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  • 23 anos de prova

Resultados: 58.062 questões

Página 914 de 2.904

  • Linguagens

    Português

    No que tange à classificação dos elementos sintáticos, em “Convém aos candidatos mais experientes a leitura atenta do edital”, a expressão destacada exerce a mesma função sintática que o termosublinhadoem:
    Escolha uma alternativa para a questão e29c09bb-64
  • Linguagens

    Português

    TEXTO I


    O padeiro


             Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abroaportadoapartamento - mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lidoalgumacoisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bemuma greve, éumlockout, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando opovoatomarseu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.

             Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquantotomocafévou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar opãoàportado apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

             - Não é ninguém, é o padeiro!

             Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?

             "Então você não é ninguém?"

            Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lheacontecerabater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, eouvirumavoz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "nãoé ninguém, não senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...

            Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-loparaexplicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempoeutambém,como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quasesempre depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão umdos primeirosexemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.

             Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porquenojornalque levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônicaouartigocom o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro domeucoraçãoeu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, éopadeiro!"

            E assobiava pelas escadas.


    Fonte: BRAGA, Rubem. O padeiro. In: ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Crônicas I. 27. ed. São Paulo: Ática, 2006, p.61-62.
    Recursos estilísticos são frequentemente utilizados por escritores para aprimorar o ritmodeumtexto,tornar a comunicação mais expressiva ou persuasiva, além de transmitir significado e provocarumaresposta emocional do leitor. Essas ferramentas linguísticas e semióticas alteramo sentido literal dotextoe o levam para além do óbvio. Considerando isso, identifique o trecho em que o autor faz usodessetipode recurso.
    Escolha uma alternativa para a questão e29336b4-64
  • Linguagens

    Português

    TEXTO I


    O padeiro


             Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abroaportadoapartamento - mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lidoalgumacoisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bemuma greve, éumlockout, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando opovoatomarseu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.

             Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquantotomocafévou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar opãoàportado apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

             - Não é ninguém, é o padeiro!

             Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?

             "Então você não é ninguém?"

            Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lheacontecerabater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, eouvirumavoz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "nãoé ninguém, não senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...

            Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-loparaexplicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempoeutambém,como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quasesempre depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão umdos primeirosexemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.

             Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porquenojornalque levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônicaouartigocom o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro domeucoraçãoeu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, éopadeiro!"

            E assobiava pelas escadas.


    Fonte: BRAGA, Rubem. O padeiro. In: ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Crônicas I. 27. ed. São Paulo: Ática, 2006, p.61-62.
    O período “Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo  [...]” é composto por:
    Escolha uma alternativa para a questão e2906552-64
  • Linguagens

    Português

    TEXTO I


    O padeiro


             Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abroaportadoapartamento - mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lidoalgumacoisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bemuma greve, éumlockout, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando opovoatomarseu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.

             Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquantotomocafévou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar opãoàportado apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

             - Não é ninguém, é o padeiro!

             Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?

             "Então você não é ninguém?"

            Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lheacontecerabater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, eouvirumavoz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "nãoé ninguém, não senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...

            Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-loparaexplicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempoeutambém,como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quasesempre depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão umdos primeirosexemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.

             Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porquenojornalque levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônicaouartigocom o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro domeucoraçãoeu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, éopadeiro!"

            E assobiava pelas escadas.


    Fonte: BRAGA, Rubem. O padeiro. In: ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Crônicas I. 27. ed. São Paulo: Ática, 2006, p.61-62.
    “Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.” O termo grifado refere-se:
    Escolha uma alternativa para a questão e28d2c23-64
  • Ciências da Natureza

    Física

    Um resistor ôhmico é submetido a uma diferença de potencial de 4 V. Isso faz com que o resistor seja percorrido por uma corrente de 10 A. Para que a corrente elétrica conduzida por esse resistor aumente em 50%, a diferença de potencial deverá 
    Escolha uma alternativa para a questão c1f2eb83-47
  • Ciências da Natureza

    Física

    A figura mostra um palito de fósforo paralelo à superfície refletora de um espelho plano e a 8 cm dessa superfície.



