos é uma safra de corruptos e corrompidos.
    – Verdade! Sujeito assim safado mereceria “ser das gentes o espectro execrado”. O tal “Ouro branco! Ouro preto! Ouro podre” corrompeu muito político. “De cada ribeirão trepidante e de cada recosto/ de montanha, o metal rolou na cascalhada/ Para o fausto d’El-Rei”. Que vergonha!
    – É! Mas, certamente, esse não é o “Ouro nativo que na ganga impura/ A bruta mina entre os cascalhos vela...”.
    – Sei lá! O que mais nos reserva a Lava-Jato?
    – Veja só, cara! Ouvindo os noticiários, tenho a impressão que o assalto do vampiro tem mais equidade: “
    – Cê vem com a gente. É uma loja. Nós roubamos e dividimos o dinheiro. Em partes iguais”
    – Então, ainda há o que cantar neste país?
    – Claro! Vai o legado das Olimpíadas e das Paralimpíadas: “Entre o laboratório de erros/ e o labirinto de surpresas,/ canta o conhecimento do limite,/ a madura experiência a brotar da rota esperança”.  
    Com base na leitura do texto, assinale a alternativa INCORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão 58dd5455-af
  • 2272B4BF-30

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - Campinas · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    A regra de proporção é um princípio da pintura cujo equivalente, na literatura, estaria no cuidado do escritor em manter os aspectos naturais das pessoas e coisas que descreve com fidedignidade. Essa é uma das preocupações de um autor como
    Escolha uma alternativa para a questão 2272b4bf-30
  • 52E88B61-D6

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - RS · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho da crônica A morte da Velhinha de Taubaté, de Luís Fernando Veríssimo, e analise as considerações que seguem, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).
    “Morreu no último dia 19, aos 90 anos de idade, de causa ignorada, a paulista conhecida como “a Velhinha de Taubaté”, que se tornou uma celebridade nacional há alguns anos por ser a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo. (...)
    As circunstâncias da morte da Velhinha de Taubaté ainda não estão esclarecidas. Sua sobrinha Suzette, que tem uma agência de acompanhantes de congressistas em Brasília embora a Velhinha acreditasse que ela fazia trabalho social com religiosas, informou que a Velhinha já tivera um pequeno acidente vascular ao saber da compra de votos para a reeleição do Fernando Henrique Cardoso, em quem ela acreditava muito, mas ficara satisfeita com as explicações e se recuperara.
    Segundo Suzette, ela estava acompanhando as CPIs, comentara a sinceridade e o espírito público de todos os componentes das comissões, nenhum dos quais estava fazendo política, e de todos os depoentes, e acreditava que, como todos estavam dizendo a verdade, a crise acabaria logo, mas ultimamente começara a dar sinais de desânimo e, para grande surpresa da sobrinha, descrença.
    A Velhinha acreditara em Lula desde o começo e até rebatizara o seu gato, que agora se chamava Zé. Acreditava principalmente no Palocci. Ela morreu na frente da televisão, talvez com o choque de alguma notícia. Mas a polícia mandou os restos do chá que a Velhinha estava tomando com bolinhos de polvilho para exame de laboratório. Pode ter sido suicídio.

    ( ) A crônica constrói-se por meio da crítica bemhumorada do autor à corrupção generalizada da classe política.
    ( ) O autor explora, nesse texto, a linguagem típica da notícia de jornal para apresentar a realidade brasileira de forma caricaturesca.
    ( ) A profissão de Suzette na crônica é apresentada de modo direto, sem eufemismos.
    ( ) FHC, Lula e Palocci são personagens reais a partir dos quais a fé da Velhinha na política se consolida.
    ( ) Luís Fernando Veríssimo é um autor que, em seus textos, explora outros gêneros textuais, como a notícia, o conto, o diálogo, a poesia.
    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
    Escolha uma alternativa para a questão 52e88b61-d6
  • C21C73A7-C2

