Questões do ENEM: Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

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362 questões encontradas. Mostrando a página 6 de 19.

  • 52D8D436-75

    História

    História Geral
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Os monumentos, os objetos, as imagens eram, antes de tudo, funcionais. Em uma sociedade fortemente hierarquizada, em que se atribuía ao invisível um poder maior do que ao mundo visível e que não se pensava a morte como o fim da existência individual, as artes cumpriam algumas funções essenciais. A maior parte dos objetos artísticos era ofertada à glória de Deus, visando-se obter, em contrapartida, a sua indulgência e os seus favores. Ou então, era ofertada aos santos protetores, assim como aos mortos. O essencial da criação artística, nesse período, desenvolvia-se em torno do altar, do oratório, do túmulo.


    (Georges Duby. Art et société au Moyen Age, 1997. Adaptado.)


    O excerto refere-se à cultura da Idade Média Ocidental e acentua
    Escolha uma alternativa para a questão 52d8d436-75
  • 52D613C7-75

    História

    História Geral
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    Historicamente, os laços entre a escrita e a economia são simples, pelo menos no mundo mediterrânico. A agricultura está atestada na Palestina por volta de 6000 anos a.C.; a primeira necessidade alimentar é a que respeita a passagem de uma estação para outra, portanto a armazenagem, a contagem das reservas: nasce uma civilização de guarda-livros e notários; os signos religiosos laicizam-se. Todos os historiadores concordam em ligar a invenção da escrita, nesta área histórica e geográfica, às necessidades econômicas.


    (Roland Barthes e Patrick Mauriès. “Escrita”. In: Enciclopédia Einaudi, vol. 11, 1987.)


    O excerto insere a invenção da escrita em um conjunto de transformações históricas que pressupõem
    Escolha uma alternativa para a questão 52d613c7-75
  • 52D389F9-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Read the infographic produced by World Health Organization to answer question.


    Q19_20.png (345×361)

    (https://cdn.who.int)
    In the excerpt from the infographic “Nitrogen dioxide pollution from traffic, power plants, industry or agriculture can aggravate respiratory diseases”, the underlined word can be replaced, with no change in meaning, by:
    Escolha uma alternativa para a questão 52d389f9-75
  • 52D0BA34-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Read the infographic produced by World Health Organization to answer question.


    Q19_20.png (345×361)

    (https://cdn.who.int)
    The infographic was mainly designed to raise awareness about
    Escolha uma alternativa para a questão 52d0ba34-75
  • 52CE443C-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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    Read the comic strip by Bill Watterson to answer question.


    Q17_18.png (333×333)


    (Bill Watterson. There’s Treasure Everywhere, 1996.)

    Given the comic strip’s context, the phrase from the third panel “I’d settle for being ignored” means:
    Escolha uma alternativa para a questão 52ce443c-75
  • 52CB7951-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos

    Read the comic strip by Bill Watterson to answer question.


    Q17_18.png (333×333)


    (Bill Watterson. There’s Treasure Everywhere, 1996.)

    In the context of the comic strip, the phrase “I’d rather change it”, in the second panel, expresses
    Escolha uma alternativa para a questão 52cb7951-75
  • 52C91244-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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    Read the quote by Louisa May Alcott to answer question.


    Q15_16.png (352×193)

    (https://quotefancy.com)
    In the quote “I am not afraid of storms for I am learning how to sail my ship”, the term “for” is used with the same meaning as the underlined term in:
    Escolha uma alternativa para a questão 52c91244-75
  • 52C63497-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Read the quote by Louisa May Alcott to answer question.


    Q15_16.png (352×193)

    (https://quotefancy.com)
    In Louisa May Alcott’s quote, the speaker has no fear because she is
    Escolha uma alternativa para a questão 52c63497-75
  • 52C31470-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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    Read the text to answer question.


