Questões do ENEM: Universidade de Pernambuco

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399 questões encontradas. Mostrando a página 9 de 20.

  • DC1A316C-6E

    Matemática

    Seno, Cosseno e Tangente
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    A magnitude da corrente elétrica induzida numa espiral modifica-se senoidalmente através do tempo conforme a função

    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2021

    na qual é a magnitude da corrente elétrica, medida em ampères (A), e t é o tempo, medido em segundos (s). Este tipo de corrente elétrica, que varia periodicamente de magnitude e sentido, chamase corrente elétrica alternada.


    Após quanto tempo a magnitude da corrente elétrica atinge a metade do seu valor máximo pela primeira vez?
    Escolha uma alternativa para a questão dc1a316c-6e
  • DC1551FC-6E

    Matemática

    Geometria Analítica
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Uma estrada retilínea é representada no plano cartesiano ortogonal por uma reta que contém os pontos (-4, 9) e (12, 1), coordenadas que representam duas placas de sinalização na estrada. Qual dos pontos a seguir pode representar uma placa de sinalização pertencente a essa estrada?
    Escolha uma alternativa para a questão dc1551fc-6e
  • DC104DE4-6E

    Matemática

    Geometria Plana
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Os triângulos ABF e EDC possuem a mesma área, cuja medida é conhecida e igual a S.

    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2021

    Se os segmentos de reta BF e DE são paralelos e DE está contido na mediatriz do lado BC, qual é a medida da área do triângulo ABC?
    Escolha uma alternativa para a questão dc104de4-6e
  • DC0757BF-6E

    Matemática

    Análise de Tabelas e Gráficos
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Uma atleta registrou, durante todos os dias de uma semana, o tempo destinado por ela ao treinamento para corrida. Os valores registrados estão representados no gráfico abaixo.

    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2021

    Qual o desvio padrão aproximado do tempo de treinamento desta atleta no período considerado?
    Escolha uma alternativa para a questão dc0757bf-6e
  • DC0266F1-6E

    Matemática

    Geometria Analítica
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Flávia, aluna do 3º ano do Ensino Médio, em uma aula de matemática, traçou os eixos x e y do sistema cartesiano ortogonal na malha abaixo e, em seguida, marcou os pontos A (-3, 1), B (0, 4), C (5, 4) e D (-2, -3). Se os quadradinhos da malha têm lado unitário, qual é a medida da área do quadrilátero cujos vértices são os pontos A, B, C e D do plano cartesiano criado por Flávia?


    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2021
    Escolha uma alternativa para a questão dc0266f1-6e
  • DBF734CB-6E

    Português

    Acentuação Gráfica: Proparoxítonas, Paroxítonas, Oxítonas e Hiatos
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto 15

    PRISÃO
    Cecília Meireles

    Nesta cidade
    quatro mulheres estão no cárcere.
    Apenas quatro.
    Uma na cela que dá para o rio,
    outra na cela que dá para o monte,
    outra na cela que dá para a igreja
    e a última na do cemitério
    ali embaixo.

    [...]

    Quatrocentas mulheres
    quatrocentas, digo, estão presas:
    cem por ódio, cem por amor,
    cem por orgulho, cem por desprezo
    em celas de ferro, em celas de fogo,
    em celas sem ferro nem fogo, somente
    de dor e silêncio,
    quatrocentas mulheres, numa outra cidade,
    quatrocentas, digo, estão presas. 

    Quatro mil mulheres, no cárcere,
    e quatro milhões – e já nem sei a conta,
    em cidades que não se dizem,
    em lugares que ninguém sabe,
    estão presas, estão para sempre –
    sem janela e sem esperança,
    umas voltadas para o presente,
    outras para o passado, e as outras
    para o futuro, e o resto – o resto,
    sem futuro, passado ou presente,
    presas em prisão giratória,
    presas em delírio, na sombra,
    presas por outros e por si mesmas,
    tão presas que ninguém as solta,
    e nem o rubro galo do sol
    nem a andorinha azul da lua
    podem levar qualquer recado
    à prisão por onde as mulheres
    se convertem em sal e muro.

    MEIRELES, Cecília. Prisão. Excertos. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104- 83332006000200013&script=sci_arttext Acesso em: 08/08/2020.


    Texto 16

    GRANDE DESEJO

    Adélia Prado

    Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
    sou é mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
    Faço comida e como.
    Aos domingos bato o osso no prato pra chamar
    o cachorro
    e atiro os restos.
    Quando dói, grito ai,
    quando é bom, fico bruta,
    as sensibilidades sem governo.
    Mas tenho meus prantos,
    claridades atrás do meu estômago humilde
    e fortíssima voz pra cânticos de festa.
    Quando escrever o livro com o meu nome
    e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma
    igreja,
    a uma lápide, a um descampado,
    para chorar, chorar e chorar,
    requintada e esquisita como uma dama.

    Disponível em: https://www.tudoepoema.com.br/adelia-prado-grande-desejo/ Acesso em: 08/08/2020.


    Texto 17

    "Estou consciente de que tudo o que sei não posso dizer, só sei pintando ou pronunciando, sílabas cegas de sentido. [...] Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa se escreveu."

    LISPECTOR, Clarice. Água viva. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1993. Excertos. pp.15-25. (Adaptado)

    Imagem da questão de Português, da prova de 2021
    Nos textos literários, os aspectos formais podem ser analisados como elementos que colaboram para a expressividade. Acerca de aspectos formais dos Textos 15, 16 e 17, analise as proposições abaixo.