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNESPAR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    “E, páginas adiante, o padre se portou ainda mais excelentemente, porque era mesmo uma brava criatura. Tanto assim, que, na despedida, insistiu:
    – Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria... Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua.” [p. 356]
    [...]
    “Quando ficou bom para andar, escorando-se nas muletas que o preto fabricara, já tinha os seus planos, menos maus, cujo ponto de início consistia em ir para longe, para o sitiozinho perdido no sertão mais longínquo [...] que era agora a única coisa que possuía de seu. Antes de partir, teve com o padre uma derradeira conversa, muito edificante e vasta. E, junto com o casal de pretos samaritanos, que, ao hábito de se desvelarem, agora não o podiam deixar nem por nada, pegou chão, sem paixão.
    Largaram à noite, porque o começo da viagem teria de ser uma verdadeira escapada. E, ao sair, Nhô Augusto se ajoelhou, no meio da estrada, abriu os braços em cruz, e jurou:
    – Eu vou p’ra o céu, e vou mesmo, por bem ou por mal!... E a minha vez a de chegar... P’ra o céu eu vou, nem que seja a porrete!...
    E os negros aplaudiram, e a turminha pegou o passo, a caminho do sertão.” [p. 357-358]
    [...]
    “E o povo, enquanto isso, dizia: – ‘Foi Deus quem mandou esse homem no jumento, por mór de salvar as famílias da gente!...’” [p. 385]
    “Mas Nhô Augusto tinha o rosto radiante, e falou:
    – Perguntem quem é aí que algum dia já ouviu falar no nome de Nhô Augusto Esteves, das Pindaíbas! [...]
    Então, Augusto Matraga fechou um pouco os olhos, com sorriso intenso nos lábios lambuzados de sangue, e de seu rosto subia um sagaz contentamento. [...]
    Depois, morreu.” [p. 386]

    (ROSA, João Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Record, 1984)

    Leia o excerto de “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, publicado em Sagarana (1946), de Guimarães Rosa, e ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão c21c73a7-c2
  • C21124F2-C2

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNESPAR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Na coletânea Sagarana (1946), de Guimarães Rosa, há uma unidade resultante do ordenamento e da disposição dos elementos estéticos e contextuais constitutivos da narrativa, que revelam a circularidade das histórias e, ao mesmo tempo, a unidade da obra como um todo.
    Nessa perspectiva, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão c21124f2-c2
  • 84CD1D77-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - PR · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia atentamente os poemas retirados da obra Muitas Vozes, de Ferreira Gullar, e em seguida assinale a alternativa CORRETA. 


     Texto 1

    REDUNDÂNCIAS

    Ter medo da morte

    é coisa dos vivos

    o morto está livre

    de tudo o que é vida


    Ter apego ao mundo

    é coisa dos vivos

    para o morto não há

    (não houve)

    raios rios risos


    E ninguém vive a morte

    quer morto quer vivo

    mera noção que existe

    só enquanto existo  


    Texto 2

    LIÇÃO DE UM GATO SIAMÊS

    Só agora sei

    que existe a eternidade: é a duração

    finita

    da minha precariedade


    O tempo fora

    de mim

    é relativo

    mas não o tempo vivo:

    esse é eterno

    porque afetivo

    — dura eternamente

    enquanto vivo


    E como não vivo

    além do que vivo

    não é

    tempo relativo:

    dura em si mesmo

    eterno (e transitivo) 

    I. Os dois textos abordam temáticas centrais da obra “Muitas Vozes”, que são a finitude da vida e as constantes reflexões existenciais sobre o viver e o estar no mundo.

    II. O texto 1 claramente trata da temática da morte, enquanto o texto 2 se opõe ao primeiro, introduzindo a figura religiosa da eternidade, a felicidade e o sentido da experiência humana.

    III. O texto 1 reflete o interesse do eu lírico nas questões do pós-morte, evidenciando que o mistério da morte é maior que o entendimento humano e só podemos percebê-la a partir da fé religiosa.

    IV. No texto 2, o eu lírico, com base na ironia, reflete sobre a ideia de eternidade, a qual nos apresenta na primeira estrofe como sendo a “duração finita da minha precariedade”.

    V. No texto 1, temos a ideia de que a morte só interessa aos vivos, só amedronta os vivos, pois os mortos já estão livres dela.