    Imagem da questão de Física, Universidade Virtual de São Paulo 2026, Ótica



    A partir dessa posição, foram realizados dois experimentos, nos quais o espelho permaneceu fixo. No experimento 1, o palito de fósforo foi afastado do espelho em 2 cm e mantido paralelo à superfície refletora do espelho. Nessa situação, determinou-se a distância da imagem do palito ao espelho. No experimento 2, partindo da disposição original mostrada na figura, o palito de fósforo foi aproximado em 1 cm e mantido paralelo à superfície refletora do espelho. Novamente, determinou-se a distância da imagem do palito ao espelho. A distância entre a posição da imagem obtida no experimento 1 e a posição da imagem obtida no experimento 2, é, em módulo, igual a
    Escolha uma alternativa para a questão c1f039df-47
  • Ciências da Natureza

    Física

    Ao nível do mar, o calor latente de vaporização da água é igual a 540 cal/g. Isso significa que 1 g de água líquida, na temperatura de ebulição, transforma-se em vapor de água nessa mesma temperatura ao absorver uma quantidade de calor igual a 540 cal. Nessas condições, para que 250 g de água líquida sejam transformados em vapor de água, são necessárias 
    Escolha uma alternativa para a questão c1eda738-47
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    As angiospermas constituem o único grupo de plantas capaz de produzir frutos, que são estruturas representativas de um importante sucesso evolutivo. Os frutos se desenvolvem a partir do ovário e contribuem para a dispersão da espécie no ambiente, aumentando suas chances de sobrevivência e propagação. Além disso, a existência de frutos também possibilitou a
    Escolha uma alternativa para a questão c1dc52a3-47
  • Ciências da Natureza

    Química

    Em um béquer, foram adicionados 45 g de determinado material no estado líquido, que ocupou o volume de 50 mL. A tabela apresenta os valores aproximados da densidade (d) de cinco materiais no estado líquido, medidos a 25 ºC.



    Imagem da questão de Química, Universidade Virtual de São Paulo 2026, Substâncias e suas propriedades


    O material adicionado ao béquer foi
    Escolha uma alternativa para a questão c1d1be94-47
  • Ciências Humanas

    História

    O modelo democrático de Atenas na Antiguidade
    Escolha uma alternativa para a questão c1a5c3ff-47
  • Linguagens

    Inglês

        Autonomous vehicles — also known as self-driving cars or self-driving vehicles — are vehicles that can navigate and operate safely with little or no human input or intervention. Autonomous vehicles are equipped with autonomous driving systems that use a combination of sensors, computing, and software to safely perceive their environment and execute driving tasks.
       Autonomous driving offers a range of benefits. One of the most significant advantages is the potential to improve road safety by reducing vehicle collisions, many of which are caused by human error. Autonomous vehicles are designed to follow traffic laws, monitor blind spots, and detect dangers faster than human drivers.
        Autonomous vehicles also have the potential to deliver freedom of mobility for people who are unable to drive by expanding access to transportation options. They can navigate traffic jams and complex urban environments efficiently, which can help reduce traffic congestion and lower emissions — particularly as the transportation industry moves away from internal combustion engines and toward electric vehicles.

    (www.nvidia.com. Adaptado.)
    No trecho do terceiro parágrafo “as the transportation industry moves away from internal combustion engines and toward electric vehicles”, o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo de sentido para a oração, por:
    Escolha uma alternativa para a questão c1a0e695-47
  • Linguagens

