Questões do ENEM: Escolas Literárias

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1.143 questões encontradas. Mostrando a página 37 de 58.

  • 08542FD7-1D

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - RS · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Para responder à questão, leia o fragmento do poema de Carlos Drummond de Andrade, intitulado “O homem: as viagens”.

    Restam outros sistemas fora

    do solar a col-

    onizar.

    Ao acabarem todos

    só resta ao homem

    (estará equipado?)

    a dificílima dangerosíssima viagem

    de si a si mesmo:

    pôr o pé no chão

    do seu coração

    experimentar

    colonizar

    civilizar

    humanizar

    o homem

    descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas

    a perene, insuspeitada alegria

    de con-viver.

    De acordo com a estrofe apresentada, pode-se afirmar:

    ( ) O tema da viagem, explorado no texto, refere-se menos a uma viagem física, realizada por espaços desconhecidos e inexplorados, e mais a uma viagem íntima, aquela que o homem realiza ao interior de sua própria subjetividade.

    ( ) O poema apresenta certo traço narrativo, valendo-se de recursos da oralidade e da desconstrução de palavras para reforçar a ideia da viagem interior.

    ( ) O poema aborda a difícil viagem interior para destacar uma outra mais difícil: aquela em que o homem precisa aprender uma nova maneira de se relacionar com os outros homens.

    ( ) Os versos livres com que Carlos Drummond de Andrade compõe seu poema encontram-se também em outras obras do mesmo autor, como Cadeira de balanço e Libertinagem.

    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

    Escolha uma alternativa para a questão 08542fd7-1d
  • 084F63FB-1D

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - RS · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Para responder à questão, leia o excerto abaixo, retirado da obra Macário, de Álvares de Azevedo.

    (O DESCONHECIDO) Eu sou o diabo. Boa-noite, Macário.

    (MACÁRIO) Boa-noite, Satã. (Deita-se. O desconhecido sai). O diabo! uma boa fortuna! Há dez anos que eu ando para encontrar esse patife! Desta vez agarrei-o pela cauda! A maior desgraça deste mundo é ser Fausto sem Mefistófeles. Olá, Satã!

    (SATÃ) Macário.

    (MACÁRIO) Quando partimos?

    (SATÃ) Tens sono?

    (MACÁRIO) Não.

    (SATÃ) Então já.

    (MACÁRIOE o meu burro?

    (SATÃ) Irás na minha garupa.

    Sobre o movimento literário em que se inscreve Álvares de Azevedo, é INCORRETO afirmar:

    Escolha uma alternativa para a questão 084f63fb-1d
  • 0849AD6F-1D

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - RS · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    A única alternativa que apresenta outras duas obras de Mário de Andrade é
    Escolha uma alternativa para a questão 0849ad6f-1d
  • 08416566-1D

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - RS · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Para responder à questão, leia o trecho do diário de viagem de Mário de Andrade, retirado de O turista aprendiz.

    “Durante esta viagem pela Amazônia, muito resolvido a... escrever um livro modernista, provavelmente mais resolvido a escrever que a viajar, tomei muitas notas como vai se ver. Notas rápidas, telegráficas muitas vezes. Algumas porém se alongaram mais pacientemente, sugeridas pelos descansos forçados do vaticano de fundo chato, vencendo difícil a torrente do rio. Mas quase tudo anotado sem nenhuma intenção da obra-de-arte, reservada pra elaborações futuras, nem com a menor intenção de dar a conhecer aos outros a terra viajada. E a elaboração definitiva nunca realizei. Fiz algumas tentativas, fiz. Mas parava logo no princípio, nem sabia bem porque, desagradado. Decerto já devia me desgostar naquele tempo o personalismo do que anotava. Se gostei e gozei muito pelo Amazonas, a verdade é que vivi metido comigo por todo esse caminho largo de água.”

    Com base no excerto e em seu contexto, preencha os parênteses com V para verdadeiro ou F para falso.

    ( ) O diário de viagem é uma modalidade de narrativa que relata não só os acontecimentos transcorridos durante o percurso, mas também os sentimentos do sujeito viajante.

    ( ) As anotações do diário acompanhavam a rotina do barco: às vezes eram breves, outras mais longas em função das paradas e do movimento da embarcação nas águas do rio.

    ( ) O narrador se assume como um tipo especial de viajante porque não se integra à paisagem e ao ambiente da Amazônia, uma vez que a viagem que empreende é de ordem subjetiva.

    ( ) Mário de Andrade se identifica como um turista aprendiz porque fez muitas anotações, escreveu um livro sobre a viagem, corrigiu os originais e experimentou um personalismo exacerbado.