    Escolha uma alternativa para a questão 84cd1d77-c0
  • 84C87FF8-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - PR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia atentamente o trecho do romance São Bernardo, de Graciliano Ramos, em que o seu narrador Paulo Honório reflete sobre o casamento, e assinale a alternativa CORRETA.

    “Amanheci um dia pensando em casar. Foi uma ideia que me veio sem que nenhum rabo-de-saia a provocasse. Não me ocupo com amores, devem ter notado, e sempre me pareceu que mulher é um bicho esquisito, difícil de governar.

    A que eu conhecia era a Rosa do Marciano, muito ordinária. Havia conhecido também a Germana e outras dessa laia. Por elas eu julgava todas. Não me sentia, pois, inclinado para nenhuma: o que sentia era desejo de preparar um herdeiro para as terras de S. Bernardo.”

    Escolha uma alternativa para a questão 84c87ff8-c0
  • 84C58162-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - PR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia atentamente o trecho do conto Felicidade Clandestina de Clarice Lispector, e assinale a alternativa CORRETA.

    “Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e puder em mim. Eu era uma rainha delicada. ”

    Escolha uma alternativa para a questão 84c58162-c0
  • 35AB9817-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

        - A excelentíssima, declarou Seu Ribeiro, entende de escrituração.   

        Seu Ribeiro morava aqui, trabalhava comigo, mas não gostava de mim. Creio que não gostava de ninguém. Tudo nele se voltava para o lugarejo que se transformou em cidade e que tinha, há meio século, bolandeira, terços, candeias de azeite e adivinhações em noites de São João. Com mais de setenta anos, andava a pé, de preferência pelas veredas. E só falava ao telefone constrangido. Odiava a época em que vivia, mas tirava-se de dificuldades empregando uns modos cerimoniosos e expressões que hoje não se usam. O reduzido calor que ainda guardava servia para aquecer aqueles livros grossos, de cantos e lombadas de couro. Escrevia neles com amor lançamentos complicados, e gastava quinze minutos para abrir um título, em letras grandes e curvas, um pouco trêmulas, as iniciais cheias de enfeites. 

      - Entende muito, continuou. E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza, reconheço que poderá, querendo, encarregar-se da escrita.

      - Obrigada.

      - Não há de quê. A excelentíssima conhece a matéria e tem caligrafia. Eu sou uma ruína. Qualquer dia destes ... 

    Graciliano Ramos, São Bernardo. 

    Dado que a narrativa presente no texto de São Bernardo é de tipo realista (no sentido de que tem como ponto de partida a figuração e a análise de realidades observáveis, da esfera do real), a modalidade narrativa que a ela se contrapõe mais frontalmente é a dominante em
    Escolha uma alternativa para a questão 35ab9817-c0
  • 35A80E45-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

        - A excelentíssima, declarou Seu Ribeiro, entende de escrituração.   

        Seu Ribeiro morava aqui, trabalhava comigo, mas não gostava de mim. Creio que não gostava de ninguém. Tudo nele se voltava para o lugarejo que se transformou em cidade e que tinha, há meio século, bolandeira, terços, candeias de azeite e adivinhações em noites de São João. Com mais de setenta anos, andava a pé, de preferência pelas veredas. E só falava ao telefone constrangido. Odiava a época em que vivia, mas tirava-se de dificuldades empregando uns modos cerimoniosos e expressões que hoje não se usam. O reduzido calor que ainda guardava servia para aquecer aqueles livros grossos, de cantos e lombadas de couro. Escrevia neles com amor lançamentos complicados, e gastava quinze minutos para abrir um título, em letras grandes e curvas, um pouco trêmulas, as iniciais cheias de enfeites. 

      - Entende muito, continuou. E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza, reconheço que poderá, querendo, encarregar-se da escrita.

      - Obrigada.

      - Não há de quê. A excelentíssima conhece a matéria e tem caligrafia. Eu sou uma ruína. Qualquer dia destes ... 

    Graciliano Ramos, São Bernardo. 