    Q11_14.png (345×205)


        New York Giants1 wide receiver Malik Nabers has not practiced while recovering from a persisting toe injury. While the concussion has affected his availability thus far, Giants coach Brian Daboll said there were no concerns about Nabers potentially missing training camp. Nabers’ toe injury dates back to his days at Louisiana State University (LSU), though it does not require a procedural fix. It didn’t cause him to miss any time as a rookie2 with the Giants in 2024. He was sidelined for two games while recovering from a concussion. In spite of that, Nabers still made the All-Rookie Team and earned a Pro Bowl3 bid after catching 109 passes for 1,204 yards and seven touchdowns. He broke New York’s single-season receptions record in the process, surpassing Steve Smith, and set the National Football League (NFL) record for most receptions by a rookie.


    (Will Backus. www.cbssports.com, 18.06.2025. Adapted.)


    1New York Giants: a professional American football team.

    2 rookie: any player who is in their first season playing professional football, having never signed a contract with a professional team before.

    3Pro Bowl: the NFL’s annual all-star game, showcasing the league’s top players. 
    In the excerpt from the text “In spite of that, Nabers still made the All-Rookie Team and earned a Pro Bowl bid”, the underlined expression can be replaced, with no change in meaning, by:
    Escolha uma alternativa para a questão 52c31470-75
  • 52BFC317-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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    Read the text to answer question.


    Q11_14.png (345×205)


        New York Giants1 wide receiver Malik Nabers has not practiced while recovering from a persisting toe injury. While the concussion has affected his availability thus far, Giants coach Brian Daboll said there were no concerns about Nabers potentially missing training camp. Nabers’ toe injury dates back to his days at Louisiana State University (LSU), though it does not require a procedural fix. It didn’t cause him to miss any time as a rookie2 with the Giants in 2024. He was sidelined for two games while recovering from a concussion. In spite of that, Nabers still made the All-Rookie Team and earned a Pro Bowl3 bid after catching 109 passes for 1,204 yards and seven touchdowns. He broke New York’s single-season receptions record in the process, surpassing Steve Smith, and set the National Football League (NFL) record for most receptions by a rookie.


    (Will Backus. www.cbssports.com, 18.06.2025. Adapted.)


    1New York Giants: a professional American football team.

    2 rookie: any player who is in their first season playing professional football, having never signed a contract with a professional team before.

    3Pro Bowl: the NFL’s annual all-star game, showcasing the league’s top players. 
    According to the text, Malik Nabers’ toe injury
    Escolha uma alternativa para a questão 52bfc317-75
  • 52BCB8ED-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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    Read the text to answer question.


    Q11_14.png (345×205)


        New York Giants1 wide receiver Malik Nabers has not practiced while recovering from a persisting toe injury. While the concussion has affected his availability thus far, Giants coach Brian Daboll said there were no concerns about Nabers potentially missing training camp. Nabers’ toe injury dates back to his days at Louisiana State University (LSU), though it does not require a procedural fix. It didn’t cause him to miss any time as a rookie2 with the Giants in 2024. He was sidelined for two games while recovering from a concussion. In spite of that, Nabers still made the All-Rookie Team and earned a Pro Bowl3 bid after catching 109 passes for 1,204 yards and seven touchdowns. He broke New York’s single-season receptions record in the process, surpassing Steve Smith, and set the National Football League (NFL) record for most receptions by a rookie.


    (Will Backus. www.cbssports.com, 18.06.2025. Adapted.)


    1New York Giants: a professional American football team.

    2 rookie: any player who is in their first season playing professional football, having never signed a contract with a professional team before.

    3Pro Bowl: the NFL’s annual all-star game, showcasing the league’s top players. 
    In the excerpt from the text “While the concussion has affected his availability thus far, Giants coach Brian Daboll said there were no concerns about Nabers potentially missing training camp”, the underlined word expresses 
    Escolha uma alternativa para a questão 52bcb8ed-75
  • 52B9C00F-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Read the text to answer question.