    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

    Escolha uma alternativa para a questão 08416566-1d
  • 08392FED-1D

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - RS · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Para responder à questão, leia o trecho extraído de “Maria-Fumaça”, de autoria de Mario Quintana, e analise as afirmativas que seguem.

    “As lentas, poeirentas, deliciosas viagens nos trens antigos. As famílias (viajavam famílias inteiras) levavam galinhas com farofa em cestas de vime, que ofereciam, pois não, aos viajantes solitários.

    E os viajantes solitários (e os meninos) ainda desciam nas estaçõezinhas pobres... Para os pastéis, os sonhos, as laranjas...

    (...)

    O mal dos aviões é que não se pode descer a toda hora para comprar laranjas.

    Nesses aviões, vamos todos imóveis e empacotados como encomendas. Às vezes encomendas para a Eternidade...

    Cruzes, poeta! Deixa-te de ideias funéreas e pensa nas aeromoças, arejadas e amáveis como anjos.

    E “anjos”, aplicado a elas, não é exagero nenhum.

    (...)

    Entre a monotonia irreparável das nuvens, nada vemos da viagem. Isto é, não viajamos: chegamos.

    Pobres turistas de aeroportos, damos a volta ao mundo sem nada ver do mundo.

    I. Nesse texto, Mario Quintana retira a matéria para sua criação literária do tema da viagem, comparando diferentes modalidades de transporte e hábitos dos viajantes.

    II. Valendo-se de uma linguagem simples, com frases irônicas e com humor, Mario Quintana reflete sobre a função da viagem e o seu significado para o viajante.

    III. Para o poeta, viajar de avião não concretiza o verdadeiro prazer da viagem, que estaria mais no ato de ver, experimentar, conhecer, do que no percurso partida-chegada.

    A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:

    Escolha uma alternativa para a questão 08392fed-1d
  • 083516A2-1D

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - RS · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Para responder à questão 32, leia o trecho a seguir, retirado de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

    “Ultimamente, restituído à forma humana, vi chegar um hipopótamo, que me arrebatou. Deixei-me ir, calado, não sei se por medo ou confiança; mas, dentro em pouco, a carreira de tal modo se tornou vertiginosa, que me atrevi a interrogá-lo, e com alguma arte lhe disse que a viagem me parecia sem destino.

    – Engana-se, replicou o animal, nós vamos à origem dos séculos.

    Insinuei que deveria ser muitíssimo longe; mas o hipopótamo não me entendeu ou não me ouviu, se é que não fingiu uma dessas coisas, e, perguntando-lhe, visto que ele falava, se era descendente do cavalo de Aquiles ou da asna de Balaão, retorquiu-me com um gesto peculiar a estes dois quadrúpedes: abanou as orelhas. Pela minha parte fechei os olhos e deixei-me ir à ventura. Já agora não se me dá de confessar que sentia umas tais ou quais cócegas de curiosidade, por saber onde ficava a origem do Nilo, e sobretudo se valia alguma coisa mais ou menos que a consumação dos mesmos séculos: reflexões de cérebro enfermo. Como ia de olhos fechados, não via o caminho; lembra-me só que a sensação de frio aumentava com a jornada, e que chegou uma ocasião em que me pareceu entrar na região dos gelos eternos.”

    Todas as afirmativas estão corretamente associadas ao texto, EXCETO:

    Escolha uma alternativa para a questão 083516a2-1d
  • C09BC52B-1C

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - SP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Sentimento do Mundo, obra de Carlos Drummond de Andrade, marcada pela função poética, constrói-se com figuras de linguagem que imprimem ao texto uma fina dimensão estética. Indique, abaixo, a alternativa que contém, no mesmo texto, uma anáfora e uma gradação.
    Escolha uma alternativa para a questão c09bc52b-1c
  • C08576EA-1C

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - SP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Machado de Assis revela em Memórias Póstumas de Brás Cubas uma linguagem rica em recursos estilísticos capaz de emprestar ao romance uma fina dimensão estética. Sua obra é repassada pelas diferentes funções da linguagem. Assim, indique a alternativa que contém trecho em que predomina a função metalinguística.
    Escolha uma alternativa para a questão c08576ea-1c
  • C08143DC-1C

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - SP · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos
    A palavra “memórias” no título do romance Memórias de um Sargento de Milícias, de Manoel Antônio de Almeida, remete
    Escolha uma alternativa para a questão c08143dc-1c
  • 8E8CEB69-A7

    Literatura

    Escolas Literárias
    UCS · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Na peça teatral O noviço (1987), de Martins Pena, a personagem Carlos busca fugir à obrigação de tornar-se frade. Em sua atuação, Carlos representa um tipo também explorado pelo compositor Chico Buarque. 