    Considere as seguintes comparações:

    A personagem seu Ribeiro, tal como aparece no texto, e a célebre personagem José Dias, de Dom Casmurro, de Machado de Assis,

    I têm, ambas, a mania do superlativo, que empregam como modo de compensar imaginariamente a condição subalterna e a dificuldade para formar juízo autônomo;

    II diferenciam-se, na medida em que seu Ribeiro é um empregado assalariado, ao passo que José Dias é um agregado e, como tal, inteiramente dependente do favor dos proprietários;

    III valem-se igualmente da bajulação ou do elogio desprovido de fundamento real e de sinceridade, como meio de alcançar as boas graças dos proprietários.


    Está correto o que se afirma em

    Escolha uma alternativa para a questão 35a80e45-c0
  • D82CABF7-B0

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

                         Poema tirado de uma notícia de jornal

             João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da

                                                         [Babilônia num barracão sem número.

             Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

             Bebeu

             Cantou

             Dançou

             Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

                                                                Manuel Bandeira. Libertinagem.  

    Considere as seguintes afirmações:

    A filiação do poema à estética do Modernismo revela-se na

    I escolha de assunto pertencente à esfera do cotidiano humilde e prosaico, em oposição ao Parnasianismo antecendente, que cultivava os temas ditos nobres, solenes e elevados.

    II utilização de objeto ou texto já pronto ou constituído, alegadamente encontrado na realidade exterior, como base da composição poética.

    III ruptura das fronteiras entre os gêneros literários tradicionais, que aparecem mesclados no texto.

    Está correto o que se afirma em

    Escolha uma alternativa para a questão d82cabf7-b0
  • D8292687-B0

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

                         Poema tirado de uma notícia de jornal

             João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da

                                                         [Babilônia num barracão sem número.

             Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

             Bebeu

             Cantou

             Dançou

             Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

                                                                Manuel Bandeira. Libertinagem.  

    NÃO se encontra, entre os aspectos que contribuem para o efeito poético do texto,
    Escolha uma alternativa para a questão d8292687-b0
  • D9A04E35-A6

    Literatura

    Escolas Literárias
    ENEM · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

                       Imagem da questão de Literatura, da prova de 2016


    TEXTO II

          Tenho um rosto lacerado por rugas secas e profundas, sulcos na pele. Não é um rosto desfeito, como acontece com pessoas de traços delicados, o contorno é o mesmo mas a matéria foi destruída. Tenho um rosto destruído.

                                 DURAS, M. O amante. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. 

    Na imagem e no texto do romance de Marguerite Duras, os dois autorretratos apontam para o modo de representação da subjetividade moderna. Na pintura e na literatura modernas, o rosto humano deforma-se, destrói-se ou fragmenta-se em razão
    Escolha uma alternativa para a questão d9a04e35-a6
  • D979D3F5-A6

    Literatura

    Escolas Literárias
    ENEM · 2016Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Antiode

    Poesia, não será esse

    o sentido em que

    ainda te escrevo:

    flor! (Te escrevo:

    flor! Não uma

    flor, nem aquela

    flor-virtude — em

    disfarçados urinóis).

    Flor é a palavra

    flor; verso inscrito

    no verso, como as

    manhãs no tempo.

    Flor é o salto

    da ave para o voo:

    o salto fora do sono

    quando seu tecido

    se rompe; é uma explosão

    posta a funcionar,

    como uma máquina,

    uma jarra de flores.

    MELO NETO, J. C. Psicologia da composição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997 (fragmento)

    A poesia é marcada pela recriação do objeto por meio da linguagem, sem necessariamente explicá-lo. Nesse fragmento de João Cabral de Melo Neto, poeta da geração de 1945, o sujeito lírico propõe a recriação poética de

    Escolha uma alternativa para a questão d979d3f5-a6
  • D9730976-A6

    Literatura

    Escolas Literárias
    ENEM · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

                                            A partida de trem

          Marcava seis horas da manhã. Angela Pralini pagou o táxi e pegou sua pequena valise. Dona Maria Rita de Alvarenga Chagas Souza Melo desceu do Opala da filha e encaminharam-se para os trilhos. A velha bem-vestida e com joias. Das rugas que a disfarçavam saía a forma pura de um nariz perdido na idade, e de uma boca que outrora devia ter sido cheia e sensível. Mas que importa? Chega-se a um certo ponto — e o que foi não importa. Começa uma nova raça. Uma velha não pode comunicar-se. Recebeu o beijo gelado de sua filha que foi embora antes do trem partir. Ajudara-a antes a subir no vagão. Sem que neste houvesse um centro, ela se colocara do lado. Quando a locomotiva se pôs em movimento, surpreendeu-se um pouco: não esperava que o trem seguisse nessa direção e sentara-se de costas para o caminho.