    1) No que se refere ao nível de formalidade, podemos dizer que o Texto 17 tende para a informalidade. Apesar disso, sua autora segue as normas de regência nominal, o que se observa, por exemplo, no trecho ―Estou consciente de que tudo o que sei não posso dizer‖. A regência estaria igualmente atendida se a autora tivesse escrito: "Não faço alusão a tudo o que sei".

    2) Observe a concordância feita no seguinte trecho do Texto 15: "e nem o rubro galo do sol / nem a andorinha azul da lua / podem levar qualquer recado [...]". O plural empregado na primeira forma verbal (podem) indica que a ação expressa por ―podem levar‖ é praticada, concomitantemente, pelo "rubro galo do sol" e pela "andorinha azul da lua".

    3) O sinal indicativo de crase presente no trecho "podem levar qualquer recado / à prisão por onde as mulheres / se convertem em sal e muro" (Texto 15) deveria manter-se se o termo "prisão" fosse substituído pelo termo "cárcere".

    4) Para indicar que o Texto 16 tematiza o cotidiano do século passado, nele está preservada a norma ortográfica que era vigente nesse século, a exemplo de "Adélia", "dói" e "pôr", formas que, após o último Acordo Ortográfico, devem ser grafadas sem acento.


    Estão CORRETAS:
    Escolha uma alternativa para a questão dbf734cb-6e
  • DBF25693-6E

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2021DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Texto 15

    PRISÃO
    Cecília Meireles

    Nesta cidade
    quatro mulheres estão no cárcere.
    Apenas quatro.
    Uma na cela que dá para o rio,
    outra na cela que dá para o monte,
    outra na cela que dá para a igreja
    e a última na do cemitério
    ali embaixo.

    [...]

    Quatrocentas mulheres
    quatrocentas, digo, estão presas:
    cem por ódio, cem por amor,
    cem por orgulho, cem por desprezo
    em celas de ferro, em celas de fogo,
    em celas sem ferro nem fogo, somente
    de dor e silêncio,
    quatrocentas mulheres, numa outra cidade,
    quatrocentas, digo, estão presas. 

    Quatro mil mulheres, no cárcere,
    e quatro milhões – e já nem sei a conta,
    em cidades que não se dizem,
    em lugares que ninguém sabe,
    estão presas, estão para sempre –
    sem janela e sem esperança,
    umas voltadas para o presente,
    outras para o passado, e as outras
    para o futuro, e o resto – o resto,
    sem futuro, passado ou presente,
    presas em prisão giratória,
    presas em delírio, na sombra,
    presas por outros e por si mesmas,
    tão presas que ninguém as solta,
    e nem o rubro galo do sol
    nem a andorinha azul da lua
    podem levar qualquer recado
    à prisão por onde as mulheres
    se convertem em sal e muro.

    MEIRELES, Cecília. Prisão. Excertos. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104- 83332006000200013&script=sci_arttext Acesso em: 08/08/2020.


    Texto 16

    GRANDE DESEJO

    Adélia Prado

    Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
    sou é mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
    Faço comida e como.
    Aos domingos bato o osso no prato pra chamar
    o cachorro
    e atiro os restos.
    Quando dói, grito ai,
    quando é bom, fico bruta,
    as sensibilidades sem governo.
    Mas tenho meus prantos,
    claridades atrás do meu estômago humilde
    e fortíssima voz pra cânticos de festa.
    Quando escrever o livro com o meu nome
    e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma
    igreja,
    a uma lápide, a um descampado,
    para chorar, chorar e chorar,
    requintada e esquisita como uma dama.

    Disponível em: https://www.tudoepoema.com.br/adelia-prado-grande-desejo/ Acesso em: 08/08/2020.


    Texto 17

    "Estou consciente de que tudo o que sei não posso dizer, só sei pintando ou pronunciando, sílabas cegas de sentido. [...] Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa se escreveu."

    LISPECTOR, Clarice. Água viva. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1993. Excertos. pp.15-25. (Adaptado)

    Imagem da questão de Português, da prova de 2021
    No Modernismo brasileiro, as mulheres destacaram-se com suas produções artísticas na pintura e na literatura. Na pintura, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti criaram estilos singulares. Na literatura, autoras como Cecília Meireles, Adélia Prado e Clarice Lispector elaboraram suas obras, revelando as potencialidades literárias da escrita de autoria feminina. Com base na leitura dos Textos 15, 16, 17, 18 e 19, e tendo em vista as características da produção artístico-literária de autoria feminina no Modernismo brasileiro, assinale a alternativa CORRETA.


    Escolha uma alternativa para a questão dbf25693-6e
  • DBEDFC8D-6E

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto 11

    DE MÃOS DADAS
    Carlos Drummond de Andrade

    Não serei o poeta de um mundo caduco.
    Também não cantarei o mundo futuro.
    Estou preso à vida e olho meus companheiros.
    Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças.
    Entre eles, considero a enorme realidade.
    O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
    [...]
    O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens
    [presentes, a vida presente.

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do Mundo. Rio de Janeiro, Record, 2000. Disponível em: https://www.passeiweb.com/estudos/livros/maos_dadas_poem a_drummond/ Acesso em: 08/08/2020.


    Texto 12

    OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO
    Carlos Drummond de Andrade

    Chega um tempo em que não se diz mais:
    meu Deus.
    Tempo de absoluta depuração.
    Tempo em que não se diz mais: meu amor.
    Porque o amor resultou inútil.
    E os olhos não choram.
    E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
    E o coração está seco.
    [...]
    Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
    Teus ombros suportam o mundo
    e ele não pesa mais que a mão de uma criança.[...]