    Português

    IA permite viajar sem sair do sofá
    e ainda matar amigos de inveja


       Basta rolar o feed por alguns minutos. Nas redes sociais, surgem fotos de amigos ou influenciadores em cenários típicos de férias perfeitas: alguém aos pés da Torre Eiffel, em Paris, outro numa praia de águas azuis do Caribe ou de algum paraíso nordestino, sem falar no semblante de encantamento diante do castelo da Disney, nos Estados Unidos da América (EUA). Na era da tecnologia, não é preciso ser nenhum privilegiado para compartilhar frequentemente fotos assim nas redes. Aplicativos de inteligência artificial (IA) fazem sucesso produzindo imagens de pessoas em cenários nos quais elas nunca pisaram, confundindo muita gente.
         A primeira febre de manipulação de fotos com IA foi a aplicação de filtros no estilo de animação, seguida de retratos de infância recriados em novos cenários. Agora, a onda é compartilhar imagens simulando cenas de turismo, muitas vezes sem qualquer indicação de que foram geradas artificialmente. Os recursos estão em aplicativos que também usam a IA para simular ensaios fotográficos de aniversário nunca comemorados ou fotos em ambiente corporativo (geralmente com aquele figurino de executivo e cara de conteúdo) para compor perfis profissionais nas redes.
          Para o antropólogo David Nemer, o uso de IA com esse objetivo diz muito mais sobre a cultura digital contemporânea no mundo do que sobre “falsidade”. Ele recorre ao conceito atual de economia da performance, em que a visibilidade digital funciona como capital simbólico. A imagem atrai, mas não é registro: vira status e narrativa pessoal, numa lógica que já existia com filtros e programas de edição de fotos.
          “O valor não está no que você viveu, mas no que você consegue mostrar”, diz o antropólogo. “E ainda reforça desigualdades, porque quem já tem mais repertório digital, literacia tecnológica e familiaridade com IA consegue manipular melhor essas ferramentas e construir imagens mais ‘críveis’, enquanto outros ficam excluídos ou vulneráveis a julgamentos morais”.


    (Carolina Nalin. O Globo, 07.12.2025. Adaptado.)
    De acordo com o antropólogo David Nemer, a geração de imagens por meio de IA reforça desigualdades porque, entre outras razões,
    Escolha uma alternativa para a questão c1805705-47
  • Matemática

    Matemática

    Um dado honesto possui 6 faces e três delas estão numeradas com os algarismos 2, 3 e 5, conforme mostra a figura. Nesse dado, sabe-se que a soma dos dois números de faces opostas é sempre igual a 10.


    Imagem da questão de Matemática, Universidade Virtual de São Paulo 2026, Probabilidade



    Nessas condições, no lançamento desse dado, a probabilidade de a face sorteada ter um número maior que 5 é:
    Escolha uma alternativa para a questão c16b8962-47
  • Matemática

    Matemática

    André e Beto se prepararam para participar de uma corrida. Para isso, realizaram 6 dias de treinamento. No primeiro dia de treino, André correu 6 km e, em cada dia subsequente, correu 2 km a mais do que no dia anterior. Beto correu 1 km no primeiro dia de treino e, em cada dia subsequente, percorreu o dobro da distância percorrida no dia anterior. Ao término dos 6 primeiros dias de preparação, considerando a distância total percorrida por cada um,
    Escolha uma alternativa para a questão c165f15e-47
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    As cores das flores de camélias são determinadas geneticamente por um par de alelos autossômicos. O cruzamento de uma camélia de flores brancas com uma camélia de flores vermelhas gera somente descendentes que produzem flores mistas, ou seja, cada flor apresenta pétalas brancas e vermelhas. Se uma camélia de flores brancas for cruzada com uma camélia de flores mistas, a proporção fenotípica esperada na descendência será:
    Escolha uma alternativa para a questão 8e91cb4d-75
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o capítulo intitulado “A borboleta preta” do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.


        No dia seguinte, como eu estivesse a preparar-me para descer, entrou no meu quarto uma borboleta [...]. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu a sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma vez posta, começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.

        Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.

         — Também por que diabo não era ela azul? disse comigo.

        E esta reflexão, — uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas, — me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo. Deixei-me estar a contemplar o cadáver, com alguma simpatia, confesso. Imaginei que ela saíra do mato, almoçada e feliz. A manhã era linda. Veio por ali fora, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas. Passa pela minha janela, entra e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas em torno do meu corpo, e viu que me movia, que tinha olhos, braços, pernas, um ar divino, uma estatura colossal. Então disse consigo: “Este é provavelmente o inventor das borboletas.” A ideia subjugou-a, aterrou-a; mas o medo, que é também sugestivo, insinuou-lhe que o melhor modo de agradar ao seu criador era beijá-lo na testa, e beijou-me na testa. Quando enxotada por mim, foi pousar na vidraça, viu dali o retrato de meu pai, e não é impossível que descobrisse meia verdade, a saber, que estava ali o pai do inventor das borboletas, e voou a pedir- -lhe misericórdia.