          Angela Pralini percebeu-lhe o movimento e perguntou:

          — A senhora deseja trocar de lugar comigo?

          Dona Maria Rita se espantou com a delicadeza, disse que não, obrigada, para ela dava no mesmo. Mas parecia ter-se perturbado. Passou a mão sobre o camafeu filigranado de ouro, espetado no peito, passou a mão pelo broche. Seca. Ofendida? Perguntou afinal a Angela Pralini:

          — É por causa de mim que a senhorita deseja trocar de lugar?

    LISPECTOR, C. Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980 (fragmento)

    A descoberta de experiências emocionais com base no cotidiano é recorrente na obra de Clarice Lispector. No fragmento, o narrador enfatiza o(a)
    Escolha uma alternativa para a questão d9730976-a6
  • FD7DB658-06

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNICENTRO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o conto a seguir e responda à questão.

    Preciosidade (para Mafalda)

    De manhã cedo era sempre a mesma coisa renovada: acordar. O que era vagaroso, desdobrado, vasto. Vastamente ela abria os olhos. Tinha quinze anos e não era bonita. Mas por dentro da magreza, a vastidão quase majestosa em que se movia como dentro de uma meditação. E dentro da nebulosidade algo precioso. Que não se espreguiçava, não se comprometia, não se contaminava. Que era intenso como uma joia. Ela acordava antes de todos, pois para ir à escola teria que pegar um ônibus e um bonde, o que lhe tomaria uma hora. O que lhe daria uma hora. De devaneio agudo como um crime. O vento da manhã violentando a janela e o rosto até que os lábios ficavam duros, gelados. Então ela sorria. Como se sorrir fosse em si um objetivo. Tudo isso aconteceria se tivesse a sorte de “ninguém olhar para ela”. Era uma manhã ainda mais fria e escura que as outras, ela estremeceu no suéter. A branca nebulosidade deixava o fim da rua invisível. Tudo estava algodoado, não se ouviu sequer o ruído de algum ônibus que passasse pela avenida. Foi andando para o imprevisível da rua. As casas dormiam nas portas fechadas. Os jardins endurecidos de frio. No ar escuro, mais que no céu, no meio da rua uma estrela. Uma grande estrela de gelo que não voltara ainda, incerta no ar, úmida, informe. Surpreendida no seu atraso, arredondava- -se na hesitação. Ela olhou a estrela próxima. Caminhava sozinha na cidade bombardeada. Não, ela não estava sozinha. Com os olhos franzidos pela incredulidade no fim longínquo de sua rua, de dentro do vapor, viu dois homens. Dois rapazes vindo. Olhou ao redor como se pudesse ter errado de rua ou de cidade. Mas errara os minutos: saíra de casa antes que a estrela e dois homens tivessem tempo de sumir. Seu coração se espantou. O que se seguiu foram quatro mãos difíceis, foram quatro mãos que não sabiam o que queriam, quatro mãos erradas de quem não tinha a vocação, quatro mãos que a tocaram tão inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos: ficou paralisada. Eles, cujo papel predeterminado era apenas o de passar junto do escuro de seu medo, e então o primeiro dos sete mistérios cairia; eles que representariam apenas o horizonte de um só passo aproximado, eles não compreenderam a função que tinham e, com a individualidade dos que têm medo, haviam atacado. Foi menos de uma fração de segundo na rua tranquila. Numa fração de segundo a tocaram como se a eles coubessem todos os sete mistérios. Que ela conservou todos, e mais larva se tornou, e mais sete anos de atraso. Quando foi molhar os cabelos diante do espelho, ela era tão feia. Ela possuía tão pouco, e eles haviam tocado. Ela era tão feia e preciosa. Estava pálida, os traços afinados. As mãos, umedecendo os cabelos, sujas de tinta ainda do dia anterior. “Preciso cuidar mais de mim”, pensou. Não sabia como. A verdade é que cada vez sabia menos como. A expressão do nariz era a de um focinho apontando na cerca. Voltou ao banco e ficou quieta, com um focinho. “Uma pessoa não é nada.” “Não”, retrucou-se em mole protesto, “não diga isso”, pensou com bondade e melancolia. “Uma pessoa é alguma coisa”, disse por gentileza. Mas no jantar a vida tomou um senso imediato e histérico:
    – Preciso de sapatos novos! Os meus fazem muito barulho, uma mulher não pode andar com salto de madeira, chama muita atenção! Ninguém me dá nada! Ninguém me dá nada! – e estava tão frenética e estertorada que ninguém teve coragem de lhe dizer que não os ganharia. Só disseram:
    – Você não é uma mulher e todo salto é de madeira. Até que, assim como uma pessoa engorda, ela deixou, sem saber por que processo, de ser preciosa. Há uma obscura lei que faz com que se proteja o ovo até que nasça o pinto, pássaro de fogo. E ela ganhou os sapatos novos.