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do Mundo. Rio de Janeiro, Record, 2000. Disponível em: http://www.releituras.com/drummond_osombros.asp Acesso em: 08/08/2020. 


    Texto 13

    SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS
    Mario Quintana

    A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
    Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
    Quando se vê, já é 6ª feira...
    Quando se vê, passaram 60 anos...
    Agora, é tarde demais para ser reprovado...
    E se me dessem — um dia — uma outra oportunidade,
    eu nem olhava o relógio seguia sempre, sempre em frente...
    E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

    QUINTANA, Mario. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. Disponível em: http://cabana-on.com/Ler/wp-content/uploads/2017/09/Mario-QuintanaEsconderijos-do-Tempo.pdf Acesso em: 08/08/2020.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2021
    A preocupação com o tempo revela-se em expressões artístico-literárias a partir de diferentes perspectivas. Na literatura, vários poetas escreveram sobre a dimensão temporal, evidenciando preocupação com questões existenciais. Na pintura, Salvador Dalí representou o tempo com foco nos padrões estéticos do Surrealismo. Com base na leitura dos Textos 11, 12, 13 e 14, e considerando as características das produções poéticas de Carlos Drummond de Andrade e Mario Quintana, bem como a estética do Surrealismo, assinale a alternativa CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão dbedfc8d-6e
  • DBE9781B-6E

    Português

    Análise sintática
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto 7

    — O meu nome é Severino,
    como não tenho outro de pia.
    Como há muitos Severinos,
    que é santo de romaria,
    deram então de me chamar
    Severino de Maria;
    como há muitos Severinos
    com mães chamadas Maria,
    fiquei sendo o da Maria
    do finado Zacarias.
    [...]
    Somos muitos Severinos
    iguais em tudo na vida:
    na mesma cabeça grande
    que a custo é que se equilibra,
    no mesmo ventre crescido
    sobre as mesmas pernas finas
    e iguais também porque o sangue,
    que usamos tem pouca tinta.
    [...]
    Somos muitos Severinos
    iguais em tudo e na sina:
    a de abrandar estas pedras
    suando-se muito em cima,
    a de tentar despertar terra sempre mais extinta,
    [...]

    MELO NETO, João Cabral de. Morte e Vida Severina. Excertos. Disponível em: https://www.passeiweb.com/estudos/livros/morte_e_vida_severina/ Acesso em: 30/07/2020. 


    Imagem da questão de Português, da prova de 2021

    Texto 9

    A COMPADECIDA – João foi um pobre como nós, meu filho. Teve de suportar as maiores dificuldades, numa terra seca e pobre como a nossa. Não o condene, deixe João ir para o purgatório.

    JOÃO GRILO – Para o purgatório? Não, não faça isso assim não. [Chamando a Compadecida à parte]. Não repare eu dizer isso, mas é que o diabo é muito negociante e com esse povo a gente pede o mais para impressionar. A senhora pede o céu, porque aí o acordo fica mais fácil a respeito do purgatório. 

    A COMPADECIDA – Isso dá certo lá no sertão, João! Aqui se passa tudo de outro jeito! Que é isso? Não confia mais na sua advogada?

    JOÃO GRILO – Confio, Nossa Senhora, mas esse camarada enrolando nós dois.

    A COMPADECIDA – Deixe comigo. [a Manuel]. Peço-lhe então, muito simplesmente, que não condene João.

    SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. Rio de Janeiro, Agir, 2005. Excertos. Disponível em: https://vermelho.org.br/2014/07/25/auto-dacompadecida/ Acesso em: 09/08/2020. 

    Imagem da questão de Português, da prova de 2021
    Também os textos literários são elaborados com enunciados nos quais geralmente podemos reconhecer algumas relações semânticas. Acerca dessas relações, assinale a alternativa CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão dbe9781b-6e
  • DBE45342-6E

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto 7

    — O meu nome é Severino,
    como não tenho outro de pia.
    Como há muitos Severinos,
    que é santo de romaria,
    deram então de me chamar
    Severino de Maria;
    como há muitos Severinos
    com mães chamadas Maria,
    fiquei sendo o da Maria
    do finado Zacarias.
    [...]
    Somos muitos Severinos
    iguais em tudo na vida:
    na mesma cabeça grande
    que a custo é que se equilibra,
    no mesmo ventre crescido
    sobre as mesmas pernas finas
    e iguais também porque o sangue,
    que usamos tem pouca tinta.
    [...]
    Somos muitos Severinos
    iguais em tudo e na sina:
    a de abrandar estas pedras
    suando-se muito em cima,
    a de tentar despertar terra sempre mais extinta,
    [...]

    MELO NETO, João Cabral de. Morte e Vida Severina. Excertos. Disponível em: https://www.passeiweb.com/estudos/livros/morte_e_vida_severina/ Acesso em: 30/07/2020. 


    Imagem da questão de Português, da prova de 2021

    Texto 9

    A COMPADECIDA – João foi um pobre como nós, meu filho. Teve de suportar as maiores dificuldades, numa terra seca e pobre como a nossa. Não o condene, deixe João ir para o purgatório.

    JOÃO GRILO – Para o purgatório? Não, não faça isso assim não. [Chamando a Compadecida à parte]. Não repare eu dizer isso, mas é que o diabo é muito negociante e com esse povo a gente pede o mais para impressionar. A senhora pede o céu, porque aí o acordo fica mais fácil a respeito do purgatório. 