        Pois um golpe de toalha rematou a aventura. Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes, contra uma toalha de rosto, dois palmos de linho cru. Vejam como é bom ser superior às borboletas! Porque, é justo dizê-lo, se ela fosse azul, ou cor de laranja, não teria mais segura a vida; não era impossível que eu a atravessasse com um alfinete, para recreio dos olhos. Não era. Esta última ideia restituiu-me a consolação; uni o dedo grande ao polegar, despedi um piparote e o cadáver caiu no jardim. Era tempo: aí vinham já as próvidas formigas… Não, volto à primeira ideia; creio que para ela era melhor ter nascido azul.


    (Memórias póstumas de Brás Cubas, 2001.)


    Antecipa uma informação que será fornecida posteriormente no texto o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão 52a6b1e2-75
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder à questão.


    Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

    — Está bom, hein?

    — indagou o major.

    — Magnífico

    — fez Ricardo, estalando os lábios. — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

    E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

    Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

    Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4.

    Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

    — Vamos ver. Tire a escala, major.

    (Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)


    1 lutulento: lamacento, lodoso.

    2 olente: cheiroso, perfumado.

    3 dolente: lamentosa, queixosa.

    4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.
    “e foi como se todo ele bebesse o licor nacional” (1o parágrafo)


    Nessa frase, o verbo sublinhado tem um objeto direto — “o licor nacional” —, isto é, o verbo tem um complemento e é ligado a ele diretamente, sem a presença de uma preposição.


    O verbo sublinhado tem também um objeto direto em:
    Escolha uma alternativa para a questão 02bd9e17-74
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    O fígado é o órgão humano responsável pela eliminação de toxinas e outras substâncias exógenas presentes no sangue. O consumo excessivo de medicamentos, como os ansiolíticos benzodiazepínicos, pode sobrecarregar a atividade hepática e trazer sérios riscos à saúde do indivíduo. O consumo excessivo de medicamentos estimula, nas células hepáticas, o aumento da superfície das membranas que compõem
    Escolha uma alternativa para a questão fd921d40-74
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    Considere o enunciado abaixo.


    O quadro atual referente à COVID-19 no Brasil, apesar de bastante distinto daquele observado durante a pandemia de 2020, ainda é preocupante. Uma consulta ao site oficial do governo brasileiro (https://transparencia.registrocivil.org.br/painel-registral/especial-covid) revela que, no período compreendido entre 01/01/2025 e 03/10/2025, ocorreram 1914 óbitos com suspeita ou confirmação de COVID-19 no Brasil.


    Leia as afirmações abaixo, referentes a doenças infecciosas.


    I - A disseminação de doenças virais, como a COVID-19, provocada pelo SARS-CoV-2, ocorre mais facilmente em uma população humana com baixa cobertura vacinal.

    II - A emergência de doenças virais é favorecida pelas mudanças climáticas e pela poluição associada à atividade antrópica.

    III- A indução de memória imunológica contra variantes frequentes de influenza, em idosos, promovida durante as campanhas de vacinação contra a gripe, aumenta a chance de mutação do patógeno.


    Quais estão corretas?
    Escolha uma alternativa para a questão 49e75a79-6f
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    O uso indiscriminado das chamadas canetas emagrecedoras à base de substâncias análogas ao hormônio GLP-1 (como Ozempic e Mounjaro) levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária a exigir, a partir de junho de 2025, que esses medicamentos sejam prescritos em duas vias, com retenção de receita. Sobre os hormônios e suas ações, considere as seguintes afirmações.


    I - Hormônios peptídicos, como o GLP-1, atuam nas células-alvo pela ativação de receptores de membrana.

    II - Feedback negativo é o mecanismo pelo qual o hormônio ou a resposta gerada por ele inibe sua liberação.

    III- Hormônios parácrinos, como o GLP-1, atuam em células-alvo distantes do local de sua produção e liberação.


    Quais estão corretas?
    Escolha uma alternativa para a questão 49cc58bf-6f