    (LISPECTOR, C. Laços de Família. São Paulo: Rocco, 1998. p.95-108.)
    A respeito da autora e de sua obra, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão fd7db658-06
  • 6FCB4315-06

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNIFESP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Uma análise mais atenta do livro mostra que ele foi construído a partir da combinação de uma infinidade de textos preexistentes, elaborados pela tradição oral ou escrita, popular ou erudita, europeia ou brasileira. A originalidade estrutural deriva, deste modo, do fato de o livro não se basear na mímesis, isto é, na dependência constante que a arte estabelece entre o mundo objetivo e a ficção; mas em ligar-se quase sempre a outros mundos imaginários, a sistemas fechados de sinais, já regidos por significação autônoma. Esse processo, parasitário na aparência, é no entanto curiosamente inventivo; pois, em vez de recortar com neutralidade nos entrechos originais as partes de que necessita para reagrupá-las, intactas, numa ordem nova, atua quase sempre sobre cada fragmento, alterando-o em profundidade.

    (Gilda de Mello e Souza. O tupi e o alaúde, 1979. Adaptado.)

    Tal comentário aplica-se ao livro
    Escolha uma alternativa para a questão 6fcb4315-06
  • 8D57E8B5-EF

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Cásper Líbero · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    “Aqui jaz um grande poeta. / Nada deixou escrito. / Este silêncio, acredito, / são suas obras completas”. Autoepitáfio. Paulo Leminski.

    Pouco antes de morrer, em 1989, aos 44 anos, Leminski já se sabia, como poeta, um peixe fora d’água no panorama cultural brasileiro, um sobrevivente de uma época. Morreu cercado de um quase-silêncio, com uma aura de dinossauro porra-louca.

    Fonte: TRIGO, Luciano. Máquina de Escrever, um olhar crítico sobre literatura, cinema e artes plásticas. http://g1.globo.com/ platb/maquinadeescrever/2013/03/30/toda-poesia-mostra-a-forca-e-a-fraqueza-de-paulo-leminski/ Adaptado. Publicado em 30-03-2013. Acesso 17-09-2015.


    O autoepitáfio de Leminski, publicado na obra Toda Poesia, relaciona a sua produção com a (o):
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  • 0B21657A-E4

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    Com base no conto “A nova Califórnia”, de Lima Barreto, assinale a alternativa CORRETA.
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  • C47EB0C5-E3

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    "A moça agitou então a fronte com uma vibração altiva: – Mas o senhor não me abandonou pelo amor de Adelaide e sim pelo seu dote, um mesquinho dote de trinta contos! [...] Desprezasse-me embora, mas não descesse da altura em que o havia colocado dentro da minha alma. Eu tinha um ídolo; o senhor abateu-o de seu pedestal, e atirou-o no pó. Essa degradação do homem a quem eu adorava, eis o seu crime." O excerto se refere à obra:
    Escolha uma alternativa para a questão c47eb0c5-e3