    A COMPADECIDA – Isso dá certo lá no sertão, João! Aqui se passa tudo de outro jeito! Que é isso? Não confia mais na sua advogada?

    JOÃO GRILO – Confio, Nossa Senhora, mas esse camarada enrolando nós dois.

    A COMPADECIDA – Deixe comigo. [a Manuel]. Peço-lhe então, muito simplesmente, que não condene João.

    SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. Rio de Janeiro, Agir, 2005. Excertos. Disponível em: https://vermelho.org.br/2014/07/25/auto-dacompadecida/ Acesso em: 09/08/2020. 

    Imagem da questão de Português, da prova de 2021
    A literatura e a fotografia podem ser compreendidas como instrumentos de denúncia social. Na literatura, as obras Morte e Vida Severina e Auto da Compadecida destacam-se na representação de personagens que revelam seus conflitos no enfrentamento de questões sociais, como: fome, pobreza, desemprego e violência. Na fotografia, Sebastião Salgado imprime maior dramaticidade à cena, ao empregar o preto e o branco. Considerando a leitura dos Textos 7, 8, 9 e 10, as características estilísticas e o contexto de produção das obras de João Cabral de Melo Neto e de Ariano Suassuna, assinale a alternativa CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão dbe45342-6e
  • DBDF83D5-6E

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Texto 7

    — O meu nome é Severino,
    como não tenho outro de pia.
    Como há muitos Severinos,
    que é santo de romaria,
    deram então de me chamar
    Severino de Maria;
    como há muitos Severinos
    com mães chamadas Maria,
    fiquei sendo o da Maria
    do finado Zacarias.
    [...]
    Somos muitos Severinos
    iguais em tudo na vida:
    na mesma cabeça grande
    que a custo é que se equilibra,
    no mesmo ventre crescido
    sobre as mesmas pernas finas
    e iguais também porque o sangue,
    que usamos tem pouca tinta.
    [...]
    Somos muitos Severinos
    iguais em tudo e na sina:
    a de abrandar estas pedras
    suando-se muito em cima,
    a de tentar despertar terra sempre mais extinta,
    [...]

    MELO NETO, João Cabral de. Morte e Vida Severina. Excertos. Disponível em: https://www.passeiweb.com/estudos/livros/morte_e_vida_severina/ Acesso em: 30/07/2020. 


    Imagem da questão de Português, da prova de 2021

    Texto 9

    A COMPADECIDA – João foi um pobre como nós, meu filho. Teve de suportar as maiores dificuldades, numa terra seca e pobre como a nossa. Não o condene, deixe João ir para o purgatório.

    JOÃO GRILO – Para o purgatório? Não, não faça isso assim não. [Chamando a Compadecida à parte]. Não repare eu dizer isso, mas é que o diabo é muito negociante e com esse povo a gente pede o mais para impressionar. A senhora pede o céu, porque aí o acordo fica mais fácil a respeito do purgatório. 

    A COMPADECIDA – Isso dá certo lá no sertão, João! Aqui se passa tudo de outro jeito! Que é isso? Não confia mais na sua advogada?

    JOÃO GRILO – Confio, Nossa Senhora, mas esse camarada enrolando nós dois.

    A COMPADECIDA – Deixe comigo. [a Manuel]. Peço-lhe então, muito simplesmente, que não condene João.

    SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. Rio de Janeiro, Agir, 2005. Excertos. Disponível em: https://vermelho.org.br/2014/07/25/auto-dacompadecida/ Acesso em: 09/08/2020. 

    Imagem da questão de Português, da prova de 2021
    Acerca dos processos figurativos empregados no Texto 7 e de sua repercussão na interpretação desse poema, analise as afirmativas a seguir.


    1) A expressão ―vida severina‖ institui um conceito metafórico que pode ser associado a uma vida plena, porque profundamente identificada com o ambiente físico do Nordeste.

    2) Nos versos: ―Somos muitos Severinos/ iguais em tudo na vida/ iguais em tudo e na sina‖, opera-se uma metonímia em que o ―homem indivíduo‖, tomado como ―homem coletivo‖, perde sua singularidade, sua identidade.

    3) A metáfora do ―sangue com pouca tinta‖ alude ao estado de desnutrição dos muitos severinos que passam privações.

    4) A expressão ―abrandar estas pedras‖ pode ser interpretada como suavizar a luta cotidiana pela sobrevivência, em um meio físico bastante adverso.


    Estão CORRETAS:
    Escolha uma alternativa para a questão dbdf83d5-6e
  • DBDAEB74-6E

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Com a vida em xeque diante da COVID-19, ser humano descobre a empatia e a solidariedade como atos de preservação da espécie

    Um olhar voltado para o cuidado e a atenção com o outro

    "Poderia haver maior milagre do que olharmos com os olhos do outro por um instante?" A indagação é de Henry David Thoreau, historiador e filósofo americano, que morreu em 1862. No mundo individualista do século 21, será que ainda há lugar para o ser humano praticar a empatia? Ser solidário? Ter olhar para a cooperação social? Sim. Ainda bem. Caso contrário, a espécie estaria com os dias contados. Não está. Ela sobrevive porque em toda parte há pessoas que espalham o antídoto do amor e da generosidade ao ajudar quem precisa. E não só para quem está à margem da sociedade.