    Q11_14.png (345×205)


        New York Giants1 wide receiver Malik Nabers has not practiced while recovering from a persisting toe injury. While the concussion has affected his availability thus far, Giants coach Brian Daboll said there were no concerns about Nabers potentially missing training camp. Nabers’ toe injury dates back to his days at Louisiana State University (LSU), though it does not require a procedural fix. It didn’t cause him to miss any time as a rookie2 with the Giants in 2024. He was sidelined for two games while recovering from a concussion. In spite of that, Nabers still made the All-Rookie Team and earned a Pro Bowl3 bid after catching 109 passes for 1,204 yards and seven touchdowns. He broke New York’s single-season receptions record in the process, surpassing Steve Smith, and set the National Football League (NFL) record for most receptions by a rookie.


    (Will Backus. www.cbssports.com, 18.06.2025. Adapted.)


    1New York Giants: a professional American football team.

    2 rookie: any player who is in their first season playing professional football, having never signed a contract with a professional team before.

    3Pro Bowl: the NFL’s annual all-star game, showcasing the league’s top players. 
    The main purpose of the text is to
    Escolha uma alternativa para a questão 52b9c00f-75
  • 52B73F2D-75

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia a fábula “A rosa de seda” do escritor português Fernando Pessoa.



        Num fabulário ainda por encontrar será um dia lida esta fábula:

        A uma bordadora dum país longínquo foi encomendado pela sua rainha que bordasse, sobre seda ou cetim, entre folhas, uma rosa branca. A bordadora, como era muito jovem, foi procurar por toda a parte aquela rosa branca perfeitíssima, em cuja semelhança bordasse a sua. Mas sucedia que umas rosas eram menos belas do que lhe convinha, e que outras não eram brancas como deviam ser. Gastou dias sobre dias, chorosas horas, buscando a rosa que imitasse com seda, e, como nos países longínquos nunca deixa de haver pena de morte, ela sabia bem que, pelas leis dos contos como este, não podiam deixar de a matar se ela não bordasse a rosa branca.

        Por fim, não tendo melhor remédio, bordou de memória a rosa que lhe haviam exigido. Depois de a bordar foi compará-la com as rosas brancas que existem realmente nas roseiras. Sucedeu que todas as rosas se pareciam exatamente com a rosa que ela bordara, que cada uma delas era exatamente aquela.

        Ela levou o trabalho ao palácio e é de supor que casasse com o príncipe.

        No fabulário de onde vem, esta fábula não traz moralidade. Mesmo porque, na idade de ouro, as fábulas não tinham moralidade nenhuma.


    (Fernando Pessoa. Contos completos, fábulas e crônicas decorativas, 2018.)
    Assume um caráter metalinguístico o seguinte trecho da fábula:
    Escolha uma alternativa para a questão 52b73f2d-75
  • 52B4B660-75

    Português

    Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro)
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia a fábula “A rosa de seda” do escritor português Fernando Pessoa.



        Num fabulário ainda por encontrar será um dia lida esta fábula:

        A uma bordadora dum país longínquo foi encomendado pela sua rainha que bordasse, sobre seda ou cetim, entre folhas, uma rosa branca. A bordadora, como era muito jovem, foi procurar por toda a parte aquela rosa branca perfeitíssima, em cuja semelhança bordasse a sua. Mas sucedia que umas rosas eram menos belas do que lhe convinha, e que outras não eram brancas como deviam ser. Gastou dias sobre dias, chorosas horas, buscando a rosa que imitasse com seda, e, como nos países longínquos nunca deixa de haver pena de morte, ela sabia bem que, pelas leis dos contos como este, não podiam deixar de a matar se ela não bordasse a rosa branca.

        Por fim, não tendo melhor remédio, bordou de memória a rosa que lhe haviam exigido. Depois de a bordar foi compará-la com as rosas brancas que existem realmente nas roseiras. Sucedeu que todas as rosas se pareciam exatamente com a rosa que ela bordara, que cada uma delas era exatamente aquela.

