Livre!
Livre! Ser livre da matéria escrava,
Arrancar os grilhões que nos flagelam
E livre, penetrar nos Dons que selam
A alma e lhe emprestam toda a etérea lava.
Livre da humana, da terrestre bava
Dos corações daninhos que regelam,
Quando os nossos sentidos se rebelam
Contra a Infâmia bifronte que deprava.
Livre! bem livre para andar mais puro,
Mais junto à Natureza e mais seguro
Do seu Amor, de todas as justiças.
Livre! para sentir a Natureza,
Para gozar, na universal Grandeza,
Fecundas e arcangélicas preguiças.
Fonte: Últimos Sonetos / Cruz e Sousa. – 4. ed. rev. – Florianópolis: Ed. da
UFSC, 2011.
No poema “Livre!”, o escritor brasileiro Cruz e Souza,
considerado o principal representante do Simbolismo no
Brasil, expressa a busca pela liberdade não como algo
concreto ou político, mas como um ideal ligado à alma,
ao espírito e à elevação interior. Com base nessa leitura e
nas características do Simbolismo, assinale a alternativa
que apresenta um traço característico do movimento
evidenciado no poema.