    Philia, termo tirado do tratado Ética a Nicômaco, de Aristóteles, pode ser traduzido como amizade, amor e também empatia, ou seja, uma espécie de afeição e apreço por outra pessoa. O modo como o filósofo aplicava o termo é uma inspiração para o tempo atual: ―Fazer o bem; fazer sem que seja solicitado‖. Assim agem muitos brasileiros diante dos desafios provocados pela pandemia do novo coronavírus. É um trabalho de formiguinha, incansável, com cada um fazendo um pouco, que somado a outro pouco leva esperança e alento a muitas pessoas.

    O filósofo australiano Roman Krznaric, fundador da The School of Life de Londres (badalada escola inglesa que oferece cursos livres na área de Humanidades) e descrito pelo Observer com um dos mais importantes pensadores britânicos dedicados ao estudo dos estilos de vida, acredita que a empatia pode criar uma grande mudança social. Em seu livro Empathy – A handbook for revolution ("O poder da empatia – A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo‖, Editora Zahar), ele escreveu sobre o que chama de ―a tragédia da Era da Introspecção‖, com o intenso foco no eu.

    Para o filósofo, é hora de tentar algo diferente. ―Há mais de 2 mil anos, Sócrates aconselhou que o melhor caminho para viver bem e com sabedoria era o 'conhece-te a ti mesmo'‖. Pensam convencionalmente que isso exige autorreflexão: que olhemos para dentro de nós e contemplemos nossas almas. Mas podemos também passar a nos conhecer saindo de nós mesmos e aprendendo sobre vidas e culturas diferentes das nossas. É hora de forjar a 'Era da Outrospecção', e a empatia é nossa maior esperança para fazer isso.‖

    Não que a empatia seja uma panaceia universal para todos os problemas do mundo, nem para todas as lutas da vida, mas ela faz a diferença na vida do outro e na própria existência. São ações diversas, inspiradoras e que podem despertar a mesma atitude em mais pessoas em dias tão difíceis. [...]

    O mundo vive um sofrimento global, talvez sem precedentes na história. Diante de um inimigo comum, todos são afetados. Logo, a única alternativa é enfrentá-lo juntos e com esperança de que tudo ―dará certo‖, como tem sido o lema mundial. O momento é, portanto, de comunhão. A psicóloga clínica Maria Clara Jost, pós-doutora em Psicologia, professora da Faculdade de Ciências Médicas e pós-graduada em Filosofia, lembra que quanto mais a pessoa se fecha em um casulo menos descobre sobre si e sobre os seus valores mais próprios, acabando por intensificar sofrimentos já existentes, tendendo ao adoecimento em diversas esferas do ser.

    Por outro lado, ressalta Maria Clara, se somos constituídos na relação que estabelecemos com os outros, desde o útero, então, quanto mais nos posicionarmos no sentido de abertura ao mundo, ao outro e à coletividade, em um movimento autotranscendente, maior a possibilidade de encontrar quem, muitas vezes, estava escondido num turbilhão de afazeres, por vezes sem sentido: nós mesmos.


    Lilian Monteiro. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/04/26/interna_bem_viver,1141208/com-avida-em-xeque-diante-da-covid-19-ser-humano-descobre-a-empatia.shtml Acesso em: 30/06/2020. (Adaptado)
    Releia o seguinte trecho do Texto 6: "(...) podemos também passar a nos conhecer saindo de nós mesmos e aprendendo sobre vidas e culturas diferentes das nossas. É hora de forjar a 'Era da Outrospecção' (...)" (4º parágrafo). Considerando que o autor busca aconselhar o seu interlocutor e persuadi-lo a realizar uma ação (É hora de forjar a 'Era da Outrospecção‘), conclui-se que essa sequência do texto é de tipologia
    Escolha uma alternativa para a questão dbdaeb74-6e
  • DBD62D49-6E

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Com a vida em xeque diante da COVID-19, ser humano descobre a empatia e a solidariedade como atos de preservação da espécie

    Um olhar voltado para o cuidado e a atenção com o outro

    "Poderia haver maior milagre do que olharmos com os olhos do outro por um instante?" A indagação é de Henry David Thoreau, historiador e filósofo americano, que morreu em 1862. No mundo individualista do século 21, será que ainda há lugar para o ser humano praticar a empatia? Ser solidário? Ter olhar para a cooperação social? Sim. Ainda bem. Caso contrário, a espécie estaria com os dias contados. Não está. Ela sobrevive porque em toda parte há pessoas que espalham o antídoto do amor e da generosidade ao ajudar quem precisa. E não só para quem está à margem da sociedade.

    Philia, termo tirado do tratado Ética a Nicômaco, de Aristóteles, pode ser traduzido como amizade, amor e também empatia, ou seja, uma espécie de afeição e apreço por outra pessoa. O modo como o filósofo aplicava o termo é uma inspiração para o tempo atual: ―Fazer o bem; fazer sem que seja solicitado‖. Assim agem muitos brasileiros diante dos desafios provocados pela pandemia do novo coronavírus. É um trabalho de formiguinha, incansável, com cada um fazendo um pouco, que somado a outro pouco leva esperança e alento a muitas pessoas.

    O filósofo australiano Roman Krznaric, fundador da The School of Life de Londres (badalada escola inglesa que oferece cursos livres na área de Humanidades) e descrito pelo Observer com um dos mais importantes pensadores britânicos dedicados ao estudo dos estilos de vida, acredita que a empatia pode criar uma grande mudança social. Em seu livro Empathy – A handbook for revolution ("O poder da empatia – A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo‖, Editora Zahar), ele escreveu sobre o que chama de ―a tragédia da Era da Introspecção‖, com o intenso foco no eu.