        Ela levou o trabalho ao palácio e é de supor que casasse com o príncipe.

        No fabulário de onde vem, esta fábula não traz moralidade. Mesmo porque, na idade de ouro, as fábulas não tinham moralidade nenhuma.


    (Fernando Pessoa. Contos completos, fábulas e crônicas decorativas, 2018.)
    “Depois de a bordar foi compará-la com as rosas brancas que existem realmente nas roseiras. Sucedeu que todas as rosas se pareciam exatamente com a rosa que ela bordara, que cada uma delas era exatamente aquela.” (3° parágrafo)


    Nesse trecho, o narrador relata uma série de fatos ocorridos no passado. Um fato anterior a esse tempo passado está indicado pela seguinte forma verbal:
    Escolha uma alternativa para a questão 52b4b660-75
  • 52B1D884-75

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia a fábula “A rosa de seda” do escritor português Fernando Pessoa.



        Num fabulário ainda por encontrar será um dia lida esta fábula:

        A uma bordadora dum país longínquo foi encomendado pela sua rainha que bordasse, sobre seda ou cetim, entre folhas, uma rosa branca. A bordadora, como era muito jovem, foi procurar por toda a parte aquela rosa branca perfeitíssima, em cuja semelhança bordasse a sua. Mas sucedia que umas rosas eram menos belas do que lhe convinha, e que outras não eram brancas como deviam ser. Gastou dias sobre dias, chorosas horas, buscando a rosa que imitasse com seda, e, como nos países longínquos nunca deixa de haver pena de morte, ela sabia bem que, pelas leis dos contos como este, não podiam deixar de a matar se ela não bordasse a rosa branca.

        Por fim, não tendo melhor remédio, bordou de memória a rosa que lhe haviam exigido. Depois de a bordar foi compará-la com as rosas brancas que existem realmente nas roseiras. Sucedeu que todas as rosas se pareciam exatamente com a rosa que ela bordara, que cada uma delas era exatamente aquela.

        Ela levou o trabalho ao palácio e é de supor que casasse com o príncipe.

        No fabulário de onde vem, esta fábula não traz moralidade. Mesmo porque, na idade de ouro, as fábulas não tinham moralidade nenhuma.


    (Fernando Pessoa. Contos completos, fábulas e crônicas decorativas, 2018.)
    A onisciência do narrador da fábula mostra-se prejudicada no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 52b1d884-75
  • 52AEC43A-75

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    A group of poets who set a new standard of formal precision in lyric poetry from the 1860s to the 1890s, partly in reaction against the emotional extravagance of romanticism. Adopting Leconte de Lisle as their leader, they followed Theophile Gautier’s principle of art for art’s sake, sometimes championing the virtues of impersonality and of traditional verse-forms.


    (Chris Baldick. The Concise Oxford Dictionary of Literary Terms, 2001. Adaptado.)


    O texto refere-se aos poetas
    Escolha uma alternativa para a questão 52aec43a-75
  • 52AC159B-75

    Português

    Morfologia - Pronomes
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o capítulo intitulado “A borboleta preta” do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.


        No dia seguinte, como eu estivesse a preparar-me para descer, entrou no meu quarto uma borboleta [...]. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu a sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma vez posta, começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.

        Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.

         — Também por que diabo não era ela azul? disse comigo.

        E esta reflexão, — uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas, — me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo. Deixei-me estar a contemplar o cadáver, com alguma simpatia, confesso. Imaginei que ela saíra do mato, almoçada e feliz. A manhã era linda. Veio por ali fora, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas. Passa pela minha janela, entra e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas em torno do meu corpo, e viu que me movia, que tinha olhos, braços, pernas, um ar divino, uma estatura colossal. Então disse consigo: “Este é provavelmente o inventor das borboletas.” A ideia subjugou-a, aterrou-a; mas o medo, que é também sugestivo, insinuou-lhe que o melhor modo de agradar ao seu criador era beijá-lo na testa, e beijou-me na testa. Quando enxotada por mim, foi pousar na vidraça, viu dali o retrato de meu pai, e não é impossível que descobrisse meia verdade, a saber, que estava ali o pai do inventor das borboletas, e voou a pedir- -lhe misericórdia.