    Assinale a alternativa, dentre as composições abaixo, em que o excerto se associa ao tipo representado pela personagem Carlos, na peça O noviço


    Escolha uma alternativa para a questão 8e8ceb69-a7
  • 8E874BB1-A7

    Literatura

    Escolas Literárias
    UCS · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o poema de Manuel Bandeira e o excerto da obra Um terno de pássaros ao Sul (2008), de Carpinejar que são apresentados abaixo. 

                                         Poema do beco

                        Que me importa a paisagem, a Glória, a

                                                   [baía, a linha do horizonte?

                        – O que eu vejo é o beco.

                                                                    (BANDEIRA, 1982, p. 67). 

                                      Um terno de pássaros ao Sul

                          O pampa é armadura do mar,

                           só vejo o gatilho da espuma.

                           O pampa é o repuxo do céu,

                            só vejo as naus encalhadas.

                            O pampa é a natureza enervada,

                            só vejo a praia aterrada do Guaíba.

                                                                 (CARPINEJAR, 2008, p. 54). 

    Os versos acima aproximam-se na perspectiva que lançam sobre a paisagem, qual seja: 


    Escolha uma alternativa para a questão 8e874bb1-a7
  • 8E7CED81-A7

    Literatura

    Escolas Literárias
    UCS · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Os excertos a seguir são de Cecília Meireles e Carpinejar, respectivamente.

                     “Minhas mãos ainda estão molhadas

                      do azul das ondas entreabertas,

                      e a cor que escorre dos meus dedos

                      colore as areias desertas".

                                                                (MEIRELES, 2000, p. 27).

                      “A matilha dos filhos

                        fareja o sonho inacabado,

                        perseguindo tua lapela castanha,

                        o açúcar do linho,

                        olor de café aquecido".

                                                       (CARPINEJAR, 2008, p. 58-59). 

    Em ambas as composições, os versos acima revelam que o sujeito lírico tem do mundo uma percepção 



    Escolha uma alternativa para a questão 8e7ced81-a7
  • 8E776F88-A7

    Literatura

    Escolas Literárias
    UCS · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos
    A peça teatral O noviço (1987), de Martins Pena, foi produzida durante o Romantismo Brasileiro. No entanto, o texto aproxima-se do
    Escolha uma alternativa para a questão 8e776f88-a7
  • 8E6C8A34-A7

    Literatura

    Escolas Literárias
    UCS · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Sobre a obra Um terno de pássaros ao Sul (2008), de Fabricio Carpinejar, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 8e6c8a34-a7
  • 8E66E839-A7

    Literatura

    Escolas Literárias
    UCS · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o fragmento.

         “Estávamos em fins de janeiro. Os paus-d'arco, floridos, salpicavam a mata de pontos amarelos; de manhã a serra cachimbava; o riacho, depois das últimas trovoadas, cantava grosso, bancando rio, e a cascata em que se despenha, antes de entrar no açude, enfeitava-se de espuma". (RAMOS, 1977, p. 86). 

          Embora produzido no contexto da estética modernista, o romance aproxima-se, na citação lida, a outro movimento literário marcado pela valorização e idealização da natureza, qual seja: 


    Escolha uma alternativa para a questão 8e66e839-a7
  • 8E61D4E0-A7

    Literatura

    Escolas Literárias
    UCS · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Em seu esforço para dar sentido a si mesmo e ao passado, o relato de Paulo Honório, em São Bernardo, ganha nuances psicológicas e aproxima-se ao de outro narrador-protagonista muito famoso na Literatura Brasileira: Bentinho, o Dom Casmurro, criado por Machado de Assis na obra homônima. Os trechos a seguir pertencem aos dois romances, respectivamente, e referem-se à relação matrimonial dos protagonistas.

    - “O que eu dizia era simples, direto, e procurava debalde em minha mulher concisão e clareza. Usar aquele vocabulário, vasto, cheio de ciladas, não me seria possível. E se ela tentava empregar a minha linguagem resumida, matuta, as expressões mais inofensivas e concretas eram para mim semelhantes às cobras: faziam voltas, picavam e tinham significação venenosa". (RAMOS, 1977, p. 141). [...] – “O que estragou tudo foi esse ciúme, Paulo". (RAMOS, 1977, p. 147).

    - “Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, 'olhos de cigana oblíqua e dissimulada" (ASSIS, 1988, p. 46). – “Pois até os defuntos! Nem os mortos escapam aos seus ciúmes!" (ASSIS, 1988, p. 145).