    Para o filósofo, é hora de tentar algo diferente. ―Há mais de 2 mil anos, Sócrates aconselhou que o melhor caminho para viver bem e com sabedoria era o 'conhece-te a ti mesmo'‖. Pensam convencionalmente que isso exige autorreflexão: que olhemos para dentro de nós e contemplemos nossas almas. Mas podemos também passar a nos conhecer saindo de nós mesmos e aprendendo sobre vidas e culturas diferentes das nossas. É hora de forjar a 'Era da Outrospecção', e a empatia é nossa maior esperança para fazer isso.‖

    Não que a empatia seja uma panaceia universal para todos os problemas do mundo, nem para todas as lutas da vida, mas ela faz a diferença na vida do outro e na própria existência. São ações diversas, inspiradoras e que podem despertar a mesma atitude em mais pessoas em dias tão difíceis. [...]

    O mundo vive um sofrimento global, talvez sem precedentes na história. Diante de um inimigo comum, todos são afetados. Logo, a única alternativa é enfrentá-lo juntos e com esperança de que tudo ―dará certo‖, como tem sido o lema mundial. O momento é, portanto, de comunhão. A psicóloga clínica Maria Clara Jost, pós-doutora em Psicologia, professora da Faculdade de Ciências Médicas e pós-graduada em Filosofia, lembra que quanto mais a pessoa se fecha em um casulo menos descobre sobre si e sobre os seus valores mais próprios, acabando por intensificar sofrimentos já existentes, tendendo ao adoecimento em diversas esferas do ser.

    Por outro lado, ressalta Maria Clara, se somos constituídos na relação que estabelecemos com os outros, desde o útero, então, quanto mais nos posicionarmos no sentido de abertura ao mundo, ao outro e à coletividade, em um movimento autotranscendente, maior a possibilidade de encontrar quem, muitas vezes, estava escondido num turbilhão de afazeres, por vezes sem sentido: nós mesmos.


    Lilian Monteiro. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/04/26/interna_bem_viver,1141208/com-avida-em-xeque-diante-da-covid-19-ser-humano-descobre-a-empatia.shtml Acesso em: 30/06/2020. (Adaptado)
    Para alcançar o seu interlocutor e convencê-lo a aderir às suas ideias, é comum o autor citar alguma autoridade no assunto. No Texto 6, Roman Krznaric é referido com diferentes expressões que servem não só para identificá-lo como também para defini-lo e mostrar ao leitor as suas credenciais. Assinale, entre as alternativas abaixo, a única expressão que NÃO está empregada no texto para referir Roman Krznaric.
    Escolha uma alternativa para a questão dbd62d49-6e
  • DBD096D4-6E

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Com a vida em xeque diante da COVID-19, ser humano descobre a empatia e a solidariedade como atos de preservação da espécie

    Um olhar voltado para o cuidado e a atenção com o outro

    "Poderia haver maior milagre do que olharmos com os olhos do outro por um instante?" A indagação é de Henry David Thoreau, historiador e filósofo americano, que morreu em 1862. No mundo individualista do século 21, será que ainda há lugar para o ser humano praticar a empatia? Ser solidário? Ter olhar para a cooperação social? Sim. Ainda bem. Caso contrário, a espécie estaria com os dias contados. Não está. Ela sobrevive porque em toda parte há pessoas que espalham o antídoto do amor e da generosidade ao ajudar quem precisa. E não só para quem está à margem da sociedade.

    Philia, termo tirado do tratado Ética a Nicômaco, de Aristóteles, pode ser traduzido como amizade, amor e também empatia, ou seja, uma espécie de afeição e apreço por outra pessoa. O modo como o filósofo aplicava o termo é uma inspiração para o tempo atual: ―Fazer o bem; fazer sem que seja solicitado‖. Assim agem muitos brasileiros diante dos desafios provocados pela pandemia do novo coronavírus. É um trabalho de formiguinha, incansável, com cada um fazendo um pouco, que somado a outro pouco leva esperança e alento a muitas pessoas.

    O filósofo australiano Roman Krznaric, fundador da The School of Life de Londres (badalada escola inglesa que oferece cursos livres na área de Humanidades) e descrito pelo Observer com um dos mais importantes pensadores britânicos dedicados ao estudo dos estilos de vida, acredita que a empatia pode criar uma grande mudança social. Em seu livro Empathy – A handbook for revolution ("O poder da empatia – A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo‖, Editora Zahar), ele escreveu sobre o que chama de ―a tragédia da Era da Introspecção‖, com o intenso foco no eu.

    Para o filósofo, é hora de tentar algo diferente. ―Há mais de 2 mil anos, Sócrates aconselhou que o melhor caminho para viver bem e com sabedoria era o 'conhece-te a ti mesmo'‖. Pensam convencionalmente que isso exige autorreflexão: que olhemos para dentro de nós e contemplemos nossas almas. Mas podemos também passar a nos conhecer saindo de nós mesmos e aprendendo sobre vidas e culturas diferentes das nossas. É hora de forjar a 'Era da Outrospecção', e a empatia é nossa maior esperança para fazer isso.‖

    Não que a empatia seja uma panaceia universal para todos os problemas do mundo, nem para todas as lutas da vida, mas ela faz a diferença na vida do outro e na própria existência. São ações diversas, inspiradoras e que podem despertar a mesma atitude em mais pessoas em dias tão difíceis. [...]