        Pois um golpe de toalha rematou a aventura. Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes, contra uma toalha de rosto, dois palmos de linho cru. Vejam como é bom ser superior às borboletas! Porque, é justo dizê-lo, se ela fosse azul, ou cor de laranja, não teria mais segura a vida; não era impossível que eu a atravessasse com um alfinete, para recreio dos olhos. Não era. Esta última ideia restituiu-me a consolação; uni o dedo grande ao polegar, despedi um piparote e o cadáver caiu no jardim. Era tempo: aí vinham já as próvidas formigas… Não, volto à primeira ideia; creio que para ela era melhor ter nascido azul.


    (Memórias póstumas de Brás Cubas, 2001.)


    Pode ser atribuído valor de posse ao pronome sublinhado no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 52ac159b-75
  • 52A95F35-75

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o capítulo intitulado “A borboleta preta” do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.


        No dia seguinte, como eu estivesse a preparar-me para descer, entrou no meu quarto uma borboleta [...]. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu a sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma vez posta, começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.

        Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.

         — Também por que diabo não era ela azul? disse comigo.

        E esta reflexão, — uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas, — me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo. Deixei-me estar a contemplar o cadáver, com alguma simpatia, confesso. Imaginei que ela saíra do mato, almoçada e feliz. A manhã era linda. Veio por ali fora, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas. Passa pela minha janela, entra e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas em torno do meu corpo, e viu que me movia, que tinha olhos, braços, pernas, um ar divino, uma estatura colossal. Então disse consigo: “Este é provavelmente o inventor das borboletas.” A ideia subjugou-a, aterrou-a; mas o medo, que é também sugestivo, insinuou-lhe que o melhor modo de agradar ao seu criador era beijá-lo na testa, e beijou-me na testa. Quando enxotada por mim, foi pousar na vidraça, viu dali o retrato de meu pai, e não é impossível que descobrisse meia verdade, a saber, que estava ali o pai do inventor das borboletas, e voou a pedir- -lhe misericórdia.

        Pois um golpe de toalha rematou a aventura. Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes, contra uma toalha de rosto, dois palmos de linho cru. Vejam como é bom ser superior às borboletas! Porque, é justo dizê-lo, se ela fosse azul, ou cor de laranja, não teria mais segura a vida; não era impossível que eu a atravessasse com um alfinete, para recreio dos olhos. Não era. Esta última ideia restituiu-me a consolação; uni o dedo grande ao polegar, despedi um piparote e o cadáver caiu no jardim. Era tempo: aí vinham já as próvidas formigas… Não, volto à primeira ideia; creio que para ela era melhor ter nascido azul.


    (Memórias póstumas de Brás Cubas, 2001.)


    Expletivo: Diz-se das palavras ou expressões que, embora desnecessárias ao sentido da frase, se usam como realce ou ênfase. Exemplos: “Reparem, saiu aos trancos o carrão novo da Prefeitura...” (Josué Guimarães) / “O porquinho-da- -índia queria era estar debaixo do fogão.” (Manuel Bandeira).


    (Domingos Paschoal Cegalla. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa, 2009. Adaptado.)


    O narrador faz uso de um expletivo no seguinte trecho do capítulo:
    Escolha uma alternativa para a questão 52a95f35-75
  • 52A6B1E2-75

    Português

    Coesão e coerência
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o capítulo intitulado “A borboleta preta” do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.


        No dia seguinte, como eu estivesse a preparar-me para descer, entrou no meu quarto uma borboleta [...]. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu a sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma vez posta, começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.

        Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.

         — Também por que diabo não era ela azul? disse comigo.

        E esta reflexão, — uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas, — me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo. Deixei-me estar a contemplar o cadáver, com alguma simpatia, confesso. Imaginei que ela saíra do mato, almoçada e feliz. A manhã era linda. Veio por ali fora, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas. Passa pela minha janela, entra e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas em torno do meu corpo, e viu que me movia, que tinha olhos, braços, pernas, um ar divino, uma estatura colossal. Então disse consigo: “Este é provavelmente o inventor das borboletas.” A ideia subjugou-a, aterrou-a; mas o medo, que é também sugestivo, insinuou-lhe que o melhor modo de agradar ao seu criador era beijá-lo na testa, e beijou-me na testa. Quando enxotada por mim, foi pousar na vidraça, viu dali o retrato de meu pai, e não é impossível que descobrisse meia verdade, a saber, que estava ali o pai do inventor das borboletas, e voou a pedir- -lhe misericórdia.

        Pois um golpe de toalha rematou a aventura. Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes, contra uma toalha de rosto, dois palmos de linho cru. Vejam como é bom ser superior às borboletas! Porque, é justo dizê-lo, se ela fosse azul, ou cor de laranja, não teria mais segura a vida; não era impossível que eu a atravessasse com um alfinete, para recreio dos olhos. Não era. Esta última ideia restituiu-me a consolação; uni o dedo grande ao polegar, despedi um piparote e o cadáver caiu no jardim. Era tempo: aí vinham já as próvidas formigas… Não, volto à primeira ideia; creio que para ela era melhor ter nascido azul.


    (Memórias póstumas de Brás Cubas, 2001.)


    Antecipa uma informação que será fornecida posteriormente no texto o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão 52a6b1e2-75
  • 52A3F174-75

    Literatura

    Estilística
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o capítulo intitulado “A borboleta preta” do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.


        No dia seguinte, como eu estivesse a preparar-me para descer, entrou no meu quarto uma borboleta [...]. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu a sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma vez posta, começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.

        Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.

         — Também por que diabo não era ela azul? disse comigo.

        E esta reflexão, — uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas, — me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo. Deixei-me estar a contemplar o cadáver, com alguma simpatia, confesso. Imaginei que ela saíra do mato, almoçada e feliz. A manhã era linda. Veio por ali fora, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas. Passa pela minha janela, entra e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas em torno do meu corpo, e viu que me movia, que tinha olhos, braços, pernas, um ar divino, uma estatura colossal. Então disse consigo: “Este é provavelmente o inventor das borboletas.” A ideia subjugou-a, aterrou-a; mas o medo, que é também sugestivo, insinuou-lhe que o melhor modo de agradar ao seu criador era beijá-lo na testa, e beijou-me na testa. Quando enxotada por mim, foi pousar na vidraça, viu dali o retrato de meu pai, e não é impossível que descobrisse meia verdade, a saber, que estava ali o pai do inventor das borboletas, e voou a pedir- -lhe misericórdia.

        Pois um golpe de toalha rematou a aventura. Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes, contra uma toalha de rosto, dois palmos de linho cru. Vejam como é bom ser superior às borboletas! Porque, é justo dizê-lo, se ela fosse azul, ou cor de laranja, não teria mais segura a vida; não era impossível que eu a atravessasse com um alfinete, para recreio dos olhos. Não era. Esta última ideia restituiu-me a consolação; uni o dedo grande ao polegar, despedi um piparote e o cadáver caiu no jardim. Era tempo: aí vinham já as próvidas formigas… Não, volto à primeira ideia; creio que para ela era melhor ter nascido azul.


    (Memórias póstumas de Brás Cubas, 2001.)


    Um traço estilístico marcante da prosa de Machado de Assis é a inclusão do leitor na própria tessitura do texto literário, a exemplo do que ocorre
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