    Assinale e alternativa que melhor descreve o clima que envolve os narradores, em suas relações amorosas, nos romances mencionados. 

    Escolha uma alternativa para a questão 8e61d4e0-a7
  • 8E5BDB4C-A7

    Literatura

    Escolas Literárias
    UCS · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    No romance São Bernardo, de Graciliano Ramos, a aquisição da fazenda São Bernardo pelo narrador-protagonista, Paulo Honório, ilustra o capitalismo predatório, sistema econômico que prima pelo acúmulo de capital a qualquer custo. A citação que melhor caracteriza esse sistema econômico é:
    Escolha uma alternativa para a questão 8e5bdb4c-a7
  • 48CBF7D3-A4

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNESP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia um trecho do “Manifesto do Surrealismo", publicado por André Breton em 1924.

          Surrealismo: Automatismo psíquico por meio do qual alguém se propõe a exprimir o funcionamento real do pensamento. Ditado do pensamento, na ausência de controle exercido pela razão, fora de qualquer preocupação estética ou moral.

          O Surrealismo assenta-se na crença da realidade superior de certas formas de associação, negligenciadas até aqui, na onipotência do sonho, no jogo desinteressado do pensamento.

    (Apud Gilberto Mendonça Teles. Vanguarda europeia e Modernismo brasileiro, 1992. Adaptado.)

    Tendo em vista as considerações de André Breton, assinale a alternativa cujos versos revelam influência do Surrealismo.

    Escolha uma alternativa para a questão 48cbf7d3-a4
  • C249BB36-9A

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

    CAPÍTULO IV

          Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de condição mediana e parcos meios de vida; mas, tão acanhada, que os suspiros no namorado ficavam sem eco. Chamava-se Maria da Piedade. Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá-los. Piedade resistiu, um pleuris a levou.

         Foi esse trechozinho de romance que ligou os dois homens. Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. 

          Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de seis. Era real o desvelo de Rubião, paciente, risonho, múltiplo, ouvindo as ordens do médico, dando os remédios às horas marcadas, saindo a passeio com o doente, sem esquecer nada, nem o serviço da casa, nem a leitura dos jornais, logo que chegava a mala da Corte ou a de Ouro Preto.

          — Tu és bom, Rubião, suspirava Quincas Borba.

          — Grande façanha! Como se você fosse mau!

          A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza...?

          — Lá isso, não, atalhou Rubião; para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia...

          — Não; mas filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra; adeus.

                                                       (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 23-24.) 

    Machado de Assis (Texto 8) realiza sua literatura com a artimanha de um ourives, mas não aquele que faz uma simples obra de arte, um simples artesão. É o criador que inventa novidade, cria uma obra para ser contemplada no sentido filosófico. Por isso, seu texto possui certo hermetismo, pois, parece anunciar, tal como a famosa esfinge de Tebas: “Decifra-me ou devoro-te". Dentro dessa perspectiva, sua narrativa é dissimulada, é uma narrativa da obliquidade, do enredamento de ideias e metáforas que seduz o leitor ao jogar com as imagens, as palavras, a ironia, a polissemia e a sequência do enredo, tornando o discurso narrativo plurissignificativo, variado, múltiplo e indefinido (o que é a loucura? o que é a razão?). Considerando o fragmento selecionado e a totalidade do romance Quincas Borba, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão c249bb36-9a
  • C238461D-9A

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

    CAPÍTULO IV

          Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de condição mediana e parcos meios de vida; mas, tão acanhada, que os suspiros no namorado ficavam sem eco. Chamava-se Maria da Piedade. Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá-los. Piedade resistiu, um pleuris a levou.

         Foi esse trechozinho de romance que ligou os dois homens. Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. 

          Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de seis. Era real o desvelo de Rubião, paciente, risonho, múltiplo, ouvindo as ordens do médico, dando os remédios às horas marcadas, saindo a passeio com o doente, sem esquecer nada, nem o serviço da casa, nem a leitura dos jornais, logo que chegava a mala da Corte ou a de Ouro Preto.

          — Tu és bom, Rubião, suspirava Quincas Borba.

          — Grande façanha! Como se você fosse mau!

          A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza...?

          — Lá isso, não, atalhou Rubião; para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia...

          — Não; mas filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra; adeus.

                                                       (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 23-24.) 

    Assinale a alternativa correta em relação ao Texto 8, Capítulo IV de Quincas Borba, de Machado de Assis:
    Escolha uma alternativa para a questão c238461d-9a