    O mundo vive um sofrimento global, talvez sem precedentes na história. Diante de um inimigo comum, todos são afetados. Logo, a única alternativa é enfrentá-lo juntos e com esperança de que tudo ―dará certo‖, como tem sido o lema mundial. O momento é, portanto, de comunhão. A psicóloga clínica Maria Clara Jost, pós-doutora em Psicologia, professora da Faculdade de Ciências Médicas e pós-graduada em Filosofia, lembra que quanto mais a pessoa se fecha em um casulo menos descobre sobre si e sobre os seus valores mais próprios, acabando por intensificar sofrimentos já existentes, tendendo ao adoecimento em diversas esferas do ser.

    Por outro lado, ressalta Maria Clara, se somos constituídos na relação que estabelecemos com os outros, desde o útero, então, quanto mais nos posicionarmos no sentido de abertura ao mundo, ao outro e à coletividade, em um movimento autotranscendente, maior a possibilidade de encontrar quem, muitas vezes, estava escondido num turbilhão de afazeres, por vezes sem sentido: nós mesmos.


    Lilian Monteiro. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/04/26/interna_bem_viver,1141208/com-avida-em-xeque-diante-da-covid-19-ser-humano-descobre-a-empatia.shtml Acesso em: 30/06/2020. (Adaptado)
    Para desenvolver sua tese, a autora do Texto 6 se respalda no pensamento de alguns filósofos. Em relação a Roman Krznaric, por exemplo, a autora demonstra sua adesão à seguinte ideia:
    Escolha uma alternativa para a questão dbd096d4-6e
  • DBCD0B2B-6E

    Português

    Coesão e coerência
    Universidade de Pernambuco · 2021DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Com a vida em xeque diante da COVID-19, ser humano descobre a empatia e a solidariedade como atos de preservação da espécie

    Um olhar voltado para o cuidado e a atenção com o outro

    "Poderia haver maior milagre do que olharmos com os olhos do outro por um instante?" A indagação é de Henry David Thoreau, historiador e filósofo americano, que morreu em 1862. No mundo individualista do século 21, será que ainda há lugar para o ser humano praticar a empatia? Ser solidário? Ter olhar para a cooperação social? Sim. Ainda bem. Caso contrário, a espécie estaria com os dias contados. Não está. Ela sobrevive porque em toda parte há pessoas que espalham o antídoto do amor e da generosidade ao ajudar quem precisa. E não só para quem está à margem da sociedade.

    Philia, termo tirado do tratado Ética a Nicômaco, de Aristóteles, pode ser traduzido como amizade, amor e também empatia, ou seja, uma espécie de afeição e apreço por outra pessoa. O modo como o filósofo aplicava o termo é uma inspiração para o tempo atual: ―Fazer o bem; fazer sem que seja solicitado‖. Assim agem muitos brasileiros diante dos desafios provocados pela pandemia do novo coronavírus. É um trabalho de formiguinha, incansável, com cada um fazendo um pouco, que somado a outro pouco leva esperança e alento a muitas pessoas.

    O filósofo australiano Roman Krznaric, fundador da The School of Life de Londres (badalada escola inglesa que oferece cursos livres na área de Humanidades) e descrito pelo Observer com um dos mais importantes pensadores britânicos dedicados ao estudo dos estilos de vida, acredita que a empatia pode criar uma grande mudança social. Em seu livro Empathy – A handbook for revolution ("O poder da empatia – A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo‖, Editora Zahar), ele escreveu sobre o que chama de ―a tragédia da Era da Introspecção‖, com o intenso foco no eu.

    Para o filósofo, é hora de tentar algo diferente. ―Há mais de 2 mil anos, Sócrates aconselhou que o melhor caminho para viver bem e com sabedoria era o 'conhece-te a ti mesmo'‖. Pensam convencionalmente que isso exige autorreflexão: que olhemos para dentro de nós e contemplemos nossas almas. Mas podemos também passar a nos conhecer saindo de nós mesmos e aprendendo sobre vidas e culturas diferentes das nossas. É hora de forjar a 'Era da Outrospecção', e a empatia é nossa maior esperança para fazer isso.‖

    Não que a empatia seja uma panaceia universal para todos os problemas do mundo, nem para todas as lutas da vida, mas ela faz a diferença na vida do outro e na própria existência. São ações diversas, inspiradoras e que podem despertar a mesma atitude em mais pessoas em dias tão difíceis. [...]

    O mundo vive um sofrimento global, talvez sem precedentes na história. Diante de um inimigo comum, todos são afetados. Logo, a única alternativa é enfrentá-lo juntos e com esperança de que tudo ―dará certo‖, como tem sido o lema mundial. O momento é, portanto, de comunhão. A psicóloga clínica Maria Clara Jost, pós-doutora em Psicologia, professora da Faculdade de Ciências Médicas e pós-graduada em Filosofia, lembra que quanto mais a pessoa se fecha em um casulo menos descobre sobre si e sobre os seus valores mais próprios, acabando por intensificar sofrimentos já existentes, tendendo ao adoecimento em diversas esferas do ser.

    Por outro lado, ressalta Maria Clara, se somos constituídos na relação que estabelecemos com os outros, desde o útero, então, quanto mais nos posicionarmos no sentido de abertura ao mundo, ao outro e à coletividade, em um movimento autotranscendente, maior a possibilidade de encontrar quem, muitas vezes, estava escondido num turbilhão de afazeres, por vezes sem sentido: nós mesmos.


    Lilian Monteiro. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/04/26/interna_bem_viver,1141208/com-avida-em-xeque-diante-da-covid-19-ser-humano-descobre-a-empatia.shtml Acesso em: 30/06/2020. (Adaptado)
    Considerando a proposta temática do Texto 6, é CORRETO afirmar que duas de suas palavraschave são:
    Escolha uma alternativa para a questão dbcd0b2b-6e
  • DBC9BA8C-6E

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Português, da prova de 2021

    Texto 5

    POÉTICA

    Manuel Bandeira

    Estou farto do lirismo comedido
    do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e                                                                                                      [manifestações de apreço ao Sr. Diretor
    Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho
                                                                                                                    [vernáculo de um vocábulo.

    Abaixo os puristas

    Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
    Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
    Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

    Estou farto do lirismo namorador
    Político
    Raquítico
    Sifilítico
    De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
    De resto não é lirismo
    Será contabilidade tabela de cossenos secretário do amante exemplar
                                                                                            [com cem modelos de cartas e as diferentes
                                                                                            [maneiras de agradar às mulheres, etc.
    Quero antes o lirismo dos loucos
    O lirismo dos bêbados
    O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
    O lirismo dos clowns de Shakespeare

    – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


    BANDEIRA, Manuel. Poética. In: MORICONI, Ítalo. Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
    (Adaptado)
    Para compreender a argumentação pretendida no Texto 4, em seus elementos contextuais mais relevantes e atuais, é necessário admitir que o autor
    Escolha uma alternativa para a questão dbc9ba8c-6e
  • DBC2F95D-6E

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Literatura, da prova de 2021

    Texto 5

    POÉTICA

    Manuel Bandeira

    Estou farto do lirismo comedido
    do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e                                                                                                      [manifestações de apreço ao Sr. Diretor
    Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho
                                                                                                                    [vernáculo de um vocábulo.

    Abaixo os puristas

    Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
    Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
    Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

    Estou farto do lirismo namorador
    Político
    Raquítico
    Sifilítico
    De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
    De resto não é lirismo
    Será contabilidade tabela de cossenos secretário do amante exemplar
                                                                                            [com cem modelos de cartas e as diferentes
                                                                                            [maneiras de agradar às mulheres, etc.
    Quero antes o lirismo dos loucos
    O lirismo dos bêbados
    O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
    O lirismo dos clowns de Shakespeare

    – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


    BANDEIRA, Manuel. Poética. In: MORICONI, Ítalo. Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
    (Adaptado)
    A primeira fase do Modernismo brasileiro contemplou artistas diversos que exploraram diferentes tendências e estilos. A Semana de Arte Moderna foi um marco nessa fase e teve a participação de artistas que defendiam uma nova visão de arte, a partir de uma estética inovadora, inspirada nas vanguardas europeias. Com base nas leituras dos Textos 1, 2, 3, 4 e 5, e considerando as características da primeira fase do Modernismo no Brasil, assinale a alternativa CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão dbc2f95d-6e
  • 12907AB0-6A

    Filosofia

    O Fazer Filosófico
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    “A primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos pré-juízos, aos fatos e às ideias da experiência cotidiana, ao que „todo mundo diz e pensa‟, ao estabelecido. A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos.”

    Marilena Chauí – Convite à Filosofia

    Assinale a alternativa que corresponde ao ato de filosofar, conforme a autora.

    Escolha uma alternativa para a questão 12907ab0-6a
  • 1289E78A-6A

    Filosofia

    A Política
    Universidade de Pernambuco · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Filosofia, da prova de 2021

    Cenas do Drama Épico Germinal – Claude Berri, 1993.


    O longa metragem Germinal é uma adaptação do célebre romance de Émile Zola, publicado em 1885. O filme, assim como o livro, retrata as condições de vida dos trabalhadores franceses no século XIX, a partir de uma greve de mineiros. A narrativa procura demonstrar algo que as análises de Marx e Proudhon, dentre outros pensadores e ativistas socialistas de meados do século XIX, perceberam. Esses filósofos defendiam que a melhora nas condições de vida dos trabalhadores só poderia ocorrer com a participação desses na política. Isso se devia, entre outras coisas, a uma profunda diferença na concepção do Estado desses filósofos com relação a outros teóricos modernos da política.


    Assinale a alternativa que corresponde a essa forma de compreender o Estado.

    Escolha uma alternativa para a questão 1289e78a-6a
  • 1283A59A-6A

    Filosofia

    A Metafísica de Aristóteles
    Universidade de Pernambuco · 2021DifícilEntre para guardar nos favoritos
    "Só o homem entre os viventes possui a linguagem. A voz, de fato, é sinal da dor e do prazer e, por isso, ela pertence também aos outros viventes (a natureza deles, de fato, chegou até a sensação da dor e do prazer e a representá-los entre si), mas a linguagem serve para manifestar o conveniente e o inconveniente, assim como também o justo e o injusto; isso é próprio do homem com relação aos outros viventes, somente ele tem o sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto e das outras coisas do mesmo gênero, e a comunidade dessas coisas faz a habitação e a cidade."

    Aristóteles – Política

    Nessa passagem da Política de Aristóteles, temos uma das primeiras formulações da principal característica que distingue os seres humanos dos animais. 

    Assinale a alternativa que corresponde a essa distinção. 

    Escolha uma alternativa para a questão 1283a59a-6a